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A OPEP+ decidiu manter a pausa nos aumentos da oferta de petróleo no primeiro trimestre do ano, diante do excesso de suprimento nos mercados globais. A decisão foi tomada mesmo após a ofensiva dos Estados Unidos à Venezuela. Para falar sobre o assunto, a Jovem Pan entrevista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
Entrevistado: Adriano Pires

Assista ao Jornal da Manhã na íntegra: https://youtube.com/live/v0ml02Zs3GY

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Transcrição
00:00Voltamos a falar aqui de Venezuela, porque a OPEP+, concordou em manter a produção de petróleo estável na última reunião.
00:08A informação foi dada pelo grupo num comunicado.
00:10Apesar das tensões políticas entre os membros Xavi, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos,
00:16e da prisão do presidente da Venezuela, que também é produtor de petróleo, pelos Estados Unidos.
00:21Sobre o assunto, a gente conversa agora com Adriano Pires.
00:24Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
00:27Professor, bom dia. Obrigado por atender a Jovem Pan.
00:31Bom dia, Donato. É um prazer falar com você, a Jovem Pan.
00:34A informação que a gente tem é de que a OPEP nem chegou a discutir a situação da Venezuela nessa reunião.
00:41Apenas optou pela manutenção, pela estabilidade no preço do petróleo.
00:47E a gente está sempre dizendo, a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo.
00:52É que em termos de produção e exportação, não é tão relevante assim, professor?
00:57Exatamente, Donato. A Venezuela tem umas reservas gigantes, a maior do mundo, de 300 bilhões de barris.
01:05Em segundo lugar, a Arábia Saudita é com 250 bilhões de barris.
01:09Mas a produção venezuelana é muito baixa.
01:12Cerca o de hoje se fala de um milhão de barris dia.
01:15Tem gente que fala que é até menos que isso.
01:17Você sabe que regimes diretoriais não tem transparência em números e estatística.
01:22Então, ao certo, ninguém sabe qual é a produção da Venezuela hoje.
01:26Só sabemos que ela é muito pouco relevante em termos de cenário de mercado de petróleo internacional.
01:33E como exportador também.
01:35Ela exporta hoje para a China, para a Cuba, até para os próprios Estados Unidos.
01:40Porque a Chevron tem uma operação pequena de produção de petróleo lá na Venezuela.
01:46Mas também é um número insignificante.
01:48Então, a Venezuela tem um papel hoje na OPEP muito pouco relevante.
01:52Inclusive, apesar dessa produção da Venezuela ser muito pequena,
01:57em termos de receita para o governo venezuelano, é muito alta.
02:01Porque lá você tem uma economia totalmente combalida.
02:04Então, se fala que hoje 60% da receita do governo venezuelano
02:09ainda vem da produção de petróleo.
02:13Inclusive, a Venezuela não tem respeitado, por exemplo, acordos de preço da OPEP.
02:18E tem vendido até petróleo em mercado paralelo.
02:21São esses navios meio fantásticos que o pessoal fala que saem da Venezuela com petróleo.
02:26Levando petróleo para outros lugares do mundo.
02:28Mas não é contabilizado isso no mercado internacional de petróleo.
02:33Então, essa crise da Venezuela, essa prisão do Maduro,
02:36e essa invasão dos Estados Unidos, afeta pouco.
02:42Você vê que hoje o mercado de petróleo abriu em baixa.
02:45Depois ele voltou a subir um pouquinho, está volátil.
02:48Mas a tendência é ficar o preço igual ou até cair, Donato.
02:51Porque, diferentemente da guerra, quando teve a guerra da Ucrânia com a Rússia,
02:55naquele momento a Rússia produzia 9 milhões de paris dia.
02:58E as sanções que estavam sendo impostas, o mercado achava que você ia ter uma redução de produção de petróleo e até de gás natural.
03:07Porque a Rússia era o grande ofertante de gás natural para a Europa.
03:12E não deu outro número.
03:14O petróleo chegou a subir para mais de 100 dólares.
03:17Nesse caso, agora não acontece isso.
03:19É o contrário.
03:19Porque a expectativa da volta de empresas americanas para a Venezuela,
03:25a expectativa para a Venezuela pode se tornar outra vez um país importante na produção de petróleo mundial,
03:33pode até estar trazendo essa estabilidade de preço até uma queda.
03:37Porque, na realidade, baixar a produção não vai afetar a empresa.
03:41E a expectativa de aumentar a produção, aumenta a oferta.
03:44E como o mercado de petróleo hoje está com uma oferta maior que demanda de petróleo,
03:50o preço já está meio que embaixo.
03:52Então, essa crise da Venezuela, essa expectativa, eu volto a repetir,
03:55de entrada de empresas americanas, ao invés de fazer com que o preço do petróleo aumente,
04:00vai fazendo o curto prazo do preço do petróleo, com uma trajetória de queda.
04:05Agora, o senhor vê que esse plano de Donald Trump, ele é realista, né?
04:09Porque ele fala, inclusive, até em reconstruir a infraestrutura.
04:13Agora, imagina-se que para aumentar a produção venezuelana, deve ter bastante dinheiro,
04:18deve ser um gasto muito grande, né?
04:21Olha, eu acho que, eu espero que sim, né?
04:23Porque a Venezuela é um país que precisa voltar para o mercado internacional.
04:27A população venezuelana precisa outra vez ter emprego, ter renda, né?
04:31É sair dessa situação precária que o país vive hoje, né?
04:36Que hoje, o que mais a Venezuela exporta são pessoas, né?
04:39É, agora, realmente a gente não sabe, né?
04:43A situação atual dos campos de petróleo na Venezuela, né?
04:46A gente não sabe o quanto tempo e quanto dinheiro vai ser preciso
04:50para se recuperar a produção.
04:52O que a gente sabe é que tem muito petróleo lá, né?
04:55E esse petróleo, a razão da queda da produção,
04:59que já foi de mais de 3 milhões para regir,
05:02hoje está em torno aí de 1 milhão, como eu falei, ou menos de 1 milhão,
05:04é a falta de investimento, né?
05:06A falta de equipamento adequado, a falta de mão de obra mais especializada.
05:10Então, se os Estados Unidos conseguem trazer de volta
05:13aquele modelo anterior a Chaves,
05:15onde você tinha empresas privadas explorando petróleo na Venezuela,
05:21aí sim você pode voltar a Venezuela a ser um grande protagonista
05:24na cena internacional do petróleo.
05:25Agora, quanto tempo isso vai demorar e quanto dinheiro vai ser preciso,
05:29é muito difícil a gente falar agora, né?
05:30Porque, volto a dizer, transparência é uma coisa que não existe em regime de ditadura.
05:36Professor Adriano Pires, olhando para esse ponto que o senhor está citando aqui,
05:41essa possibilidade até de uma ampliação do mercado de petróleo venezuelano
05:46com mais relevância, globalmente falando,
05:49que tipo de impacto isso teria para nós aqui no Brasil?
05:53Olha, Leonardo, o impacto, né, quer dizer,
05:56para as petroleiras em geral e para a Petrobras,
05:58é de um aumento de oferta maior ainda do que já existe hoje, não é bom, né?
06:04Porque isso significa que o preço do petróleo vai continuar
06:07numa trajetória esse ano de 26 de baixa, né?
06:10Mas para a economia mundial é positivo,
06:13porque significa inflação menor,
06:15significa a volta do crescimento econômico.
06:17O crescimento econômico acontece, acontecendo,
06:19pode ser lá que em 27, 28,
06:21você tem uma retomada do crescimento do consumo do petróleo
06:25e até os preços voltem a ficar mais altos.
06:28Agora, para o Brasil, quer dizer, também estamos na mesma página.
06:33Para a Petrobras não é um bom negócio, porque ela perde receita.
06:36A Petrobras é uma exportadora de petróleo,
06:38ela também vende gasolina e diesel e com o petróleo mais baixo,
06:41a gasolina e o diesel ficam mais parados, né?
06:44Então a receita também cai com a venda de gasolina e diesel e de outros derivados.
06:47E a Petrobras tem um problema também sério,
06:50que tem uma dívida de hoje 75 bilhões de dólares,
06:54que se o petróleo ficar em torno de 55 dólares,
06:57isso pode fazer com que a dívida da Petrobras,
06:59no final do ano, até ultrapasse 100 bilhões de dólares,
07:02que ela não vai gerar caixa suficiente para atender a dívida.
07:06Vamos ver como é que fica esse preço,
07:07está hoje em torno de 60 dólares.
07:10Agora, para o Brasil, a economia brasileira é bom,
07:14o controle da inflação, o crescimento econômico.
07:16Agora, para o mercado de petróleo brasileiro,
07:18também tem uma outra consequência,
07:22porque agora o Brasil vai disputar investimentos com a Venezuela,
07:27porque a gente tem a margem cotorial,
07:29que o Ibama, finalmente, ano passado,
07:33permitiu que a Petrobras furasse o primeiro poço a margem cotorial,
07:36e todo mundo espera que na margem cotorial exista muito petróleo,
07:40mas para isso você tem que investir lá.
07:42A margem cotorial seria a substituta do pré-sal.
07:44E agora, se a Venezuela volta ao mercado,
07:47a gente vai disputar investimento das empresas petrolíferas
07:51lá com a Venezuela e com a própria Guiana,
07:53que está ali do lado também,
07:54que também já está produzindo bastante petróleo.
07:57E lembra que na Guiana,
07:59as duas maiores investidoras
08:00são as duas empresas americanas,
08:02que é a ExxonMobil e a Chevron.
08:03Então, essa demora do Ibama ter dado a licença ambiental
08:07para explorar a margem cotorial
08:08pode nos causar uma perda de oportunidades gigantes,
08:14porque a gente já poderia estar produzindo petróleo na margem cotorial.
08:19O primeiro bloco foi em 2013,
08:21então a gente está falando quase que há 13 anos
08:24que você não consegue furar a margem cotorial.
08:27Esse poço que a Petrobras teve autorização do Ibama
08:31foi um bloco leiloado em 2013,
08:34ganho pela Petrobras, pela Total e pela BP,
08:37que foi embora,
08:38porque não estava com a sequência ambiental.
08:40E aí o Brasil pode ser prejudicado, sim,
08:42porque os investimentos podem ir mais para a Venezuela,
08:46porque o risco de produção,
08:48de achar petróleo menor,
08:50o petróleo já está lá,
08:51é uma questão de se recuperar os campos.
08:53E aqui na margem cotorial você tem que tomar o risco
08:55de furar e achar ou não achar petróleo.
08:58Então isso também é outro cenário
09:01que a gente tem que estar atento,
09:02ou seja, a gente perdeu em função,
09:05acho que de uma posição muito mais ideológica
09:07e técnica do Ibama,
09:09a gente pode ter perdido uma oportunidade
09:11muito grande de investimento,
09:14de não ter concorrência de investimento da Venezuela
09:17se a gente tivesse tido mais agilidade
09:20em dar licenças ambientais.
09:21Vamos seguir acompanhando,
09:23principalmente agora nesse começo de semana,
09:25com a abertura dos mercados em todo o mundo,
09:28como o mercado vai enxergar tudo isso
09:30e como o preço do petróleo também vai se comportar.
09:33Recebemos Adriano Pires,
09:34diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.
09:37Mais uma vez, agradeço a sua participação.
09:39Bom dia para o senhor.
09:40Até uma próxima.
09:42Bom dia.
09:43É um prazer falar sempre com vocês
09:44e sempre à disposição.
09:45Um abraço a todos.
09:46Obrigado.
09:47Obrigado.
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