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A arrecadação de tarifas alfandegárias nos Estados Unidos bateu R$ 30 bilhões só em janeiro de 2026, um aumento de 304% em relação a 2025. Mas quem paga essa conta?

Will Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, analisa os impactos dessas tarifas na economia americana, na inflação, no déficit público e nas oportunidades de investimento para brasileiros no mercado dos EUA.

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Transcrição
00:00A arrecadação de tarifas alfandegárias nos Estados Unidos chegou a impressionantes 30 bilhões de dólares em janeiro, só em janeiro,
00:09o que é um aumento de inacreditáveis 304% em relação ao mesmo período de 2025.
00:17Com os valores de janeiro que foram divulgados hoje, o acumulado de 12 meses na arrecadação alfandegária dos Estados Unidos
00:26saltou para 124 bilhões de dólares.
00:29Se, por um lado, o faturamento bilionário das tarifas reduz o déficit orçamentário americano,
00:35por outro lado, faz com que alguém pague essa conta.
00:42É sobre isso que eu converso agora com o nosso notável e estrategista-chefe da Avenue, Will Castro Alves.
00:49Will, aqui eu coloquei em números gerais este crescimento robusto, que, por um lado, coloca dinheiro no cofre público americano,
00:58bom,
00:59mas alguém pagou essa conta, ruim.
01:02Vamos fazer essa análise copo meio cheio, copo meio vazio.
01:05Porque, pouco mais cedo aqui, neste mesmo Fast Money, desta quinta-feira, a gente falou sobre a Mercedes-Benz,
01:12que teve uma queda de vendas, atribuiu a tarifas.
01:16Claro, a Mercedes-Benz vende para o mundo inteiro, mas tem um mercado muito importante dentro dos Estados Unidos.
01:21E colocou ali que as condições tarifárias eram desfavoráveis aos luxuosos carros alemães,
01:28que são muito desejados por parte dos motoristas americanos.
01:35Te jogo a análise aí.
01:36Vamos falar do dinheiro que entra no cofre público americano,
01:41mas o quanto isso pesa para a dinâmica da economia.
01:45Boa tarde, Will. Obrigado por participar aqui do Fast Money.
01:49Boa tarde, Fábio. É sempre um prazer falar contigo.
01:52E eu diria que, assim, para a gente fazer um balanço disso,
01:57eu diria que o balanço é positivo.
02:00Mas entenda-se que esse positivo é de onde a gente parte.
02:05A gente partiu de uma expectativa de que essas tarifas iam jogar a inflação aqui nos Estados Unidos,
02:11lá em cima, e que poderiam gerar uma recessão na economia.
02:15Nada disso aconteceu.
02:17A administração falava que, olha, essas tarifas, a gente vai arrecadar bilhões de dólares
02:23e vai ajudar a financiar o atual déficit.
02:27O mercado não comprava muito essa ideia.
02:30Achava que, não, legal, você vai arrecadar um pouco,
02:33mas a desaceleração econômica vai fazer você perder receita arrecadatória do consumo,
02:40de uma economia mais fraca.
02:42E, no net, esse negócio é zero a zero ou negativo.
02:47Partindo desses pressupostos, eu diria que os resultados têm sido positivos.
02:51Porque a economia, ela não colapsou.
02:55O déficit, de fato, ele está sendo reduzido com o subsídio das tarifas que estão ajudando,
03:01de fato, a reduzir esse déficit.
03:03O déficit de 700 bilhões de dólares é um número bastante elevado,
03:07mas chegava perto de um tri, se não fosse as tarifas.
03:11E, pelo lado da inflação, você não viu um spike inflacionário.
03:15A inflação, ela está ali reticente, resiliente,
03:18ela não voltou para a casa dos dois, mas ela está, de certa forma, controlada.
03:22Então, eu diria que o net, ele é positivo.
03:25Agora, você vai me dizer, poxa, quem está pagando essa conta?
03:30Sim, parte dessa conta está sendo paga pelo consumidor americano.
03:34Isso é um fato.
03:34Tem vários estudos que mostram que a inflação poderia ser menor, não fossem as tarifas.
03:40Então, de fato, as tarifas tiveram algum impacto na inflação.
03:43Bem menor do que se imaginava, mas tiveram.
03:45Então, parte disso, os consumidores americanos estão pagando.
03:50Parte disso, os importadores americanos estão pagando também,
03:53sob o ponto de vista de redução de margem.
03:56Ele compra mais caro, mas tenta manter o preço,
03:59ou tenta não subir tanto o preço para continuar conseguindo e vendendo.
04:03Então, eu diria que, assim, é mais ou menos esse é o cenário que eu vejo.
04:08No net, eu considero positivo.
04:10No net, quando eu digo, no líquido e, de novo, partindo de onde a gente estava,
04:14das estimativas, das expectativas,
04:17eu acho que o resultado final está sendo bem melhor do que esperado.
04:20Agora, Will, olhando ali na ponta do lápis,
04:23na versão matemática da coisa,
04:27isso deixa um campo atraente para o investidor?
04:30Como você falou, eu cansei de conversar com você mesmo,
04:33aqui nessa mesma divisão de telas,
04:35lá no ano passado.
04:37Será que em 2025, no final de 2025, 2026,
04:41a gente vai ter recessão, vai ter um desespero,
04:45uma fuga de investidores da Bolsa?
04:48Nada disso aconteceu, muito pelo contrário.
04:50Os recordes dos índices das bolsas americanas,
04:54ou de Wall Street,
04:55os índices de Wall Street,
04:56continuam batendo recordes.
04:59Então, agora, vamos rever esse diálogo que a gente teve,
05:01talvez, há um ano atrás.
05:03Daqui para frente,
05:04este ambiente de uma inflação controlada,
05:10o déficit caiu.
05:11Tudo bem, cortou-se na própria carne,
05:13doeu no bolso de alguém,
05:15mas o déficit caiu, o que é importante.
05:16Isso cria uma visão, uma perspectiva de atração
05:20aos investidores para a Bolsa de Valores dos Estados Unidos?
05:24Não, legal, excelente ponto.
05:26O que eu acho, para o investidor brasileiro,
05:28o que a gente tem ressaltado,
05:29o que a gente tem comentado bastante,
05:31é que a maior atratividade está no dólar.
05:34Esse dólar abaixo de 5,20,
05:36então, a meu ver, é irresistível, eu diria.
05:40Eu sei que é sempre polêmico a gente,
05:41economista, aqui falar de dólar,
05:43fazer previsão de dólar.
05:45Mas eu acho que a gente tem sido beneficiado,
05:48o Brasil tem sido beneficiado
05:49com um fluxo de capital bastante elevado
05:52que está ocorrendo,
05:53que nada garante que vai continuar ocorrendo
05:55nos próximos meses
05:56e que tem ajudado a manter a moeda brasileira apreciada
06:01e o dólar depreciado.
06:04Mesma coisa na Colômbia,
06:06mesma coisa no México,
06:07mesma coisa no Peru e em outros lugares.
06:09Então, o dólar, neste patamar,
06:12extremamente atrativo.
06:13Quando você vai para o mercado americano,
06:16a gente viu que europeus,
06:17apesar das brigas com os Estados Unidos,
06:19ano passado aumentaram a sua participação
06:21em ações americanas.
06:25E a gente vê que o S&P,
06:26até pouco tempo atrás,
06:27estava muito perto das máximas.
06:29Então, eu diria que, sim,
06:31o cenário para investimento nos Estados Unidos,
06:34especialmente para o brasileiro,
06:35que tem pouca ou quase nenhuma exposição
06:37a investimentos no exterior,
06:39ele continua, sim, atrativo.
06:41Sim, é verdade que parte do capital
06:43que está aqui nos Estados Unidos
06:44está indo para outros lugares do mundo,
06:46buscando retorno em outros lugares do mundo.
06:48Isso é normal.
06:50Mas aí vale lembrar que ele parte de um pressuposto,
06:53que grande parte dessa pizza
06:56continua de alocação,
06:57ela continua alocada nos Estados Unidos.
07:00Você sai, talvez, de 70%
07:02para 60% alocado nos Estados Unidos.
07:04Mas continua 60% aqui, né?
07:06E o brasileiro tem muita coisa alocada
07:08somente no Brasil.
07:09Então, continua interessante.
07:10O que a gente tem visto,
07:12mais especificamente na Bolsa,
07:14aqui recentemente,
07:15são solavancos em relação aos setores de tecnologia.
07:18Aquele receio de que a AI
07:20vai afetar diferentes segmentos
07:22e espectros de tecnologia,
07:23vem batendo nas ações de software.
07:26Bateu essa semana também
07:27em algumas empresas do mercado financeiro,
07:30especialmente aquelas data providers.
07:32Então, assim, você pega
07:33empresas que proveem informação de mercado,
07:38ou as agências de rating,
07:40a Moody's, a Standard & Poor's,
07:41essa semana sofreram com o receio de que a AI
07:43vai, de alguma forma,
07:45afetar o negócio delas.
07:46Eu acho que isso continua.
07:48A tecnologia,
07:49o receio de que a AI
07:51possa impactar diferentes espectros de tecnologia,
07:54continua afetando
07:55nesses segmentos de tecnologia.
07:57Agora, é verdade também que,
08:00por outro lado, você vê
08:01empresas de materiais básicos
08:03subindo bem na Bolsa esse ano,
08:05empresas de petróleo subindo bem,
08:06indústrias,
08:07empresas de indústria,
08:10até mesmo os REITs
08:11vêm performando bem,
08:12além de Small e Mid Capit.
08:14Então, assim,
08:14sempre tem oportunidade
08:16no mercado americano,
08:17é isso que eu sempre gosto de frisar
08:18para os investidores brasileiros.
08:21O Will Castro Alves,
08:23que é nosso notável aqui no Times Brasil,
08:25licenciado exclusivo CNBC,
08:27e estrategista-chefe da Avenue,
08:30que bate aqui o cartão
08:32semanalmente
08:33na nossa programação.
08:35Will, muito obrigado mais uma vez,
08:37já estendo o convite,
08:39o nosso combinado
08:40para retomarmos
08:41essa nossa conversa
08:42na próxima semana.
08:43Até lá.
08:45Com certeza, Favali,
08:46e minha sugestão aí
08:47para quem está nos assistindo,
08:49cuidem e apreciem o carnaval
08:51com moderação,
08:52e lembre-se que amanhã
08:53é sexta-feira 13,
08:54hein, Favali,
08:55tem CPI saindo,
08:56será que vamos ter surpresas?
08:59Olha, espero que seja
09:00apenas uma superstição.
09:04Will, se tiveram surpresas,
09:07semana que vem,
09:08que é carnaval aqui,
09:09mas não é aí para você,
09:11você conta para a gente.
09:13Tchau, tchau,
09:14até semana que vem.
09:14Tchau, tchau.
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