00:00E continuamos aqui. Então, meus colegas de bancada, de sofá da discórdia, tivemos uma discórdia, então, né?
00:07Não, mas tem que ter, na verdade, uma crítica aberta aqui ao Fernando Haddad, que é até uma irresponsabilidade ele
00:14falar que o Brasil não vai ser afetado, né?
00:17E que bom que o Celso Amorim, ele teve essa sensatez de deixar muito claro que sim, né?
00:22Que não vai ser daqui um ano, cinco anos, que já num primeiro momento, de forma imediata, o país é,
00:27sim, impactado por essas mudanças.
00:30E eu acho até uma irresponsabilidade, enquanto ministro da Fazenda, ele vir com um discurso eleitoral, né?
00:36Mas eu queria convocar vocês, o Brasil não produz petróleo? Não exporta petróleo?
00:40Se o petróleo não sai lá do Estreito de Hormuz, não é o nosso petróleo que valoriza?
00:45É questão muito, assim, matematicamente perguntando, Fernando.
00:49Sim, o petróleo valorizar é bom para a indústria petrolífera, mas ela encarece todos os produtos da cadeia.
00:55Então, petróleo que a gente pensa, às vezes, é só gasolina, mas além disso, você tem no plástico, você tem
01:01petróleo, você tem petróleo em vários itens da economia e que são afetados por uma alta no barril.
01:06A alta do dólar também acaba afetando outros setores da economia brasileira.
01:10Então, de fato, do ponto de vista econômico, essa guerra, essa situação, qualquer instabilidade é negativa e vai ter o
01:16impacto, sim, na economia brasileira.
01:18Acredito que o ministro está falando isso para poder realmente tentar botar panos quentes num ano eleitoral onde não quer
01:24uma sensação de indignação ou insatisfação na população.
01:28Mas isso é difícil, dado que o próprio PT também não consegue alegar imparcialidade, tendo já criticado os Estados Unidos,
01:35tendo já criticado Israel abertamente.
01:38Aliás, não sei se você sabe, mas o único país do Ocidente que teve um representante oficial participando da posse
01:44do regime iraniano foi o Brasil.
01:45O nosso vice-presidente estava lá.
01:47Então, apesar de alguns discursos um pouco mais imparciais oficialmente, extraoficialmente, o Brasil, o atual governo, continua prestando seu apoio
01:59a esse regime.
02:00E o que vai tornar uma situação interessante quando o Lula for encontrar com o Trump em algumas semanas,
02:06no qual ele vai ter que, por até parceria e alinhamento com esse eixo, ele vai ter que criticar os
02:12Estados Unidos e pedir por paz
02:14ou por uma resolução no conflito na região.
02:17Mas, por outro lado, ele sabe que isso é muito difícil de defender e os Estados Unidos estão ganhando um
02:22interesse cada vez maior na política da América do Sul.
02:25Então, o Lula vai querer criticar, mas não vai querer criticar a ponto de se tornar o próximo alvo do
02:30Trump.
02:31Mas aí só, Fernando, contestando um pouco do que você está falando.
02:35Não é nem uma contestação, mas eu acho que aqui, em outras oportunidades, a gente apresentou inúmeras críticas ao presidente
02:41Lula
02:42e a forma como ele se manifesta perante questões políticas internacionais.
02:46Dessa vez, pelo menos, ele deve ter seguido a orientação dos seus assessores, porque ele fala em um tom muito
02:53ameno, ele tenta não condenar, ele tenta não tomar um partido.
02:58O que é o que se espera nesse primeiro momento, até porque, mais uma vez, existe uma questão não só
03:04econômica, não só política, mas também humanitária.
03:07A gente não pode simplesmente falar, parabéns, Donald Trump, porque tem pessoas ali.
03:12É um conflito que, assim como aconteceu em outras oportunidades, a gente vê essa incursão muito incisiva e depois a
03:21gente simplesmente não escuta mais falar.
03:23Então, por exemplo, ele tirou o Maduro da Venezuela. Como está a Venezuela hoje? Tudo o que aconteceu em Gaza.
03:29Como está a Gaza hoje? As pessoas acabam deixando de se preocupar tanto, porque vem uma nova incursão, vem uma
03:35nova manchete.
03:36E a realidade, para quem está vivendo nesses lugares, ainda é muito incerta.
03:40E a gente não pode desconsiderar uma situação como essa.
03:43Mas vale dizer que a Venezuela está reabrindo o mercado, ela está atraindo novas empresas.
03:49Mas o que a gente quer saber mesmo é, aqui no Brasil, como é que essa gasolina vai ficar na
03:54bomba, né, professora?
03:56Essa é a grande questão, porque a gente está vendo, por exemplo, uma guerra que se alastra há quatro anos,
04:03né, entre Ucrânia e Rússia.
04:05Esses impactos, né, com importação, com o direito de ir e vir do europeu.
04:11E, de certa forma, o Brasil acaba atingido também, né?
04:14Então, nesse momento, a gente está se preparando para voltar para a nossa rede de rádios.
04:20E eu queria, professora, te fazer mais um convite.
04:22Desculpa aqui já o abuso, mas queria que a senhora continuasse conosco,
04:26porque a gente vai saber agora a posição da Petrobras.
04:28Petrobras.
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