00:00A Justiça determinou que os Correios devem manter serviços essenciais mesmo durante a paralisação nacional começada há 10 dias.
00:08A decisão do Tribunal Superior do Trabalho foi tomada em meio ao impasse nas negociações do acordo coletivo e a crise financeira enfrentada pela estatal.
00:16Diretamente de Brasília, a repórter Fernanda Sete tem informações sobre isso.
00:21Bom dia para você, Fernanda. Seja muito bem-vinda ao Real Time.
00:23Muito obrigada, Marcelo. Bom dia para você, para todo mundo que nos acompanha. Uma ótima sexta-feira.
00:30Por decisão do Tribunal Superior do Trabalho, os Correios não foram obrigados a suspender a paralisação nacional que foi iniciada no dia 16 desse mês.
00:42Porém, o TST obrigou o funcionamento, assegurar o funcionamento dos serviços essenciais.
00:49Então, essa medida foi tomada em meio à paralisação nacional por tempo indeterminado dos Correios por conta do impasse nas negociações com relação ao acordo coletivo de trabalho,
01:03claro, por conta da crise financeira enfrentada pela estatal.
01:08E essa crise é considerada pela Justiça como um fator de risco à continuidade do serviço público postal.
01:16Então, Marcelo, além disso, o ministro Luiz Felipe Vieira, do Tribunal Superior do Trabalho,
01:21determinou em caráter liminar a manutenção de 80% do efetivo dos trabalhadores por agência durante essa greve nacional.
01:30Então, o descumprimento dessa ordem do Tribunal Superior do Trabalho, do TST,
01:35poderá resultar em uma multa diária de R$ 100 mil às entidades sindicais.
01:41Então, a greve, lembrando, foi deflagrada no dia 16 de dezembro, ou seja, 16 desse mês,
01:48mas ganhou força a partir do dia 23 de dezembro, após a maioria dos sindicatos em todo o país rejeitar a proposta do acordo coletivo de trabalho,
01:58que inclusive falamos aqui.
02:00Então, o Tribunal, o TST, concedeu esse prazo de 24 horas para que a Federação Nacional dos Trabalhadores e Empresas de Correios e Telégrafos
02:10possam apresentar aí a sua defesa.
02:14Lembrando que o Tribunal também considerou o impacto sobre a coletividade, o interesse público,
02:20além do risco à imagem institucional da empresa.
02:24Só para a gente finalizar, Marcelo, a Justiça determinou ainda que os Correios, eles compartilhem ali informações detalhadas
02:33sobre o efetivo de cada agência que existe no país.
02:39Ou seja, com a identificação de afastamento, quem está trabalhando, quem está de fato de greve,
02:45então os Correios determinaram aí esse compartilhamento de informações sobre o efetivo dos trabalhadores em cada agência dos Correios.
02:55Então, de fato, após essa decisão do Tribunal Superior do Trabalho, apesar dos Correios,
03:02a determinação dos Correios não suspender essa greve nacional, essa paralisação nacional,
03:10eles sim são obrigados a manter ali, a segurar o funcionamento mínimo dos serviços essenciais,
03:18principalmente durante essa época de fim de ano, por conta das festas de fim de ano,
03:23onde a paralisação e o não funcionamento dos Correios impacta diretamente na logística, no varejo e também no comércio eletrônico.
03:34Eu volto com você, Marcelo.
03:35Muito obrigado pelas informações, Fernanda.
03:37Agora eu vou falar com a Mária Almeida de novo, porque que situação dos Correios, hein, Mária?
03:42Não tem uma notícia boa para eles, né?
03:44Camada atrás de camada de complicações, porque na prática, quando a justiça toma essa decisão,
03:50que faz sentido, como a Fernanda trouxe, época de festas, impacta toda a questão de logística, de entregas,
03:56do sistema aí todo de comércio, e aí a justiça fala, tem que manter o mínimo.
04:01Faz sentido.
04:01Para os Correios significa, se vira para conseguir dar um jeito de conseguir colocar mais gente trabalhando,
04:09ou organizar uma parte para trabalhar e fazer o serviço acontecer.
04:12Isso é custo.
04:13Na prática, é mais um custo para os Correios, que vai vir numa situação onde ele já está tendo que lidar com
04:19qual vai ser a negociação possível no campo aí dos seus trabalhadores,
04:23porque a greve continua, porque as negociações vão ter que continuar.
04:25Pode vir também aí um retrocesso de parte das ações que tinham sido tomadas pelos Correios,
04:31do ponto de vista de corte de gastos, que estavam recaindo sobre o trabalho.
04:35Então, ou seja, ele vai ter que negociar coisas que ele já tinha decidido não gastar,
04:39gastando mais e sem ainda ter muitas certezas do lado da Receita,
04:44de como é que ele vai realmente fechar suas contas, já pensando no ano seguinte.
04:48Do ponto de vista operacional, Marcelo, é uma tremenda bagunça.
04:51É, realmente, né?
04:52Vamos torcer para essa situação melhorar em 2026, porque do jeito que está o Correio não vai continuar por muito tempo, não.
04:57Pois é, tem uma questão mais de fundo sobre isso, que é em que medida que faz sentido o Correio enquanto empresa pública
05:04e em que medida que deveria ser acelerado um processo de privatização do Correio.
05:08Porque isso pode ser uma resposta que nem é global, ela pode ser parcial.
05:13Se a gente tirar um pouquinho das camadas mais tensas aí de ideologia, de fla-flu entre estatização e privatização,
05:20a pergunta é, como é que faz para uma empresa que atua num mercado que é um mercado que tem muito retorno agora?
05:26Qual é o mercado de logística?
05:28Quando você cresce aí, a gente estava ouvindo todos os ganhos possíveis aí do varejo e do varejo do e-commerce,
05:35isso dá um espaço para quem trabalha com logística atuar e ganhar.
05:39Não à toa tem um monte de empresa que entrou nesse setor e conseguiu performar bem.
05:43Os Correios ficaram para trás.
05:44Mas isso não é o único negócio dos Correios, eles têm também algumas obrigações de chegar em várias cidades
05:49que essas empresas não chegam, de atuar também num campo mais institucional.
05:55Então, assim, olhar para os Correios com um pouco de sangue frio e entender.
05:58E agora, na situação calamitosa que está agora, somando camadas e mais camadas de dificuldade,
06:04será que a gente consegue olhar com responsabilidade e falar,
06:08esse pedaço talvez tenha que construir um ambiente, um percurso de saída.
06:11Este aqui é um custo público estatal que ou a gente arruma uma solução público-privada
06:16ou incorpora de vez na conta, mas com transparência, com responsabilidade e com consistência
06:21para não ficar essa sensação de que tem que torcer e a gente nem sabe exatamente até quando e como.
06:27Será que um possível caminho não seria fechar as agências não rentáveis e daí,
06:31para não deixar a população desassistida, fazer parcerias com pequenos negócios
06:35para que eles entreguem as coisas dos Correios e também recebam?
06:39Há exemplos do que outras grandes empresas já fazem?
06:41Eu cito uma aqui, que é o Mercado Livre.
06:43Exatamente, essa é uma alternativa.
06:45É a questão de como fazer a garantia, fazer cumprir isso nessas parcerias, né?
06:49Que é uma questão de governança.
06:51Talvez o grande caminho seja pensar em governanças alternativas.
06:53E a tecnologia ajuda nisso também, né?
06:55Enormemente.
06:56Mecanismos de rastreamento aí, QR Code, etc.
06:58A garantir que, por exemplo, vai, um pequeno comerciante ali não pegue para ele a encomenda, né?
07:04Digamos assim.
07:04É, sim.
07:05Isso para tentar fazer esse rastreamento que você está dizendo.
07:08E lembrando que essa relação público-privada para ajudar na incorporação, né?
07:13Na inclusão aí de algumas cidades em relação ao sistema de entregas,
07:17já aconteceu até no que se diz respeito aos CEPs, né?
07:20Porque tem muitas cidades, ou áreas, inclusive, de cidades ou lugares que não têm CEP.
07:24E parcerias com a Google, por exemplo, ou com outros que conseguem identificar,
07:28ajudaram a facilitar a identificação de quantas pessoas moram ali, onde tem isso.
07:33Então, a tecnologia é um passo que ajuda nesse processo.
07:37Os privados têm um incentivo a inovar mais e mais rápido.
07:43Então, como é que a gente repensa?
07:45E aí tem que sair dos modelos muito fechados, né, Marcela?
07:47Porque aí fica aquela torcida de, não, estatiza tudo, não, privatiza 100%.
07:52E provavelmente a solução está em algum lugar no meio do caminho.
07:55É, o que não dá é para fingir que a gente está nos anos 80 ainda.
07:57Exatamente.
07:58É isso, fingir que o tempo não vem é normalmente a pior solução.
08:01Exato.
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