00:00Depois da conversa com Donald Trump, o presidente Lula falou hoje também por telefone com Emmanuel Macron da França.
00:06Repórter André Anelli. Quais os principais temas? Conselho da Paz, Venezuela.
00:12Tudo bem, André? Boa noite pra você. Bem-vindo.
00:18Obrigado, Tiago. Tudo bem sim. Boa noite a você também e a todos aqui no Jornal Jovem Pan.
00:23No telefonema, que durou cerca de uma hora, os presidentes Lula e Macron defenderam o fortalecimento da Organização das Nações Unidas, a ONU,
00:33e concordaram que iniciativas em matéria de paz e segurança devem estar alinhadas aos mandados do Conselho de Segurança
00:43e também aos princípios e propósitos da Carta da ONU.
00:48Esse assunto foi relacionado à proposta do Conselho da Paz, colegiado, criado e presidido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
00:58para, segundo ele, pacificar e reconstruir a faixa de Gaza.
01:04Lula foi um dos líderes convidados a ocupar um assento nesse conselho, mas ainda não respondeu ao convite,
01:11diferentemente de Macron, que já recusou essa iniciativa.
01:15Ainda em relação ao telefonema de hoje, Lula e Macron também trocaram impressões relacionadas à Venezuela.
01:23Segundo o Planalto, ambos condenaram o uso da força em violação ao direito internacional
01:30e concordaram sobre a importância da paz e da estabilidade na América do Sul e também no mundo.
01:38Por fim, os dois presidentes também trataram do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
01:46Lula reafirmou a visão de que a parceria é positiva para os dois blocos e constitui, segundo ele,
01:54uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras.
02:01Macron tem se posicionado contrário a esse acordo com o argumento de que ele ameaça a agricultura local
02:10ao criar o que ele chama de concorrência desleal com as importações mais baratas aqui do Mercosul.
02:18Ao todo, a gente destaca para finalizar que o presidente Lula já participou de 13 telefonemas
02:24com algumas das principais autoridades do planeta só esse ano de 2026.
02:31Tiago.
02:32Perfeito. André Nery, então, se telefonema.
02:34Ontem, o presidente Lula já tinha conversado com o Donald Trump.
02:38O André volta daqui a pouquinho para falar sobre o troca-troca de cadeiras no Ministério do presidente Lula.
02:43Até já.
02:44Para fazer esse primeiro giro com os nossos comentaristas, Denise Campos de Toledo,
02:48Dora Kramer e Cristiano Vilela aqui com a gente.
02:51Dora, começo por você.
02:52É claro que os temas são importantes.
02:55Talvez o ponto principal, além do Conselho da Paz, é o acordo entre a Europa e o Mercosul,
03:04União Europeia e Mercosul.
03:05Bem-vinda, Dora. Boa noite.
03:07Boa noite, Tiago, Denise.
03:10Ai, gente, Vilela, eu ia te chamar de cobaiacho, Vilela, mas maluquice da minha cabeça.
03:17Boa noite a todos.
03:18Ô, Tiago, você sabe que eu acho justamente o assunto menos importante dessa conversa é o acordo União Europeia-Mercosul.
03:29Porque, claro, o presidente Lula sabe perfeitamente bem que ele não vai convencer, não tem nada a tratar com Emmanuel Macron, né?
03:37Porque a questão, a posição da França diz respeito a uma questão interna que o Anelli acabou de nos descrever, uma questão interna do Macron.
03:47Então, acho que esse é o assunto menos importante.
03:50O mais importante é realmente o Trump, seja com relação à Venezuela, seja com relação ao Conselho da Paz.
03:58Acho que até mais no momento relacionado à criação do Conselho da Paz.
04:04Olha só, a Nelly traz que são 13 chefes de Estado já consultados.
04:10Hoje é dia 27, em 27 dias, o que dá grosso modo, dia sim, dia não, ele fala com um chefe de Estado.
04:19É bastante, são consultas que me parece que tem a ver, quer dizer, o Brasil ganhando tempo com relação a esse Conselho da Paz.
04:31A resposta está muito claro que o presidente, o governo, nem o presidente Lula, o governo Tabaraty, não querem participar.
04:40Porque quando dão força, repisam que o multilateralismo é uma defesa, é um conceito a ser defendido, evidentemente que esse Conselho é absolutamente contrário.
04:51Porque é um órgão criado para ser mandado por uma pessoa.
04:56Então, me parece que o presidente Lula esteja, além de ganhando tempo, buscando respaldo e fazendo consultas em relação a isso com os outros países.
05:07Isso que é uma posição delicada, não dá para ele bater de frente com os Estados Unidos, Macron bateu, recusou, a Espanha também recusou.
05:20Mas, enfim, são pesos bastante diferentes, né?
05:25Então, a posição do Tabaraty de cautela está sendo seguida pelo presidente Lula.
05:30Cristiano Vilela, bem-vindo, Vilela.
05:32Uma ótima noite, Tiago, Dora, Denise e todos que acompanham o Jornal Jovem Pan.
05:39Bom, e essa conversa do presidente Lula e a Dora cita, né?
05:43Essa importância em relação ao Conselho da Paz.
05:46E o Brasil vai dando alguns indicativos que só aceitaria com exigências, né?
05:51Exatamente. Vamos ver de que forma a coisa avança nessa eventual, nessa possível futura reunião entre o presidente Lula e Donald Trump.
06:03Pode ser uma reunião importante, tanto pela química que já foi tão propagada entre ambos,
06:10que teria havido no contato recente, havido entre as duas partes,
06:13e que, de alguma forma, resgatou as relações entre o Brasil e os Estados Unidos.
06:18Porque, eventualmente, a partir daí, a gente pode visualizar até que os Estados Unidos, de alguma forma,
06:25venham a incorporar posicionamentos que estão sendo trazidos pelo presidente Lula nesse momento.
06:31Eu vejo que o presidente não está pedindo o impossível.
06:34Eu vejo que, num contexto como esse, quando a gente pensa em que o Conselho de Paz tenha uma atuação mais direcionada à questão de Gaza,
06:44à questão da Palestina, é algo que me parece razoável de se construir.
06:49Até porque, em tese, esse conselho é formado justamente focando nesse episódio, nesse fato concreto.
06:57Existe, claro, uma construção e ninguém é bobo de não imaginar que os Estados Unidos têm, realmente, um interesse mais amplo.
07:05Mas o fato é que, em tese, esse conselho é direcionado e, talvez, o presidente Lula consiga fazer com que esse direcionamento
07:13fique mais claro e mais evidenciado, até para que, eventualmente, o Brasil possa participar desse órgão,
07:19que me parece algo bastante importante e o país não deveria perder as oportunidades.
07:24Outros acordos estão pairando no ar, Denise Campos de Toledo.
07:27Não necessariamente em relação ao Brasil, é isso?
07:29Exatamente. Boa noite, Vilela. Dora, Tiago.
07:32Exatamente. Eu acho que o presidente Lula tenta se fortalecer politicamente.
07:36Agora se falou desse acordo com o Mercosul e a União Europeia.
07:40E a União Europeia formalizou um acordo, puxando aí para a economia, com a Índia,
07:45que representa aí o acordo, reúne aí 25% do PIB mundial, um terço do comércio internacional,
07:522 bilhões de pessoas, também um acordo que teve uma longa negociação, foram 20 anos de negociação,
07:59e os dois lados estão comemorando.
08:00Nesse caso, a União Europeia não faz tanta restrição pela concorrência de produtos vindos de outro país,
08:06como fazia em relação ao Mercosul, especialmente o Brasil, porque tem uma distinção muito grande.
08:12A Europa vai ganhar muito com isso.
08:14Há uma redução das tarifas, por exemplo, de importações de carros fabricados da Europa.
08:18Elas vão cair para 10%.
08:20Então faz muita diferença.
08:23A Índia tem um rol de produtos a serem exportados para a União Europeia com tarifas mais baixas,
08:30muito menor do que em relação ao que seria ofertado pelo Mercosul.
08:34Então esse acordo, eu acho que tem mais chances de vingar, seguir adiante,
08:38nesse novo contexto global, marcado por tarifasso, por quebra de regras de comércio internacional.
08:45Então, enquanto o Mercosul com a União Europeia patina na legislação da Europa,
08:51a União Europeia avança nesse acordo com a Índia.
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