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O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou no Parlamento Europeu que a Europa não tem capacidade de se defender sem o apoio dos Estados Unidos. A fala ocorre em meio à pressão do presidente americano Donald Trump sobre a Groenlândia e às tensões diplomáticas com aliados europeus. O economista e professor de relações internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, analisa as fragilidades da Otan, a estratégia dos Estados Unidos, a importância geopolítica da Groenlândia e o cenário das negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos realizadas em Abu Dhabi.

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Transcrição
00:00O secretário-geral da OTAN, Mark Root, discursou hoje no Parlamento Europeu e afirmou que a Europa não tem como se defender sem os Estados Unidos.
00:11Essa declaração foi dada em meio à pressão do presidente americano, Donald Trump, para a aquisição da Groenlândia e a crise diplomática com países europeus.
00:20Depois disso, Trump anunciou uma estrutura de acordo com a OTAN sobre a Groenlândia, recuando da ameaça de uso de força e de tarifas contra aliados.
00:31No fim de semana, outro tema de destaque na geopolítica foram as negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, em Abu Dhabi,
00:39que terminaram sem um acordo, apesar de avanços considerados construtivos em relação à guerra entre russos e ucranianos.
00:47Sobre todos esses temas, eu vou conversar agora com o Leonardo Trevisan, ele é economista e professor de relações internacionais da ESPM.
00:57Trevisan, boa noite, obrigada por estar com a gente mais uma vez.
01:01Boa noite, Cristiane, boa noite a todos que nos escutam. Eu que agradeço o convite.
01:07Trevisan, a gente está vendo que o mundo continua num cenário diplomático frágil, mas há progresso nessas negociações recentes?
01:15Olha, essa situação sempre depende de quem olha e como olha.
01:23É sempre assim.
01:25Se você olhar com um pouco de calma, você vai observar que o Mark Huth defende uma posição sempre de acomodação com os Estados Unidos.
01:36Sempre.
01:36Ele já chegou ao ponto de chamar o presidente Trump de papai, assim no sentido de que os interlocutores que defendem uma Europa mais estável seriam mais radicalizados.
01:51Então, na visão de Mark Huth, acomodar-se aos Estados Unidos é conveniente.
01:59Essa é uma visão que, de algum modo, atende a interesses não só geopolíticos, políticos, ideológicos, mas atende a interesses econômicos.
02:10É bom a gente lembrar sempre que esse bom comportamento, entre aspas, da Europa com os Estados Unidos tem uma razão só de ser.
02:21No ano de 2025, nós não temos todos os lados ainda, mas no ano de 2024, a Europa exportou para os Estados Unidos nada mais, nada menos do que 642 bilhões de dólares.
02:35Os Estados Unidos é o grande mercado consumidor da indústria europeia.
02:41Perder esse mercado teria consequências muito, muito graves.
02:46Aí sim, políticos para o mundo europeu, porque desemprego vai traduzir-se em voto bem radicalizado e nós temos muitas eleições na Europa.
02:57Então, esse quadro, então, depende um pouco de como você olha.
03:01Se você olha para o lado econômico, ele tem sentido.
03:04Se você olha só para o lado político, ele parece uma excessiva subserviência.
03:09Agora, Trevisan, esse discurso do secretário-geral da OTAN no Parlamento Europeu, ele sinaliza uma OTAN menos unida?
03:18Essas falas de hoje, elas expõem fragilidades na aliança?
03:22Olha, de fato, há alguma fragilidade, sim, principalmente ideológica.
03:28Mas os Estados mais fortes, por exemplo, penso Hungria, por exemplo.
03:33Hungria tem uma posição de submissão, uma posição de apoio a essas ideias do Trump, mais próximas à Rússia.
03:40O restante da Europa e, principalmente, a Europa mais poderosa, vamos falar português bem claro, né?
03:47Inglaterra, que não é da União Europeia, mas nesse aspecto se conjuga a União Europeia.
03:54França, Alemanha, Itália, os potências, principalmente a Polônia e Espanha, são potências maiores.
04:05Holanda, esse conjunto de países maiores, incluindo a Europa do Norte, que são Noruega, Dinamarca,
04:14eles preferem uma solução negociada, mas que não destrua o projeto europeu.
04:21Esse é o ponto, Cristiano.
04:23A lógica política de Trump e de seus seguidores é, basicamente, anular o projeto europeu.
04:34O projeto europeu é visto, vence o vice-presidente, já disse isso com todas as palavras, né?
04:40Que a Europa é uma... está vivendo uma hecatumbe civilizatória por causa dos imigrantes,
04:47que a Europa é muito subserviente a ideias progressistas.
04:53Então, de algum modo, quando se olha para isso, você identifica que esses países mais fortes
04:59apostam mais no projeto europeu.
05:01Porém, porém, eles sabem perfeitamente que é impossível defender-se do poder russo
05:11apenas com eles mesmos.
05:12Eles teriam que gastar muito dinheiro nisso.
05:15Ao gastar muito dinheiro nisso, mudariam o projeto, né?
05:19Projeto social e tudo mais europeu.
05:22Que é exatamente o que a turma do Trump quer.
05:24Então, vivendo essa lógica, eles têm que ir acomodando passo a passo.
05:31Trump sabe disso e, dia a dia, ele aperta as cravelhas em torno da Europa.
05:37E qual é a importância estratégica da Groenlândia nesse contexto da segurança do Ártico
05:42e da disputa também entre grandes potências?
05:45Olha, a Groenlândia é só e exclusivamente um cenário político.
05:53Não adianta a gente entendê-la de outra forma.
05:56Porque a Groenlândia, para você ter uma ideia, é um acordo.
06:00Já desde a Segunda Guerra, os Estados Unidos estiveram muito lá.
06:02Em 1951, fecharam um acordo renovado em 1976, renovado em 1994.
06:11O que é que esse acordo dizia?
06:13Que os Estados Unidos tinham 16 bases na Groenlândia,
06:18territórios da Groenlândia, que eles ocupavam com bases militares.
06:22Por razões até de financeiras e não gastar muito,
06:26os Estados Unidos retiraram essas bases e ficaram com uma só.
06:30Porém, com alto desenvolvimento militar.
06:33A base de Pitufik é uma base que tem, talvez, os equipamentos mais sólidos
06:40para vigiar o Ártico.
06:43Em outras palavras, não é razão militar que eles querem a Groenlândia.
06:47Eles já a têm.
06:48A Groenlândia repete que a hora que eles quiserem, eles podem,
06:51eles quem, os Estados Unidos, podem remontar todas as bases dos acordos.
06:57A única coisa que a Groenlândia não quer é perder a soberania,
07:00que acho que nós todos poderíamos entender, para a gente entender isso,
07:04imagine o seguinte, os Estados Unidos querem defender o Atlântico Sul
07:08e querem um pedaço de Fernando de Noronha, como eles fizeram na Segunda Guerra Mundial.
07:13Nós vamos dizer a eles, tá bom, pode usar para defender mais uns,
07:16Fernando de Noronha continua nosso.
07:18É isso.
07:20Agora, usado da forma como os Estados Unidos estão colocando,
07:24ele se transforma numa grande questão que é mais política.
07:29eles querem dobrar a Europa, forçar a Europa.
07:33É o discurso do Vence, em março, na convenção, na reunião da OTAN.
07:39A Europa precisa mudar e mudar para o lado do projeto americano.
07:45Os europeus pensam duas vezes.
07:47Passar para a pergunta do Vinícius.
07:49Vinícius, por favor.
07:51Boa noite.
07:53A gente começou o ano com três ofensivas quentes, rápidas, concentradas do Trump.
07:58Na Venezuela, deu um resultado imediato, mas a situação está mal parada.
08:03Em tese, os Estados Unidos estão botando a Venezuela no cabresto,
08:06mas a gente não sabe qual o destino do regime e das negociações.
08:10E, em abril, eles têm que tomar a primeira decisão se vão fazer uma nova eleição ou não.
08:15Groenlândia foi uma ofensiva agressiva, chegou num pico,
08:19mas teve um recuo e com um resultado que a gente não sabe bem o que foi.
08:22Se o Trump recuou mesmo, se teve uma proposta que interessou a ele ou ele simplesmente quis mudar de assunto.
08:29E, no caso do Irã, ele chegou a dizer que a ajuda estava chegando para os manifestantes
08:32e que tem uma frota indo para lá que pode até cometer alguma ação militar.
08:39Mas todos os assuntos estão mal parados.
08:40O que vai ser isso?
08:42Por que o Trump parou?
08:43Vai ter consequência para isso ou ele vai deixar esse escanteado?
08:46Bom, boa noite, Vinícius.
08:49Eu acho essa tua pergunta ótima, porque essa tua pergunta permite que a gente lide
08:54com aquela expressão do Robert Stevenson, o jornalista do Financial Times,
08:58o taco, né?
09:00Trump always tickings out.
09:03Ele sempre recua.
09:05Na verdade, o que nós vemos são duas situações.
09:09As perguntas da Cristiana, elas levavam a uma discussão um pouco racionalizada
09:15de cada um desses assuntos, né?
09:18Na verdade, o que a gente tem que olhar, e você já escreveu isso, Vinícius,
09:22com o qual eu concordo inteiramente, é que, de algum modo,
09:27isso são sinais para o eleitorado dele, que, no caso americano, está cada vez menor.
09:35No caso de Trump, está cada vez menor.
09:37Nós temos apenas 36% da população que votaria Trump,
09:43acha que o governo está bom e votaria de novo Trump, né?
09:47Eles eram 47% há cinco meses atrás.
09:51É com eles que Trump fala, a cada dia, um assunto novo.
09:56Você resumiu bem, né?
09:59Ele falou muito duro com a Groenlândia, a Europa disse, olha,
10:02se continuar desse jeito, nós vamos parar de aceitar serviço de Big Tech aqui.
10:11O Trump entendeu o recado e parou na hora.
10:14Com os episódios do Irã, é a mesma situação.
10:19A Arábia Saudita foi a Trump e perguntou, você está doidinho?
10:24Porque se o Irã fechar o Hormuz, você vai ficar 120% a 25% do petróleo.
10:32120% do petróleo, o preço explode, a gasolina no tanque,
10:36aí o teu eleitor que não sabe nada de mundo internacional,
10:40mas de gasolina, ele não quer ouvir falar de preço mais alto,
10:43não vota em você.
10:44O Trump recuou.
10:45Então, cada vez que nós olhamos para isso, ele fica em exaltos sempre,
10:52ele dá uma recuada.
10:54Na verdade, sabe, Vinícius, o que nós temos que ver
10:56é que o método de governo de Trump está baseado em Steve Bannon,
11:01aquele velho auxiliar dele que de vez em quando reaparece.
11:05Crie dois ou três fatos pirotécnicos, todo dia,
11:10é o suficiente para você continuar governando e ninguém nem notar.
11:14O Steve Bannon é absolutamente seguido por Trump,
11:17você apenas resumiu essa situação.
11:20Professor, em relação à Rússia e Ucrânia,
11:23as negociações em Abu Dhabi foram classificadas como construtivas.
11:27O que avançou, de fato, nessa mesa de diálogo?
11:31Essa expressão é ótima.
11:33O que avançou, Cristiano?
11:34E sabe o que avançou?
11:35As tropas russas.
11:37As tropas russas em território ucraniano avançaram,
11:40na última semana, quase oito quilômetros.
11:45Aquele pessoal que acompanha por satélite esse movimento
11:48e que é absolutamente independente,
11:51os tropas russas continuaram avançando.
11:53Não só continuaram avançando, como impuseram um dos piores invernos
11:59que a Europa teve, desculpe, que a Ucrânia teve
12:02desde o início da guerra em quatro anos.
12:04Eles bombardearam novamente, deixaram mais de um milhão de pessoas em Kiev,
12:09que é uma cidade de quase quatro milhões,
12:11absolutamente sem energia no inverno de menos dez graus.
12:16Então, portanto, dez graus negativos.
12:19Então, portanto, o que tem é que Trump tem as cartas na mão.
12:24E continua avançando.
12:26A paz será feita nos termos dele.
12:29Zelensky gostaria de fechar a paz dessa e conseguir.
12:33Quem não deixa as Zelensky fechar a paz são os países europeus,
12:37que olham para isso e dizem que se Trump ganhar tudo o que quer na Ucrânia,
12:43ele vai ficar com um apetite maior até mesmo para ir para cima da Polônia.
12:47Então, portanto, o restante dos países europeus pedem cautela
12:51e pressionam forte.
12:53O que a gente vê são sucessivos planos de paz.
12:58teve o plano de paz de 28 pontos, lembra, lá de 25 de novembro, no final de novembro,
13:04e que era tudo como o Trump, tudo como o Putin queria.
13:08Aí teve o plano do dia 20, do final da noite de Natal, de 24, os 20 pontos,
13:14que era um plano mais ou menos contido.
13:17As negociações não avançam de jeito nenhum.
13:19De alguma forma, a única situação que vai avançar é saber quando e onde
13:25o Putin vai parar os seus avanços e aceitar o que ele já tem na Ucrânia.
13:32Professor Leonardo Trevisan, muito obrigada.
13:35Sempre muito bom conversar com o senhor.
13:37Boa noite, boa semana.
13:39Eu é que agradeço, Cristiano.
13:41Boa noite pela entrevista e boa noite a todos.
13:45Até a próxima.
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