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Transcrição
00:00O mundo vive um momento de transição profunda.
00:21Conflitos regionais, disputas entre grandes potências e o enfraquecimento das regras globais
00:28indicam que estamos entrando em uma nova era, mais instável, mais fragmentada e mais imprevisível.
00:36No documento Jovem Pan de hoje, você vai entender como essa nova ordem está sendo construída,
00:44quem são os principais atores deste cenário e quais os impactos diretos para o Brasil e para a América Latina.
00:58Mais de oito décadas atrás, a Segunda Guerra Mundial fez com que a história do mundo fosse reescrita após um conflito devastador.
01:14Durante a Guerra Fria, o mundo se dividiu em dois grandes blocos de poder.
01:23E com o fim da União Soviética, os Estados Unidos emergiram como a principal potência global.
01:30A chamada Ordem Liberal Internacional passou a ser apresentada como um modelo universal.
01:36Mas, ao longo das últimas décadas, esse equilíbrio começou a se desgastar.
01:42O crescimento acelerado da China, a reorganização da Rússia, o fortalecimento de potências regionais
01:50e o protagonismo crescente do chamado sul global passaram a desafiar a lógica do poder mundial.
01:59É importante lembrar que ele não é um bloco monolítico.
02:01Não é simplesmente um conjunto homogêneo de países que têm uma direção muito clara.
02:06É diferente daquela divisão da época da Guerra Fria, em que as alianças eram muito mais pré-determinadas.
02:12Agora, o padrão de relacionamento é muito mais fluido.
02:16É claro que a influência desses países está condicionada também pelo seu tamanho e pelos seus recursos.
02:23A gente tem nesse bloco países que ainda são muito enfraquecidos, países que têm pouca voz,
02:28poucas condições de influenciar as relações internacionais, ao mesmo tempo que tem a China,
02:33que será provavelmente a principal potência do mundo nos próximos anos.
02:37Então, me parece também que essa correlação de forças está se alterando com o passar do tempo
02:43e está dando mais voz para os países do sul global.
02:46E mais do que isso, me parece agora que, diante desse imperialismo renovado dos Estados Unidos,
02:52de Donald Trump, haverá um incentivo maior ainda para que os países do sul global busquem uma aproximação entre si.
03:00Isso é uma mudança importante de tradição.
03:02Os Estados Unidos, pelo menos desde o final da Segunda Guerra Mundial,
03:07sempre agiram, ainda que muitas vezes de forma hipócrita,
03:11mas usando a linguagem de defesa de determinados valores, como democracia, etc.
03:16É importante a gente entender que essa hipocrisia, entre aspas, ela é também importante,
03:22porque ela pelo menos sinaliza que o país está agindo com base em determinados valores,
03:28ou seja, pelo menos diz que esses valores são importantes.
03:31Os Estados Unidos de Donald Trump, ele deixa muito claro que esses valores não são importantes.
03:38Ele fala que ele não precisa do direito internacional,
03:41ele diz que só é limitado pela sua própria moralidade.
03:46Como os Estados Unidos passaram a tentar fazer aqui na América Latina,
03:50sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial?
03:54Porque, claro, havia ainda intervenções militares, ainda havia patrocínio de golpes de Estado,
04:00mas os Estados Unidos, naquele momento, começaram a se dar conta
04:03de que talvez fosse mais interessante exercer a sua hegemonia de uma forma mais indireta
04:09do que simplesmente colocando de uma forma bastante transparente, clara, o seu domínio.
04:15Então, esses compromissos foram devidamente o quê?
04:19Colocados no papel com a Carta Constitutiva da ONU,
04:27que o quê?
04:28Prima pela ideia do respeito à soberania dos Estados, soberanos, independentes,
04:37a ideia de se estabelecer condições de diálogo multilateral entre os países integrantes da ONU.
04:52Então, o quê?
04:53Não é à toa que existe uma Assembleia da ONU para que haja o quê?
04:57Um palco de discussão, um palco de interação, um palco de composição de conceito.
05:03E mesmo o Tratado de Pensalho, a gente sempre reconhece que quem vence a guerra escreve a história,
05:10escreve a narrativa da história, como foi, por que foi e como serão os resultados
05:19depois desse período de guerra, depois dessa vitória.
05:25Então, o mundo pós-1945 refletiu os valores da sociedade ocidental,
05:31mas particularmente dos Estados Unidos da América,
05:34e que veio aí uma série de inovações estabelecendo aquilo que eles sempre se chamam de ordem liberal.
05:41Todo modelo pós-guerra que envolve ONU, GAT, OMC, elaboração do mercado comum europeu, União Europeia, OTAN,
05:53busca expandir, busca universalizar preceitos e valores liberais considerados aos olhos norte-americanos,
06:07autênticos, ou seja, criados por eles, para o mundo.
06:11E o que o Trump agora está dizendo é que fracassou esse modelo,
06:16e esse modelo tem que ser o quê? Radicalmente revisto.
06:20Eu diria que não há um enfraquecimento das regras internacionais.
06:24O que há agora é uma sinalização por parte das grandes potências
06:28de que o mundo está tão conflitivo e seus interesses estão tão adescerbados
06:33que eles não estão dispostos a aceitar essas regras.
06:37Mas essa sempre foi a lógica do direito internacional.
06:40Eu sempre disse para os alunos que o poder das organizações internacionais,
06:45bem como do direito internacional, ele está sempre dentro do limite da política.
06:50É a política quem, na verdade, é o último juiz para determinar a aplicação das grandes potências.
06:57Então, é como se a lei internacional fosse parcialmente obedecida,
07:03não porque ela fosse mais forte, mas sim porque os países estavam interessados
07:08em respeitar essas leis porque não havia uma oposição muito clara
07:11entre os seus interesses e aquilo que a lei determinava.
07:15Agora, a partir do momento que há um choque entre os interesses das grandes potências
07:19e a lei internacional, aí é o primeiro que se sobrepõe ao segundo.
07:24Sempre foi assim, sempre vai ser assim.
07:25A novidade é que essas situações estão se tornando cada vez mais frequentes.
07:30Então, não é que a lei internacional esteja fragilizada,
07:33mas está cada vez mais claro que ela não consegue se sobrepor à realidade política.
07:412026. Logo após o mundo celebrar a chegada de um novo ano,
07:46a dinâmica de poder mundial dá alertas de uma nova era.
07:50No dia 3 de janeiro, um ataque dos Estados Unidos à Venezuela,
07:55com uso explícito da força e captura do ditador Nicolás Maduro,
08:00revelou uma mudança de postura.
08:03Menos preocupação com consensos, menos constrangimento com o direito internacional.
08:09São os Estados Unidos que são muito menos constrangidos por qualquer tipo de limitação
08:17em termos do direito internacional.
08:18É justamente porque os Estados Unidos entendem que está perdendo,
08:24ou que estava perdendo, poder sobre a América Latina,
08:30devido ao forte crescimento, sobretudo da China, na América Latina.
08:35E a China é vista pelos Estados Unidos como uma ameaça comercial,
08:40e isso coloca em xeque especificamente possíveis negociações,
08:48possíveis formas, por exemplo, de intervenção também política dentro da região.
08:56A América Latina, na realidade, anteriormente não tinha muita expressão, digamos assim.
09:03Sempre foi importante para os Estados Unidos,
09:05inclusive os Estados Unidos a entendem como um quintal,
09:07o próprio vice-presidente, o Vence, chama a América Latina de quintal,
09:12do quintal dos Estados Unidos.
09:14O direito internacional público não é propriamente um direito,
09:21mas são cartas de consenso, bilaterais e multilaterais,
09:27por tratados, convenções, que não possuem necessariamente força cogente.
09:34O que é força cogente?
09:35Sansão, punição, uma retaliação.
09:39Claro que temos aí algumas promessas, como o Tribunal Internacional Penal,
09:43mas o Tribunal Internacional Penal, o Tribunal de Haia,
09:46primeiro, só serve para aqueles que o quê?
09:50Aderiram a essa jurisdição internacional.
09:54E entre nós, esse tipo de jurisdição serve para estados fracos.
10:00não serve para o quê?
10:02Estados fortes, na prática.
10:05Eu vejo, assim, muito mais dentro dessa perspectiva
10:08de que para as democracias frágeis,
10:10essa esfera de influência,
10:13elas podem seguir dois caminhos, tá?
10:17Vai depender também de como esteja especificamente
10:20o nível da população ou dos cidadãos
10:24sobre o pensamento democrático.
10:27Porque também temos que levar isso em consideração.
10:30Muito se fala de qual o caminho do país,
10:32pensando no âmbito do governo,
10:34mas se esquece da própria cidadania, tá?
10:38Então, assim,
10:39o que eu entendo é que pode seguir dois caminhos.
10:42Mas, um, para a democratização,
10:47o fortalecimento da democratização,
10:50ou, dois, para o fortalecimento do autoritarismo nesses países.
10:55Se tu me perguntas qual o caminho que eu vejo para a Venezuela,
10:58eu vejo o pior dos seus cenários.
11:00É hora de se sentar na mesa,
11:03num Conselho de Segurança da ONU,
11:05ou num contexto qualquer,
11:07e ter uma série de discussão,
11:09de novo, não sobre o passado.
11:11O passado já foi,
11:13não adianta voltar para trás,
11:15mas de olhar para frente.
11:17Agora, um outro contexto é o seguinte,
11:19se a intervenção na Venezuela foi feita,
11:23que seja feita agora de forma completa.
11:27Porque não basta tirar o Maduro,
11:29deixa lá uma presidente interina
11:32de mãos atadas,
11:35obedecendo a uma intervenção americana
11:40que não diz ainda o que será do futuro do país,
11:45daí não sai nada.
11:47A recuperação econômica e social da Venezuela não vem.
11:50A Venezuela passa a representar um laboratório
11:55de uma nova lógica do poder mundial,
11:59ou seria antiga.
12:02Formulada no século XIX,
12:04a doutrina Monroe surgiu com o princípio da América
12:08para os americanos.
12:10Na prática, a ideia serviu para justificar a projeção de poder dos Estados Unidos
12:15sobre o continente
12:17e estabelecer a América Latina como uma área estratégica de influência exclusiva.
12:24Mais de 200 anos depois,
12:26a intervenção estadunidense na Venezuela
12:29representou uma inversão na qual soberania,
12:33multilateralismo e regras globais
12:36cedem espaço à noção de áreas de influência
12:40e à disputa direta por recursos, poder
12:43e alinhamentos estratégicos.
12:46O que os Estados Unidos nos estão mostrando,
12:48mais ou menos, é isso,
12:49que eles não vão deixar de forma fácil
12:53com que esses quintais se emancipem,
12:57tenham autonomia.
13:01Tanto que os Estados Unidos estão mostrando,
13:04dentro de uma perspectiva também de estratégia geopolítica,
13:08quais seriam os outros países que seriam a ser intervindos,
13:12como o México, como a Colômbia,
13:16justamente pela questão das riquezas naturais que eles têm.
13:20Uma coisa que a gente tem que entender especificamente
13:23é que, enquanto existe esse interesse
13:26de um país dominar o outro
13:29para poder controlar os recursos
13:34que esse outro país tem,
13:38vai ser muito difícil
13:39com que se lhe permita autonomia.
13:43E essas interferências,
13:45então, que vamos ver nesse dito quintal dos Estados Unidos,
13:49vai ser dado em nome da própria democracia.
13:52Isso também é um perigo.
13:53E, para que eu me mantenha a potência mundial,
13:57eu tenho que garantir, no mínimo, o quê?
14:00O meu predomínio regional.
14:02Se eu não tenho predomínio regional,
14:03como que eu vou ser potência mundial?
14:05E aí ele restaura, pela doutrina Trump,
14:08a doutrina mongoi,
14:10América, para os americanos.
14:12Isso é muito importante,
14:13porque nós temos que entender
14:15que a intervenção da Venezuela,
14:17só para deixar isso muito claro,
14:19faz parte de uma tradição política norte-americana
14:22chamada tradição jacksoniana,
14:25que prima pela ideia da segurança estratégica.
14:28Potência mundial tem que ter o quê?
14:31Pleno controle de reservas energéticas
14:33ou reservas estratégicas econômicas,
14:36porque ele não permite competição.
14:39E essa, eu chamaria de desmoralização
14:42das regras internacionais de comércio,
14:46começou a criar umas posições
14:49ou umas ações unilaterais de países,
14:52criando obstáculos, cotas, tarifas
14:58ou fazendo, vamos dizer, um protecionismo escancarado.
15:03A virada para o século XXI
15:06fez com que o mundo mudasse.
15:08Não só o mundo,
15:09como os conflitos por sua dominação.
15:12Tarifas comerciais,
15:14controle de cadeias produtivas,
15:17disputas tecnológicas,
15:19influência diplomática
15:20e presença estratégica em regiões-chave
15:24tornaram-se os melhores instrumentos
15:27de ataque e defesa.
15:31No governo Trump agora,
15:33o que nós temos que perceber é o seguinte.
15:34Primeiro, a política de autoafirmação
15:38da hegemonia americana
15:41no continente americano
15:42vai continuar e se intensificar.
15:48Esteja pelo quê?
15:50Por um big stick, como nós vimos,
15:52que eu não esperava isso.
15:56mas aconteceu.
15:58O uso da força.
16:00Ou do quê?
16:02De relações de softball.
16:05Então, eu estou falando aqui
16:06de uso de guerra de informação,
16:08de fake news.
16:10Vão ter eleições daqui a pouco
16:12aqui no continente sul-americano.
16:15Então, qual será a ação de Trump
16:18nessa política de primazia regional norte-americana
16:22na região?
16:23Quais serão os recursos?
16:25Quem serão os agentes?
16:27Eu não consigo ver ele parando.
16:30Isso chegou ao ponto
16:31que agora, em 2025,
16:34os Estados Unidos
16:35adotou uma posição extremamente agressiva
16:38e unilateral,
16:40impondo tarifas em relação a todo mundo,
16:44não de forma despropositada,
16:46porque os Estados Unidos
16:47enfrenta, de fato, um problema
16:48que é um grave e crônico desequilíbrio
16:52na balança comercial
16:54e também na questão fiscal.
16:56São dois déficits, fiscal e comercial,
17:00e que trazem sérias preocupações
17:02para a própria economia mundial,
17:06porque é de uma magnitude gigantesca
17:09e afeta todos os países do mundo,
17:12porque os Estados Unidos
17:13responde por quase um terço
17:15da economia mundial.
17:16E essas tarifas impostas pelos Estados Unidos
17:21abrem, portanto, de forma explícita,
17:24um novo ciclo, talvez,
17:26do comércio mundial,
17:27que eu acredito tenha começado,
17:29onde as negociações bilaterais
17:31passarão a ser a regra do jogo.
17:34Então, cada país tem que lidar com outro bloco
17:39ou com outro país de forma direta.
17:42A perseguição que existe ao TikTok
17:44no Ocidente também é problemática,
17:48porque foi através do TikTok, por exemplo,
17:51que muitas pessoas passaram a conhecer
17:53muito mais coisas a respeito da China,
17:56que não tinha antes.
17:57E até havia uma novela,
17:59alguns anos atrás,
18:00que apresentou para o Brasil,
18:02por exemplo,
18:04o conhecimento sobre a Índia,
18:06coisa que culturalmente
18:08era muito distante de nós.
18:10Então, essa aproximação é importante,
18:13até para que tenhamos mais comércio
18:15e evitemos os equívocos.
18:17O problema todo,
18:18em toda a história,
18:20é que quanto mais nós nos distanciamos,
18:22maior a probabilidade
18:24de nós nos envolvermos em guerra,
18:25justamente pelo fato de destruir
18:28esse ano ao outro.
18:29Além disso, também,
18:31tem esse temor
18:32da concorrência chinesa.
18:36A China, nos últimos 25 anos,
18:40ganhou um espaço inacreditável
18:42no comércio mundial
18:43e na manufatura mundial.
18:48Desestabilizou indústrias
18:50ao redor de todo o mundo.
18:52E tanto que a gente até agora
18:54está pagando a conta.
18:55Então, esses quintais,
18:56na realidade,
18:57não vão ter essa autonomia
18:58e o caminho,
19:00a ideia do governo Trump,
19:02é justamente essa.
19:03Manter a todo custo
19:05esse quintal,
19:06não dar autonomia
19:07a esse quintal,
19:08porque precisa desses recursos
19:09para poder enriquecer,
19:11para poder manter também
19:13excelência militar,
19:14para poder também manter
19:15uma pressão sobre esses inimigos.
19:17Então, eu vejo difícil
19:19essa autonomia total
19:24desse quintal dos Estados Unidos
19:26e ainda mais
19:27porque a gente também tem
19:28uma deficiência
19:29de articulação
19:30dentro da própria ONU,
19:32para poder fazer frente
19:33especificamente
19:34a essas investidas
19:37dos Estados Unidos
19:38em esse grande quintal
19:40que é a América Latina,
19:41nesse grande e poderoso quintal
19:42que é a América Latina.
19:43Certo e errado,
19:47direita e esquerda,
19:48oriente e ocidente.
19:50A divisão entre dois opostos
19:53sempre deu o tom
19:54da dinâmica de poder
19:55na história do mundo
19:56e o cenário não é diferente
19:59no século XXI.
20:01Estados Unidos e China
20:02travam uma competição direta
20:04pelo protagonismo
20:06que vai muito além da economia
20:08e envolve tecnologia,
20:10influência política,
20:12segurança e narrativa.
20:14De um lado,
20:15a maior potência militar
20:17e financeira do planeta
20:18que busca preservar
20:20sua liderança
20:21e suas áreas de influência.
20:23Do outro,
20:24um país que em poucas décadas
20:26se tornou um ator central
20:28do sistema internacional.
20:30O resultado?
20:31Um cenário de tensão permanente
20:33no qual alianças
20:35são redefinidas,
20:37instituições são pressionadas
20:39e países de médio
20:40e pequeno porte,
20:42são levados a escolher
20:43seus lados.
20:46A China anunciou
20:47que vai restringir
20:48as importações
20:49de carne bovina
20:50de alguns países fornecedores.
20:52A medida será aplicada
20:53por meio de um sistema
20:54de cotas.
20:55e existe até muita gente
20:57que fala de um temor amarelo,
21:00um temor aos asiáticos
21:02por causa de desconhecido.
21:04Afinal,
21:05vamos pensar no seguinte,
21:07a humanidade,
21:09o Ocidente e o Oriente
21:10viveram durante muito tempo
21:12isolados um do outro.
21:14Vasco da Gama
21:15foi extremamente importante
21:17porque ele produziu ali
21:18a união do Ocidente
21:20com o Oriente.
21:21e isso foi relevante,
21:23só que nós ainda temos
21:24algumas barreiras
21:26culturais,
21:27intelectuais,
21:28históricas
21:29que nos impedem
21:30de conhecer
21:30aquilo que aconteceu
21:32no mundo.
21:32É só você olhar
21:33para a história,
21:36para os livros de história
21:37e ver
21:38quantos capítulos
21:39são dedicados
21:40à Ásia
21:41e aquilo que aconteceu
21:42na Ásia.
21:43Então, nós temos
21:43um muro
21:44de desconhecimento
21:46e o desconhecimento
21:48é que gera
21:49perspectivas equivocadas.
21:50é o desconhecimento
21:52que leva
21:53a ações equivocadas
21:56justamente
21:56porque nós não conhecemos
21:58a outra parte.
21:59Então,
22:00o que se espera
22:01nesses próximos anos
22:03é que talvez
22:04a internet,
22:05talvez as mídias sociais
22:06sirvam para integrar
22:09e dar a conhecer
22:10o mundo
22:11a um lado
22:12do mundo
22:13ao outro.
22:14A China
22:14é um fator
22:15de continuidade
22:17da política americana,
22:18um dos poucos fatores
22:19que a gente vê
22:19nesse século XXI
22:21que perpassa
22:22mesmo a administração
22:23Trump.
22:23Um dos poucos
22:24setores em que
22:26há algum consenso
22:27nos Estados Unidos
22:28é a ideia
22:29de que a China
22:29de alguma forma
22:30deve ser contida
22:31ou deve ser
22:32lidada
22:33como um adversário,
22:34um competidor
22:35dos Estados Unidos.
22:36Então,
22:36quanto a isso,
22:37é uma questão
22:38que está muito presente
22:39na política externa
22:40norte-americana hoje.
22:41O que é diferente
22:43é a forma de lidar
22:44com a China,
22:44como conter a China.
22:46Tem diversas
22:47ferramentas
22:49para isso.
22:49Então,
22:49por exemplo,
22:50a administração Obama
22:51e a administração Biden
22:52viam que uma forma
22:53de conter a China
22:54era os Estados Unidos
22:55fortalecendo
22:56as suas alianças,
22:57os Estados Unidos
22:57criando instituições
22:58internacionais.
23:00Então,
23:00Barack Obama,
23:00por exemplo,
23:01tentou e negociou
23:02por muitos anos
23:03um grande acordo
23:04comercial que envolvia
23:05uma série de países
23:05da Ásia
23:06e excluía a China.
23:08O Donald Trump
23:08no seu primeiro dia
23:09de governo,
23:10no seu primeiro mandato,
23:11ele sai desse acordo.
23:13Obviamente,
23:14em competição
23:14com a China.
23:15a criação
23:16da rota da seda.
23:18A rota da seda
23:19norte-americano
23:20ocidental.
23:21A importância
23:22da aproximação
23:23da Arábia Saudita
23:24com o quê?
23:25Com o Israel
23:26e com o quê?
23:27Com os países do Golfo.
23:29Em prol do quê?
23:30Do interesse americano
23:31em competição
23:31para a China.
23:32Diga-se México,
23:34diga-se Cuba.
23:36É uma situação
23:37muito perigosa.
23:38E abre precedente
23:40para o discurso
23:41de reanexação
23:42de Taiwan
23:43por parte
23:45da China.
23:46Então,
23:47estamos aí
23:48em um ambiente
23:48de reformulação
23:51de uma ordem mundial
23:52que outrora
23:53estava vigente
23:55entre nós.
23:57Então,
23:57ele tem uma visão
23:58muito de agir
23:59sozinho,
24:00sem auxílio
24:01ou sem a necessidade
24:02de aliados.
24:03Então,
24:04ainda que haja
24:04uma ideia
24:06de que a China
24:07é, sim,
24:07algo que determina
24:08muito,
24:09hoje em dia,
24:09da política externa
24:10norte-americana,
24:11afinal de contas,
24:12por muito tempo
24:13os Estados Unidos
24:14não tinham um país
24:17que fosse um parceiro
24:18ou competidor
24:19ou o que seja,
24:21que fosse dessas dimensões,
24:23que ameaçasse
24:24a hegemonia
24:25norte-americana.
24:26Então,
24:26é claro que isso,
24:27de alguma forma,
24:28é um elemento importante
24:29da política externa,
24:30mas as formas
24:31de lidar
24:31com esta ameaça
24:33ou com esta presença
24:35desse país
24:36muito poderoso
24:37que está surgindo
24:39na Ásia
24:40são formas distintas.
24:42Em relação
24:43a essa disputa
24:43entre Estados Unidos
24:44e China,
24:45a gente vê
24:46que os Estados Unidos
24:46são uma potência
24:47hegemônica
24:48consolidada
24:49há muitas décadas.
24:50Os Estados Unidos,
24:51de fato,
24:51tem poder.
24:52Tem poder econômico,
24:53com a hegemonia do dólar,
24:55tem poder militar,
24:56com 800 bases
24:57espalhadas pelo mundo,
24:59tem poder diplomático,
25:00tem um poder político
25:01com um predomínio
25:03nas instituições
25:03internacionais
25:04e a China
25:05ainda é um país desafiante.
25:07A China é um país
25:08que está se destacando
25:09muito do ponto de vista econômico.
25:11A China hoje
25:12tem mais ou menos
25:1330% da indústria global,
25:15ou seja,
25:1630% das mercadorias
25:18industrializadas do mundo.
25:20Infelizmente,
25:21nós temos um problema
25:22de desconhecimento
25:23da história.
25:25Durante 18 séculos,
25:27a China foi a maior potência
25:29econômica do mundo.
25:29e isto,
25:33a deterioração
25:35da economia chineva
25:36começa a se dar
25:37a partir do ano
25:381800 e 202.
25:40E os Estados Unidos
25:41é um país
25:42que acende
25:43economicamente
25:44depois da
25:45Segunda Guerra Mundial
25:46e é um país
25:47relativamente
25:48novo.
25:49São 250 anos,
25:51um pouco mais
25:52de 250 anos
25:53desde a declaração
25:54de independência.
25:55Então,
25:56o que nós notamos
25:56nesse processo todo
25:58é que os Estados Unidos
25:58são aí
25:59uma potência
26:00que teve um crescimento,
26:02teve uma relevância global,
26:04mas no frigir dos ovos
26:05acima que é uma história
26:06mais longa
26:07como potência
26:09econômica global.
26:10Uma característica
26:11que tem sido
26:12marcante
26:13ao longo
26:14da história chinesa
26:15é o fato
26:16de não ser
26:17uma potência
26:18que busque
26:19pregar
26:21e aprevoar
26:21os seus valores
26:22para o mundo
26:23ou uma potência
26:24missionária
26:26como os Estados Unidos
26:27são,
26:28mas que tem
26:29um interesse
26:30em ter
26:31uma relação
26:32comercial
26:32com todo o mundo
26:33de uma forma
26:34intensa
26:35de maneira
26:35que possa
26:36vender os seus produtos,
26:37comprar aquilo
26:38que necessita
26:39e ser
26:40a grande fábrica
26:41global.
26:50A ascensão
26:51da China
26:52ao centro
26:52do poder global
26:53segue uma estratégia
26:55de longo prazo.
26:57No coração
26:57dessa estratégia,
26:59uma busca
27:00quase silenciosa
27:01pela reunificação
27:03Taiwan,
27:04que torna
27:04o Mar do Sul
27:05da China
27:06o eixo central
27:07dessa expansão.
27:09Com a construção
27:10de ilhas artificiais
27:12e instalação
27:13de estruturas militares
27:14em áreas contestadas,
27:17o governo chinês
27:18assegura rotas
27:19estratégicas
27:20por onde circula
27:21uma parcela significativa
27:23do comércio mundial,
27:25além de proteger
27:26seus interesses energéticos
27:28e de segurança.
27:30Um avanço
27:31territorial e militar
27:32caminha lado a lado
27:34com a expansão
27:35econômica.
27:36Ao contrário
27:37das potências,
27:38a China
27:39evita intervenções
27:40diretas
27:41em outros países,
27:42mas na prática
27:43constrói uma rede
27:45de dependência
27:46econômica
27:46e estratégica
27:48que redefine alianças
27:50e desloca
27:51o centro de gravidade
27:52do poder global.
27:54Embora a China,
27:55por exemplo,
27:56tenha várias disputas
27:57geopolíticas
27:58com os seus vizinhos,
27:59como o Vietnã,
28:00as Filipinas,
28:01isso tem que falar
28:02no Japão,
28:02na Coreia do Sul,
28:03Taiwan, enfim,
28:04a China tem um padrão
28:05de atuação
28:06que é diferente
28:07do padrão
28:08dos Estados Unidos.
28:09A China busca
28:10algum tipo
28:11de rearranjo,
28:12algum tipo
28:12de acomodação
28:13com os seus vizinhos
28:14de uma forma
28:15um tanto mais indireta.
28:16Então a gente não sabe
28:18exatamente como
28:19que vai se dar
28:19esse processo
28:21de criação
28:21dessas esferas
28:23de influência.
28:23Isso é um poder
28:24muito grande
28:24e esse montante
28:26está aumentando.
28:27Algumas pessoas falam
28:28que a China pode se tornar
28:29cerca de metade
28:31da indústria mundial
28:31nas próximas décadas,
28:33o que seria espantoso.
28:34E a China também
28:35tem um poder comercial
28:36significativo.
28:37A China é
28:37o principal parceiro
28:38comercial da maioria
28:39dos países do mundo.
28:41Entretanto,
28:41a China não tem
28:42o mesmo poder
28:43financeiro,
28:43o mesmo poder
28:44político,
28:44nem mesmo o mesmo
28:46poder militar.
28:47Embora a China
28:48esteja se modernizando
28:49muito em termos
28:50de forças armadas
28:51e a tendência
28:52é que venha
28:52ultrapassar os Estados Unidos
28:54nas próximas décadas,
28:55ainda assim,
28:56a China tem uma,
28:57duas bases militares
28:58ao redor do mundo
28:59e a China tem
29:00um outro padrão
29:00de atuação.
29:03No leste europeu,
29:05uma guerra
29:06recolocou a Rússia
29:07no centro
29:08do tabuleiro
29:09geopolítico
29:10e expôs,
29:11ao mesmo tempo,
29:12a extensão
29:13e os limites
29:14do seu poder global.
29:16Ao invadir
29:17a Ucrânia,
29:18Moscou deixou
29:19claro que está
29:20disposto a usar
29:21a força militar
29:22para preservar
29:23sua área
29:24de influência
29:25e impedir
29:26o avanço
29:27de alianças
29:27consideradas hostis
29:29às suas fronteiras.
29:31Um conflito
29:32que pressionou
29:33alianças tradicionais
29:34e acendeu
29:35a corrida
29:36armamentista,
29:37elevou os custos
29:38de energia
29:39e aprofundou
29:41a polarização
29:41entre blocos
29:43políticos
29:43e econômicos.
29:45A Rússia
29:47tem ali
29:48uma vastidão
29:49territorial,
29:50tem acesso
29:51a equipamentos
29:53nucleares
29:54e tem ali
29:56uma presença
29:57importante na Eurásia,
29:59mas a Rússia
30:00não tem aí
30:02a mesma
30:03pujança econômica
30:04dos Estados Unidos
30:06e China.
30:08Isso impede
30:08a Rússia
30:09que tenha
30:10um protagonismo
30:11que avance
30:13em outras áreas.
30:15Daquele
30:15que a gente chama
30:16de soft power,
30:17no sentido
30:18que deixe de ser
30:19somente
30:19a questão militar
30:20como a sua base.
30:22Então,
30:22o mundo vai
30:23nesse sentido.
30:24Hoje,
30:25a ordem mundial
30:26muda.
30:27Nós estamos vendo
30:28a ascensão
30:28em desorário
30:29da China
30:30enquanto potência
30:31econômica
30:31e potência militar,
30:35ainda ela não
30:36que é páreo
30:37para se confrontar
30:39com o quê?
30:40Com os americanos,
30:41e é por isso
30:42da importância
30:42estratégica
30:43da Rússia
30:44nessa parceria,
30:45uma potência
30:46militar histórica,
30:49uma potência
30:50nuclear
30:50em paridade
30:52com os Estados Unidos,
30:54uma potência
30:56de segunda
30:57categoria
30:58na área
30:59econômica,
31:00principalmente
31:00industrial,
31:02e uma potência
31:02energética.
31:03Não há dúvida
31:04nenhuma
31:04que a OTAN
31:06e os aliados
31:06europeus
31:07estão passando
31:07por um período
31:08profundo
31:08de transformação.
31:09Eles estão
31:10sendo pressionados
31:11por um lado
31:12por uma potência
31:14agressiva
31:15que é a Rússia
31:16que está invadindo
31:17a Ucrânia.
31:18Isso, portanto,
31:19é um problema
31:19não apenas
31:20ucraniano,
31:20mas um problema
31:21europeu,
31:21ou seja,
31:22primeira vez
31:23desde o fim
31:24da Segunda Guerra
31:25Mundial
31:25em que os europeus
31:26se veem
31:27diante de uma
31:27ameaça concreta
31:29militar
31:29de guerra
31:30na Europa.
31:31Então tem
31:32essa pressão
31:32por um lado
31:33e por outro lado
31:33neste momento
31:34delicado
31:35eles têm
31:36do outro lado
31:36do Atlântico
31:37um parceiro
31:38que demonstra
31:40pouco apreço
31:41à Aliança
31:41Europeia,
31:42pouco apreço
31:43à OTAN
31:43e que inclusive
31:44tem ameaçado
31:45um país
31:46que é membro
31:47da OTAN
31:47que é a Dinamarca
31:48pela Via
31:49da Groelante.
31:51A transformação
31:52da ordem
31:53internacional
31:54também se reflete
31:56na crise
31:56e na redefinição
31:58dos grandes blocos
31:59políticos
32:00e econômicos
32:01ao redor
32:01do mundo.
32:02Estruturas
32:03que durante
32:04décadas
32:05organizaram
32:05alianças
32:06e fluxos
32:07comerciais
32:08passam a perder
32:09força
32:10diante da ascensão
32:11de novas potências
32:12e de uma lógica
32:14cada vez mais
32:15centrada
32:16no interesse
32:17nacional.
32:18O BRICS,
32:19o Brexit
32:19simbolizou
32:21essa ruptura
32:21na Europa.
32:23No sul global,
32:24o BRICS
32:25e a diversidade
32:26de interesses
32:27entre membros,
32:28as assimetrias
32:29internas
32:30e a ausência
32:31de uma agenda
32:32unificada
32:33dificultam
32:34sua consolidação
32:35como um
32:36polo coeso.
32:37O Mercosul
32:38enfrenta
32:39desafios
32:39semelhantes
32:40ao sofrer
32:41com divergências
32:42políticas
32:43e entraves
32:44comerciais.
32:47Em Assunção,
32:48no Paraguai,
32:49onde foi assinado
32:50o acordo
32:50de livre comércio
32:51entre Mercosul
32:52e União Europeia,
32:53o Brasil foi representado
32:55pelo ministro
32:55Mauro Vieira,
32:56de Relações Exteriores.
32:58No discurso,
32:59o chanceler
32:59disse que o tratado
33:00tem enorme potencial
33:02econômico
33:03e profundo sentido
33:04geopolítico,
33:06que representa
33:07um alicerce
33:08no valor
33:08da democracia
33:09e da ordem
33:09multilateral
33:10diante de um mundo
33:12abatido pela
33:13imprevisibilidade,
33:14pelo protecionismo
33:16e pela coerção.
33:17A intervenção
33:18dos Estados Unidos
33:19na Venezuela
33:20não é só um recado
33:22para a Venezuela,
33:22mas também
33:23para aqueles países
33:24da América Latina,
33:26sobretudo
33:26do Corne Sul,
33:28que lideram
33:29especificamente
33:30esse movimento
33:31de autonomia,
33:32de soberania
33:32da região.
33:35Todo o modelo
33:36fracassou.
33:38Então a gente tem
33:38que o quê?
33:39Começar do zero.
33:40É por isso que você
33:40nota o quê?
33:41Ele se distanciando
33:42da ONU,
33:44ele deixando o quê?
33:45A União Europeia
33:46é o seu destino.
33:49Temos que rever isso.
33:50E detalhe,
33:51olha o que
33:52os americanos falam.
33:53Nós somos
33:54o hemisfério ocidental.
33:56Nós somos
33:57os guardiões
33:58dos valores ocidentais.
33:59A Europa
34:00está o quê?
34:02Por meio
34:02da sua política migratória
34:03se tornando
34:06menos ocidental
34:07a cada dia.
34:10Olha só,
34:10então a lógica
34:11da universalização
34:12é substituída
34:14pela lógica defensiva
34:16da guarda
34:17de valores.
34:19Um dos principais
34:21epicentros
34:22das disputas
34:23geopolíticas globais
34:24sob comando
34:26de Donald Trump,
34:27o fortalecimento
34:28da aliança
34:29com o Israel,
34:31o enfraquecimento
34:32de grupos
34:32insurgentes
34:33como o Hamas
34:35e o Hezbollah
34:35e a pressão direta
34:37sobre o Irã
34:38alteraram
34:39a correlação
34:39de forças
34:40no Oriente Médio
34:41que,
34:42além de um palco
34:43de guerras,
34:44se torna peça central
34:45na disputa
34:46por influência,
34:48energia
34:48e protagonismo
34:50na nova ordem
34:51internacional.
34:55No Oriente Médio
34:57veremos
34:59a presença
35:00de Trump,
35:01talvez é um dos pontos
35:02que ele foi mais
35:03bem sucedido.
35:05Reafirmou
35:05a autoridade
35:06de Israel
35:06na região,
35:08fragmentou
35:09movimentos
35:09de insurgência
35:10do Hamas
35:11como o Hamas
35:12e o Hezbollah
35:13e agora
35:14nós estamos vendo
35:15o que?
35:15O colapso
35:17do Irã.
35:19O Irã
35:19que tinha
35:20uma grande influência
35:21no arco xiita
35:22com o desastre
35:23da ação
35:24próxima
35:25contra Israel
35:26em 23,
35:28no outubro
35:28de 23,
35:30viu que
35:30toda a sua
35:31condição
35:32de potência
35:33regional
35:33sendo destruída,
35:35tendo
35:35o que?
35:36um presidente
35:36morto
35:37num estranho
35:39acidente
35:40e agora
35:41o regime
35:42está sob
35:43contestação
35:44da sua própria
35:44população.
35:46Bipolar,
35:47tripolar
35:48ou fragmentada?
35:50A nova
35:50ordem
35:51de poder
35:52mundial
35:52não pode
35:53ser comparada
35:54a nenhum
35:55outro cenário
35:56já vivido
35:56na história,
35:58mas a um
35:58novo e
35:59complexo
35:59sistema,
36:01menos organizado
36:02e mais
36:02imprevisível.
36:04No mundo
36:04atual,
36:05o poder
36:06se distribui
36:07de forma
36:07desigual,
36:08as regras
36:09são constantemente
36:10testadas
36:11e os conflitos
36:12deixam de ser
36:13exceção
36:14para se tornar
36:15parte do
36:16funcionamento
36:16normal
36:17da ordem
36:18internacional.
36:19De fato,
36:20o mundo
36:20está passando
36:21por um período
36:22de transformação,
36:23eu diria,
36:23inclusive,
36:24de um período
36:24de transição
36:25hegemônica.
36:26Uma vez
36:27e depois
36:28do final
36:28da Guerra Fria,
36:29o mundo
36:30deixou de ser
36:31bipolar
36:31com dois
36:32polos de poder,
36:33que eram
36:33Estados Unidos
36:34e União Soviética
36:35passou a ser
36:36um mundo
36:36unipolar,
36:37com apenas
36:38um polo
36:38de poder.
36:39O problema,
36:40ou a mudança,
36:41é que nos últimos
36:42anos a gente
36:42está vendo
36:43uma transformação,
36:44uma ascensão
36:45da China
36:46que,
36:46tudo indica,
36:47vai se tornar
36:48a grande potência
36:49das relações
36:50internacionais
36:50nas próximas décadas,
36:52talvez em especial
36:53na segunda metade
36:54do século XXI,
36:56e, é claro,
36:57também um certo
36:57ressurgimento
36:58da Rússia.
37:00Ao mesmo tempo,
37:01em que outros países
37:02também têm
37:03buscado
37:03o seu lugar
37:04ao sol,
37:04como a Turquia,
37:06a Índia,
37:07em menor medida
37:08também o Brasil.
37:09As organizações
37:10multilaterais
37:11que foram criadas
37:12depois da guerra,
37:13até por influência
37:15norte-americana,
37:16o Banco Mundial,
37:18o Fundo Monetário,
37:19a ONU,
37:20o GAT,
37:21depois substituído
37:22pela OMC,
37:24eles perderam
37:24a eficácia.
37:25Então,
37:26o multilateralismo,
37:28na minha visão,
37:29ele está muito afetado.
37:31Eu sei que o governo
37:32brasileiro defende
37:33muito a posição
37:34do fortalecimento
37:36do multilateralismo,
37:38mas hoje
37:38está muito difícil.
37:39A OMC
37:40está absolutamente
37:41marginalizada,
37:45posta ao lado,
37:47e os países
37:49começam, portanto,
37:50a ter
37:51essa nova dinâmica
37:53de negociação bilateral.
37:55Isso exige
37:56uma mudança
37:57de paradigma,
37:59uma mudança
38:00da visão diplomática
38:02do mundo.
38:03Passa a ter,
38:04portanto,
38:05importância
38:07cada país,
38:08cada região,
38:09dentro do contexto
38:10de uma
38:11negociação recíproca,
38:14ou seja,
38:15um toma lá,
38:15dá cá,
38:16e começa a ter,
38:17então, portanto,
38:18essa nova situação
38:19que define
38:20um jogo geopolítico
38:22no mundo,
38:23onde
38:24as principais potências
38:26econômicas,
38:27notadamente
38:28China e Estados Unidos,
38:32de alguma forma
38:33ditam a regra
38:34do jogo.
38:35Eu acredito
38:36que nós sim
38:36podemos identificar
38:37uma mudança
38:38na ordem global
38:40com ascensão
38:41e assentamento
38:43significativo
38:44da China
38:45como potência
38:47global.
38:48Isso não há dúvida.
38:49O mundo hoje em dia
38:50é bipolar,
38:51com certeza,
38:51à medida que outros países
38:52forem se fortalecendo
38:54politicamente
38:55e vai ter aí
38:56uma multipolaridade
38:58bem diferente
38:59daquele cenário
39:00que nós tínhamos
39:01no passado.
39:02Então,
39:03isto é
39:04muito peculiar
39:05e muito diferente,
39:06por exemplo,
39:07daquilo que nós observamos
39:08na Segunda Guerra Mundial,
39:10em que você teve ali
39:12a ascensão
39:14de um regime
39:16político
39:17e um regime
39:18biológico
39:19diferente.
39:19e a Segunda Guerra Mundial
39:21era a tentativa
39:23de contraste
39:24entre dois sistemas
39:26políticos
39:26totalmente
39:27diferentes,
39:29em que um
39:30tentava
39:30estabelecer-se
39:32como sendo
39:33o melhor
39:34em relação
39:34ao outro.
39:35Não é o caso
39:36da China.
39:37Então,
39:37é difícil
39:39nós compararmos,
39:40eu sei que muitas vezes
39:41a gente fala
39:41de uma guerra
39:43fria 2.0,
39:46mas as características
39:47da China neste momento
39:49são bem diferentes
39:50daqueles da União Soviética
39:52e mesmo os Estados Unidos
39:54neste processo todo
39:55hoje em dia
39:56tem uma relevância menor
39:57do que tinha,
39:58por exemplo,
39:59na década de 50,
40:00quando era a única potência
40:02que tinha a capacidade
40:03econômica
40:04e de fabricação
40:06global.
40:07Então,
40:08é difícil
40:08estabelecer
40:09um paralelo
40:10e quem estabelece
40:11esse paralelo
40:12esquece,
40:14ignora
40:14e às vezes
40:15só olha para a história
40:16do Ocidente,
40:18não levando em consideração
40:19que o Oriente
40:20sempre se comportou
40:21em muitos aspectos
40:23de maneiras diferentes.
40:25As transformações
40:27da ordem internacional
40:28atingem diretamente
40:30regiões
40:31que historicamente
40:32ocuparam posições
40:33periféricas
40:35no sistema global.
40:36A América Latina
40:38é uma delas.
40:39A região
40:40deixa de ser
40:40apenas área
40:41de influência
40:42para voltar
40:43ao centro
40:44das disputas
40:45estratégicas.
40:47Para o Brasil,
40:47o desafio
40:48é claro.
40:49O país
40:49precisa definir
40:51com clareza
40:51seus interesses
40:52estratégicos,
40:54fortalecer
40:55suas instituições
40:56e ocupar
40:57espaços
40:58antes que
40:58outros o façam.
41:00A nova ordem
41:01global
41:01não oferece
41:02garantias.
41:03isso se vê
41:04como uma estratégia
41:07de contenção
41:08a nível regional,
41:09de mostrar
41:10especificamente
41:11que Estados Unidos
41:12ainda está presente
41:14na América Latina
41:16e ainda tem poder
41:17sobre a América Latina,
41:18mas também
41:18está deixando claro
41:19a nível internacional
41:20que Estados Unidos
41:22não vai permitir
41:24com que outro grupo,
41:26com que outra nação
41:27se apodere
41:28em torno
41:28do que ele chama
41:29seu quintal.
41:30então é muito
41:32interessante isso.
41:33Essas transformações
41:34que estão ocorrendo
41:35desde a posse
41:36do presidente
41:37Trump
41:38lá nos Estados Unidos
41:39estão colocando
41:41grandes desafios
41:42para o Brasil.
41:44O Brasil
41:44é uma potência
41:45média regional,
41:46poderia ter
41:47uma influência
41:48muito grande
41:49aqui na região,
41:50mas nós
41:51estamos sem
41:52uma estratégia.
41:56Nenhum dos últimos
41:57governos
41:58se preocuparam
41:59em desenhar
42:02uma estratégia
42:03de médio e longo
42:04prazo
42:05para definir
42:06o lugar
42:06do Brasil
42:07no mundo.
42:08E aí acontece
42:09isso que aconteceu,
42:10o tarifácio
42:11do Trump,
42:13agora essas medidas
42:14todas,
42:15a estratégia
42:16de segurança
42:17nacional,
42:18criando,
42:18ressuscitando
42:19a doutrina
42:21moral
42:22do século XIX
42:24com o Trump
42:25e já executando
42:26essa nova doutrina
42:28colocando
42:30a América do Sul,
42:31a América Latina
42:32como uma área
42:34de influência
42:35dos Estados Unidos
42:36e atacando
42:38a Venezuela,
42:39capturando
42:40o presidente,
42:41ameaçando
42:42o México,
42:44ameaçando
42:45agora a Cuba,
42:46sem falar
42:47nas outras ameaças
42:48como a Groenlândia
42:50e a influência
42:51dos Estados Unidos
42:52na guerra
42:53do Iraque,
42:53do Oriente Médio,
42:54da Síria.
42:55Enfim,
42:56nós estamos
42:56numa nova ordem
42:58aí onde não tem
42:59regras,
42:59todas as instituições
43:01multilaterais
43:02desapareceram.
43:04Como exceção
43:06a essa tendência,
43:08nós tivemos
43:09na semana passada,
43:12algumas semanas atrás,
43:15melhor dizendo,
43:17a aprovação
43:19do acordo
43:19da União Europeia
43:21com o Mercosul,
43:21o que cria
43:23um contraponto
43:27a toda
43:28essa postura
43:30unilateral
43:31que veio
43:33prevalecer
43:34a partir
43:34de 2025.
43:36Como se a União Europeia
43:37esquecida
43:38dentro do jogo
43:39geopolítica,
43:40acordou
43:40e percebeu
43:41que a melhor hipótese
43:42que tinha
43:43para se colocar
43:44no xadrez
43:45internacional
43:46era aquela
43:47que já estava
43:48há 25 anos
43:49em negociação,
43:50pronta para ser
43:51aprovada,
43:52que é o acordo
43:53com o Mercosul.
43:54Para nós também
43:55é muito importante
43:55porque nos coloca
43:56numa posição
43:57de vantagem
43:58num continente
43:59importante
44:00que é a União Europeia,
44:0127 países,
44:03que num período
44:04de algum tempo,
44:05alguns anos,
44:06nós vamos poder
44:07trabalhar
44:07com tarifa zero
44:09em inúmeros produtos
44:11da nossa pauta
44:12de exportação.
44:14E aqui vamos
44:14concorrer
44:15com produtos
44:16importados europeus
44:17que vão trazer
44:18maior desafio
44:19para a nossa indústria,
44:20para a nossa agricultura
44:21em poder competir.
44:23E o Brasil,
44:24dentro da América Latina,
44:25também é um país
44:26articulador.
44:27Que se juntando
44:28com o México,
44:28que esse é o outro
44:29alvo
44:30dos Estados Unidos,
44:32que se juntando
44:33com o México,
44:34eles conseguiriam,
44:35então,
44:36manter
44:37uma força
44:38grande
44:39no âmbito internacional.
44:41Porque
44:41temos que entender
44:43que, assim,
44:44a nível
44:44a nível
44:45de riquezas
44:46naturais,
44:47tanto o Brasil,
44:48quanto o México,
44:49quanto a Venezuela,
44:50são países
44:51extremamente ricos,
44:54e são países
44:54extremamente
44:55necessários,
44:56digamos assim,
44:57para outros países
44:58na questão da floração.
45:00Mas também,
45:00eles são ricos
45:01também no sentido
45:02de que eles podem
45:04ajudar esses países
45:06também
45:06a se manter ativos.
45:08Se a maior potência
45:10do mundo
45:10tem uma posição
45:11tão radical
45:12em relação
45:13às regras
45:16internacionais,
45:17fica muito difícil.
45:19Isso é muito
45:19grave
45:21no caso
45:21do Brasil,
45:22porque o Brasil,
45:23como eu disse,
45:24uma potência média
45:25regional,
45:26junto com outros
45:26países também
45:27de menor
45:31influência
45:31no mundo,
45:32dependem muito
45:33das organizações
45:34multilaterais,
45:35entendeu?
45:36E aí,
45:36sem essas
45:38organizações
45:39multilaterais,
45:40quem que vai
45:40defender
45:41os interesses
45:42dos países
45:43em desenvolvimento?
45:45Portanto,
45:46eu acho que a gente
45:47tem que continuar
45:48a falar do
45:49multilateralismo,
45:50mas sem
45:51imaginar
45:52que o que nós
45:53vamos pregar,
45:55vamos defender,
45:56vai ser
45:57vencedor,
46:00porque
46:00hoje
46:01o que prevalece
46:03é a lei da selva,
46:05os interesses
46:06individuais,
46:07sem nenhuma
46:08importância
46:11dada
46:12às organizações
46:13multilaterais.
46:15Eu acho que o Brasil,
46:16em algum momento,
46:17vai ter que sair
46:18do discurso
46:19mais,
46:21assim,
46:21vamos chamar,
46:21multilateral
46:22e
46:23de obediência
46:26fundamentada
46:29às regras
46:29de comércio
46:30internacional
46:30e buscar
46:32a proteção
46:33de alguns setores,
46:34seja por salvaguardas
46:35ou por
46:36tarifas
46:37alíquotas de importação,
46:39para que esses setores
46:40estratégicos
46:41não
46:42sucumbam
46:44à concorrência
46:46internacional,
46:47muitas vezes
46:48desleal até.
46:50Então,
46:50o Brasil,
46:51hoje,
46:52tem que ter uma
46:53política muito
46:53cautelosa,
46:55evitar a gente
46:56se filiar,
46:57se alinhar
46:59automaticamente
47:00a qualquer país,
47:01tanto a China
47:03como os Estados Unidos,
47:04quanto a grupos
47:05de países.
47:06Enfim,
47:07nós temos que ter
47:07uma política
47:08cautelosa,
47:11cuidadosa,
47:12enquanto a gente
47:13não consegue
47:13recuperar
47:15essas vulnerabilidades
47:17todas que nós
47:18temos
47:18e que apareceram
47:20ao longo
47:20desses últimos
47:21anos,
47:22dezenas de anos,
47:24várias décadas.
47:25O Brasil tem
47:26muita,
47:27muita condição
47:28de evoluir,
47:29eu sou otimista
47:30em relação ao Brasil
47:31nesse aspecto,
47:32mas,
47:32volto a dizer,
47:33o programa
47:34tem que ser cumprido,
47:35não basta ficar
47:36na prateleira
47:37para a gente ler
47:39e achar muito bonito
47:40se ele não
47:40foi executado.
47:42Então,
47:42agora,
47:43cabe a execução
47:44desse programa,
47:45que é um programa
47:46plurianual,
47:47não é um programa
47:47que começa
47:48e termina
47:49em meses,
47:50é um programa
47:50de médio e longo prazo,
47:52mas que começou
47:53muito bem.
47:54Pensando como
47:55brasileiro,
47:56via de regra,
47:57o período de transição
47:58hegemônica
47:59para nós
47:59costuma ser melhor.
48:00O Brasil tende
48:01a se aproveitar
48:02dessas situações
48:03justamente para se aproveitar
48:05das potências
48:06de disputa
48:07para ver quem
48:08que obtém
48:08uma vantagem maior.
48:10Entretanto,
48:10como agora a gente
48:11está vendo
48:11as ações imperialistas
48:13do Donald Trump
48:14cada vez mais
48:15acampadas,
48:16é improvável
48:17que os Estados Unidos
48:18estejam comportáveis
48:19com uma presença
48:21chinesa significativa
48:22no nosso país.
48:23Então,
48:23mesmo para nós,
48:24ainda é difícil
48:25saber exatamente
48:26quem se beneficiaria.
48:27se nós não desenharmos
48:29uma estratégia
48:31de médio e longo prazo
48:33na defesa
48:34do interesse brasileiro,
48:36se nós não tivermos
48:37uma nova concepção
48:40do Estado
48:41em que a gente
48:42defenda
48:43aquilo que nós temos
48:45como um bem positivo.
48:49O Brasil
48:49tem uma série
48:51uma série
48:52de vantagens
48:54sobre outros países,
48:55na questão
48:56do mineral,
48:58na questão
48:58do volume
49:01de águas,
49:02da biodiversidade.
49:04E isso tudo
49:05nós temos que
49:06ter uma política
49:09que faça
49:10com que isso
49:11seja
49:12um instrumento
49:13para a defesa
49:14dos interesses brasileiros.
49:16O mundo
49:18atravessa
49:19uma transição
49:20profunda
49:20e o futuro
49:21não será definido
49:22por um único vencedor,
49:24mas pela habilidade
49:26dos atores globais
49:27de navegar
49:28em um mundo
49:29menos organizado,
49:30mais disputado
49:31e permanentemente
49:33instável.
49:36Existe
49:36uma tensão
49:38geopolítica
49:39entre três países,
49:41desde a invasão
49:43da Ucrânia
49:43pela Rússia,
49:44criou-se
49:47essa
49:47expectativa,
49:50esse receio
49:52de que
49:54as regras
49:57do direito
49:58internacional
49:59e a invasão
50:00extraterritorial
50:01podem acontecer.
50:05E o expansionismo
50:07da Rússia,
50:09da China
50:09e dos Estados Unidos
50:10passou a ser
50:12hoje em dia
50:12uma regra.
50:14Estados Unidos
50:15falando em
50:16exercer soberania
50:17sobre Groenlândia,
50:19fazendo a extração
50:21do presidente
50:23da Venezuela
50:24e criando
50:25uma nova situação
50:28ainda incerta
50:29sobre o futuro
50:29do país,
50:31falando de
50:32possíveis intervenções
50:34em outros países
50:35latino-americanos,
50:37especialmente Cuba,
50:38e por aí vai.
50:41E a China
50:42com sua histórica demanda
50:44sobre Taiwan,
50:47que de fato
50:47é parte da história
50:48chinesa,
50:49parte do continente
50:50chinês,
50:51vamos assim chamar,
50:52e da cultura
50:52chinesa,
50:53mas é um território
50:54independente
50:55há mais de
50:5670 anos,
50:5780 anos,
50:58quase.
50:59Então,
51:00tudo isso
51:02gera muita tensão
51:03e o comércio
51:04afeta
51:06essa situação
51:08geopolítica,
51:09porque os países
51:10têm interdependência
51:12comercial.
51:14E aí começam
51:15as ameaças.
51:16Então,
51:17a China
51:17ameaça
51:18a não fornecer
51:19os metais
51:20críticos
51:21para os Estados Unidos.
51:22Os Estados Unidos
51:23colocam
51:25retaliações
51:26em relação
51:26à China,
51:27especialmente
51:28na área
51:28de semicondutores
51:30do TIPS,
51:31que a China
51:32também precisa
51:33para desenvolver
51:34a inteligência
51:35artificial.
51:37A Rússia,
51:39com sanções
51:40econômicas,
51:41enfrenta
51:42uma situação
51:42instável
51:43na sua economia,
51:46na produção
51:46de petróleo,
51:47metais,
51:48e fertilizantes
51:50e outros produtos
51:51que estão
51:51limitados
51:53no comércio
51:53internacional,
51:55os ativos
51:56internacionais
51:57da Rússia
51:58bloqueados.
51:59Veja quanta coisa,
52:01portanto,
52:01que tem no ar
52:02e que gera
52:03tensão.
52:04Cada uma
52:05dessas ameaças
52:06evidentemente
52:08está lá
52:08na linha
52:09de prioridade
52:11do outro
52:12que se sente
52:12ameaçado.
52:14Então,
52:14essas negociações
52:15estão aí
52:17suspensas
52:18no ar
52:18e cada qual
52:19vai fazendo
52:20o seu jogo
52:21de cena
52:23no xadrez,
52:24colocando
52:24suas peças
52:26em posição
52:26de ataque,
52:27de defesa,
52:28mas nós não sabemos
52:29qual vai ser
52:30o final
52:30desse jogo.
52:31tudo depende
52:32do futuro
52:33dos Estados Unidos.
52:36Será que
52:36Trump
52:37manterá
52:39o seu legado?
52:40Porque ele não
52:41poderá se
52:41reeleger,
52:43mas há quem
52:43diga que
52:44Rubio
52:44ou o seu
52:46vice
52:46Vance
52:47são seus
52:47sucessores.
52:49Se um dia
52:50eles se tornarem,
52:51vieram a ser
52:52presidente,
52:53esse processo
52:53pode o quê?
52:54Se manter,
52:56se intensificar.
52:57Uma coisa
52:58é certa,
52:59o direito
53:00internacional
53:01vai passar
53:02por um processo
53:03o quê?
53:05De
53:05reformulações.
53:08Parece,
53:09infelizmente,
53:09que nós
53:10nos esquecemos
53:11que diplomacia
53:12não é conversar
53:13com seus amigos.
53:14Diplomacia
53:15é conversar
53:15com aqueles
53:16que lhe opõem,
53:17com aqueles
53:17que lhe são contrários
53:18e, por essa razão,
53:20você ter um fórum
53:21como as Nações Unidas
53:22é importante.
53:23Agora,
53:23os países
53:24usam isso
53:25conforme
53:26aos seus desejos,
53:28aos seus objetivos
53:29e, obviamente,
53:30reduzem a importância
53:32da organização.
53:34Mas eu espero
53:34e acredito
53:35que,
53:36passado este momento
53:37de turbulência,
53:38se entenda
53:39que é melhor
53:40nós termos
53:40de fóruns,
53:41de diálogo,
53:42porque não temos nada.
53:44Então,
53:44existe uma questão
53:45de codependência,
53:46vamos chamar assim.
53:47Essa ideia
53:48de que não existe
53:49codependência
53:51é uma falácia.
53:52Todo país
53:53que tem poder
53:54com outro país
53:55que diz
53:55ou que se imagina
53:56que não tem poder,
53:58existe uma codependência.
54:00Um precisa do outro
54:01para poder se manter.
54:03Nas relações políticas
54:04é sempre assim.
54:07E esse espaço surge.
54:09Só que esse espaço
54:10se vai dar graças
54:11aos interesses,
54:12aos diálogos,
54:12aos debates
54:13que estejam
54:14sendo formulados.
54:16Nós temos que,
54:17daqui para frente,
54:18olhar o interesse
54:19brasileiro
54:20em primeiro lugar,
54:21entendeu?
54:22Sem, como eu disse,
54:23sem partidarização
54:25e sem ideologização,
54:26porque isso
54:27leva imediatamente
54:29a você
54:30se filiar
54:31a um dos
54:32polos
54:33de poder,
54:34ou chinês
54:35ou americano.
54:37E isso,
54:38na minha visão,
54:39é muito negativo.
54:40Eu sei que é difícil,
54:41mas nós temos que enfrentar
54:42e a diplomacia brasileira
54:44é qualificada
54:46para fazer isso,
54:47entendeu?
54:47Então,
54:48tem que voltar
54:49às origens
54:51da diplomacia
54:53com o Rio Branco.
54:54Em 1903,
54:56quando ele
54:57tomou posse
54:58com o ministro exterior,
55:00ele,
55:01no discurso de posse,
55:02foi muito claro.
55:03Ele era monarquista,
55:05ele era filiado
55:07a um partido conservador,
55:08e ele assumia
55:09a pasta,
55:10convidado pelo
55:11Prudente de Moraes,
55:12da pasta do exterior,
55:13do Ministério do Exterior.
55:15E ele disse,
55:15no discurso de posse,
55:17que,
55:17enquanto ele fosse ministro,
55:19os partidos políticos
55:21não teriam ingerência
55:22na política externa.
55:24que a política externa
55:26seria acima
55:27dos partidos políticos,
55:28dos interesses políticos.
55:30E é isso
55:30que nós temos
55:31que reeditar agora
55:32nesse mundo
55:33em transformação
55:35e com grandes desafios
55:36para o Brasil.
55:44O documento Jovem Pan
55:46fica por aqui.
55:47Assista a esse
55:48e a outros programas
55:49no canal do YouTube
55:50da Jovem Pan
55:51e no aplicativo Panflix.
55:53E se você estiver
55:54nos assistindo
55:55pelo YouTube,
55:56não esqueça
55:57de deixar seu like.
55:59Uma ótima noite
56:00para você
56:00e até mais.
56:01documento Jovem Pan.
56:22A opinião dos nossos comentaristas
56:24não reflete necessariamente
56:26a opinião do Grupo Jovem Pan
56:28de Comunicação.
56:33Realização Jovem Pan
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56:37Jovem Pan
56:38Jovem Pan
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