00:00O professor especialista em Direito Internacional, que está na ponta da linha, na verdade, na ponta do vídeo,
00:05é a professora Bárbara Regina, especialista em Direito Internacional, participando aqui no nosso Morning Show.
00:13Bom dia, professora.
00:16Bem-vinda ao nosso Morning Show.
00:16Olá, bom dia. É um prazer estar aqui.
00:19Obrigada, Fernando.
00:21É muito difícil a gente fazer previsões sobre desdobramentos.
00:27Estados Unidos dizendo que a guerra é questão de semanas, mas essas composições que a gente vê,
00:34nesse barril de pólvora que é o Oriente Médio, isso indica um confronto mais prolongado?
00:42Fernando, essa pergunta é extremamente importante porque a gente está diante de um novo capítulo da Geopolítica Global.
00:47Para quem nos assiste, e eu digo que é um prazer estar aqui comentando sobre esse assunto,
00:51o que você tem nos anos 2000? Você tem o Iraque, você tem o Afeganistão entrando em guerra com os
00:59Estados Unidos,
01:00e tempos depois o Irã vai assumir esse protagonismo geopolítico e rivalizar contra Israel.
01:07Então, hoje, em 2026, nós temos um aumento da escalada de conflitos em que Israel tem os principais interesses
01:16em conter o Irã e os Estados Unidos como, isso acontece há décadas, o principal aliado.
01:23A gente não pode falar, por enquanto, de uma escalada regional,
01:27porque isso mobilizaria diversos atores, diversos governos, organizações internacionais.
01:31O que nós estamos falando é um aumento da guerra de agressão, por um lado,
01:37Estados Unidos, contra uma guerra sacrossanta,
01:40porque virou uma guerra sacrossanta, desde que o Aitola iraniano foi morto.
01:47Então, não é uma guerra regional ainda, mas é uma escalada,
01:52e isso vai afetar de maneira inimaginável desdobramentos políticos, econômicos e políticos civis, humanitários,
02:00como bem lembrou a Ana agora há pouco.
02:02Professora, eu quero colocar na conversa aqui o Fernando Fonseca,
02:05que também entende muito sobre direito internacional e guerras, enfim.
02:11Quando a gente fala em guerra nuclear, palavra muito forte, Fernando,
02:15você enxerga essa palavra também dentro desse conflito?
02:19Porque guerra nuclear, as estimativas são até de que o próprio planeta não estaria preparado para algo assim.
02:28Eu entendo que a ação dos Estados Unidos, enfática e incisiva nesse momento,
02:32é justamente para evitar isso, com as tensões na região sempre altas,
02:37e o avanço ali da militarização do Irã,
02:41os Estados Unidos sentiram esse interesse ou essa urgência de entrar e resolver
02:46de uma forma mais definitiva, antes que o conflito escale de vez.
02:51Mas eu acho que é importante a gente lembrar, dentro desse cenário geopolítico global,
02:55que essa região é mais um elo numa briga, vamos dizer assim,
02:59que está existindo entre o Ocidente e o Oriente.
03:01Então, ou seja, o Irã é um grande parceiro de grandes adversários,
03:06sejam econômicos ou militares, dos Estados Unidos, como a China, a Rússia.
03:09A própria Venezuela foi um elo nessa cadeia.
03:12Então, essa intervenção no Irã, ela tem o objetivo de evoluir ou avançar essa agenda dos Estados Unidos
03:21em conter um pouco o interesse desse grupo de países.
03:25Então, assim, eu acho que o Irã também é um regime que vem perdendo legitimidade,
03:30até perante sua própria população.
03:32Vimos manifestações massivas da população no Irã no final do ano passado,
03:36que foram respondidas com uma chacina,
03:39uma chacina descarada e sem o menor pudor.
03:43Então, eu acho que toda a comunidade internacional se comove com isso,
03:46tanto que você vê que a própria China e a própria Rússia não estão defendendo o Irã.
03:50Eu acho que o Irã está indefensável a essa altura.
03:53Os Estados Unidos estão vendo, estão sentindo essa fragilidade no ar.
03:56O Israel sempre tem um interesse ali na região.
03:59Então, eles chegaram à conclusão que é o momento certo de agir.
04:03Mas dois pontos rápidos aqui interessantes nisso é o timing.
04:06E uma operação como essa, uma intervenção como essa,
04:10ela só foi possível depois dos Estados Unidos bloquear ali ou blindar a situação na Venezuela.
04:15Ou seja, a situação do petróleo ali no médio e longo prazo está garantida,
04:19controlando as reservas da Venezuela.
04:21E, por outro lado, eles precisavam fazer isso logo,
04:23porque os midterms, as eleições nos Estados Unidos chegam agora em outubro,
04:27e o Trump tem chance de perder o controle do Congresso.
04:31Então, nesse momento, ele tem o poder tanto ali de atuação pelo Exército,
04:35como um controle no Congresso que permite que ele faça esse tipo de manobra.
04:39Essa é a janela que eles encontraram com essa desculpa, né,
04:42ou vamos dizer uma justificativa da questão nuclear,
04:45eles entraram lá de forma mais incisiva junto com Israel.
04:48É, professora, o nosso Henrique, tem uma pergunta pra senhora aqui.
04:53Por favor, Henrique.
04:55Professora, bom dia, tudo bem contigo?
04:57Deixa eu te perguntar a respeito dessa invasão no Irã,
05:00esse bombardeio que está acontecendo no Irã pelos Estados Unidos.
05:03Os Estados Unidos, recentemente, vêm tentando fazer várias frentes
05:07pra tentar atacar a China.
05:09Você enxerga esse bombardeio como algo que pode ter por trás
05:13uma tentativa de também interferir na China ali,
05:16prejudicando a rota comercial do petróleo,
05:19tentar interferir numa região,
05:20já que o Irã é de extrema importância pela rota terrestre
05:24que a China normalmente faz.
05:25Você acha que pode ter tido uma intenção direta
05:28de prejudicar a China dos Estados Unidos,
05:31tentar fazer esse ataque à China,
05:33que vem se mostrando uma potência global também?
05:37Henrique, tudo bem? Olá, bom dia.
05:39Agradeço pela pergunta.
05:40Essa pergunta é muito interessante,
05:42vai ao encontro do que o Fernando disse anteriormente,
05:44que é justamente sobre os interesses norte-americanos.
05:48Você tem eleições em novembro, as midterms,
05:50o parlamento pode mudar,
05:52a reconfiguração do parlamento pode mudar,
05:54o parlamento está americano,
05:55e o Donald Trump está embaixo nos Estados Unidos.
05:58Tem uma frase muito famosa na política,
06:00que é o timing, muitas vezes,
06:02é mais importante do que a própria decisão.
06:05E a gente tem um timing aqui.
06:07A Venezuela, você tem um regime que não caiu,
06:11mas o seu líder cai.
06:12Então, os Estados Unidos, eles demonstram cada vez mais
06:16um grande poder de intervenção.
06:18Então, você tem isso na Venezuela.
06:20E agora, no Oriente Médio,
06:22a gente tem que lembrar que a China
06:24foi a principal patrocinadora
06:26da entrada do Irã nos BRICS.
06:29A China é muito interessada,
06:32nessa nova rota da seda.
06:35Porque o Irã, para a China,
06:37o Irã, ele é a ligação
06:39entre o Oriente Médio e a Eurásia ali.
06:43Vamos lembrar que o Irã controla
06:45o Estreito de Omuz,
06:46que é responsável, nada mais, nada menos,
06:48por um quinto de todos os barris de petróleo produzidos,
06:52a circulação de um quinto
06:53de barris de petróleo produzidos.
06:55E a China tem muito interesse.
06:56Ela está acendendo cada vez mais economicamente.
06:59Ela tem que manter esse patamar
07:00para rivalizar com os Estados Unidos.
07:02Então, na minha visão,
07:04como analista,
07:05você tem os interesses primários, regionais,
07:09que é como ter uma tentativa de encerrar
07:12o programa nuclear iraniano,
07:17como ponto número um.
07:18Mas o ponto número dois é geoeconômico.
07:21É a ascensão da China,
07:23é um Donald Trump presidente
07:24que está embaixo e precisa dar respostas
07:27ao povo americano,
07:28porque é o povo americano,
07:29com seus impostos,
07:31que está justamente financiando
07:33essa nova guerra
07:35que os Estados Unidos enfrentam
07:37no Oriente Médio.
07:38Então, o que nós teremos mais para frente?
07:41Teremos inflação,
07:42vidas que se vão,
07:44e o Donald Trump vai estar pressionado.
07:47E se isso,
07:48se essa decisão
07:49de entrar em guerra contra o Irã
07:52puder gerar benefícios econômicos
07:55contendo o avanço chinês,
07:57eu acho que é uma vitória
08:02eleitoral, sobretudo,
08:03do Donald Trump.
08:04Professora Bárbara Regina,
08:06eu quero te fazer um convite
08:07para continuar conosco.
08:08o...
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