00:00Nós queremos que a Cúpula do Clima traga para a gente três coisas fundamentais.
00:04Primeiro, uma maior justiça climática, ou seja, aqueles que efetivamente devem contribuir mais
00:09para o equilíbrio climático devem se comprometer mais.
00:12A segunda coisa é a ideia de um protagonismo dos povos do sul global e, portanto, da Amazônia.
00:18Pensar e ouvi-los, não só o poder de voz, mas o poder de veto, ou seja, que possam dizer não também a propostas.
00:25E uma terceira coisa é a questão do financiamento. Não se faz comprometimento climático sem ter financiamento climático.
00:32Eu acredito que esse é o grande desafio desta COP, os países se comprometerem a financiar.
00:38E aqui o financiamento não é empréstimo, o financiamento é doação, de modo tal que os países do sul global
00:44se sintam estimulados a fazer políticas de conservação ambiental, mas que tenham dinheiro para tal.
00:51A COP30 vem com um déficit do Azerbaijão, que lá se deveria ter tomado todas as responsabilidades do ponto de vista financeiro.
01:02E lá foi um fracasso. Então a expectativa é que a COP30 atualize esses acordos,
01:07que os países tragam metas que sejam usadas e que possam se comprometer financeiramente.
01:13Porém, a gente sabe que existem países que estão poluindo muito, mas que estão sendo negacionistas.
01:19É o caso dos Estados Unidos. E quando a gente pensa na ausência dos Estados Unidos desse acordo,
01:24isso pode ser um entrave muito grande, exatamente para um cumprimento de algumas metas importantes do ponto de vista climático.
01:31Porém, isso também é uma janela de oportunidade.
01:34Outros países podem se juntar com a China, com a Rússia, com a Índia, os BRICS em geral,
01:39para fazer parte de um compromisso que, não obstante a ausência dos Estados Unidos,
01:43possa se chegar a coisas positivas no final da COP.
01:46É a primeira vez que a COP acontece em um país do sul global e é a primeira vez na Amazônia,
01:51sendo a primeira vez no Brasil.
01:53Eu acho que isso não é apenas um local diferente.
01:56Eu acho que é uma grande oportunidade de você criar uma governança global do clima mais ampliada.
02:01O que é isso? É fazer com que as pessoas e os países e os povos possam participar.
02:06Eu acho que trazer para a Amazônia significa estar próximo dos grandes problemas ambientais.
02:11Uma coisa é você fazer em Paris, em Glasgow, outra coisa é fazer aqui em Belém.
02:15Eu acredito que o papel de Belém é fundamental, seja pelo ambiente em si,
02:19seja porque os problemas ambientais são muito próximos de nós.
02:23Então isso pode ensejar claramente, ouvir melhor os povos amazônidas.
02:27E a outra coisa importante também, pensar a Amazônia para além do Brasil, pensar na Pan-Amazônia.
02:33Então envolver Colômbia, envolver Peru, envolver Guiana, Venezuela.
02:37Eu acho que quando você cria uma consertação, um acompanhamento que seja de grupo,
02:42você tem muito mais força.
02:43Eu vejo que a COP pode trazer exatamente isso, um acordo pan-amazônico para a proteção da Amazônia
02:49e ao mesmo tempo a proteção do clima no mundo.
02:51Há um certo, primeiro, negacionismo em alguns países, dizendo que esses dados não seriam verdadeiros.
02:58E isso pode impedir.
02:59Porém, me parece que o grande entrave mesmo é você se comprometer.
03:03Existe um princípio do poluidor pagador, ou seja, aquele que mais polui deve pagar.
03:08E isso, tecnicamente, não está sendo muito respeitado.
03:11Então eu acredito que o acordo, ele passa necessariamente pela concessão.
03:15Um acordo internacional é sempre uma relação de ganha-ganha.
03:19Ou seja, eu não ganho tudo, você também não ganha tudo, mas nós dois ganhamos juntos.
03:24Eu acho que essa é uma possibilidade.
03:25Tem o perigo disso não acontecer, porque os países do norte global, que sempre foram desenvolvidos,
03:31querem manter o seu projeto de desenvolvimento.
03:33E os países do sul global, que estão tentando se desenvolver, pode ter um entrave exatamente nessa perspectiva climática.
03:39Mas eu acredito em possibilidades de alguns acordos que possam ser benéficos para os países em desenvolvimento.
03:45É uma ausência muito sentida, muito sentida, por dois motivos fundamentais.
03:49Primeiro, porque é um dos grandes países poluidores.
03:52Inclusive, Donald Trump já disse que vai reativar todas as políticas baseadas em combustíveis fósseis, no petróleo.
03:58Isso é realmente muito ruim, porque se sabe que uma boa parte das questões climáticas acontecem exatamente por conta do uso de combustíveis fósseis.
04:06Então, é uma ausência sentida por esse impacto.
04:09E que, portanto, você não vai poder pedir com que ele reduza isso.
04:12Essa é a primeira coisa.
04:13E, do outro lado, a ausência de possibilidade de financiamento.
04:16De novo, a questão de dinheiro.
04:18Então, a ausência dos Estados Unidos é uma fonte de recursos financeiros que não vai jorrar.
04:24E isso ensejaria a participação maior de outros países, inclusive europeus e da Ásia.
04:30Mas, eu acredito ainda que a gente não pode pensar nos Estados Unidos como algo estático.
04:35Hoje, Trump está no poder, amanhã pode não estar mais.
04:38E, quando terminar o mandato, eu acredito muito que dificilmente virá alguém que continuará esse tipo de política.
04:44Então, eu acredito que se essa COP não tiver a presença dos Estados Unidos,
04:48na próxima e na próxima, eles terão que estar, porque não dá para viver no mundo com questões climáticas,
04:54achando que isso não é verdade.
04:56Então, nós vivemos num mundo muito complicado do ponto de vista geopolítico.
05:01Nós temos a diminuição do poder dos Estados Unidos como hegemonia internacional,
05:06a ascensão da China de maneira diferente, porque ela acende com um conjunto de outros países,
05:12os BRICS, por exemplo.
05:13Isso torna um crescimento e o decrescimento de uma hegemonia um lugar de conflito.
05:19Nenhuma hegemonia cresce sem que haja um conflito.
05:23Eu tenho receio que esse conflito, essa narrativa, ela escale para uma guerra maior.
05:28E, portanto, os exercícios militares que estão acontecendo com tecnologia nuclear, isso espanta um pouco.
05:34Mas, voltando à questão climática, uma guerra é uma das piores fontes de ameaça ao equilíbrio climático.
05:41Porque imagina a detonação de uma bomba, os problemas ambientais que ela causa.
05:45Então, nesse sentido, eu vejo que a guerra, além de ser um problema geopolítico, é um problema ambiental.
05:50Então, que se fala muito pouco.
05:52Então, nós temos que acabar com a guerra, seja para uma questão de paz e convivência,
05:56mas também para manter o planeta vivo.
05:58E aí
05:59Legenda Adriana Zanotto
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