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  • há 1 hora
Nesta entrevista do Hora H do Agro, revelamos como a Serra dos Encontros vem se consolidando como um novo polo do vinho nacional, impulsionada pela união de produtores, mais de R$ 1 bilhão em investimentos privados e uma proposta que integra produção, hospedagem e experiências enoturísticas. O convidado é Juliano Lourenço, vice-presidente da Associação dos Viticultores da Serra dos Encontros, que conta a história da entidade, os números da produção, a expansão do empreendedorismo na região e o impacto desse modelo inovador para o turismo e o agronegócio.

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Transcrição
00:00Pra quem acompanha o meu Instagram lá, viu que recentemente eu andei viajando entre São Paulo e Minas Gerais.
00:07E aí nessas andanças eu descobri um movimento de empresários.
00:11Esses empresários se organizaram pra ampliar o agroturismo em uma região linda chamada Serra dos Encontros,
00:19que está revolucionando o cenário do vinho nacional.
00:23E pra falar a respeito, nós convidamos o Juliano Lourenço, ele é vice-presidente da Associação dos Viticultores da Serra dos Encontros.
00:33Juliano, você me contou que a associação existe desde 2022, são 27 associados, se eu não me engano,
00:41e mais de um bilhão de reais investidos nessa iniciativa privada aí pra fomentar a produção de vinho nessa região que tá muito bonita de visitar.
00:50Onde exatamente vocês estão localizados então, né?
00:53A gente tá falando dessa Serra dos Encontros, que encontro é esse?
00:56E conta um pouquinho desse histórico pra gente também, da criação da associação, dessa mobilização de vocês por aí.
01:03Perfeito, Mariana.
01:05Na verdade, a gente tá na Serra dos Encontros, né?
01:07Onde é a Serra dos Encontros?
01:10Basicamente, é um encontro entre serras, entre São Paulo e Minas Gerais, né?
01:15E a gente representa um quadrilátero, capitaneado por Espírito Santo do Pinhal, Santo Antônio do Jardim, Jacutinga e Albertina.
01:26Então são duas cidades do estado de São Paulo e duas cidades do lado mineiro, exatamente.
01:32A logística nossa é muito favorável, estamos a duas horas de São Paulo, duas horas do interior do estado de São Paulo, Ribeirão Preto, por exemplo,
01:40e menos de 60 quilômetros de Poços de Caldas e uma hora de Viracopos Campinas.
01:46Então, é um posicionamento bem privilegiado, uma desta parte.
01:51Muito bom. E aí vocês começaram a se organizar, então, em 2022.
01:56Eu queria entender se isso parte, inclusive, desse pós-pandemia,
02:01porque nessa época, vamos lembrar que muita gente tava procurando fazer turismo a céu aberto,
02:06indo pras montanhas. Queria saber se tem a ver com esse período, então.
02:11E é isso, são 27 empresários que estão localizados e se encontraram nessa serra, é isso?
02:19Perfeitamente. Na verdade, eu acho que a pandemia veio pra potencializar tudo isso, obviamente, né?
02:26O turismo de pandemia se provou que hoje a gente consegue viver de qualquer lugar, né?
02:31Então, o campo, antes visto como simples, na verdade, ele passou a ser considerado como um novo luxo, né?
02:39Por oferecer o silêncio, o tempo, o espaço, a comida de verdade, a vida dentro do campo, né?
02:46Então, na vida urbana atual, né?
02:49Antigamente, marcada por o barulho da cidade grande, na pandemia ela se provou isso, né?
02:56Hoje, com uma boa internet, um bom lugar, você consegue trabalhar, criar,
03:02e a gente tá dentro desse ecossistema.
03:04Então, hoje, a nossa região, a nossa associação, a Vime, a Serra dos Encontros,
03:09a gente contempla 27 associados, produtores de vinho, né?
03:13O vinho de inverno, o vinho fino aí, no sistema de dupla poda.
03:18E a gente tá dentro do ecossistema hoje que o produto já se mostrou com qualidade, né?
03:26O vinho é uma bebida muito social.
03:28E como é que a gente consegue aconselhar esse estilo de vida, né?
03:33Junto com um sistema agrícola de uma bebida de alta qualidade,
03:38e você considerar esses dois mundos, né?
03:42O mercado mundial, o turismo rural, cada vez que se passa,
03:47ele vem se provando com uma previsão e uma crescente muito grande.
03:54Então, a gente fala, né, que hoje você consegue estar numa cabana
04:00a 1.300 metros de altitude, no alto do morro,
04:04desconectado do mundo da cidade urbana,
04:07mas, ao mesmo tempo, conectado com tecnologia
04:10e, ao mesmo tempo, com trabalho, com rotina, com social e por aí em diante.
04:16Então, hoje a gente vive esse momento do turismo rural
04:20associado a essa busca por natureza, por paz.
04:22Muito legal.
04:23E para isso que eu fui aí nessa região,
04:25procurando exatamente esse meio termo.
04:28Agora, a gente tá vendo aí na tela, inclusive, né?
04:31A associação produziu mais de 500 mil garrafas em 2025
04:34e você trouxe isso, né? Vinhos de inverno.
04:38Porque aí o pessoal pode falar,
04:39ué, mas é São Paulo, é Minas.
04:41A gente tá falando de altitudes, né?
04:431.300 metros de altitude, por exemplo.
04:46Então, conta um pouquinho também
04:47dessa descoberta do vinho nessa região,
04:52que, inclusive, já tinha uma ou outra vinícola,
04:55mas agora tem uma força, né?
04:56Tem uma robustez até pela própria associação, né?
05:00Sem dúvida.
05:01O vinho, esse ano agora, de 2026,
05:05a primeira vinícola a chegar na nossa região,
05:07ela vai fazer 20 anos.
05:0920 anos dentro da viticultura é nada, né?
05:12É algo muito recente, muito principiante.
05:15Então, a pandemia acelerou esse processo.
05:19Então, desses 27, a maioria vieram de 2019 pra cá.
05:24Então, a gente deu esse boom, deu essa estourada.
05:27O que acontece?
05:27A gente trabalha no sistema de dupla poda.
05:31Então, a gente dispensa a nossa safra de verão, né?
05:35A gente faz uma poda de produção ali.
05:38Pra quê?
05:38Pra gente poder colher esse vinho, essa uva nossa,
05:42pra produzir o vinho de inverno.
05:44Por quê?
05:44As variedades nossas são variedades provenientes de fora.
05:49Então, a gente quer chegar mais perto desse cenário dos vinhos europeis...
05:55Desculpa.
05:57Dos vinhos da Europa, do clima da Europa, do clima americano, do clima da América do Sul.
06:05Então, nesse sistema de dupla poda, a gente consegue ter esse cenário mais próximo do que já existe lá fora.
06:12Então, a gente descarta basicamente uma safra e concentra toda a energia, toda a qualidade nesse vinho nosso colhido no inverno.
06:21Mais precisamente em julho e agosto.
06:23E aí, a gente não tá falando só da produção da uva e da produção do vinho em si.
06:29Mas uma das vinícolas que eu visitei começou empreendendo nisso, né?
06:33Olhando mais pro campo.
06:35E aí, viu a oportunidade de abrir hospedagem, construir adega, trazer essa experiência mesmo imersiva pro turista, né?
06:43De, inclusive, poder encontrar garrafas e rótulos que não se vende, por exemplo, em lojas, internet.
06:49Tem que ir lá pra visitar, pra ter essa experiência.
06:52Como que vocês têm visto, então, essa ampliação do empreendedorismo mesmo, né?
06:56Porque não é só o campo por si só, o que já é muita coisa, obviamente, mas é a extensão também desse negócio, né?
07:04Exato.
07:05É chover o molhado e falar de experiência, né?
07:07A gente tá, todo mundo hoje, cada vez mais sabendo do turismo e de experiência.
07:12Mas, basicamente, é isso.
07:14Então, a agricultura é o forte.
07:16O agro nosso é o que, pô, nos norteia aqui.
07:20Mas a gente consegue agregar com isso.
07:22Não só com vinho, né?
07:23Então, eu vender puramente garrafas é uma coisa.
07:28Agora, eu vender o turismo de experiência, em volta do enoturismo, é outra história.
07:33Curiosamente, Mendoza, existe um estudo em 2023, eles venderam 50 milhões de dólares na venda de garrafa do vinho.
07:43Mas o enoturismo faturou 1,3 bilhões de dólares.
07:46Então, assim, o retorno, ele é muito curto, pensando puramente na venda de garrafa.
07:52Mas quando você agrega o turismo, a hospedagem, a experiência do café, do vinho, do passeio a cavalo,
08:00da apicultura, do azeite.
08:03Então, todo esse ecossistema, você consegue antecipar esse investimento que você fez na agricultura
08:09e, consecutivamente, trazer esse retorno mais rápido.
08:12Então, é hospedagem, é todo esse boom por fora, não somente a bebida em si.
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