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No Visão Crítica, a bancada avalia a geopolítica e a importância histórica e religiosa da Faixa de Gaza para Israel e Palestina. Os convidados debatem como esse histórico de conflito e a busca por autodeterminação palestina tornam a Faixa um ponto focal de instabilidade e o centro do conflito no Oriente Médio.

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Transcrição
00:00Eu sempre digo, professor, que o objetivo do Visão Crítica é qualificar a reflexão sobre o Brasil e sobre o mundo.
00:07Sair do senso comum, da filosofia das massas, como diria um filósofo italiano que ficou muito tempo preso durante o fascismo.
00:14Então, é a gente avançar na reflexão.
00:18Eu sei que é muito difícil buscar uma síntese, mas, grosso modo,
00:22por que a faixa de gás é algo tão importante se nós olharmos em termos de extensão territorial,
00:28algumas vezes a Folha de São Paulo fez isso, sobrepôs a faixa de gás ao território da cidade de São Paulo.
00:34E você tem uma extensão que algumas vezes aproxima da cidade de São Paulo.
00:38Por que ela é tão importante?
00:40Bom, primeiro, já foram medir isso, ela é do tamanho de Parelheiros.
00:44Sim.
00:45Ela tem mais ou menos 10 por 40 quilômetros.
00:48Primeiro que a faixa de gás, tal como a gente conhece, ela surgiu em decorrência da criação do Estado de Israel.
00:55Por quê?
00:55Com a criação do Estado de Israel, houve a expulsão de milhares de palestinos e uma parte deles foi para Gaza.
01:03Então, se hoje a população de Gaza está entre 2 milhões e 2 milhões e 200 mil, cerca de 70% são refugiados de outro lugar.
01:13Então, a faixa de Gaza acabou ficando um território.
01:16Com a criação do Estado de Israel, formou-se a faixa de Gaza e a Cisordânia.
01:21Dois territórios com a população palestina, mas sem o estatuto de Estado e nem de comunidade política.
01:31Uma ficou sob a supervisão do Egito, faixa de Gaza, e a Cisordânia sob a Jordânia.
01:36Em 1967, tem a Guerra dos Seis Dias, que foi Israel, Egito, Círia e Jordânia.
01:45Israel ganhou a guerra, a Guerra dos Seis Dias, e ocupou Gaza e Cisordânia, uma ocupação militar.
01:52De lá para cá, o outro momento importante, que foi em 2005,
01:57Gaza tinha cerca de 7 mil a 8 mil colonos judeus.
02:03O Ariel Sharon veio com o projeto de retirar os colônios e dar autonomia à Gaza.
02:10Retirou os colonos, Gaza ficou sem colonização,
02:14houve um processo eleitoral, supervisionado pela comunidade internacional,
02:21presidida pelo ex-presidente Jimmy Carter,
02:23o Hamas ganhou as eleições.
02:26E houve um racha com a Cufatá, que é a organização mais importante da autoridade palestina,
02:33e isso chegou a quase uma guerra civil.
02:36Em decorrência dessas ações, e não reconhecimento do Hamas,
02:42Gaza foi cercada.
02:43Então, de 2007 até agora, Gaza está cercada por terra, mar e ar.
02:48Quer dizer, ela desconectou tanto território ali de Israel,
02:54obviamente da Cisjordânia, distante, e do Egito.
02:58Então, a pessoa localizada ali.
03:00E Israel controla a entrada de alimentos, controla absolutamente tudo.
03:06Em 2007 de outubro de 2023, o Hamas faz um ataque
03:13a bases militares e a civis, causando a morte de milhares de pessoas.
03:21E aí, a ação de Israel, que completa dois anos agora,
03:26e o que muitos, tanto o Tribunal Internacional,
03:30como um conjunto especialista da ONU,
03:34um conjunto também de especialistas sobre genocídio,
03:37que, inclusive, tem vários judeus,
03:41chegaram a um consenso que se trata de um genocídio.
03:45Podemos aí depois falar, dar a definição precisa disso,
03:49mas que se constata o genocídio é pela eliminação parcial ou total
03:55de uma população pela questão ética, religiosa ou política,
04:01e onde se demonstra a intenção da destruição.
04:03Isso se comprovou porque 85% a 90% dos prédios estão destruídos.
04:10Prédios civis, escolas, hospitais.
04:13Então, hoje, isso é quase que um consenso,
04:15que é mais do que um crime de guerra, é um genocídio.
04:20Nesse processo, o Trump, pressionando aí,
04:24a gente pode discutir, mas entendo que foi uma pressão ao Netanyahu,
04:28e aconteceu aí o Cessar Fogo.
04:30Eu não diria que é um acordo de paz, é um Cessar Fogo, né?
04:34Está longe de ser um acordo e também longe de ser a paz,
04:39porque, entendo, eu acho que também é concesso,
04:42que a paz está relacionada à criação do Estado do Palestino.
04:44Então, uma síntese aí, breve desses anos.
04:47Foi ótimo.
04:48Ótimo.
04:49Até eu pensei um monte de coisa, não vou falar,
04:51porque só temos 57 minutos.
04:53E eu me lembrei que o professor Nárcio falou do Ariel Charon,
04:58lembrando de 1982, a invasão do livro Cerco do Peru,
05:02era justamente o general Ariel Charon, né?
05:05Veja como é a vida.
05:07Mas, professor Danilo Porfírio,
05:10justamente essa questão do professor Nárcio,
05:12fazer a passagem entre o Cessar Fogo,
05:15um tratado de paz,
05:16e a convivência,
05:18será que é possível,
05:19de dois Estados,
05:20que há tanto tempo é discutido,
05:22o Estado de Israel e o Estado Palestino,
05:25lembrando a quem nos acompanha,
05:27entrem no Google,
05:28olhem o mapa,
05:29que é muito importante olhar o mapa,
05:31porque a faixa de Gaza está aqui,
05:33vamos dizer, ao norte,
05:34aí você tem o Estado de Israel e tem a Cisjordânia,
05:37e depois tem a Jordânia,
05:38que é um outro país.
05:40Então, a Cisjordânia,
05:41que seria o território, portanto,
05:42do futuro Estado de Palestina,
05:44a Cisjordânia e a faixa de Gaza.
05:46Então, existem questões complexas,
05:49alguns chegaram até a propor,
05:50em certo momento,
05:51um túnel ligando a Cisjordânia,
05:53isso faz algum tempo,
05:54a faixa de Gaza, etc.
05:56Então, você dê uma olhadinha ali,
05:58e dê uma olhada no deserto de Sinai,
06:00que foi ocupado por Israel na guerra de 67,
06:03e depois devolvido ao Egito.
06:05Dá uma olhada no mapa,
06:06que isso ajuda muito.
06:07Professor Danilo Porfirio,
06:09como é que fica, então,
06:10eu sei que é uma questão complexa,
06:12cessar fogo,
06:13tratar de paz,
06:14e a possibilidade,
06:15ponto de interrogação,
06:16de convivência de dois Estados?
06:19Então, vamos lá, professor.
06:20Primeiro, dando continuidade aqui
06:22à explicação do professor Nasser,
06:24eu ratifico a situação,
06:28que não se trata de um tratado de paz,
06:30mas de cessar fogo,
06:32porque estamos falando de uma suspensão
06:37de o quê?
06:38De ações de violência,
06:41mantendo o Estado de beligerância.
06:44Ou seja, o Estado de beligerância continua,
06:47mas ele está suspenso com a promessa,
06:51dentro do quê?
06:52Do devido cumprimento de cláusulas,
06:55de condições,
06:56que se encaminhem a um processo
06:59de pacificação definitiva.
07:02E essa pacificação definitiva,
07:05dentro do projeto de Trump,
07:08passa por alguns pontos.
07:10Primeiro deles,
07:12já está em andamento,
07:15a entrega de prisioneiros palestinos
07:19por parte do governo de Israel
07:22e de reféns e corpos de reféns
07:27por parte do Hamas
07:29para Israel.
07:31Segunda condição,
07:33que haja a entrega das armas,
07:37a deposição de armas.
07:40Terceiro momento,
07:42por meio de uma ação internacional
07:47sob guarda-chuva norte-americano,
07:50internacional quem?
07:52Em regra,
07:54países afiançadores
07:56deste acordo de cessar fogo.
07:59Turquia,
08:01Catar,
08:02países do Golfo,
08:04Arábia Saudita
08:05e também
08:06a União Europeia.
08:08Então, dentro dessa força
08:09que ele chama
08:10civil-militar,
08:12se estabelece
08:14um estado de ordem,
08:15de mínima estabilidade
08:17e a criação
08:19de um governo
08:20de transição,
08:22abre aspas,
08:23de notáveis palestinos,
08:28com que promessa
08:29que haja um processo
08:31de entrega
08:34desse poder administrativo
08:37a uma autoridade palestina
08:39que precisa,
08:40aos olhos do governo americano,
08:42passar por uma reformulação,
08:45um saneamento.
08:48Só que há uma questão,
08:49uma questão que eu levanto,
08:50professor Nasser
08:51e professor Alexandre.
08:52sempre
08:54rememorando
08:55o acordo de
08:57Oslo.
08:58Isso.
08:58O acordo de Oslo,
09:00professor,
09:01prevê
09:02de forma
09:03difusa,
09:06ou seja,
09:06não há tempo certo
09:08a criação
09:10de uma estrutura
09:11estatal
09:12soberana
09:12palestina,
09:14mas não há o quê?
09:15Uma meta.
09:16O que dá
09:17a entender
09:17é que a solução
09:19aos olhos
09:20do, vamos dizer,
09:23do establishment
09:23israelense
09:24é manter
09:26aquele território,
09:28Cisjordânia
09:29e Faixa de Gaza,
09:31sobre uma
09:31autoridade palestina
09:33autônoma,
09:35mas jamais
09:36soberana.
09:39Então,
09:39a minha grande
09:39preocupação
09:40é essa.
09:41temos um processo
09:43que pode,
09:44por um tempo,
09:46estancar
09:47violência,
09:49mas a situação
09:50de frustrações
09:52e ódio
09:54alimentando
09:55o ódio
09:55poderá desencadear
09:57em tempo
09:58futuro
09:59novos
10:00conflitos.
10:01Talvez
10:02não pelas mãos
10:03do Hamas
10:04ou pelas mãos
10:06do Hamas.
10:07Isso é incerto.
10:09Não vejo
10:10futuro
10:11na criação
10:13de um Estado
10:13palestino
10:14ainda,
10:15se essa é a condição
10:17de paz e estabilidade.
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