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A comentarista de economia Denise Campos de Toledo explica que as fraudes no Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, começaram anos antes da liquidação, através de uma estratégia de crescimento baseada em taxas de retorno insustentáveis.

Segundo Denise, o banco utilizava uma "pirâmide de liquidez": captava bilhões via CDBs oferecendo 140% do CDI (muito acima da média de 105% do mercado) para pagar investidores antigos, enquanto maquiava o balanço com ativos fictícios para atrair novos aportes.

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Transcrição
00:00Aqui nos estúdios, Denise Campos de Toledo, para explicar todo esse emaranhado de um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo
00:10o caso Master.
00:11Denise, a cada semana, a cada operação da Polícia Federal, mais informações e cada vez mais se chega à conclusão
00:18que é um esquema muito maior do que lá no começo, né Denise?
00:22Boa noite para você, bem-vinda.
00:23Boa noite, Tiago. Boa noite, Avilele. Adora que também já estão aqui.
00:26E é um caso de uma fraude imensa, de um crime que vai além da área financeira, como nós conferimos
00:33agora, todas as implicações dele, ameaças, novos crimes que foram surgindo, conversas de WhatsApp.
00:40Agora isso acabou envolvendo também servidores do Banco Central.
00:43Mas antes de falar sobre isso, vamos ao histórico do que aconteceu da crise do caso Master.
00:48O primeiro passo foi aquele crescimento muito forte do grupo Master.
00:52Ele oferecia CDBs com rentabilidade acima da média, 140%.
00:57Hoje se sabe que essa não era a única irregularidade, porque havia também operações fraudulentas envolvendo crédito consignado.
01:05Havia fraudes através de fundos de investimento.
01:08Isso acabou envolvendo outras instituições, como a REAG Investimentos, que também participou de outra operação.
01:14Foi alvo da operação Carbono, não apenas da Compliance.
01:18Então teve esse primeiro passo, que é um forte crescimento através de operações fraudulentas que permitiram essa expansão toda do
01:26Master.
01:26Segundo passo, ele começou a ser monitorado pelo Banco Central.
01:30O Banco Central começou a ter indícios de problemas na instituição em 2024.
01:36Na época havia problemas de liquidez, mas em março de 2024 já foram detectadas fraudes financeiras,
01:42que começavam a ser realizadas pelo Master, mas ainda não se tinha toda a dimensão.
01:47E a CVM também detectou um pouco antes outras irregularidades, mas não tinha pessoal suficiente para prosseguir com as investigações.
01:55Nós tivemos um terceiro passo, que foi a tentativa de compra pelo BRB.
01:59Isso foi um caso muito polêmico no mercado financeiro.
02:02Primeiro, o Banco de Brasília, que anunciou que havia formalizado um contrato para a compra do Master,
02:07operação que foi depois proibida pelo Banco Central, porque viu irregularidades nas garantias que foram apresentadas pelo Master ao BRB.
02:16Havia incompatibilidade dos valores.
02:18O BRB tem um rombo imenso até agora, por conta de recebimento de garantias do Master.
02:25Isso está sendo coberto, inclusive, com imóveis de Brasília.
02:28O governo conseguiu autorização nesta semana.
02:31E o quinto passo foi quando houve uma nova operação, uma nova fase da operação Complice.
02:37Vorcaro foi preso no dia em que ele anunciou a intenção do Grupo Fictor de adquirir a instituição, o Banco
02:43Master.
02:43O Fictor, que agora está em recuperação judicial, todo o grupo atua também em outras áreas, não só na financeira,
02:50até a empresa na área de alimentos do Fictor entrou também em recuperação.
02:54Vamos, então, a outra tela que mostra a continuidade de todo esse processo do escândalo Master.
03:00Nós tivemos a prisão do Executivo em 17 de novembro, foi uma nova etapa da operação Complice, não é?
03:07E, na sequência, a liquidação extrajudicial no dia 18 de novembro.
03:12E isso criou o maior rombo do Fundo Garantidor de Crédito da história do país.
03:18Um rombo que ainda está sendo avaliado.
03:20entrou depois a liquidação da UiBank, da REAG Investimentos.
03:24Tem problemas do UiU, porque os depositantes de recursos não tinham a garantia do Fundo Garantidor,
03:30porque era uma fintech também ligada ao grupo.
03:33Então, esse é o histórico financeiro.
03:34Agora, a novidade que nós tivemos hoje na área financeira foi o envolvimento de dois servidores,
03:39diretores do Banco Central.
03:41Vamos aos nomes deles, então, nesta próxima tela.
03:44Nós temos aí a participação do Paulo Sérgio Neves de Souza.
03:48Ele é ex-diretor de fiscalização do Banco Central.
03:52Ele foi diretor de 2019 a 2023.
03:55Ele saiu ao término do mandato, mas como ele era funcionário concursado,
03:59ele permaneceu no Banco Central.
04:01Ele atuava também no Departamento de Supervisão Bancária.
04:05O Bellini Santana era do Departamento de Supervisão Bancária, chefe.
04:09E os dois, logo no início, vale lembrar que o Banco Central, no final do ano passado,
04:14abriu uma sindicância interna, depois de ser acusado, inclusive pelo TCU,
04:18de ter sido rápido demais na liquidação do Banco Massa, é talvez precipitado.
04:23O Banco Central, diante das evidências que havia de problemas com o Massa,
04:27desde 2024, abriu a sindicância interna.
04:30Logo em seguida, afastou os dois, sem divulgar na época os motivos.
04:36Era um inquérito sigiloso, uma investigação sigilosa do Banco Central,
04:39e os dois pediram aí para não receber mais o comissionamento em 28 de janeiro.
04:45E aí, Ailton de Aquino Santos foi quem substituiu o Paulo Sérgio
04:49na diretoria de fiscalização desde julho de 2023.
04:53E foi ele que levou adiante todo o processo de investigação
04:57até a liquidação do Banco Massa.
04:59Ele sofreu muita pressão.
05:01Vale lembrar quando o Dias Toffoli cria uma acariação entre ele e o Vorcaro,
05:04e o então presidente do Banco de Brasília.
05:07Na época, o Banco Central ficou com muito receio de a inclusão dele
05:11numa acariação pudesse levar a diretoria do Banco Central
05:14a ser investigada também com suspeita no caso.
05:17E, na verdade, a suspeita recaía sobre esses dois,
05:20que, na verdade, eram quase funcionários de Vorcaro,
05:22atuando no Banco Central.
05:24Eles davam toda a orientação necessária para ele escapar da fiscalização,
05:28quando havia questionamento regulatório, todas as irregularidades.
05:31Então, eles trabalharam para esconder as operações.
05:35Vorcaro chegou a pagar despesas para um guia turístico
05:38de uma viagem de Bellini à Disney.
05:41Então, a gente vê o nível de infiltração no sistema financeiro,
05:46pegando, inclusive, representantes do Banco Central
05:48e justamente da área de fiscalização,
05:50de quem deveria cair em cima do Master
05:52para barrar todo o avanço da criminalidade dele.
05:55É só aguardando os desdobramentos, né, Denise?
05:58Exatamente, até já.
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