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A megaoperação no RJ já é a mais letal da história, com 64 mortos, e segue em curso, causando caos na cidade com escolas fechadas e linhas de ônibus afetadas. Em Brasília, o deputado Lindbergh Farias (PT) chamou a postura do governador Cláudio Castro (PL) de "vergonhosa" por ser contra a PEC da Segurança Pública, proposta também defendida pela ministra Gleisi Hoffmann (PT) nas redes sociais. Reportagem: Rodrigo Viga.

Assista à íntegra: https://youtube.com/live/CM7P4gk2MWk

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Transcrição
00:00Eu quero retomar nossa conversa também com o repórter no Rio de Janeiro, Rodrigo Viga, que está acompanhando todas as informações.
00:06Rodrigo Viga, a gente tem novos desdobramentos nesta tarde, há a possibilidade de mais manifestações das autoridades do Rio de Janeiro.
00:13O que você conta para a nossa audiência que agora está toda unida em todas as plataformas, meu amigo?
00:19Obrigado, Sine. A gente fica na expectativa aqui do pronunciamento que deve acontecer, pelo menos a expectativa,
00:24na Cúpula da Segurança Pública, talvez até com a presença do governador Cláudio Castro, para fazer aí um apanhado geral dessa operação que ainda está em curso.
00:34Sine, os números são bem impressionantes. É tanta gente por conta de bloqueios e interdições de ruas, avenidas.
00:42Há um pânico, um medo, não há. Não é diferente. Alguns pais estão retirando suas crianças de colégios das escolas antes do fim do expediente letivo por precaução, por motivo de previdência.
00:54Isso acontece na Zona Norte, na Zona Oeste, na Zona Sudoeste e também na Zona Sul da capital.
00:59Está todo mundo intocado porque não sabe até aonde pode chegar a ousadia do crime organizado.
01:06Eu estou aqui com um balanço feito pela Prefeitura do Rio de Janeiro, pelo Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura, que aponta o seguinte,
01:14que no momento nós temos 20, vou repetir o número, 20 pontos de interdição aqui na cidade do Rio de Janeiro.
01:22Outros 10 pontos de bloqueio, bloqueios feitos pelo crime organizado, já foram desfeitos por conta da ação da Polícia do Rio de Janeiro.
01:30É muita ousadia e a ousadia você tem que se planejar e tem que tratar também com a mesma altura, com a régua lá em cima.
01:38Portanto, são 20 pontos de interdição nesse momento e acaba de chegar agora a informação de que a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá,
01:47que liga os bairros da Zona Norte à Zona Sudoeste da capital, foi interditada.
01:53Existe uma operação da polícia no local para tentar liberar o tráfego.
01:57E aí você pode imaginar como é que está a volta para casa nessa terça-feira, né, Sine?
02:01Trens e metrô lotados, inclusive já houve a liberação de muitas catracas, roletas e estações,
02:07porque o fluxo era muito grande e aí poderia haver uma confusão adicional dentro das estações.
02:12São pelo menos 120 linhas de ônibus que tiveram que mudar os seus destinos, os seus itinerários,
02:20em virtude dessa operação com resistência por parte do Comando Vermelho
02:26em dois conjuntos de favela da Zona Norte do Rio de Janeiro.
02:30E aí começam a surgir, a brotar, né, Sine?
02:32Aquelas manifestações nas redes sociais.
02:36Vamos a elas.
02:37Daqui a pouco eu conto também que eu estou de posse aqui, eu passei para o nosso querido Demetrios Trindade.
02:42Uma dessas solicitações do governo do estado do Rio de Janeiro de ajuda
02:46ao Ministério da Defesa e não da Justiça e Segurança Pública.
02:49E aí esse pedido foi rejeitado, foi negado.
02:52Vamos lá.
02:53O parlamentar Lindbergh Farias foi às redes sociais para politizar a situação.
03:00Disse que o governador Cláudio Castro tem uma postura vergonhosa e tem que vir a público
03:05explicar porque se posiciona contra a PEC da Segurança.
03:10Disse ainda que dá força às ações de inteligência e de integração de diferentes órgãos de segurança da União,
03:17estados e municípios.
03:19Glaise Hoffman, que é também ministra de Estado, foi até uma rede social para seguir na mesma linha.
03:28E disse que os episódios violentos hoje aqui no Rio de Janeiro, com dezenas de mortes,
03:33inclusive de policiais, bloqueio.
03:35Ela fala bloqueio, né, mas é bloqueio de rodovias e ameaças à população.
03:40Então, ressaltam a urgência do debate e aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso.
03:46Na final, aquela PEC foi apresentada recentemente com o Crivo, com a assinatura do ministro Ricardo Lewandowski.
03:52Então, essas são as manifestações.
03:54Ficamos aguardando aqui o governador Cláudio Castro e a Cúpula da Segurança.
03:58Nós temos, meu caro Cine, ouvintes, espectadores e internautas da Jovem Pan, números atualizados,
04:0564 óbitos confirmados, 4 policiais, sendo 2 do BOPE e 2 policiais civis, mais de 80 presos,
04:14pelo menos 75 fuzis apreendidos, 120 linhas de ônibus com seu itinerário alterado,
04:21são mais de 30 unidades de saúde e educação também com o seu serviço, com o seu trabalho interrompido nesta terça-feira
04:29e outros números superlativos dessa que é a maior operação da história das Forças de Segurança do Rio de Janeiro,
04:35inclusive com o maior número de mortes até agora, segundo os dados oficiais divulgados por polícia civil e também por polícia militar.
04:42Estamos aqui no Centro Integrado de Comando e Controle, aguardando aí as coordenadas da Cúpula da Segurança Pública.
04:48O Rodrigo Viga, eu estava dando uma olhada aqui em documentos que a nossa equipe de produção aqui do 3 em 1 levantou
04:55sobre esses pedidos que você mencionou, que já foram feitos pelo governador do Estado do Rio de Janeiro ao ministro da Defesa
05:01e que em vários momentos pedidos foram negados e diante disso o governador acabou tocando então essa operação
05:08de maneira independente aí no Rio de Janeiro.
05:11E aí eu estava dando uma olhada aqui, né, cumprimentando cordialmente,
05:14venho respeitosamente solicitar valiosa cooperação e apoio logístico da Marinha do Brasil
05:19por meio de fornecimento de veículos blindados com respectivos operadores e mecânicos
05:25para atuarem nas intervenções policiais em áreas de risco do Estado do Rio de Janeiro,
05:29conforme descrito no referido documento.
05:32Aí a gente tem esse aqui, é de 28 de janeiro de 2025.
05:35Então foi um documento do governador Cláudio Castro, vocês veem ali embaixo a assinatura dele,
05:41enviado para o ministro José Múcio Monteiro Filho.
05:46E aí depois tem a resposta do ministro José Múcio dizendo o seguinte,
05:50sobre o assunto, visando compreender melhor as necessidades apresentadas,
05:54solicito a vossa excelência agendamento de uma reunião para tratar do tema,
05:58colocando os generais, e aí coloca ali o contato inclusive de e-mail,
06:04para que os generais recebam então esse detalhamento da reunião,
06:10pedindo então mais informações do governador Cláudio Castro
06:13para que houvesse a... para que a solicitação fosse aceita pelo ministro da Defesa.
06:19Então esse é só um exemplo de como funcionaria essa questão burocrática
06:24relacionada à tentativa de obter as forças nacionais
06:28nas ocupações que são feitas ali no Rio de Janeiro, Rodrigo Viga.
06:33Não é difícil passar a mão no telefone e ligar, né, meu caro Cine?
06:37Na época do e-mail ainda, a gente está com outros ferramentais,
06:41outros instrumentos muito mais ágeis, muito mais rápidos, né,
06:44de fácil solução em outros tempos, viu, meu caro Cine?
06:48Eu tenho certeza que o ministro da Justiça e da Segurança Pública,
06:51o ministro da Defesa estariam aqui no Rio de Janeiro,
06:54ombreados, ladeados, do governador Cláudio Castro,
06:58da cúpula de segurança, porque essa hora não é hora de politizar,
07:01é hora de resolver o problema.
07:03Afinal de contas, aí você está vendo as imagens,
07:05telespectador da Jovem Pão Rio de Janeiro,
07:07está literalmente em chamas nesta terça-feira.
07:10Está todo mundo em chamas por dentro,
07:13estão todos se queimando por aqui de medo, de paura,
07:17até mesmo, de certa forma, com outros sentimentos
07:20diante de tudo que está acontecendo.
07:21Desde as primeiras horas da manhã desta terça-feira,
07:24não existe ninguém se sentindo plenamente tranquilo,
07:28seguro, à vontade, nesta terça-feira do Rio de Janeiro.
07:31E basta a gente conversar com um ou com o outro,
07:34ver o que está acontecendo nas linhas de ônibus,
07:37de trem, de metrô, no ir e vir da cidade do Rio de Janeiro,
07:40bloqueios de vias expressas e ruas de avenidas.
07:43Olha, meu caro Cine, eu abri a nossa conversa hoje,
07:46dizendo que estávamos no dia 28 de outubro de 2025.
07:51Esse, sem dúvida alguma, é um dia que vai entrar para a história.
07:53E tomara que seja um dia de divisor de águas,
07:57um dia paradigmático para novas medidas e ações daqui para frente.
08:01Porque o que está sendo feito até agora,
08:03deixa muito a desejar do ponto de vista da população fluminense,
08:07que é a união de todos os esforços,
08:09de todas as forças para resolver,
08:12não num toque de mágica, numa varinha de condão,
08:15um problema que vem de muitos anos ou de décadas,
08:18mas pelo menos uma manifestação de boa vontade
08:21por parte das forças de uma maneira geral.
08:24Sim, Rodrigo Viga, eu quero conversar com o Bruno Musa
08:26sobre esse detalhe trazido aqui pelo Rodrigo Viga,
08:29porque o que fica exposto nessas informações
08:32que acabamos de trazer, Bruno Musa,
08:34é que a população do Rio de Janeiro também é impactada
08:37pela burocracia.
08:38Só nesse exemplo que a gente mostrou,
08:40a gente entende o quanto o diálogo entre estados,
08:43ele é burocrático.
08:45E eu acredito que, pelo que a gente acompanha
08:47de situação no Rio, já ao longo de décadas,
08:50e principalmente depois dessas imagens,
08:52não há nem tempo, nem espaço mais para a burocracia
08:55quando o assunto é segurança pública lá.
08:59Mas infelizmente, Evandro, a burocracia está no DNA do brasileiro.
09:02E a burocracia, a gente fala que comenta diariamente
09:04a respeito de política e economia.
09:06A burocracia ingesta um país, ela dificulta negócios,
09:10ela afugenta investimentos e afugenta pessoas.
09:12E a gente mantém esse estado letárgico que nós temos no Brasil.
09:16Passou da hora, me desculpe hoje,
09:18talvez um pouco de mais força aqui ao falar sobre isso.
09:21Nós estamos falando de vidas inocentes
09:23e nós estamos vendo grande parte ali de uma mídia
09:26que adora falar apenas dos bandidos que morreram.
09:30Passou do ponto de olharmos quantos cariocas e brasileiros
09:34morrem diariamente inocente ao sair do seu trabalho,
09:38ao tentar voltar para casa com seus familiares
09:40e não ter mais esse direito.
09:43Passou do ponto, não se tolera mais.
09:45Aquela cena que nós vimos, me perdoem,
09:48um tanto quanto patética,
09:49de um ministro falando com várias pessoas atrás,
09:52como se estivesse embajulando por ele.
09:54Uma cena política dos anos 80 e dos anos 90.
09:57E volta exatamente no que o Viga falou.
09:59O que de prático sai daquela conversa?
10:01Poucos números, desinformação,
10:03sem saber o que está falando.
10:05Estamos falando de um ministro que é da justiça,
10:07que deveria estar ali, na linha de frente.
10:09E o que nós vemos é grande parte de um discurso
10:14apenas do quantos bandidos morreram.
10:17Repito, quantos brasileiros morrem diariamente.
10:20Ou seja, passou da hora de uma incursão dura,
10:22sem burocracia, que passa por enfrentar com adultos na sala,
10:26Evandro, a realidade brasileira.
10:28Mapear ali as pessoas, os moradores dessa região.
10:31Mapear todos eles, entender quem entra e quem sai
10:34para aniquilar ali o crime organizado como um todo.
10:37Depois, ver a ordem de quais zonas serão urbanizadas.
10:41A favela é um ambiente propício
10:43para o crime organizado se propagar.
10:45A polícia não entra, conhecem as vielas.
10:48Chega, não dá mais para viver dessa maneira.
10:50O Brasil está pedindo arrego.
10:53O Brasil está de joelhos para o crime.
10:55O Estado precisa voltar a controlar os ambientes,
10:58os territórios, em que ele permitiu
10:59que ao longo dos anos o crime fosse tomando conta
11:02por uma narrativa, por uma retórica
11:05de que eles são vítimas.
11:07Chega, vítimas somos todos os brasileiros
11:09que somos saqueados diariamente por um governo burocrático,
11:13todos eles, que não para de subir impostos,
11:15e a gente vê isso.
11:17Pessoas de joelho contra um crime organizado.
11:20Se isso, e essas organizações,
11:22não são organizações terroristas,
11:23me explique didaticamente quais ações
11:26precisariam ser tomadas por eles
11:28para serem consideradas terroristas.
11:30A burocracia enterra e mantém o Brasil de joelhos.
11:34Um país nanico no mundo como um todo.
11:37Zé Maria Trindade, eu acabei de receber uma informação aqui
11:40do nosso repórter de Brasília, Igor Damasceno,
11:43que a ministra das Relações Institucionais,
11:44Glaise Hoffman, vai discutir a situação do Rio de Janeiro
11:47ali no Palácio do Planalto.
11:49Você entende que aparece agora uma preocupação,
11:53inclusive política, bastante grande após essas imagens,
11:57e inclusive depois a gente perceber que o diálogo,
12:01pelo menos na fala do ministro Ricardo Lewandowski,
12:05o diálogo entre Rio de Janeiro e o governo federal,
12:08o governo do Rio e o governo federal, não aconteceu?
12:13Tem um fato muito importante aí nesse episódio novo
12:17do Rio de Janeiro, nessa guerra, né?
12:19É que o Rio de Janeiro ficou sozinho, ficou isolado.
12:22Isso é muito problemático e emite para o crime organizado
12:27uma situação muito grave, de que o Rio de Janeiro está isolado
12:30e não está se comunicando ou não recebe apoio do governo federal.
12:36Aí, de novo, é quando o crime organizado nacionalmente
12:39até internacionalmente encontra estados isolados e desorganizados.
12:44Então, o crime que já está ganhando,
12:46porque primeiro está organizado vários policiais do Rio de Janeiro
12:50que vem aqui, representações sindicais e representações dizem
12:54que hoje os bandidos, o crime organizado está em maior número
13:00e melhor equipado do que as polícias.
13:02Me dizem, olha, o número de fuzis hoje em poder do crime organizado
13:06é maior e em melhor qualidade do que os fuzis
13:10que estão nas mãos da polícia do Rio de Janeiro.
13:13E mais, a polícia do Rio de Janeiro é instada
13:16e há ali um risco jurídico muito grande
13:18que eu combato esse risco jurídico de uma maneira muito veemente.
13:22O policial tem que ter, sim, respaldo jurídico
13:25para trabalhar e trabalhar de uma maneira mais eficiente.
13:28Então, o policial é obrigado a andar na lei,
13:32senão ele vai para a cadeia,
13:34senão ele é preso ou morto.
13:36E o bandido não tem lei nenhuma a seguir.
13:39O Bruno tem toda razão, não tem nenhum motivo
13:43para não considerar esse pessoal aí como terrorista.
13:47O Donald Trump deu a deixa ali,
13:50dizendo que se trata de um grupo terrorista,
13:52o tráfico de drogas,
13:54que nem é crime organizado lá nos Estados Unidos.
13:58Então, aqui no Brasil,
13:59esta operação demonstrou, no mínimo, um vácuo legal.
14:05Ou seja, há aí uma dissonância
14:09entre os poderes estaduais e federal muito grande.
14:14Isso não pode acontecer.
14:17Essa mensagem é uma mensagem muito grave
14:19para o crime organizado.
14:21Então, está certa a ministra Gleis Hoffmann
14:24de avaliar o que fazer
14:26e dar socorro ao Rio de Janeiro.
14:29Não é assim.
14:30Todas as medidas de segurança pública
14:32que foram bem sucedidas aqui
14:34estão relacionadas, por exemplo,
14:36à Copa do Mundo, Olimpíadas e assim por diante.
14:39E o que aconteceu?
14:40Foi estabelecido um escritório aqui em Brasília,
14:43e esse escritório,
14:46com a representação de todas as polícias,
14:49recebia e centralizava informações.
14:52E essas informações eram processadas
14:55e havia reação de acordo com a força.
14:59Se é na Polícia Rodoviária Federal,
15:01era ela.
15:02Se é na Polícia Federal,
15:04a Polícia Federal,
15:05se é nos estados, assim.
15:06Fiquei sabendo daquela época
15:08que houve várias interferências,
15:13até sigilosas,
15:15para evitar atentados.
15:17Havia preparação de atentados aqui no Brasil.
15:20Mas essa integração de dados
15:23é que facilitou muito
15:24o trabalho das forças de segurança.
15:26Eu acho que é fundamental
15:28que agora tome, pelo menos,
15:30como exemplo do que não deve acontecer
15:32e fazer uma possibilidade ali
15:35de uma integração
15:36e, nesses momentos,
15:37se esquecer as disputas políticas
15:39e pensar no povo do Rio de Janeiro.
15:42Eu hoje escutei aqui
15:43de deputados do Rio de Janeiro
15:45situações complexas,
15:47de pessoas simples
15:48andando em carro blindado
15:50ou não saindo de casa.
15:52Exatamente, Zé Maria Trindade.
15:53Eu acredito que as imagens
15:55já tragam uma reação política negativa
15:59muito grande.
15:59Porque olha isso, né?
16:00Você tem imagem de traficante
16:03andando em fila indiana
16:04para passar de um lugar para o outro
16:05e se proteger da operação da polícia.
16:07Você tem imagem de barricadas montadas,
16:10incêndios espalhados.
16:12Imagem de drones lançando artefatos
16:15sobre os carros policiais,
16:18sobre a operação policial.
16:21Se isso aí,
16:22que está estampado na nossa cara
16:24desde amanhã,
16:25não servir para uma movimentação,
16:27definitivamente,
16:29não dá mais para acreditar
16:30o que serviria,
16:31Fábio Piperno.
16:32Então, essas imagens
16:33desse monte de bandido
16:35correndo aí pelo burro do alemão
16:37lembram aquelas famosas imagens
16:39de 2010,
16:41quando o governo do Rio de Janeiro
16:42estava lá instalando,
16:44fazendo aquelas operações
16:47que precederam as instalações
16:50das UPPs.
16:51Por sinal,
16:52um bom projeto
16:53que acabou sendo sabotado
16:55um pouco mais tarde.
16:57Mas,
16:58eu continuo sem entender
16:59uma coisa
17:00em tudo que está acontecendo
17:01lá no Rio.
17:03É que,
17:04quando eu citei,
17:05e talvez
17:06não tenha sido tão claro,
17:08por isso até a reação do Viga,
17:10a Operação Carbono Oculta,
17:12eu não estou dizendo
17:12que tenha sido algo
17:14da mesma magnitude
17:15ao que ocorreu hoje
17:17no Rio de Janeiro.
17:18Não se trata disso.
17:20É que aquele é um exemplo
17:21de mais uma ação
17:23envolvendo
17:24alguma colaboração
17:26entre o governo federal
17:27e o governo de São Paulo,
17:29que estão juntos
17:30até na construção
17:32de grandes obras.
17:34Eles até brigam,
17:35disputam a paternidade,
17:37mas acabam fazendo.
17:38de uma forma ou outra
17:39acabam fazendo.
17:40No caso do Rio de Janeiro,
17:43e essa questão
17:44dos e-mails
17:45escancarem
17:46ainda mais isso,
17:47me parece
17:48que não há
17:48nenhuma interlocução.
17:50Então,
17:50eu não consigo entender
17:51por que há interlocução
17:53com São Paulo,
17:54mas não há
17:55uma boa interlocução
17:56com o Rio de Janeiro.
17:58E sobre o que falou
17:58o coronel
18:00que a gente ouviu
18:01há pouco,
18:01e eu concordo
18:02com muita coisa
18:03que ele disse,
18:04mas eu só queria
18:04recordar um aspecto
18:06quando ele cita
18:07o exemplo
18:08do que ocorre
18:09e o outro
18:09entre o presidente
18:10de um partido
18:11e o governador
18:11de outro.
18:12No mandato anterior,
18:14eram os dois
18:15do mesmo partido,
18:16o presidente Bolsonaro
18:17e o governador
18:19Cláudio Castro.
18:21E também,
18:21me parece,
18:22que não ocorria lá.
18:24Ocorriam
18:24grandes operações
18:26contando com
18:27participações
18:28efetivas
18:29dos dois lados.
18:30porque a questão
18:33central,
18:34eu acho que não é nem
18:35se o presidente
18:36de um partido
18:37e o governador
18:37ou outro
18:38ou vice-versa.
18:39É o fato
18:40de que no Brasil
18:42há décadas
18:43se cultivou,
18:45sabe-se lá,
18:46porque é uma tradição
18:47de não se utilizar
18:48as forças armadas
18:49nesse tipo
18:50de embate urbano.
18:52Meu Deus do céu,
18:53o Rio de Janeiro
18:53tem uma vila militar,
18:55é o estado
18:55que mais tem contingentes
18:57das forças armadas.
18:59o que esse pessoal
19:00fica fazendo o tempo todo?
19:02E não estou dizendo
19:03que eles não querem trabalhar.
19:04Talvez seja até
19:05por uma questão
19:06de ordem,
19:07de, enfim,
19:09orientação superior,
19:10mas o fato
19:11é que esses militares
19:13que são pagos
19:14pelo contribuinte brasileiro
19:16têm que se dedicar
19:17também
19:18a alguma atividade
19:19na segurança urbana
19:21de um estado
19:21que há décadas,
19:23há pelo menos
19:24uns 80 anos,
19:26é tomado pelo crime.
19:27E, Alangane,
19:28a gente está falando
19:28muito dessa mega operação
19:30e do quanto
19:31as forças do Estado
19:32precisam atuar
19:33de maneira mais integrada
19:34para cada vez mais
19:36diminuir
19:37a força do crime organizado
19:38e não permitir
19:39que aumente,
19:40como nós estamos acompanhando,
19:42mas eu quero falar
19:43um pouquinho também
19:43da mega operação política
19:45que está se montando agora
19:46para lidar
19:47com as consequências
19:48dos discursos
19:50que não estão
19:50nem um pouco azeitados.
19:52A gente recebeu
19:54uma informação aqui
19:54do nosso Igor Damasceno
19:55lá de Brasília
19:56de que o que se tem
19:58até agora
19:59é que a ministra
20:00Gleisi Hoffman
20:00quer fazer uma reunião
20:01de emergência
20:02no Palácio do Planalto
20:03para discutir
20:04essa situação
20:05envolvendo a operação
20:06no Rio de Janeiro
20:07porque, segundo
20:08apurou aqui o nosso
20:09Igor Damasceno,
20:10virou uma guerra
20:11de narrativas.
20:12O governador
20:12Cláudio Castro
20:13está dizendo que
20:14não pediu ajuda
20:16ao governo federal
20:17porque em outras
20:18ocasiões
20:19já solicitou
20:20auxílio
20:21e essa solicitação
20:22não foi atendida
20:23ou houve
20:23muita burocracia
20:25para que
20:26esse diálogo
20:26acontecesse
20:27e aí vem o ministro
20:29Ricardo Lewandowski
20:30naquela coletiva
20:31do Ceará
20:31e diz que também
20:32não foi procurado
20:33pelo governador
20:34e não sabia
20:34do que estava acontecendo.
20:36Então,
20:36o que o Igor Damasceno
20:38apura aqui
20:38é que,
20:40no mínimo,
20:40é preciso ajustar
20:41o discurso.
20:42Todo mundo tem que
20:43falar a mesma língua
20:44porque,
20:44senão,
20:45a consequência política
20:46vai ser bem maior
20:47do que se era esperado.
20:49Eu agradeço aí
20:50ao Igor Damasceno
20:51por colaborar
20:52com o nosso 3 em 1
20:53trazendo informação
20:54de bastidora
20:55por ação
20:56lá de Brasília
20:57sobre a operação
20:58que está sendo montada
20:59agora
20:59no Palácio do Planalto
21:01e não mais
21:02lá no Rio de Janeiro.
21:03Alangani.
21:04Evandro,
21:04e essa operação
21:05no Palácio do Planalto
21:06não é à toa.
21:07O governo federal
21:08está com medo
21:09de respingar neles
21:11por conta aí
21:13de uma imagem
21:13muito negativa.
21:15O Zé foi cirúrgico
21:16quando ele diz o seguinte,
21:18o Rio de Janeiro
21:19ficou isolado.
21:20Então,
21:21na percepção
21:22da população,
21:23pelo menos agora
21:24com os fatos
21:24que eu tenho aqui,
21:26qual é a percepção?
21:27Que a polícia
21:28do Rio de Janeiro,
21:29as operações especiais,
21:31agiram bravamente,
21:32enfrentaram
21:33o crime organizado
21:34praticamente sozinhas
21:36e o governo federal
21:37foi omisso.
21:39Inclusive,
21:40nas falas
21:41do ministro
21:42da Justiça,
21:44demonstrou ali
21:45não estar a par
21:46da situação
21:47dada a gravidade.
21:48Então,
21:49é lógico
21:50que isso
21:51vai respingar
21:52sim
21:52no governo federal.
21:54E aí,
21:55cabe
21:55à oposição
21:57aproveitar
21:58a oportunidade
21:59e se reconstruir
22:01e lançar
22:01uma pauta,
22:02porque a oposição
22:02não tem pauta
22:03até agora, né?
22:04A pauta até agora
22:05é anistia
22:06e olhe lá.
22:07Então,
22:07está na hora
22:08também da oposição
22:09começar a explorar
22:11uma avenida
22:12política
22:12aqui no Brasil
22:13que se chama
22:15segurança pública.
22:16Evandro,
22:17o maior problema
22:18do Brasil
22:18não é econômico.
22:20Economia é um problema?
22:21É,
22:21sem sombra de dúvidas.
22:22Mas o maior problema
22:24do Brasil
22:24há décadas,
22:26porque é algo
22:27que a gente tem
22:28de mais valioso,
22:29que se chama vida,
22:30é a segurança pública.
22:32Então,
22:32está na hora
22:33também da oposição
22:34utilizar esse momento
22:36para se organizar
22:38e também oferecer
22:39algo concreto.
22:40Caso contrário,
22:40vai perder
22:41uma grande oportunidade.
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