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O escândalo do Banco Master revelou uma possível rede de "espiões" dentro do Banco Central e um rombo estimado em R$ 52 bilhões. Adriana Melo, especialista em finanças e tributação, explica como a fraude foi maquiada para enganar auditorias e o impacto reputacional para os bancos médios brasileiros. Entenda as novas regras que o BC e o FGC devem implementar para evitar que "selos de garantia" sejam usados para atrair investidores em esquemas de risco.

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Transcrição
00:00O escândalo do Banco Master colocou o Banco Central no centro das atenções, com o perdão do trocadilho,
00:05e reacendeu questionamentos sobre a autonomia da instituição e a eficácia do monitoramento do sistema financeiro.
00:12O caso levanta dúvidas sobre possíveis falhas de supervisão e pode trazer impactos à imagem da autoridade monetária,
00:19além de reacender o debate sobre os riscos do mercado de crédito privado.
00:22A gente vai conversar agora com a Adriana Mello, que é especialista em finanças e tributação.
00:27Adriana, boa tarde para você, obrigado por ter aceitado o nosso convite.
00:32Boa tarde, né, Sérgio?
00:34Sempre um prazer falar com vocês.
00:35Prazer é nosso de receber você aqui.
00:38O Banco Central, a gente viu que teve dois funcionários de carreira envolvidos aí nesse escândalo, né,
00:43que teriam ajudado o Daniel Vorcaro a ter informações privilegiadas,
00:47mas isso, obviamente, é uma atitude que se for comprovada, é uma atitude criminosa,
00:52mas que não faz parte do arcabouço de fiscalização do Banco Central.
00:56Desse ponto de vista técnico, né, de se está funcionando ou não a fiscalização,
01:01você tem algum reparo a fazer?
01:03Sim.
01:04O que a gente percebe é que esses dois funcionários agiam como espiões dentro da instituição
01:11e que não afeta de forma geral a instituição,
01:16porque ela tem atuado de uma forma realmente regulatória e importante.
01:21O que deve acontecer agora é uma revisão interna do Bacen, né,
01:26porque não basta ter essa presença de controle, de regulação,
01:33mas aparentar também, né, essa visão pra eles é muito importante,
01:38por isso eles estão muito preocupados em demonstrar à sociedade que eles estão atuando,
01:44então esses funcionários já estão sobre investigação e afastados,
01:50e a gente deve ver um nível de controle de ética e regulação muito maior daqui pra frente,
01:57justamente pra preservar a instituição,
01:59que tudo isso poderia ser muito pior se a gente não tivesse a figura de uma instituição sólida como a
02:06gente tem.
02:08Até nesse sistema do Banco Central, você acredita então que a gente consegue fazer o caminho dessa corrupção
02:14que ocorria, Adriana, pra gente descobrir até se por acaso existem outras pessoas sendo espiãs,
02:21às vezes nem por um caso máster, mas por um outro que possa existir, a gente nem sabe?
02:27Com certeza, nesse processo de investigação e apuração de dados, eles vão conseguir rastrear, né,
02:34e eu imagino que um dos controles que deve ser implementado justamente será a avaliação de relacionamento, né,
02:43de relação entre funcionários e os investigados, né, as pessoas supervisionadas,
02:49eu diria na maioria dos casos, né, que a gente tem até então.
02:53Então também devemos ver um nível de segregação de função muito maior daqui pra frente por conta disso, né,
03:00pra evitar que isso aconteça e restrição de acessos, né, porque uma pessoa, no caso,
03:06essas duas pessoas nós tivemos já sob investigação, tinham acesso a muitos dados que eram compartilhados.
03:14Então a gente deve ter uma ação limitando a quantidade de dados de acesso que cada funcionário terá daqui pra
03:23frente.
03:24Adriana, até agora, qual é o dano que você enxerga que já foi causado no mercado de investimentos
03:30e também no mercado de crédito no Brasil por tudo que aconteceu aí no Banco Master?
03:35Além de todos os valores que a gente comenta, né, a gente tá falando de um rombo aí na ordem
03:40de 52 bilhões
03:41até o momento, mas é um dano reputacional gigantesco e ele não afeta somente o Banco Master.
03:50Principalmente os bancos médios hoje estão sobre o olhar do investidor em geral,
03:57que fica muito mais receoso em colocar o seu dinheiro numa instituição que pode ser muito mais frágil
04:04do que um banco maior, né, uma instituição julgada muito mais sólida, por exemplo.
04:09Então isso afeta a reputação indiretamente desses outros bancos menores
04:14e também das instituições, de forma geral, que as pessoas começam a ter um pouco de receio, né.
04:20Se isso aconteceu com o Banco Master, será que acontece com outros bancos, com outras instituições?
04:26Afinal de contas, o estrago foi muito grande, né.
04:30Então o PASEM, justamente por isso, tem uma preocupação muito grande agora
04:35de demonstrar que age, que investiga e que busca reavaliar os seus processos.
04:42A gente já vê mudanças, por exemplo, no FGC, que é quem acabou pagando parte dessa conta, né,
04:48e eles colocando regras justamente para impedir, de certa maneira, que isso volte a ocorrer.
04:54Principalmente limitando o que essas instituições usem desse selo do FGC
04:59para turbinar esses produtos e atrair as pessoas a comprarem e promover um ambiente de insegurança.
05:07Isso que você falou é verdade, viu, Adriana?
05:09Inclusive a gente aqui, eu esses dias estava reparando no anúncio de um banco
05:14dizendo que paga 140% do CDI, nem é o tanto que o Master anunciava, né.
05:19Mas já me chamou a atenção, opa, né, bom demais, né.
05:23A gente fica realmente analisando de onde é que viria esse retorno todo, né.
05:28E, Adriana, também vamos falar sobre a criação desses bancos, né.
05:33Não é de muito tempo que isso está acontecendo.
05:36Quem sabe aí uns seis anos, né, que surgiram bancos.
05:41Inclusive o Master surgiu ali há uns seis anos e cresceu bastante exponencialmente, rapidamente.
05:47Existem falhas do Banco Central de analisar a formação desses bancos?
05:54Quem está montando esses bancos? Mais critério mesmo?
05:58Eu entendo que na origem, não necessariamente, afinal de contas,
06:02a gente tem regras determinadas para que eles possam operar.
06:07O que a gente já vê é uma sinalização do presidente do Banco Central, por exemplo, o Galípolo,
06:14falando que precisa de um critério mais rigoroso na hora de avaliar os ativos e os passivos das organizações.
06:22Então, entre todos os bens que ela tem, a sua capacidade de pagamento versus as suas obrigações,
06:28que é o que, de certa forma, levantou esse sinal amarelo no caso do Banco Master,
06:35a sua capacidade de honrar os seus compromissos é que foi se tornando cada vez pior, né,
06:42e levou à liquidação da instituição para tentar honrar esses compromissos.
06:47Então, a ideia agora é que a gente tenha atuações mais preventivas nesse cenário, né,
06:54já existem regras, mas a gente sabe que nesse caso também o que ocorreu
06:58não foi que a instituição não seguiu essas regras,
07:02a gente está falando de um caso de fraude.
07:04Muitas coisas foram maquiadas para aparentar cumprir as regras
07:09que tínhamos envolvimento de pessoas, não só do Bacen, mas até mesmo dos três poderes, né,
07:16uma rede de proteção gigantesca.
07:18Então, isso levou, inclusive, que auditorias nunca sinalizassem inconsistências, né,
07:24porque isso tudo foi maquiado, amarrado de tal maneira
07:27que aparentava que as regras eram seguidas.
07:31Então, eu diria que a questão não está na regra e na constituição dessas instituições,
07:38mas sim como elas têm agido, né.
07:41Então, alguns crimes financeiros surgem e com isso também alguns aprendizados.
07:46E nesse momento as instituições precisam recalibrar os seus controles
07:52para prevenir que isso volte a acontecer.
07:55Adriana, o que um cidadão comum pode fazer para tentar se certificar
07:59de que o banco onde ele está investindo tem, de fato, um patrimônio robusto
08:03para honrar com os compromissos?
08:04Dá uma pesquisada, por exemplo, no índice de Basileia?
08:08Sim, mas esses dados, eu diria que às vezes são um pouco complexos
08:12para o investidor comum, né, o cidadão comum às vezes não vai entender todos esses dados.
08:19Então, a ideia, num primeiro momento, é sempre seguir a intuição, né,
08:25nem tudo que reluz é ouro.
08:27Então, se eu vejo uma proposta muito acima do mercado, isso chama atenção.
08:33Pode ser que ainda não tenha nada acontecendo, mas pode ter um risco implícito muito grande.
08:39A gente sabe que tem o FGC, mas muitas pessoas investiram acima disso.
08:44A gente está falando até de fundos de previdência que fizeram investimentos, né,
08:49que são analisados nesse caso.
08:50Então, para o cidadão comum, é sempre analisar o que faz sentido na prática.
08:58E, por exemplo, haviam pessoas que tinham investimentos como o Will Bank,
09:03que não era sequer um banco.
09:04Então, analisar e entender o que é um banco, o que não é um banco,
09:08que tipo de proteção ele tem e até qual valor seria o mais importante nesse momento.
09:14Adriana Mello, especialista em finanças e tributação.
09:17Muito obrigado pela sua participação. Boa tarde para você.
09:20Obrigado.
09:21Boa tarde. Tchau, tchau.
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