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Bianca Medeiros, irmã da mulher do parlamentar, Luana Motta, teria sido beneficiada com a liberação de R$ 22 milhões.

Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil. Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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Notícias
Transcrição
00:00E a Polícia Federal identificou mensagens no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o presidente da Câmara dos Deputados,
00:07Hugo Mota,
00:08em que o parlamentar pedia ao dono do Máster a liberação de um empréstimo para a empresa da cunhada, segundo
00:14o Estadão.
00:15As conversas mostram que Mota e Vorcaro discutiram diretamente a concessão de um empréstimo de R$ 22 milhões pelo
00:24Banco Máster,
00:24a empresa de Bianca Medeiros, irmã da esposa do deputado, em março de 2024.
00:30A operação consta em documentos registrados na Junta Comercial da Paraíba.
00:34Segundo a investigação, os recursos teriam sido utilizados na compra de um terreno em João Pessoa, onde será desenvolvido um
00:41novo bairro.
00:43Ricardo Kertzmann, essa estratégia do Hugo Mota de não falar diretamente sobre as acusações porque não é obrigado, vai continuar
00:51funcionando?
00:52Olha, se vai continuar funcionando sob a ótica jurídica, eu acho que não.
00:57Sobre a ótica eleitoral, muito provável sim.
01:00O eleitor brasileiro não está nem aí para isso.
01:04Haja vista quem são os eleitos atualmente.
01:08Agora, o ponto nisso tudo aqui é que todos esses agentes políticos, Inácio, eles têm uma saída sob o aspecto
01:16jurídico,
01:17mas tem uma saída retórica muito interessante, porque o Hugo Mota deu uma entrevista hoje pela manhã a respeito desse
01:24assunto,
01:25se eu não me engano foi para o Estadão, em que ele diz mais ou menos o seguinte,
01:29olha, eu sou o presidente da Câmara, faz parte das minhas atividades parlamentares, receber pessoas, receber líderes setoriais de empresas,
01:41grandes bancos, construtoras, isso é uma atividade parlamentar corriqueira.
01:46E a época, a gente não tinha notícia aqui em Brasília, faz-me rir, né?
01:51Mas aqui em Brasília a gente não tinha notícia, ninguém sabia de todos esses problemas envolvendo o Daniel Vorcaro.
01:57De igual sorte, o Jacques Wagner, assim como o Ciro Nogueira já fez, vai dizer que tudo isso que a
02:03polícia tem investigado
02:05são atuações, são práticas corriqueiras do trabalho parlamentar, tudo que o Jacques Wagner fez,
02:14você apresentou agora há pouco o slide para a gente, tudo aquilo isoladamente, Inácio,
02:19é óbvio que não configura problema algum, faz parte da atuação de um senador da República tratar desses temas.
02:27O problema começa quando tudo isso se mistura com passagens aéreas, com hospedagens de hotel,
02:36com cartão de crédito pago pelo Daniel Vorcaro, com férias, com patrocínios, com empréstimos, com favores,
02:46quando isso tudo se mistura, como o Wilson acabou de falar, deixa de ser lobby e passa a ter outro
02:52nome.
02:53Cabe às investigações apontar de forma muito clara, e eu achei interessante o termo que o André Mendonça usou,
03:02análise perfunctória, que significa mais ou menos superficial, caberá às investigações deixar esse campo perfunctório
03:11e apontar causa e efeito, apontar o que cada um recebeu e o que cada um efetivamente fez.
03:20E aí eu espero que ao fim e ao acabo de todas essas investigações e processos,
03:24as pessoas responsáveis sejam devidamente punidas.
03:28Mas essa minha esperança, Wilson, ela é muito vã.
03:32E mesmo se isso ocorrer e alguém for punido, a gente sabe que ao longo do tempo,
03:37essas punições acabam sendo ou anuladas, ou os processos arquivados,
03:41ou tendo as famosas prescrições.
03:44E no final das contas, como a gente assiste aí com o Sérgio Cabral,
03:47hoje dando, fazendo o TikTok lá na cobertura dele,
03:51por falar em cobertura, está o Fernando Collor cumprindo prisão domiciliar
03:54numa cobertura em Alagoas,
03:56o próprio Jair Bolsonaro cumprindo prisão domiciliar,
04:01ou seja, ao longo da história a gente sabe onde isso tudo vai acabar dando, Inácio,
04:05em absolutamente nada.
04:07Wilson?
04:09É, o Ricardo, ele foi preciso.
04:12E agora, nesse caso específico do Hugo Mota,
04:14eu vou fazer um questionamento para você que nos acompanha.
04:17Você é meu amigo, você é minha amiga de Alagoas.
04:20Eu tenho certeza, Inácio, se você...
04:22Pode até dividir a tela, se for o caso.
04:24Inácio, eu vou falar uma coisa.
04:26Se você for pedir um empréstimo para o gerente do teu banco,
04:29você vai chegar implorando para o gerente do teu banco
04:33e ele não vai te dar abertura.
04:35Esse aqui é o ponto.
04:37E não é função de presidente da Câmara
04:41mediar empréstimo em nome de cunhado, de fulano ou de cicrano.
04:45Isso não é função parlamentar.
04:47Por mais que o presidente da Câmara fale
04:49ah, não, porque a minha função parlamentar também é atuar por isso.
04:52Não, não é função.
04:54Não é função.
04:56A não ser que seja algo que, de fato, seja de interesse público.
05:00exemplo, ah, um financiamento do BNDES que, porventura, vai gerar mil, dois mil empregos.
05:10Ok, ele pode até entrar numa situação dessa.
05:14Mas fazer o lobby para liberação de um empréstimo para parente,
05:18isso não é função de presidente de Câmara.
05:21Por mais que ele fale o contrário.
05:22O Estadão questionou o Hugo Mota sobre esse caso.
05:27E o Hugo Mota, no primeiro momento, ele só tinha uma resposta para dar.
05:32Isso não é irregular.
05:33Isso não é irregular.
05:35Ele sequer explicou por que ele entrou nessa tratativa.
05:39E, de novo, o Hugo Mota só o fez porque tinha interlocução direta com o Daniel Vorcaro.
05:45E o Daniel Vorcaro tinha interlocução direta com o Hugo Mota.
05:47E o Daniel Vorcaro, inclusive, buscou o Hugo Mota quando ele foi eleito presidente da Câmara.
05:55Nasco, está tudo, absolutamente tudo errado nessa história.
05:59Pode ser que não tenha nada de ilícito.
06:02Mas é muito difícil que a gente acredite que não tenha algo errado nessa história.
06:07Rodolfo?
06:07E aí, Wilson, a gente entra no terreno do decoro.
06:10É o que você está falando.
06:11Um presidente da Câmara tem que se comportar à altura da presidência da Câmara.
06:16Então, até o Wilson disse, a gente vai pedir um empréstimo para o gerente do banco.
06:21Exatamente, para o gerente do banco, não para o dono do banco.
06:24Quem é que tem abertura com o dono de um banco para pedir empréstimo?
06:27Inclusive, o Estadão questionou isso, Hugo Mota.
06:29Mas, olha, quando você vai pedir um empréstimo, você fala com o gerente.
06:31Você não fala com o dono do banco.
06:33E é óbvio que ele só falou com o dono do banco porque ele ocupava a presidência da Câmara.
06:38Então, ele se valeu de fato desse cargo para favorecer um parente.
06:42É o que está configurado aí.
06:43O Hugo Mota não nega.
06:44Ele disse que está tudo na lei.
06:46Pode até ter os procedimentos estarem na lei.
06:48Mas, do ponto de vista do decoro parlamentar, obviamente, isso foi violado.
06:52Ele não pode se aproveitar da posição dele de presidente da Câmara
06:56para pedir um empréstimo ou favorecer um tipo de empréstimo de um banco para um aparente.
07:03Pois é.
07:04E tem um detalhe, Rodolfo.
07:05Rapidamente, rapidamente, Wilson.
07:06E tem um detalhe, Rodolfo.
07:07Não, coisa rápida.
07:08E tem um detalhe.
07:09Isso é mais grave que o seguinte.
07:11Qual é o dono do banco que vai se negar a prestar um favor para um presidente de Câmara?
07:15E tem um detalhe.
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