O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (26) que sua reunião com Donald Trump marcou o início de uma nova fase nas relações entre Brasil e Estados Unidos, sem intermediários políticos e com base em “respeito mútuo, apesar das diferenças ideológicas”.
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NotíciasTranscrição
00:00Bom dia, bom dia a todos. Eu queria resumir rapidamente as atividades do
00:07presidente Lula, que encerra hoje sua visita à Ásia, que começou com uma
00:12visita de Estado à Indonésia e hoje se conclui. O presidente na Malásia foi
00:19recebido pelo primeiro-ministro Anwar Ibrahim e participou na condição de
00:25convidado especial da 47ª Cúpula da ASEA. Como disse o presidente Lula, após o
00:34encontro com o primeiro-ministro Anwar Ibrahim, esta visita alçou o relacionamento
00:40do Brasil com a Malásia a um novo e mais alto patamar. Havia 30 anos que um
00:46presidente brasileiro não visitava a Malásia. Esse foi o terceiro encontro entre
00:51os líderes, presidente Lula e presidente Anwar Ibrahim. Em menos de um ano, o
00:59primeiro-ministro da Malásia foi duas vezes ao Brasil recentemente, em novembro de
01:0424, convidado pelo presidente Lula para a Cúpula do G20 e agora em 2025 para a
01:12Cúpula do BRICS, como um país parceiro do grupo. O presidente Lula esteve
01:18acompanhado aqui, além de mim, pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Ciência,
01:23Tecnologia e Inovação, Minas e Energia, o presidente do Banco Central, o secretário
01:30executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do
01:35diretor-geral da Polícia Federal e presidente da Apex Brasil. Com o
01:40presidente vieram também a Malásia, mais de 100 empresários brasileiros que
01:47participaram do encontro empresarial com líderes de 20 das maiores empresas da
01:54Malásia. As empresas Malásia, Petronas, Sapura e Insom têm importantes investimentos
02:02na área de energia no Brasil. De nossa parte, a Vale e a WEG já estão presentes
02:08aqui e pretendemos ampliar esses investimentos e também o comércio
02:14bilateral que se aproxima da marca de 6 bilhões de dólares no ano. No dia 25 de
02:19outubro, o presidente Lula manteve encontro com o primeiro-ministro Anwar Ibrahim e
02:25seu gabinete ministerial. A reunião foi extremamente produtiva. Registro a
02:31satisfação do lado brasileiro, com pleno apoio expressado pela Malásia, a
02:37presidência brasileira da COP30 e em especial a participação no fundo das
02:42florestas tropicais para sempre, que será lançada em Belém. Renovamos o
02:48convite para que a Malásia participe com delegação de alto nível na COP30.
02:53Agradecemos também o apoio público manifestado pela Malásia ao pleito
02:58brasileiro de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança das
03:02Nações Unidas. Destaco como resultado desta visita a assinatura de um
03:07importante acordo de cooperação na indústria de semicondutores, área que
03:13será central no relacionamento bilateral nos próximos anos. A Malásia é o
03:18sexto maior exportador de semicondutores do mundo, indústria responsável por uma
03:23verdadeira revolução na sua economia. E registramos com grande satisfação o
03:28elevado nível de desenvolvimento econômico e social do país, que registra
03:33notáveis índices de crescimento há décadas. Há um enorme potencial de
03:39complementaridade tecnológica a partir da integração entre a base industrial
03:44Malásia e a ampla rede de pesquisa em ciência, tecnologia e inovação das
03:50universidades e centro de pesquisas brasileiros. Além deste acordo, foram
03:54assinados também instrumentos nas áreas de ciência e tecnologia, pesquisas
03:59espaciais, tecnologia da informação, formação de diplomatas e pesquisa
04:04agropecuária. Em Kuala Lumpur, o presidente Lula participou também de um evento
04:09empresarial Brasil-Malásia, como convidado especial do Seminário
04:15Empresarial da ASEAN. Ainda no dia 25, na Universidade Nacional da Malásia, o
04:21presidente Lula recebeu o título de doutor honoris causa por sua contribuição
04:27para o desenvolvimento internacional e o sul global. Como disse o presidente
04:32Lula na ocasião, trata-se de um reconhecimento não apenas a ele, mas a
04:37todo o povo brasileiro em sua trajetória de busca por autonomia e
04:42justiça social. Ontem, o presidente Lula foi o primeiro chefe de Estado
04:47brasileiro a participar de uma cúpula da ASEAN. O sudeste asiático é o epicentro
04:53do crescimento global, zona dinâmica e polo de inovação tecnológica, que está no
04:59centro das prioridades da política externa brasileira de diversificação de
05:04parcerias e atração de investimentos. Agradecemos mais uma vez ao primeiro
05:09ministro da Malásia por esse honroso convite. A cúpula marcou o ingresso de
05:15Timor-Leste como o 11º país integrante da ASEAN. Mantemos laços históricos com
05:22o Timor pela proximidade linguística e cultural e ofereceremos todo o apoio
05:27possível no processo de integração do país à ASEAN. Hoje, o presidente Lula
05:34discursará aos chefes de Estado e de governo da cúpula da Ásia do Leste, onde
05:39foi convidado a falar sobre a cooperação entre o BRICS e a ASEAN. À margem dos
05:45eventos, o presidente Lula manteve encontros bilaterais com os líderes de
05:50Singapura, primeiro-ministro de Singapura e do Vietnã. Na tarde de ontem,
05:54encontrou-se também com o presidente Donald Trump dos Estados Unidos, dando
05:59sequência aos contatos iniciados a partir do encontro entre os dois na
06:03Assembleia Geral da ONU e do telefonema entre os dois, também no dia 6 de
06:09outubro corrente. Como tive ocasião de comentar ontem, a reunião transcorreu em
06:16clima de grande cordialidade, retomando a linha de entendimento que deve marcar as
06:21relações entre o Brasil e Estados Unidos. O presidente Lula solicitou a
06:26suspensão das tarifas impostas ao Brasil para que se possa iniciar processos de
06:31negociação que procure contemplar as preocupações de natureza comercial de
06:37ambas as partes, como foi feito no caso de outros países. Hoje pela manhã, como
06:43resultado desse encontro dos dois presidentes ontem, acompanhado pelo
06:47secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e
06:52Serviços, doutor Márcio Rosa e do assessor especial da presidência, embaixador Aldo
07:00Faleiro, mantive uma reunião com representantes de comércio dos Estados Unidos e com o secretário
07:06do Tesouro, Scott Besant. Na reunião, concordamos em trabalhar para construir um acordo satisfatório
07:15para ambas as partes. Nas próximas semanas, acordamos um cronograma de reuniões entre
07:20as equipes negociadores para tratar das negociações de ambos os países com foco nos setores mais
07:28afetados pelas tarifas. Eu gostaria agora de passar a palavra e convidar o doutor Márcio Rosa para
07:34complementar essa parte da reunião. Muito obrigado.
07:38Muito bom dia. Bom dia a todas, a todos. Presidente, obrigado, ministro Mauro Vieira.
07:46Rapidamente, sobre as discussões com os Estados Unidos, eu mencionei ontem, vou repetir, presidente,
07:53rapidamente. Estamos avançando espetacularmente bem. Hoje nós estamos num cenário muito mais positivo
07:59do que estávamos há alguns dias. Isso se deve ao fato do compromisso político assumido
08:06pelo governo norte-americano. Ontem, renovado ontem publicamente, e o presidente Trump orientou
08:13a sua equipe a celebrar um acordo em poucas semanas com o Brasil. E hoje pela manhã, foi reiterado
08:21que em poucas semanas deve haver um acordo. Nós, por outro lado, reiteramos, seguindo a sua
08:27orientação precisa de que é preciso que ocorra a reversão da taxação excessiva imposta ao Brasil,
08:34porque ela é baseada em motivos que são improcedentes, inadequados, se não são verdadeiros.
08:40Isso o senhor disse ao presidente Trump ontem, reiterado às vezes, e hoje nós pudemos repetir.
08:45Eu digo que nós estamos num cenário muito mais positivo, porque há, de fato, uma determinação
08:51política para que haja um acordo e a equipe técnica deve seguir essas orientações.
08:56Nas próximas semanas, o senhor já determinou, vai poder dizer que uma equipe de alto nível
09:02vá a Washington para fazer a negociação, e isso está já apalavrado. E não há, em nenhum
09:09momento, a discussão de setores, porque o Brasil impõe, perdão, o Brasil solicita que
09:18haja a reversão da decisão política tomada. Os aspectos políticos que poderiam existir já
09:25não estão mais, não estão mais na mesa, aquilo que nunca poderia ter estado mesmo,
09:29como o senhor bem colocou sempre.
09:31Graças a essa posição, nós hoje fazemos uma discussão de um acordo comercial e não com
09:39outras naturezas que não sejam comerciais. Acho que é isso o relato. Obrigado, presidente.
09:46Obrigado, Márcio. Passar a palavra ao aniversariante do dia e presidente da República,
09:51Luiz Inácio Lula da Silva.
09:53Eu fiquei um pouco triste porque eu não vi ninguém com pacote de presente na mão, falei,
10:06isso significa que ninguém nem lembra do meu aniversário hoje. Mas o que é importante
10:13é o seguinte, é que eu estou completando 80 anos de idade, num melhor momento da minha
10:21vida. Eu nunca, nunca me senti tão vivo e com tanta vontade de viver. E por isso que
10:31eu digo para todo mundo que eu espero viver até os 720 anos. A partir de hoje, falta só
10:3740. Significa que eu já vivi o doplo daquilo que eu pretendo viver. Quem já viveu 80 pode
10:44viver mais 40. O homem que vai viver até 120 anos, 130, já nasceu, segundo a ciência.
10:54E eu espero ter sido escolhido pela ciência. Bem, dizer para vocês que é mais uma viagem
11:01exitosa do governo brasileiro ao exterior. Eu tinha vindo à Indonésia pela última vez
11:10em 2008, quando nós estabelecemos uma parceria estratégica com a Indonésia. Nós temos um
11:17potencial extraordinário em todas as áreas para crescer a nossa relação com a Indonésia.
11:22uma relação muito boa com o presidente Pabofo. E aqui na... Eu nunca tinha vindo aqui na Malásia.
11:32Nunca tinha vindo aqui e, sinceramente, o primeiro-ministro Anuar é uma figura extraordinariamente
11:41agradável, uma figura que gosta do Brasil, uma figura que quer ter uma relação muito forte,
11:50sabe, com o povo brasileiro. Tivemos reuniões com os empresários nos dois países, também
11:57os empresários brasileiros que vieram, que merecem os meus elogios, porque eu sempre
12:03acho que o presidente da República não faz negócio. O presidente da República apenas
12:08abre as portas para que os homens de negócio façam negócio. São os empresários que sabem
12:13negociar, são os empresários que têm interesse específico, são os empresários que têm conhecimento
12:19e, portanto, o papel do governo é fazer com que em todas as viagens minhas a gente leve
12:26uma delegação de empresários brasileiros e empresárias. Nós temos a cooperação das
12:32federações, das confederações, mas eu quero publicamente elogiar o cooperador Jorge Viana
12:38da Apex, que tem prestado um trabalho extraordinário, sabe, no ajuntamento dos setores empresariais
12:45para fazer essa viagem. E a receptividade tem sido extraordinária. Há muita vontade de
12:51conhecer o Brasil, há muita vontade de fazer negócio com o Brasil, há muita disposição de
12:57conhecer o que é a transição energética que o Brasil está pensando, o que é essa coisa
13:02maravilhosa, de um país que tem quase que 90% da sua energia elétrica totalmente renovável,
13:09sabe, de um país que é um país que tem petróleo e, ao mesmo tempo, é um país que
13:13defende que nós vamos trabalhar rapidamente para que a gente não precise mais utilizar
13:18combustível fóssil, que a gente possa fazer a transição energética. E as pessoas querem
13:23conhecer e nós precisamos também conhecer o que os países têm para oferecer para a gente.
13:29tanto para a Indonésia quanto para a Malásia, sabe, primeiro esses dois países da ASEAN,
13:35o nosso comércio nos dois países chega por volta de 12 bilhões de dólares. É muito pouco
13:41dentro do potencial econômico do Brasil e desses países. Significa que está faltando um pouco
13:48mais de ousadia dos nossos empresários e dos nossos ministros. Sabe, ao invés de ficar lá no
13:55WhatsApp todo dia, tem que viajar o mundo para vender as coisas que o Brasil produz, as coisas que o Brasil
14:01tem para vender. Então, é uma coisa muito importante. E, depois, ser convidado para participar, sabe, do
14:0840º Congresso da AVEAN é motivo de muita alegria. Eu fui o primeiro presidente do Brasil a participar do G7,
14:15eu fui o primeiro a participar da reunião europeia com a CELAC e estou sendo, fui o primeiro a participar
14:21da reunião da União Africana e estou sendo o primeiro presidente do Brasil convocado para
14:26participar da AVEAN, que é 11, que são 11 países, sabe, que têm uma afinidade muito grande pelo Brasil,
14:37que gostam do Brasil, que admiro o Brasil, que têm perspectiva de fazer investimento e de atrair investimento
14:44para cá. Então, o Brasil saiu daquele momento histórico que a gente vivia olhando para os Estados Unidos,
14:51achando que os Estados Unidos iriam resolver o problema da miséria do Brasil. Aí, quando se enjoava
14:56dos Estados Unidos, olhava para a União Europeia, achando que a União Europeia ia resolver o problema.
15:01E nós descobrimos o óbvio. Nós descobrimos que ninguém vai resolver o problema do Brasil,
15:06são os brasileiros que vão resolver. E, portanto, nós temos que saber disso. E, sabendo disso,
15:10nós temos que fazer a nossa economia crescer, nós temos que aumentar o nosso comércio exterior,
15:16nós temos que aumentar a nossa atração de investimentos estrangeiros no Brasil.
15:21E isso só se faz com uma química rolando de nós. Isso você não faz por zap, você não faz por e-mail,
15:28você faz isso pegando na mão das pessoas, olhando nos olhos das pessoas e convencendo,
15:34sabe, com palavras das pessoas de que você está oferecendo um bom negócio.
15:38É por isso que eu saio daqui, muito satisfeito, e ainda não terminou, porque nós vamos participar
15:44da abertura da ASEAN e, à noite, tem um jantar. É um jantar, porque eu estou fazendo 80 anos,
15:50o jantar será oferecido pelo primeiro-ministro, a Noa Ibraí, e eu acho que vai ser um jantar muito bom.
15:57Não sei se vocês da imprenta foram convidados, mas vai ser bom.
16:02Bem, aí eu embarco amanhã de manhã para o Brasil, embarco às oito horas da manhã,
16:08e queria dizer para vocês que outra surpresa importante dessa viagem, vocês não acreditam em destino,
16:16mas vejam o que aconteceu.
16:17Há pouco tempo atrás, quando o presidente Trump publicou no seu portal a carta, sabe, ao Brasil,
16:35fazendo as taxações com os produtos brasileiros,
16:40Muita gente entrou em crise achando que era o fim do mundo.
16:48O que nós dizíamos no governo?
16:50É preciso ter calma, porque as decisões que foram tomadas contra o Brasil
16:56são decisões infundadas, porque foram tomadas com informações erradas.
17:03E isso era o óbvio.
17:10Ou seja, todo mundo que leu aquela carta sabia que as informações que estavam lá sobre o Brasil
17:17estavam equivocadas.
17:19Por isso é que eu disse para o presidente Trump, no telefonema,
17:22que era preciso colocar gente que gostasse do Brasil para negociar.
17:26Eu, eu sou um presidente de muita experiência.
17:33Parece que não, mas eu tenho muita experiência.
17:37E você só manda para negociar quem você quer que seja contra, se você é contra,
17:43ou você quer que vá negociar de verdade, se você quer o acordo.
17:47Se você é favorável ao acordo e coloca alguém com má vontade na mesa de negociação,
17:53não tem acordo.
17:54Por isso é que eu acredito no destino.
17:58Não teve encontro entre eu e o Trump na ONU, foi só 29 segundos que a química rolou entre nós.
18:05Depois teve um fonema de meia hora, em que discutimos todos os assuntos que eram pertinentes agora.
18:11E veja, ele andou 22 mil quilômetros.
18:16E eu andei 22 mil quilômetros.
18:18Ele num avião melhor do que o meu.
18:20E eu, sabe, penei mais.
18:24E a gente veio se encontrar na Malávia.
18:28Veja o que é as coisas que têm que acontecer.
18:33O destino estava traçado.
18:35Era na Malávia que a gente tinha que se encontrar para que eu pudesse olhar nos olhos dele e dizer o que eu penso.
18:43Ele olhar nos meus olhos e dizer o que ele pensa.
18:45E foi assim que eu tive ontem, na reunião, uma boa impressão de que logo, logo, não haverá problema entre Estados Unidos e Brasil.
18:58E fiz questão de dizer ao presidente Trump que o fato de nós termos posições ideológicas diferentes não impede que dois chefes de Estados tratem a relação entre os Estados com muito respeito.
19:15Eu respeito porque eu fui eleito presidente da República dos Estados Unidos pelo voto democrático do povo americano e ele me respeita porque eu fui eleito pelo voto democrático do povo brasileiro.
19:26Isso colocado na mesa, tudo fica mais fácil.
19:32Tudo fica mais fácil.
19:34Eu fiz questão de dizer para ele aquilo que eu achava e entreguei por escrito.
19:39Entreguei por escrito para que as pessoas não se esqueçam.
19:43Às vezes as pessoas se esquecem.
19:44Então, eu entreguei por escrito aquilo que eu queria falar para ele.
19:48Fiz questão de dar uma cópia para ele daquilo que a gente estava reivindicando.
19:53Dendo para ele que era inadmissível a punição de ministro da Suprema Corte por causa da votação que houve no processo do 8 de janeiro do golpe.
20:03Fiz questão de dizer para ele que eram infundadas as informações de que os Estados Unidos tinham déficit comercial com o Brasil.
20:11Nós provamos que teve um déficit, um superávit de 410 bilhões em 15 anos.
20:19Só o ano passado foram quase 22 bilhões de superávit para os Estados Unidos.
20:23E que nós não estamos reclamando.
20:27Ao invés de a gente reclamar o déficit, a gente precisa aumentar a nossa capacidade produtiva, a nossa qualidade dos produtos e vender mais.
20:36É assim que a gente faz negócio.
20:37E confesso a vocês que foi surpreendentemente boa a reunião que eu tive com o presidente Trump.
20:45Eu vou dizer para vocês, Mauro, que é o negociador, o Márcio, que está aqui representando o Alckmin,
20:53e mais o Haddad, que vai participar das negociações.
20:57Vocês sabem que se depender do Trump e de mim vai ter acordo.
21:03É importante que quando vocês sentarem na mesa, que alguém disser não às coisas que nós descrevemos,
21:12vocês têm que saber que não é nem da parte dele e nem da minha parte.
21:16Porque nós estamos dispostos a fazer com que o Brasil e os Estados Unidos continuem com uma relação, sabe, como tem há 201 anos.
21:25Não são pouco tempo, são dois séculos de reunião diplomática, sabe, muitas vezes vantajosas, por dois países,
21:34muitas vezes perigosa para o Brasil, como em 1964.
21:38Mas tudo isso a gente deixa de lado, porque o que interessa numa mesa de negociação é o futuro.
21:44É o que você vai negociar para frente.
21:46E ele sabe que nós queremos, primeiro, suspender a taxação e vamos negociar.
21:53Veja que engraçado, eu sou o único presidente do mundo que reconheço que o presidente de um país tem o direito de taxar os produtos dos outros países,
22:02quando esses produtos estiverem causando prejuízo à indústria nacional.
22:07De vez em quando, o Márcio e o Alckmin chegam para mim, presidente, precisa taxar em 15%, não sei o quê, em 20%.
22:13Eu estou lá taxando.
22:15Então, eu acho que é um direito do presidente da República taxar, quando vai causar prejuízo à sua indústria, ao seu desenvolvimento.
22:22O que não pode é acontecer o que aconteceu com o Brasil.
22:26Com base em informações equivocadas, tomaram uma decisão de taxar o Brasil em 50%.
22:32Ele sabe disso porque eu tive a oportunidade de dizer, agora não tem mais intermediário.
22:38Agora é o presidente Lula com o presidente Trump.
22:40Gostemos um, não gostemos um do outro.
22:44Nós dois temos que assumir a responsabilidade como chefes de Estado e saber que as nossas ações têm que trazer benefício para os povos que nos elegeu.
22:54É assim que eu trato isso, é assim que eu estou otimista.
22:56Saio daqui muito otimista.
22:58Já possivelmente já tem uma reunião, uma semana que vem, o Hostos.
23:02Ele me disse que está com vontade de vir para o Brasil.
23:04Eu disse para ele que estou à disposição de ir a Nova York, ir ao Hostos, quando quiser discutir.
23:09Porque se tem uma coisa que eu aprendi a fazer na vida, foi negociação.
23:14E não foi no meu mandato presidencial.
23:16Foi muito antes do mandato.
23:18Eu aprendi a fazer negociação.
23:20Aprendi a sobreviver negociando.
23:23E sei quando ceder e sei quando não ceder.
23:26E para que a reunião seja correta e junta, nós temos que começar no patamar zero.
23:31Vamos votar a estaca zero e vamos saber o seguinte.
23:34Aonde é que nós queremos chegar?
23:38E se houvesse a disposição do presidente Trump, como ele disse,
23:42que tem toda a disposição de fazer um bom acordo com o Brasil,
23:46e eu disse para ele que o Brasil tem toda a intenção de fazer um bom acordo com os Estados Unidos,
23:50não haverá problema para nenhum setor da economia brasileira
23:53e não haverá problema para a relação entre as duas maiores democracias do Ocidente.
24:02Eu disse para ele o que eu tinha dito por telefone,
24:06de que o Brasil e os Estados Unidos,
24:08como as duas mais importantes democracias da América e do mundo,
24:14no Ocidente, a gente tem que dar exemplo.
24:16exemplo de cordialidade,
24:20exemplo de livre comércio,
24:22exemplo de multilateralismo.
24:24E é isso que eu vou continuar fazendo.
24:27Eu tenho o telefone
24:29do presidente Trump,
24:35ele tem o meu telefone,
24:37agora se os intermediários nossos falharem,
24:41sabem onde é que a corda vai doer.
24:45Não, porque muitas vezes, gente,
24:49muitas vezes,
24:50eu estava na reunião de ontem
24:52e confesso para vocês,
24:55a pessoa mais entusiasmada na reunião de ontem
24:58era o presidente Trump.
25:02Agora, veja,
25:03obviamente que nas nossas equipes
25:05tem gente que concorda, que não concorda,
25:07que gostaria de fazer a conta, que não gostaria.
25:09Eu só quero dizer para a imprensa brasileira que está aqui,
25:12eu estou convencido
25:14de que em poucos dias
25:16nós teremos uma solução
25:18definitiva,
25:20sabe,
25:20entre Estados Unidos e Brasil,
25:22para que a vida siga
25:24boa e alegre
25:26do jeito que dizia o Gonzaguinha
25:28na sua música.
25:30É assim
25:30que eu voto
25:31para o Brasil,
25:32satisfeito,
25:34sabe,
25:34e certo
25:35que tudo vai dar certo
25:37para o povo brasileiro.
25:38É isso,
25:39agora eu me coloco
25:40à disposição de vocês,
25:42sabe,
25:42para responder as perguntas
25:43que vocês quiserem,
25:45sabe.
25:47Então, vamos lá,
25:48vamos iniciar com o Rodrigo Rangel
25:49do Platô BR.
25:51Rodrigo, por favor.
25:54Muito bom dia, presidente.
25:55Bom dia, Rodrigo.
25:56Eu sou o Rodrigo Rangel
25:56do Platô BR.
25:58Presidente,
25:58eu pergunto
25:59se a química
26:00com o presidente Donald Trump
26:02ficou muito mais intensa
26:04no dia de ontem
26:05e em quanto tempo
26:07o senhor acredita
26:09que o tarifácio
26:11pode ser suspenso.
26:14Bom,
26:14e também ontem
26:15ao falar de Jair Bolsonaro,
26:17o presidente Trump
26:18disse que gosta
26:19do ex-presidente
26:20e lamenta
26:21o que vem acontecendo
26:22com ele,
26:23mas no quadro geral
26:24a impressão
26:24é que ele já não está
26:26tão disposto
26:27a defender Bolsonaro
26:28como parecia
26:29lá atrás
26:30quando
26:31da aplicação
26:32do tarifácio.
26:33Com a sua leitura
26:34sobre isso,
26:34o que o senhor diz
26:36sobre a atuação
26:37do clã Bolsonaro
26:38nos atos
26:39que resultaram
26:40no tarifácio
26:41e nessa crise
26:42principal
26:43em 200 anos
26:44de relações diplomáticas
26:45entre Brasil
26:46e Estados Unidos.
26:46O Lércio disse
26:47que ia ter sete perguntas,
26:48você já fez todas elas,
26:50então vai terminar por aqui.
26:52Olha,
26:52deixa eu te dizer uma coisa,
26:54eu sinceramente,
26:56eu sinceramente
26:57estou muito otimista
26:58com a reunião de ontem
26:59e acho
27:01que nós vamos encontrar
27:02uma solução
27:02para o tarifácio.
27:04eu não estou
27:06reivindicando
27:07nada
27:07que não seja
27:09justo para o Brasil
27:10e tenho
27:11do meu lado
27:13a verdade
27:14mais verdadeira
27:16e absoluta
27:16do mundo.
27:17Os Estados Unidos
27:18não têm déficit
27:20com o Brasil,
27:22que foi a explicação
27:23da famosa
27:24taxação ao mundo.
27:26É que os Estados Unidos
27:27só iam taxar
27:28os países
27:28que ele tinha déficit comercial.
27:29pois eu disse
27:31ao presidente Trump
27:32que em todo o G20
27:33só tem três países
27:35com os Estados Unidos
27:36de supernitário,
27:37Brasil,
27:38Reino Unido
27:39e Austrália.
27:41Então,
27:42ele sabe
27:42que não é verdade
27:44que os Estados Unidos
27:45têm prejuízo
27:46com o Brasil.
27:47E eu acho
27:47que isso é a base
27:48da gente voltar
27:49a negociar.
27:50A segunda inverdade
27:52que ele citou
27:52na carta dele,
27:54sabe,
27:54foi a questão
27:55do julgamento
27:56do Bolsonaro.
27:57Eu disse para ele
27:59que o julgamento
27:59foi um julgamento
28:00muito sério,
28:02com provas
28:02muito contundentes,
28:04nenhuma prova
28:05da oposição,
28:06uma prova
28:06é tudo de relato
28:08das pessoas
28:08que estão sendo julgadas.
28:10Disse para ele
28:11a gravidade
28:12do que eles tentaram
28:13fazer no Brasil.
28:14Disse a eles
28:15que eles têm
28:16um plano
28:16para matar a mim,
28:17para matar o meu vice-presidente,
28:19para matar o presidente
28:20Alexandre de Moraes.
28:22E eles foram julgados
28:22com direito de defesa
28:23que eu não tive
28:24quando eu fui processado.
28:27E que, portanto,
28:29sabe,
28:29isso não está em questão,
28:30isso não está em discussão.
28:32Sabe?
28:33E ele sabe
28:34que remonta
28:35ou reposto.
28:37Ele sabe.
28:40O Bolsonaro
28:40faz parte
28:41do passado
28:42da política brasileira.
28:44E eu ainda
28:45disse para ele,
28:46com três reuniões
28:47que você fizer comigo,
28:49você vai perceber,
28:50sabe,
28:51que o Bolsonaro
28:51era nada,
28:52praticamente.
28:52era porque
28:55eu não converso
28:56em tom pessoal,
28:57eu converso
28:57em tom político
28:58de interesse
28:58do meu país.
29:01Convidei ele
29:01para a IACOP
29:02outra vez,
29:04disse para ele,
29:04é importante que você vá
29:05para dizer o que você pensa.
29:07E você não acredita
29:08nas coisas,
29:09vai lá para você
29:10poder dizer o que você pensa.
29:11Porque não pode
29:12a gente fingir
29:13que não tem
29:13uma situação climática,
29:15sabe?
29:15e vamos ver
29:18o que é que vai acontecer.
29:19Eu estou muito certo
29:20que essa relação,
29:22eu digo para todo mundo,
29:23a melhor relação
29:23que eu tive
29:24com os Estados Unidos
29:25foi com o Bush.
29:27Que na primeira reunião
29:29que eu tive com ele
29:30foi me convidar
29:31para o Brasil
29:32participar da guerra
29:32do Iraque.
29:35Eu disse para ele
29:35que o Brasil
29:36não queria guerra,
29:37a minha guerra
29:38era contra a fome
29:38e eu ia vencer
29:39a fome no Brasil.
29:40E vencemos.
29:42Pela segunda vez.
29:44Bem,
29:44a mesma coisa
29:45vai acontecer
29:46com o Trump.
29:46A gente não se conhecia.
29:48E se você se conhece
29:50por pessoas que falam,
29:52sabe?
29:53É mais difícil.
29:55Você tem que sentir,
29:56você tem que pegar na mão,
29:57você tem que conversar,
29:58tem que olhar,
29:59tem que ver
30:00o procedimento da pessoa,
30:01o comportamento,
30:02a reação da pessoa.
30:04Sabe?
30:04E eu acho,
30:05sinceramente,
30:06eu acho que rolou
30:07muita sinceridade
30:09na nossa relação.
30:10Eu não,
30:11não,
30:12não,
30:12não tenho nenhum
30:13problema de dizer
30:14que é bem possível
30:15que vocês fiquem surpresos
30:18com a afinidade
30:20da relação
30:20entre o Estado americano
30:22e o Estado brasileiro.
30:24O pensamento político
30:26do presidente
30:26não tem que ver dele,
30:27o meu pensamento é meu,
30:29mas quando nós conversamos,
30:31não sou eu nem ele.
30:32São os chefes
30:33de dois Estados democráticos
30:35do Ocidente
30:36que estão conversando.
30:38Bem,
30:38a segunda coisa
30:39é que
30:40eu penso
30:42que terá que ter
30:43uma suspensão
30:44de algumas medidas
30:45da taxação
30:46para a gente começar
30:46do zero
30:47e da punição
30:48aos nossos ministros,
30:49porque não tem
30:50nenhum procedimento,
30:51não tem lógica.
30:52Isso foi dito
30:53na frente do Marco Rubio,
30:55foi dito
30:56na frente do homem
30:57do tesouro dele
30:58e do homem
30:59do...
31:00Sabe?
31:01Tinha três...
31:02Então,
31:03foi dito para eles
31:04com veloz
31:05e eu fiz questão
31:05de entregar
31:06um documento.
31:08Fiz questão
31:08de entregar
31:09um documento.
31:09O que eu quero?
31:10Está lá
31:11a discussão
31:12do Brasil,
31:13a discussão
31:13da lei,
31:15sabe,
31:16magnífica,
31:18a discussão
31:19da taxação,
31:21a discussão
31:21da Venezuela,
31:22a discussão
31:23da greve
31:23da Ocânia,
31:24está tudo lá escrito.
31:26Portanto,
31:26ele leu
31:27na minha frente,
31:29leu na minha frente
31:30e ele ficou
31:31até surpreso
31:32quando eu disse
31:33que dentro
31:33das punições
31:34do nosso ministro,
31:36além de punir
31:36o ministro da saúde,
31:37puniu uma filha
31:38dele de oito anos.
31:41Quem estava lá
31:42viu que ele ficou
31:42surpreso.
31:43Então,
31:43eu acho que está
31:44estabelecida
31:45a relação
31:46entre Brasil
31:47e Estados Unidos.
31:49Quem imaginava
31:49que não ia ter,
31:50perdeu.
31:52Vai ter
31:52e vai ter
31:53uma relação
31:53produtiva
31:54para os dois países
31:56e para a democracia.
31:58Tá?
31:59É isso.
32:00Vamos à próxima
32:01pergunta,
32:02Daniel Azra,
32:03da Reuters.
32:04Ninguém está traduzido.
32:27Ninguém está traduzido aí.
32:28só um minuto,
32:30pessoal,
32:31só um minuto.
32:37Pode falar,
32:38você deixou disso.
32:40Tá vendo bem,
32:41presidente?
32:43É que o que ia ter
32:44a vida aqui
32:44está desligado.
32:48Vamos retomar
32:49a pergunta,
32:49por favor.
32:50não,
32:51porque eu não sou
33:08ninguém para alguém
33:10fazer promessa
33:11para mim.
33:11faz promessa
33:14para santo,
33:17não para mim.
33:19Sabe,
33:20para mim,
33:20o que ele tem
33:21que fazer
33:21é compromisso.
33:23E o compromisso
33:23que ele fez
33:24é que ele
33:25pretende
33:26fazer um acordo
33:27de muita
33:28boa qualidade
33:29com o Brasil.
33:31E está muito
33:32registrado
33:32na minha cabeça
33:33e na cabeça dele.
33:34eu fiz questão
33:38de não deixar
33:38dúvida
33:39ao presidente
33:41Trump
33:42quem eu sou,
33:43de onde eu vim
33:44e o que eu penso.
33:47Porque somente
33:48quando a gente
33:48se conhece,
33:50sabe,
33:51é que a gente
33:51pode passar
33:52a respeitar
33:52ou não as pessoas.
33:55Então,
33:56eu,
33:56sinceramente,
33:57embora ele
33:58não tenha
33:58feito promessa,
34:00ele garantiu
34:01que nós vamos
34:03ter acordo.
34:04e eu acho
34:06que vai ser
34:07mais rápido
34:07do que muita
34:08gente pensa.
34:11E vai depender
34:12do Brasil também.
34:14Nós não somos
34:15um bebê
34:16que tem que ficar
34:17esperando alguém
34:18nos chamar.
34:20Nós é que
34:20temos interesse.
34:22Então,
34:23nós temos
34:23que ir atrás.
34:25Eu já falei
34:26para os meus
34:27negociadores.
34:29Ele foi
34:30para a Coreia,
34:31foi para o Japão,
34:33mas,
34:33a depender
34:34do resultado
34:36dessa semana,
34:38eu já vou
34:39importuná-lo
34:40com o telefonema
34:41direto.
34:44E ele também
34:45tem
34:45o meu telefone.
34:49Só que,
34:50como eu uso
34:50o celular,
34:51eu dou
34:52o do meu
34:53cerimonial,
34:54o igreja,
34:55então,
34:56ele liga
34:57para a igreja
34:58a hora que ele quiser
34:59e nós
35:01conversamos.
35:03Vamos para a próxima
35:04pergunta,
35:04Eduardo Barão,
35:05da Bandi.
35:09Bom dia,
35:12presidente.
35:12Bom dia.
35:13Nós sabemos
35:14o que o Brasil
35:15deseja,
35:15só deixou muito claro,
35:16a questão do tarifácio,
35:17a questão envolvendo
35:18as sanções que foram
35:19impostas pelo governo
35:20americano.
35:21O que o governo
35:21americano quer?
35:22já se falou
35:24da questão
35:25envolvendo
35:25tech,
35:27se falou da questão
35:27envolvendo a China,
35:28se falou sobre
35:29terras raras.
35:30Ontem,
35:30o senhor conversou
35:31com ele sobre
35:31a Venezuela.
35:33Diretamente,
35:33presidente,
35:34qual é a chance
35:35de ter alguma
35:36situação mais grave
35:37na Venezuela
35:38e que os americanos
35:39querem em troca
35:40o que o Brasil
35:41está disposto
35:41a oferecer,
35:42presidente?
35:43Olha,
35:44o presidente Trump,
35:46ele não disse
35:46o que queria,
35:48porque eu comecei
35:49a conversa com ele
35:50dizendo
35:50que não tem
35:52veto
35:53na nossa discussão.
35:55O assunto
35:56que quisesse discutir
35:57e colocar na mesa,
35:58nós vamos discutir.
36:00Se for relação
36:01comercial,
36:02se for a relação
36:03com a China,
36:04relação com a Venezuela,
36:06não tem tema
36:07proibido comigo.
36:09Se quiser discutir
36:09a questão
36:10de minerais críticos,
36:11de terras raras,
36:12se quiser discutir
36:13etanol,
36:14se quiser discutir
36:14açúcar,
36:15não tem problema.
36:17Eu sou a metamorfose
36:18ambulante
36:19na mesa de negociação.
36:20coloque o que quiser
36:23que eu estou disposto
36:24a discutir
36:24todo e qualquer assunto.
36:27É assim
36:28que eu aprendi
36:28a negociar.
36:30Eu não sei
36:30que na mesa
36:31desse assunto
36:31eu não discuto.
36:32Não.
36:33Se é interessante
36:34para você,
36:34coloque na mesa.
36:36Me convença.
36:38Porque de me convencer
36:39é fácil.
36:41Não foi colocado nada.
36:42Eu coloquei
36:43a questão da Venezuela
36:44para ele
36:44dizendo que
36:46pelo noticiário
36:46do jornal,
36:48eu estou vendo
36:48que as coisas
36:49estão se agravando
36:50e disse para ele
36:51que era extremamente
36:52importante
36:53levar em conta
36:54a experiência
36:55que o Brasil tem
36:56como o maior
36:57país da América do Sul,
36:59como o país
36:59economicamente
37:00mais importante,
37:01que tem como vizinho
37:03quase toda a América do Sul,
37:05que levasse em conta
37:06a necessidade,
37:08aquilo que é precisar
37:09o Brasil ajudar
37:10na relação
37:10com a Venezuela.
37:12Contei para ele,
37:12inclusive,
37:13o grupo dos amigos
37:14que nós criamos
37:15em 2003.
37:17Eu tinha apenas
37:1815 dias de mandato,
37:2015 dias de mandato,
37:21quando eu estava
37:22em Quito,
37:22na posse do presidente
37:24do Equador,
37:26e eu,
37:27o Chávez estava
37:28com um problema
37:28com os Estados Unidos,
37:30eu propus a criação
37:31de um grupo de amigos,
37:32criamos um grupo
37:33de amigos
37:33e conseguimos garantir
37:35que houvesse um referendo
37:37tranquilo
37:38na Venezuela.
37:39Eu disse para ele
37:40que nós estamos
37:41à disposição
37:42para ajudar
37:42e queria que ele
37:44levasse em conta
37:44de que nós somos
37:46uma zona de paz.
37:48Até falei para ele,
37:49eu era constituinte
37:50quando eu votei
37:51pela não-proliferação
37:52de armas nucleares
37:54no Brasil.
37:56Não é uma invenção minha,
37:58não é um discurso,
37:59é um voto
38:00que eu dei
38:00na Constituição brasileira
38:02que está,
38:03possivelmente,
38:04seja o único país
38:04do mundo
38:05que tenha na sua
38:05Constituição
38:06a não-produção
38:08de armas nucleares,
38:09de armas atômicas.
38:11Então,
38:11isso ficou muito claro.
38:13Se precisar
38:14que o Brasil
38:15ajude,
38:16nós estamos
38:17à disposição.
38:18Estamos à disposição
38:19para negociar
38:21porque nós queremos
38:21manter a América do Sul
38:23como zona
38:25de paz.
38:26Nós não queremos
38:27trazer os conflitos
38:28de outra região
38:29para o nosso continente.
38:31É isso.
38:33Vamos passar
38:33à próxima pergunta
38:34em inglês,
38:35presidente.
38:35Samantha Tan
38:36da Bernama,
38:37aqui da Malásia.
38:41Só um minuto.
38:42Só um minuto.
38:46Vamos lá.
38:47Hello,
38:47Mr. President.
38:49Bom dia
38:50e feliz aniversário.
38:52Meu nome é
38:52Samantha
38:53da Malásia
38:54Nacional
38:54News Agency.
38:56Meu question
38:56seria,
38:57Malásia
38:58é um país
38:59de BRICS.
39:01Você vê
39:02a Malásia
39:02se tornando
39:03um membro
39:03durante a sua
39:04governança.
39:05Obrigada.
39:06E espero que você
39:06tenham gostado
39:07seu estado
39:07em Malásia.
39:08olhe,
39:09eu aprendi na minha vida
39:16que o nosso
39:19comportamento humano
39:20é sempre levar
39:22em conta
39:23que o importante
39:25é o principal,
39:27o resto
39:28é secundário.
39:30E o principal
39:31que você me pergunta
39:34é saber
39:35se eu quero
39:37que a Malásia
39:37entre nos BRICS.
39:40Pois eu quero dizer
39:41para você
39:41que a Malásia
39:43terá
39:44o apoio
39:45do Brasil
39:45para ser
39:47membro
39:47pleno
39:48do BRICS.
39:48e eu posso
39:52lhe dizer
39:52que eu levo
39:53da Malásia
39:54a impressão
39:57mais positiva
39:59possível.
40:01Primeiro,
40:02pela simpatia
40:03do povo.
40:05Em cada lugar
40:06que eu chego
40:06parece que eu conheço
40:07todo mundo.
40:10Tem sempre
40:11alguém rindo,
40:12tem sempre
40:12alguém gentil,
40:14ou seja,
40:15é um pouco
40:16do povo brasileiro.
40:18então eu saio
40:20com a melhor
40:20impressão
40:21da Malásia,
40:22saio com a impressão
40:23maravilhosa
40:24do primeiro
40:26ministro
40:26Anuari Bahim
40:28e saio
40:30da reunião
40:32que eu tive
40:32com o governo
40:33e também
40:34saio com a impressão
40:35muito positiva
40:36da reunião
40:37que eu fiz
40:37com os empresários.
40:40E espero
40:41sair com a impressão
40:42muito boa
40:42do jantar de gala.
40:46Eu vou
40:46até utilizar
40:48uma camisa
40:49que eu ganhei
40:49de presente
40:50do governo
40:53para poder
40:54chegar lá
40:54como se fosse
40:56uma ladiana.
40:59Vamos à próxima
41:00pergunta.
41:01Vitória
41:01Damasceno
41:01da Folha
41:02de São Paulo.
41:06Bom dia,
41:07presidente.
41:10O seu secretário
41:11afirmou que
41:12questões políticas
41:13vão ficar fora
41:13da mesa
41:14na negociação.
41:15Isso foi
41:16o acordado
41:17ontem
41:17com os
41:19negociadores
41:19americanos.
41:21Não,
41:21não entendi.
41:21Repete,
41:22por favor.
41:23O seu secretário
41:24executivo,
41:25Márcio Rosa,
41:26disse que
41:27questões políticas
41:28vão ficar
41:28fora da mesa,
41:30que foi o acordado
41:31ontem
41:32com o governo
41:32americano.
41:33Mas o senhor
41:34acabou de dizer
41:35que o senhor
41:36está aberto
41:36a colocar
41:37diversas questões
41:38na mesa,
41:38inclusive questões
41:39políticas.
41:40Então,
41:40eu queria entender
41:41qual é o seu
41:41alinhamento
41:42com os negociadores
41:43e se questões
41:44políticas
41:45vão ficar
41:45dentro
41:46ou fora
41:46da mesa.
41:47Deixa eu lhe contar
41:48uma coisa.
41:48As questões
41:49políticas
41:49serão colocadas
41:50na presença
41:52dos dois
41:52presidentes
41:53da república,
41:54não na mesa
41:54de negociação
41:55sobre negócios.
41:58Quem vai discutir
41:58política
41:59nesse negócio
42:01do Brasil
42:01é o presidente
42:02Trump
42:02e o presidente
42:03Lula.
42:04Eles vão
42:05negociar
42:05as taxações
42:07comerciais
42:08que foram
42:09imposta a nós.
42:10Inclusive a questão
42:11da legislação,
42:12da punição
42:13aos nossos
42:14ministros
42:14é uma decisão
42:15política
42:16que vai ser
42:16resolvida
42:17entre o
42:18Trump
42:18e eu.
42:20Só para não
42:20ter dúvida.
42:24Bem,
42:25agora vamos
42:25passar para
42:26a Alegra
42:26Mandelson
42:27do The Telegraph,
42:29na terra também
42:30em inglês.
42:31Só um minutinho.
42:36Olá,
42:37senhor presidente.
42:37Brasil é
42:42a founding
42:42member
42:42of BRICS,
42:43que foi
42:44a main
42:44challenger
42:45da
42:45Western-centric,
42:47U.S.-centric
42:48world
42:49order,
42:49e China
42:50tem
42:51a
42:52leading
42:52role
42:53em reshaping
42:54this
42:54new
42:55world
42:55order.
42:56While
42:56you
42:56were
42:56just
42:57talking
42:57about
42:57how
42:58you're
42:58optimistic
42:58that
42:59Brazil
43:00and
43:01the U.S.
43:01will be
43:01able to
43:02come to
43:02an
43:02agreement,
43:03it does
43:04seem as
43:04though
43:05President
43:05Trump's
43:06tariffs
43:06and trade
43:07policies
43:07have been
43:08pushing
43:08Brazil
43:08closer
43:09to
43:10China.
43:11Would
43:11Brazil
43:11like to
43:12see
43:12a new
43:13world
43:13order
43:13with
43:14China
43:14at
43:14the
43:15helm
43:15or
43:15leading
43:15the
43:16way
43:16inside
43:16of
43:17the
43:17U.S.?
43:17Olha,
43:26o Brasil
43:27não tem
43:28preferência
43:29por países.
43:32Nós
43:32queremos
43:32manter
43:33relações
43:34com todos
43:35os países
43:35do mundo.
43:37Nós
43:37não
43:37aceitamos
43:38uma nova
43:39guerra
43:39fria
43:40que durante
43:4150 anos
43:42permeou a vida
43:42da humanidade
43:43entre
43:44Estados Unidos
43:44e Rússia.
43:45o que
43:47nós
43:47queremos
43:47na verdade
43:48é que
43:48não
43:48haja
43:49guerra
43:49fria
43:49entre
43:49Estados
43:50Unidos
43:50e
43:50China
43:50porque
43:51nós
43:51queremos
43:52manter
43:52belíssima
43:53relação
43:53com os
43:53Estados
43:54Unidos
43:54e belíssima
43:55relação
43:55com a
43:55China.
43:56Não é
43:57por causa
43:57da taxação
43:58que aumentou
43:59o nosso
43:59comércio
43:59com a
44:00China.
44:00O nosso
44:01comércio
44:01com a
44:01China
44:01já vinha
44:02crescendo
44:02e hoje
44:03a China
44:03é o maior
44:04parceiro
44:04comercial
44:05do Brasil
44:05e eu
44:06espero
44:06que cresça
44:07mais
44:07porque
44:08tudo
44:09aquilo
44:09que os
44:09chineses
44:10precisar
44:10comprar
44:11o Brasil
44:15eu quero
44:17que a
44:18economia
44:19brasileira
44:19e a
44:20saúde
44:21desse
44:21meu
44:21país
44:22não
44:22fique
44:22dependendo
44:23de um
44:24único
44:24país.
44:26Eu quero
44:26que a
44:26gente
44:26dependa
44:27de todos
44:28os
44:28países
44:28do
44:28mundo
44:28de cada
44:29um
44:29pouquinho.
44:31Então
44:32não temos
44:32preferência.
44:34Obviamente
44:34que eu
44:34acho
44:34extremamente
44:35importante
44:35o
44:36crescimento
44:36da
44:37China
44:37como eu
44:37gostaria
44:38que fosse
44:38o
44:38crescimento
44:38do
44:39Brasil.
44:40Se a
44:40gente
44:40conseguir
44:41concluir
44:42tudo aquilo
44:42que a
44:42gente
44:42está
44:43pensando
44:43em
44:43fazer
44:43quem
44:44sabe
44:44daqui
44:44aos
44:4410,
44:4515
44:45ou 20
44:45anos
44:46é o
44:46Brasil
44:47que
44:47estará
44:47na
44:48linha
44:48de
44:49frente
44:49na
44:49negociação
44:50com
44:50muitos
44:50países.
44:52Eu
44:52trabalho
44:52para
44:52isso,
44:53acredito
44:54nisso
44:54e quero
44:55continuar
44:56tendo
44:56uma
44:56belíssima
44:57relação
44:57com a
44:57China,
44:58quero
44:58ter
44:58uma
44:59belíssima
44:59relação
44:59com os
45:00Estados
45:00Unidos,
45:00quero
45:01ter
45:01uma
45:01belíssima
45:01relação
45:02com a
45:02União
45:02Europeia,
45:03porque
45:03é
45:03importante
45:04lembrar
45:04que
45:04depois
45:04de
45:0522
45:05anos
45:06nós
45:06vamos
45:06em
45:07dezembro
45:07agora
45:08fazer
45:08o
45:09acordo
45:09União
45:10Europeia
45:10e Mercosul,
45:12que era uma
45:12coisa que
45:13estava
45:13travada
45:14há muito
45:14tempo,
45:15nós
45:15então
45:15resolvemos
45:16destravar
45:16na
45:17presidência
45:18do Brasil
45:18do Mercosul,
45:19nós vamos
45:19fazer esse
45:19acordo,
45:20e também
45:21estamos
45:21fazendo
45:21acordo
45:22para a
45:22Indonésia
45:22com o
45:23Mercosul,
45:23para a
45:24Marádia
45:24com o
45:24Mercosul,
45:25para a
45:25Azean
45:25com o
45:25Mercosul,
45:26ou seja,
45:27o nosso
45:27negócio
45:27é fazer
45:28negócio,
45:30por isso
45:30é que eu
45:30ando
45:31com
45:31bastante
45:31ministro,
45:32por isso
45:33é que
45:33o
45:33Fávaro,
45:33quando a
45:39está no
45:39ministério
45:40dele,
45:41e possivelmente
45:42alguém me
45:42dê um
45:43porco
45:43assado
45:43para comer,
45:44sabe,
45:45lá no
45:46ministério
45:46dele,
45:47é assim
45:47que nós
45:48queremos
45:48fazer
45:49relação,
45:50eu não
45:50me incomodo
45:51da relação
45:51dos Estados
45:52Unidos,
45:52ele tem
45:53relação
45:53com o que
45:53ele quiser,
45:54eu tenho
45:54com o que
45:54eu quiser,
45:56eu não
45:56quero
45:56contencioso
45:57com
45:57ninguém,
45:58não quero
45:58contencioso,
45:59o Brasil
46:00é,
46:01se o Lulinha
46:01é Lulinha,
46:02paz e amor,
46:03o Brasil
46:03é Brasil,
46:03paz e amor,
46:05a gente
46:05não quer
46:05guerra,
46:06a gente
46:06quer paz,
46:06a gente
46:08não quer
46:08confusão,
46:09a gente
46:09quer
46:09negociação,
46:11a gente
46:12não quer
46:12demora,
46:13a gente
46:13quer
46:13resultado,
46:15essa é a
46:15minha lógica
46:16na direção
46:17do Brasil.
46:19Passar
46:19agora a
46:20pergunta
46:20para
46:21Américo
46:21da CNN.
46:27Eu só
46:28queria
46:28virar um
46:29prêmio.
46:29Antes da
46:30pergunta,
46:30deixa eu
46:30fazer uma
46:30observação.
46:35Bom
46:36repórter
46:36tem que estar
46:37onde a
46:37notícia
46:37está.
46:38Eu vou
46:39criar um
46:39prêmio.
46:40Américo.
46:40O jornalista
46:41que mais
46:41me faz
46:42pergunta.
46:45Bom
46:45prazer,
46:46o jornalista
46:46tem que estar
46:47onde a
46:47notícia
46:47está.
46:48Presidente,
46:48eu queria
46:48voltar à
46:49questão
46:49da química
46:50com o
46:51presidente
46:52Donald
46:52Trump.
46:53A gente
46:53tem a
46:53informação
46:54que ele
46:55ficou
46:55muito
46:56impressionado
46:57com a
46:57sua
46:57trajetória
46:58política,
46:59que ele
46:59gostou
47:01da sua
47:01trajetória,
47:02ele elogiou
47:03essa trajetória.
47:04Eu queria
47:04saber,
47:04ele admirou
47:05a sua
47:06trajetória.
47:06eu queria
47:06saber se o senhor
47:07também admira
47:08a trajetória
47:09dele e,
47:10em caso
47:10positivo,
47:11que características
47:12dele o senhor
47:13admira?
47:14Eu acho
47:15que são duas
47:15trajetórias
47:16totalmente
47:17diferentes.
47:19A minha
47:20trajetória
47:20é de um
47:22chão de
47:22fábrica,
47:24de uma
47:24pessoa pobre,
47:25nordestina,
47:26que não
47:26morreu de fome
47:27até completar
47:28cinco anos,
47:29por sorte,
47:30que conseguiu
47:30sobreviver e
47:31chegar à
47:31presidência
47:32da República.
47:32A dele
47:32é de um
47:33homem bem
47:33sucedido.
47:35Ele é um
47:36empresário
47:36bem sucedido,
47:37é um
47:37homem rico,
47:38que tem uma
47:38trajetória
47:39política totalmente
47:40diferente da
47:41minha.
47:42O que eu
47:42disse para ele,
47:44eu fiquei
47:44lisonjeado,
47:45quando soube que
47:46ele sabia da
47:47minha história,
47:49sabe?
47:50Eu disse para ele
47:51que a minha
47:53relação com ele
47:54não tem nada a ver
47:55com o pensamento
47:55político e ideológico
47:57de cada um,
47:58que eu respeito
47:59ele porque ele
47:59foi eleito
48:00presidente dos
48:01Estados Unidos
48:01e eu quero
48:03só o respeito
48:04porque eu sou
48:04eleito
48:04presidente do
48:05Brasil.
48:05É só isso.
48:06E o que eu
48:07acho que é
48:07química,
48:08gente?
48:08Eu sempre,
48:09não tem nenhuma
48:10novidade quando eu
48:12digo para vocês que
48:12o ser humano é
48:1480% química e
48:1520% razão e
48:17emoção.
48:18Nós somos
48:19tocados a emoção,
48:21nós somos
48:21tocados ao nosso
48:22olhar, ao sentir
48:24as pessoas.
48:25e eu acho o
48:26seguinte, eu acho
48:27que quem conhece
48:28a minha vida
48:29política sabe que
48:31eu tenho uma
48:32história que
48:33merece respeito
48:34porque não é fácil
48:36o povo brasileiro
48:37ter a coragem de
48:38eleger um
48:38presidente que
48:39não tem diploma
48:40universitário para
48:40ser presidente
48:41da república.
48:43As ciências
48:43políticas não
48:45imaginavam isso,
48:47nunca escreveram
48:47sobre isso.
48:49Então, é
48:49importante que ele
48:49conheça a minha
48:50história, sabe?
48:52É importante porque
48:53muita gente não
48:53conhece, muita
48:54gente fala,
48:55muita gente fala
48:55muita bobagem
48:56a meu respeito.
48:58E eu continuo
48:59sendo o que eu
49:00era, eu sei de
49:00onde eu vim, sei
49:02onde estou e sei
49:03para onde eu vou
49:04quando eu deixar
49:04para os dedos da
49:05república.
49:07E tem uma coisa
49:08que eu conquistei,
49:09que é o direito de
49:10andar de cabeça
49:10ervida.
49:12Você não sabe o
49:14valor que tem para
49:15uma pessoa que veio
49:16de braço aprender a
49:18andar de cabeça
49:19ervida e saber que
49:21não é melhor do que
49:22ninguém, mas que
49:23também não tem
49:23ninguém é melhor do que
49:24ele.
49:25Essa questão do
49:26respeito é uma
49:27coisa que vale muito.
49:29Eu aprendi também que
49:30um ser humano só
49:31respeita quem se
49:32respeita.
49:33Se você não se
49:34respeitar, ninguém
49:34te respeita.
49:36Ninguém gosta de
49:37lambe-botas.
49:39Ninguém gosta de
49:39puxar saco, de
49:40vassada, aquele
49:41lambe-lambe.
49:43A gente tem que ser o que
49:44a gente é de verdade.
49:46Eu acho que é isso que
49:47pintou entre eu e o
49:49presidente Trump.
49:50Espero que essa
49:51química dê frutos ao
49:53povo brasileiro e ao
49:55povo americano e que
49:57possa ordenar.
49:58Eu ainda não falei para
49:59ele, mas qualquer dia eu
50:00vou dizer para ele, sabe,
50:03que a gente pode resolver
50:04essa guerra da Ucrânia.
50:07Porque eu acho que a greve,
50:09a greve está no seu ponto
50:11de, de, de, de, de, de,
50:13a guerra está no seu ponto
50:15de maturidade, porque,
50:17veja, já estamos há
50:18três anos de guerra.
50:22Já estamos há três anos
50:23de guerra.
50:24O Trump já, o Putin já
50:25sabe o que quer, o Zelens
50:27já sabe o que quer, cada um
50:29já sabe o que vai conseguir.
50:30O que está faltando é
50:31colocar na mesa de
50:32negociação isso.
50:35E eu acho que estamos
50:36chegando no ponto de
50:37acabar com essa guerra no
50:39mundo.
50:39E não precisa ter mais
50:40guerra.
50:41o que me deixa meio
50:43triste é que o ano passado
50:44se gastou dois trilhões e
50:46setecentos bilhões de
50:48dólares em armas e não se
50:52gastou dez por cento disso
50:53para acabar com a fome no
50:55mundo.
50:57O que me deixa triste é que
50:58você acaba com o massacre
51:01em Israel, mas não
51:02recupera a vida de mais de
51:04setenta milhões, mil, mil
51:06mulheres e crianças que
51:07morreram de forma inocente
51:08por irresponsabilidade,
51:11de um líder político de
51:13Israel.
51:14Não do povo de Israel, mas
51:16de um líder político.
51:17Então, essas coisas, essas
51:19coisas que é que me faz ser
51:21muito verdadeiro quando eu
51:22converso com as pessoas.
51:25Eu gosto de dizer as coisas que
51:26eu sinto com as pessoas, para as
51:28pessoas me conhecerem
51:29plenamente.
51:30eu não tenho minha cara, essa cara
51:34bonita que você vê é única.
51:39Obrigado pela pergunta.
51:40Ok, pessoal, obrigado, muito
51:42obrigado pela entrevista.
51:44Uma pergunta, por favor.
51:46Vamos lá.
51:48Agora, deixa eu só dizer uma
51:49coisa, deixa eu só dizer uma
51:49coisa aqui, para ser honesto.
51:51Espera aí, espera aí.
51:52Duas perguntas.
51:52Para ser honesto.
51:54Para ser honesto.
51:55Nós temos uma lista.
51:56Raquel, você vai fazer a
51:57pergunta também, mas a gente tem
51:58uma lista de precedência que foi
52:00escolhida pelos jornalistas, então
52:01eu não queria furar a lista.
52:03Não queria furar a lista.
52:05Aquela, aquela senhorita de
52:06microfone, ela está desde o
52:08começo com a mão levantada.
52:09Vamos seguir, não, mas tem uma
52:10lista que foi definida pelos
52:11jornalistas.
52:12Vamos seguir a lista?
52:14O próximo é o Assis, não é
52:15isso?
52:16A lista que eu tenho aqui, por
52:17favor, Assis.
52:18Tenho que seguir a lista, porque
52:19é um acordo feito com jornalistas.
52:23Assinado o acordo?
52:25Assinado e acertado entre eles.
52:27Por favor, Assis.
52:32Assis Moreira, Valor Econômico,
52:33São Paulo.
52:35Eu queria continuar a pergunta
52:37sobre a China.
52:40Fala mais o microfone.
52:41Sobre a China.
52:43A gente vê hoje como a economia
52:45internacional, o mundo, está cada
52:47vez mais fragmentado, caótico,
52:49complexo, pleno de certezas.
52:52E no comércio, justamente, o comércio
52:55hoje é cada vez mais vinculado à
52:57proximidade, geopolíticas, à questão
53:00de segurança nacional, etc.
53:02A minha questão é o seguinte, se agora,
53:04com essa...
53:05O senhor disse que a questão, a relação
53:08com os Estados Unidos, praticamente, está
53:09normalizada, se eu entendi bem.
53:12Se ela está normalizada, o que eu queria
53:14saber é o seguinte, se o senhor acha que
53:16há necessidade de algum ajuste, a partir
53:18de agora, na relação do Brasil com os Estados
53:22Unidos e com a China, se há necessidade de algum
53:25reequilíbrio nas duas, ou se nada muda?
53:28Não, não, não.
53:29E só para completar, presidente, desculpe, e se o senhor
53:32conversou em algum momento com o presidente
53:34Trump sobre a China?
53:36Deixa eu te dizer uma coisa.
53:40Primeiro que nós não estamos com o acordo firmado com os
53:43Estados Unidos.
53:45O que eu disse é que nós vamos fazer um acordo e que eu
53:48tenho o otimismo de que, o mais rápido possível, esse acordo
53:50será selado.
53:51Isso não tem nenhuma, nenhuma implicação na relação do Brasil
53:56com a China.
53:57Nenhuma.
53:57O Brasil vai continuar tendo a relação com a China, que tem.
54:01O Brasil vai continuar tendo a relação com a Malásia, que tem.
54:04O Brasil vai continuar tendo a relação com a União Europeia, que tem.
54:06Sabe, sem nenhum problema.
54:08São duas coisas totalmente distintas.
54:11Sabe, não há condicionalidade para que a gente possa fazer o acordo e nem eu
54:15aceitaria a condicionalidade.
54:17Eu acho que, muito menos, ele também aceitaria a condicionalidade.
54:20Os Estados Unidos fazem acordo com quem quiser, eu faço acordo com quem
54:24quiser.
54:24Sabe, é assim que é a regra do livre comércio no mundo.
54:36Você é o chefe da...
54:39Então, vamos lá.
54:39Você é o chefe.
54:40Gente, vamos fazer o seguinte.
54:41Você quer acabar?
54:42Vamos lá.
54:43Não, vamos fazer o seguinte.
54:44Eu tenho seis nomes da imprensa.
54:45São os seis nomes que vieram para a gente aqui.
54:48Então, as duas a mais que tinham, o Daniel da Bloomberg e depois a gente
54:52vai encerrar a entrevista.
54:53Por favor.
54:54Conforme o acordo feito com os jornalistas e nós.
55:00Por favor, gente, por favor.
55:01Por favor.
55:03Daniel, por favor.
55:04São os nomes que foram escolhidos pelos jornalistas.
55:06Obrigado.
55:07Presidente, bom dia.
55:07Daniel Carvalho, da Bloomberg.
55:09Eu queria voltar ao assunto da Venezuela.
55:12Que expertise é essa que o senhor poderia trazer para as negociações?
55:17Qual foi a reação do presidente Trump quando o senhor se colocou à disposição?
55:22E, se o senhor me permite uma segunda pergunta.
55:23Na Indonésia, pela primeira vez, o senhor falou de disputar a eleição no ano que vem sem condicionar isso à sua situação de saúde.
55:31O que é que mudou para o senhor não fazer mais essa ressalva?
55:34Obrigado.
55:35Na verdade, eu não deveria ter falado na Indonésia que eu era candidato.
55:40Eu tenho que falar no Brasil.
55:41Possivelmente foi um lapso da minha parte.
55:45Não tem o voto lá.
55:47Isso que foi o erro.
55:48Eu, eu, eu, eu, nós não aprofundamos a discussão sobre a Venezuela.
55:56Eu é que toquei no assunto, porque no material que eu entreguei para o presidente Trump,
56:02estava colocada a questão da Venezuela, porque eu conheço a situação da Venezuela,
56:07eu sei o que está acontecendo na Venezuela,
56:09e eu acho que é importante ser resolvido numa mesa de negociação.
56:14O que eu disse para o presidente Trump é que o Brasil tem expertise,
56:18porque já fizemos isso uma vez na Venezuela.
56:22Eu tinha apenas 15 dias de posse em 2003,
56:26quando criamos o grupo de amigos para resolver o problema democrático na Venezuela,
56:32e escolhemos para participar do grupo de amigos o Colin Powell,
56:35que era a secretária de Estado dos Estados Unidos,
56:38e colocamos a Espanha, que era o primeiro país a ter reconhecido o golpista
56:42que tomou posse no lugar do Chávez.
56:49Eu lembro, como hoje o Fidel Castro ficou dizendo,
56:51não, mas você está entregando a Venezuela para o imperialismo.
56:55Eu falei, ô, ô, ô, meu amigo, é o seguinte,
56:58eu estou fazendo uma negociação,
57:00eu estou criando um grupo de amigos da democracia da Venezuela,
57:03não é o grupo de amigos do Chávez.
57:05E para ter uma conversa para fortalecer a democracia,
57:09é possível ter gente que tenha respeitabilidade da oposição.
57:13Você não conversa só com um lado.
57:16E eu acho, eu acho que é possível encontrar uma solução na Venezuela,
57:22se houver disposição, sabe, de negociação,
57:25e também porque o Brasil tem interesse em que não haja guerra na América do Sul.
57:29A nossa guerra é contra a pobreza, é contra a fome.
57:35Se a gente não conseguiu resolver o problema da fome,
57:38como é que a gente vai fazer guerra?
57:39Para matar os famintos?
57:42Então, eu quero ir para uma mesa de negociação.
57:45E foi essa a sugestão que eu dei ao presidente Trump.
57:48Vamos colocar uma mesa de negociação,
57:50o Brasil tem disposição de conversar, sabe, e ajudar nisso.
57:54O que não dá é achar que tudo é resolvido na base da bala,
57:57que não é.
57:58É só isso, querido.
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