- há 5 semanas
Em entrevista ao JP Ponto Final, o deputado federal General Pazuello (PL-RJ) analisa os desafios da política e da segurança pública no Brasil, comenta a atuação das Forças Armadas, a experiência no Ministério da Saúde durante a pandemia, o papel da comunicação em momentos de crise, a guerra híbrida e o avanço do crime organizado, além de discutir GLO, facções criminosas e a ocupação de territórios no Rio de Janeiro.
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NotíciasTranscrição
00:00Salve, seja bem-vindo. Nós estamos aqui nos estúdios da Jovem Pan, no Planalto Central do
00:11País, o Coração do Poder, Brasília. Vamos falar aqui de assuntos muito importantes,
00:16mas a política reina. Você sabe que tudo passa pela política, né? A casa que você mora,
00:22a escola de seus filhos e projeção de futuro. Hoje aqui nos nossos estúdios, o deputado
00:28General Pazuello, do Rio de Janeiro. Obrigado, Zé. General, muito obrigado por estar aqui nos
00:33estúdios da Jovem Pan para essa conversa boa aqui. É um prazer, é um prazer estar aqui na Jovem Pan.
00:39A gente assiste a Jovem Pan todo dia. Todo dia de manhã a gente começa com a Jovem Pan.
00:44Muito obrigado. General, o senhor saiu da atividade militar e cumpriu ali todos os caminhos,
00:52né? Passando pelas agulhas negras, um vestibular complicadíssimo, um curso muito complicado,
00:58né? Saindo aspirante e tal. E chegou no Congresso Nacional. É uma nova atividade,
01:05uma nova pegada. Qual o estranhamento, qual a dificuldade que o senhor encontrou?
01:10Esses dias eu encontrei um general na reserva e perguntei qual a surpresa. Ele falou,
01:13não tem que fazer barba, mas o senhor tem que fazer barba. Continua fazendo barba, né?
01:18Qual a diferença que o senhor viu nas duas atividades?
01:21Zé, são instituições diferentes, mas são parecidas em algumas coisas.
01:26O exército, ele te dá valores, te dá atributos, desenvolve valores e atributos e te dá a possibilidade
01:36de questionar, de criticar. O exército não é fácil você comandar e tomar uma decisão
01:42sem a crítica interna, sem as discussões internas. Porque as pessoas não trabalham para você,
01:48trabalham para a instituição. E elas dizem isso para você de maneira clara. Eu trabalho
01:54para a instituição. Então...
01:56Tem normas, dogmas, conceitos, né?
01:59É, mas é preciso entender que você discute o tempo todo. Você debate o tempo todo.
02:05Isso é parecido com a nossa atividade de hoje como deputado. É muito parecido.
02:10E a Câmara é organizada com um regimento interno sério de horários, de pautas, de agendas
02:20que é muito sério e muito parecido com as agendas militares. São semelhantes em termos
02:26de organização institucional. E vou dizer, é muito bom estar na Câmara. É muito bom ser
02:34deputado federal. É um grande erro da nossa geração que nos omitimos politicamente, a
02:41maioria de nós, ao longo de décadas. E a gente tinha prazer de falar que local de político
02:48eu não frequentava. Porque político era ladrão, corrupto, vagabundo. Então eu não podia
02:54estar perto de político. E com isso, boa parte da sociedade, uma sociedade mais culta,
03:00mais estudada, que poderia estar à frente da política do nosso país, se omitiu. E o
03:07resultado foram 40 anos de uma política enviesada no nosso país.
03:14E a Câmara também é coletiva, né? Como o Exército. Eu costumo dizer que a música
03:20do Vandré fala que os militares andam em descesos cordões, morrer pela pátria, viver pela
03:27parte da pátria, morrer sem razão. Não é assim. O militar, ele estuda para se chegar
03:31a general. São muitos cursos complexos. E estuda muito é isso que o general está dizendo.
03:38No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, houve um grande número de militares ocupando
03:45cargos de primeiro e de segundo escalão no governo. Qual a avaliação que o senhor, hoje,
03:51olhando um pouco de longe, tomando essa distância, foi certo?
03:54Olha só. Primeiro foi inevitável, porque o Bolsonaro é eleito sem uma base política.
04:01Você ter um governo federal eleito sem uma base política faz com que você vá compor
04:07o seu governo, os seus ministérios, com as pessoas que você conhece. Não com as pessoas
04:13que estão com alinhamento político dentro de cada área. Então ele se valeu dos seus conhecimentos.
04:20Então a vida dele é uma vida militar, conhecimento militar, e foi se cercando das pessoas que
04:25ele confiava para tocar o governo, de forma executiva, é claro. Nesse modelo, até porque
04:32o PSL acabou no começo do governo, o Bolsonaro não tinha nem partido. Um presidente que foi
04:39eleito sem uma base partidária, por aclamação popular. Ele foi eleito por aclamação, Bolsonaro
04:45foi aclamado pelo povo brasileiro. É aclamado pelo povo brasileiro. E, nesse momento, ele
04:52tem que compor um governo. São centenas de cargos. Ele vai se valer...
04:57Seja que bilhares.
04:59É. Mas o que ele precisa indicar são centenas de cargos. Ele precisa trabalhar com o que
05:03ele confia, com o que ele entende que daria resultado. Ele vai buscar esse pessoal nas Forças
05:08Armadas, conhecidos e indicados de, obviamente, próximos dele. O trabalho desses militares,
05:16eu não tenho nenhuma dúvida com relação ao trabalho executivo. Mas eu posso te afiançar
05:21que faltou muito o trabalho político.
05:25O senhor chegou ao cargo máximo aqui no executivo, que é de ministro de Estado. De ministro
05:31de um ministério importante, o Ministério da Saúde, em plena pandemia. Como é que foi
05:36esse processo? E o senhor estava na ativa.
05:40É, preciso entender. Eu era comandante de uma região militar. O que é uma região militar?
05:44Está. Uma estrutura que engloba as ações logísticas e algumas operacionais de quatro
05:50estados. Amazonas, Roraima, Acre e Rondônia. São milhares de vidas. E, obviamente, dezenas
06:00de quartéis. E eu era comandante. Para sair de lá e vir para o cargo de secretário executivo
06:08no ministério, isso foi uma ordem. Isso não foi uma vontade minha. Foi encaminhamento
06:16mesmo de decisão. Bolsonaro, por intermédio dos generais que estavam no comando, me propôs
06:21para ser o secretário executivo. Não era para ser o ministro da saúde, era para ser
06:25secretário executivo por até 90 dias. Eu não passei o comando da 12, camarada. Eu fiquei
06:33como comandante da 12 até setembro, junto com o ministério. Acumulando os dois.
06:40Acumulando os dois. Porque eu queria voltar para o quartel, que era o meu objetivo de vida
06:45e de carreira. Eu sou do Rio de Janeiro, nascido e criado, mas o meu pai era de Manaus. Eu
06:53tenho primos, eu tenho irmã que mora em Manaus. A minha família morava em Manaus. E eu queria,
07:00obviamente, comandar a 12ª região militar e ter uma relação.
07:04Ministro da Saúde no meio de um furacão, né?
07:07É, foi uma correria. Porque o Nelson Taich, doutor Nelson Taich, era o ministro. E depois
07:13de 20 e poucos dias da minha chegada, ele pede para ir embora. Acorda de manhã, toma
07:18a decisão e sai. Decisão de foro íntimo, acredito eu, porque ele entendeu que a posição
07:25ali podia ser muito complicada para ele como médico e na família. Então ele tomou a decisão
07:30de sair. É interessante que, por exemplo, José Serra não era médico e assumiu o Ministério
07:35da Saúde. Não, muitos caras que não são médicos. Não sei nem se o atual é médico.
07:41O órgão de gestão, né? O atual é médico. É médico. O Alexandre é médico.
07:44É médico. E aí o senhor pegou a pandemia, né? Foi.
07:49No meio daquela polêmica, um momento terrível. Eu entendo, general, que foi um erro histórico
07:55da humanidade em tentar parar o mundo. Isso não existe. Mas isso vai ser analisado
08:00lá na frente, né?
08:00Muitos anos para analisar ainda. Como é que o senhor diz isso aí?
08:02Isso aí. Eu acho que a página da pandemia é uma página virada. É preciso compreender
08:08que todos se dedicaram muito para salvar vidas. É um absurdo qualquer brasileiro olhar para
08:14outro e achar que uma pessoa que está em cargo de comando ou função não estava tentando
08:19fazer de tudo para salvar as pessoas. Eu acredito que muito foi feito e graças ao trabalho,
08:27graças ao trabalho, principalmente da base industrial de defesa, que as pessoas não sabem,
08:34nós distribuímos 18 mil respiradores, que era o item mais complicado na pandemia. 18 mil respiradores
08:43que o Brasil não fabricava. Precisava ser importado. E ninguém conseguia importar.
08:48Obviamente pela pressão do mercado externo. Sobre a China, sobre os países que fabricavam.
08:54Travou tudo, né?
08:55E nós fabricamos no Brasil 18 mil respiradores acelerados, num processo acelerado, com o Ministério
09:04da Defesa, as Forças Armadas e a Base Industrial de Defesa. Não só desenvolvemos os projetos,
09:11fabricamos os respiradores e distribuímos para 5.570 municípios.
09:17E isso é fato.
09:20O senhor sabe que há críticas duras sobre a gestão do Ministério da Saúde, do ex-presidente
09:27Jair Bolsonaro durante a pandemia, né? Há justiça nisso?
09:33Não há justiça alguma. O presidente Bolsonaro pode ter falado algumas coisas que não precisavam
09:38ser ditas. Mas as ações eram todas feitas. Não houve nenhuma ordem direta para mim fazer
09:45ou deixar de fazer nada. Faça isso ou não faça isso. As ordens, as decisões e o que fazer
09:53foram minhas.
09:54O senhor reunia lá o corpo técnico?
09:56O corpo técnico estava todo lá.
09:58O Ministério é muito bem estruturado.
10:00Muito estruturado. Todos os médicos estavam lá, os secretários todos. As decisões eram
10:04todas na área médica. É preciso compreender uma coisa. Você está falando bastante de
10:08pandemia. Falando que a gente podia considerar uma página virada, mas é um assunto interessante,
10:12né? E eu quero te colocar. O Ministério da Saúde, ele trabalha de forma tripartite com o
10:20Conais e o Conazemes. Cada item que você queira, um suporte de copo que você queira mandar
10:28para um município ou um estado, tem que ter três assinaturas. Do Conais, do Conazemes e do
10:35Ministério. Chama-se pactuar o processo decisório. Nós levamos isso ao pé da letra. Cada decisão,
10:44cada remédio, cada centavo que foi colocado, foi colocado de forma pactuada tripartidamente.
10:55E isso precisa ser dito, porque as pessoas acham que eram decisões unilaterais. É, eu não quero
11:00mandar para cá, eu quero mandar para lá, eu não faço isso. Tudo era feito conversado, numa mesa e
11:06pactuado, ouvindo estados e municípios.
11:10Pois é, General, nós estamos vivendo um momento aí de generais presos, um almirante,
11:16ex-comandante da Marinha. E eu sei que o senhor conversa muito ali nos meios militares, é natural,
11:22né? Como é que o meio militar está vendo qual é a reação na caserna sobre essa situação?
11:30Olha, todos os militares estão muito insatisfeitos com isso. E estar insatisfeito não tem nada a ver
11:39com a quebra da hierarquia e disciplina. O exército brasileiro está intacto. A força não está
11:47estremecida.
11:48Eu escuto muito a palavra constrangido.
11:51Constrangido é um bom número. Constrangido é um bom número. Não tem como não estar constrangido.
11:55Mas o exército é muito enquadrado. As forças armadas são muito enquadradas. E tem que ser assim.
12:01Não caberia nenhum tipo de revolução, atrito interno. As pessoas não têm esse mote nas forças armadas.
12:13E vão aceitar? Já aceitaram, né?
12:17Isso não tem que aceitar.
12:18Outra frase que eu escuto muito no meio militar é de que foi o CPF, quer dizer, não foi a força.
12:25Não, não tem nada a ver. Não é o CPF. É um general. Um general do exército brasileiro.
12:34E inédito.
12:34Isso não é. Não tem nada a ver. Problema do cara. Não é problema do cara. A força está constrangida, usando esse termo.
12:42É claro que está. Não tem nenhum oficial que não esteja constrangido. Insatisfeito.
12:47Porém, porém, longe de ser indisciplinado. O exército está intacto.
12:55Vai continuar. Está apanhando ainda, né, general?
12:58Faz parte.
12:59Muita gente é contente.
13:00Às vezes apanha, às vezes não apanha.
13:01Acha que o exército foi traidor, que abandonou os seus soldados.
13:04Olha, as narrativas são muito complicadas, Zé.
13:07Você faz uma narrativa e coloca na internet, coloca num canal de televisão, coloca onde quiser.
13:13Você conduz a opinião pública.
13:14A opinião pública é muito forte. Nós estamos lidando com a opinião pública desde a guerra do Vietnã, né?
13:20É verdade.
13:21A guerra do Vietnã foi perdida pela opinião pública.
13:25Foi a primeira compreensão de como destrói-se um exército ou perde-se uma guerra a partir da opinião pública, interna, principalmente.
13:33Pois é. Eu presto muita atenção nisso. Converso muito com comandantes militares, que falam nessa nova arma, a comunicação.
13:41A gente viu que a comunicação foi a grande arma do Zelensky na Ucrânia contra a Rússia.
13:48É verdade. Era o que ele tinha, né?
13:51Uma grande luta também de Israel contra o Hamas.
13:57Quer dizer, Israel está perdendo a guerra da comunicação.
14:01Está dando a impressão de que Israel que provocou a guerra e que foi o terrorista que invadiu outro país.
14:08É muito doido isso. Eu vou te dizer, é muito importante a comunicação.
14:13Quando eu vim da Operação Acolhida, na Operação Acolhida, lá em Roraima, eu fui o primeiro comandante.
14:19Eu que instalei aquela estrutura lá com a minha tropa.
14:22E eu fui muito apoiado pela comunicação, pela mídia. Muito.
14:28E ali eu devo a todos, naquele momento, naquele espaço, por tudo que foi apresentado e mostrado que era necessário fazer o trabalho.
14:37Que as vidas precisavam ser salvas.
14:40As pessoas estavam numa vulnerabilidade extrema.
14:43Eu estou falando de 660 mil venezuelanos que entraram sob o meu comando em dois anos.
14:50Entravam 1.200, 1.100 por dia.
14:54Hoje, entraram 20 mil, hoje que eu digo, em 30 dias.
14:58Nos últimos 30 dias, entraram 20 mil venezuelanos em Pacaraima.
15:03É preciso compreender que ali a comunicação foi fundamental.
15:07Sim. Só entrando um parênteses, os deputados e senadores de lá, do estado, de Rodônia, de Roraima, me dizem que isso está atrapalhando a cidade.
15:1880% dos partos lá são de venezuelanos.
15:21E venezuelanos entram com autodeclaração, não tem documento.
15:25É assim mesmo, né?
15:25É frágil assim?
15:27É frágil.
15:27Claro que se monta toda uma estrutura para buscar antecedentes, buscar tudo o que se pode, mas eles são um país muito desorganizado.
15:37Eles quase não têm documentos.
15:39Quase não têm documentos.
15:41Eles não têm vacinas de nada.
15:42O papel do senhor era distribuir esses...
15:45O papel era recebê-los.
15:47Foi montada uma operação com 115 agências trabalhando juntas.
15:52115 agências e instituições.
15:55Civis, públicas, privadas, todas.
15:59Internacionais, agências da ONU.
16:02E recebia-se todos os dias as pessoas.
16:06Eram, digamos, triadas num ponto de triagem.
16:12E ali, recebia o destino se ia buscar imigração ou refúgio.
16:18Ou se queria só mesmo passar, porque tinham condições de ir para outros países, outros estados.
16:23De maneira própria, seguir o seu caminho.
16:25O fluxo maior nem era para o Brasil, né?
16:28Não, não era para o Brasil.
16:29O Brasil...
16:30Foram 8 milhões e meio de venezuelanos que saíram da Venezuela.
16:338 milhões e meio é o número.
16:35Estão falando de 25% da população do país que já saiu da Venezuela.
16:39Dois uruguaio.
16:40É, imagina, 8 milhões e meio, cidade do Rio de Janeiro inteira, pegando tudo de ponta a ponta.
16:47Então, a realidade foi muito dura e eu fui muito apoiado pela mídia ali.
16:53E quando eu cheguei no Ministério, eu tentei de tudo para que a gente mantivesse a relação boa com a mídia.
16:59Não foi fácil.
17:00Nós perdemos a FSB, que era a companhia que trabalhava com a comunicação do Ministério, numa decisão administrativa errônea, antes de eu assumir.
17:12E nós não conseguimos mais montar a estrutura de comunicação que precisava ter dentro de uma pandemia.
17:19A gente não conseguia se comunicar.
17:21As decisões eram tomadas, as coisas eram feitas, os equipamentos eram entregues.
17:27Tudo era feito, mas...
17:29E a chave que não estava fazendo nada.
17:30E a gente não conseguia se comunicar porque não tinha uma estrutura de comunicação redonda, redonda.
17:34Eu falei aqui no uso da comunicação na guerra, mas eu visitei o Museu da FEB lá em São João del Rey e vi que lá, assim, existiu na época, né,
17:45que o 11º Batalhão de Infantaria, que era o BI, né, lá em São João del Rey, ele lutou bravamente na Segunda Guerra e fez conquistas importantes, como Castel Novo, Montese, né.
17:59Montese.
18:00E lá eles fizeram uma guerra de comunicação que era diferente, jogando papéis de avião, passavam, jogavam panfletos, né, descredibilizando os soldados brasileiros, dizendo que eles vinham de muleta.
18:14É o nome disso.
18:14O nome disso, para você entender, é a guerra psicológica.
18:19Isso.
18:20Então isso já existe, sempre existiu.
18:22Sempre existiu.
18:23Porque agora a internet...
18:25As operações psicológicas, dentro das operações psicológicas existe a guerra psicológica, que é contra o inimigo.
18:33E as ações psicológicas, que é para fortalecer o moral da tropa.
18:38Isso é uma coisa estudada e é séria nas Forças Armadas.
18:42Estudada e séria.
18:43Eu não tinha nenhuma dúvida de que eu precisava equilibrar a guerra da comunicação.
18:49Era um assunto interno diário.
18:52Nós trocamos várias equipes de comunicação e a gente não conseguia fazer a comunicação acontecer.
18:58não era por falta de ações, não era por falta de vontade.
19:03Era realmente difícil pegar uma companhia, uma agência de comunicação, que nunca tinha trabalhado no Ministério, no meio de uma pandemia,
19:13assumir a posição da agência anterior e continuar fazendo o trabalho que precisava ser feito.
19:18Foi muito complicado isso aí.
19:20Falar em guerra, general, a gente está enfrentando uma guerra interna.
19:24É verdade.
19:25É a luta contra as facções criminosas.
19:28Pô, está na porta.
19:28O senhor é de um estado muito complexo e que convive muito com isso.
19:34Deixa eu ver a possibilidade de uma saída para essa situação, principalmente o Rio, mas não é só o Rio.
19:41Olha só, é preciso compreender que as favelas hoje ocupam dois terços da cidade do Rio de Janeiro.
19:50São 1.800 favelas no Rio de Janeiro.
19:53900 favelas só na cidade do Rio de Janeiro.
19:571.800 favelas, cara.
19:591.900 só no Rio de Janeiro.
20:01As pessoas não compreendem isso.
20:03Acham que não, é só o alemão, é só a Rocinha, é só a Maré.
20:08Não, elas estão espalhadas por todos os lugares.
20:10Estão dominadas.
20:11Todas elas em si estão dominadas por alguém.
20:16Ou pelo Comando Vermelho, ou pelo Terceiro Comando Puro, ou pelas milícias,
20:20ou por associações e estruturas internas, dar com milícias.
20:24Olha, é uma situação muito complicada e combater isso é uma ação conjunta
20:32que precisa ter entre o governo federal, o governo estadual e o governo municipal.
20:38É intergovernamental.
20:40Eu tenho um projeto de lei que já está entregue à mesa diretora da Câmara
20:47com pedido de urgência dos líderes, que é para alterar o artigo que obriga os governadores
20:54que quando solicitem GLO, declarem que as forças de segurança estão sem condição nenhuma.
21:04O termo correto é a inoperância das forças de segurança.
21:11Não tem mais como continuar.
21:13A falência é correta.
21:14O termo correto é a falência.
21:16O projeto de lei diz o seguinte.
21:17O Rio está perto.
21:18O projeto de lei diz o seguinte.
21:20Que para que o governador solicite apoio do governo federal, que é o GLO,
21:25para retomar territórios ocupados pela milícia, pelas facções, pelos narcoterroristas,
21:33não precisa decretar falência.
21:35O governo federal pode decretar GLO sem essa demanda.
21:40Isso facilita a decisão do governo federal e facilita a posição do governo estadual.
21:47Isso tem que ser aprovado.
21:49Isso muda o jogo.
21:50Pois é.
21:51É um ponto muito polêmico.
21:52Os comandantes militares não gostam de GLO, que é expor soldados não treinados para aquele tipo de operação
22:01e armam uma confusão grande nas forças armadas.
22:05E há ideias de usar uma força nacional, em vez da força nacional, que se crie um conjunto de polícias nacionais.
22:14Imagina.
22:15Imagina.
22:16Olha só.
22:18Quem tem que combater o narcotráfico no Rio de Janeiro...
22:21Recentemente...
22:22Quem tem que combater o narcotráfico são as polícias do Rio de Janeiro,
22:26apoiadas pelo governo federal no que for necessário.
22:29Existem N ações militares que podem não ser necessárias.
22:32Que são necessárias e que não podem ser as de entrar.
22:35São as ações de apoio, ações logísticas, ou de cerco, ou de cerco, ou de inteligência,
22:43ou de tudo que for necessário.
22:44O que não pode é achar que não tem que fazer.
22:48A guerra urbana é uma especialidade do Exército.
22:52Se nós estamos numa guerra urbana, como que o Exército não está preparado para uma guerra urbana?
22:55Você acha que esse ponto mesmo não é guerra urbana?
22:57Não é a tua dúvida.
22:59Nós estamos numa guerra urbana, pelo amor de Deus.
23:01Estilo de guerrilha, né?
23:02É, é uma guerra assimétrica, né?
23:06É uma guerra híbrida e assimétrica.
23:09Para quem não sabe o que quer dizer isso, é que você tem grupos pequenos contra grandes estruturas.
23:16Só que grupos pequenos bem organizados, fazendo estrago na base da grande estrutura.
23:20Isso é uma guerra assimétrica, de tamanhos diferentes de estrutura de combate.
23:25E a guerra híbrida é aquela que não é apenas batida de frente.
23:30É a narrativa da comunicação, é uma guerra híbrida.
23:33Por exemplo, o uso da comunicação com narrativas, para desacreditar uma operação, é uma guerra híbrida.
23:39Então, é preciso compreender.
23:40Pois é, está tendo a operação nessa guerra híbrida.
23:44É muito sério, Zé.
23:46É muito sério.
23:47O governador do Rio tem agora uma operação, eu acho que um desafio, é de tirar todos os entrados, né?
23:54As barricadas.
23:55As barricadas, e são mais de 400 barricadas.
23:58E abrir o...
24:00É impressionante isso, mas...
24:02Zé, eu vou te fazer uma pergunta.
24:05Vamos falar de golpe de Estado?
24:08Vamos.
24:09Então, vamos lá.
24:09O que é que tu achas de um deputado votado pelo tráfico, que ocupe a alérgia no Rio de Janeiro, um cargo da alérgia?
24:17Há pouco.
24:18TH Joias vem do tráfico.
24:22O que é que tu acha do tráfico eleger um deputado estadual, colocar na Assembleia Legislativa,
24:30dentro da democracia, dentro do Estado democrático, vindo do Estado paralelo...
24:37Que é um Estado paralelo.
24:38O Estado paralelo vem para dentro do Estado democrático, recebe poder e recursos que ele vai investir no Estado paralelo para tomar mais espaço do Estado democrático.
24:50Eu fui claro.
24:51Eu fui claro.
24:51Olha só.
24:52O Estado paralelo elege democraticamente, no nosso sistema, um deputado estadual que vai para alérgia...
24:59Sim, porque ele é protegido pelo...
25:01Olha só.
25:02Mas foi eleito.
25:03Os outros deputados não entram, né?
25:05Foi eleito.
25:05Foi eleito, brother.
25:06Eleito.
25:07No nosso sistema eleitoral, ele foi eleito.
25:10E aí ele vai pegar os meios do Estado democrático para investir no poder do Estado paralelo.
25:16E proteger o governo.
25:17O que vai acontecer?
25:18Estado paralelo vai crescendo.
25:20Isso não é um golpe de Estado?
25:22Sim.
25:22Isso é um golpe de Estado, cara.
25:24Está acontecendo todos os dias no nosso país.
25:26É uma ocupação.
25:27Estão ocupando o Estado democrático.
25:29Aí tem outros chegando aí.
25:31Estão outros chegando.
25:32Quantos foram eleitos por votos que foram basicamente de dentro de facções e comunidades?
25:39A informação que eu tenho é de 12.
25:41Pois é.
25:41Dos 513 deputados, 12.
25:44Imagina, é federal, né?
25:45Federal.
25:45E os estaduais, cara.
25:47E os vereadores.
25:48Então, o Estado democrático de direita, ele está dilacerado por dentro.
25:55Mas não por causa de posições políticas de direita ou de esquerda.
26:00Ele está sendo consumido pelo narco-Estado, que é paralelo.
26:05Isso é um golpe de Estado.
26:07Que as pessoas não querem ouvir.
26:11Preferem discutir se o Bolsonaro falou besteira ou não.
26:15A realidade é.
26:17Nós precisamos reorganizar as leis.
26:20Ajustar e adequar as leis para a civilização de 2025.
26:24Leis de 40 a 60 anos.
26:26Que não funcionam mais.
26:28Essas leis estão cheias de brechas.
26:30Que o inimigo, aspas, que o Estado paralelo usa para manter os criminosos soltos.
26:37Deputado, me diga uma coisa.
26:40O senhor acha que o governo tinha possibilidade de combater?
26:45Quer dizer, o governador do Rio errou em deixar chegar a esse ponto?
26:49Só errou de não ter feito antes.
26:51Pois é.
26:52Olha só, o único erro é não ter feito antes.
26:54Mas o espaço político e preparatório demorou para acontecer.
27:00Nós viemos numa DPF 635.
27:02E recebeu o apoio da população.
27:03Olha só.
27:04Nós viemos numa DPF 635, o que foi anos.
27:08As facções se fortaleceram.
27:13Ocuparam posições.
27:15Fizeram mais barricadas.
27:17Ocuparam posições preparadas para se defender das incursões da polícia e de outras facções.
27:22Nós estamos falando de território ocupado.
27:27Sem soberania.
27:28Sem nenhuma soberania.
27:29Zero.
27:30Então, a decisão de ir já foi tarde.
27:34Mas talvez não havia era o espaço político e o apoio necessário para agir.
27:40É muito legal você andar no Rio e ver um carro da polícia passar e as pessoas aplaudirem.
27:45Você vê um policial, sempre eu pergunto nas minhas palestras, eu pergunto quantas vezes você desceu
27:53ou foi até um policial para agradecer o serviço dele.
27:58Quantas vezes você foi lá e diz muito obrigado pelo seu serviço, guerreiro.
28:02Por estar aí expondo o seu próprio corpo para nos defender.
28:06Numa cidade dominada pelo narcotráfico.
28:09É isso mesmo.
28:09Então, como você vai esperar que essas pessoas se sintam parte da sociedade?
28:20Eles se sentem à parte da sociedade e não se sentem apoiados.
28:27É nossa missão apoiar as polícias militares, polícia civil, polícia federal,
28:32apoiar o sistema policial brasileiro.
28:35É nossa missão apoiar o governador Cláudio Castro, que tomou decisões duríssimas, com risco pessoal.
28:43Cláudio Castro nunca mais anda no Rio de Janeiro, nem ele, nem ninguém, sozinho.
28:48Quem tomaria essa decisão?
28:51Olha só, volto a colocar para você.
28:54Ou nós retomamos os territórios como nação, com os três governos trabalhando juntos.
29:01Nós nunca mais podemos ter prefeituras dizendo que não tem nada a ver com segurança pública.
29:07A cidade é da prefeitura.
29:11Ou seja, todos estão sob o comando do governo municipal.
29:16O Estado, o governo estadual, ele é quase etéreo nesse jogo.
29:20Ele não tem cidade.
29:22Ele tem um Estado que engloba as cidades.
29:24Como o governo municipal, os governos municipais no Rio, de 92 municípios,
29:31podem dizer que não tem nada a ver com segurança pública?
29:34Se a Constituição diz que é dever de todos...
29:40O direito, né?
29:41É, o dever de todos.
29:43O direito do cidadão e do Estado.
29:44E a responsabilidade é do Estado.
29:46Mas não é Estado da federação.
29:49É o Estado brasileiro.
29:50É o Estado brasileiro.
29:51De forma lato.
29:53Então, é preciso entender que a decisão foi fundamental, necessária e atrasada.
29:59Mas, com certeza, dentro de um tempo necessário para ter o respaldo político para tomar aquela decisão.
30:06General Pazuello, deputado federal do Rio de Janeiro, nessa conversa boa aqui,
30:10falamos sobre assuntos importantes.
30:12Muito obrigado por estar aqui nos estúdios.
30:14Podia falar a noite inteira.
30:15E muito obrigado a você que esteve aqui acompanhando o Ponto Final.
30:20É isso aí.
30:21Muito obrigado.
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