00:00Essa caminhada que está sendo, portanto, articulada hoje na Paulista, Renata Abreu,
00:05eu gostaria que você trouxesse para a gente não apenas os detalhes sobre a manifestação,
00:10mas os impactos políticos que a gente pode ter envolvendo evolução em leis
00:15que possam combater, de fato, a violência contra as mulheres.
00:19Todos os especialistas com quem a gente conversa já falam que o Brasil tem uma legislação muito robusta.
00:25Mas por que que muitas vezes uma medida protetiva, por exemplo,
00:28acaba representando só um pedaço de papel e mulheres, mesmo com essa decisão judicial, continuam morrendo?
00:36Pois é, Bia, as legislações foram muito importantes em um avanço, mas como você disse,
00:41desde que a lei feminicídica foi aprovada em 2015, os casos só aumentaram.
00:46É claro que você tem mais identificação do crime como um todo.
00:51Mas a nossa caminhada hoje é um grito, um grito de solidariedade, um grito de atenção.
00:56As leis que foram aprovadas, elas conseguiram avançar porque nós não nos omitimos.
01:02Nós estávamos lá, cobrando, criando, porque é uma falha, quando você tem um feminicídio no Brasil,
01:07é uma falha coletiva do agressor, do silêncio, das instituições.
01:12E é importante que todas nós possamos pensar mecanismos de evitar que isso continue acontecendo no Brasil.
01:18Eu tenho algumas leis importantes em que o Estado age não só depois da tragédia,
01:25mas antes que obrigou o profissional de saúde a registrar no prontuário médico indícios de violência contra a mulher.
01:31Porque a mulher, muitas vezes, quando ela sofre agressão, ela vai no hospital,
01:36mas não vai na delegacia denunciar o agressor.
01:38Então nós demos o papel também a profissionais de saúde, a sociedade como um todo,
01:44para que a gente possa agir antes da tragédia.
01:46Afinal, o feminicídio não é só um crime passional.
01:49Ele é um ponto final numa agressão que já vinha sendo cometido.
01:53E a discussão que a gente vem fazendo, inclusive lá no Congresso,
01:57um projeto de lei também de minha autoria,
01:59e eu acho que isso é um debate com toda a sociedade,
02:02é o que garante saúde mental nas escolas.
02:05Quando acontece um feminicídio, mostra que a sociedade está doente.
02:09Quando a gente vê um pai matando os dois filhos e se matando em seguida,
02:13a sociedade está doente.
02:15A gente precisa começar a olhar para as nossas crianças.
02:19Isso é um sentimento de frustração.
02:21Um homem que não sabe ouvir um não,
02:24que não sabe terminar um relacionamento,
02:26ele vai lá e simplesmente mata a mulher.
02:28A sociedade está doente.
02:29A gente precisa começar a cuidar dela.
02:32E é muito bom agora ter ao meu lado a Ana Carolina,
02:34que é a nossa vereadora,
02:36e a gente poder iniciar um grande movimento
02:37para chamar a atenção da sociedade.
02:39Todos nós precisamos agir.
02:41Não só a política, mas a sociedade dentro de casa,
02:45nas escolas, nos hospitais.
02:48É um grito.
02:48Uma mulher não pode viver com medo
02:50de simplesmente ter coragem para continuar a viver.
02:55Isso precisa ir muito além.
02:57Esse é o objetivo da nossa caminhada.
02:59Chamar atenção que isso não pode acontecer.
03:02É o maior número nos últimos 10 anos de feminicídio no Brasil.
03:06Nós nunca tivemos tantos casos de feminicídio.
03:10E isso precisa, sim, ter uma discussão mais séria com toda a sociedade.
03:15Vereadora, bom dia.
03:16Até, como disse a deputada,
03:19é preciso ter um ambiente que acolha a vítima
03:21depois de uma agressão,
03:23de uma tentativa de estupro,
03:25ou seja, infelizmente, também,
03:27o feminicídio.
03:29Claro que nós temos aí toda essa situação.
03:31Hoje existe essa estrutura em São Paulo
03:33para que possa encorajar a pessoa a procurar a polícia.
03:36Ela falou da questão médica.
03:38Foi muito importante mesmo
03:39para que isso possa ser levado à frente.
03:41Mas existe também hoje uma estrutura melhor?
03:44Bom dia, senhora.
03:45Bom dia.
03:47Existe, sim, na nossa cidade.
03:51E aí, como a Renata falou,
03:52existem leis, existem várias formas de acontecer,
03:55mas é o agressor, aquele que tem o objetivo de matar,
03:58você pode ter diversas formas,
04:00diversas proteções para uma mulher
04:03que ele, com certeza, vai querer chegar no seu objetivo,
04:06que é matar a vítima.
04:08Porém, hoje, nós temos na cidade várias formas.
04:11Nós temos medida protetiva, nós temos abrigos,
04:14nós temos aplicativo de segurança.
04:16Existem várias formas de acolhimento para essa mulher,
04:20só que, infelizmente, muitas vezes são falhos.
04:23Então, quando a gente fala de proteção integral da mulher,
04:27a gente está em diversos âmbitos,
04:29porque muitas são dependentes financeiras
04:32e acabam não saindo das suas casas.
04:34Então, quando a gente chega numa denúncia,
04:36quando ela chega ou numa delegacia,
04:38ou até de pedir uma medida protetiva
04:39que ela não pode voltar para a sua casa,
04:42ela é dependente emocional,
04:43ela é dependente financeira,
04:44e faz com que ela não saia.
04:46Então, o que a gente precisa, enquanto sociedade,
04:50também é falar sobre isso.
04:51É não julgar uma mulher que sofre,
04:54é não julgar uma mulher que muitas vezes ficou
04:56por uma dependência e dar acolhimento.
04:59Porque o acolhimento começa na sua rede de proteção próxima,
05:04seja a sua família, seja um amigo,
05:06e às vezes ela tem vergonha de se expor.
05:08Mas os órgãos estão aí,
05:10existem muitas formas,
05:12e eu sempre digo,
05:13não é porque a gente tem que ele não possa ser discutido,
05:16que ele não possa ser melhorado,
05:18afinal, os números estão aí,
05:20como a Renata falou,
05:22os números aumentaram
05:24de forma avassaladora,
05:26e a gente precisa sentar
05:28e colocar esse debate em prática,
05:30porque eu acho que as leis também,
05:32quando a gente chega numa justiça,
05:33elas são interpretativas,
05:35e elas não podem ser interpretativas
05:37para uma mulher e não para outra,
05:39e a gente precisa,
05:40o que as mulheres buscam,
05:42o que essas famílias buscam,
05:43é efetividade em tudo que a gente tem hoje
05:46em forma de proteção a elas.
05:48Vereadora Ana Carolina Oliveira,
05:51me permita também fazer um contexto aqui,
05:53vereadora,
05:53sobre a sua relação de luta
05:55no combate à violência contra mulheres,
05:58por conta do histórico,
06:00para a nossa audiência também
06:02memorar o fato que ocorreu
06:04envolvendo a sua filha,
06:05Isabela Nardone,
06:06que foi assassinada,
06:07segundo as investigações,
06:08pelo próprio pai e pela madrasta.
06:11A Isabela que tinha apenas cinco anos,
06:13e que inclusive neste mês de março,
06:14o crime completa,
06:1618 anos,
06:17um caso extremamente chocante
06:20e emblemático para o país.
06:22A gente fala em 18 anos,
06:23e parece muito tempo,
06:24mas sabemos que para a família
06:25que vive essa dor,
06:27é sempre como se tivesse sido ontem.
06:29E assim como aconteceu com Isabela,
06:31boa parte dos crimes envolvendo as mulheres,
06:33principalmente no que diz respeito
06:35ao feminicídio,
06:37trazem agressores de dentro
06:39do próprio núcleo familiar.
06:41Por isso, acaba sendo muito mais velado
06:44a gente saber o que ocorre
06:46dentro das casas,
06:47dentro das quatro paredes,
06:48e combater isso,
06:50não é mesmo, vereadora?
06:52Com toda certeza,
06:53você chegou num ponto crucial,
06:56que é a gente falar sobre
06:58os filhos do feminicídio.
07:00Os filhos do feminicídio,
07:02eles ficam aí,
07:03o contexto familiar,
07:05ele é extremamente importante.
07:07Só que quando a gente pega
07:08um contexto familiar,
07:09onde a mãe se foi
07:11e o pai é o agressor,
07:12se ele vai ficar preso
07:14ou não vai ter mais contato
07:15com essas crianças,
07:16o que acontece?
07:18Eu posso falar sobre,
07:20com propriedade de causa,
07:22ninguém fala sobre a vítima,
07:24ninguém fala sobre quem fica.
07:27E as mães,
07:29e as famílias que perderam
07:30a sua filha,
07:32a sua,
07:34enfim,
07:35e os filhos que ficaram?
07:36Como é que a gente trata sobre ele?
07:39São crianças que ficaram órfãs.
07:42A gente vê aí quantas crianças,
07:44elas foram para onde?
07:45Alguns não têm uma família estendida
07:47para poder ter um acolhimento.
07:49Então eu falo por mim
07:51que eu nunca recebi um apoio.
07:53Hoje a gente esbarra também em leis
07:56que favorecem os agressores,
07:59os assassinos,
07:59e não favorecem as vítimas que ficam.
08:02Então hoje eu me encontro nesse lugar
08:04de ser exatamente a voz
08:06que pode estar aqui,
08:08que pode falar
08:09por tantas pessoas que não as têm.
08:11Então eu quero ser essa representante,
08:13eu quero poder falar
08:14por tantas crianças,
08:16por tantas mulheres
08:16que ficaram.
08:18Porque as vítimas sobreviventes
08:20do feminicídio,
08:21elas nunca mais
08:23vão ser curadas
08:24cem por cento.
08:26Elas vivem com esse trauma,
08:27elas vivem com isso,
08:29sondando a vida delas
08:30para sempre.
08:31Então é muita cura,
08:33muito trabalho
08:33que também precisa ser falado
08:35sobre as vítimas que ficaram
08:37e sobre os filhos do feminicídio.
08:40Deputada Renata Abreu,
08:42a senhora é presidente
08:42de uma legenda importante,
08:44é raro também isso,
08:46e quando a gente discute leis,
08:48evidentemente,
08:49claro que haveria uma necessidade,
08:50uma proporcionalidade
08:51muito maior das mulheres
08:53no Congresso,
08:54na Câmara,
08:55no Senado.
08:56Por aí também passa essa discussão
08:58para a gente ter uma vida
08:59mais igualitária, né, deputada?
09:01Com certeza, Marcelo.
09:03Inclusive a presença
09:04de mais mulheres na política
09:06é que permitiu
09:07grandes avanços na legislação.
09:09Porque só quem vive o problema
09:11consegue entender os porquês
09:13ou consegue entender
09:14por que uma mulher
09:15que está sofrendo agressão em casa,
09:17como eu disse,
09:17ela vai no hospital
09:18e não vai na delegacia.
09:19Então mais mulheres na política
09:22permitiu que a gente
09:23pudesse avançar
09:24numa legislação melhor.
09:27E a gente sempre precisa,
09:28é o que eu sempre falo
09:29para a nossa vereadora,
09:30para a Ana,
09:31muitas vezes transformar
09:32luto em luta,
09:33senão a gente não avança.
09:34Só quem vive a dor
09:36consegue perceber os porquês,
09:38consegue dar novas posições,
09:40novas ideias.
09:41E o Brasil precisa cuidar
09:43melhor das mulheres.
09:44Quando a gente cuida das mulheres,
09:45a gente cuida da família,
09:47a gente cuida de toda a sociedade.
09:48A mulher precisa ser vista
09:50como agente protagonista
09:52dessa história.
09:53E é muito bom
09:54hoje ver mais mulheres
09:56na política,
09:56com muita dificuldade,
09:58ainda somos muito poucas,
09:59você vê deputadas federais,
10:00somos 91 em 513,
10:03mas é importante
10:04que a nossa voz seja ouvida
10:06e que essas manifestações
10:07que vêm da sociedade
10:08sejam cada vez mais presentes
10:10e nos deem força,
10:12força para continuar lutando.
10:13Porque muitas vezes
10:14não é fácil
10:15você transformar,
10:17como a Ana fez,
10:18um luto,
10:19uma tristeza
10:19e dar um passo além.
10:21Deixa eu ir para um ambiente
10:22onde a minha voz
10:23vai representar
10:24a voz de milhares
10:25que, assim como eu,
10:26sofreram e sofrem
10:27sem nenhuma rede de proteção,
10:29não tiveram acolhimento,
10:31não conseguem entender
10:32o porquê que essas coisas
10:33estão acontecendo.
10:34Então,
10:35deixa eu representar
10:36essa voz delas
10:37dentro da política.
10:38E eu sou uma grande incentivadora
10:40das mulheres
10:40a darem esse passo além.
10:42A gente sabe
10:42que é muito mais difícil
10:43deixar os filhos em casa.
10:45eu tenho três filhos pequenos,
10:46mas é necessário,
10:48é necessário.
10:49As leis importantes
10:50de acessibilidade,
10:52as leis importantes
10:53das famílias atípicas,
10:55elas conseguem avançar
10:56quando as pessoas
10:57que vivem aquilo
10:58dão um passo além
10:59e participam.
11:01Eu tenho muito orgulho
11:02de ter sido autora
11:03de várias leis também
11:04para a presença feminina
11:05no parlamento,
11:07que garantiu o recurso
11:08para as campanhas femininas,
11:10que garantiu
11:11que o fundo partidário
11:12contasse dobro
11:13e tantas outras parlamentares
11:15que entraram ali
11:16e fizeram a diferença
11:18porque levaram
11:18a nossa voz
11:19para dentro
11:20do Congresso Nacional.
11:21Essa participação
11:22é muito importante
11:23na sociedade.
11:24Deputada Federal
11:25e Presidente Nacional
11:26do Podemos,
11:27Renata Abreu,
11:28muito obrigada.
11:29Deputada,
11:29pela atenção
11:29com a nossa audiência,
11:31é uma boa manifestação hoje.
11:33Muito obrigada.
11:34E também a vereadora
11:35Ana Carolina Oliveira,
11:36muito obrigada
11:37pela sua atenção
11:37com a nossa audiência.
11:39Muito obrigada,
11:40a gente que agradece,
11:41a gente quer estender
11:42esse convite,
11:42às 10 horas da manhã
11:44na Avenida Paulista,
11:45que não só mulheres
11:48vítimas
11:48possam ocupar
11:49esse lugar,
11:50mas toda uma sociedade,
11:51principalmente homens,
11:53que mostram
11:53quem eles são
11:54e o que eles querem
11:55representar
11:56nessa luta
11:57contra o feminicídio,
11:58porque a gente ainda
11:58tem homens muito bons,
12:00muito maravilhosos.
12:02A gente pode dizer
12:02sobre os nossos maridos,
12:04né, Rê?
12:04Então,
12:05que as pessoas
12:06venham conosco hoje
12:07às 10 horas da manhã
12:08na Avenida Paulista
12:09em frente ao McMill.
12:11Perfeito,
12:11convite reforçado.
12:13Muito obrigada,
12:13sejam sempre bem-vindas.
Comentários