00:00E por causa desses conflitos no Oriente Médio, o governo iraniano proibiu a exportação de produtos agrícolas e alimentos.
00:06O Luca Bassani vai trazer os detalhes pra gente, né?
00:09Pode ser um plano de emergência, Luca, essa situação, pra que não falte suprimento ali pro próprio povo?
00:15E a questão também do Estreito de Hormuz, né? Tá tudo parado por lá.
00:20Exatamente, Márcia. A sua análise é correta, porque o Estreito de Hormuz não serve apenas pras rotas do petróleo,
00:26serve pra grande parte da marinha mercante, que inclui as questões de alimentos, os produtos agrícolas que saem e chegam
00:34do Irã.
00:34Exatamente nesse sentido, o governo iraniano proibiu a exportação de alimentos e de outros vários importantes defensivos agrícolas, por exemplo,
00:44que podem ser fundamentais num momento de crise no país e que pode também afetar o Brasil,
00:50já que o Irã produz muito ureia, que é utilizada também como um dos princípios dos fertilizantes pelo agronegócio brasileiro
00:56e em todo o mundo.
00:57Essa é vista como uma medida de crise no momento em que as rotas aéreas estão comprometidas,
01:04muitos países que fazem fronteira com o Irã também fecharam as suas fronteiras terrestres por conta da guerra
01:10e o fluxo marítimo de várias embarcações também é severamente afetado por conta dessa batalha naval que acontece no Golfo
01:18Pérsico
01:18e que pode aumentar a preocupação de qualquer um desses cargueiros e, obviamente, empurrar as seguradoras a não autorizar determinadas
01:28viagens.
01:29Essa medida é anunciada agora pelo governo iraniano, mas não há nenhum tipo de indício que há falta de alimentos
01:36nesse momento.
01:36Irã é um país muito grande, um país que, ao contrário de outras nações que entraram em guerras recentemente,
01:42tem uma grande estrutura no seu estado, na sua própria estrutura econômica, então consiga resistir.
01:48Mas a gente vê que o governo está empenhando-se completamente aos esforços dessa guerra
01:53e vai redirecionar todos os recursos necessários para que os seus objetivos sejam alcançados,
01:58por mais difíceis que eles sejam, considerando o isolamento iraniano nesse momento,
02:03não só econômico, mas principalmente bélico.
02:06Afinal, Rússia e China, os principais países que poderiam dar retaguarda,
02:11apenas têm utilizado dos canais diplomáticos e das declarações dentro das Nações Unidas
02:16para repudiar as ações norte-americanas e israelenses sem nenhuma ajuda efetiva
02:21no que diz respeito às questões militares, que poderia ser crucial para qualquer tipo de contra-ofensiva,
02:28se assim podemos dizer, por parte dos iranianos.
02:31Eu queria discutir com você mais um ponto da última coletiva que nós ouvimos no começo do programa.
02:37Como foi a sua análise do posicionamento do premier alemão, Friedrich Merz?
02:42Você acredita que ele se posicionou ao lado ali de Trump?
02:46Ele tem, inclusive, sido um pouco criticado aqui internamente na Alemanha
02:51por uma posição de muita leniência com o governo norte-americano.
02:55Mas a gente não pode esquecer que, anteriormente, o seu antecessor era um político da esquerda,
03:01da social-democracia, que automaticamente tinha suas questões ideológicas com Donald Trump,
03:06enquanto Friedrich Merz é um político da direita, é um político conservador da centro-direita,
03:12se assim podemos dizer, e tem as suas afinidades até mesmo ideológicas com o mandatário norte-americano,
03:17por mais que a política europeia e norte-americana sejam diametralmente diferentes em muitos aspectos.
03:23Então, muitos falam sobre essa leniência, mas acaba fazendo sentido na sua própria carreira política
03:29como um líder conservador.
03:31Também nas questões econômicas, ele sabe que precisa fazer o melhor negócio possível,
03:36o melhor acordo possível com os Estados Unidos,
03:38dada a falta que o mercado norte-americano representa para as empresas alemãs,
03:43empresas europeias como um todo, nesse contexto de tarifácio.
03:46Ele que também é um dos maiores defensores da implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia.
03:52Então, a gente vê que ele vê o momento econômico sensível vivido pela Alemanha
03:57nessa estagnação, nessa recessão, e tem tentado ampliar os canais comerciais com o resto do mundo,
04:05inclusive com os Estados Unidos, um parceiro histórico que inclusive foi fundamental
04:09na reconstrução da Alemanha no pós-guerra.
04:11O Trump até brincou durante a coletiva, vamos taxar a Alemanha,
04:15e aí deu uma cutucadinha assim no MERS.
04:18Obrigada, Luca Bassani, pelas atualizações.
04:21Obrigada, cara.
04:21Obrigado.
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