00:00E a gente continua agora falando e ouvindo sobre essas recentes movimentações do Banco Central e da Polícia Federal.
00:07Eu vou ter uma entrevista agora com o Caio Bartini, que é economista, advogado, professor e consultor jurídico,
00:13que já vai se conectar aqui com a nossa audiência no Real Time.
00:16Bom dia, Caio. Prazer te receber aqui.
00:19Bom dia, Natália. Bom dia a você e a todos do Real Time.
00:22Bom, vamos lá. Estamos falando desde o começo dessa edição sobre essa atuação do Banco Central,
00:27que decretou hoje, de forma extrajudicial, a REAG Investimentos, ou CBSF, a ex-REAG.
00:36Ajuda a gente a entender, então, traz o seu ponto de vista sobre qual que é a ligação real de Banco Master e REAG, por favor.
00:44Essa é uma situação bem complicada, Natália. Por quê?
00:49Por mais que nós tenhamos umas diferenças jurídicas, a gente tem que ter uma diferença estrutural.
00:56Veja, a operação da Polícia Federal, ela busca responsabilização penal, apuração de crimes, como gestão fraudulenta,
01:06organização criminosa, lavagem de dinheiro, lavagem de capitais.
01:09Já a liquidação extrajudicial, que foi decretada pelo Banco Central, é uma medida administrativa de proteção do sistema financeiro,
01:16que é aplicada quando a instituição perde as condições de funcionamento regular,
01:22ou, eventualmente, viola normas prudenciais.
01:25Então, uma coisa ela não substitui a outra, elas atuam em planos distintos e complementares.
01:30Então, nesse sentido, é óbvio que essa operação, o que o regulador, que no caso o Banco Central está fazendo,
01:39ele identificou que outras instituições funcionaram como braços operacionais,
01:45como veículos de intermediação ou canais de exposição patrimonial,
01:51e essa atuação, ela se expande.
01:54Então, na verdade, é essa atuação que hoje nós estamos vendo.
01:58A Polícia Federal, juntamente com outros órgãos, isso busca evitar a contaminação do sistema,
02:05busca evitar essa blindagem patrimonial indevida,
02:09e com a finalidade de preservar a confiança no mercado financeiro.
02:13Olhando agora para o impacto disso, sobre a situação do Banco Master,
02:20Caio, que já é, como você bem lembrou,
02:22sob investigação de Polícia Federal, Ministério Público Federal, Banco Central,
02:27e por fraudes bilionárias,
02:29a situação do Master se complica ainda mais a partir de agora,
02:34com essa liquidação da REAG Investimentos?
02:37Veja, o impacto é um impacto, por óbvio, imediato.
02:43Por quê?
02:44Porque, por mais que ele seja imediato, ele é localizado e não é sistêmico.
02:47Nós temos efeitos diretos, sim, sobre os credores,
02:52que são investidores, as contrapartes das instituições envolvidas,
02:57não no sistema bancário como um todo.
02:59O problema é que o mercado, ele reage mais em termos de aversão ao risco específico,
03:06não de um pânico generalizado, mas esse episódio, ele reforça a questão de cautela
03:12na análise de governança, na estrutura societária e na exposição cruzada
03:18entre as instituições.
03:20Então, por óbvio, Natália, isso tem um peso, sim, contra o Banco Master.
03:24Tá.
03:24Agora, eu queria te ouvir, a gente falou sobre o peso, o impacto disso para o Banco Master,
03:29e para o mercado, e para os investidores dessas instituições,
03:33quais que são os efeitos imediatos dessa liquidação extrajudicial decretada hoje?
03:39Olha, nós, num primeiro momento, que é o que eu tenho muito escutado,
03:44se vai, isso vai gerar um efeito dominó.
03:47Na verdade, não.
03:49Pelo menos, num primeiro momento, o risco maior seria se houvesse uma omissão
03:54regulatória ou uma demora na intervenção.
03:57Fato esse que não ocorreu.
03:58Então, essa atuação preventiva escalonada, primeiro a intervenção,
04:03depois a liquidação, paralelamente às ações penais,
04:06reduz drasticamente o risco de contágio em instituições sólidas,
04:12que tenham boa governança e não são afetadas estruturamente.
04:17Entretanto, o mercado financeiro, ele valoriza, por óbvio,
04:21a previsibilidade e a resposta rápida a desvios graves.
04:25Então, a combinação de medidas administrativas e repressivas,
04:30ela transmite a mensagem de que não há zonas cinzentas e nem proteção informal.
04:36Então, isso tende a fortalecer e não a enfraquecer a confiança
04:41no arcabouço regulatório brasileiro.
04:43E você traz uma, a sua avaliação é positiva sobre o tempo,
04:48o timing dessas decisões, dessa liquidação de hoje, por exemplo?
04:52Natália, existe um impacto reputacional que é pontual, mas ele é controlado.
05:00Então, internacionalmente, crises que são mal geridas, elas geram desconfiança.
05:06Crises que são bem enfrentadas, elas acabam por reforçar a credibilidade.
05:12Então, a leitura externa, por exemplo, ela tem de ser o quê?
05:14Olha, o Brasil identificou um problema relevante, atuou de forma dura e transparente,
05:20o que é diferente de conivência ou de inércia regulatória,
05:25o que seria muito mais danoso.
05:28Então, é óbvio, muda-se o grau de atenção dos investidores.
05:34Os investidores, eles passam a observar com maior rigor,
05:37passam a observar melhor a estrutura de capital, a governança,
05:40a relação entre empresas do mesmo grupo, bem como os modelos de captação.
05:46Mas o que eu vejo, pelo menos nesse momento,
05:50é que o mercado pode reagir de maneira não negativa contra o sistema,
05:56mas de uma forma positiva.
05:58Caio, e olhando para o organograma dessa operação e das relações
06:03entre Banco Master e REAG, você mapearia algum risco
06:09para algum perfil de cliente da REAG,
06:12que hoje é a CBSF, Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários,
06:17esse é o nome que ela usa atualmente.
06:19Então, se sim, tem risco, para que perfil de cliente?
06:25Olha, Natália, todos aqueles que fazem os respectivos investimentos,
06:29sejam eles de médio ou longo prazo, óbvio que eles sobram.
06:33Por exemplo, se nós analisarmos o Fundo Garantidor de Crédito,
06:38uma das perguntas que se faz, se ele vai ter algum impacto
06:43durante esse cenário, porque isso também impacta
06:46na questão do recebimento dos próprios credores.
06:50Vai impactar de forma relevante,
06:52mas dentro do desenho institucional previsto.
06:55Então, o que se existe é uma proteção maior
06:58dos depositantes, dos investidores elegíveis,
07:02e é óbvio que o comprometimento maior
07:06são daqueles investidores, Natália,
07:09que têm recebíveis de médio a longo prazo.
07:14Estes, sim, terão um maior impacto
07:17em relação a essas condições.
07:19É óbvio que esse episódio, ele reforça,
07:24primeiro, a importância de compreender os limites
07:27de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito
07:29e a diferença entre risco de mercado e risco sistêmico.
07:34Nós não tivemos ainda, pelo menos nesse momento,
07:37um risco sistêmico, mas nós temos um risco pontual.
07:40E é óbvio que para esses investidores
07:42que têm esses investimentos de médio e longo prazo,
07:45isso acaba tendo uma afetação maior.
07:47E, Caio, do ponto de vista jurídico,
07:51então, quais são os próximos passos
07:53que você vê, tanto da investigação
07:55quanto das possíveis responsabilizações
07:57por tudo isso?
08:00Veja só, Natália, a atuação, por exemplo,
08:02da Polícia Federal,
08:04ela se insere, ela insere o caso
08:06no campo da responsabilização penal individual,
08:10não institucional.
08:11A liquidação, ela protege o sistema.
08:13A investigação penal, ela busca curar condutas pessoais.
08:19Então, essa separação, ela é saudável
08:22e evita a confusão entre o risco empresarial e crime.
08:28A questão do caso do Banco Master
08:32e todas essas situações,
08:35o Estado, ele sinaliza, nesse ponto,
08:38que não vai haver qualquer espécie de tolerância
08:41com práticas que coloquem em risco
08:43a confiança no sistema.
08:46Ao mesmo tempo, está reafirmando
08:47que as intervenções, elas são intervenções pontuais,
08:51cirúrgicas, são focadas em casos específicos
08:54sem qualquer generalização
08:56ou qualquer espécie de intervencionismo amplo.
09:00Então, hoje, o que o sistema financeiro espera?
09:04Ele, lógico, continua sólido,
09:07continua capitalizado,
09:08continua funcional,
09:10mas, a partir daqui em diante,
09:12isso acaba fazendo com que os avanços
09:15das investigações comecem a gerar,
09:19por óbvio, maior repercussão no mercado,
09:22tanto com gestores e investidores.
09:24Vão reavaliar a exposição a crédito privado,
09:28vão reavaliar a questão dos fundos estruturados
09:31e, nesse sentido, volta-se o debate, então,
09:35sobre fiscalização, originação de crédito,
09:39falhas de urgência.
09:42Então, agora, Natália,
09:43o que nós esperamos é a continuação
09:46das investigações da Polícia Federal,
09:49nesse sentido,
09:50para fins de responsabilização penal
09:52e, consequentemente,
09:54a questão das análises dos órgãos regulatórios
09:58sobre essa situação como um todo.
10:02Lembrando que esse avanço das investigações,
10:05elas vão criar, por óbvio,
10:07uma reprecificação do risco percebido.
10:11E, sobretudo, Natália,
10:12em três segmentos, tá?
10:15O crédito privado,
10:16que vai ficar menos líquido,
10:18os fundos estruturados,
10:20com cadeias longas de originação
10:22e os bancos médios
10:24que têm modelos agressivos de captação.
10:27Perfeito.
10:28Bons pontos, então,
10:29trazidos ao vivo para a nossa audiência
10:31pelo Caio Bartini,
10:32que é economista, advogado,
10:34professor e consultor jurídico.
10:36Muito obrigada, viu, Caio?
10:37Ótimo dia para você
10:38e até a próxima.
10:39Eu agradeço a você, Natália,
10:41e a todos do Real Time.
10:42Bom dia.
10:43Bom dia.
10:43Bom dia.
10:43Bom dia.
10:44Bom dia.
10:44Bom dia.
10:45Bom dia.
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10:46Bom dia.
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