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No Fórum Econômico Mundial em Davos (SUI), o presidente Donald Trump anuncia a criação do Board of Peace, um conselho internacional liderado por ele mesmo, com potencial para rivalizar com o Conselho de Segurança da ONU. Especialistas alertam para riscos geopolíticos e instabilidade na Otan e no multilateralismo global. A professora Raquel Gontijo, doutora em relações internacionais pela PUC Minas, explica os impactos desse conselho, as reações de países como Rússia, China e membros da Otan, e o contexto estratégico da Groenlândia.

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Transcrição
00:00Claro que o nosso assunto agora é o Fórum Econômico Mundial em Davos.
00:10O presidente americano, Donald Trump, trabalha para mobilizar um acordo sobre a Groenlândia.
00:16Desde que as ameaças de Trump sobre o território, que é administrado pela Dinamarca, se intensificaram,
00:22países aliados da OTAN reforçam a presença militar nessa que é a maior ilha do mundo.
00:28A gente lembra, ontem, o republicano garantiu em um discurso no Fórum Econômico de Davos
00:34que não vai usar a força para conquistar a ilha do Ártico.
00:41Mas ele ressaltou o poder dos Estados Unidos para a segurança do local.
00:47Para analisar a escalada das tensões geopolíticas diante de uma perspectiva da segurança internacional,
00:53eu tenho o prazer de conversar com a professora Raquel Gontijo, que leciona na PUC Minas,
01:01é doutora em Relações Internacionais da PUC Minas, melhor dizendo.
01:06Professora Raquel, muito obrigado por estar presente aqui na nossa programação.
01:10É um prazer revê-la.
01:11Há tempos nós não nos falávamos, mas olhando sobre essa perspectiva de segurança internacional.
01:17A gente tem um cenário em que a OTAN, países a exemplo da Alemanha, Canadá, França,
01:23mobilizando tropas nessa região que raramente a gente traz para o noticiário,
01:28e os Estados Unidos, que já tem uma base militar lá, uma presença forte desde o pós-guerra,
01:35após a Segunda Guerra Mundial, e principalmente por causa das tensões com o bloco comunista na Guerra Fria,
01:41já tem uma base ali, isso cria um certo temor.
01:45Sem falar no risco inédito de a gente ver um conflito entre países dentro da OTAN,
01:50algo que seria impensável aí quando a OTAN se tornou relevante depois da Segunda Guerra Mundial.
01:56Isso que clima de instabilidade e incertezas, e puxando aqui para o nosso DNA de um canal de negócios,
02:04que tipo de instabilidade isso pode criar numa confiança entre o que o presidente Donald Trump diz
02:11e dessa aliança que se tornou tão sólida depois da Segunda Guerra Mundial.
02:16Agradeço a presença mais uma vez aqui na nossa programação.
02:19Boa tarde, de novo um prazer, revela a professora Raquel.
02:23Boa tarde, Favali, é um prazer estar aqui, boa tarde a todos que assistem.
02:27Eu acho que a pergunta foi muito acertada, é um momento de muita incerteza e muita instabilidade.
02:32Então, nós vimos nos últimos dias as declarações intensificadas do presidente Trump, não era novidade.
02:39As menções à Groenlândia já vinham desde o primeiro mandato do Trump,
02:42mas isso foi intensificado de uma forma muito acelerada nos últimos dias, nas últimas semanas,
02:48e eclodindo nos últimos dias com as declarações de que o Trump adotaria medidas mais intensas
02:54para tomar o controle da Groenlândia.
02:56Isso foi revertido em alguma medida ontem com a declaração do presidente em Davos,
03:02de que ele não usaria a força, mas foi uma declaração até muito curiosa,
03:06porque ele disse que a única forma de garantir a segurança do território
03:10seria se os Estados Unidos assumissem o controle,
03:14mas eu não vou usar a força para fazer isso.
03:16E dado o histórico do Trump, no seu primeiro mandato, mas sobretudo ao longo do último ano,
03:23isso deixa uma percepção de muita incerteza do que vai acontecer no futuro, próximo, médio e longo prazo.
03:31Tem uma sobrecarga de informações, de iniciativas, de ações,
03:36que deixa difícil o planejamento, tanto pelos países da OTAN,
03:39quanto potenciais rivais, incluindo a Rússia.
03:42A Rússia certamente vê de forma muito positiva o caos dentro da OTAN, essa instabilidade.
03:47A OTAN é um ponto de tensão muito grande para a Rússia,
03:51então a Rússia vê com alguma satisfação essa instabilidade,
03:58mas isso deixa também uma incerteza, inclusive para a Rússia,
04:02sobre o que vai acontecer e possíveis realinhamentos dentro do bloco,
04:05dentro da organização e da aliança.
04:07Professora Raquel, o Donald Trump nunca escondeu que ele não é muito fã de organismos multilaterais,
04:16internacionais, fez críticas à ONU,
04:20tirou os Estados Unidos de muitas organizações internacionais, mais de 60, aliás.
04:26E ontem, curiosamente, ele apresentou formalmente o que ele tem chamado de Board of Peace.
04:32A gente já tem 19 assinaturas e uma longa lista de espera.
04:36Brasil, Canadá, Alemanha, Rússia, Espanha, ninguém ainda,
04:42destes países que eu estou citando, respondeu formalmente.
04:45Como isso, na sua interpretação, quebra um multilateralismo
04:49e uma espécie de ambição do Trump de criar uma própria Nações Unidas?
04:56Isso. Então, esse órgão, ele veio de uma iniciativa no fim do ano passado.
05:00Inicialmente, ele teria uma atribuição especificamente para a gestão do território de Gaza.
05:07E, com o passar do tempo, esse órgão foi ganhando novas dimensões,
05:11com agora um mandato que seria muito mais amplo,
05:15incluindo uma responsabilidade pela manutenção da paz de forma mais ampla,
05:19rivalizando com o que hoje a gente tem no Conselho de Segurança da ONU.
05:22E o Trump, então, convidou alguns países a participarem desse novo conselho,
05:26inclusive o Brasil, que está sendo cauteloso,
05:29sondando um pouco o que os outros países vão fazer.
05:33Alguns países já manifestaram interesse em participar,
05:37a gente pode citar a Arábia Saudita, Turquia, Egito,
05:39com interesse direto, inclusive, sobre a questão de Gaza,
05:43que está ali na sua região estratégica.
05:45Mas alguns países que inicialmente tinham sido um pouco mais receptivos a essa ideia,
05:50quando ela estava focada em Gaza,
05:52que, inclusive, foi uma proposta que passou pelo Conselho de Segurança da ONU,
05:55de criar uma instância de gestão do território.
05:58A gente pode pensar a França, por exemplo, que estava um pouco mais receptiva.
06:02Esses países já agora estão muito mais receosos
06:05por conta dessa ampliação do mandato desse Conselho da Paz.
06:09E pelo formato que ele tomou,
06:12agora que o governo dos Estados Unidos divulgou
06:14o que seria a primeira versão do estatuto desse Conselho.
06:17E é um estatuto que atribui muito poder,
06:21não exatamente aos Estados Unidos, mas à pessoa do Trump.
06:24Isso é uma coisa que subverte tudo o que a gente entende
06:27de cooperação, de multilateralismo,
06:29que sempre é focado nos Estados,
06:31nos países que se reúnem e têm, às vezes, alguns privilégios,
06:35como acontece no Conselho de Segurança.
06:37No caso desse Conselho da Paz,
06:38os privilégios seriam do Trump,
06:40enquanto a pessoa que presidiria o Conselho.
06:43e ele pessoalmente teria o direito de veto de várias decisões,
06:47de inclusão de membros, de pauta de agendas.
06:50Então, no contexto atual, a maior parte dos países
06:54está vendo com muita cautela essa proposta.
06:57China e Rússia já confirmaram que receberam o convite
07:00para participar, mas ainda não manifestaram interesse,
07:05a aceitação desse convite.
07:06A Rússia, curiosamente, ainda deu a declaração
07:09de que aceitaria contribuir com um bilhão de dólares,
07:14que seria o pagamento de ingresso para ser um membro permanente,
07:18contanto que esse um bilhão viesse dos recursos
07:20que estão congelados por conta das sanções econômicas internacionais.
07:25Então, nesse momento, é um momento de muita cautela,
07:28muita incerteza sobre o que vai ser esse órgão.
07:30A gente pode imaginar que se as grandes potências,
07:33Rússia, China, potências europeias,
07:35não tiverem alguns privilégios dentro desse órgão,
07:39não haverá muito interesse, muito motivo para participar,
07:43esvaziando o Conselho de Segurança da ONU,
07:45que é onde hoje acontecem os diálogos de alto nível
07:47no multilateralismo, voltado para questões de paz e segurança.
07:51Professora Raquel, fazendo aqui uma metáfora necessária,
07:55já que a gente fala muito de Groenlândia,
07:56que nós estamos acompanhando claramente é só a ponta do iceberg.
08:01Obrigado por nos ajudar a entender o que está debaixo d'água.
08:04E ainda muito ao que nós analisarmos,
08:08lhe convido para uma próxima oportunidade,
08:10que seja muito em breve.
08:12Queria agradecer a professora Raquel Gontijo,
08:15doutora em Relações Internacionais,
08:16uma estudiosa de segurança internacional,
08:19ligada à instituição da PUC de Minas Gerais.
08:23Muito obrigado, Raquel, até uma próxima.
08:25Muito obrigada, Favali, boa tarde.
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