Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Neste sábado, o JP Sustentável traz um debate especial sobre o saneamento e a gestão dos recursos hídricos. A apresentadora Patrícia Costa recebe Maria Aparecida Silva de Paula, coordenadora de Relações Institucionais da AESABESP, para analisar o tema.

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#JPSustentável

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00O saneamento básico ainda é um desafio para o Brasil.
00:03Três em cada dez casas continuam sem acesso à rede de esgoto.
00:07Esse déficit custa caro, viu?
00:09Não apenas em infraestrutura, mas principalmente em saúde, educação e qualidades de vida.
00:15Cada real investido em saneamento pode gerar até quatro de economia em gastos hospitalares,
00:21além de reduzir desigualdades e tornar as cidades mais resilientes às mudanças climáticas.
00:27E para falar sobre esse tema estratégico que chegará à COP30 em Belém,
00:32a gente recebe a Química Industrial Maria Aparecida Silva de Paula,
00:36com mais de trinta anos de experiência em saneamento
00:39e atual coordenadora de relações institucionais da Associação dos Engenheiros da Sabesp.
00:45Seja bem-vinda, obrigada por aceitar o nosso convite.
00:49Antes de começar a nossa entrevista, eu até chequei com você os dados, né?
00:52De três a cada dez que ainda faltam ter saneamento, porque eu estudo o meio ambiente há muito tempo
00:58e esse número não muda, não evolui. O que é que acontece?
01:02É verdade, obrigada pelo convite, mas realmente, porque o investimento é muito pouco.
01:07É insuficiente para a quantidade de necessidades que o Brasil necessita.
01:12Então, menos de um por cento dos investimentos, o saneamento está dentro de outros.
01:18Então, ele está 0,057% só de investimento.
01:22Claro que não há como você alcançar e melhorar esses índices,
01:27o investimento ainda é muito aquém da necessidade que o saneamento precisa.
01:32E como atrair, então, mais investimentos, já que esse setor é extremamente importante nesse momento,
01:37que a gente fala sobre meio ambiente, água potável, justiça climática,
01:42tem tudo a ver com os temas que serão abordados na COP30, né?
01:46Essa é a primeira vez que a COP30 está tratando do saneamento,
01:50olhando para mudanças climáticas e entendendo que há necessidade dessa interface,
01:55desse olhar com um pouco mais de cuidado do saneamento.
02:00O relatório que nós estaremos apresentando no COP30, lançando a terceira versão,
02:05a terceira edição, ele retrata, são 60 diretrizes que foram colhidas inicialmente em 2023 pela ESB
02:15e em março, e nós entramos nesse processo, na segunda edição, quando foi feito o lançamento,
02:22entendemos oportuno que a Associação dos Engenheiros da Sabesp
02:25abraçasse também esse projeto junto com tantas outras entidades,
02:29foram inicialmente 26 operadoras que são associadas da ESB,
02:35e nós entramos nessa terceira edição.
02:37E nesse estudo, o que vocês identificaram?
02:40Obviamente, quando a gente fala que a cada 10, 3 casas não tem saneamento,
02:45isso é de forma irregular, né?
02:48No país inteiro, a gente sabe que na região sudeste, sul,
02:51e até em concentrações assim, São Paulo capital, bairros mais da periferia,
02:55a gente sabe que o saneamento não é distribuído de forma igualitária,
02:59tanto no país como na própria cidade, né?
03:01O que vocês dão de diretrizes para que isso aconteça de forma mais justa?
03:06É, dentro do trabalho que foi feito, que nós fizemos o trabalho de norte a sul do país.
03:12Então, nós fizemos dois seminários para a terceira edição desse documento,
03:16que eu vou ver aqui, o saneamento e mudanças climáticas,
03:19diretrizes aos prestadores de serviços de água e esgoto,
03:22para enfrentamento de eventos adversos.
03:26Nessa terceira edição, nós fizemos o quê?
03:29Fizemos dois seminários, um em São Paulo, que aconteceu dia 28,
03:35onde nós trabalhamos com o eixo centro-oeste, sul e sudeste,
03:40e depois, no dia 1º de setembro, nós fomos para Manaus,
03:44trabalhando norte e nordeste.
03:46Quando você faz esse levantamento com especialistas de todos os setores,
03:51a academia, a parte tecnológica e também os especialistas,
03:56há a possibilidade de identificar com maior propriedade
04:00aquelas lacunas que ainda existem, que precisam ser tratadas
04:03e melhoradas as condições de saneamento no país.
04:08Há questões de infraestrutura, planos emergenciais,
04:12contingenciamento, os comitês de bacias que precisam ser fortalecidos.
04:18Então, foram vários os temas que cada especialista trouxe o seu querer,
04:22a sua dor para dentro do projeto e mostrando.
04:25Aqui sinalizamos, aqui é necessário que tenhamos um tratamento especial,
04:31um olhar especial para identificar quais os pontos que cada operadora deve
04:37ou precisa olhar com mais cuidado e investir o seu trabalho,
04:44tanto a força de trabalho, quanto também a parte de investimentos financeiros.
04:50Com essa apresentação na COP30, os investimentos, o financiamento
04:54para todos os setores, a transição energética, a preservação das florestas,
04:59é um tema que fica muito mais em evidência,
05:02a questão da renovação da nossa matriz, como também a preservação das florestas.
05:07O saneamento, pela primeira vez, entra ali nesse debate
05:10e também vai receber parte desse financiamento?
05:12Essa é a promessa?
05:14Nós não temos promessas.
05:16Nós temos grandes possibilidades.
05:19Porque estar falando de saneamento e ter um espaço dentro da COP30
05:24já é um grande avanço, que vai trazer olhares de todo internacional
05:30dentro de uma questão que é tanto aqui no Brasil como em outros lugares também.
05:35Então, nós não temos a intenção essa,
05:39de que esse material fique em cima, dentro das mesas dos grandes operadores,
05:45de quem tem o poder da caneta para tomar a decisão adequada certa,
05:50mas não temos a certeza de que realmente vai acontecer.
05:55Claro que isso depende muito de um trabalho de bastidores, de muita conversa,
05:59de muitas iniciativas, de seminários, workshop, do Ministério Público, enfim,
06:05de todas as esferas estar trabalhando para melhorar a qualidade de vida das pessoas
06:09e, principalmente, nós estamos passando por eventos climáticos bastante severos,
06:15tanto com secas quanto com inundações, quanto com ondas de calor.
06:21Nós passamos esses últimos dias, nós estamos nessa fase de calor, chuva, ventos,
06:27e isso traz para a população, para os investimentos que são feitos,
06:33a questão da infraestrutura, ela acaba sofrendo algum tipo de problemas.
06:39Esses temporais recentes em São Paulo mostraram justamente isso, né?
06:44Que a gente estava aí na semana do Rio Tietê, justamente quando houve um temporal
06:49que mostrou que a qualidade da água já estava ruim e toda a sujeira da cidade,
06:54justamente por causa da chuva forte, acabou também poluindo ainda mais o rio.
07:00Como trabalhar a infraestrutura para que a cidade toda seja mais resiliente,
07:05tanto na mitigação como nessa adaptação que a gente vai precisar ter?
07:09Porque já é um fato, né, para vocês que fazem estudos,
07:13de que as secas que aconteciam uma vez a cada 20 anos,
07:16ou os temporais, como ocorreram no Rio Grande do Sul,
07:19que aconteciam no longo espaço de tempo, agora eles estão em espaços mais curtos, né?
07:23A gente vê três, quatro secas seguidas,
07:26a gente passou por uma crise de abastecimento em São Paulo
07:28há pouco mais de, há quase dez anos,
07:31e de novo a gente está com os reservatórios operando abaixo.
07:34Como é que vocês lidam com essas mudanças no clima e se adaptam a elas?
07:39E o que diretrizes existem nesse estudo para ajudar as cidades
07:42a ligar todos os pontos dessa infraestrutura,
07:45porque acaba desaguando no Rio, que a gente precisa de água potável,
07:49água que gera energia e por aí vai.
07:51É um trabalho isolado, não é?
07:54Como a gente comentou.
07:55É um trabalho que precisa de políticas públicas,
07:58precisa da própria população, das academias, não é?
08:02Não é uma equação fácil de resolver.
08:05Mas, claro, se cada um de nós tomarmos a nossa,
08:09assumirmos o nosso papel,
08:11a Associação dos Engenheiros tem essa bandeira,
08:14leva essa bandeira,
08:15de trabalhar com as questões de capacitação,
08:18de pessoas, de profissionais,
08:20de trabalhar com a sociedade,
08:23porque nós somos da Organização de Sociedade Cível de Interesse Público,
08:26então nós temos o nosso trabalho sociais.
08:29Então não dá para você,
08:31não há uma forma única de resolver essa questão,
08:34mas cada um tem que fazer seu papel dentro do seu DNA.
08:38As empresas tomarem cuidado com aquilo que são lançados nos rios,
08:42de trabalhar com recursos hídricos com menor,
08:46com mais eficiência e eficácia.
08:50O poder público com questão da legislação,
08:53melhorando a fiscalização.
08:55Os comitês de bacias entendendo,
08:59sinalizando o que deve ser colocado,
09:02cada projeto,
09:03cada estrutura,
09:05nova estrutura que a cidade venha a acertar.
09:09Então todos esses cenários,
09:11todos esses insights
09:13é que faz com que a gente melhore a qualidade de vida da população,
09:17que melhore a condição do rio Tietê,
09:19dos outros rios também.
09:21Isso a gente fala de norte a sul do país,
09:22porque nós temos que tomar cuidado com aquilo que nós fazemos.
09:26Mas a população também não pode ficar de fora.
09:28O uso racional da água é uma questão muito forte
09:30que temos que levar em consideração
09:32neste momento em que nós temos essas mudanças climáticas.
09:37Também outra coisa que a gente precisa tomar consciência
09:41é do nosso resíduo.
09:44A gente percebe que a população ainda continua
09:47lançando os seus rejeitos
09:49dentro de rios, dentro de córregos.
09:51E há um trabalho forte
09:53para as operadoras
09:55ficar retirando o resíduo.
09:58A própria prefeitura
09:59vai nos lugares onde tem loteamento,
10:02eles vão lá, retiram
10:03e estão próximos a córregos,
10:05próximos a rios.
10:06Então há necessidade
10:07de uma conscientização,
10:09uma sensibilização da população
10:11para saber o seu real papel
10:13e fazer as cobranças que são cabíveis
10:15para o poder público.
10:16É porque quando a gente fala de saneamento,
10:18a gente está falando de tratamento de esgoto
10:20e também acesso à água potável.
10:22E um dado chamou muito a atenção
10:23que é a questão da cidade
10:25que vai receber a COP30, Belém,
10:27mostrar um índice de saneamento
10:29muito baixo de uma forma geral.
10:31Isso a gente está falando
10:32da bacia hidrográfica,
10:33uma das mais ricas do planeta,
10:35com água em abundância.
10:37O que acontece?
10:38Além dos investimentos serem irregulares,
10:41o que acontece quando essas regiões,
10:43a gente está falando de um país
10:44que tem abundância em água,
10:45uma gestão até eficiente em alguns pontos,
10:49e essa água não chega
10:50e o tratamento também não é feito.
10:52Como a gente solucionar esse problema
10:55que já é praticamente histórico
10:56aqui no nosso país?
10:58Não é uma situação fácil,
11:01porque o que acontece
11:04de não ter água o suficiente,
11:08existem lugares em que
11:09há um impedimento técnico forte.
11:11e é difícil você vencer esses acessos.
11:15O investimento é maior.
11:17Então, quando os operadores
11:20estão para tomar as suas grandes decisões,
11:24há uma forma de atingir mais pessoas
11:28com menor recurso ou com maior recurso.
11:31E essa decisão agora
11:32que a gente está trazendo
11:34pela primeira vez,
11:36está se falando muito de saneamento rural,
11:39das áreas urbanas,
11:40das pessoas menos favorecidas.
11:43Essa é a bandeira do COP30,
11:45olhar para essas condições,
11:47para as áreas não urbanas,
11:49sair dos núcleos
11:50e ir para as periferias,
11:52ir para as comunidades,
11:53ir para as áreas rurais.
11:55E precisam de tecnologias específicas.
11:57E esse é um dos grandes enfrentamentos,
12:00um dos grandes desafios.
12:02Até porque,
12:02quando você fala em áreas rurais,
12:05você fala em quilombolas,
12:06você fala em condições indígenas,
12:09então você muda a cultura,
12:10você está inferindo também
12:13na situação cultural
12:14daquelas áreas em que você
12:16está trocando
12:17lavar a roupa no rio
12:20para trazer uma tubulação,
12:21para trazer água com melhor qualidade,
12:23para fazer o afastamento
12:24e tratamento de esgoto.
12:26Então, são situações
12:27muito distintas
12:28que acontecem
12:30com grandes desafios
12:33para você trabalhar
12:35não só na questão técnica,
12:37mas também na questão cultural,
12:39que deve ser respeitada.
12:40Nesse sentido,
12:41falta investimento também
12:43na ciência
12:43para essas inovações tecnológicas
12:45trazerem mais soluções efetivas
12:47ou mais baratas
12:49para que isso chegue
12:50de forma mais igualitária
12:51para todo o país?
12:53Eu acho que não tanto
12:54na falta da questão
12:55de novas tecnologias,
12:58porque a academia
12:58está trabalhando
12:59cada vez mais forte,
13:01mas a aplicação,
13:02porque é mais fácil
13:04você colocar água
13:06em lugares que são mais fáceis
13:08de trazer a água
13:10do que em lugares
13:11onde você tem mais desafios.
13:13Então, mais desafios
13:14precisa de mais tecnologia,
13:15mais tecnologia
13:16precisa de mais investimento
13:17e mais investimento
13:19à necessidade
13:20de realmente trabalharmos
13:22com a sensibilização
13:23para que haja
13:25maior aporte de recursos,
13:26maiores financiamentos
13:27para o adicionamento.
13:28E se você está falando
13:29de políticas públicas,
13:30investimento estatal,
13:32como é que você vê isso tudo?
13:33Eu acho que é uma somatória
13:35de todos os esforços,
13:36políticas públicas,
13:37parcerias públicas privadas,
13:40as SPS,
13:42é uma somatória de todos,
13:44é um esforço
13:45que deve ser dividido
13:46para cada um
13:46e cada um que tiver
13:48a possibilidade
13:49de entrar nesse cenário
13:53e atuar,
13:54eu acho que é aí
13:54que a gente vai ganhar
13:55em escala
13:56e realmente atender
13:57as áreas
13:58que hoje
14:00são desabastecidas,
14:02não atendidas.
14:03Bom, eu acho que
14:04há mais de 20 anos
14:05a ONU mostra
14:06esse cálculo
14:07de que a cada
14:07um real investido
14:09em saneamento básico
14:10a gente se economiza
14:11quatro em doenças
14:13que atingem
14:15à população
14:16justamente
14:16pela falta
14:17de água potável
14:18de qualidade
14:18e pela falta
14:19de tratamento
14:20de esgoto.
14:22Essa conta
14:23ela é apresentada
14:24ali para que haja
14:25soluções assim,
14:26por exemplo,
14:27que estejam
14:28interligadas
14:29e que uma economia
14:30aqui possa ser investida
14:32aqui e a gente fazer
14:32esse ciclo virtuoso,
14:34porque a gente vive
14:35num ciclo
14:35que a gente vai
14:36apagando incêndios
14:37e ele nunca volta
14:38da maneira como deveria,
14:40que é investir
14:40em qualidade de vida
14:42para que isso
14:43não impacte
14:44na saúde
14:44e sobrecarregue
14:45também o sistema
14:46de saúde, né?
14:47É, são feitos
14:48estudos de viabilidade
14:49econômico-técnico-financeira
14:51em todos os projetos,
14:53mas há necessidade,
14:55claro,
14:56de algumas decisões
14:57e nem sempre
14:57as decisões somente
14:58técnicas,
14:59estratégicas e muitas
15:00vezes políticas,
15:01geopolíticas,
15:02não é?
15:03Então, esses números
15:04eles no mundo
15:05porque o investimento
15:06é muito alto.
15:07Nós estamos falando
15:08em bilhões de reais,
15:09não estamos falando
15:10em valores menores.
15:13Então, você colocar
15:15essas grandes montas
15:17de recursos
15:18dentro do saneamento,
15:19dentro do meio ambiente
15:20que concorre com outras,
15:22educação,
15:23como você falou,
15:23educação,
15:24cultura,
15:26saúde,
15:28segurança.
15:29Então, há necessidade
15:30de você dividir
15:32esses investimentos
15:33por vários outros
15:34segmentos do mercado
15:35e isso não é uma fácil,
15:37uma decisão fácil
15:38de quem está no poder
15:39para tomar essa decisão.
15:42Mas isso não é também
15:42porque, assim,
15:43o investimento é alto
15:44justamente porque
15:45as cidades crescem
15:46de forma desordenada?
15:48Então, também tem que ter
15:49uma urbanização ali
15:51mais eficiente
15:52para que a gente
15:53primeiro tenha a estrutura
15:55e depois receba as pessoas,
15:57né?
15:57Como é que a gente pode
15:58fazer esse ciclo,
15:59esse fluxo fluir
16:01da maneira correta
16:02e, né,
16:03que beneficie a população
16:04e a sociedade como um todo,
16:05o meio ambiente, enfim?
16:07Eu acho que primeiro
16:07passa pela forma
16:09de sensibilização
16:09e conscientização
16:10porque os conflitos
16:11de interesse
16:12são muito grandes.
16:13Entre você
16:14colocar um shopping
16:16em um determinado
16:17rua,
16:18aqui na própria
16:19Paulista,
16:20e você
16:21transformar
16:22esse valor
16:23em segurança.
16:24É uma decisão
16:24muito grande.
16:25Imagina o conflito
16:26de interesse
16:26para que você consiga
16:28mostrar para as pessoas
16:29vamos colocar água
16:30num determinado lugar
16:32menos favorecido
16:34e fazer um shopping.
16:35imagina a quantidade
16:36de atores
16:37que permeiam,
16:39que tentam
16:41sensibilizar
16:44aquelas pessoas
16:46que têm que tomar
16:46decisão.
16:48Então,
16:48não é só a questão
16:49de você,
16:50certo,
16:50a conta seria muito fácil
16:51matematicamente falando,
16:53mas há outros conflitos
16:54de interesses
16:55e que muitas vezes
16:57eles acabam
16:58sendo privilegiados
17:00em terimento
17:00de outros.
17:01talvez eles fiquem
17:02mais intensos
17:03quando a gente
17:03passa por desastres,
17:05como foram
17:06no Rio Grande do Sul,
17:07quando a gente
17:08passou por um racionamento
17:09de água,
17:09mas a gente está
17:10operando agora
17:11com lentidão
17:12no sistema em São Paulo,
17:13por exemplo,
17:14mas a gente já passou
17:15por um racionamento
17:15muito mais profundo.
17:17Então,
17:17esses investimentos,
17:19mesmo que sejam
17:20pontuais
17:22e necessários,
17:24eles precisam
17:24envolver
17:25a consciência
17:26de todos esses órgãos
17:27porque,
17:28por exemplo,
17:29como é que você
17:30faz a ligação,
17:31porque ela está
17:31totalmente ligada,
17:33da falta de saneamento
17:34com o que houve,
17:35por exemplo,
17:35no Rio Grande do Sul?
17:37Porque elas estão
17:37totalmente interligadas,
17:39naquele acidente,
17:40naquele evento
17:40climático extremo.
17:41A gente pode
17:42culpar a quantidade
17:43de chuvas,
17:45falar de várias coisas,
17:46mas a gente sabe
17:46como a falta de saneamento
17:48causam as mudanças
17:49climáticas também,
17:50e interferem
17:52em todo esse clima
17:53e potencializa
17:54todo o desastre.
17:54A gente viu também
17:55as doenças
17:56que vieram depois
17:57de que a água baixou.
17:58tem que um estudo
18:01que mostre
18:02que esses eventos
18:02climáticos,
18:03o custo que ele tem
18:04para o país
18:04é maior
18:05do que o investimento
18:07que é necessário
18:08para que evite
18:09esses acidentes
18:10fora as vidas,
18:11que aí não tem preço,
18:12a gente nem vai entrar
18:13nesse mérito.
18:13Verdade.
18:14Não, existem estudos,
18:16muitos estudos
18:17de monitoramento
18:18para evitar,
18:19preventivo,
18:20para evitar
18:21que aconteça
18:22esses desastres,
18:23mas é como a gente
18:24comenta,
18:25não é só,
18:27não basta só
18:28a parte técnica
18:29estar muito bem
18:30estruturada.
18:31Existe também
18:32a questão
18:32de investimentos,
18:34de políticas públicas,
18:37de priorizar
18:38este ou aquele
18:39entre um hospital,
18:41entre um equipamento
18:42novo.
18:44Não é uma situação
18:46tão fácil
18:47de se decidir,
18:48ainda bem
18:48que eu não estou
18:49no poder público
18:50para ter
18:51essa responsabilidade
18:53de fazer
18:55essa escolha.
18:57Mas, lógico,
18:58esse estudo
18:59que nós fizemos
18:59está ranqueando,
19:00não ranqueando,
19:01mas está priorizando
19:02as ações
19:03que são mais emergentes
19:06para evitar
19:07esse tipo
19:08de que aconteçam
19:09novos casos
19:11que aconteceram
19:12como o Rio Grande do Sul
19:13e tantos outros lugares.
19:15Então,
19:16há necessidade
19:17de melhorias
19:18da forma
19:19de fazer gestão
19:21nos recursos hídricos.
19:25Eu acho que
19:26esse é o grande
19:28ponto
19:29que nós estamos falando.
19:30Por outro lado,
19:31esse estudo
19:32também trouxe
19:32uma questão
19:33muito importante
19:34que foi
19:35a integração
19:36entre várias pastas.
19:38A integração
19:39entre vários ministérios
19:41que agora
19:41vai acontecer
19:42nesse evento
19:44que a ESA BESP
19:45está participando
19:46lá em Belém.
19:48então nós tivemos
19:49a oportunidade
19:50de conhecer
19:50muitas instituições,
19:51muitas academias
19:53fora,
19:55sem contar
19:56os próprios ministérios
19:57que estão debruçando
19:58em cima desse tema
20:00e que muitos,
20:01cada um olhava
20:01para a sua pasta
20:04e agora não.
20:05Há essa construção,
20:06houve essa construção
20:07de pontes
20:08e o COP30
20:09vem trazer essa melhoria
20:10porque é todo mundo
20:11olhar para o mesmo segmento
20:12e entender
20:13que mudanças climáticas
20:15e saneamento
20:15não andam separadas,
20:17elas andam totalmente
20:18integradas.
20:19O que eu faço aqui
20:20reflete lá.
20:22Essa gestão
20:22de recursos hídricos
20:24para as pessoas
20:24que não acompanham
20:25mais intimamente
20:26essa questão ambiental,
20:28como é que elas
20:28interferiram
20:29diretamente,
20:30vamos dizer assim,
20:31nas enchentes
20:32do Rio Grande do Sul?
20:33Como é que a gente
20:34pode correlacionar
20:35esses dois fatos?
20:36A falta de saneamento
20:37com o que aconteceu
20:38por lá?
20:39Na verdade,
20:41eu não tenho
20:42totalmente
20:44domínio
20:45sobre o fato
20:46porque não estive lá,
20:47acompanhei apenas
20:48pela mídia,
20:49como a maior parte
20:52da população tem
20:53e não me sinto
20:54confortável
20:55para falar
20:56tanto,
20:57porque precisa
20:58de um olhar técnico
20:59bastante detalhado
21:02para dizer
21:02onde é que houve
21:04a falta
21:05de saneamento
21:06ou onde houve
21:07as mudanças climáticas
21:08não foram consideradas
21:10porque as questões
21:12não acontecem
21:13ao mesmo tempo,
21:14não acontece hoje,
21:15eu faço uma questão
21:16hoje,
21:16tomo uma ação hoje
21:17e amanhã
21:18isso muda.
21:19Então,
21:21a própria,
21:21a gente fala
21:23de gás de efeito estufa,
21:25as pessoas
21:25não levam muito
21:25em consideração,
21:26mas a poluição
21:27atmosférica,
21:29a poluição hídrica,
21:30todos esses fatores,
21:31o trabalho do homem,
21:34a ação do homem
21:35no meio ambiente
21:36e provocam desastres,
21:38quedas de árvores,
21:39estabelecer
21:41residências
21:43onde não é possível
21:44sem respeitar
21:45o meio ambiente,
21:46porque o meio ambiente
21:47ele responde,
21:48não existe...
21:48A remobilização do solo,
21:49que isso é um problema
21:51muito sério
21:51com a questão da água.
21:53Então,
21:53não dá para você falar,
21:54eu não tenho condições
21:55de falar tecnicamente
21:56o que aconteceu,
21:57mas com certeza
21:59todo esse cenário,
22:01que nós mudamos o cenário,
22:02onde tinha um rio,
22:03você muda o curso do rio,
22:05onde não tinha casa,
22:06você põe casa,
22:07onde tinha uma casinha terra,
22:08onde você tem prédio,
22:09não é?
22:11Então,
22:11você muda a estrutura do local
22:13e a sociedade não pensa
22:16que isso vai acontecer amanhã,
22:18mas cada vez que nós mudamos
22:20o curso de um rio,
22:21cada vez que nós colocamos
22:23uma residência
22:24onde não é possível,
22:25mas através de políticas
22:27você consegue colocar
22:29um conjunto residencial,
22:32claro,
22:33certamente,
22:34isso vai influenciar
22:35nas condições locais
22:37e consequentemente
22:39os desastres climáticos
22:40não vão deixar de existir,
22:41porque não existe uma conta
22:43que você trabalhe
22:44de um lado
22:45e não tem uma resposta
22:46do outro,
22:46há sempre o paração e ação.
22:48Então,
22:48a pergunta,
22:49eu vou mudar um pouquinho,
22:50apesar de você já ter respondido,
22:52é assim,
22:53não precisa correlacionar diretamente
22:55o que houve no Rio Grande do Sul
22:56com as mudanças climáticas
22:57e falta de gestão de saneamento,
22:59gestão hídrica e investimentos em saneamento,
23:02mas os desastres ambientais,
23:04eles vêm por causa disso também,
23:06porque é um conjunto de fatores
23:08que a gente precisa olhar.
23:09E tem uma outra questão
23:10do saneamento,
23:12é que o investimento também
23:13que se faz agora
23:14se colhe muito a longo prazo,
23:16porque são obras de longo prazo,
23:18são tratamentos de longo prazo,
23:20e a gente sabe
23:21que quando o gestor público
23:23opta por um investimento aqui,
23:25outro ali,
23:26ele também quer
23:26que isso aconteça
23:28dentro da sua gestão,
23:29que esses resultados venham.
23:31Como mudar essa mentalidade?
23:33Porque é impossível fazer hoje
23:34um saneamento justo,
23:36igualitário,
23:37pensando só a curto prazo.
23:39É, um saneamento não se faz,
23:42não é tão possível,
23:43porque são obras de grande monta.
23:45Então, são obras de quatro, cinco anos
23:47que vão acontecendo,
23:49que você tem projetos preliminados,
23:52projetos executivos,
23:53então não é um trabalho
23:54que você faz em curto tempo.
23:57Há necessidade de fazer grandes estudos.
24:00Inclusive, quando você está fazendo,
24:02eu trabalhei numa área
24:03em que nós fizemos
24:05para ter abastecimento em São Paulo,
24:07nós fizemos vários estudos
24:09naquela condição do local,
24:11na qualidade da água.
24:13Então, não é uma coisa
24:14que você começa hoje
24:15e termina hoje.
24:16Começa numa gestão
24:17e termina na gestão,
24:17como você mesmo falou.
24:19São vários estudos,
24:20cada um dentro da sua especialidade,
24:23e um estudo multidisciplinar.
24:25Isso leva muito tempo
24:26para que aconteça.
24:27claro que hoje em dia,
24:29com as novas metodologias,
24:31com o apoio de sistemas
24:34mais inteligentes,
24:36isso é possível
24:38de acelerar um pouco
24:39esse processo.
24:41Mas ainda a necessidade
24:42do olhar clínico
24:43de um bom especialista
24:44para saber
24:45se aquela condição
24:46que está sendo colocada
24:47é adequada ou não.
24:49Nesse raio-x
24:50que vocês fizeram pelo país,
24:52quais são as regiões hoje
24:53que carecem de mais investimentos
24:56para que tenha
24:57algo mais igualitário, né?
24:59Com certeza,
25:00em outras regiões,
25:00por exemplo,
25:01o Norte, o Nordeste,
25:02esse número de sete para três
25:04já deve ser bem diferente.
25:07Nesse estudo,
25:07nós fizemos só
25:08levantamento de diretrizes.
25:10Provavelmente,
25:12há a necessidade
25:14do desdobramento
25:14em outros estudos,
25:16e aí sim,
25:16ter um raio-x
25:17mais adequado
25:19com relação
25:19às áreas que precisam
25:22de maior investimento.
25:23mas também tem outros estudos,
25:24a própria Trata Brasil,
25:26o SNIS,
25:27que é possível
25:28ranquear
25:29e ver quais são
25:30as áreas
25:31em que precisam
25:32de maior investimento,
25:33as regiões do país
25:34onde precisam
25:35de maior investimento,
25:35inclusive os locais
25:37mais próximos.
25:38Você olhando
25:39para esses estudos,
25:40é possível de saber
25:41quais são os melhores
25:42ou mais investimentos
25:44que devem ser feitos.
25:46Mas você,
25:46trabalhando há tantos anos
25:48nessa área,
25:49existe algum estudo
25:50hoje que se a gente
25:51não fizer nada
25:52para mudar
25:54esses efeitos
25:54das mudanças climáticas,
25:56a gente possa passar
25:57por um novo racionamento?
25:59Não só em relação
26:00ao documento
26:00que será apresentado
26:01na COP30,
26:02mas como um todo,
26:03existem estudos
26:04que mostram
26:05a real situação
26:05de se a gente
26:06não mudar
26:07as atitudes agora.
26:09Isso será
26:09uma realidade
26:10no futuro?
26:11Não com data,
26:12né?
26:12A gente não vai passar
26:13por esse racionamento
26:14neste ano, né?
26:16Eu estou dizendo assim,
26:17existe uma expectativa
26:18de que isso possa acontecer
26:19novamente?
26:20É, existem vários
26:21modelos matemáticos,
26:23é como você falou,
26:23são modelos matemáticos,
26:25não há a certeza,
26:27nós só teremos
26:27quando estivermos
26:28vivendo aquela situação,
26:30espero em Deus que não.
26:32Mas existem estudos,
26:34sim,
26:34modelos matemáticos
26:35que avaliam,
26:36tem monitoramentos
26:38para a quantidade
26:39de reservação
26:41nas represas,
26:43então tem muita coisa,
26:45tem muito estudo
26:46que tanto feito
26:47pelas operadoras
26:48como também
26:49pela academia
26:50que mostram
26:52esses números
26:53e que são capazes,
26:55que devem ser
26:56olhados com mais cuidado
26:58porque as pessoas
26:59não acreditam.
27:00A gente mora
27:01num país tropical
27:02onde 12%
27:03da água do planeta
27:04é nossa,
27:05está sob os nossos cuidados,
27:07não é nosso,
27:07mas está sob os nossos cuidados.
27:09E temos que ter
27:10a responsabilidade
27:14de saber
27:15que o planeta
27:15todo
27:17olha para nós também,
27:19porque é isso
27:19a questão de agricultura,
27:21a segurança hídrica,
27:22a segurança alimentar,
27:24tantos outros
27:24desdobramentos
27:26dessa quantidade
27:26de água
27:27que está
27:27sob a nossa responsabilidade
27:29e que muitas vezes
27:30nós não damos
27:31o valor
27:32que deveríamos dar.
27:34É,
27:34a gente pode mudar
27:34as regras
27:35como ser humano,
27:36mas a natureza
27:37continua o curso natural,
27:38né?
27:39Eu agradeço muito
27:40a sua participação aqui,
27:41seus esclarecimentos,
27:42obrigada, viu?
27:43Eu que agradeço
27:44a oportunidade.
27:46Bom,
27:46a crise climática
27:47expõe de forma dura
27:48a falta de saneamento,
27:50né?
27:50Enchentes
27:50que espalham doenças,
27:52secas
27:53que comprometem
27:54reservatórios
27:54e rios
27:55que continuam poluídos.
27:57Levar esse debate
27:58à COP30
27:59significa reconhecer
28:00a água e o saneamento
28:01como eixos centrais
28:02da adaptação climática
28:04e da justiça social.
28:06O desafio agora
28:06é transformar números
28:08e diagnósticos
28:09em compromissos concretos
28:11para que o Brasil
28:12deixe de ser um país
28:13onde milhões
28:14ainda vivem
28:15sem o básico.
28:17Até a próxima.
Comentários

Recomendado