- há 2 dias
O coronel reformado da PM José Vicente Carvalho analisou a prisão do piloto de avião acusado e liderar uma rede de exploração sexual infantil que funcionava há, pelo menos, oito anos na capital paulista e a saidinha dos presos no período de Carnaval.
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NotíciasTranscrição
00:00E agora, nós vamos falar de um caso que chocou o Brasil.
00:06Operação Apertem os Cintos, um piloto da Latam de 60 anos de idade,
00:13Sérgio Antônio Lopes, foi preso no avião,
00:18suspeito de liderar uma rede de exploração de menores.
00:22Os detalhes, enfim, os detalhes, coloca aí a nossa reportagem, olha ali.
00:32Vamos dar uma olhada no que o antagonista está trazendo todos os detalhes para vocês.
00:40Ali prendeu o piloto acusado de liderar essa rede,
00:44funcionava há pelo menos oito anos na capital paulista.
00:49O inquérito está com a doutora Ivalda Aleixo, do DHPP.
00:54Vocês devem conhecê-la dos podcasts, ele é uma personalidade conhecidíssima.
00:58Ele oferecia dinheiro, medicamentos, televisores e pagava o aluguel de mães e avós de crianças
01:04em trocas de fotos, vídeos e contato.
01:07Olha, já foram identificadas dez vítimas, mas o número pode ser maior.
01:16Nós vamos conversar sobre esse tema com o coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo,
01:23muito respeitado, consultor em segurança, José Vicente da Silva Filho.
01:29Boa noite, coronel.
01:30É um prazer enorme ter o senhor aqui com a gente no Antagonista.
01:34Boa noite.
01:35É um prazer estar com vocês também.
01:37Obrigado pelo convite.
01:38Coronel, para a gente fica só uma sensação de horror profundo com essa descoberta desse tipo de rede.
01:54Essa prisão que foi feita dentro do avião.
01:56A gente, enfim, pensa uma pessoa capaz de fazer isso com crianças e, ao mesmo tempo,
02:02mães e avós capazes de empurrar crianças para isso.
02:07Como é que uma operação desmantela esse tipo de coisa, coronel?
02:11O que aconteceu ali?
02:14E como é que demorou tanto tempo?
02:16Se não me contas, essa rede vem atuando há oito anos.
02:21Mas isso é um retrato, dois retratos.
02:23Um da miséria que pode chegar ao ser humano.
02:27Nós temos, por exemplo, uma estatística de crimes sexuais, estupro de maneira geral,
02:35que atinge basicamente também jovens, jovens, mulheres, adolescentes.
02:41E a gente sabe que menos de 10% desses casos são denunciados.
02:44Então, a estatística que nós temos pode multiplicar por 10 para chegar perto da dura realidade que nós temos.
02:50É um país deficiente, moralmente deficiente e seguir regras.
02:57É um país com extrema impunidade para crimes em geral.
03:02Nós tivemos no estado de São Paulo, e é um retrato, é um pedaço do Brasil, aqui, um grande pedaço,
03:07com 3 milhões e 600 mil crimes ocorridos no estado no ano passado.
03:11A polícia prendeu 196 mil, ou seja, 95% desses crimes criminosos não foram alcançados.
03:21A nossa tem uma taxa de cobertura e de apagar os ladrões com a boca na botija,
03:27inclusive desse tipo de crime horroroso, que é de 5%.
03:31Se tanto, provavelmente menos.
03:33O Rio de Janeiro é 4%.
03:35Isso é um retrato da impunidade que nós temos.
03:37Claro, não é tudo que pode ser feito prendendo criminosos, prendendo bandidos para acabar com o crime.
03:43É necessário que a própria sociedade tenha maneira de reagir a esse tipo de situação.
03:50Desses 3 milhões e 600 mil crimes, 2 milhões e meio são crimes contra o patrimônio.
03:56Roubas e furtos, basicamente.
03:57E um milhão de crimes tem uma variedade imensa de fraudes desses crimes desse tipo horroroso
04:04que a gente tem na sociedade brasileira.
04:06É uma sociedade de baixíssimos controles, de altíssima tolerância com o desvio,
04:12inclusive esses desvios escabrosos, né?
04:14Imaginar atingindo crianças.
04:17É uma sociedade que não devia se permitir.
04:19E não é coisa de periferia.
04:20O noticiário que vocês passam é um piloto, tá?
04:24Uma grande empresa aérea, né?
04:25É um cargo que demora muito tempo para chegar nesse nível.
04:28Mas a gente está vendo o mesmo, o caso semelhante que é o que a gente tem lá nos Estados Unidos.
04:32Deixou um rastro de autoridades envolvidas também com essas situações absolutamente inacreditáveis e horrendas, né?
04:41Para qualquer tipo de sociedade.
04:43O senhor está falando de ser...
04:45A gente vê as pessoas reagindo com absoluto horror a isso?
04:49Mas para que um indivíduo desse tenha essa atividade durante tantos anos,
04:56quantos cúmplices são necessários?
04:59Esse também é um questionamento.
05:01Não tem como a gente dizer que a sociedade brasileira se horroriza com isso.
05:05Acho que se horroriza quando a polícia entra e aí a reputação do criminoso fica exposta.
05:12Mas ele recebe colaboração.
05:15A gente tem essas famílias assim...
05:19Eu não entendo nada que justifique o que essas famílias fazem.
05:22E entendo que tem famílias que passam muito mais necessidade
05:25e que não submetem uma criança à tortura desse tipo de ordem como essa gente submetia.
05:32Existe aí uma condescendência com esse tipo de crime, sim, né?
05:36Sim.
05:39Dá para observar claramente que essas pessoas acabam tolerando para um benefício, né?
05:46Pagar um aluguel, alguma vantagem financeira.
05:49Acabam tolerando essa miséria moral que é entregar filhas e netos para esses adultos talados aí, né?
05:58E essa tolerância, ela é repugnante.
06:01Quando a gente fala em crimes hediondos, é aqueles que provocam uma justa nojo por parte da sociedade.
06:09Uma repugnância social.
06:11E é tolerável de jeito nenhum.
06:14Frequentemente se fala dos bandidos que moram em favelas.
06:17A gente vê as pessoas descendo da favela para trabalhar nas casas.
06:21Grande maioria, a gente vai nas praias, nordeste, outro local,
06:24vê as pessoas lá lutando naquele sol escaldante para vender seus produtos.
06:29Porque estão lutando com seriedade.
06:33Mas o que nós vemos, de maneira geral, na nossa sociedade, é uma altíssima tolerância ao desvio.
06:39Eu conversei com um grande estudioso de violência no mundo.
06:42Ele era professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
06:45O nome dele é Manuel Eisner.
06:47Ele vem e acompanha ao longo do tempo, ao longo da história,
06:50em múltiplos países, a questão dos países mais violentos.
06:53E nos países mais violentos, existem algumas características,
06:56como a própria tolerância da sociedade com a corrupção, por exemplo.
07:01Ou desvios disfarçados, que não são corrupção nos termos da lei,
07:06mas a gente está vendo recentemente os pinduritários, por exemplo,
07:09que vão beneficiar 1% da nossa sociedade.
07:14As elites das elites.
07:16Nós temos juízes militares, tribunal de justiça militar,
07:20temos três coronéis que são juízes,
07:21o salário deles saiu de 20 mil para 120 mil.
07:25Porque eles ganham menos salários dos juízes.
07:27Então a gente percebe que a altíssima tolerância
07:30com esse tipo de situação,
07:33não vão fazer uma ligação direta com esses crimes hediondos,
07:36essas talas, evidentemente.
07:37Mas isso é um clima nacional,
07:40um clima amplo da sociedade,
07:42que não sente mais vergonha até dessas ações das nossas elites.
07:47E lá embaixo, no horror de outras pessoas,
07:51parece tudo relativamente natural.
07:55Coronel, agora, você falou dessa tolerância, então,
07:58que o brasileiro tem com o crime.
08:01Nas pesquisas agora, pensando na eleição presidencial,
08:06os pesquisadores perguntam qual você acha que é o maior problema do Brasil.
08:11E a criminalidade tem aparecido em primeiro lugar.
08:14Não é contraditório as pessoas responderem
08:17que estão preocupadas com o crime,
08:19ao mesmo tempo também terem essa tolerância com o crime,
08:24a ponto de serem até coniventes ou cúmplices
08:27com esse tipo de crime?
08:30Olha, a gente tem percebido,
08:32os estudos sociológicos,
08:33não é bem a minha praia, Luda,
08:36mas mostra que a classe média baixa, principalmente,
08:39é a que sustenta a moralidade de uma sociedade como a brasileira.
08:43Quando nós falamos que existe uma alta tolerância,
08:46nós estamos falando de muita gente,
08:47mas não é a maioria ainda, felizmente.
08:51Mas é uma quantidade suficiente
08:53para degradar essa moralidade social.
08:57nós percebemos quando nós deveríamos estar vendo austeridade.
09:03Eu lembro frequentemente de uma figura,
09:05o José Morica, que foi presidente do Uruguai,
09:08aquele é um exemplo do indivíduo que entra
09:11numa presidência e sai da presidência
09:13até mais pobre do que entrou.
09:15Isso não acontece na nossa política.
09:17Todo mundo vira gênio financeiro,
09:18todo mundo está exagerando, né?
09:20Mas muita gente vira gênio financeiro.
09:23Tem grandes posses.
09:25Isso tudo está sendo visto pelas sociedades.
09:28Se eles podem, eu também...
09:30Por que eu não posso?
09:31Então, as grandes figuras,
09:33são figuras notórias das nossas altas cortes,
09:36em todo sentido de cortes,
09:38elas não dão o devido bom exemplo.
09:40Existe, claro, né?
09:42Mas não é significativo,
09:44não é suficiente
09:45esse rumo que a sociedade precisa.
09:48Eu trabalhei, né?
09:49Todo policial trabalha
09:50num encontro frequente
09:52com a população mais periférica
09:55do dia a dia.
09:56Tem muita demanda do trabalho policial.
09:59A gente percebe que esse pessoal
10:00trabalha duramente
10:02em difíceis condições sociais.
10:04Eles não são beneficiados
10:06com pedura e cálidos, obviamente.
10:08O bolso do cidadão
10:09que está tomando chuva no ponto de ouro
10:11é chamado Tesouro Nacional,
10:12que vai cobrir toda essa farra
10:14do Congresso e tudo mais.
10:16Isso não deixa de ser percebido
10:17no dia a dia dos cidadãos.
10:19Ele se horroriza, claro.
10:20Mas o fato é que
10:22a questão da violência,
10:24ela escalou,
10:25usar um verbo na atualidade,
10:27para as preocupações da sociedade.
10:29Pelo lado de contas,
10:30se nós temos 3 milhões e meio
10:31de crimes por ano no Estado,
10:34atinge menos de 10% no Estado
10:36de 46 milhões.
10:38Mas esses 10%
10:39faz um estrago monumental
10:41porque ele conspira
10:42contra a qualidade de vida
10:43da sociedade de São Paulo,
10:45como de outros Estados.
10:47E os Estados progressistas,
10:49não sei progressista de como,
10:52eles têm a pior taxa
10:54de cuidados com a sua população.
10:58Eles são bons discursos nesse sentido.
10:59mas o fato é que a violência
11:02do Nordeste, por exemplo,
11:04vem vindo de uma maneira
11:06que impõe a sociedade
11:08um sofrimento atroz.
11:10E o medo é muito mais intenso,
11:13obviamente, no dia a dia,
11:14do que nas estatísticas,
11:15nessas regiões que querem dar
11:18exemplo de moral para o resto do país.
11:19E a questão também
11:22da conquista de território,
11:24né, Coronel?
11:25Esses dados que a gente tem
11:26de um quarto do Brasil
11:29já ter sido colonizado
11:31pelo crime organizado.
11:34E uma coisa que eu vejo é
11:36a produção cultural
11:38que idolatra o crime organizado
11:41está sendo normalizada
11:43na nossa sociedade.
11:46Isso eu creio que é algo
11:49muito preocupante,
11:50porque parece que vai se criando
11:53uma fissura moral
11:54onde o certo é ser criminoso
11:57e quem não é vai ser taxado de trouxa.
12:03Olha, a realidade do crime organizado
12:06no Brasil, ela não é só a questão
12:10do PCC e do Comando Vermelho.
12:12São grandes facções mais estruturadas
12:14já com relacionamento
12:15com organizações internacionais
12:18de crime.
12:19Organizações mafiosas já.
12:22Mas nós temos uma profusão.
12:24Já se falou 90 facções.
12:27Na verdade, são 90 quadrilhas.
12:28Antigamente, a gente falava de quadrilha.
12:30O nosso código penal,
12:31processo penal,
12:32fala em formação de quadrilha.
12:35E os criminosos sempre se juntaram
12:36para a prática de crime,
12:37porque é mais seguro,
12:38é mais fácil de agir.
12:41Mas o que nós percebemos
12:42é que elas foram se solidificando.
12:45Não é só essa tolerância, não.
12:46O que nós estamos vendo
12:47é uma dificuldade das estruturas
12:51de Estado,
12:52estou falando específico das polícias,
12:54mas principalmente das polícias civis
12:55e da Polícia Federal,
12:57que elas têm uma responsabilidade
12:59constitucional de investigação.
13:01Investigação significa coletar dados,
13:03identificar criminosos,
13:04identificar crimes,
13:04identificar processos de ação criminosos.
13:07e da medida que essas facções
13:09se expandem pelo Brasil,
13:11que elas crescem,
13:11se multiplicam,
13:12ou abrem suas franquias,
13:14vão dominando territórios
13:15crescentemente,
13:17pela ineficiência,
13:18pela inércia,
13:19pelo desinteresse
13:20dessas estruturas policiais.
13:23Afinal de contas,
13:24cabe à Polícia Federal,
13:25mesmo sem essa PEC redentora
13:27que estão pretendendo,
13:29já cuidar de toda a parte
13:31de entrada de contrabando,
13:32de entrada de drogas,
13:33são crimes previstos
13:34na Constituição Federal,
13:36já.
13:37E nós não vemos esse cuidado.
13:38O Rio de Janeiro, por exemplo,
13:39você menciona uma questão
13:41de conquista territorial,
13:42nós temos pelo menos
13:43um terço da população,
13:45também na Grande Rio,
13:46que estão sob território
13:48comandado por facções armadas,
13:49impondo suas regras,
13:51impondo seus governos.
13:53E eles cresceram
13:54de uma milícia
13:54que tinha rido às pedras
13:56há pouco mais de 20 anos,
13:57hoje nós temos
13:57dezenas de milícias
13:59conquistando,
14:00dominando territórios.
14:01A polícia não viu?
14:02Viu.
14:03Nós tivemos uma grande
14:04operação no Complexo
14:05da Penha e Alemão,
14:07o delegado,
14:08depois,
14:08fazendo um rescaldo
14:09daquela operação horrorosa,
14:11morreram cinco policiais,
14:12dentre outras coisas,
14:14ele disse que naquela região
14:15entram 10 toneladas
14:16de droga por mês,
14:17e cerca de mil armas
14:19novas entram por mês.
14:20Se aquela região
14:21não é tão grande
14:22como o Estado,
14:23nem tão grande
14:23como a cidade,
14:24se o delegado sabe
14:25que entra 10 toneladas,
14:26por que não está impedindo?
14:29Então,
14:29a inteligência da polícia
14:31deveria estar cuidando,
14:32de evitar que essas coisas aconteçam.
14:33A polícia tem um papel
14:34importantíssimo,
14:35claro,
14:36é o principal braço
14:37da segurança pública.
14:39E o papel dela
14:39é impedir que as coisas aconteçam,
14:41não é só prender o bandido
14:42depois que ele agiu.
14:43Agir depois,
14:44reagir depois,
14:45com grandes tropas,
14:46grandes operações,
14:47é trabalhar em cima
14:49do leite derramado.
14:50O grande papel da polícia
14:51e toda a sociedade
14:52é estabelecer
14:54eficiência
14:55de manutenção
14:56da ordem pública,
14:57criar dificuldades
14:59imensas
14:59para os criminosos
15:00e ir atrás daqueles
15:01que são verdadeiramente
15:02de interesse
15:03para a sociedade,
15:04chefe das grandes facções
15:06e indivíduos
15:07perigosos
15:08para a sociedade.
15:09Mas isso
15:09nós não estamos fazendo
15:10e não temos
15:11uma política nacional
15:13que o governo
15:14está reclamando,
15:15tentando correr
15:15atrás do prejuízo
15:16agora,
15:17do plano eleitoral,
15:19troca ministro,
15:20vamos conversar
15:21sobre uma PEC.
15:22É pura enrolação
15:23e ele não tem
15:24o que mostrar
15:25nessa área
15:26que é a grande
15:26preocupação nacional
15:27hoje.
15:29José Vicente,
15:30agora eu queria saber
15:30a sua opinião
15:31sobre a saidinha
15:32de carnaval.
15:34Na semana passada
15:35o governador de Minas,
15:36Romeu Zema,
15:37disse que não vai ter
15:39saidinha
15:39em todo o estado
15:40de Minas Gerais
15:41agora durante o carnaval.
15:44A gente conversou ontem
15:45com a Cris Monteiro,
15:46vereadora aqui
15:47de São Paulo,
15:48também do Partido Novo,
15:49também quer fazer
15:51a mesma coisa aqui.
15:52O que o senhor
15:53acha da saidinha?
15:54A saidinha ainda tem
15:55muito no Brasil isso?
15:58Tem.
16:00A saída temporária
16:01é prevista
16:02na nossa lei
16:02da execução penal
16:03para os presos
16:05que estão já
16:06numa escala
16:07pré-saída
16:09das prisões
16:10num regime
16:12semiaberto.
16:13Ele sai durante o dia
16:13e retorna à noite
16:14para as prisões.
16:15Nós temos 45 mil
16:16presos
16:17dos nossos 220 mil
16:18aqui no estado
16:19nessa condição.
16:20O governador
16:21não tem a menor
16:22condição
16:22de deixar
16:23gostar
16:24ou não gostar.
16:25Essa é uma decisão
16:25da justiça.
16:27Aqui em São Paulo,
16:28em quatro meses,
16:29são os meses
16:30previstos
16:30para as saídas
16:31temporárias.
16:32Essa saída,
16:34as grandes saídas,
16:35saem de 30 mil
16:36desses presos
16:38nessas condições.
16:39Desses 30 mil,
16:406 mil saem
16:41com tornozeiro eletrônico,
16:43pois são considerados
16:44preocupantes
16:45esses indivíduos,
16:46segundo os diretores
16:47do sistema prisional
16:48aqui paulista.
16:50Mas não é uma grande
16:51preocupação
16:52na realidade,
16:53porque isso já vem
16:54a acontecer
16:55há muito tempo.
16:56Esses presos,
16:56em algum momento,
16:57vão sair das prisões.
16:58Seria necessário,
16:59claro,
16:59estabelecer
17:00regras melhores
17:01para os presos
17:02terem esse tipo
17:03de direito.
17:04Quem comete crimes
17:05e de ondas,
17:06por exemplo,
17:07ou crime como esse tipo,
17:08criminosos contra crianças,
17:11deveria ter regras
17:12muito mais que estritas
17:13em relação
17:14a essa progressão
17:15de pena.
17:17Infelizmente,
17:17não existe.
17:19Mas o fato é que
17:20nós temos
17:20essa condição
17:21normalmente,
17:23mas é importante também
17:24todo mundo saber
17:25que um grande sistema
17:26como São Paulo,
17:27com 220 mil presos,
17:29ele está soltando gente
17:30todo dia
17:31porque cumpriu pena,
17:32porque ficou doente,
17:34porque está em progressão
17:35de pena
17:35para cumprir pena
17:36já fora dos presídios.
17:38Se você tem uma ideia,
17:39saem 300 presos
17:40por dia do sistema.
17:42Já é uma saídinha
17:43natural,
17:44legal.
17:459 a 10 mil presos
17:46saem do sistema
17:47todo mês
17:48aqui no Estado de São Paulo.
17:49Mais de 100 mil por ano.
17:51Então,
17:52o que é importante
17:53é que
17:54existe uma estrutura
17:55de acompanhamento
17:56desses livros
17:57que saem.
17:58E por incrível que pareça,
18:00pouca gente sabe disso,
18:01mas no Estado de São Paulo
18:02nós temos
18:0392 estruturas
18:05de acompanhamento
18:06desses condenados
18:08que estão saindo
18:09já do sistema prisional.
18:11São centrais
18:12de acompanhamento
18:13de penas alternativas,
18:14de prestação
18:15de serviços comunitários.
18:16Vamos conferir
18:17se ele está cumprindo
18:17pena alternativa.
18:18São 97 dessas centrais.
18:21E tem mais
18:2162 centrais
18:23que cuidam
18:24dos indivíduos
18:24que já foram
18:25definitivamente
18:25para a liberdade.
18:27É um acompanhamento
18:27de egressos.
18:29Por incrível que pareça,
18:30o serviço público
18:31faz acompanhamento
18:32e faz o evento
18:33para o Estado de São Paulo.
18:34Essa é uma realidade
18:35que poucos estados têm.
18:37O que é importante,
18:38naturalmente,
18:38existe tentativa
18:39da lei de infacção
18:40que está sendo
18:41trabalhada,
18:42digerida no Congresso,
18:43a própria
18:44PEC da Segurança,
18:46o deputado
18:47Mendonça Filho,
18:47também está cuidando
18:48de colocar
18:50algumas amarras
18:51em relação
18:51à progressão de pena
18:53perlendo os indivíduos
18:54que são mais perigosos
18:55quando estiverem soltos
18:56para a sociedade.
18:59Coronel,
18:59o senhor está falando
19:00disso da saídinha.
19:02Eu creio que
19:03na opinião pública brasileira
19:06ficam misturados
19:07dois assuntos diferentes
19:09e que são tratados
19:11como uma coisa só
19:12e isso gera essa revolta
19:14com a saídinha.
19:14Eu ouço muitas pessoas falando
19:16é só no Brasil
19:17que tem isso.
19:18Não é,
19:19isso é um método.
19:20Se o cara
19:21nunca foi para casa
19:22no meio da pena,
19:24você não sabe
19:24se a família acolhe,
19:26para onde ele está indo,
19:27se realmente
19:28ele tem condição,
19:29você está soltando
19:30uma bomba relógio.
19:32O mundo inteiro
19:33tem saídinha praticamente.
19:35É progressivo,
19:37você não pega um cara
19:37que pegou 30 anos,
19:39fica 30 anos
19:40no fim e fala
19:40tchau amor,
19:41vai para a rua,
19:42vai dar uma desgraça isso,
19:43isso não existe.
19:44isso é uma coisa
19:46e a outra coisa
19:48é a sensação
19:49de impunidade,
19:50acho que mistura
19:51as duas coisas,
19:52porque por exemplo,
19:53esse caso que a gente
19:54viu do piloto agora,
19:57o outro que matou
19:58um menino a soco
19:59e já tinha
20:01não sei quantas passagens
20:02pela polícia,
20:04quantas pessoas que tem,
20:05você vai ver
20:06um crime horroroso
20:07que acontece
20:07e a gente vê a notícia,
20:09aí tem o fulano,
20:10tem não sei quantas passagens
20:11pela polícia,
20:13acho que outros assuntos
20:15de frouxidão
20:16da nossa lei penal
20:18e também da inexistência
20:20de solução
20:20para indivíduos monstruosos,
20:23tem indivíduo
20:23que não tem jeito,
20:24ele não pode nunca mais
20:26sair da cadeia,
20:27a gente tem uma lei
20:29que idealiza muita coisa
20:30e acho que o povo
20:31jogou tudo
20:31na história da saídinha
20:32também, né?
20:35Tem,
20:35veja o seguinte,
20:36há uma ideia,
20:38a ideia típica
20:39do ambiente de esquerda,
20:40né?
20:41Pensa no presídio
20:42que sua missão
20:43de ressocializar
20:44o preso,
20:45né?
20:46Eu estive em alguns
20:47presídios na Inglaterra,
20:48um preso
20:49em melhores condições
20:50do que o nosso preso
20:51médio, digamos,
20:52e perguntei nos três,
20:53são três gestões
20:54diferentes,
20:55três presídios
20:55que eu fui lá.
20:56O que vocês acham
20:57da ressocialização?
20:59Foi até difícil
20:59achar o termo
21:00inglês para isso.
21:01Ele falou,
21:01nós não acreditamos nisso.
21:03Como é que nós vamos
21:04ressocializar alguém
21:06que nunca foi socializado
21:09e atrás das grades?
21:11A sociedade
21:12precisa de respostas
21:14àqueles que atentam
21:15contra a sua dignidade,
21:17contra a sua tranquilidade,
21:19contra a sua qualidade de vida.
21:21Existem alguns tipos
21:22de criminosos
21:23que precisam
21:23de uma atenção especial,
21:24que eles são
21:25especialmente
21:26predadores
21:28da sociedade.
21:29Um,
21:30os grandes violentos.
21:32Esses violentos,
21:33eles não têm
21:34cura.
21:36São grandes psicopatas.
21:38Nós temos alguns deles
21:39de facções
21:40que estão nos presídios,
21:41infelizmente,
21:41alguns poucos.
21:43Há que se pensar
21:44em ressocializar
21:46um monstro desses.
21:47E tem um outro
21:48que é um tormento
21:49da sociedade
21:50que você menciona aí.
21:52Eu cito um exemplo.
21:54Tem um tal de Patrick,
21:55nome do jovem,
21:56de 21 anos,
21:57do Rio de Janeiro,
21:58que foi preso
21:5986 vezes.
22:01A imprensa até coloca
22:0286 passagens
22:03pela polícia.
22:04Como se ele estivesse
22:05passando,
22:06passou na delegacia
22:07e passou na catraca
22:0886 vezes.
22:11Na verdade,
22:11ele foi preso
22:12cometendo crimes
22:1386 vezes.
22:15A polícia prendeu,
22:16levou,
22:16fez flagrante,
22:17levou para o juiz.
22:18O juiz é um produto
22:19de pequena monta,
22:20só um celular barato.
22:22Vai responder
22:22o crime em liberdade,
22:23respondendo em liberdade,
22:24ele comete mais
22:2540, 50 crimes.
22:28Nós não temos
22:28na legislação ainda
22:29obrigações
22:30dos juízes
22:32de, na terceira vez,
22:33terceira residência,
22:35a reiteração criminosa,
22:36que está sendo prevista,
22:37inclusive,
22:38na PEC do deputado
22:39Mendonça,
22:40o que consta,
22:41para que ele seja
22:42contido imediatamente.
22:45Então,
22:45essa resposta da sociedade,
22:47ela vem através
22:47dos instrumentos
22:49criados para isso,
22:50que é a polícia,
22:51o Ministério Público,
22:52o Judiciário
22:53e as prisões.
22:54São instrumentos
22:55que precisam
22:56responder melhor
22:57a esse tipo
22:58de necessidade
22:59da sociedade.
23:00Quem tem que ter medo
23:01é o bandido,
23:02não mais a sociedade.
23:04Pelo menos,
23:05precisamos dividir
23:05esse medo.
23:07E o senhor vê
23:09alguma...
23:11O senhor vê
23:12algum clima
23:12para realmente
23:13voltar a isso?
23:14Porque eu vejo
23:15se falar,
23:16se falar...
23:16Quantos anos
23:17a gente já vê
23:17falando isso?
23:18E a situação
23:19só vai se degradando,
23:21porque parece
23:21que existe
23:21uma ideologia
23:22que é muito ligada
23:24à esquerda,
23:25que vai recuperar,
23:27ressocializar todo mundo
23:28e que eles têm
23:29não sei quantos mil direitos
23:31e que não olha
23:31para a sociedade.
23:33E isso me parece
23:34que contaminou também
23:35o Judiciário,
23:37o Ministério Público,
23:38coisas por aí, né?
23:41Tem.
23:41Nós temos
23:42vários pontos
23:43de resistência
23:44a você melhorar.
23:46Não é só uma questão
23:46de aumentar as penas.
23:48É problema
23:48da deficiência
23:49da polícia,
23:50aquela velha história
23:51do Becari,
23:52de que o criminoso
23:53é mais contido
23:54pela certeza
23:54de ser preso
23:55que pelo tamanho
23:56da pena.
23:57Essa é uma realidade.
23:58Mas nós temos
23:59mais de 100 projetos
24:01de lei
24:01vinculados
24:02à questão
24:03da segurança pública.
24:04Eles vão parando,
24:05não tem nenhuma coordenação
24:06para ir unificando
24:07muitos desses projetos,
24:09que podem ter coisas
24:10razoáveis,
24:11para poder melhorar
24:12um pouco
24:12esse contexto.
24:14Mas nós não temos.
24:15E, por outro lado,
24:16nós temos
24:16também
24:17um flanco
24:19bastante
24:19grosso,
24:22bastante forte
24:23do meio judiciário,
24:25que gosta
24:26de criminalizar
24:27a ação policial.
24:29Você apanha
24:30um carro.
24:31Um caso concreto, né?
24:33O policial
24:33parou um veículo
24:34que tinha mais
24:35de 100
24:35peças
24:36de cocaína,
24:37trouxinhas,
24:38etc, etc,
24:39de jorna,
24:40de maconha,
24:40mais de 100.
24:42Aí o juiz
24:43fala,
24:43mas que motivo
24:45você tinha
24:45para parar
24:46aquele veículo?
24:48Ah, você não tinha
24:49um motivo razoável?
24:50Então,
24:51eu não posso
24:52prender
24:52esse predador
24:54de 100
24:55peças de droga
24:56no seu carro.
24:57Então, isso vem acontecendo
24:58com muita frequência.
24:59Claro que a gente
25:00precisa melhorar
25:00substancialmente
25:01a qualidade
25:01do trabalho
25:02policial,
25:03a abordagem
25:04de pessoas,
25:06a relação
25:06com os suspeitos,
25:07a contenção
25:08do uso
25:08da força,
25:09tudo isso.
25:10Mas,
25:10não é justo
25:11que a justiça
25:12coloque em dúvida
25:14o trabalho policial,
25:16a necessidade policial,
25:17a intenção
25:18do policial
25:18de proteger
25:19a sociedade
25:19pelas filigranas
25:21do direito
25:23que a gente
25:25está vendo
25:25cada vez mais
25:26esse tipo
25:27de direito
25:28ir contra
25:29o interesse
25:30da sociedade.
25:30Não é para o juiz
25:31descumprir a lei,
25:32não,
25:32mas em dúvida
25:33se há dúvida
25:34que seja
25:34pró-sociedade.
25:37Muito obrigada
25:38pela entrevista,
25:39Coronel José Vicente
25:41da Silva,
25:41concordo,
25:42gênero,
25:43número e grau
25:43com o que o senhor
25:44disse,
25:45uma boa noite,
25:46será convidado
25:47outras vezes aqui,
25:49um abraço.
25:49Boa noite,
25:51gente,
25:51um abraço
25:52a todos.
25:52Boa noite,
25:53gente,
25:53um abraço a todos.
25:54e aí,
25:58um abraço a todos.
26:00Obrigado.
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