00:00Agora 8 horas e 48 minutos. Repita. 8h48 da manhã.
00:05A Agência Internacional de Energia Atômica confirmou, portanto, que houveram danos registrados
00:12na usina de enriquecimento de combustível de Natanz, no Irã.
00:16Então, não há expectativa de que haja consequências radiológicas, Luca Bassani, com as informações ao vivo?
00:22Existe um mínimo de segurança quanto a isso no local?
00:26Pois é, Bia. Como as questões nucleares iranianas estão no centro deste conflito,
00:33desde ontem a Agência Internacional de Energia Atômica monitorava as suas agências parceiras
00:41para saber se algumas dessas instalações haviam sido atingidas durante estes quatro dias de conflito.
00:47Inicialmente não havia nenhum indício em relação a isso, mas depois que as comunicações foram reestabelecidas,
00:53lembrando que o Irã, sempre que tem um conflito, causa um bloqueio da internet no país,
00:58o que complica as telecomunicações.
01:00Hoje pela manhã, a Agência Internacional de Energia Atômica afirmou, então,
01:04que a entrada da usina nuclear de Natanz, essa que também foi atingida na Operação Martelo da Meia-Noite,
01:10em 2025, sofreu alguns danos.
01:14Todavia, não houve nenhuma consequência radiológica.
01:17Isso significa que não há, por enquanto, nenhum nível de radiação acima do normal
01:22que possa indicar qualquer tipo de explosão de reatores e, evidentemente, um acidente nuclear.
01:28Todavia, isso mostra também que as operações israelenses e norte-americanas
01:33querem tentar concluir aquilo que foi iniciado o ano passado,
01:37já que o próprio presidente Donald Trump e Netanyahu disseram que as usinas e instalações nucleares
01:43foram bastante danificadas, mas depois alguns relatórios de inteligência mostraram
01:48que não foram completamente obliteradas como gostariam os dois mandatários dos seus países.
01:55Então, a gente, com certeza, vai continuar observando todos esses relatórios
02:00da Agência Internacional de Energia Atômica, já que o Irã tem pelo menos
02:04umas oito instalações nucleares que, evidentemente, podem ser alvos dessa guerra
02:10e que, com certeza, estão dentro dos planos dos Estados Unidos e de Israel
02:14por ser um dos objetivos dos dois países, impedir qualquer tipo de enriquecimento de urânio
02:19que culmine com uma bomba atômica iraniana que desestabilizaria a região,
02:24como disseram tanto Trump quanto Netanyahu durante vários meses, durante os últimos anos.
02:31Luca Bassani, continua aqui com a gente, porque nós também temos informações
02:35sobre o contexto na Europa desse conflito.
02:38É claro que todos os países acompanham com atenção,
02:42mas também já temos a informação de que a França anunciou que vai aumentar
02:47o armazenamento de armas nucleares.
02:50Qual que é o impacto desse anúncio?
02:53Pois é, o presidente Emmanuel Macron anunciou, quando fez uma visita na Bretanha
02:58durante a tarde de ontem, que a França, que é atualmente já a quarta potência nuclear do mundo,
03:03apenas atrás da Rússia, Estados Unidos e China, vai aumentar o seu arsenal.
03:08Atualmente, a França tem 290 ogivas atômicas, é o maior país da União Europeia,
03:14o único país da União Europeia, melhor dizendo, que possui essas armas
03:17e que vai aumentar consideravelmente durante os próximos anos.
03:21Este arsenal não deu indícios se seria dobrá-lo, se seria aumentar quantas ogivas,
03:26mas, todavia, é mais um daqueles esforços de rearmamento dentro do continente europeu.
03:32E há também várias falas sobre a possibilidade desse guarda-chuva nuclear francês
03:37ser expandido para os seus parceiros da Europa, como a Alemanha, Espanha, Itália,
03:41ou até mesmo a Polônia, que está próximo da Rússia, próximo da Ucrânia,
03:46neste contexto de guerra também aqui no continente.
03:48Então, há Europa também dizendo que precisa voltar a ser temida.
03:53O próprio Macron disse que o respeito no mundo de hoje só é feito através do temor
03:58e através dessas armas potentes que os países devem ter
04:02para poder responder a possíveis ataques,
04:06ou até mesmo dissuadir inimigos a atacar as suas próprias nações.
04:10Obrigada, Luca Bassani, pelas informações.
04:12O Túlio Nassa e o Lucas Merreiro já estão aqui para conversar com a gente sobre esse assunto.
04:16Lucas Merreiro, a gente viu uma reorganização geopolítica,
04:20mas também uma mudança de olhar sobre vários países a respeito do armamento nuclear.
04:25E vemos a França fazendo esse primeiro anúncio de que vai aumentar o armazenamento,
04:30ou seja, ao invés da medida adotada por Donald Trump em conjunto com o Israel
04:35de resolver o que eles consideravam um problema no Irã
04:39a respeito das armas nucleares.
04:41Isso, na verdade, reacendeu o debate para o lado contrário.
04:46Pois é, Bia.
04:47E a gente tem que entrar nessa discussão também.
04:49O próprio Brasil tem que começar a pensar.
04:53Será que não é a hora da gente também ter armas nucleares?
04:56Pode parecer um pouco esquisito propor isso para algumas pessoas.
05:00O Brasil nunca entrou em nenhuma guerra,
05:03mas o fato é que a ordem global está mudando.
05:07Vejam só, a França dizendo em aumentar suas armas nucleares.
05:10O número de conflitos globais vem aumentando cada vez mais.
05:14São vários países entrando em guerra uns com os outros.
05:17E pode ser que, eventualmente, esses países virem os olhos para o Brasil.
05:21Ué, a França mesmo, o próprio Macron,
05:24já demonstrou ter muito interesse esquisito na Amazônia.
05:29Já falou que queria que a França cuidasse da Amazônia
05:33porque o Brasil não cuida direito.
05:34E quando esses países começarem a voltar os olhos para o Brasil?
05:38O Brasil não tem a menor capacidade de se defender em nenhum conflito global.
05:42Nós somos uma das maiores potências do mundo,
05:45não porque o Brasil é muito rico, né?
05:48O Brasil é um país pobre.
05:49Mas é a principal economia na América Latina,
05:52é um dos países mais economicamente relevantes do Brasil,
05:55e nós não temos chance nenhuma de nos defender.
05:58Veja só, a Índia é um país ainda mais pobre que o Brasil,
06:02mais em ascensão, logo mais vai ultrapassar o Brasil,
06:06como tem ultrapassado em vários fatores econômicos,
06:10de índice de desenvolvimento humano,
06:11de saneamento básico e tudo mais.
06:13E eles têm armas nucleares.
06:15Ora, por que a Índia pode ter e o Brasil não pode ter?
06:18Esses países, como a França,
06:19eles aumentam o próprio arsenal nuclear
06:21e tentam impedir que os outros países
06:24adquiram verdadeiramente a sua soberania.
06:26O Brasil não pode ficar de fora dessa discussão.
06:29O Brasil tem, sim, que ter o seu próprio poderio bélico nuclear.
06:34Ô, Túlio Nassa, eu acho que essas situações,
06:37esses conflitos também expõem o quanto
06:39as políticas internacionais e a diplomacia
06:42estão expostas a governos de turno.
06:45Muda-se o governante,
06:48se expõem a todas as partes do mundo
06:51a situações completamente diferentes,
06:53imprevisíveis e que muitas vezes
06:55podem colocar todos em risco, né?
06:59Pois é, Evandro, nós vivemos um tempo
07:01em que, infelizmente, a diplomacia,
07:03não só brasileira, a diplomacia mundial,
07:05carece de líderes, carece de pessoas
07:08que possam realmente aglutinar
07:10um sentimento de multilateralismo
07:12e promover a paz mundial.
07:13Hoje nós vivemos um período em que
07:15Estados Unidos, Rússia e China
07:16ditam as regras internacionais
07:18através do uso da força.
07:20E eu digo mais, há um receio muito grande
07:23porque hoje nós vivemos uma situação
07:25muito parecida com a época
07:26pré-Primeira Guerra Mundial.
07:28Veja, em que havia ali
07:30uma disputa por mercados,
07:32havia ali alianças de eixos
07:34como nós temos hoje
07:35um eixo das ditaduras, Rússia e China,
07:37outro eixo dos Estados Unidos e Israel.
07:39Nós temos uma corrida armamentícia
07:41e naquela ocasião, na Primeira Guerra Mundial,
07:44faltava apenas uma pólvora.
07:45Aquela pólvora foi a invasão da Sérvia,
07:48onde o Império Austro-Húngaro
07:49cometeu aquela invasão
07:50e depois a Rússia entrou para ajudar a Sérvia
07:53e aí o conflito estava generalizado.
07:55O que nós temos hoje?
07:56Nós temos o Irã,
07:57que é um cenário fértil
07:59para que essa pólvora acenda.
08:00Nós temos a própria Europa,
08:02através das ameaças que a Rússia faz,
08:04e Taiwan, logo ali do lado da China.
08:06Então nós precisamos sim nos preocupar
08:08porque o cenário não é favorável.
08:11Oxalá que não aconteça nada pior.
08:13e Taiwan.
08:13Obrigado.
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