00:00Agora a gente volta a falar sobre a investigação envolvendo o Banco Master.
00:03O diretor do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou em um comunicado que jamais recomendou ao BRB
00:10a compra de carteiras fraudadas do Master.
00:14Janaína Camelo vai voltar agora ao vivo pra contar melhor essa história pra gente.
00:18Jana, com você.
00:21Pois é, Márcia, foi preciso o Banco Central sair em defesa de Ailton de Aquino,
00:27que hoje ele é o diretor de fiscalização.
00:30Do BC.
00:30E aí, hoje pela manhã, o Banco Central emitiu uma nota à imprensa desmentindo informações
00:35que foram dadas em uma reportagem da colunista Maluga Spar, jornalista Maluga Spar,
00:41colunista do Globo, em que ela disse que Ailton de Aquino,
00:45quando estava ali supervisionando a operação entre o Banco Master e BRB,
00:49ele teria aconselhado Paulo Henrique Costa, que na época era o presidente do BRB,
00:55a adquirir, comprar as carteiras de crédito do Banco Master, que era essa a operação que estava sendo negociada na época.
01:04Segundo a colunista também, Paulo Henrique Costa, então, levou essas informações pro conselho do BRB,
01:12isso no ano passado.
01:12As carteiras de crédito do Banco Master acabaram sendo compradas pelo BRB,
01:18mesmo depois de uma negativa do Banco Central, pra que essa operação acontecesse.
01:24Essa foi a informação dada pelo jornal O Globo, logo depois, então,
01:28veio essa nota do Banco Central defendendo Ailton de Aquino.
01:31Nessa nota, Márcia, essa nota diz o seguinte, que sob o comando de Ailton de Aquino,
01:37a área de supervisão da autarquia, na época ele era o diretor dessa área,
01:41foi responsável por identificar inconsistências nas operações entre o Banco Master e o BRB,
01:47e que de imediato promoveu rigorosas investigações que comprovaram ali,
01:52em subsistência dos ativos das carteiras de crédito do Banco Master.
01:56A nota segue dizendo que também foi nessa área, que era chefiada por Ailton de Aquino,
02:01a iniciativa de comunicar os ilícitos ao Ministério Público,
02:05apresentando a documentação ali com comprobatória, criteriosas, análises técnicas,
02:11e depois, pra prevenir a prática de novas operações com impacto sobre liquidez do BRB,
02:17essa área, que também era chefiada por Ailton de Aquino,
02:20aplicou medida prudencial preventiva ao BRB.
02:23No fim, a nota diz o seguinte, que o atual diretor de fiscalização,
02:28o Ailton de Aquino, se coloca à disposição do Ministério Público, da Polícia Federal,
02:32todas as suas informações bancárias, fiscais, os registros de conversas
02:37que ele realizou com Paulo Henrique Costa, que era presidente do BRB,
02:42foi afastado depois que essas investigações sobre o Banco Master começaram.
02:47Só lembrando que Ailton de Aquino, ele chegou a participar de uma acariação,
02:52no final do ano passado, com Paulo Henrique Costa, com Daniel Vorcar,
02:56o dono do Banco Master, à mão do ministro Dias Toffoli,
03:00que está com esse caso lá no Supremo Tribunal Federal,
03:05uma acariação que foi, inclusive, de ofício,
03:07não foi pedida pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal,
03:11o ministro Dias Toffoli simplesmente determinou que os três se apresentassem
03:15e falassem de frente, um de frente para o outro.
03:19Isso acabou acontecendo e foi algo de críticas pelo próprio Banco Central.
03:23Então, mais um capítulo aí, Márcia, envolvendo o Banco Master
03:29e agora com uma nota pública do Banco Central,
03:31defendendo o atual diretor de fiscalização.
03:33Com você.
03:35Obrigada, Janaína Camelo, pela sua informação, pelas suas análises.
03:40A gente vai chamar novamente, então, também as nossas analistas,
03:43a Jaqueline e a Mônica, começando dessa vez pela Jaque.
03:47Houve algum tipo de erro por parte do Banco Central
03:51ou isso está mais realmente com o cheiro da oposição,
03:57querendo lá colocar um foguinho?
03:58Houve algum tipo de omissão ou demora
04:01ou o Banco Central agiu de forma contundente, Jaque?
04:05Não, desde o começo o Banco Central está agindo de forma contundente.
04:09Houve até uma fake news falando
04:10não, o Banco Central, ele não agiu, ele foi inerte, foi negligente.
04:16E a todo momento o Banco Central estava sinalizando.
04:19Tanto é que houve aquela dessabor do TCU
04:22ter que investigar o Banco Central,
04:24aquela inversão completamente das ordens.
04:28Mas o que importa é que Ailton de Aquino
04:31colocou à disposição toda a sua rede de informações
04:37para poderem verificar se realmente houve essa conversa
04:42entre ele e os gestores do Banco Master
04:45e se colocou à disposição, falando,
04:47olha, eu nunca fiz essa recomendação.
04:51E o Banco Central endossa a propriedade com relação à verdade do Ailton de Aquino.
04:58Ailton de Aquino é um dirigente do Banco Central extremamente respeitado
05:02e que não tem realmente possibilidade de entendermos
05:08que ele estava envolvido numa disposição de colocar
05:12uma situação positiva para o Banco Master,
05:15já que o Banco Central a todo momento está falando,
05:18olha, o Banco Master está muito ruim,
05:21está financeiramente completamente fragilizado,
05:25não dá para dar continuidade às suas atividades financeiras.
05:29Agora eu quero também ouvir a análise de Mônica Rosenberg.
05:35Ontem a gente viu uma declaração,
05:37uma nota extensa do ministro Edson Fachin,
05:40agora uma nota do Banco Central.
05:42As instituições estão tendo que se autodefender
05:45sobre essa história do Banco Master.
05:47Isso fortalece a necessidade de uma investigação mais aprofundada
05:52de uma CPMI no Congresso Nacional também, Mônica?
05:55Bruno, essa necessidade de investigação está claríssima.
06:00O que é triste é que as instituições tenham que estar se defendendo
06:04ou que elas estejam sob ataque, sob ameaça,
06:07numa situação em que claramente isso é uma cortina de fumaça
06:10para que a gente não chegue ao fundo da questão do Banco Master,
06:13que é, novamente, quem ganhou dinheiro indevido.
06:17Essa nota que o Banco Central emitiu,
06:19ela não é uma defesa do Ailton de Aquino,
06:21é uma defesa da própria instituição,
06:23é uma defesa do sistema financeiro como um todo,
06:26porque quando você coloca em dúvida a atuação de um diretor
06:29do Banco Central ou de alguma das instituições que funcionam,
06:34há algumas agências regulatórias que funcionam muito bem no Brasil,
06:38que é o CAD funciona, a Anvisa funciona,
06:40o Banco Central funciona, a CVM funcionam.
06:43Essas entidades, essas instituições são muito importantes
06:47para preservar o nosso sistema como um todo.
06:50E esse tipo de ameaça que vem tentar criar uma fragilidade nessas instituições
06:56é muito perigosa.
06:57Então, o Banco Central está certíssimo de se posicionar claramente,
07:01há que se investigar,
07:02porque se houver provas de que esse diretor fez isso,
07:05ele tem que ser punido,
07:06na pessoa física tem que ser retirado,
07:08punido severamente,
07:09e a instituição tem que ser preservada,
07:11o capitalismo precisa disso,
07:13a nossa democracia precisa
07:15que essas instituições se mantenham fortes
07:17e que a investigação foque
07:19nas pessoas que realmente estavam fraudando o sistema
07:22e se beneficiando com isso,
07:25ganhando com corrupção ativa,
07:26com corrupção passiva
07:27e prejudicando pensionistas,
07:30aposentados e toda a sociedade brasileira,
07:32que no fim, é quem acaba pagando essa conta.
07:36Agora, a gente vê que o nome do Banco Central,
07:39os nomes que foram indicados
07:41e o nome de Gabriel Galipo,
07:43é um nome de confiança do governo federal,
07:45que até agora ninguém tem falado,
07:47levantado suspeitas em relação a ele.
07:49Agora, em um outro cenário,
07:51se fosse uma CPMI com Roberto Campos Neto,
07:54um outro nome na presidência do Banco Central,
07:56como seria a atuação da ala governista, hein, Mônica?
07:59Certamente, e eu estou tentando colocar a culpa em cima dele,
08:02é sempre assim,
08:04a gente vai encontrar,
08:05quando acontece um grande escândalo,
08:08um monte de gente apontando o dedo e dizendo
08:09a culpa é deste ou daquele,
08:11inclusive já começaram as discussões
08:13se isso é culpa do governo atual
08:15ou se foi no governo anterior,
08:17quando saiu o escândalo do INSS,
08:19já começaram a dizer,
08:20não, mas veja bem,
08:21esse escândalo começou lá atrás no governo Bolsonaro,
08:24não, começou no Temer,
08:26e, de novo, perde-se o foco
08:28de quem são as pessoas envolvidas
08:30e quais são as punições que podem ser aplicadas,
08:32e, mais importante,
08:33quais são os mecanismos de prevenção
08:35que têm que ser colocados em prática
08:37para evitar que esse processo se repita.
08:39Tão importante quanto combater a impunidade,
08:42tão importante quanto encontrar os responsáveis
08:45e puni-los severamente,
08:47de forma exemplar, pedagógica,
08:49é encontrar as falhas no sistema
08:51para que os mecanismos possam fazer
08:53a prevenção para próximos.
08:55Mas utilizar isso da forma como é feito,
08:57que é eleitoreira,
08:59é para dizer,
09:00olha aí, esse cara é bandido,
09:02não pode votar,
09:03isso é muito ruim,
09:04porque não é buscar a verdade,
09:05não é prevenir,
09:06é simplesmente usar isso
09:08para ganhar palanque,
09:09para ganhar voto,
09:10para ganhar apoiador e seguidor.
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