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  • há 5 semanas
Aliado da família de Jair Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia defendeu a retirada da candidatura de Flávio à Presidência, sob a alegação de que é preciso agir com “calma” e estratégia para as eleições de 2026.

Madeleine Lacsko, Duda Teixeira, Leonardo Barreto e Bárbara Barbosa comentam:

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Transcrição
00:00Eu quero aqui encerrar falando de candidatura presidencial, porque hoje o pastor Silas Malafaia
00:08defendeu a retirada da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. Vamos ver.
00:18Eduardo Bolsonaro foi para os Estados Unidos de vontade própria.
00:22Bolsonaro era contra, chegou até a chorar. Eu tenho relacionamento com eles, a família toda sabe.
00:26Eduardo Bolsonaro foi porque quis. Bolsonaro não queria que ele fosse. Isso aqui é uma verdade também.
00:33Tudo na política não é feito na base da emoção ou de rede social. Eu não estou nem aí para crítica.
00:39Eu tenho dito, a direita tem muito o que aprender. É uma vergonha. Lançam candidatura fora de hora,
00:45lançam candidatura sem consultar ninguém e aí quer que todo mundo engula de tudo que é jeito.
00:49Vamos ter calma, vamos ter estratégia política e eu tenho moral para falar com todo respeito.
00:54Se tem alguém aqui que tem moral, sou eu. É só acompanhar um pouquinho a minha história e o que está acontecendo comigo.
01:00E o Flávio Bolsonaro comentou.
01:06Como é que o senhor interpreta essa resistência do Centro?
01:09Olha, o que eu tenho feito nos últimos dias é mostrar que eles estão errados.
01:13e pode ter certeza que muito em breve, até as pesquisas ligadas ao PT, mostrarão um grande crescimento do nome Flávio Bolsonaro
01:22e mostrarão qual é a candidatura mais viável para derrotar o partido das trevas,
01:30esse caminho ruim que o Brasil não pode escolher.
01:33O melhor nome é o de Flávio Bolsonaro.
01:35Bom, a gente está aqui numa intersecção que é muito discutida, que é direito e religião.
01:44Eu resolvi trazer para essa discussão, por conta dessa notícia e de outra notícia que nós vamos comentar aqui,
01:51envolvendo Érica Hilton e o padre Júlio Lancelotti, a Bárbara Barbosa.
01:56Ela é vice-diretora administrativa do IBDR, Instituto Brasileiro de Direito e Religião.
02:06Bárbara, seja muito bem-vinda. Uma boa noite para você.
02:13Eu acho que teve algum problema técnico, produção, que a Bárbara não está ouvindo.
02:18A gente está ouvindo agora, Bárbara?
02:21Agora sim, Madeleine.
02:23Tudo bem com você, Bárbara?
02:25Queria saber de você, nessa intersecção entre direito e religião,
02:35como fica a participação de Silas Malafaia?
02:40Eu acompanho o pastor Malafaia há muito tempo.
02:44Desde quando ele tinha cabelo e bigode, era contrário à teologia da prosperidade,
02:50era uma liderança mais progressista, mais dos cinco solas mesmo.
02:56Até essa mudança que ele teve, acompanhei ele rezando pelo presidente Lula,
03:04para que fosse eleito, acompanhei ele rezando pelo Bolsonaro.
03:08Agora, ele tem uma proximidade com o Bolsonaro?
03:09Ele fez o casamento dele com a Michele?
03:11E ele está organizando passeatas.
03:17Como que é essa intersecção?
03:19Se fosse na Igreja Católica, ele já estava afastadinho, né?
03:22Mas como é que funciona na Assembleia de Deus, por exemplo?
03:26Madelaine, primeiro, gostaria de agradecer esse espaço que vocês estão concedendo aqui
03:35para o Instituto Brasileiro de Direito e Religião.
03:38Fazer alguns esclarecimentos.
03:40Eu acredito que a influência da religião no espaço público,
03:45ela ficou muito forte nos últimos 10, barra 15 anos,
03:50porque nós estamos vendo o resultado de algo que a Igreja,
03:56e eu vou falar aqui tanto a Igreja Evangélica,
03:58quanto a Igreja Católica Apostólica Romana,
04:01estão trabalhando há um tempo,
04:03que é esclarecer a relação entre política e religião.
04:08A gente tem vivido e tem visto um trabalho muito forte de conscientização
04:16por parte das lideranças religiosas,
04:19para que os fiéis, eles não só se envolvam,
04:23mas compreendam o papel da religião no espaço público.
04:26Isso é tão fato que as legislações que nós temos hoje,
04:31a Constituição da República Federativa do Brasil,
04:34Código Civil, Código Penal,
04:36são legislações que nascem exatamente do fruto da ideia de bem comum.
04:41Essa ideia foi tecida, inclusive, por Santo Tomás de Aquino,
04:45um dos doutores da Igreja Católica.
04:48Respondendo a sua pergunta,
04:50eu acompanho também o pastor Silas Malapé desde pequenininha,
04:53inclusive, eu acredito que eu virei advogada por influência dele,
04:57eu cresci vendo as pregações dele na Assembleia de Deus,
05:01onde ele sempre teve essa postura de falar e de trazer conscientização para os fiéis,
05:07a respeito de qual visão política a Igreja deve adotar.
05:11Quanto à visão teológica do pastor Silas Malapé,
05:15não há um consenso na Igreja Evangélica de concordar com ele ou não.
05:21A ala mais conservadora da Igreja, ligada à tradição reformada,
05:25entende que o Silas Malapé defende a chamada teologia da prosperidade,
05:31o triunfalismo.
05:32O ponto é que esses temas de qual tipo de teologia Silas Malapé defende,
05:39essa teologia é boa ou não, ela é saudável ou não,
05:43isso não é papel da política dizer se ele está certo ou não.
05:50Isso é papel da própria Igreja em si,
05:54criticar, recomendar ou condenar o que Silas Malapé diz ou deixa de dizer.
06:03É inegável que, graças às pregações de Silas Malapé,
06:08a visão que o Brasil como um todo tem de Igreja Evangélica
06:12e do casamento entre Igreja Evangélica e política,
06:15é uma visão totalmente diferente.
06:17A depender do setor político, isso é visto até de uma maneira intimidatória.
06:24Mas é inegável a influência que Silas Malapé tem.
06:28O ponto é que as questões que ele tem opinado recentemente
06:32tem sido algo de crítica até mesmo por parte da própria Igreja Evangélica.
06:37O ponto é que a gente tem que enxergar isso como algo absolutamente normal
06:40e saudável em um país onde não só a liberdade de consciência e de crença
06:47ela é protegida, mas também a liberdade de expressão religiosa.
06:53Ele, enquanto pastor, emitir as opiniões dele,
06:57ele está fazendo uso do instituto da dimensão externa da fé,
07:02daquilo que ele crê.
07:04Os impactos que isso vai ter na política,
07:07cabe a gente, as pessoas que estão de fora,
07:10elas podem avaliar, podem acompanhar,
07:14mas é algo totalmente natural em uma democracia
07:18e em um país onde nós temos como base a latidade colaborativa.
07:24E olha, eu quero terminar aqui com o comentário do Leonardo Barreto,
07:27porque assim, muita gente que está vendo a gente
07:29e não é do meio evangélico, e não conhece esse meio evangélico,
07:34não entende a especificidade da participação do pastor Silas Malafaia.
07:40Por quê?
07:41A Assembleia de Deus é a maior, mais antiga,
07:46mais legitimamente brasileira e mais diversa denominação evangélica.
07:53Ela vai de Marina Silva, Marina Silva é da Assembleia,
07:58até Malafaia, ela tem vários ministérios, ela é muito diversa.
08:02Tem um documentário que se chama Púlpito e Parlamento,
08:05do ano de 2014, que mostra uma decisão importante da Assembleia.
08:09Não ter um partido político próprio.
08:13A Assembleia decidiu isso.
08:15Seus fiéis não aceitam.
08:18Das mais diversas, os fiéis da Assembleia não aceitam.
08:21Os da Universal aceitam.
08:23Mas a Universal tem uma teologia própria, enfim, é diferente.
08:27O Malafaia está nessa atuação que é a seguinte.
08:32Ele não tem um partido político dele.
08:35Ele não é o candidato.
08:37Ele está indo nessa atuação religiosa.
08:40Só que ele cresce cada vez mais.
08:43E ele ocupa, Leonardo, que é isso que eu queria que você comentasse.
08:46Ele ocupa um lugar em que ele está no núcleo do bolsonarismo,
08:51falando mal do Bolsonaro e não cai do gosto desse povo.
08:57A gente viu até na Michelle o bolsonarismo da pau,
09:01quando põe os influencers.
09:04O Silas Malafaia tem um tipo de poder ali dentro
09:08que eu acho bastante difícil da gente conseguir explicar.
09:10Não quero correr o risco de entender mal,
09:17mas isso me lembra um pouco a ideia de uma liderança carismática.
09:22A liderança carismática é aquela que as pessoas percebem
09:27como tendo uma característica que faz dela especial
09:33e que você não vai explicar racionalmente o motivo.
09:38Agora, o que me parece muito importante é o seguinte.
09:44As igrejas fazem o trabalho que os partidos deveriam fazer.
09:50Elas hoje fazem uma intermediação e uma tradução do sistema político
09:55e a população e as pessoas.
09:57Na minha pesquisa de doutorado, há muitos anos atrás,
10:01eu cheguei a presenciar numa igreja aqui em Brasília
10:03uma prévia de três pré-candidatos
10:07que queriam disputar uma cadeira para deputado distrital.
10:12Depois do culto, eles fizeram um debate,
10:16as pessoas votaram e aquele que foi escolhido
10:19como candidato da igreja acabou sendo eleito.
10:23Isso mostra esse trabalho de intermediação.
10:25Então, assim, é uma tradução.
10:28O que o Silas Malafaia faz em tempo real
10:32é uma tradução do processo político para o seu público,
10:36que reconhece nele e confia nele
10:39em razão dessa liderança carismática.
10:42Outras igrejas têm o mesmo sistema
10:45e muitas delas, viu, Madá,
10:48até começaram a perceber no Bolsonaro
10:51uma espécie de concorrente.
10:54Por quê?
10:55Porque o conservadorismo dentro dessas igrejas
11:00foi muito receptivo ao discurso do Bolsonaro
11:03e ele começou a furar, muitas vezes,
11:06a autoridade secular que pastores e bispos exerciam
11:12e essa base, que era muito acostumada só a dizer amém,
11:16começou a questionar suas lideranças.
11:18Então, hoje, a gente tem denominações evangélicas
11:21que olham para o Bolsonaro como uma espécie de ameaça,
11:25no sentido de ameaçar a estrutura hierárquica
11:28da relação com os eleitores.
11:32Mas, de todo modo, é um eleitorado importantíssimo,
11:35não chega a ser decisivo,
11:38mas, hoje, se a gente olhar para a direita conservadora,
11:44ela simplesmente não é competitiva
11:46se não tiver essa base evangélica do lado dela.
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