00:00Olha, ainda consequências do conflito. A previsão do mercado financeiro para o IPCA, que é aquela referência oficial da inflação
00:06no país, subiu de 4,31% para 4,36% no fim deste ano e principalmente, claro, devido aos
00:14impactos da guerra no Irã.
00:16Quem tem os detalhes pra gente é o Rodrigo Viga.
00:18Pela quarta semana consecutiva, o mercado financeiro elevou a projeção para a inflação brasileira nesse ano de 2026.
00:25Ela, agora, deve fechar o ano em 4,36% segundo o boletim Focus do Banco Central, que houve mais
00:35de 100 especialistas e analistas.
00:38Há quatro semanas, essa projeção era de 3,91%.
00:42E na semana passada, o mercado financeiro estava estimando que o IPCA, o Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo
00:49do IBGE, seria de 3,91% no encerramento desse ano de 2026.
00:55Muito por trás dessas projeções mais pessimistas, cenário de guerra entre Estados Unidos e Irã e suas consequências para a
01:06economia e a macroeconomia.
01:08Ainda assim, essa projeção de 4,36% colocaria, se se confirmar, o IPCA dentro do teto da meta para
01:18esse ano de 2026.
01:20O centro da meta é de 3%, a margem de tolerância é de 1,5% para cima ou para
01:26baixo, ou seja, no limite, a inflação pode chegar a 4,5%.
01:31Letícia Moschione, sócia da Finscale, analisa aqui na Jovem Pan essas novas projeções do boletim Focus do Banco Central.
01:40O foco saiu hoje e trouxe um retrato que já não surpreende, mas que precisa ser dito com muita clareza.
01:46A inflação para 2026 subiu pela quarta semana seguida.
01:50O PIB não saiu do lugar e é exatamente aí que mora o problema.
01:53Porque quando o preço sobe e a economia não cresce junto, o que a gente tem é um país perdendo
01:58eficiência.
01:59Simples assim.
02:00Isso está mudando o comportamento de quem investe.
02:02O mercado está mais defensivo, buscando proteção, priorizando liquidez.
02:06Juros alto por mais tempo significa crédito mais caro, menos apetite a risco e mais pressão em cima de quem
02:12depende do financiamento para operar.
02:14Construção, consumo, pequenas empresas.
02:17E o Banco Central fica numa posição extremamente difícil.
02:20Inflação que não ancora, crescimento que não vem.
02:23O espaço para cortar juros encolheu.
02:25E o risco de manter a Selic nesse patamar por mais tempo é real.
02:29No curto prazo, três coisas vão ficar no radar.
02:31Bolsa mais instável, dólar pressionado e crédito cada vez mais seletivo.
02:36O Focus é um termômetro.
02:37E o que ele está medindo hoje é um mercado que trocou otimismo por cautela.
02:41Outras projeções macroeconômicas, como PIB e taxa Selic, ficaram estáveis essa semana em relação à semana passada.
02:50O Boletim Focus manteve a perspectiva de crescimento da economia esse ano em 1,85%.
02:56E a taxa Selic encerrando o ano em 12,50%.
03:02Hoje, ela está em 14,75%.
03:06Gustavo Pérez, economista-chefe da Suno Research, analisa aqui na Jovem Pan essas projeções atualizadas para a macroeconomia brasileira.
03:17Boletim Focus divulgado esta semana trouxe uma pior das expectativas de inflação.
03:21O mercado e os economistas fizeram para cima muito por conta do conflito, da alta do petróleo e dos impactos
03:28para diversos preços da economia brasileira, em especial os combustíveis.
03:32Mesmo com as medidas do governo para tentar reduzir o impacto, a inflação tem de ser maior no curtíssimo prazo.
03:40Nós revisamos as nossas projeções, principalmente para março, abril e maio.
03:45Isso vai demandar uma postura cautelosa ainda para o Banco Central, que ainda, ao nosso ver, deve continuar cortando juros,
03:53porque conseguiu, ao elevar a taxa de juros para 15%, uma gordura, uma margem de segurança,
03:59que produziu efeitos benignos, importantes, para desacelerar a economia, o crédito, melhorar as expectativas.
04:06Mas, de fato, o conflito trouxe uma volatilidade extra, que vai demandar uma postura ainda bastante cautelosa por parte da
04:13autoridade monetária,
04:14em meio, é claro, de uma inflação que vai seguir relativamente pressionada.
04:19O COPOM, Comitê de Política Monetária, começou a trajetória de corte nos juros, agora, na última reunião do mês de
04:26março.
04:27Mas, diante do ambiente de guerra, o corte, que poderia ser de meio ponto percentual, ficou apenas em 0,25
04:36ponto percentual.
04:37Do Rio, Rodrigo Viga.
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