00:00Vamos agora olhar um destaque do nosso site.
00:03Fed não surpreende, mas risco fiscal pode pressionar o Brasil em 2026, diz economista.
00:12A ata do Federal Reserve não trouxe surpresas e reforçou a manutenção de uma política monetária restritiva nos Estados Unidos,
00:21segundo o economista Hugo Garbi.
00:23A estratégia busca conter a inflação sustentada por um mercado de trabalho resiliente e por pressões com tarifas comerciais.
00:32No Brasil, o mercado voltou do carnaval atento às liquidações bancárias, como as envolvendo o Banco Master e o Banco
00:40Pleno,
00:41e ao impacto também sobre o Fundo Garantidor de Créditos, que já acumula pagamentos recortes.
00:48Para 2026, o principal risco doméstico é o fiscal, com possível aumento de gastos em ano eleitoral e avanço da
00:56dívida pública,
00:57cenário que tende a ganhar força no segundo semestre.
01:02Esse é o nosso destaque, então, primeiro do dia aqui, que já está lá no nosso site.
01:06Vamos trazer a Maria Almeida para a gente dar uma olhadinha e repercutir um pouco o resultado da ata do
01:12Fed.
01:12Foi mais cautelosa do que esperava, principalmente em relação a esse espaço de queda de juros, né?
01:20Foi sim, viu, Soraya?
01:21Na verdade, a ata desnudou as diferenças internas que tem, as diferentes interpretações dos participantes ali do Fed.
01:30Sim, foi bem dividido ali, uma divisão interna mesmo.
01:34A gente até brinca, tem informação ali que meio que vale tudo, né?
01:38Porque algumas pessoas, olha, talvez tenha até que subir a taxa de juros, chegaram a mencionar isso pela ata.
01:45A maioria dentro da linha de vamos manter, esperar e aguardar, e aqueles que dizem que tem que baixar.
01:50Ou seja, tudo pode acontecer, né?
01:53Tem explicações para todos os gostos ali dentro da ata do Fed.
01:57E isso está muito associado, embora a gente esteja brincando aqui,
02:01às dificuldades de compreensão mesmo da economia americana, né?
02:04E nos dados recentes que foram divulgados.
02:07Aliás, os dados recentes ajudaram pouquíssimo, na verdade, na interpretação aí da inflação.
02:13Por quê?
02:14Porque um dos riscos, quando se coloca, né?
02:16Quem tem ali a visão mais conservadora de eventualmente até subir a taxa de juros,
02:22é em função de um efeito custo, né?
02:24Um efeito de você colocar uma pressão inflacionária mais significativa no mercado
02:29por várias razões, inclusive as tarifas, né?
02:32Só que a inflação caiu, né?
02:34Assim, está caindo mais do que o esperado no último dado.
02:37Amanhã tem o CPI, que é um outro dado importante, porque ele também mede,
02:42ele é preferido do Fed, inclusive, para medir como é que está o comportamento do consumidor.
02:46Em vez de ser uma cesta fechada de bens, que é o CPI,
02:50este indicador consegue pegar as adaptações e substituições na cesta,
02:54tentando entender como realmente a inflação bateu para o consumidor.
02:58E os próprios dados do mercado de trabalho também, que se estabilizou,
03:03mas aí eles concordam que não está na hora de cortar os juros.
03:07É, então, está robusto, portanto não precisa cortar porque ele já está indo sozinho.
03:11Mas pode ser que não continue sozinho, porque afinal o varejo veio ruim.
03:14Então, tem muita coisa para entender.
03:16Faz, importante dizer, né?
03:18Quer dizer, por que os dados estão ajudando tão pouco?
03:22Porque muito do que tem acontecido na economia americana
03:25não é simplesmente um desdobramento mais natural e livre
03:29dos agentes de mercado a condições estáveis que estão postas.
03:33Porque a economia, a gente fica um tempo estudando
03:36para entender as reações frente a determinadas variáveis.
03:39E a questão é que tem um nível de intervenção muito maior do que se tinha antes.
03:43Portanto, um grau aí de incerteza sobre as regras do jogo.
03:47Estou falando de mudança de tarifa, estou falando da questão do mercado de trabalho
03:51lá nos Estados Unidos mesmo, com a intervenção sobre os imigrantes,
03:54a parte jurídica.
03:56Tem alguns fatores que alteram o comportamento das pessoas.
04:00E isso, quando tem muita arbitrariedade,
04:04essa alteração no comportamento não é facilmente captável por modelos.
04:08É difícil de interpretar e também difícil de tomar uma decisão.
04:13Exatamente.
04:14Está difícil.
04:14Fora a questão da isenção da autonomia do FED,
04:18que fica aí meio, será que eu tomo essa decisão agora?
04:22Ou deixo para o próximo presidente, o Banco Central?
04:24E Kevin Walsh é uma pessoa que durante bastante tempo se posicionou.
04:29Sua história é de um posicionamento mais conservador
04:33em relação ao controle inflacionário,
04:35mas que vem sendo um crítico muito ferrenho da posição de Jerome Powell.
04:39Ele bateu bastante sobre a demora para reduzir a taxa de juros.
04:43Então, de novo, mesmo no posicionamento,
04:46tem também uma certa dúvida dos posicionamentos
04:49enquanto teoria econômica e participação política,
04:52para dialogar com essa questão do FED.
04:54E aí, como é que bate no Brasil?
04:56Porque tem um cenário que está posto aqui para o Brasil.
04:59A gente estava falando agora há pouco sobre o Boletim Fox.
05:01Eu trouxe o nosso pobre PIB, que continua estável e parado ali.
05:07Uma das perspectivas postas para o Brasil este ano
05:10é a redução da taxa de juros.
05:11E está mantida lá a perspectiva de que isso realmente aconteça.
05:15Agora, parte da conta que é feita para nós
05:19é uma conta associada a uma redução da taxa de juros nos Estados Unidos também.
05:23Se isso fica mais em dúvida,
05:26e não acho que essa rata do FED seja conclusiva sobre isso.
05:30Mas, assim, o fato de que você pode ter reconsiderações por lá
05:36impacta no diferencial de juros aqui.
05:38Então, não dá para fazer uma estratégia independente
05:41do que está acontecendo no FED.
05:42Ninguém faz isso.
05:43E aí, portanto, a gente acaba ficando um pouco a reboque
05:46e o PIB um pouco a reboque aqui.
05:48Então, o nosso trabalho e a produção interna
05:50vão depender do quanto aquela economia também
05:53entra um pouco no trilho nos Estados Unidos
05:56para que seja possível fazer uma previsão razoável ali
05:59e, com isso, a gente entender qual é o diferencial de juros
06:02que sustenta o padrão monetário
06:04que se quer sustentar aqui no Brasil.
06:07E nos Estados Unidos, a previsão é de que esse corte,
06:10ou se é possível que vá acontecer,
06:12só na metade do ano ali, para meados de junho.
06:15Neste exato momento, essa é a previsão.
06:18Exatamente.
06:18Tinha algumas dúvidas se podia ter um adiantamento desse corte.
06:22Acho que a ATA, de alguma maneira, enterrou essa possibilidade.
06:26Será que o Jerome Powell vai ou não vai?
06:28Sempre achei que era difícil, mas, enfim,
06:31isso estava colocado como alternativa.
06:33Lembrando, em maio tem a virada, sai Jerome Powell,
06:37entra Kevin Walsh e aí, se a ATA continua
06:40e as apostas em torno dos perfis seguem,
06:43possivelmente tem uma redução em junho.
06:45Vamos ter que aguardar.
06:47Obrigada, Mari.
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