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O mercado financeiro brasileiro volta todas as suas atenções nesta quarta-feira para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre os rumos da taxa básica de juros, a Selic. O cenário ganha contornos de "Super Quarta", pois a expectativa também é grande em relação à decisão do Federal Reserve (o Banco Central americano) sobre um possível corte de juros nos Estados Unidos, o que impacta diretamente a economia global e o câmbio
Reportagem: Rodrigo Viga


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Transcrição
00:00É porque os olhos do mercado brasileiro se voltam hoje para a decisão do Copom sobre os rumos da taxa de juros.
00:07A expectativa fica também sobre o corte de juros nos Estados Unidos.
00:12A reportagem é de Rodrigo Viga.
00:14Apesar da inflação oficial do país, o IPCA do IBGE está querendo encaixar no teto da meta, parecendo de 2025.
00:23Analistas e especialistas ouvidos pela Jovem Pan acreditam que nesta chamada superquarta,
00:28o Comitê de Política Monetária, o Copom Brasileiro, vai manter a taxa básica de juros, Selic, em 15%.
00:37Tem decisão de juros nesta quarta aqui e também nos Estados Unidos.
00:42Só que o viés é diferente, enquanto que lá a tendência é de queda, por aqui é de manutenção da taxa básica de juros.
00:49O Selic, por aqui, começou a subir no segundo semestre do ano passado para segurar, frear a inflação.
00:57Até atingir no primeiro semestre desse ano, o atual patamar de 15%.
01:00É o nível mais alto desde o ano de 2006.
01:05É bem verdade que nesse segundo semestre a inflação começou a declinar e apontar para dentro do teto da meta.
01:14O próprio mercado financeiro, através do boletim Focus do Banco Central, já está projetando uma inflação do IPCA em 2025 em 4,40%.
01:26O centro da meta é de 3% para esse ano, com margem de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo.
01:31Ou seja, no limite, o IPCA pode atingir 4,50%.
01:38João Ferreira, sócio da ONU Investimentos, fala aqui na Jovem Pan dessa expectativa em torno da super quarta com decisão de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
01:52Hoje o consenso é de manutenção. O Banco Central deve manter a Selic no patamar atual de 15% ao ano.
01:58Embora nós tenhamos visto os dados benignos de inflação, com o IPCA projetado agora em 4,3% ao ano, abaixo dos 4,5% que eram previstos anteriormente.
02:08Só que o comitê enfrenta um cenário que exige prudência.
02:10A atividade econômica, apesar de estar desacelerando, ainda mostra resiliência e o mercado de trabalho continua aquecido, pressionando a inflação de serviços.
02:19A prévia da inflação oficial do país, o IPCA 15 do IBGE, já veio em 12 meses no limite da meta.
02:274,50% nos 12 meses encerrados em novembro.
02:32Nesta quarta-feira, o IBGE divulga o IPCA cheio e fechado deste mês de novembro de 2025.
02:41Matheus Cabral, da Guardian Capital, analisa aqui na Jovem Pan a situação inflacionária e dos juros nesta superquarta.
02:51Tem uma pressão muito forte, politicamente falando, para que o corte de juros ocorra,
02:55mas que no mercado não imagina que isso vai acontecer pelo menos até o final do primeiro trimestre de 2026.
03:02Dado as eleições ali, o mercado fica bem aquecido, fica bem volátil, digamos assim,
03:09o que pressiona muito para que esse corte de juros ocorra,
03:12mas o que não é precificado para tão próximo, principalmente por conta do controle da inflação,
03:17que a gente não tem conseguido manter a níveis de patamares estáveis.
03:20Recentemente em São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo,
03:24revelou que a taxa básica de juros Selic deve permanecer nesse atual patamar de 15%
03:30por um longo período para garantir a convergência da inflação
03:35e também para evitar que pelo segundo ano consecutivo
03:39o país não consiga cumprir a sua meta inflacionária.
03:44Do Rio, Rodrigo Viga.
03:47E o mercado já faz as apostas para a última super quarta do ano de 2025
03:54quando coincidem decisões sobre juros básicos da economia aqui no Brasil
03:59e também nos Estados Unidos.
04:01O comentário é da Denise Campos de Toledo.
04:04Hoje é a super quarta com decisões sobre os juros pelos bancos centrais daqui dos Estados Unidos.
04:09No âmbito doméstico, embora se tenha alguma torcida por eventual corte,
04:13a aposta unânime do mercado é de manutenção mesmo da Selic
04:16nos 15% ao ano.
04:18O Copom tem sinalizado dúvidas quanto às perspectivas de andamento da economia
04:22por dados ambíguos como a força do mercado de trabalho
04:25que parece contraditória diante justamente do prolongado ciclo de juros altos.
04:31Em tese, era para o aperto monetário ter produzido algum impacto também nesse sentido.
04:35A inflação corrente e as projeções podem até estar recuando,
04:39mas há incertezas quanto ao tempo que ainda levará para convergirem para o centro da meta os 3%.
04:45E até a gestão das contas públicas, o aumento da dívida pode atrapalhar com pressões inflacionárias adicionais.
04:52Tem agora, inclusive, questões políticas que afetam o mercado e podem entrar no radar,
04:56com o impacto que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro teve no câmbio e na Bolsa,
05:01sendo que o dólar tem papel relevante na formação de vários preços.
05:04Mais que a decisão, o mercado aguarda o recado que virá no comunicado do comitê,
05:10já contando com o início do corte dos juros, só em março do ano que vem,
05:14não mais em janeiro, como previa até algumas semanas atrás.
05:17Já em relação ao FED, o mercado aqui no exterior espera por mais um corte de 0,25 ponto nas taxas,
05:24hoje entre 3,75% e 4% ao ano, o que pode favorecer o maior fluxo de investimentos
05:30para outros mercados, diante da menor rentabilidade dos títulos americanos.
05:35Mas ainda há dúvidas diante das indicações incertas quanto à fraqueza do mercado de trabalho,
05:41o andamento da inflação e da atividade.
05:43A repercussão maior das decisões de hoje fica para amanhã,
05:47embora a decisão do FED já saia no meio da tarde.
05:50Copom só depois do fechamento do mercado.
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