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O Conselho de Administração dos Correios aprovou a contratação de um empréstimo de R$20 bilhões para socorrer o caixa e iniciar a reestruturação da empresa. O ex-presidente da estatal Guilherme Campos analisa a situação crítica e o alto valor da dívida. Ele aponta que a solução não passa apenas pelo corte de custos, mas sim pela competitividade no mercado de encomendas.


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Transcrição
00:00Aqui o Conselho de Administração dos Correios aprovou a contratação de um empréstimo de 20 bilhões de reais
00:07para socorrer o caixa e fazer uma reestruturação da empresa.
00:11E agora nós temos um convidado para falar sobre esse assunto, Guilherme Campos, ex-presidente dos Correios.
00:17Tudo bem, presidente? Olha, muito obrigado por atender aqui a Jovem Pan. Muito bem-vindo.
00:22Nós que agradecemos a oportunidade de estar conversando com a Jovem Pan e falar um pouco
00:25dessa situação muito grave por o que passam os Correios.
00:29Pois é, recentemente o senhor deu uma declaração dizendo que esse plano de reestruturação dos Correios
00:35é uma espécie de morte assistida da empresa.
00:39Eu pergunto para o senhor, é muito dinheiro, dificilmente ou praticamente impossível
00:44os Correios entrarem numa rota de uma privatização ainda nessa gestão do presidente Lula,
00:50porque não é o perfil desse governo, é claro, mas eu pergunto para o senhor o seguinte,
00:54esse empréstimo aprovado, isso alivia a situação da empresa, é uma primeira solução
01:00para amenizar o impacto dessa crise ou não tem mais jeito?
01:06Qual que seria a solução, presidente?
01:10Muito bem. Só para contextualizar, eu fui presidente dos Correios de junho de 2016
01:16até abril de 2018, período onde foi feita uma profunda reestruturação da empresa,
01:23com a participação de todos os empregados, e nós tiramos a empresa de uma situação
01:28de um prejuízo da ordem de R$ 2,1 bilhões no ano de 2015,
01:34e deixamos já no ano de 2018, um resultado, está no ano de 2017,
01:42com resultado de R$ 667 milhões de lucro.
01:47E não posso, para a empresa, só para deixar bem claro,
01:53que eu sou dirigente partidário e a nova lei das estatais não permite
01:57que eu possa estar ocupando o cargo de dirigente de estatal.
02:00E a situação dos Correios é uma situação muito, muito crítica,
02:07e pelas informações que eu tenho, que são as informações divulgadas da empresa,
02:13eu só vejo ações do ponto de vista do corte de despesas,
02:18do reenquadramento dos Correios, pelo ponto de vista dos passivos.
02:26Mas não vejo nenhum movimento no sentido de dar à empresa condições
02:31de estar concorrendo no mercado, que é cada vez mais disputado.
02:36Esse empréstimo que agora é aprovado, é um empréstimo que vai dar condições.
02:42Primeiro, de pagar tudo que os Correios estão devendo na praça,
02:45aí não é pouca coisa.
02:47Segundo, dar um fôlego e um capital de giro para poder tocar a empresa.
02:53E terceiro, espero que seja com recursos para se fazer os investimentos necessários
03:00para a adequação da empresa a esse mercado extremamente desfrutado,
03:04que é o mercado das encomendas.
03:06Presidente, vou passar a palavra para a nossa comentarista nesse sábado,
03:10Maria de Cali, que faz a próxima pergunta.
03:12Estamos aqui com o Guilherme Campos, ex-presidente dos Correios.
03:14Maria.
03:15Boa tarde, Guilherme, tudo bom?
03:16É um prazer estar aqui contigo hoje.
03:18Minha pergunta é assim, você tocou bem num assunto importante,
03:21e um dos pontos que a própria empresa culpa essa crise é por conta da competitividade
03:28de outras empresas aqui, como a Amazon, outras empresas chinesas
03:33que estão aí batendo de frente com os Correios.
03:36Nesse sentido, eu pergunto para você, se você estivesse ocupando o cargo de presidente hoje,
03:40o que você faria para melhorar a situação dos Correios?
03:43Bom, é fazer tudo aqui, repetir aquilo que foi feito no passado com resultado,
03:51com um cenário diferente, que o cenário de hoje é muito mais complicado.
03:57Dá para recuperar a empresa, é uma empresa fantástica,
04:00é uma empresa que está presente no Brasil inteiro,
04:03tem um corpo de funcionários que tem um grande amor pela empresa,
04:07e eu tenho também a contaminação pelo vírus postal.
04:11Vai demorar mais, é possível, mas tem que se olhar a empresa como empresa,
04:18uma empresa que tem que disputar com todas essas que estão no mercado.
04:22Os Correios têm um monopólio do serviço postal,
04:25mas os Correios não têm o monopólio do serviço de encomendas.
04:29Ela tem que ir para o mercado, e o mercado é extremamente concorrido.
04:32A empresa tem que se adequar a essa realidade e disputar, e disputar muito,
04:39com condições de vencer essa disputa,
04:42porque os Correios, mais uma vez, têm experiência,
04:46têm a vivência do Brasil, têm a presença nacional,
04:50e podem, num médio prazo, se recuperar.
04:54A situação que nós vemos hoje é extremamente preocupante.
04:59E, mais uma vez, também, eu posso estar opinando em cima das informações que eu tenho hoje,
05:04que eu vejo ações no sentido de corte de custos,
05:08mas não vejo ações que se adequar a esse mercado extremamente competitivo,
05:13que é o mercado das encomendas.
05:14Bom, presidente, eu queria fazer a seguinte pergunta.
05:17Primeiro, se fala muito sobre privatização.
05:20Como é que seria, na prática, uma privatização dos Correios?
05:23Ou seja, os Correios deixariam de existir e outras empresas surgiriam para fazer esse trabalho?
05:30Ou, simplesmente, é possível repassar os Correios, fazer uma espécie de concessão?
05:35A empresa continua sendo do governo federal,
05:39mas faz uma espécie de concessão para que a gestão seja, talvez, uma gestão privada.
05:44Esses são caminhos possíveis?
05:46Mas, o senhor, pela experiência que tem, já esteve no comando da empresa,
05:50não teria uma possibilidade de ir para um caminho ou ir para um outro caminho?
05:58Todas as empresas portais dos diversos países do mundo tiveram que passar por reestruturações.
06:04Cada uma achou o seu caminho.
06:06No Japão, por exemplo, os Correios viraram o principal captador de poupança,
06:11viraram uma instituição financeira.
06:14Já na Inglaterra, os Correios viraram o balcão de atendimento do governo da Inglaterra.
06:22Todos os serviços do governo da Inglaterra são feitos dentro dos balcões dos Correios.
06:27E o modelo que eu mais gosto é o modelo que foi adotado pelo Correio Alemão.
06:31O Correio Alemão passou a fazer parcerias com diversas empresas dentro da sua área de atividade,
06:40e essas parcerias propiciaram com que o Correio Alemão pudesse estar presente nessas empresas.
06:49E o mais importante dessas parcerias, a mais importante dessas parcerias, é a DHL.
06:55A DHL é uma empresa privada de entrega de encomendas que pertence ao Correio Alemão.
07:02Exemplos de privatização que não deram certo, nós temos aqui do nosso vizinho, a Argentina.
07:08A Argentina tem um exemplo de privatização que não deu certo.
07:12Portugal também tem um exemplo de privatização que também não deu certo.
07:17E no país mais capitalista do mundo, que é os Estados Unidos,
07:22nós temos um Correio que continua sendo estatal e está funcionando.
07:27O Brasil tem que achar o seu modelo de se adequar a essa nova realidade.
07:35Somente os Correios sozinhos, eu acho muito difícil.
07:39Tem que abrir o espaço para se ter parcerias.
07:42E o modelo, mais uma vez, que eu mais gosto, é o modelo que foi adotado pelo Correio Alemão.
07:47Bom, presidente, se os Correios, como a gente viu nessa questão da reestruturação,
07:53estão adotando o plano de demissão voluntária, o PDV de funcionários.
07:59O senhor sabe que, claro, é uma empresa estatal, as pessoas, por mais que não tenham um salário muito alto,
08:05têm todos os benefícios, o senhor sabe muito bem como isso funciona.
08:09O senhor acha que o PDV, nesse caso, para se colocar isso em prática nos Correios,
08:14é algo que traz pessoas para aderir a um programa como esse?
08:20Ou depende do perfil de cada pessoa, se está mais próxima da aposentadoria ou não?
08:25Como que um programa como esse daria ou pode dar certo nos Correios?
08:31Esse modelo de PDV e demissão incentivada já foi adotado, inclusive, por nós, na nossa época.
08:40Houve PDVs com adesão de mais de 8 mil funcionários de Correios à época
08:44e o foco tem que ser no enxugamento, principalmente, nas atividades meio, isto é,
08:52aquelas atividades de escritório, atividades administrativas,
08:56e procurar dar uma relevância maior para a atividade fim,
09:00aquele que está lá na ponta, que está fazendo a entrega,
09:03que está fazendo o faturamento da empresa acontecer.
09:07O PDV é uma boa solução, mas ele tem que ser bem desenhado e tem que ser interessante
09:11para aqueles que estejam aderindo a esse tipo de demissão voluntária.
09:17Conversamos com o Guilherme Campos, ex-presidente dos Correios.
09:20Mais uma vez, muito obrigado por atender aqui a Jovem Pan,
09:22interrompeu até a corrida por aí.
09:25Grande abraço, bom fim de semana, até a próxima.
09:28É, me pegaram aqui desprevenido, mas deu tempo, deu para conversar.
09:32Eu quero agradecer a oportunidade e, mais uma vez, os Correios são uma grande empresa.
09:36Muito obrigado, bom fim de semana.
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