00:00Boa noite, já estamos no ar, Jornal Jovem Pan para todo o Brasil.
00:02Muito obrigado pela sua audiência, pela sua companhia.
00:04Os destaques desta sexta-feira.
00:07Em depoimento à Polícia Federal, o diretor do Banco Central,
00:11Ailton Aquino, afirma que o Master tinha apenas 4 milhões de reais em caixa
00:16antes de ser decretada a liquidação extrajudicial da instituição.
00:21Direto então para Brasília, repórter Janaína Camelo com as últimas informações.
00:25Como é que foi esse depoimento? Bem-vinda, Janaína. Boa noite pra você.
00:30Muito boa noite, Thiago, pra você, pra todo mundo que assiste a gente aqui no Jornal Jovem Pan.
00:37Pois é, Ailton Aquino, ele disse isso porque chamou muita atenção, segundo ele,
00:42muito devido ao fato de que o Banco Master era considerado um banco de médio porte.
00:47Então, segundo ele, por isso, a liquidez ali deveria ser entre 3 bilhões, 4 bilhões.
00:53A liquidez é a soma ali, ou pode ser o dinheiro em caixa, ou pode ser ativos que são facilmente transformados em dinheiro.
01:02A liquidez é a capacidade do banco de honrar com seus compromissos financeiros a um curto prazo.
01:07Mas Ailton Aquino disse que no caixa do Banco Master, pouco antes ali da decretação da liquidação extrajudicial,
01:16tinha apenas 4 milhões em caixa.
01:19Só lembrando que o Banco Central decidiu pela liquidação do Banco Master em novembro do ano passado,
01:24e isso logo depois da fiscalização sobre a operação de venda do Banco Master ao BRB.
01:31Porque ali, nessa fiscalização que estava sendo gerida por Ailton Aquino, supervisionada por Ailton Aquino,
01:39foram ali demonstradas, encontrados os indícios desses ativos ali das carteiras de crédito falsas, podres, sem lastro.
01:48E aí ele fez uma denúncia ao Ministério Público, que acabou ali gerando na investigação da Polícia Federal,
01:53e propôs então decretar que o Banco Central decretasse a liquidação do Banco Master.
01:59A gente separou exatamente esse trecho, Tiago, que ele disse em depoimento à Polícia Federal no ano passado,
02:06que agora a gente teve acesso.
02:08A gente vai assistir agora.
02:10Apesar do Master ser um típico, nós chamamos S3, uma extinção de médio porte,
02:19dada a crise de liquidez do Master, e com 80 bilhões de ativos totais,
02:26o acompanhamento por parte da supervisão era fundamental para entender a liquidez.
02:33Para pontuar isso claramente, um banco de 80 bi tem liquidez de 3 bi, 4 bi em títulos livres.
02:44O Master, antes da liquidação, só tinha 4 milhões de reais em caixa.
02:51Nesse mesmo depoimento, Tiago, a Hilton de Aquino também cita ali os problemas na Will Bank,
03:01que era o banco digital do Banco Master, e que também foi liquidado dois meses depois,
03:07que dá a liquidação do Banco Master, também pelos mesmos problemas ali de liquidez.
03:13A Hilton de Aquino também disse nesse depoimento que viu uma falha na política de governança do BRB
03:20em não identificar riscos na operação, riscos nas carteiras de crédito
03:26que acabaram sendo compradas pelo Banco aqui de Brasília.
03:29Tiago.
03:30Bom, então esse depoimento em destaque aqui no Jornal João Empan,
03:33e a Janaína Camelo vai voltar daqui a pouquinho
03:36para falar sobre a volta do ano judiciário na próxima segunda-feira.
03:40Vou chamar agora os nossos comentaristas, Denise Campos de Toledo,
03:43aqui no nosso telão já Dora Kramer e Nelson Kobayashi.
03:47Denise, comece por você um banco com essa situação,
03:51ter 4 milhões de reais, entre aspas, apenas em caixa,
03:55porque para a gente é muito dinheiro,
03:56mas para um banco como esse não é, a situação já era bem mais complicada.
04:00Boa noite, bem-vinda.
04:00Boa noite, Tiago. Boa noite, Dora. Boa noite, Kobayashi.
04:03Boa noite a você que nos acompanha.
04:05Pois é, para um banco é muito pouco,
04:07e ele já havia recorrido também ao Fundo Garantidor de Crédito,
04:10é uma operação em aberto muito grande,
04:12que se tem em relação ao Banco Master,
04:16e agora o Banco Central cogita a possibilidade, inclusive,
04:19de liberar o dinheiro compulsório, os recursos que ficam retidos,
04:23que são garantias dos bancos também,
04:25principalmente depois da liquidação do Iubank,
04:28que ampliou a necessidade de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito
04:33para investidores, para quem tinha recursos depositados
04:36nessas instituições financeiras.
04:38Então, se sabia, já que há bastante tempo o Master vinha com essas dificuldades de liquidez,
04:44inclusive houve no Congresso a discussão para ampliação do Fundo Garantidor de Crédito,
04:50inclusive por conta dessa questão específica,
04:53e o mercado fica meio dividido.
04:54Ao mesmo tempo que o TCU questionou se a liquidação não foi rápida demais,
04:59por outro lado, há analistas de mercado que entendem que houve uma demora do Banco Central
05:05em adotar esse tipo de procedimento justamente pela baixa liquidez.
05:09Talvez a sindicância que será feita internamente pelo Banco Central
05:13possa mostrar efetivamente o que aconteceu.
05:15Pois é, Dora Kramer, bem-vinda.
05:18Dora, isso só mostra que o Banco já vinha mal das pernas.
05:22E, é claro, mais informações vão surgir.
05:25E semana que vem já tem Congresso Nacional e essa discussão estará no centro das atenções.
05:30Bom trabalho, Dora. Bem-vinda.
05:32Boa noite, Tiago, Denise e Kobayashi.
05:35Boa noite a todos.
05:37Pois é, temos aí o Congresso voltando, o Supremo voltando.
05:41Agora, esse depoimento, isso que foi liberado aí do Daniel Vorcalo,
05:47que me chamou a atenção, claro, não podia deixar de ser,
05:51foi a referência dele à questão política,
05:55as ligações políticas dele a respeito das quais se fala muito.
06:00Ali ele deu de inocente, né?
06:02Não tenho minhas ligações.
06:03Ele já tinha dito anteriormente, já tinha saído essa informação,
06:07de que ele não se lembrava quem tinha estado na casa dele.
06:12Sabia que várias pessoas tinham estado, vários políticos,
06:15mas tinha esquecido quem eram, né?
06:18E agora ele diz que não houve, ainda faz ali uma brincadeira,
06:23diz que se tivesse ligações políticas não estaria de tornozeleira,
06:28não teria sido preso.
06:30Isso ele fala sobre agora.
06:31Mas, a respeito das ligações ao longo da existência do banco,
06:37que estamos vendo, uma existência fraudulenta,
06:40uma existência predatória,
06:44vamos ver se o que ele diz sobre essas ligações políticas
06:47é uma coisa tão distante.
06:49Assim, quando começaram a sair os resultados das perícias da Polícia Federal,
06:55por exemplo, no celular dele.
06:57Celular, aliás, que ele se recusou a fornecer a senha para a juíza
07:04aí nessa cariação na Polícia Federal,
07:07ela pediu a senha, ele se recusou a dar,
07:10mas isso é indiferente,
07:12porque a polícia tem plenas condições
07:15de extrair os dados desse celular.
07:19Aí, sim, é que a gente vai saber exatamente quem é,
07:26como é que eram essas ligações.
07:27E mais, né?
07:28Se tiver ligação com gente realmente que tenha foro privilegiado,
07:34isso se justifica,
07:36aquela ideia de que o processo volta para a primeira instância
07:39fica enterrada,
07:41porque aí se justifica a manutenção desse processo,
07:45desse inquérito no Supremo.
07:46Kobayashi, aproveitando isso que a Dora está falando,
07:50sobre dados dos celulares,
07:52o que estaria armazenado nesses aparelhos,
07:55isso vai ser decisivo
07:56para decidir se esse caso vai para a primeira instância ou não?
08:00E até hoje, inclusive,
08:02saiu uma informação de que o ministro Dias Toffoli
08:05poderia fatiar essa investigação.
08:07Quem tem foro privilegiado fica no Supremo
08:09e quem não tem isso poderia ir para a primeira instância.
08:13Bem-vindo, Kobayashi.
08:14Muito boa noite, Tiago.
08:16Boa noite, Dora.
08:17Boa noite, Denise.
08:18Todos que nos acompanham aqui no Jornal Jovem Pimpã.
08:20Olha, Tiago, se o ministro Dias Toffoli fatiar
08:23quem tem foro privilegiado fica no Supremo,
08:25quem não tem vai para a primeira instância,
08:27ele vai estar novamente propondo uma mudança
08:30no entendimento da Suprema Corte,
08:32que desde 88 já foi e voltou várias vezes
08:35em relação à extensão do foro por prerrogativa de função.
08:39Nos casos do 8 de janeiro, por exemplo,
08:40a gente viu a Suprema Corte formando o entendimento
08:43de que o foro privilegiado se estendia
08:47não só no tempo, mas também nos vínculos todos,
08:50mesmo com quem nunca passou por um cargo eletivo
08:54digno de um foro por prerrogativa de função.
08:57Então seria uma inovação,
08:59isso precisaria ser confirmado pelos pares da turma.
09:02Então eu não acredito muito nesta possibilidade.
09:05Acredito que se tiver algum envolvido com o foro privilegiado,
09:08o caso vai se manter no STF.
09:10A questão é saber se continua ou não
09:12na relatoria do ministro Dias Toffoli,
09:13porque diante de tantas matérias que a gente tem visto
09:16na imprensa que colocam, de alguma maneira,
09:18algum interesse na causa do próprio ministro,
09:21talvez ele não seja a pessoa adequada
09:24para conduzir a relatoria,
09:26e aí ele precisaria se dar por suspeito
09:28ou ser declarado suspeito.
09:31Eu não acredito que a Corte declararia ele
09:33antes dele mesmo ser avisado para deixar a relatoria,
09:37mas isso tudo dependeria de uma grande pressão
09:39que a gente sabe depois daquela nota
09:41do ministro Edson Fachin,
09:42nota do presidente do STF,
09:44caminha para não acontecer.
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