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A pandemia de Covid-19 evidenciou que, além do vírus, comportamentos humanos aceleraram a disseminação global. A avalanche de informações falsas minou a confiança na ciência e atrasou a adesão a medidas eficazes. A crise escancarou desigualdades e as medidas não-farmacológicas se mostraram ser o grande desafio para equilibrar, tanto impactos socioeconômicos, quanto na saúde mental. O infectologista Luís Fernando Aranha explica como o futuro exige investimento em ciência, sistemas de saúde resilientes e combate à desigualdade social.

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Transcrição
00:00Interessante que a despeito dos métodos diagnósticos e dos métodos de tratamento,
00:06nós temos agentes infecciosos, cada um com seu tipo de comportamento,
00:11mas temos o comportamento humano.
00:13E o que chamou a atenção na última pandemia
00:15era a insistência para as questões do isolamento e o distanciamento.
00:20O que você poderia falar para a gente a respeito desses elementos?
00:24Primeiro assim, o que você está falando é exatamente a essência
00:27de por que uma doença, uma epidemia de transmissão respiratória é muito difícil de conter?
00:33Porque ela depende da natureza humana.
00:35Então, a natureza humana, para fazer uma sociedade ser funcional socialmente,
00:40economicamente, afetivamente, os seres humanos convivem.
00:44Convivem em casa, convivem no trabalho, convivem no transporte.
00:48Então, assim, é impossível uma contenção completa de uma pandemia
00:52ou de uma epidemia de transmissão respiratória entre pessoas
00:55de ser transmissível.
00:57Isso é impossível.
00:58Agora, como as medidas de isolamento
01:01são, de certa maneira, um cerceamento
01:04daquilo que o ser humano gosta de fazer,
01:06daquilo que ele faz no seu dia a dia,
01:09isso leva a um certo confronto até compreensível
01:12e, eventualmente, ao descumprimento dessas medidas,
01:15que certamente tem um impacto também na propagação da pandemia,
01:18mas não muito mais do que aquilo que é a própria natureza do ser humano,
01:23que é se agregar. Então, fica muito difícil você evitar completamente uma transmissão.
01:28Nós vivemos a questão da pandemia do Covid num cenário, inclusive,
01:32de comunicabilidade diferente.
01:34Comunicabilidade, que eu digo, de divulgação, intersecção e participação
01:39da sociedade civil e da sociedade médica.
01:42Vimos informações, informações verdadeiras, informações falsas.
01:47Muitas vezes, gente se posicionando sem ter o conhecimento necessário para se posicionar.
01:54Você entende que esse tipo de fake news, porque não deixa de ser fake news,
01:59corrobora para uma performance de um sistema de saúde caminhar de uma forma ruim?
02:05Muito. Eu diria como eu disse para você,
02:07a natureza do contato humano é o principal responsável.
02:11Mas eu tive a oportunidade de, como eu atendi pacientes,
02:15eu estive no centro da pandemia, posso dizer assim,
02:19e eu vi, quando havia este posicionamento que era distante da realidade
02:24por pessoas críveis na visão da população,
02:29pessoas que para aquelas pessoas elas eram referências e críveis,
02:33quando ocorre um posicionamento distanciado dos fatos,
02:38isso impacta claramente na ponta.
02:40Eu via isso, os pacientes perguntando,
02:42mas doutor, tal pessoa falou tal coisa,
02:45como é que ele pode estar falando se não é verdade?
02:47Então, antes de gerar o dano para a cadeia de transmissão,
02:52as pessoas que fazem isso têm que entender que isso gera uma angústia
02:55e uma ansiedade muito grande
02:57nas pessoas que estão esperando informação,
03:00porque a gente depende de quem a gente confia.
03:04Então, isso levou realmente a uma alteração no preparo para a pandemia
03:11e amplificou, sim, a cadeia de transmissão.
03:14A gente também observou um fato que, no fundo,
03:17tem a ver até com a dinâmica da vida da sociedade.
03:22Questão de comorbidade associada ao paciente que teve Covid
03:26e populações mais vulneráveis.
03:29Nós estamos no momento, graças a Deus, em pandemia.
03:33Como é que você pode trazer um ensinamento para a sociedade
03:36na valorização da vida, na administração da saúde?
03:41Será que as pessoas estão mais conscientes, os nossos governantes
03:44enxergam o verdadeiro papel da atividade deles no cotidiano,
03:50mesmo fora dos períodos de pandemia e de endemia?
03:53Essa é uma discussão complexa, mas uma coisa que você falou é muito importante.
03:59Duas coisas.
04:00Primeiro, a questão dos vulneráveis.
04:02É verdade, em doenças infecciosas, existe uma população que é vulnerável
04:07por questão etária e por questão de natureza do sistema imune.
04:13Essas pessoas realmente estão mais vulneráveis.
04:16E o que a gente tem que fazer para isso aí é priorizá-las
04:20quando dá distribuição de medicamentos e vacinas.
04:23Essa é uma coisa muito importante.
04:25Mas eu gostaria de lembrar de uma coisa importante.
04:27Por que a epidemia, por que as pandemias são tão nocivas,
04:34do ponto de tão letais?
04:36Porque eles são geralmente vírus novos.
04:39Vírus novo significa um sistema imune que não tem nenhuma memória.
04:44Então, qual que é a consequência disso?
04:46Morrem mais pacientes frágeis,
04:49mas a ausência de uma resposta imune faz com que pacientes previamente
04:54e conhecidamente imunocompetentes também venham a falecer.
04:58Coisas que não acontecem nas endemias.
05:01Pacientes jovens, pacientes sem comorbidades,
05:04também sofrem e também falecem quando de uma pandemia.
05:08Eu acho que é uma coisa muito importante, Cláudio,
05:10assim que acho que eu sou dentro da sua pergunta,
05:12que a sociedade pôde perceber isso no mundo inteiro.
05:16E sempre que houver uma pandemia, os profissionais de saúde
05:20vão estar prontos para enfrentá-la.
05:22Os profissionais de saúde, eles têm algo mais na vida
05:25que não simples o trabalho.
05:27O profissional de saúde tem como objetivo o próximo.
05:30Então, os profissionais de saúde no mundo inteiro
05:32deram demonstrações de dedicação a essa causa.
05:36Muitos, infelizmente, pagaram com a própria vida.
05:40Então, isso tem que ser um ensinamento
05:42de que uma força de saúde multidisciplinar,
05:46bem cuidada, bem treinada, bem remunerada,
05:50vai ser sempre a base para o enfrentamento
05:53de qualquer pandemia que venha a ocorrer daqui para frente.
05:56Usa-se um termo do One Health,
05:59que seria a integração da saúde animal,
06:03saúde humana e a saúde ambiental.
06:05E, por vezes, eu vejo a gente discutindo
06:08as agressões ao meio ambiente,
06:10questão de animais silvestres, desmatamento.
06:15E eu acho que as pessoas, quem sabe,
06:16não conseguem entender o certo que elas estão causando.
06:19No período da pandemia,
06:21isso revelou algumas questões importantes
06:24porque nós sentimos isso na nossa pele.
06:27Como é que você pode falar desse novo momento
06:29e o que poderá ainda vir
06:31se por acaso não houver uma conscientização
06:33que se mostre verdadeira na prática?
06:36Isso é muito importante.
06:37O resultante de tudo isso que você falou
06:40é o aquecimento global.
06:41E o aquecimento global,
06:43ele tem alguns impactos diretos sobre a saúde.
06:46Posso enumerar aqui quatro.
06:48Primeiro, aumento da temperatura das águas.
06:52O aumento da temperatura das águas
06:54tem favorecido proliferação bacteriana,
06:57principalmente bactérias multiresistentes.
07:00Eu vou dar um exemplo prático.
07:01Tem aumentado o número de casos de cólera no mundo
07:05fora do ambiente de catástrofes ambientais.
07:09Então, esse é um efeito direto
07:11do aumento da temperatura da água.
07:13Segundo, aumento de temperatura
07:15favorece a adaptação de vetores,
07:18que são aqueles insetos, de uma maneira geral,
07:21que carreiam, que transmitem infecção.
07:24Está permitindo a adaptação de vetores
07:27em locais onde eles não conseguiriam pela temperatura.
07:31Dois exemplos chamam muito a atenção.
07:34Primeiro deles, isolamento de Aedes aegypti,
07:37em Reykjavik, capital da Islândia.
07:40Segundo, o mais conhecido e impressionante dos casos
07:44foi um caso de chikungunya,
07:46doença sempre restrita aos trópicos,
07:49na América e na Ásia,
07:51ocorrendo de maneira autóctone,
07:52dentro de Nova York.
07:54Então, esse é um segundo exemplo da importância disso.
07:58Terceiro, migrações populacionais,
08:01que fazem com que pessoas doentes
08:03migrem para locais onde não existe essa doença,
08:09e o contrário,
08:10pessoas saudáveis que migram para locais
08:13onde existe doença.
08:14E, por fim, é um fator claro,
08:17a proximidade,
08:18o reino animal,
08:22é um fator de risco claramente evidente
08:25para a transmissão de zoonoses.
08:27Durante o período da pandemia,
08:28nós tivemos uma série de medidas
08:30chamadas medidas não farmacológicas.
08:33Dentre elas, a utilização de máscaras,
08:36o próprio isolamento com o lockdown
08:38de estabelecimentos.
08:41Isso tem um impacto econômico
08:43e nas relações entre os atores da sociedade.
08:46Como sensibilizar aqueles que não são
08:51da comunidade da saúde,
08:52que não são médicos,
08:53para entender que isso, sim,
08:56tem uma importância fundamental
08:57na preservação da vida das pessoas?
09:01Essa é uma questão fundamental.
09:03Essa realmente é uma questão fundamental.
09:06E é uma questão muito difícil,
09:08porque você está falando de direito
09:11ou de benefício coletivo
09:13o verso direito e benefício individual
09:15vai ser sempre um problema.
09:17Mas as autoridades também
09:20têm que ter uma certa sensibilidade
09:23de como dosar essas medidas.
09:26Então, assim,
09:27todo mundo sabe que uma doença respiratória,
09:29você tem que controlar a fonte,
09:31a transmissão da fonte
09:33e separá-la dos seus eventuais,
09:35das pessoas vulneráveis
09:36que são a cadeia de transmissão.
09:38Então, não tem como,
09:40numa epidemia que se transmite
09:41por via respiratória,
09:42você não falar de máscara
09:44e isolamento social.
09:46Quanto você é agressivo
09:48e expansivo nessas medidas,
09:51o poder público provavelmente
09:52leva em conta algumas coisas.
09:53Primeiro, densidade populacional.
09:56Segundo, capacidade,
09:58como você disse,
09:59da população entender ou não
10:01a necessidade do benefício coletivo.
10:05Por exemplo,
10:05sociedades menos divididas
10:08em relação a esse tópico
10:09toleraram muito bem
10:10o não fechamento do comércio,
10:12como, por exemplo, Uruguai.
10:13Outra coisa que é muito levada
10:14em consideração
10:15é a capacidade de infraestrutura,
10:18de comércio,
10:20de transporte,
10:21de prover
10:21um menor contato social.
10:23E, por último,
10:24o mais importante de todos,
10:27qual é o impacto da pandemia
10:28que nós estamos vivendo
10:29na saúde?
10:31E no caso da COVID,
10:32a gente sabia
10:33que o impacto era a morte.
10:35Os pacientes morriam,
10:36a gente viu,
10:37são 700 mil,
10:38800 mil casos no Brasil,
10:407 a 10 milhões no mundo.
10:43Então, quando você tem
10:44um endpoint,
10:45que é a morte,
10:46a gente entende
10:47que está justificado
10:48você ser expansivo
10:50e você ser agressivo.
10:51Mas isso pode ser flexibilizado
10:53mediante esses parâmetros
10:55que eu falei para você.
10:56E eles foram flexibilizados
10:58ao longo do mundo,
11:00obedecendo esses parâmetros,
11:02esses critérios
11:03de gestão pública
11:04que eu falei.
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