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O Congresso do Peru declarou a vacância do presidente José Jerí, que estava no cargo havia apenas quatro meses. Ele havia assumido após o afastamento de Dina Boluarte. A decisão, aprovada por maioria simples em sistema unicameral, amplia a instabilidade institucional no país, que já soma oito presidentes em oito anos.

Felipe Machado analisou os impactos políticos e econômicos da crise, o histórico recente desde Pedro Castillo e o cenário para as eleições de abril de 2026, que podem ter novamente a candidatura de Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Fragmentação política, pressão do Congresso e insegurança institucional marcam o momento do país.

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Transcrição
00:03O Congresso peruano decidiu afastar o presidente José Reri, que estava no cargo há apenas quatro meses.
00:10Ele que havia substituído a ex-presidente Dina Boloarte, que também foi afastada.
00:15Nesse caso de José Reri, não se trata de um impeachment, mas sim de uma vacância do cargo decretada pelo
00:21Congresso.
00:22É um outro mecanismo que pode ser acionado aí apenas com maioria simples, que foi o que aconteceu agora.
00:28A crise institucional no Peru avança, porque em oito anos já é o oitavo presidente do país.
00:35Lembrando que o último presidente eleito, que foi o Pedro Castilho, também acabou afastado pelo Congresso.
00:41E abriu margem aí a uma sucessão de presidentes que chegaram para ocupar o lugar e que também foram caindo.
00:50Dina Boloarte, no ano passado, já havia convocado eleições gerais para abril agora, de 2026,
00:55para tentar justamente colocar fim a essa crise institucional que o país vinha vivendo.
01:00Além dessa crise política, tem também uma crise de segurança pública,
01:03porque recentemente foi decretado estado de emergência na capital e também na província de Caxau,
01:10justamente porque a população estava muito insegura,
01:14depois que foi assassinado um grande artista do país,
01:17e vinha pressionando cada vez mais o governo.
01:20Dina Boloarte não era uma presidente popular, assim como Rosserreri também não é.
01:25Eu vou chamar aqui o Felipe Machado para me ajudar a contar para vocês essa história,
01:29algo que acabou de acontecer, né, Felipe?
01:31A gente está vendo ainda os desdobramentos disso,
01:34mas o que fica mais forte aí é realmente como que a instituição da presidência está frágil no Peru, né?
01:41Por quê?
01:42Um Congresso apenas com maioria simples consegue destituir um presidente.
01:46Está aparecendo mais um parlamentarismo lá do que um presidencialismo, né?
01:51Exatamente, Marcelo.
01:51Isso é uma questão, uma característica do Peru, que eu acho que é interessante,
01:54que facilita esse tipo de manobra dos partidos, né?
01:58É um sistema unicameral, ou seja, não tem ali Câmara e Senado, né,
02:03como a gente tem no Brasil, duas instâncias ali.
02:06Então, é unicameral.
02:07Então, com uma maioria simples, você consegue destituir o presidente.
02:11José Geri, ele teve o problema que ele teve uma reunião com o governo chinês
02:16e, nesse caso, ele foi acusado de corrupção.
02:18Ele disse que não fez nada demais, que foi apenas uma reunião padrão.
02:23Mas foi algo meio bizarro, né?
02:24Porque ele foi encapuzado em encontrar um empresário chinês.
02:27Eles têm vídeo dele de capuz lá, né?
02:29Que pessoa, ocupando a presidência da República de um país,
02:33vai encapuzado a um encontro como esse?
02:35Eu não vou dizer que eu dou razão para o Congresso,
02:38mas me daria vergonha de ter um presidente da República
02:41que vai encapuzado para uma reunião.
02:43Exatamente, Marcelo.
02:44Essa é uma questão também do Peru,
02:45que a gente está acostumado um pouco a ver o Brasil,
02:47é a questão da corrupção.
02:48Só que no Peru, eu acho que talvez seja até um pouco mais forte nesse caso.
02:51Vamos lembrar que a Lava Jato, no Peru, né?
02:53Ela teve até um impacto, se for pensar o impacto político da Lava Jato,
02:57até foi maior do Peru.
02:58Vários presidentes caíram por causa disso,
03:00no envolvimento com corrupção,
03:02até mesmo que no Brasil, na questão da Odebrecht,
03:04as empresas brasileiras que tinham negócios no Peru
03:07também acabaram envolvendo políticos no Peru.
03:10Agora, Marcelo, eu acho que tem um pouco dessa instabilidade política, né?
03:13A gente vê, você lembrou bem, né?
03:15Oito presidentes em oito anos,
03:16acho que são nove presidentes em dez anos,
03:19vamos para o décimo presidente.
03:21Então, é uma instabilidade política muito forte,
03:23porque você tem partidos políticos que também vão de acordo com ali,
03:28de uma maneira muito...
03:29A gente tem aqui o José Reri.
03:30Ele que era presidente do Congresso lá, né?
03:34Ele assumiu por isso, porque, assim,
03:35a Dina Boloarte já não tinha vice.
03:37Ela tinha saído, ela tinha ficado...
03:38Ela não tinha vice.
03:39Cerca de quatro meses ela ficou...
03:40Não, ela ficou um pouco mais.
03:41Ele que ficou quatro meses.
03:42Ele ficou quatro meses, desculpa.
03:43Claro, então, é uma instabilidade política muito forte, né?
03:46Enquanto você tem, assim, um Congresso que,
03:48a qualquer momento, pode tirar o presidente,
03:50aí isso acaba afetando muito forte esse cenário político, né?
03:54Agora, vamos ver.
03:54Em abril, a gente tem novas eleições.
03:56Acho que é no dia 12 de abril.
03:57Estão convocadas as eleições e daí vamos ver, vamos esperar que o Peru chegue
04:02numa certa estabilidade política para trazer esse clima um pouco melhor para o país, né?
04:08Porque também, como você lembrou bem, a questão da segurança é muito forte,
04:11a questão da corrupção também é muito forte.
04:13Então, acaba criando uma estabilidade política no país que prejudica muito a população, né?
04:17Agora, o ponto de interrogação.
04:19Quem será o novo presidente do Peru até essas eleições?
04:22O Congresso ainda vai decidir, porque o cargo, por enquanto, foi declarado vago
04:26e agora vai haver uma eleição no Congresso para definir, então,
04:30quem vai ocupar essa cadeira até o dia 12 de abril.
04:33E já falando na eleição, Felipe, sabe quem vai ser uma das candidatas?
04:36A Keiko Fujimori, que foi candidata na última eleição, perdeu para o Pedro Castilho.
04:41Foi uma grande disputa ali entre esquerda e direita.
04:43Mas o Pedro Castilho foi um governante breve, né, de esquerda,
04:48que não teve apoio nem de outros governos de esquerda vizinhos,
04:52porque ele assumiu de uma maneira bastante errática ali,
04:55tomando algumas medidas bem estranhas e logo caiu, né?
04:59Mas a Keiko Fujimori, ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori,
05:03que foi condenado por crimes contra a humanidade, que foi afastado, enfim,
05:06ficou muito tempo na prisão e ela carrega o legado do pai.
05:10Ela está em segundo lugar nas pesquisas agora para abril e tudo indica
05:14que ela tem grande chance de chegar mais uma vez ao segundo turno.
05:17Então, assim, os personagens parecem que não vão mudando muito aí, né,
05:21porque agora a gente vai ver quem vai ser o anti-Keiko.
05:24Na última eleição, o Pedro Castilho ganhou como anti-Keiko
05:26e teve uma terceira colocada, que seria de uma esquerda mais tradicional,
05:30que acabou não indo para o segundo turno.
05:32Então, acredito que o cenário agora é bastante confuso para essa eleição.
05:36Essa é a memória muito curta na América Latina, né?
05:40A gente vê o Fujimori, como você lembrou bem,
05:42um presidente que tinha uma popularidade muito grande, ele tinha ali uma...
05:45Por um bom tempo, depois caiu, né?
05:47Por um bom tempo, depois caiu, depois se exilou, né?
05:50Depois voltou, tentou uma aproximação, tentou voltar a se candidatar,
05:53depois colocou a filha.
05:55Foi uma sucessão bem estranha ali do Fujimori.
05:57Mas, enfim, é uma família que tem ali ainda uma popularidade.
06:00A gente vê como essas dinastias na América Latina
06:03conseguem se manter, de alguma forma, presentes no cenário político, né?
06:07E vamos ver, assim, não tem muito o que dizer, né?
06:09Assim, qual vai ser o líder que vai assumir esse cargo interino, né?
06:14Durante aí quase um pouco mais de dois meses, até a eleição.
06:17Então, realmente, uma eleição muito inesperada.
06:21Não sabemos exatamente o que esperar disso.
06:22Mas, de qualquer maneira, a instabilidade política no Pino
06:24continua muito forte, Marcelo.
06:26É, eu estou aqui com alguns números de uma pesquisa
06:28que foi divulgada recentemente, da Ipsos,
06:31que é um Instituto Internacional de Pesquisas,
06:33falando justamente sobre a próxima eleição.
06:35Se me avisa ajudar ali aqui no celular, eu vou passar para você.
06:38O Rafael Lopes Aliaga, que é da Renovação Popular,
06:41ele lidera com 12%.
06:42Não é um índice muito alto, né?
06:45Em nível nacional.
06:47A Keiko Fujimori, ela aparece em segundo lugar com 7%.
06:50Agora, o Rafael Lopes, ele é muito forte em Lima.
06:54Em Lima, ele chega a 21% dos votos.
06:58E a gente está vendo aí um empate quádruplo, né?
07:01A gente está vendo aí, também com chance, o César Acunha,
07:05que é da Aliança para o Progresso.
07:06Também o Mário Vizcarra e o Carlos Álvares.
07:10É uma eleição, por enquanto, com bastante nomes.
07:13Não tem um franco favorito aí.
07:15E a gente espera que o Peru consiga eleger um presidente que dura no cargo, né?
07:19Exatamente.
07:20Mas olha só a quantidade de candidatos com chance, né?
07:23Porque todos ali com baixos níveis de popularidade.
07:26Você vê como mostra como o cenário é fragmentado, né?
07:28Quer dizer que qualquer candidato que vença uma eleição como essa
07:30pode, num segundo momento, já sofrer um impeachment
07:34ou sofrer algum tipo de pressão do Congresso
07:37para atender ali os interesses e tal
07:39e sem não conseguir sofrer algum tipo de pressão.
07:41Então, é um cenário muito fragmentado.
07:44Essa coisa de ter um sistema unicameral
07:46é uma coisa que facilita esse tipo de pressão, né?
07:49Dá muito poder, na verdade, para o Congresso
07:51e tira o poder do Executivo.
07:53Então, é como você falou, é quase um parlamentarismo ali,
07:55mas velado, né?
07:56De uma maneira que você não tem uma força política predominante no Peru
07:59e isso acaba sendo muito ruim, né?
08:00É, lembrando que no caso do parlamentarismo
08:02o mecanismo funciona melhor
08:03porque o país que perde a maioria
08:05ele perde também o primeiro-ministro
08:07ou ele próprio pode destituir o primeiro-ministro
08:09e colocar outra pessoa do partido
08:11mas geralmente tem um pouco mais de legitimidade.
08:13O duro é quando é presidencialismo
08:15e o Congresso fica derrubando o presidente
08:17atrás de presidente.
08:18Aí, cria sim uma crise de institucionalidade
08:21cria também uma situação insegura para o país
08:23como a gente está vendo aí também nos últimos meses
08:25o Peru merecia ter um sistema mais estável, né, Felipe?
08:28E como você lembra, assim, o parlamentarismo
08:30você vê que, assim, os grupos
08:31eles meio se alinham antes da eleição
08:33para talvez colocar o primeiro-ministro
08:35que quando ele diz que o primeiro-ministro chega
08:36ele já chega com uma base um pouco mais estável, né?
08:39Nesse caso, o presidencialismo é tão fragmentado a eleição
08:42que quando o presidente ganha, ele acaba ganhando
08:45mas não tem uma base.
08:46Ele vira refém exatamente do Congresso
08:48e por ter uma Câmara só, quer dizer,
08:49você acaba ficando mais refém ainda.
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