00:00sobre a história do Banco Master, né?
00:02Assunto pra gente resumir isso tudo com o nosso analista que chega agora ao vivo, o Alberto Laje.
00:09Alberto, ótima tarde a você.
00:11São vários os assuntos, na verdade, tanto a transferência do ex-presidente,
00:15quanto também essa mudança no Ministério da Justiça e também a história do Banco Master.
00:21Queria ouvir de você a sua avaliação dessa semana, o roteirista de Brasil,
00:27que nunca descansa e essa semana teve muito serviço, né?
00:31Olha, essa semana foi marcada, eu acredito que por um ponto que eu considero fundamental
00:39pra gente analisar aí, pra quem trabalha com política como eu,
00:43que é ver como são construídas as relações em Brasília.
00:49A gente tem, e isso se normalizou no Brasil, se normalizou falar, por exemplo,
00:55que a pessoa conversa com o ministro do STF-X e não conversa com o Y.
01:01Saiu agora que a Michelle Bolsonaro procurou o Gilmar Mendes, e já é público, né?
01:07Que o próprio Jair Bolsonaro orientou os filhos dele a não brigarem com o Gilmar.
01:14Teve o caso famoso, até o Nicolas Ferreira criticou a filha dele, a professora Laura Schertel,
01:20e mudou de ideia, a crítica sumiu.
01:24Então, você tem pessoas em Brasília que têm relações.
01:28E você tem pessoas em Brasília que exageram nas relações.
01:36Ficou muito claro aí.
01:38Conseguiu-se tirar um foco, por exemplo, do Alexandre de Moraes,
01:42e o assunto do Brasil passou a ser diastófole.
01:44É surpreendente isso, e ao mesmo tempo, talvez até preocupante,
01:51porque a gente viu grupos políticos muito fortes para ir atrás do Alexandre de Moraes,
02:00assim, muita coragem para ir atrás do Alexandre de Moraes,
02:02quando o assunto era reverter a prisão do Jair Bolsonaro.
02:07Quando o assunto passa a ser o Banco Master,
02:13eu vejo, talvez, só o senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe,
02:19se movimentando nesse sentido.
02:23E me permita que, se é até bem cínico,
02:28o Brasil tem bancos muito maiores que o Banco Master.
02:30Os grandes bancos brasileiros, os que a gente chama de bancões aí,
02:37eles ou baixou neles um senso de republicanismo muito grande
02:44a ponto de eles acharem que o Brasil era Suécia,
02:47ou eles simplesmente comeram mosca em trabalhar, em fazer política em Brasília.
02:54Já que a gente normalizou isso de todo mundo fazer relações políticas,
02:59já que a gente normalizou esse tipo de comportamento,
03:02me parece que o setor financeiro, os grandes bancos brasileiros,
03:07esqueceram disso.
03:09Porque um cara como o Daniel Vorcar,
03:13que é, para o padrão dos grandes banqueiros brasileiros, pobre,
03:18não pode até ficar dono da República assim tão facilmente.
03:22Rodolfo também está conosco e faz uma pergunta agora.
03:26Rodolfo.
03:27É, eu estou tentando entender o ponto de vista que foi colocado aqui,
03:32porque mesmo o Banco Master não sendo um banco gigantesco,
03:36foi um banco, é um banco pequeno, que teve boas relações.
03:40E boas relações, eu coloco entre aspas,
03:42porque não sei dizer se todas as relações políticas são boas relações.
03:47E o que a gente está vendo agora é um interferimento exacerbado
03:50de um ministro do STF, como o Dias Toffoli,
03:52tentando colocar aqui um poder de polícia e tentando, de alguma forma,
03:57colocar panos quentes ou acobertar a investigação que cabe à Polícia Federal.
04:02Então, eu não sei se o Vorcar é tão pequeno quanto a gente pensa
04:05e se esse Banco Master é tão pequeno quanto a gente imagina.
04:07Eu queria a sua opinião sobre isso que eu acabei de falar.
04:10Com certeza, ele é o maior em relações em Brasília.
04:16E é isso que me assusta.
04:21Vamos, a gente não devia nem estar falando de relações em Brasília.
04:27Assim, no mundo real, no mundo ideal,
04:31eu não devia nem estar comentando isso aqui.
04:33Se o Banco X tem relações em Brasília
04:37ou se o Banco Y tem relações em Brasília.
04:40Isso não é razoável, isso não me parece aceitável
04:44num cenário ideal, num cenário utópico da democracia plena.
04:51Mas, voltando aqui para o terceiro mundo,
04:54é um banco que tem um poder de fogo
05:00muito menor do que os outros bancos,
05:02mas que gastou muito para conquistar essas relações
05:07que patrocinou muitos eventos.
05:09A gente toda vez tem notícia de festas, jantares, contratos.
05:14E já que a gente está falando desse assunto,
05:18já que se normalizou, o fato é esse.
05:21A imprensa hoje dá como normal.
05:23Notícia de troca de cargos em ministérios
05:26por partido político, a gente vê aí.
05:30Troca no Ministério do Turismo.
05:32Isso se trata com a normalidade tão grande no Brasil
05:35que a gente tem que começar a ousar mais e pensar bem.
05:41Está todo mundo fazendo isso?
05:43Os outros bancos não fizeram?
05:45O Banco Master faz mais?
05:48O que está acontecendo?
05:49É uma pergunta sem resposta.
05:53Os assuntos são diversos nessa repercussão da última semana.
05:57A gente viu hoje, agora há pouco, na verdade, também,
06:00essa assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul também.
06:05Eu queria a sua análise sobre a ausência do presidente Lula hoje
06:09no evento em Assunção.
06:11Como fica após esses 26 anos de articulações,
06:14de negociações, Lula não querer comparecer
06:17no momento da assinatura ao lado de Javier Millet, inclusive?
06:22Eu não vejo como especialmente problemático.
06:26Eu imagino que o Lula esteja pagando pedágio
06:29para uma parte da esquerda brasileira
06:32que é contra o livre comércio.
06:35Isso é um fato.
06:36Você tem setores, por exemplo...
06:41Setores do PSOL se manifestaram nos últimos dias
06:44como se o acordo de livre comércio com o Mercosul
06:49fosse acabar com a indústria brasileira.
06:52Pobre coitado da indústria brasileira
06:54que precisa de subsídio e incentivo do governo
06:58desde antes da minha mãe nascer.
07:00Porém, o presidente Lula teve com a Ursula von der Leyen ontem.
07:05Já publicou o seu material nas mídias sociais.
07:09A Ursula von der Leyen já bajulou o Lula
07:13até mais do que deveria.
07:15Eu acredito que o papel dele ali está cumprindo.
07:19O fato é que está entregue um acordo de livre comércio
07:24muito relevante.
07:25O Javier Milley, a gente teve notícia há alguns dias,
07:31deu sinais falando assim
07:32vou sair do Mercosul e buscar um acordo de livre comércio
07:37com os Estados Unidos.
07:39Mas os Estados Unidos não estão exatamente
07:41na melhor fase de livre comércio deles.
07:45Eles estão com uma política bem protecionista
07:48que o Brasil conhece bem.
07:49Eu acho que o Lula escapou bem de tentar gerenciar
07:55esse problema interno aí do PT
07:58e de setores como o PSOL
08:01e entregar o acordo que vai ser muito útil
08:03principalmente para o agronegócio brasileiro.
08:07Então, talvez essa tenha sido uma das raras oportunidades
08:10que o Lula tenha entregue
08:13a tal da frente ampla que ele prometeu.
08:15um governo que é tão centralizado na esquerda
08:20ter conseguido abrir negócios,
08:23abrir frente de livre comércio
08:25num negócio que beneficia principalmente
08:28o agronegócio brasileiro
08:29que não é exatamente lulista.
08:32Rodolfo?
08:33Me desculpa, mas eu vou continuar insistindo
08:35na pergunta do Bruno Pinheiro
08:36porque há 25 anos
08:39tenta ser um acordo de tamanha magnitude.
08:42A Dilma Rousseff tentou fazer isso anos atrás
08:44mas ele também não conseguiu.
08:46Então, a presença do maior líder aqui do Brasil,
08:49do líder executivo, nosso presidente da República,
08:51a presença dele no Paraguai
08:52deveria ter sido...
08:55Ele deveria ter ido na minha concepção.
08:58Justamente por conta disso.
08:59Porque é um marco para o Brasil.
09:01Ele estava ali à frente de outros líderes
09:03e de todos os líderes do Mercosul,
09:05o Lula foi o único que preferiu
09:07estar na Casa da Moeda ontem
09:08comemorando os 90 anos do salário mínimo.
09:12Isso talvez sinalize alguma coisa
09:15de que ele não queira se misturar
09:17com outros líderes da direita
09:18ou estou sendo muito pragmático?
09:22Eu realmente não tenho informação suficiente
09:25para comentar isso.
09:28Eu vejo...
09:29A informação que eu tenho
09:30é que existiu, de fato,
09:32uma resistência interna na esquerda brasileira
09:35a esse tipo de acordo.
09:36Mas que o Lula,
09:38como ele fez muitas vezes,
09:40é bom lembrar que o PSOL, por exemplo,
09:42só existe porque o Lula fez a reforma da Previdência
09:45no primeiro mandato dele.
09:48Então,
09:50num dos poucos gestos
09:52mais ao centro dele,
09:55ele conseguiu entregar o acordo.
09:58Agora, o simbolismo dele ir ou não ir,
10:00eu não sei dizer se é relacionado
10:03a essa esquerda que é realmente contra o livre comércio
10:06ou se é uma escolha política
10:10mais profunda do que isso
10:12para não encontrar com o Milley.
10:14Eu não imagino que o Javier Milley
10:15ia fazer algum absurdo com ele,
10:18alguma coisa que fosse causar algum problema.
10:20Estava todo mundo ali
10:21numa cerimônia muito elegante.
10:24E, aliás,
10:26o assédio do Mercosul
10:28é no Paraguai
10:29mais ou menos para isso também,
10:30para não...
10:32Ninguém espera que o Paraguai
10:33faça grandes conflitos,
10:36é ali um território neutro,
10:38da mesma forma que a União Europeia
10:40pôs assédio deles na Bélgica.
10:43Eu não imagino que
10:44pudesse ter sido um evento trágico
10:47para o Lula.
10:48Por isso que eu não consigo...
10:51Aliás, eu não consigo sentir tanta falta do Lula
10:53assim no evento, não.
10:54É isso.
10:56A gente segue repercutindo aqui.
10:58São quatro horas e dezoito minutos.
11:00Alberto Laje,
11:00muito obrigado pela entrevista
11:02e por nós nos ajudar a entender
11:03um pouco mais
11:04essas últimas movimentações
11:06desta semana
11:07na capital federal
11:09e como um todo, inclusive,
11:10sobre esse acordo do Mercosul.
11:12Muito obrigado, Alberto.
11:14Obrigado.
11:14Prazer estar aqui com vocês.
11:15Ótimo final de semana.
11:16Seguimos ao vivo,
11:17girando a reportagem...