00:00Ô Zé, vou até aproveitar que você tocou nesse assunto dos Correios, porque eles anunciaram o adiamento da divulgação do plano de reestruturação que estava previsto agora pra correr hoje.
00:08O André Aneri vai explicar por que que houve esse adiamento. Fala aí, meu amigo.
00:15Olha, Evandro, oficialmente a explicação pro adiamento da coletiva de imprensa que iria apresentar, então, todo esse plano de reestruturação dos Correios, aconteceu por ajustes de agenda.
00:26A gente relembra que o presidente da estatal, Emmanuel Rondon, ele daria uma entrevista coletiva ao lado dos principais diretores ali da estatal, mas acabou cancelando esse encontro menos de 12 horas antes, justamente então, porque na avaliação dos Correios não havia uma questão de agenda que permitisse que todos os executivos acabassem participando, então, daquele evento.
00:54Mas a gente apurou, agora há pouco eu consegui apurar, principalmente com a própria assessoria dos Correios, de forma não oficial, que esse plano de reestruturação, na verdade, ainda precisa de alguns detalhes.
01:09Então, ele não estaria totalmente concluído. A gente relembra que esse plano, ele começou a ser elaborado em setembro, depois então que vieram à tona todos aqueles prejuízos dos Correios, principalmente no ano de 2025,
01:22que já somam quase seis bilhões de reais e a partir de então, houve início a um plano de reestruturação que envolve a venda de imóveis ociosos, aqueles imóveis que são da estatal, mas que não estão ocupados nesse momento.
01:40Também a renegociação de dívidas judiciais, de questões que já foram transitadas em julgado e que os Correios precisam pagar, algumas dessas ações já foram renegociadas também.
01:54Também renegociação em relação ao plano de saúde dos funcionários e, principalmente, um plano de demissão voluntária, um PDV, que seria reaberto, já houve um PDV,
02:06e seria então reaberto esse novo PDV, esse novo plano de demissão voluntária, no sentido de diminuir também os passivos dos Correios.
02:15A gente destaca, para finalizar, que nos últimos dias a estatal ainda conseguiu um empréstimo de 12 bilhões de reais, empréstimo esse que foi avalizado pelo Tesouro Nacional,
02:26foi concedido por bancos, dois deles estatais, o Banco do Brasil, que no caso é uma sociedade de economia mista, também a Caixa Econômica Federal, aí sim uma empresa pública,
02:38e ainda três bancos privados, Itaú, Bradesco e Santander, juntos, concedendo então esse volume de 12 bilhões de reais,
02:46sendo que metade desse montante vai ser utilizado ainda em 2025 para cobrir esse rombo de cerca de 6 bilhões de reais e o restante nos próximos anos.
02:57Dinheiro esse que tem prazo de pagamento de 15 anos, 3 anos de carência, a 115% do CDI.
03:06O CDI é o Certificado de Depósito Bancário, é uma espécie de parâmetro que as instituições financeiras usam no momento de concessão de crédito.
03:14É um crédito bem mais acessível do que os 120% de CDI que haviam sido oferecidos anteriormente e que não haviam sido aprovados pelo Tesouro Nacional,
03:24que é o avalista dessa operação.
03:26Portanto, os Correios ainda não apresentaram todo esse plano de recuperação, de reestruturação,
03:33que estava previsto para ser apresentado nesta segunda-feira, mas que agora fica para uma data futura ainda não divulgada.
03:41Evandro.
03:42Muito obrigado pelas informações, André Anelli. Um abraço para você.
03:44Bom, Zé Maria Trindade já estava comentando ali sobre Correios, mano, e esse plano de reestruturação que era tão esperado agora sofre um adiamento.
03:51De que maneira que você avalia o que tem por trás desse cenário que faz com que haja bastante cautela na maneira como se trata a crise dos Correios aqui no país, hein, mano?
04:02É uma crise de modelo de negócio, né? O mundo mudou. Hoje nós temos muito mais opções de entrega de mercadorias e o Correios não conseguiu se atualizar
04:13porque, como uma máquina estatal tem muito mais dificuldade com inovação, como estava explicando nosso amigo Bruno Musa,
04:21e na prática ficou um aparato paquidérmico e atrasado. O que o Brasil precisa é se livrar disso quanto antes. O Brasil precisa privatizar os Correios, enxugar...
04:34Para que os Correios estejam lá é porque há pessoas demandando esse tipo de serviço. Se há pessoas demandando, há um ambiente de negócio favorável para que uma empresa privada queira solucionar aquele problema.
04:48A não ser que uma burocracia estatal, um obstáculo estatal, coloque muitas restrições e aí se torna impossível você fazer aquele tipo de investimento.
04:58Mas se há demanda, há pessoas querendo solucionar aquele problema. Basta olharmos as empresas que são bem-sucedidas no ramo. E o Correio simplesmente parou no tempo há muito.
05:09Bom, Zé, você já estava comentando sobre Correios e agora eu quero te ouvir especificamente sobre esse adiamento, meu amigo.
05:16Olha, é uma empresa tão grande que talvez, assim, eu não sei se tem outra, mas assim, tem uma agência dos Correios em cada município brasileiro, né?
05:28É uma agência muito grande. Não tem uma escola, mas o governo banca lá uma agência dos Correios com imóvel e tudo. Então é uma empresa muito grande.
05:36Só que o Bruno tem razão. É só privatizar de uma maneira correta.
05:41Eu assisti esse debate desde o início da Lei Geral das Telecomunicações no Congresso Nacional, da lei que regulamentou a privatização do setor elétrico.
05:52Mas vamos nos prender à telecomunicação.
05:55O José Carlos Aleluia era deputado federal e relator dessa lei.
05:59E aí, assim, houve, Bruno, um processo de privatização que a gente esquece.
06:05Mas assim, quem ganha São Paulo para explorar comercialmente, lá no início, comercialmente a telefonia celular, eles chamavam de filé, levavam o osso.
06:14O que é o osso? Umas cidades no interior que não tinham tanta demanda.
06:20Mas aí a empresa que ganhasse São Paulo era obrigada a operar aquelas cidades mesmo com prejuízo.
06:27Porque não havia tanta demanda na época de telefonia celular.
06:31E assim foram feitas várias regiões e vários pacotes.
06:35E na privatização, ou seja, no leilão, dizia, você vai ganhar Belo Horizonte, mas vai ter que levar o Vale do Jequitinhonha.
06:42Então, é só o processo de privatização e de regulamentação e pronto.
06:50Quer dizer, se você comandar os Correios em Minas, você vai ter que atender Belo Horizonte, mas vai ter que atender também o Nordeste de Minas, o Norte de Minas.
06:59E assim por diante, é fácil fazer isso.
07:01Mas a grande dificuldade aí é porque o modelo de negócio está em falência.
07:06O modelo de negócios não comporta tantos funcionários e o funcionário estatal tem vantagens.
07:13São seres especiais, falando de relação de trabalho, né?
07:18E fizeram concurso público e muita gente acha que depois que passa de um concurso público é um caminho sem volta para ir para uma espécie de céu aqui na Terra que ninguém sabe exatamente como é que é isso.
07:29Mas, enfim, é muito difícil de administrar.
07:32Já três ex-presidentes dos Correios me disseram da dificuldade de operar a máquina, né?
07:39É muito grande e o modelo de negócio acabou.
07:42E está sofrendo a consequência da iniciativa privada, né?
07:46Hoje é muito simples essa transmissão, essa entrega em capitais.
07:50O que é preciso é preocupar com o interior.
07:53E é só fazer isso.
07:54Você vai operar os Correios, você será obrigado a atender também o interior e assim por diante.
08:01Agora, mano, há uma expectativa aí do governo de conseguir fazer algum tipo de estruturação física, inclusive.
08:07De se aproveitar prédios que o governo já tem em vários locais para você acolher também a estrutura dos Correios
08:14e diminuiu um pouco o custo que se tem com a manutenção desses espaços ocupados pelos Correios hoje em várias partes do país
08:22diante da crise financeira que ele enfrenta.
08:24Você acha que essa poderia ser uma solução viável num primeiro momento?
08:29Olha, Cine, na minha visão, qualquer solução que não passe pela privatização dos Correios
08:35é colocar a band-aid numa ferida aberta.
08:38É claro que a questão dos imóveis pode ajudar a diminuir o rombo, mas essa questão até dos imóveis
08:46eu diria que precisa ser pensada de forma mais ampla, porque há não apenas prédios dos Correios
08:52mas do INSS, de diversas repartições públicas, muitas vezes até abandonados em capitais, em centros urbanos
09:00gerando espaços de favelização, de abandono do centro.
09:05Então, todo esse espaço de lidar com o imobiliário do patrimônio público
09:11a gente precisaria pensar isso com uma política mais estruturada
09:16que também pense como passar esses imóveis para a iniciativa privada
09:21para que a gente pare de condenar grandes parcelas das nossas cidades
09:26especialmente das capitais, que ficam abandonadas porque o poder público não consegue mais lidar
09:34com a administração daqueles prédios que ficam muitas vezes abandonados.
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