00:00O que é que você vê isso no Brasil, esse modelo que existe de cobrança por hora do
00:13advogado tradicional, que realmente a gente sabe, uma peça que talvez um paralegal ou
00:17um advogado júnior vai levar horas para fazer, cunha, você pode fazer isso em segundos.
00:22No Brasil a gente tem um cenário um pouco diferente do cenário americano, mas realmente
00:25esse desafio do Billable Hours, que é os honorários que a gente chama aqui no Brasil, é um desafio
00:30que já está sendo discutido lá fora, já tem oito, nove anos, porque todos eles estão
00:34antevendo isso, olha, o modelo de honorários vai acabar ou vai ser muito reduzido.
00:39E aí o que alguns escritórios estão fazendo é projetos, então a contratação não é
00:44pelo número de horas, mas por projetos, mas existe uma transição nisso.
00:49A gente visitou alguns escritórios, tanto em Nova York, o Allen Overy, que fica em Londres,
00:55o Hogan Lovers, são grandes escritórios, escritórios patrimônios bilionários, e eu
00:59sempre perguntava, você não tem medo de ser substituído ou de contratar low-tech
01:03e legal-tech?
01:03Ele falou assim, ele olhou para mim, que é uma pergunta muito comum no Brasil, especialmente
01:08há cinco, seis anos atrás, quando surgiu a B2L, eles me olhavam com uma cara meio estranha,
01:13assim, como assim medo?
01:14É, de ser substituído, ele falou assim, não, cara, se eu não usar uma tecnologia e atender
01:17melhor o meu cliente, o concorrente vai fazer.
01:20É óbvio, né?
01:20Então, eu percebo que lá fora, na verdade, eles têm uma visão de que o cliente lê
01:25o centro do negócio, você tem que trazer melhores ferramentas, gerar mais valor, mesmo
01:28que, de repente, eu tenha que diminuir os honorários, mas ele vai contratar ele para
01:32outros produtos e serviços.
01:34Então, você tem esse modelo.
01:35O que está acontecendo lá fora, tanto em Londres quanto nos Estados Unidos?
01:39Aqui no Brasil, nós temos um escritório de advocacia que copiou esse modelo de estrutura
01:43da Inglaterra, ok?
01:45Mas, na Inglaterra mesmo, já existe, por exemplo, o que eles chamam de Alternative
01:50Business Structure.
01:51São escritórios de advocacia que têm a permissão da Law Society, que é uma espécie de OB
01:55deles, para poder ter, num quadro societário, por exemplo, não advogado, para poder ter equity
02:01em startup, porque, hoje em dia, o modelo mais tradicional de escritório de advocacia
02:06só pode ter como sócio advogado.
02:08Os Estados Unidos, alguns estados que permitem.
02:10Já começaram, tem dois estados, já tem dois ou três estados que estão copiando
02:14esse modelo, esse modelo, justamente, de Londres.
02:19Então, ali permitiu uma coisa bem interessante.
02:22No primeiro momento, houve uma crítica muito grande dos advogados, falando que ia ser a
02:25CoscuLaw, que é o hipermercado que tem qualquer esquina.
02:29O placadão deles lá.
02:30Agora, vai banalizar.
02:32E o que aconteceu é justamente o contrário.
02:33Eu conversei com a Cristina Blacklaw, que era a presidente da Law Society, e que foi
02:37responsável dessas permissões.
02:38Foi o pequeno advogado, que tem uma esposa que é contadora, um filho que é do marketing,
02:42e eles começaram a ter uma estrutura de empresa.
02:45Então, pequeno e médio, conseguindo trazer profissionais interdisciplinares e tendo
02:50uma visão muito mais de negócios.
02:53Muito bom.
02:53Então, esse é um modelo que tem muito comum lá nos Estados Unidos.
02:56Os grandes escritórios, que é o Golden Circle, que fatura acima de um bilhão, eles
03:01continuam com o modelo tradicional.
03:02Só que o que eles estão fazendo?
03:04Eles estão criando um modelo de empresa, chama-se ALSP, Alternative Legal Service Provider.
03:09Alguns chamam de Law Company, diferente de Law Firm.
03:12Que é como se fosse uma Big Four focada em direito.
03:16Então, tudo que é direito continua sendo do escritório, mas tudo que é melhora de
03:21processos, gestão.
03:23Porque os departamentos jurídicos que contratam os escritórios precisam melhorar BI, melhorar
03:27procedimento, processo, implementar IA, poder checar regulatório no mundo inteiro.
03:32Isso eu posso estar delegando para uma empresa.
03:36Então, tem esse modelo, que é o próprio escritório sendo empresa, transformando em empresa,
03:40e ter um modelo, que é o modelo onde eles criam, tipo, uma subsidiária do escritório.
03:45E esse oferece serviços mais relacionados à empresa.
03:48Então, está começando a surgir vários modelos diferentes de escritórios de advocacia
03:52no mundo inteiro, em Londres.
03:53Eu acho que é inevitável, né?
03:54Eu até, curiosamente, Daniel, estava...
03:56E eu vou te chamar aqui daqui a pouco, que tu está...
03:58Eu estava almoçando ontem com dois sócios dos grandes escritórios de advocacia aqui
04:01do Brasil, né?
04:02Eu não vou falar o nome, porque é uma questão óbvia de privacidade, mas eles foram
04:06categórias...
04:06A gente começou o papo, a gente estava almoçando, começou o papo, eles olharam para mim e falaram
04:09assim, Fernando, nós sabemos, estamos plenamente conscientes que ou a gente implementa essas
04:16ferramentas de IA, por exemplo, como a sua, ou nós estamos em bem pouco tempo fadados
04:21ao fracasso.
04:22Porque não existe mais possibilidade hoje de nenhum escritório de advocacia que queira
04:27ter uma relevância em termos de participação do mercado, que não utiliza essas ferramentas
04:31por uma questão de grande produtividade, redução de custos, aumento de eficiência,
04:34e assim por diante.