00:00Quem se junta a nós também nessa manhã é o professor de Relações Internacionais, Marcos Vinícius de Freitas.
00:05Professor, bom dia, obrigada pela sua presença aqui, pra ajudar a gente a entender um pouco e a olhar um pouco de perspectiva pros próximos dias.
00:14Bom, o Conselho de Segurança da ONU se reunindo hoje, qual deve ser o posicionamento, a postura das autoridades brasileiras?
00:22Lembrando que o Brasil não é membro permanente do Conselho, podemos esperar um discurso por parte do Brasil?
00:30Não, o discurso que o Brasil pode fazer terá, com certeza, veemência naquilo que pretende afirmar com relação à preservação do direito internacional, com relação à soberania e, principalmente, com relação à proteção da Carta da ONU.
00:46Mas, Soraya, eu tenho dividido estas manifestações com relação à Venezuela em quatro grupos, principalmente.
00:55Você tem os aduladores, que são aqueles que, por terem interesse no relacionamento com os Estados Unidos, mantêm ali uma quase que aprovação integral de tudo que Donald Trump fizer.
01:07E aí você tem o Estado de Israel, você tem também a própria Argentina nesse processo.
01:12Você tem os opositores, que são aqueles que se manifestam contrariamente a este tipo de atuação, que são China e Rússia, que têm se manifestado no sentido de que a ação viola o direito internacional.
01:28Mas nós sabemos também que, por exemplo, a Rússia perde qualquer legitimidade em razão da sua atuação na Ucrânia.
01:35Você tem os temerosos, que são os da União Europeia, que falam bastante em algumas coisas, mas que têm se calado na atuação de Donald Trump porque precisam dos Estados Unidos do ponto de vista econômico e também precisam dos Estados Unidos com relação à guerra na Ucrânia.
01:54Então são os temerosos. E, por último, você tem os eloquentes, no qual o Brasil se enquadra, junto com o Chile, com o México, com a Espanha, que tendem a falar, a abordar a questão do direito internacional, a questão da soberania, mas com pouco poder efetivo de alteração.
02:13Porque a impressão que se tem é que, por mais que se critique os Estados Unidos, eles ainda têm uma participação global muito importante, ainda são uma potência muito relevante no cenário internacional, contribuem efetivamente no orçamento da ONU, com mais de 20%, e são aí o elemento essencial deste contexto.
02:36Eu acho difícil isso reverter a ação de Donald Trump e ele devolver Maduro para a Venezuela. Até porque, a essa altura do campeonato, o povo venezuelano está celebrando a saída de Maduro.
02:48Professor, olhando de uma maneira mais global, a gente pode dizer que o mundo hoje está sob influência de três potências?
02:57Estados Unidos, com essa ação que fez para retirar Maduro, a própria Rússia, até pelo arsenal nuclear que possui, por toda a rivalidade que sempre representou para o mundo ocidental, e a China, pelo seu potencial e pela possibilidade até de tentar recuperar Taiwan, ou seja, são três pontos de influência global hoje ou não?
03:24Sim, nós temos aí um mundo mais multipolar, mas eu acredito que quando você olha, Nonato, para a situação atual, nós temos de fato duas potências globais.
03:40As duas são nuclearmente armadas, que são China e Estados Unidos, e as duas são extremamente importantes do ponto de vista econômico.
03:50A Rússia tem um papel muito importante em razão do seu arsenal nuclear, que nunca e jamais deve ser desmerecido, até porque o próprio presidente Barack Obama, ao chamar a Rússia de uma potência mediana, cometeu um grave erro histórico,
04:09que ensejou, inclusive, reações do presidente Putin na ocasião, e nós vimos que isso comprovou toda essa situação, como ele agiu na questão ucraniana, de fato, relevando qualquer regra do direito internacional.
04:25Mas, desde aquela reunião que houve recente na Coreia, entre Estados Unidos e China, o que você observou foi que quem naquela reunião deu um passo atrás foram os Estados Unidos,
04:37em razão da questão dos minerais críticos, e também o fato de que, hoje em dia, quando nós fazemos as projeções,
04:46a China será responsável por 45% da indústria da manufatura global e os Estados Unidos somente por 11%.
04:55Então, nós temos este círculo, este mundo que deixa de ser unipolar, como nós observamos ali após o fim da Guerra Fria,
05:04e vai se transformando em uma situação muito mais multipolar.
05:08Mas, nós teremos também, no Nato, à medida que o tempo vai evoluindo, outras potências que poderão também ter um desempenho regional.
05:17Mas, o principal elemento de tudo isso, sem dúvida, é sempre a questão da força, a questão de armas nucleares.
05:26E o que nós vemos é que quem não tem armas nucleares, realmente está sujeito a esse tipo de situação,
05:33justamente porque não tem como se defender. Nós não vemos este tipo de... nós não conseguimos imaginar os Estados Unidos fazendo este tipo de operação,
05:42por exemplo, na Coreia do Norte. Então, isto é o grande problema deste tipo de dinâmica,
05:49que vai incentivando países a buscarem processos de defesa, e nesse contexto nós podemos observar, no futuro próximo, até mesmo o retorno a armas nucleares.
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