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O especialista Leonardo Trevisan analisa a possível indicação de Kevin Hassett por Donald Trump para comandar o Federal Reserve, o impacto dessa escolha na credibilidade do banco central americano e como a pressão sobre Jerome Powell se conecta à inflação, ao mercado de trabalho e às tarifas impostas pelos EUA.

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Transcrição
00:00Sobre as expectativas para o próximo presidente do Federal Reserve, eu converso com Leonardo Trevisan,
00:05economista e professor de relações internacionais da SPM.
00:09Boa noite, professor. Tudo bem, Trevisan?
00:11Boa noite, meu caro. Boa noite, Felipe. Boa noite a todos que nos escutam.
00:16Muito bem.
00:17Professor, o que parece favorito para ser indicado por Trump é o Federal Reserve Bank é o Kevin Hassett,
00:22que hoje é conselheiro econômico do presidente.
00:24Essa indicação seria apropriada? Como é que você vê o nome do Kevin Hassett para essa posição?
00:30Bom, a primeira situação é a proximidade de Kevin Hassett com a política econômica efetiva da Casa Branca.
00:39Ele é o principal conselheiro econômico, presidente do Conselho de Economia,
00:43evidentemente tem à sua disposição os ouvidos presidenciais.
00:49Isso é um fato indiscutível.
00:51E, de alguma forma, como o próprio Bassett anunciou em uma entrevista na CNBC,
01:01ele dizia que está próximo, que ele gostaria que fosse antes do Natal.
01:06A nomeação do Kevin Hassett, ele pode, de alguma forma, ajudar a ter algum rumo para o ano que vem.
01:18Essa tentativa de falar, sabe, Felipe, do presidente do Banco Central com praticamente seis meses de antecedência,
01:28com o Senado tendo que votar depois, faz parte de alguma, vamos dizer desta forma,
01:35de alguma tentativa de recuperar controle da cena econômica.
01:40Este é o ponto.
01:44Atenção, o próprio Hassett, ele, numa entrevista no domingo,
01:55ele disse que ia tudo bem porque os juros dos títulos dos treas juros americanos tinham ido para baixo de 4%.
02:05Então, o juros era baixo porque todo mundo estava querendo comprar títulos.
02:09Não é bem isso que o mercado americano sinaliza.
02:13De alguma forma, quando você olha para a realidade econômica,
02:19quando você olha para os números novos do Departamento do Trabalho,
02:24o quadro é um pouco diferente.
02:26A gente tem que lembrar sempre que a presidência do Banco Central americano
02:32tem obrigações diferentes, por exemplo, das nossas.
02:36Ele tem que cuidar da inflação, mas tem que cuidar do emprego também.
02:42A pressão está muito forte, de alguma forma, para a subida inflacionária,
02:47e essa sinalização repentina de quem será o novo presidente do Banco Central americano
02:53e envolve sempre aquela mesma máxima de Trump.
02:58Faça uma saída midiática.
03:01Ele colocou, possivelmente, provavelmente, eu anuncio.
03:06Aí ele fez uma insinuação sem se comprometer.
03:11Eu já sei quem vou nomear.
03:14Se a situação americana no ano que vem se tornar ainda mais preocupante do que ela está agora,
03:19a nomeação do Banco Central será a chave para saber o quanto os Estados Unidos,
03:28o quanto a próxima metade do mandato de Trump terá um ou outro sentido.
03:35Será um pato manco com as eleições, de fato, o derrotando ou no Senado ou na Câmara,
03:43o que inviabilizaria o governo pelos últimos dois anos,
03:46e exatamente porque os americanos votariam com o bolso.
03:52Então, é desta forma que eu acho que a sensação para eles é de criar algum factóide,
03:59de criar um movimento midiático para, de algum modo, dizer que estamos fazendo alguma coisa.
04:07Fiquem tranquilos, o mundo vai melhorar.
04:09Nós sabemos bem que não é bem assim.
04:12Professor, quando o senhor falou pato manco, eu já estava com essa expressão na cabeça há algum tempo,
04:16mas não era em relação apenas ao presidente Donald Trump, não.
04:18Estava em relação ao próprio presidente do Banco Central, o próprio Jerome Powell.
04:22Se o Kevin Hassett é anunciado agora, praticamente está todo mundo de olho no que ele vai falar.
04:28O Jerome Powell é meu praticamente pode ir para casa, pode ficar lá com a esposa dele,
04:33que ninguém mais vai ouvir o que ele está falando.
04:35Agora, o Banco Central americano também é conhecido por sua independência.
04:39O próprio Jerome Powell está aguentando uma pressão que acho que nunca...
04:43Nem no Brasil, nas piores pressões do presidente Lula sobre o presidente Roberto Campos Neto naquela época,
04:48a gente não viu uma pressão tão grande como quando o presidente Trump está fazendo sobre o Jerome Powell.
04:54Agora, se ele colocar o Kevin Hassett, que já é um conselheiro do próprio governo,
04:58isso não mina um pouco a credibilidade do Banco Central americano,
05:01que é essencial para tocar a economia americana?
05:02Olha, eu acho que ele pode fixar datas.
05:07Todo mundo sabe que taxa de juros...
05:11Nas aulas de economia, a gente brinca sempre igual.
05:14Taxa de juros é que nem gravidez.
05:15Ela só faz efeito nove meses depois.
05:18E cuidado, preste atenção.
05:20Então, de alguma forma, quando nós olhamos para a possibilidade de manter Jerome Powell
05:25até maio, de manter o mesmo perfil dos diretores do Banco Central.
05:32Você tem toda razão em lembrar isso.
05:35O Banco Central norte-americano é uma entidade independente, privada.
05:41Ela obedece a 19 diretores de Banco Central regionais,
05:47que tem poder de voto absolutamente independente e são todos indemissíveis.
05:55Então, quando nós olhamos para essa realidade, o presidente Jerome Powell,
06:00cada vez que ele era xingado...
06:01Porque não tem outra palavra, né, filho?
06:03Ele era xingado pelo Trump, ele...
06:08Dava de olhos, né?
06:10Deixa para lá.
06:11Porque ele sabia o poder que ele tem.
06:14Ele sabia o quanto ele estava apoiado pela maioria dos presidentes dos bancos regionais.
06:21Trump tentou assustar esses presidentes, como o caso Lina Cook, né?
06:26Que é aquela diretora do Banco Central que teria feito uma fraude no seu imposto de renda.
06:33A justiça não considerou assim.
06:38A primeira etapa não foi isso, porque não era bem isso que estava se tratando.
06:42Não se tratava de fraude.
06:43Então, de alguma forma, a independência do Banco Central é muito cara.
06:50Tem uma imagem, sabe, Felipe, sobre o Banco Central americano,
06:54que a gente tem que lembrar o tempo inteiro.
06:57Todas as faculdades de economia dos Estados Unidos ensinam essa mesma imagem.
07:02Qual é a função do presidente do Banco Central?
07:06A função maior do presidente do Banco Central é, no melhor da festa, tirar a poncheira da festa e levar embora.
07:16Poncheira é aquela bebida meia adocicada, feita com Scott e rum, e coiaque, e ela sobe muito rápido.
07:30Então, para evitar que as pessoas briguem na festa, ou então batam o carro quando voltarem para casa,
07:37a função do Banco Central é tirar a poncheira da festa.
07:41É disto que nós estamos falando.
07:43Não, com certeza.
07:45Trevisan, teve uma...
07:47A gente lembra que o Banco Central americano, para a gente lembrar aqui, que é importante,
07:50ele trabalha com aquele mandato duplo, né?
07:52Não é como o Banco Central brasileiro que está mais de olho na inflação.
07:55Eles estão de olho na inflação, mas também estão de olho no mercado de trabalho.
07:57Bom, se você pensar assim, o mercado de trabalho americano, ele está meio que...
08:03Não está nem indo muito bem, também não está com um grande desemprego,
08:07mas a inflação, se você pensar, ela está chegando a...
08:10Desculpa, 3%, está 1% a mais do que a meta, que é 2%, né?
08:14Está 2,9% acumulado nos 12 últimos meses, mais ou menos por aí.
08:18Então, na teoria, o Banco Central americano teria que segurar os juros para atacar a inflação.
08:23E mesmo assim, o Jerome Powell disse que nessa discussão, nesse desafio, eles estão optando por...
08:30Nas últimas duas, nas duas últimas reuniões, eles optaram por cortar justamente a taxa de juros.
08:37O Powell está cedendo a pressão do Donald Trump?
08:40Ele cortou aquilo que os números permitiam.
08:44E ele já disse, o Jerome Powell já disse, que pode parar por aí dependendo dos novos números dos Estados Unidos.
08:51Você lembrou bem, a inflação norte-americana está metade a mais do que a meta, né?
08:57Era 2%, está em 3%.
09:00Quanto ao mercado de trabalho americano, né?
09:03É melhor a gente observar as matérias que têm surgido, inclusive no Wall Street Journal,
09:10mostrando qual é o perfil das vagas.
09:12O perfil das vagas não são de vagas com altos salários.
09:18Ao contrário, são trabalhos de meio período, são trabalhos...
09:23Inclusive, sinaliza forte substituição do trabalho imigrante.
09:30Ora, nessa realidade, nós podemos dizer que o mercado de trabalho, você tem toda razão, como eu disse.
09:39O Banco Central americano, ele trabalha tanto com inflação como com emprego.
09:47O Banco Central americano, como disse o Jerome Powell, vai prestar atenção nos dados.
09:53Se prestar atenção nos dados, por isso eu brinquei com isso, ele vai tirar a ponchila da festa.
10:00Pouco importa o que o presidente Trump disser.
10:03Atenção, Jerome Powell tem, por estatuto do Banco Central americano,
10:09direito de permanecer no Conselho do Banco, votando por mais dois anos,
10:16e não abrindo uma vaga extra.
10:19Você já imaginou a situação, Felipe?
10:21Se o presidente dos Estados Unidos nomeia um presidente do Banco Central,
10:26que na sua primeira reunião é derrotado no Conselho?
10:30Essa situação é um efeito significativo.
10:38A gente vê que a inflação, professor, não está cedendo nos Estados Unidos.
10:42A gente viu, inclusive, o presidente Donald Trump voltando atrás na aplicação de algumas dessas tarifas,
10:46inclusive beneficiando o Brasil.
10:48Apesar do Trump não admitir, essas tarifas estão pesando na inflação?
10:51Ah, sem dúvida.
10:54É impossível não notar, principalmente as tarifas, das conexões.
10:59Porque a gente tem uma ideia que as tarifas são só para os produtos commodities,
11:02para os produtos de primários.
11:04As conexões.
11:06Aquilo que apareceu, que todo mundo percebeu no computador, aparece no ferro elétrico.
11:12Os Estados Unidos não produzem mais todos os produtos.
11:18Ah, a globalização acabou.
11:20Vamos devagar.
11:21Existem cadeias produtivas internacionalmente definidas,
11:25que não são desativadas de uma hora para a outra.
11:29Se o cabo do ferro elétrico, que chega, sei lá, do Vietnã,
11:33paga 20% a mais agora, porque estava pagando 40%.
11:38É evidente que o preço do ferro elétrico sobe.
11:41As cadeias produtivas da indústria automobilística americana são duras.
11:46É aquilo que todo mundo viu quando percebeu a importância dos metais raros
11:51e da imantação nos chips, que tem a industrialização e o processamento
11:57é todo chinês, fora que 60% desses metais raros são de controle direto da China.
12:04Ora, nós estamos falando de integração de cadeia produtiva.
12:08Nesse contexto, a gente olhou para o café, olhou para o suco de laranja
12:13e esqueceu o ferro de passar.
12:16Esqueceu que os Estados Unidos são um país extremamente consumista.
12:20As pessoas não consertam os seus elétricos domésticos.
12:23E nem carros.
12:25Compram no leasing do ano seguinte.
12:26Então, quando nós olhamos para esse quadro, a pressão inflacionária é alta.
12:34Você pode me dizer, Trump sabe disso muito bem, pretende usar esses recursos
12:38para equilibrar o orçamento e poder cortar empréstimo dos mais ricos.
12:44Ok.
12:45Essa é o excerto da política.
12:49Essa é a base da política.
12:51Ótimo.
12:51Tá bom.
12:52É o que eles querem fazer.
12:53Está dando certo.
12:54A inflação está dando resposta.
12:58Então, de algum modo, a tarifa pesa sim.
13:03Não adianta a gente olhar só para as tarifas que ele recuou em alguns casos,
13:08porque, de fato, real,
13:11aquilo que era a tarifa média de importação dos Estados Unidos até abril,
13:17em torno de 2,5%, passou para 17%, a tarifa média.
13:23Se isso não vai ter impacto inflacionário, desculpe, nós temos que revisar todos os manuais de economia.
13:29Então, de alguma forma, esse quadro sinaliza que a presidência do Banco Central tem obrigação, sim,
13:37de tirar a poncheira, que, aliás, nem está na festa.
13:41A festa se prolonga, ninguém vai embora e estão bebendo demais.
13:46Legal.
13:46Vamos aguardar, então, professor, próxima quarta-feira, dia 10 de dezembro,
13:50a reunião, última reunião do ano, do Federal Reserve Bank, o Banco Central americano.
13:54Professor, super obrigado.
13:55Sempre muito bom falar com o senhor.
13:57Leonardo Trevisan, economista e professor de Relações Internacionais da ESPN.
14:01Professor, boa noite.
14:03Boa noite.
14:04Muito obrigado pelo convite.
14:05Boa noite a todos.
14:06Boa noite.
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