- há 2 semanas
1) Sons na natureza
Dependendo da maneira que forem aplicados, vários sons encontrados na natureza poderão vir a se transformar em "música". Obviamente, alguns se prestarão mais do que outros para isso.
a) Inarmônicos
b) Ruídos
c) Sons periódicos
2) Série Harmônica
A série harmônica, considerada um "som periódico", é com certeza a "matéria-prima", o trampolim, o ponto de partida da música. Sim, ela também é um fenômeno físico. Está na natureza; não foi criada pelo homem. Entretanto, é bom estar ciente de que ela, sozinha, não justificará tudo. A música, num todo, e, particularmente, a harmonia funcional, é resultado de séculos de prática, estudo, pesquisa, história, cultura, conceitos puramente estéticos, hábitos, etc. e não apenas da observação da física do som.
a) O que é
b) Fórmula simples para saber calcular a série harmônica de qualquer nota
c) Acordes automaticamente gerados pela série harmônica
3) Comas
As comas são medidas muito menores que o semitom, utilizadas na música para organizar as distâncias entre as notas. Um tom é composto por nove comas. Originalmente, a divisão de um semitom cromático é de cinco comas, e a de um diatônico é de quatro. Deixando claro que essa definição de comas para os semitons cromático e diatônico era (e ainda é) compartilhada e propagada pelos músicos. Os físicos consideram que o semitom cromático contém 4 comas e o diatônico, 5. Porém, tanto de uma forma quanto da outra, é inegável um fato: há uma coma de diferença entre os dois tipos de semitom.
Na física: o que importa é a frequência e a razão (etc.).
Na música: o nome é uma "etiqueta" para essa frequência, servindo para organizar o pensamento e a execução.
4) Sistema temperado
O propósito do temperamento foi viabilizar a modulação entre todas as tonalidades. Para isso, "sacrificou-se" a pureza física dos intervalos para que o semitom cromático e o diatônico tivessem exatamente o mesmo tamanho. O que, em poucas palavras, significa que "todas as notas" receberam uma "parcela" de "restos". Como o tom possui nove comas, a solução foi fazer com que tanto o semitom diatônico quanto o cromático passassem a valer 4,5 comas, tornando-os "enarmônicos". Graças a esse sistema, o Ocidente conseguiu chegar ao grau de evolução harmônica ao qual chegou.
Dependendo da maneira que forem aplicados, vários sons encontrados na natureza poderão vir a se transformar em "música". Obviamente, alguns se prestarão mais do que outros para isso.
a) Inarmônicos
b) Ruídos
c) Sons periódicos
2) Série Harmônica
A série harmônica, considerada um "som periódico", é com certeza a "matéria-prima", o trampolim, o ponto de partida da música. Sim, ela também é um fenômeno físico. Está na natureza; não foi criada pelo homem. Entretanto, é bom estar ciente de que ela, sozinha, não justificará tudo. A música, num todo, e, particularmente, a harmonia funcional, é resultado de séculos de prática, estudo, pesquisa, história, cultura, conceitos puramente estéticos, hábitos, etc. e não apenas da observação da física do som.
a) O que é
b) Fórmula simples para saber calcular a série harmônica de qualquer nota
c) Acordes automaticamente gerados pela série harmônica
3) Comas
As comas são medidas muito menores que o semitom, utilizadas na música para organizar as distâncias entre as notas. Um tom é composto por nove comas. Originalmente, a divisão de um semitom cromático é de cinco comas, e a de um diatônico é de quatro. Deixando claro que essa definição de comas para os semitons cromático e diatônico era (e ainda é) compartilhada e propagada pelos músicos. Os físicos consideram que o semitom cromático contém 4 comas e o diatônico, 5. Porém, tanto de uma forma quanto da outra, é inegável um fato: há uma coma de diferença entre os dois tipos de semitom.
Na física: o que importa é a frequência e a razão (etc.).
Na música: o nome é uma "etiqueta" para essa frequência, servindo para organizar o pensamento e a execução.
4) Sistema temperado
O propósito do temperamento foi viabilizar a modulação entre todas as tonalidades. Para isso, "sacrificou-se" a pureza física dos intervalos para que o semitom cromático e o diatônico tivessem exatamente o mesmo tamanho. O que, em poucas palavras, significa que "todas as notas" receberam uma "parcela" de "restos". Como o tom possui nove comas, a solução foi fazer com que tanto o semitom diatônico quanto o cromático passassem a valer 4,5 comas, tornando-os "enarmônicos". Graças a esse sistema, o Ocidente conseguiu chegar ao grau de evolução harmônica ao qual chegou.
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MúsicaTranscrição
00:10Antes de tudo e de mais nada, que fique claro, a série harmônica é um fenômeno físico,
00:18é um fenômeno natural, está na natureza e não foi criada pelo homem, ok?
00:25Mas ela é um princípio fundamental para entendermos a lógica da harmonia de maneira racional.
00:34Porém, embora ela seja a matéria-prima, o ponto de partida, sozinha não justificará tudo.
00:43A harmonia funcional é o resultado de séculos de prática e não apenas da observação da física do som.
00:55Vamos começar pelo seguinte.
00:57Os sons na natureza podem ser divididos em inarmônicos, ruídos e sons periódicos.
01:07Gente, não confundir. Sons inarmônicos nada tem a ver com sons enarmônicos que estudamos na teoria musical.
01:16Tá ok? Vamos lá então.
01:19Inarmônicos não produzem uma sensação de nota musical única e estável.
01:25Por exemplo, pratos de bateria,
01:32sinos,
01:38e tambores.
01:47Mas sim, sinos, pratos, instrumentos metálicos e tambores em geral
01:53são usados na música para adicionar ênfase e tinta.
02:03Ruído.
02:04Não apresentam uma série organizada.
02:08Por exemplo, o som da chuva,
02:15do mar,
02:25ou do vento.
02:31Entretanto, compositores utilizam esses sons para criar efeito.
02:38Algo muito explorado na música experimental e em algumas ramificações do rock em geral.
02:47Sons periódicos.
02:49Estes apresentam a chamada série harmônica que nos interessa no estudo da harmonia.
02:56Por exemplo, a voz humana,
03:01um pássaro cantando,
03:07uma corda de violão,
03:22qualquer som de altura definida, emitida por um instrumento, por exemplo,
03:27um piano,
03:29uma guitarra,
03:31uma flauta,
03:33um acordeão,
03:35é resultado de vibração regular.
03:40Essa vibração é composta pelo som gerador, ou seja, a própria nota,
03:46e outras notas de menor intensidade e frequência mais alta.
03:51Vamos ver como se produzem esses sons, então.
03:57Ao tocar, por exemplo,
03:59uma corda da guitarra,
04:00ela vibra em toda a sua extensão,
04:04em duas partes iguais,
04:06em três partes iguais,
04:09em quatro partes iguais,
04:11em cinco partes iguais,
04:13e assim por diante.
04:15Musicalmente,
04:16isso quer dizer que,
04:18ao tocar uma nota,
04:20é automaticamente gerada uma série de sons concomitantes,
04:27denominados harmônicos superiores.
04:32Ou seja,
04:33os harmônicos superiores são os sons que ocorrem em conjunto,
04:39simultaneamente,
04:41ao mesmo tempo.
04:44Teoricamente,
04:45a série harmônica é infinita,
04:47mas, para o nosso estudo aqui,
04:50nos bastam os dezesseis primeiros sons,
04:53os dezesseis primeiros harmônicos.
04:56Fica tranquilo,
04:57você não tem que decorar nada do que eu estou dizendo desde o início da aula.
05:01O que você tem que entender é o que é a série harmônica.
05:06Tá ok?
05:07Quando tiver que memorizar,
05:08que vai ter que memorizar sim,
05:10mas eu te explico e eu te falo na hora.
05:12Tá ok?
05:12Vamos lá.
05:13Suponha que você tocou a nota Dó 1 na primeira oitava.
05:18Na segunda oitava soará o segundo harmônico Dó 2,
05:23o terceiro harmônico Sol 2.
05:26Na terceira oitava soará o quarto harmônico Dó 3,
05:31o quinto harmônico Mi 3,
05:33o sexto Sol 3,
05:34o sétimo Si Bemal 3.
05:36Na quarta oitava soará o oitavo harmônico Dó 4,
05:42o nono Ré 4,
05:43o décimo Mi 4,
05:45o décimo primeiro Fá sustenido 4,
05:48o décimo segundo Sol 4,
05:50o décimo terceiro Lá 4,
05:53o décimo quarto Si Bemal 4,
05:55e o décimo quinto Si 4.
05:58Na quinta oitava soará o décimo sexto harmônico Dó 5.
06:03Que fique claro,
06:06tudo isso que acabamos de ver aconteceu simplesmente ao tocar a nota Dó.
06:14Os harmônicos propagaram-se naturalmente por um fenômeno natural,
06:19por um fenômeno físico.
06:26Agora sim gente, não tem como fugir mais.
06:29Temos que memorizar esses 16 sons da série harmônica e saber calculá-los em relação a qualquer nota.
06:37Calma lá, não é tão difícil quanto parece.
06:42Para isso, a gente vai criar aí uma minimônica fictícia.
06:46Fictícia por quê? Porque não são intervalos, são harmônicos.
06:49Está ok?
06:52Essa minimônica estará baseada na grafia dos intervalos.
06:59Aplicando essa fórmula com base em qualquer nota,
07:03você será capaz de definir certinha a série harmônica.
07:08Está ok?
07:09Pensa da seguinte forma.
07:11Temos cinco oitavas.
07:13Então pensa assim.
07:14A primeira e a quinta oitava matou.
07:17É a própria nota.
07:18Se você quer a série harmônica em Dó, é a nota Dó.
07:21Se você quer a série harmônica de Lá, é a nota Lá.
07:23E assim por diante.
07:25Está ok?
07:26A segunda oitava é um bicord de quinta justa.
07:30Isso aí que o pessoal chama no rock de power chord.
07:33Tônica e quinta justa.
07:35A terceira oitava é a tetra de dominante,
07:39formada sobre o quinto grau do campo harmônico maior.
07:42Acabou.
07:43Tônica, terça maior, quinta justa e sétima menor.
07:47E, finalmente, a quarta oitava é o modo Lídio,
07:51com um acréscimo de uma sétima menor antes da sétima maior.
07:55Acabou.
07:56Tônica, nona maior, terça maior, quarta aumentada, quinta justa,
08:00sexta maior, sétima menor e sétima maior.
08:03Se você fez o curso de modos gregos, você já sabe isso desde criancinha.
08:08Então, vamos resumir?
08:09Vamos lá.
08:10Primeira e quinta oitava, tônica, é a nota.
08:13Segunda oitava, bicorde de quinta justa.
08:17Terceira oitava, tétrade do quinto grau.
08:20Quarta oitava, modo Lídio, com a adição da sétima menor,
08:24antes da sétima maior.
08:26Acabou.
08:27Então, se quisermos saber a série harmônica da nota Lá,
08:30Veremos que, seguindo a fórmula, na primeira oitava, Lá tônica.
08:35Na segunda oitava, Lá tônica, Mi quinta justa.
08:38Na terceira oitava, Lá tônica, Dó sustenido terça maior, Mi quinta justa,
08:43Sol sétima menor.
08:45Na quarta oitava, Lá tônica, Sinono maior, Dó sustenido terça maior,
08:50Ré sustenido quarta aumentada, Mi quinta justa, Fá sustenido sexta maior,
08:55Sol sétima menor, Sol sustenido sétima maior.
08:59Na quinta oitava, Lá tônica.
09:02Os harmônicos superiores formam, por si próprios, acordes.
09:10Tenha em mente os conceitos referentes às tríades, tétrades, pêntades, éxades e éptades,
09:17estudados no curso Técnicas Fundamentais de Harmonia.
09:21Se descartarmos da nossa fórmula fictícia da série harmônica em Dó, por exemplo,
09:28os intervalos que se repetem restarão o primeiro, terceiro, quinto, sétimo, nono, décimo primeiro e décimo terceiro harmônico.
09:38Baseados no primeiro harmônico Dó, no terceiro harmônico Sol e no quinto harmônico Mi, teremos uma tríade em Dó.
09:52Baseados no primeiro harmônico Dó, no terceiro harmônico Sol, no quinto harmônico Mi e no sétimo harmônico Si bemol, teremos
10:02uma tetra de em Dó.
10:04Baseados no primeiro harmônico Dó, no terceiro harmônico Sol, no quinto harmônico Mi, no sétimo harmônico Si bemol e no
10:14nono harmônico Ré, teremos uma penta de em Dó.
10:20Baseados no primeiro harmônico Dó, no terceiro harmônico Sol, no quinto harmônico Mi, no sétimo harmônico Si bemol e no
10:27nono harmônico Ré e no décimo primeiro harmônico Fá sustenido, teremos uma hexade em Dó.
10:38Baseados no primeiro harmônico Dó, no terceiro harmônico Sol, no quinto harmônico Mi, no sétimo harmônico Si bemol e no
10:46nono harmônico Ré, no décimo primeiro harmônico Fá sustenido e no décimo terceiro harmônico Lá, teremos uma heptade em Dó.
11:06Comas são intervalos minúsculos muito menores que o semitom, utilizados na música para organizar as proporções entre as notas.
11:20Originalmente, um semitom cromático apresenta cinco comas e um semitom diatônico quatro.
11:29Imagina esta régua de zero a nove.
11:33Cada linha vertical é uma coma, onde zero é Dó e nove é Ré.
11:41Dó sustenido está no ponto cinco e Ré bemol está no ponto quatro.
11:46Ou seja, de Dó a Dó sustenido, semitom cromático, tenho cinco comas.
11:54Uma, duas, três, quatro, cinco.
11:57Porém, de Dó a Ré bemol, semitom diatônico, tenho somente quatro comas.
12:05Uma, duas, três, quatro.
12:08Se eu fizer a conta a partir de Ré, será a mesma coisa.
12:14Ré bemol está no ponto quatro.
12:16Ou seja, de Ré a Ré bemol, semitom cromático, há cinco comas.
12:22Uma, duas, três, quatro, cinco.
12:25De Ré a Dó sustenido, semitom diatônico, há quatro comas.
12:32Uma, duas, três, quatro.
12:39O temperamento pode ser considerado a interferência humana modificando a série harmônica natural, a série harmônica física.
12:49Os sistemas temperados foram se modificando através dos tempos.
12:56O sistema temperado no qual se desenvolveu a harmonia funcional denomina-se temperamento igual ou sistema equitemperado.
13:06Para isso, a diferença de uma coma foi espalhada, distribuída entre todas as notas, dividindo a oitava em doze semitons
13:19de quatro comas e meia cada um.
13:23Voltando à nossa régua.
13:25No sistema equitemperado ou temperamento igual, a diferença de comas é eliminada.
13:33Tanto o semitom cromático, Dó para Dó sustenido, quanto o diatônico, Dó para Ré bemol, apresentam quatro comas e meia.
13:51A razão de mexer na série foi a de nos possibilitar tocar em todas as tonalidades.
14:00Se utilizássemos somente a série natural, uma música poderia soar linda em Dó maior e horrível em Dó sustenido.
14:10O sistema natural nos demonstra como os sons se comportam na natureza.
14:19O sistema temperado foi uma solução matemática artificial para dividir o tom em partes literalmente iguais.
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