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O programa Fast News deste domingo (04) contou com a participação do coordenador do Centro de Estudos de Negócios Globais da FGV Lucas Ferraz para analisar o ataque dos EUA na Venezuela. Ele destrinchou os impactos econômicos, diante da decisão da Opep em manter os níveis de produção de petróleo.


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Transcrição
00:00A gente segue falando a respeito justamente do assunto desde ontem,
00:05o assunto que repercute no mundo todo, o assunto envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela.
00:09E para isso a gente recebe agora o Lucas Ferraz, que é coordenador do Centro de Estudos de Negócios Globais
00:14da Fundação Getúlio Vargas e ex-secretário de Comércio Exterior, chegando conosco agora nessa edição do Fast News.
00:22Lucas, bem-vindo, boa tarde.
00:23Eu quero saber o que esperar agora dos impactos econômicos a partir desta ação americana no território venezuelano,
00:32principalmente, claro, envolvendo o mercado de petróleo. Bem-vindo.
00:36Boa tarde, sempre um prazer estar aqui com vocês.
00:40Olha, a situação realmente muito complicada para a Venezuela e para a região, evidentemente, de uma forma geral.
00:48Vamos lembrar que desde 2013, quando Maduro assume o poder na Venezuela,
00:53após a morte do Chaves, o PIB venezuelano caiu cerca de 80% nesse período.
01:00A Venezuela, que já foi uma grande, uma significativa produtora de petróleo,
01:06chegou a uma produção nos anos 70 e também parte dos anos 90,
01:10acima de 3 milhões de barris diários de petróleo,
01:14hoje produz menos de 1 milhão de barris por dia.
01:17Está produzindo alguma coisa ao redor de 800 mil barris por dia.
01:21O que coloca a Venezuela com menos de 1% da produção mundial de petróleo hoje,
01:27sendo que ela já foi, nos anos 70 e também nos anos 90,
01:31representou ali alguma coisa como 7% da produção de petróleo.
01:35Quando a gente fala de comércio, aí vamos centrar aqui no caso brasileiro especificamente,
01:39nós já tivemos a Venezuela como um importante parceiro comercial regional,
01:46alguma coisa como 3%, representando das nossas exportações totais,
01:51sobretudo antes do chavismo e depois do Maduro.
01:56E hoje, o último dado que nós temos no ano passado,
02:00é uma Venezuela que representa cerca de 0,25% da pauta de exportações do Brasil.
02:07Então, um país realmente que está numa situação muito difícil economicamente
02:11e tem o seu principal ativo comercial, que é o petróleo,
02:16passando por um processo de desinvestimento já há muitos anos.
02:20Então, baixo nível de inversões em função da má gestão do país
02:23e evidente também, sobretudo a partir de 2017,
02:27com as sanções econômicas que foram impostas pelos Estados Unidos
02:31e especificamente a partir de 2019, com as sanções colocadas
02:37sobre as exportações de petróleo da Venezuela.
02:41Então, muito se especula atualmente sobre o que acontecerá com o preço do petróleo.
02:47E aí, acho que parte da resposta já foi dada.
02:50Quer dizer, representando hoje menos de 1% da produção mundial de petróleo,
02:55800 mil barris diários de exportados de produção,
02:59não há que se esperar grandes impactos no preço do petróleo.
03:03E vamos lembrar também que no ano passado,
03:06o preço do petróleo, o preço do barril do petróleo, o Brent,
03:09ele caiu cerca de 20%.
03:11A gente já taja, a gente já vende um processo de excesso de oferta de petróleo
03:15e esse excesso de oferta deve perdurar pelo menos até o primeiro semestre desse ano.
03:22Então, a expectativa é de excesso de oferta,
03:25uma produção pequena da Venezuela vis-à-vis outros países,
03:29como o próprio Estados Unidos, como a própria Arábia Saudita,
03:32que produzem 10 a 12 vezes mais do que a própria Venezuela.
03:36Então, nada de grandes, digamos, oscilações em termos de preço de petróleo.
03:40Mas aí tem o médio e longo prazo.
03:43É claro que tudo vai depender de como será o próximo período, digamos,
03:49desse processo que começou, que foi estartado recentemente pelos Estados Unidos,
03:53de discussão do presidente Maduro.
03:56A depender do nível de inversões que será feito no país,
03:59sobretudo no setor de petróleo, como foi frisado pelo presidente Trump,
04:04é possível que essa capacidade de oferta aumente significativamente
04:08e lá na frente os preços do petróleo voltem a cair.
04:12Mas isso vai demandar tempo, é um processo de reconstrução que não será fácil
04:16e, além de dispendioso, sob o ponto de vista de recursos financeiros,
04:22nós estamos falando aí de cifras da ordem de bilhões,
04:25de dezenas ou centenas de bilhões de dólares para reconstruir essa infraestrutura.
04:30Isso demandará muito tempo, demandará décadas.
04:32Eu sempre cito como exemplo a questão do Iraque.
04:34Na invasão do Iraque, houve ali uma queda também muito grande da produção de petróleo
04:39e a recuperação do Iraque levou cerca de duas décadas para atingir níveis de petróleo,
04:45como no passado.
04:47Então, não é um processo simples e a expectativa, pelo menos sob o ponto de vista
04:50do preço do petróleo, é que a gente tenha alguma oscilação para cima,
04:54mas nada muito significativo diante da conjuntura internacional de acesso de oferta
04:59e, localmente, falando dos baixos níveis de produção atuais da Venezuela.
05:04Ô Lucas, eu vou chamar para a nossa conversa o Bruno Pinheiro, ele vai te fazer a próxima pergunta.
05:10Ô Lucas, quero ouvir de você, e eu acho que fica claro nessas últimas horas,
05:15de que tanto a cobrança econômica quanto a cobrança de mercado,
05:19elas ditam muito mais o jogo do que os lados ideológicos extremos.
05:24Na verdade, nesse momento, nem a intervenção americana na Venezuela,
05:28nem os conflitos entre uma parte do cartel como a Arábia Saudita,
05:34Emirados levaram a uma ruptura do consenso de manter essa estabilidade.
05:40Retirado as sanções, voltando uma normalidade de um Estado democrático,
05:45a Venezuela conseguiria operar com a sua autonomia,
05:50uma capacidade muito maior do que essa que estamos vendo agora?
05:53Não tenha dúvida, né?
05:58Quer dizer, como eu disse no início da minha fala,
06:00a queda da produção de petróleo na Venezuela,
06:04ela vem, digamos, da má gestão,
06:07sobretudo da sua principal empresa, que é a PDVSA.
06:11Vamos lembrar também que houve ali a nacionalização
06:13do petróleo na época também do Chaves,
06:16Então, setores estatais, muita influência política
06:19e, mais recentemente, a questão das sanções.
06:23Tudo isso fez com que a Venezuela,
06:25que tem 17% das reservas de petróleo comprovadas no mundo,
06:29então, vamos deixar bem claro,
06:30são as maiores reservas do mundo,
06:33hoje é o país, é somente o vigésimo maior produtor de petróleo do mundo.
06:38Então, é evidente que há um espaço enorme
06:41para que a Venezuela possa produzir mais,
06:45possa gerar riqueza e, principalmente,
06:47gerar aumento de bem-estar para a sua população,
06:50que vem já há mais de um quarto de século de dominância
06:54do socialismo bolivariano, chavista e, agora, com o Maduro,
06:59sofrendo muito, uma evasão muito grande de habitantes,
07:04ou seja, cerca de 20%, mais de 20% da população
07:08saiu da Venezuela, migrou da Venezuela para outros países
07:12em função da situação crítica econômica.
07:15Então, de fato, é esperado que, se houver ali
07:18a adoção de um modelo regulatório para o setor satisfatório,
07:22que consiga atrair investimentos nas dimensões necessárias
07:26para revitalizar essa indústria, o potencial é enorme.
07:29Mas tudo isso vai depender de como será feito
07:32e qual será o amanhã para a Venezuela,
07:35depois da expulsão do Maduro,
07:37que até o momento não me parece muito claro
07:39para onde as coisas caminharão.
07:41Se vai haver uma mudança de regime,
07:43se vai haver a continuidade do regime,
07:45mas um regime mais alinhado aos Estados Unidos,
07:48se vai haver eleições na Venezuela
07:50e, eventualmente, a tomada do poder
07:55de um presidente democraticamente eleito.
07:57Enfim, tudo vai depender do que vai acontecer amanhã
08:01e da segurança jurídica e previsibilidade
08:04que poderá ser dado a esses novos investimentos
08:07que se farão necessários nesse setor tão importante
08:09para o país e para a região de uma forma geral.
08:12Muito bem, conversamos aqui com o Lucas Ferraz,
08:14que é coordenador do Centro de Estudos de Negócios Globais
08:17da FGV.
08:18Muito obrigado, viu, Lucas?
08:19Um prazer te receber aqui na Jovem Pan.
08:22Muito obrigado, sempre um prazer.
08:23Boa tarde.
08:24Até a próxima.
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