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Paulo Alvarenga, líder da operação sul-americana da Thyssenkrupp, comenta o legado de 200 anos da empresa, a modernização da frota naval brasileira e as oportunidades do país na transição energética. Além disso, o CEO revela a relação da empresa com o Brasil, que foi o primeiro país a receber uma fábrica fora da Alemanha.

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Transcrição
00:00Olá, boa noite, está no ar o Show Business, o mais tradicional talk show de negócios da TV brasileira.
00:08E no programa de hoje vamos conversar com Paulo Alvarenga, presidente da Operação da América do Sul, da ThyssenKrupp, grupo industrial alemão presente em 47 países.
00:20Vamos conversar também com José Roberto Ferraz, CEO do Grupo Elfa, uma das empresas líderes no Brasil na distribuição de medicamentos e materiais hospitalares.
00:33Eu sou o Bruno Meyer e seja muito bem-vindo ao Show Business que começa em instantes.
00:38Copa Energia apresenta a energia do brasileiro. O que move o Brasil nem sempre aparece. Não está no feed, não vira trend, mas está aqui.
00:57É uma feijoada que dá sabor numa porta-feira, o baião de dois que aquece uma terça, né?
01:02E a muqueca para dar um gás na segunda e garantir a energia da semana.
01:08E a Copa Energia está há 70 anos levando energia até você, que é a verdadeira energia desse país.
01:15Copa Energia, a energia do brasileiro há 70 anos.
01:20Criticar é entender o mundo. Criticar é questionar o que vemos.
01:24É olhar para os fatos e perguntar o que isso realmente significa.
01:29No Visão Crítica, o questionamento é a chave.
01:32Vamos ouvir especialistas e quem vive isso na prática.
01:36Cada dia um tema e uma chance de compreender os fatos do Brasil e do mundo.
01:42Visão Crítica, comigo, professor Marco Antônio Vila.
01:45De terça a quinta, às 10 da noite, aqui na Jovem Pan News.
01:56Ele é engenheiro e preside a Operação da América do Sul, da Ticen Cru, desde 2017.
02:04A gente está falando do grupo industrial alemão, que tem 98 mil funcionários, está em 47 países e atua desde o segmento automotivo até a defesa naval.
02:19Nós vamos conversar com Paulo Alvarenga.
02:22Paulo, obrigado pela presença aqui em nosso estúdio.
02:26É curioso ver casos como a sua companhia que você preside, porque ela tem 200 anos de vida.
02:36E não só 200 anos de vida, mas ela tem uma relação muito próxima há muitas décadas com o Brasil.
02:42Inclusive, instalou a primeira fábrica fora da Alemanha no país.
02:48O que não mudou no Brasil nas últimas décadas e segue atrativo?
02:57Bruno, muito obrigado pelo convite, pela oportunidade de estar conversando com você aqui, com toda a sua audiência.
03:03Um prazer grande, uma honra grande.
03:04A história da Ticen Cru com o Brasil realmente é bastante longa, como você mencionou.
03:11Na verdade, a primeira história nossa, a primeira relação, começa em 1837, ainda na época do Império.
03:18Foi, inclusive, a primeira exportação do grupo e foi justamente para o Brasil.
03:23Como você mencionou, a primeira fábrica também fora da Alemanha foi no Brasil.
03:28Em 1837, nós exportamos dois rolos para cunhar moedas.
03:32Uau!
03:34Para o Império.
03:36Depois disso, mais tarde, Dom Pedro II acabou também conhecendo o Sr. Krupp.
03:41Foi para a Alemanha conhecer o que estava ocorrendo lá, acompanhar a época da plena Revolução Industrial.
03:49Foi conhecer o que estava acontecendo porque ele entendia que aquilo era importante, o Brasil acompanhar aquele momento.
03:55Então, ele teve algumas vezes lá, se hospedou na casa do Sr. Krupp para poder discutir mais sobre a industrialização
04:01e trazer ideias para o Brasil.
04:03Além dessa relação com o Brasil, o que eu acho curioso no caso de vocês é que a empresa passou por muitas mudanças de negócios
04:12ao longo desse extenso período.
04:15Porque começou pensando em ferrovia no Brasil, depois foi para o setor automotivo.
04:22Aliás, uma curiosidade, nove de cada dez veículos fabricados no Brasil tem um componente de vocês.
04:32É muito representativo isso.
04:35Mas qual que é hoje o grande negócio de vocês?
04:39Bruno, a gente tem três áreas de atuação e eu diria que todas têm sua importância.
04:45A primeira área era automotiva, então nós temos seis plantas de fabricação de autopeças.
04:53Nós temos a área de defesa naval, que está crescendo muito nos últimos anos, uma área muito importante.
04:59E nós temos uma área de plantas industriais, onde a gente tem tecnologias para descarbonização,
05:05que é um tema que está muito conectado com a estratégia da empresa.
05:08Mas dessas três áreas, tem alguma que é o maior negócio hoje?
05:16Não estou falando de aposta, não, de negócio.
05:18Estou falando de negócio mesmo, de faturamento, de rentabilidade.
05:22A grosso modo, 40% do faturamento está na área automotiva, 40% na área de defesa
05:28e 20% na área de tecnologias para descarbonização.
05:32Defesa, esse é o assunto que eu acho que a nossa audiência vai se interessar.
05:37As três áreas de negócio são extremamente interessantes,
05:41mas quando ele fala de defesa, é um projeto diretamente ligado com a Marinha do Brasil.
05:47A Marinha do Brasil vai modernizar a frota naval.
05:50É a primeira vez que três fragatas são construídas ao mesmo tempo em território brasileiro.
05:58tem uma expectativa aí audaciosa de geração de emprego, 23 mil, 2 mil diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos.
06:10O papel de vocês nesse projeto muito audacioso é qual?
06:17É construir esses navios? É modernizar mesmo a frota?
06:21Bruno, a gente assinou o contrato com a Marinha para a construção de quatro fragatas,
06:25é um consórcio de empresas, na verdade é uma empresa de propósito específico
06:30e participam desse projeto, a Thyssen Group, que é responsável pelo projeto e pela construção das fragatas,
06:37junto com a Embraer e a Atec, que é uma empresa do grupo Embraer.
06:41E a Embraer e a Atec têm um papel de cuidar da parte eletrônica, a parte de controle da embarcação
06:48e um papel estratégico de receber a transferência de tecnologia que é feita a partir da Alemanha.
06:55Faz parte do nosso contrato, faz a transferência de tecnologia para que o Brasil possa deter uma tecnologia
07:03para poder fazer a sua própria defesa.
07:05E onde está sendo feito tudo isso?
07:07O nosso estalheiro fica em Itajaí, no estado de Santa Catarina.
07:10Deve ser extraordinário você acompanhar um processo desse, você brasileiro, você é de São Paulo?
07:17Sou de São Paulo.
07:18São Paulo.
07:18Você acompanhar esse processo de modernização, né?
07:21É, dá muito orgulho, né?
07:23Acho que todo mundo que participa do projeto tem um senso de propósito, né?
07:28Porque nós estamos contribuindo, em última instância, para a proteção do Brasil.
07:34Tem um texto do Paulo, um texto que você escreveu recentemente, que você fala sobre defesa nacional.
07:45Você escreveu o seguinte, o Brasil é um país de dimensões continentais, com vastas riquezas naturais,
07:52uma economia significativa no cenário global e uma população diversa e crescente.
07:58Por outro lado, o cenário geopolítico global passa por momentos de crescente tensão e conflitos
08:07e o Brasil não exerce o protagonismo internacional que poderia.
08:16Eu acabo de ler o primeiro parágrafo desse texto escrito pelo Paulo.
08:21Por que o Brasil não cumpre esse protagonismo internacional que, nas suas palavras, deveria protagonizar?
08:32Eu, exatamente isso.
08:34Na verdade, o Brasil, nas últimas décadas, deixou de investir na área de defesa.
08:41Eu acho que pode ter diversos motivos para isso.
08:43Desde, talvez, certamente a questão orçamentária é uma limitação, mas eu acho que vai além disso.
08:52Eu acho que a gente faz 150 anos que o Brasil teve um último conflito armado, que foi a Guerra do Paraguai.
09:00Então, eu acho que a falta de uma ameaça tangível, visível, que seja perceptível por todos,
09:08Passa uma sensação de que a gente não está vivendo ameaças, mas não é correto dizer isso.
09:16A gente tem, nos últimos anos, inclusive, experimentado diversas ameaças.
09:21Cito, inclusive, algumas que foram até tornadas públicas.
09:26Poucos anos atrás, nós tivemos um avião estrangeiro que estava fazendo sombreamento nos cabos,
09:33na conexão de fibra ótica do Brasil com a Europa.
09:37Ninguém sabe explicar como é que ele chegou ali, por que ele ficou ali fazendo sombreamento,
09:42se ele estava localizado, parado em cima.
09:46Então, assim, como é que você identifica e você faz uma dissuasão para que esse navio saia dali?
09:53Que tipo de risco está envolvido? A gente não sabe.
09:56Navios de pesca estrangeiros, eles entram no nosso território.
10:00Então, assim, o nosso território marítimo é muito grande.
10:02A Marinha tem uma responsabilidade gigantesca de cobrir.
10:07A gente, inclusive, chama de Amazônia Azul, porque se você pegar toda a área,
10:12território marítimo, território do mar que a gente tem que defender, ele é maior do que a Amazônia.
10:17Então, a gente chama esse território de Amazônia Azul.
10:19Então, é uma tarefa muito difícil.
10:22Você precisa estar equipado para poder fazer isso.
10:25Em última instância, tem sempre uma discussão do que é uma prioridade ou outra.
10:30E eu digo que a defesa, ela é fundamental para garantir a soberania.
10:35Se você não puder proteger o seu território, então você não tem uma nação.
10:41E sem nação, não adianta a gente discutir educação, saúde, segurança, porque você não tem nação.
10:47Então, garantir o território nacional, as nossas riquezas, é uma premissa para a existência da nação.
10:53Tanto que nesse texto, eu vou até complementar, eu não lembro exatamente se isso era o título.
10:58Eu até suponho que é o título.
11:00Você escreveu, defesa nacional é projeto de Estado, não de governo.
11:06Perfeito.
11:07E eu acho que esse é um tema que o Brasil precisa refletir.
11:10E isso vai além do tema da defesa.
11:12Mas o Brasil carece hoje de uma definição, de uma diferenciação de projeto de governo e projeto de Estado.
11:19Agora, se você falar da frota naval brasileira, o panorama talvez não é dos melhores.
11:25Pela sua resposta e pelo que você tem acompanhado de renovação e modernização.
11:32Até porque você tem participado desse trabalho.
11:35É muito desafiador.
11:36A situação da marinha é muito desafiadora.
11:38Como eu disse, e outro motivo, né?
11:40A gente tem aumentado os ativos no mar.
11:44Veja, por exemplo, o pré-sal.
11:45E olha, não é só o pré-sal.
11:49Mais de 95% do comércio exercido pelo Brasil internacional é pelas águas.
11:56Então, se você não puder proteger as suas rotas de comércio, o Brasil não tem comércio exterior.
12:0195% de todo o petróleo que o Brasil trata passa pelas águas.
12:07Então, se a gente não proteger as águas, a gente não tem energia.
12:1080% do gás natural que é consumido no Brasil vem pelas águas.
12:14Então, se você não conseguir garantir segurança sobre o território marítimo, não tem nação e não tem energia.
12:22Paulo, você destacou um dos braços de negócios de vocês.
12:27projetos porque vocês têm tecnologia quando o assunto é transição energética.
12:35E aí vai a minha pergunta agora.
12:37Como o Brasil deve se comportar na COP30?
12:42Bruno, o Brasil tem uma oportunidade gigantesca de se apresentar ao mundo na COP30
12:48como um grande contribuidor para a transição energética e como um grande fiador do futuro do planeta.
12:57O Brasil tem, dentro da sua matriz energética hoje, tanto elétrica como não elétrica,
13:04uma parcela de participação de energias renováveis muito elevada.
13:09Dentre os países do G20, é o país que tem uma matriz energética mais limpa.
13:16Nossa matriz energética elétrica, nosso sistema elétrico, mais de 90% nos últimos anos,
13:21mais de 90% da energia despachada, da energia consumida no país, ela é de origem renovável.
13:28Então, a gente está tratando das hidrelétricas, fonte solar, fonte eólica, fonte biomassa.
13:34Quando você olha das nossas outras fontes, quando a gente olha os combustíveis, por exemplo,
13:41a gente tem o etanol.
13:44Então, a nossa matriz hoje completa, ela tem mais de 50% de uma parcela renovável
13:50e quando a gente olha só a matriz elétrica, mais de 90%.
13:53Então, isso é uma grande alavanca para o Brasil.
13:56É uma grande alavanca, você está relatando aí dados poderosíssimos,
14:03mas tem um desafio que o país precisa seguir para conquistar e passar ao mundo
14:10essa mensagem de poderio mesmo nesse momento de transição energética.
14:17Por isso que eu fiz essa pergunta, para que não fique algo durante a COP30 ou antes da COP30
14:24que talvez desavenças políticas possam ter ou valores, né?
14:31Porque boa parte do que tem se falado até agora da COP30, uma parte pelo menos,
14:37é a questão dos valores abusivos de hotéis, residências.
14:41Por isso essa minha pergunta aí, porque é desafiador.
14:44É.
14:45É desafiador você passar uma imagem para o mundo de tudo isso que você está relatando.
14:49É, mas o Brasil está muito focado hoje.
14:51Assim, o primeiro ponto é que a COP30, ela está tomando uma tônica de ser uma COP de implementação.
14:58Nós tivemos muitas COPs recentes onde se discutiram avanços, mecanismos de financiamento,
15:04mas o que a gente está sentindo falta hoje é de execução.
15:08Então, nós vivemos um momento geopolítico também menos favorável, vamos dizer assim,
15:13para ampliação de compromissos.
15:16Então, o foco do Brasil tem sido muito em promover a execução, aquilo que pode ser executado hoje.
15:24Não vamos esperar.
15:24E o Brasil pode contribuir muito, Bruno, porque a questão das fontes renováveis de energia,
15:31elas são para o Brasil um grande trunfo.
15:33Nós temos a descarbonização, por exemplo, da indústria e a descarbonização da área de transportes,
15:41seja transporte marítimo, ferroviário, aviões, de maneira geral.
15:47Tem muitos setores que a gente chama de difícil descarbonização,
15:52porque eles são feitos inerentemente através de processos ou de combustíveis relacionados à origem fóssil.
16:00E o fato do Brasil ter uma matriz energética muito limpa permite que o Brasil produza hidrogênio verde,
16:07que pode ser um substituto para essas operações, seja para a indústria,
16:13ele pode substituir outras fontes de origem fóssil, para a siderurgia, por exemplo,
16:19ou para a produção de fertilizantes, ou na área de transportes,
16:22para produzir outros tipos de combustíveis sintéticos que podem substituir o combustível de origem fóssil.
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