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Marcelo Favalli detalha a importância geopolítica e econômica do Estreito de Ormuz no contexto do conflito entre o Irã e a coalizão liderada por Estados Unidos e Israel. Com apenas 53 km de largura no seu ponto mais estreito, esta passagem vital no Golfo Pérsico é responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% do petróleo global (cerca de 21 milhões de barris por dia), além de gás natural liquefeito (GNL).

O Irã, detentor da terceira maior reserva de petróleo do mundo, utiliza o controle parcial do estreito como uma "arma secreta" desde 1979, capaz de interromper o fluxo energético para desafetos no Ocidente e na Península Arábica que se alinharam aos EUA. Favalli aponta que, curiosamente, o Irã escoa apenas 9% do seu próprio petróleo pela via, utilizando um oleoduto estratégico de 1.000 km para burlar o gargalo em tempos de crise.

O fechamento ou interrupção do tráfego em Ormuz impacta severamente grandes consumidores como China (que absorve 33% do fluxo), Índia, Japão e Coreia do Sul, além de forçar rotas navais alternativas pelo Cabo da Boa Esperança, o que encarece o frete em milhões de dólares e gera pressões inflacionárias globais.

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Transcrição
00:00Vamos falar um pouco mais sobre o Estreito de Hormuz, porque o Irã tem essa arma secreta desde a Revolução
00:05Islâmica de 1979.
00:08Atualmente, essa passagem garante o abastecimento de pelo menos 20% do petróleo global.
00:14A interrupção prejudica os mesmos países que o regime dos Hayatollahs contra-atacou nos últimos dias.
00:20O Marcelo Favalli já está de volta para mostrar para a gente aí os reais efeitos desse fechamento do Estreito
00:26de Hormuz, não é Favalli?
00:27Pois é, Torres. De novo, a gente tem falado que esse confronto tem muitas camadas.
00:32Vamos colocar numa perspectiva de mapa que tudo vai ficar muito claro e este protagonista do momento, o Estreito de
00:39Hormuz,
00:40carece de explicações para a gente responder uma pergunta.
00:42Mas será que o fechamento dessa passagem não faz com que o Irã corte a própria carne?
00:48Calma, tem muita coisa aí por vir.
00:50Primeiro, vamos olhar aqui o cenário da guerra.
00:53Estes pontos vermelhos foram os alvos da coalizão Estados Unidos e Israel, pelo menos até o momento.
01:01O que chama atenção é, claro, a gente já esperava uma retaliação do Irã, mas dessa vez houve uma extrapolação.
01:11Então, alguns dos alvos caíram no Bahrein, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos.
01:19Levando essa discussão agora, saindo do cenário de guerra, entrando nas questões econômicas e petrolífera,
01:26nós temos o Irã, terceira maior reserva de petróleo do mundo.
01:31Arábia Saudita, a segunda maior.
01:33E toda essa península arábica, principalmente Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes, Oman, Bahrein,
01:40tem se inclinado mais ao ocidente.
01:43Leia, Estados Unidos, Europa Ocidental e Israel.
01:46Então, aqui, o Irã começa a ser persona não grata pela retaliação.
01:52O Irã diz, olha, atingimos bases que estavam sendo utilizadas como pontos de apoio para o nosso ataque,
01:59mas, é claro, que esses países se reservam o direito de dizer,
02:04tivemos o nosso espaço aéreo invadido e posições atacadas em nosso território.
02:10Isso pode ser interpretado como uma declaração de guerra.
02:14Agora, olhando para o Golfo aqui, eu chamo para esse detalhe, o famoso Estreito de Hormuz.
02:21A gente colocou, não só numa perspectiva colorida, mas também com os mapas,
02:25para que a gente entenda esse recorte que agora é fundamental para o entendimento desse confronto armado.
02:32Aqui está o Irã, aqui estão os Emirados Árabes Unidos e a expressão Estreito não é nenhum exagero.
02:39Nesta ponta mais curta, são pouco mais de 53 quilômetros de extensão.
02:47É uma abertura muito pequena em que os navios, literalmente, se apertam para passar simultaneamente.
02:54E com qualquer capacidade de tiro mediana, o Irã consegue afundar.
03:00Então, quando a guarda revolucionária, como é chamada o exército iraniano, diz,
03:05determinamos a não passagem de navios, significa que eles podem disparar contra as embarcações
03:11a relatos de três atingidos, dois petroleiros em chamas nessa região, que vão afundar.
03:18Porque você não consegue pagar o incêndio de um petroleiro.
03:20Agora, deixa eu colocar mais uma camada, para que vocês entendam a importância da frota naval petrolífera
03:27e de carga do Estreito de Almoço.
03:28Isso aqui é um mapa de calor.
03:30Conforme os navios se apertam para passar o Estreito simultaneamente,
03:35você cria esta intensidade de tráfego naval.
03:40E prestem atenção nas bolinhas brancas no largo aqui do Estreito.
03:48São refinarias de petróleo e pontos de terminal de abastecimento de gás liquefeito de petróleo,
03:56que é outra função muito importante do escoamento de produtos de Hormuz.
04:01Estou falando de um abastecimento global de combustível e energia.
04:05Agora, olhando para cá, para onde vai este petróleo?
04:13Majoritariamente, para a China.
04:1633% do petróleo que é escoado pelo Estreito de Hormuz todos os dias.
04:21Estou falando em praticamente 21 milhões de barris de petróleo.
04:25A cada 24 horas, mais de um terço vai para a China.
04:29Então, isso abre um flanco de interpretação que os Estados Unidos,
04:34na figura do presidente Donald Trump, tem uma retórica em falar
04:37eu vou salvar um povo que está sendo oprimido,
04:41mas num olhar mais atento, nas entrelinhas,
04:44a gente consegue imaginar que é uma maneira de estrangular a recepção da China
04:50de um petróleo barato, mais barato do que a cotação internacional,
04:54porque o Irã é muito sancionado, principalmente no Ocidente,
04:59não pode vender petróleo para cá ou tem negócios restritos.
05:02Acabou encontrando na China um ótimo comprador
05:05e a China, claro, teve vantagem nessa compra,
05:09comprando o produto abaixo do preço do mercado.
05:12Como a gente já sabe que existe essa disputa hegemônica no século XXI
05:15entre Estados Unidos e China,
05:17pode abrir um flanco de interpretação
05:20de que os Estados Unidos estão tentando minar a capacidade da China
05:25conseguir combustível mais barato do que o resto do mundo.
05:29Os outros países para onde vai o petróleo do Distrito de Hormuz?
05:38Vai para a Índia, vai para o Japão, para a Coreia do Sul,
05:41menos para os Estados Unidos.
05:43Entendam que o abastecimento é majoritariamente para o Oriente.
05:48Agora chegou no detalhe que eu quero mostrar para vocês.
05:51De onde saem os combustíveis que atravessam o Estreito de Hormuz?
05:58Principalmente da Arábia Saudita,
06:00que se alinhou claramente aos Estados Unidos.
06:03Mohammed bin Salman tem contratos na casa
06:06das dezenas de bilhões de dólares com os Estados Unidos.
06:11É uma aproximação muito recente.
06:13Depois, os Emirados Árabes Unidos.
06:15O Irã, que controla a metade do Estreito,
06:19só escoa por ali 9% do petróleo.
06:23Ué, então como é que o Irã,
06:25que tem a terceira maior reserva de petróleo do mundo,
06:28escoa o seu produto?
06:29O Irã sabe há muito tempo,
06:31desde que ele rompe com o Ocidente,
06:33na Revolução de 1979,
06:35que ele tem essa carta na manga,
06:37essa arma secreta,
06:38que ele pode mexer com o negócio mundial,
06:41fechando o Estreito.
06:42Mas para não se prejudicar,
06:45o que eles fizeram?
06:46Isso pouca gente está olhando.
06:48Um enorme óleo duto,
06:51que tem mil quilômetros de extensão,
06:55e que é capaz de bombear por dia
06:57um milhão de barris de petróleo.
07:01O Irã, ele escoa 1,7 milhão de barris de petróleo por dia.
07:07Nessa rota aqui,
07:08que burla o Estreito de Hormuz por terra,
07:11vai um milhão.
07:12A bem da verdade,
07:14as notícias são difíceis de serem duplamente checadas,
07:17porque a informação pertence só à estatal iraniana.
07:21Mas que este óleo duto,
07:23ele não está na sua plena condição,
07:25em pleno funcionamento.
07:26Então varia entre 300 mil e 700 mil barris por dia.
07:30Mas existe uma tática que é muito fácil da gente entender,
07:35que prevendo um ataque,
07:37o que o Irã faz?
07:39Já provavelmente encheu petroleiros antecipadamente
07:43e os fez passar pelo Estreito de Hormuz
07:46antes dessas semanas de tensão.
07:49Para encerrar,
07:50queria mostrar uma outra coisa que vai além do petróleo,
07:54que são as rotas de transporte comercial.
07:56Uma das mais longas sai do sul do Japão,
07:59Chiba, que fica na região metropolitana de Tóquio,
08:02e vai até a América do Norte,
08:04obviamente até os Estados Unidos.
08:06Existe um caminho mais curto,
08:08que é atravessando o Estreito de Hormuz,
08:11depois chegando pelo Canal de Suez,
08:14tem essas rotas alternativas
08:17para chegar na América do Norte.
08:19Na ausência disso,
08:21por riscos,
08:22como está acontecendo agora,
08:24você dá uma volta muito maior
08:26pelo sul do continente africano.
08:28Sabe o que isso custa?
08:303 milhões e meio de dólares a mais,
08:34só em combustível.
08:36Fora o encarecimento do tempo da tripulação,
08:39do custo da viagem,
08:41do frete,
08:43do seguro.
08:44Então, é um enorme prejuízo.
08:47E isso acaba gerando um efeito global,
08:50uma espécie de efeito dominó.
08:52Você empurra uma peça,
08:53vão caindo todas as outras,
08:55e aquela no final,
08:56parece que nem tinha a ver com o começo,
08:58mas tudo está interligado.
09:00Então, quando a gente está falando
09:01de Estreito de Hormuz,
09:04o Canal de Suez,
09:05que fica paralelo ali no Mar Vermelho,
09:08isso tem abastecimento de petróleo,
09:10energia e todo tipo de container
09:12que tem que atravessar por ali.
09:14Ou seja,
09:15isso vai haver um custo a mais
09:16de inflação para o resto do mundo,
09:19em maior ou menor escala, Marcelo.
09:21Muito obrigado, Favale.
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