Pular para o playerIr para o conteúdo principal
A primeira "Super Quarta" de 2026 trouxe a manutenção das taxas de juros tanto pelo Banco Central do Brasil quanto pelo Federal Reserve, nos Estados Unidos. A decisão, amplamente aguardada pelo mercado, reflete o cenário da cautela econômica global. Para entender os impactos dessas medidas e as projeções para as próximas reuniões, o Jornal Jovem Pan entrevista o economista André Galhardo.


Assista ao programa completo:
https://youtube.com/live/2KAACKdF6OI

Canal no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Threads:
https://www.threads.net/@jovempannews

Kwai:
https://kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#JornalJovemPan

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00A primeira superquarta do ano concentrou as atenções dos investidores
00:04nos rumos da política monetária no Brasil e também nos Estados Unidos.
00:08O Banco Central e o Federal Reserve mantiveram as taxas de juros.
00:13Decisões amplamente esperadas pelo mercado.
00:16A gente tem um convidado especial para entender melhor os impactos dessa superquarta
00:20e naturalmente projetar as próximas reuniões.
00:24Professor e economista-chefe na análise econômica, André Galhardo,
00:28de volta aqui na programação da Jovem Pan,
00:31sempre e quando possível o André participa aqui dos nossos programas e telejornais.
00:34André, muito obrigado pela gentileza mais uma vez em participar aqui do Jornal Jovem Pan.
00:40Boa noite, Caniato. Boa noite a todos que nos assistem.
00:42É um prazer sempre falar com vocês.
00:46Separar a primeira resposta em duas partes.
00:49Primeiro a gente fala do Brasil, depois dos Estados Unidos.
00:52No Brasil, há algumas semanas havia uma expectativa de que nessa primeira reunião
00:56poderia ter uma redução na taxa de juros.
01:01Depois o mercado entendeu que não, que isso provavelmente ficará para o mês de março.
01:05Dito e feito, manutenção na taxa de 15%.
01:08Era isso mesmo? Nenhuma surpresa?
01:11O que a gente pode esperar para março?
01:14Era isso mesmo, Caniato.
01:15Eu mesmo esperava, dados os sinais da economia brasileira,
01:19achava que havia um espaço, né?
01:20Eu achava que havia um espaço para um corte de juros em dezembro.
01:24Nem em janeiro.
01:26Essa é uma discussão ampla, né?
01:28O mercado todo e o próprio Banco Central vem discutindo sobre o timing, né?
01:33Desse início do que a gente chama de flexibilização da política monetária.
01:38Que nada mais é que o início do ciclo de cortes de juros por aqui.
01:42Não aconteceu em dezembro.
01:44E aí nós mudamos as nossas projeções.
01:46Não aconteceu em janeiro também.
01:48E agora, segundo o próprio Banco Central, pela primeira vez,
01:52depois de cinco reuniões consecutivas de manutenção dessa taxa de juros,
01:56pela primeira vez, logo no comunicado expedido,
01:59após a decisão, o Banco Central, o Copom,
02:02disse que é possível um corte de juros em março.
02:06Eu digo é possível e está praticamente certo,
02:10porque ele mesmo disse, né?
02:11Ele, digo o Copom, disse que em se mantendo o cenário
02:16que eles acreditam que vai acontecer,
02:19uma taxa de juros, o Copom antevê um corte de juros
02:24para a segunda reunião de 2026, que vai acontecer em março.
02:27Então, aqui no Brasil, depois de uma longa espera,
02:30nós temos a taxa de juros mais alta em 20 anos, Caniato.
02:34Então, depois de uma longa espera,
02:36aparentemente, vem o início do ciclo de cortes de juros aqui no Brasil
02:40a partir da segunda reunião de 2026,
02:43a segunda reunião do Copom esse ano.
02:45Pois é, agora, nos Estados Unidos,
02:47o Federal Reserve também optou pela manutenção,
02:50só que não foi uma decisão unânime.
02:52Agora, muitos norte-americanos entendiam que
02:55poderia acontecer uma redução por conta da pressão de Donald Trump.
02:59que a gente pode esperar.
03:01Qual é o cenário do Federal Reserve
03:02quando a gente olha para a taxa de juros dos Estados Unidos?
03:05André?
03:06Olha, Caniato, a situação do Brasil e dos Estados Unidos são diferentes.
03:11Por lá, apesar de muitos economistas, inclusive eu,
03:14esperar um processo de desaceleração da atividade econômica,
03:18desaceleração da economia norte-americana,
03:20isso não aconteceu.
03:22Inclusive, vários indicadores que vêm saindo ao longo dos últimos meses
03:26mostram que a economia americana segue muito forte.
03:29Então, lá, de fato, existe um temor
03:32de que se começar a cortar os juros de qualquer forma,
03:35de qualquer jeito, a qualquer custo,
03:37como, por exemplo, pretende o Donald Trump,
03:40isso poderia, na teoria, o que dizem os manuais macroeconômicos,
03:44isso poderia desencadear uma resiliência da inflação.
03:49A inflação poderia ficar alta por mais tempo.
03:51Então, lá nos Estados Unidos é um pouquinho diferente.
03:54Existem sinais de acomodação no mercado de trabalho,
03:56o mercado de trabalho americano está um pouco mais fraco
03:59e isso é que gera um pouco de debate.
04:01Poderia cortar? Não poderia?
04:03Bom, o que aconteceu é que, depois de três cortes consecutivos por lá,
04:08dessa vez, o Comitê de Política Monetária deles,
04:11equivalente ao nosso COPOM,
04:12decidiu manter a taxa básica de juros inalterada.
04:15É o que parece que vai acontecer também na segunda reunião do ano,
04:17que também acontece em março por lá.
04:20Aliás, dificilmente o Fed optará por um corte de juros antes de abril,
04:24na terceira reunião do ano,
04:26e a última da qual participará o atual presidente do Banco Central americano.
04:32Como você bem disse, Caniato, a decisão não foi unânime.
04:36Dois dirigentes dos 12 que votam lá na política monetária,
04:42ali na taxa de juros,
04:43dois votaram por um corte.
04:45Um deles, um diretor recém-indicado por Donald Trump,
04:50entrou em setembro, ali dentro do conselho,
04:53que vota pela taxa de juros.
04:55Ele mais uma vez votou,
04:58eu digo mais uma vez que a última reunião o Fed havia cortado,
05:01mas ele havia optado por um corte maior.
05:03Dessa vez, ele junto com outro diretor votaram por um corte,
05:07enquanto a maioria votou pela manutenção.
05:08Em resumo, o Banco Central norte-americano
05:12decidiu pausar o ciclo de cortes de juros.
05:14Por lá, dificilmente retomará esse ciclo de cortes antes de abril,
05:18na última reunião de Jerome Powell, o atual presidente do Fed.
05:23Perspectivas econômicas em destaque no Jornal Jovem Pan.
05:25André Galhardo, ao vivo, aqui com a gente.
05:27André, peço licença.
05:29Maria de Carli fará a próxima pergunta.
05:31Oi, André. Boa noite.
05:33Bom, o Fed e o Trump vivem uma verdadeira queda de braço.
05:37Você mesmo mencionou aí, pincelou o que acontece.
05:40E, recentemente, o Trump já indicou o seu preferido
05:43para substituir o Powell, que é o Kevin Walsh,
05:46que tem passagem também anterior no Fed.
05:49Nesse sentido, o que a gente pode esperar
05:50desse novo possível presidente aí do Fed?
05:53Se ele, de fato, primeiro, vai ter o apoio do Congresso,
05:56que está bem chateado com o Trump,
05:57por conta da questão criminal envolvendo o Powell,
06:01toda essa queda de braço.
06:01E se o Walsh vai ser um yes sir do Donald Trump
06:05ou vai ter autonomia para conseguir aí aplicar
06:08e preservar a independência do Fed?
06:12Bom, obrigado pela pergunta.
06:14É difícil de saber, né?
06:15Assim, a gente viu aqui no Brasil, por exemplo,
06:17quando trocou, quando nós tivemos a mudança
06:20na presidência do Banco Central,
06:22falou-se muito sobre o Galípolo,
06:24que o Galípolo ia fazer uma política muito diferente
06:26da do Campos Leto.
06:27E, na verdade, quando a gente olha para a política monetária,
06:29o Galípolo tem sido muito mais duro
06:31do que o Campos Leto foi.
06:34Então, ele mesmo disse publicamente
06:35que os modelos do Banco Central brasileiro
06:37indicam uma taxa de juros,
06:39desculpa, uma taxa de inflação em 3,2%.
06:42Ele falou que a meta é 3,
06:43e não 3,2%, nem 3,3%.
06:46Então, tem sido duríssimo.
06:48Eu chamo a atenção para o caso brasileiro
06:50porque isso pode acontecer nos Estados Unidos.
06:52Embora o Trump tenha ali três indicações,
06:56em maio,
06:57incluindo a presidência do Banco Central norte-americano,
07:01o Federal Reserve é composto por muitos membros.
07:04Tem muita gente ali, muitos técnicos,
07:06os próprios diretores que tomam as decisões.
07:09Mesmo que o Kevin tenha interesse em atender
07:14aos pedidos de Donald Trump,
07:16não é tão simples quanto parece.
07:18A gente sabe que, eventualmente,
07:21as diretorias que não estão diretamente ligadas
07:23à política monetária podem seguir o voto do presidente
07:26ou o voto do diretor de política monetária.
07:29Eles podem influenciar outros votos de diretorias
07:32que não estão diretamente ligadas
07:34às questões econômicas, de fato,
07:36ou às questões de política monetária.
07:38No entanto, é difícil imaginar
07:40que os três indicados pelo Trump
07:42deturpariam tanto os interesses
07:45do Banco Central dos Estados Unidos,
07:47que é combater a inflação
07:48e fomentar o pleno emprego,
07:51de tal modo que isso pudesse ocasionar
07:53quedas de juros muito abruptas, etc.
07:56Eu acho difícil.
07:57Em se tratando dos Estados Unidos,
07:58do governo Trump,
07:59a gente pode esperar de tudo.
08:01Mas eu acho difícil
08:02que a mudança na presidência do Fed
08:04seja capaz de mudar
08:07a forma como o Federal Reserve,
08:09o Banco Central dos Estados Unidos,
08:10tem conduzido a sua política monetária.
08:13Como eu disse, posso estar enganado.
08:14Mas lá antes, aqui,
08:16voltando para o Brasil,
08:17só para a gente contextualizar,
08:18eu havia falado,
08:19eu e vários colegas economistas,
08:21nós havíamos falado que
08:22dificilmente o Galípolo,
08:24mesmo com vários diretores
08:25já indicados por esse governo,
08:28mudariam a forma como a gente lida
08:30com a política monetária
08:31e eu acho que isso deve se repetir
08:33nos Estados Unidos.
08:34O Trump tem total direito
08:35de falar sobre os seus interesses,
08:39os juros menores, etc.
08:40peca ao acusar o Jerome Powell,
08:44o atual presidente do Fed,
08:45de um monte de coisa,
08:47agredido sempre que pode.
08:49No entanto,
08:49é direito do presidente americano
08:51querer taxas de juros mais baixas,
08:54inclusive de interesse político.
08:56Agora,
08:57se isso vai se traduzir
08:58numa ingerência,
09:00diminuição da independência
09:01do Banco Central americano,
09:02acho difícil.
09:03É uma questão importante,
09:05a gente precisa ficar de olho
09:06ao que todo mundo tem falado,
09:07o que está em jogo,
09:08nada mais, nada menos,
09:09que é a independência
09:10do Banco Central
09:11dos bancos centrais.
09:12As decisões tomadas pelo Fed
09:14e pelo Banco Central,
09:15manutenção na taxa de juros
09:17no Brasil e nos Estados Unidos
09:18e, claro,
09:19perspectivas econômicas
09:20tratadas com André Galhardo
09:22ao vivo aqui na programação.
09:23André,
09:24muito obrigado mais uma vez
09:25pela gentileza,
09:26bom fim de sábado,
09:27bom fim de semana
09:28e volte mais vezes.
09:30Eu que agradeço,
09:30Caliato,
09:31um abraço.
Comentários

Recomendado