A NASA revelou os quatro astronautas da missão Artemis II, prevista para fevereiro de 2025. Lucas Fonseca, engenheiro espacial, explicou os avanços tecnológicos, reaproveitamento de foguetes e recursos lunares que podem transformar o futuro da humanidade.
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00:00Esta semana, a NASA apresentou a tripulação que deve realizar uma missão em torno da Lua já no ano que vem.
00:09A previsão é de que o lançamento aconteça em fevereiro de 2025.
00:14A equipe prefere não determinar uma data, pelo menos por enquanto, devido a detalhes que ainda não foram resolvidos.
00:22Os três astronautas que aparecem à esquerda aí no vídeo são da Agência Espacial Americana.
00:28Jeremy Hansen, que depois vai aparecer ali à direita, na mesa, é canadense.
00:34E a missão Artemis, que pretende cumprir uma série de testes até o pouso lunar, é resultado de uma parceria entre os dois países.
00:45A volta do homem à Lua pode estar ainda mais iminente, porque esses quatro astronautas devem partir primeiro para uma volta no entorno do satélite terrestre,
01:00na chamada missão Artemis II, que foi antecipada de abril para fevereiro do ano que vem.
01:07O anúncio foi feito pela Agência Espacial Norte-Americana, a NASA, como a gente viu.
01:12Para essa conversa, daqui a pouco eu vou chamar o Lucas Fonseca.
01:15Primeiro, eu queria explicar como é que vai funcionar os planos da NASA e da Agência Espacial Canadense para essa viagem.
01:25Aqui em amarelo, são os primeiros giros com o lançamento, a partir do Cabo Canaveral, a região sudeste dos Estados Unidos,
01:37uma primeira volta, então essa linha em amarelo, depois o desacloplamento das estruturas da nave,
01:48até que numa segunda volta, num movimento de estilingue, porque a nave usa a órbita da Terra,
01:57para um lançamento, isso é uma técnica para consumir menos combustível, a equipe vai dar uma volta na Lua e o retorno aqui à Terra.
02:09Então o esquema vai ser esse aqui, o lançamento do Centro Espacial Kennedy, que fica na Flórida,
02:14quando há, depois do foguete, o desligamento do motor principal, a separação das estruturas,
02:24a órbita terrestre, depois o sobrevoo lunar e um outro desacoplamento para o final,
02:32aquela imagem que a gente conhece desde os anos 60, ainda com a equipe da Apollo 13, com a missão Apollo 13,
02:40que a cápsula volta e depois ela cai de paraquedas em algum ponto do oceano e os astronautas são resgatados.
02:49Na próxima arte, a gente entende a estrutura da engenharia dessa nave.
02:56Então, depois do lançamento aqui do SLS, que é o Sistema de Lançamento Espacial, SLS, a sigla em inglês,
03:07que é o maior foguete construído pela NASA desde o Saturno 5, que é aquele que levou a Apolo 11 à Lua em 1969.
03:17Então toda essa estrutura maior são os tanques de combustível e os motores de propulsão.
03:23As atenções depois ficam para essa parte aqui, que foi recriada nessa arte.
03:28Primeiro tem um sistema de escape, que ele serve para garantir a aerodinâmica,
03:34embora haja motores de controle de trajetória.
03:40E o que a gente tem que prestar atenção são nessas estruturas aqui, que primeiro ficam juntas.
03:45É um módulo de serviço, onde ficam os principais recursos de sobrevivência dessa equipe,
03:52de quatro astronautas e depois essa cabine de tripulação.
03:57Então, toda a volta pela órbita terrestre e depois esse passeio até a Lua e o retorno
04:04será feito por essa dupla estrutura aqui e quando houver o pouso na Terra,
04:13a cápsula se descola, ela se desprende e retorna sozinha e pousa por paraquedas.
04:22A gente vai entender um pouco melhor das importâncias, porque isso vai muito além da exploração espacial,
04:29algo que a gente ainda soa como ficção científica.
04:33O Lucas Fonseca, que é engenheiro espacial, conversa agora com a gente para nos dar mais detalhes.
04:42Lucas, queria começar a nossa conversa, e agora fico até meio constrangido, você engenheiro espacial,
04:47eu fiz aqui um resumo com termologias mais abrangentes, talvez eu tenha cometido alguns erros técnicos,
04:57eu fiquei mais na superfície e a nossa conversa agora pode ser um pouco mais aprofundada.
05:01Mas eu queria começar tentando desmitificar, Lucas, tirar o mito de que a exploração espacial é um negócio
05:10que é mais hollywoodiano do que tem um efeito prático, que é um enorme desperdício de dinheiro,
05:18para que a gente vai à Lua se só tem pedra e areia, já fomos há 50 anos, nada mudou.
05:24Então, para tirar essa leitura leiga que está no inconsciente coletivo de muita gente,
05:30que parece que isso é apenas uma grande perda de dinheiro e de tempo.
05:35Lucas, conta para a gente, em linhas gerais, por que a exploração espacial é importante.
05:40Boa noite mais uma vez.
05:42Bom, começar um boa noite, Favali, obrigado por me ter aqui novamente.
05:46E a exploração espacial, essa questão que você fez, é talvez uma questão que eu mais ouvi na minha vida, né?
05:52Por que a gente gasta tanto dinheiro mandando coisa para o espaço,
05:55se tem tantas coisas para ser resolvidas no planeta ainda, né?
05:58Bom, a exploração espacial, ela traz uma possibilidade infinita de aplicações para o nosso dia a dia.
06:04Então, hoje, quando você se transporta aí de um ponto A para um ponto B, usando um aplicativo,
06:10você está usando um sistema GPS, você tem medição de condições climáticas, por satélites.
06:15Então, essas coisas ao redor da Terra, a gente já está bem resolvido com isso.
06:19Mas a gente está indo para um novo momento agora, que é acessar esses corpos.
06:23Primeiro momento, a Lua, né? Que está mais próxima da Terra.
06:26E, eventualmente, vamos mais longe. A gente vem em asteroides, vamos em Marte.
06:29Tudo isso buscando também recursos espaciais.
06:32Então, a partir do momento que a gente começa a acessar a Lua,
06:35a Lua não tem só rocha, só remolito.
06:37Você tem uma quantidade expressiva de água.
06:39Você tem um elemento chamado Hélio 3,
06:42que ele pode ser um grande quebra de paradigma para a produção de energia.
06:47E a gente pode usar o ambiente lunar para produzir coisas lá.
06:50Então, a ideia, no futuro, talvez não próximo,
06:53é que a gente tenha pessoas vivendo de maneira permanente na Lua
06:56e construindo um ecossistema de atividades também comerciais.
06:59Então, a ideia toda, a gente está olhando para o futuro
07:01e a gente está vivendo um novo momento para alcançar esse futuro.
07:05Lucas, muita coisa mudou desde o pouso mais bem-sucedido da Lua.
07:11Quer dizer, mais bem-sucedido, não.
07:12Mas o primeiro grande momento, talvez até hoje a maior conquista da humanidade,
07:19é em 1969 o pouso da Apolo 11, ali o passeio dos primeiros astronautas.
07:25Claro que depois houve outras missões, houve outros pousos,
07:29mas nenhum se tornou mais simbólico do que aquele de 1969.
07:33São mais de... A gente já passou de 50 anos, muita coisa mudou de tecnologia,
07:40mas também a estrutura de financiamento das agências espaciais.
07:45Hoje, as empresas privadas, e aí eu estou falando não só da Boeing,
07:50que já está no jogo faz tempo, mas mais recentemente a SpaceX do Elon Musk,
07:56e agora o Jeff Bezos da Amazon também está entrando isso,
08:02a Virgin Galactic, de um bilionário britânico.
08:08Então, como é que essa inserção da iniciativa privada agora vai garantir
08:14este que deve ser um próximo passo importante da exploração espacial?
08:20E aí eu já também entendo que, além de olharmos a Lua, já estamos olhando Marte.
08:24Você colocou na sua pergunta um ponto importantíssimo.
08:30Outras empresas já participam da comercialização do espaço
08:33desde o início da corrida espacial.
08:36Então, a parte comercial em si não é novidade.
08:39O que é novidade é as empresas buscarem uma sustentabilidade econômica.
08:43Então, o que acontecia até então era o governo americano contratar determinada missão,
08:48colocava lá uma montanha de dinheiro para as empresas participarem,
08:52e as empresas simplesmente cumpriam contratos.
08:55O que a gente está olhando agora com SpaceX, Blue World, Virgin,
08:58todas essas empresas que estão acessando o espaço,
09:00é esse novo momento da busca de um modelo de negócio,
09:03da busca de uma recorrência, de uma sustentabilidade econômica.
09:06E aí, quando você busca sustentabilidade econômica,
09:09você acaba jogando os preços lá para baixo.
09:11E a partir do momento que você tem um acesso mais acessível ao espaço,
09:15você começa a ter mais possibilidades, inclusive, de habitar a Lua.
09:18Então, a gente só pensa em habitar a Lua hoje em dia,
09:20que é a grande diferença da Apolo para a Artemis.
09:22A Apolo tinha um caráter mais exploratório.
09:24A Artemis tem realmente o caráter de ir para ficar,
09:27porque a gente está buscando esse sistema de atividades muito mais sustentáveis,
09:31de uma maneira que você consiga usar menos dinheiro
09:34para ter um retorno comercial mais claro.
09:36Lucas, a gente entendeu também que o Elon Musk,
09:40talvez o grande protagonista,
09:42ou pelo menos aquele que melhor publicitou este novo capítulo da tecnologia,
09:48que agora o foguete dá ré sim.
09:52Se eu uso uma estrutura que antes era perdida,
09:56que é reaproveitada.
09:58Isso é muito simples a gente entender o quanto barateou,
10:01algo que é extremamente caro.
10:04Olhando um pouco mais para frente,
10:05o próximo passo,
10:06você que é um engenheiro espacial,
10:08está mais inserido nesse meio,
10:10qual que pode vir a ser,
10:12ou que deve ser,
10:14o próximo grande passo tecnológico nesse sentido?
10:17Então a gente teve o foguete,
10:18o propulsor reaproveitável.
10:21As cápsulas têm agora uma inteligência artificial
10:24que fazem uma navegação,
10:27que dão todo o apoio ao astronauta.
10:30O que mais ainda a gente pode esperar de inovações?
10:34O que a SpaceX busca, por exemplo, hoje em dia,
10:37é o Starship,
10:38que a gente já viu aí voando várias vezes,
10:40e teve um último voo com uma taxa de sucesso muito alta.
10:44Qual que é a grande diferença da Starship para as Falcons,
10:46por exemplo,
10:47que são as que a gente já vê no dia a dia?
10:49As Falcons,
10:49embora o primeiro estágio seja reutilizável,
10:53o segundo não é.
10:54Então parte do foguete ainda é perdido.
10:56A ideia da Starship é
10:57que ele consegue levar uma carga muito maior para o espaço
10:59e voltar o foguete inteiro.
11:02Então tudo é reaproveitável.
11:04E aí cai nesse dilema que você falou,
11:06a partir do momento que você tem tudo podendo voar novamente,
11:09os preços caem.
11:10Então se você pegar 20 anos para cá,
11:13o preço caiu aí de 100 mil dólares por quilo,
11:16para 30 mil dólares, para 10 mil dólares.
11:18E quando a Starship funcionar,
11:19a gente está falando de menos de mil dólares por quilo.
11:22Então esse que é a grande quebra de paradigma
11:24que a gente está vivendo.
11:25É esse acesso ao espaço
11:27com preços cada vez menores.
11:29E a partir do momento que a gente vê isso acontecendo,
11:32viabilita novos negócios.
11:33Então o panorama para o futuro é esse.
11:35Vamos abaixar o preço para acessar o espaço
11:37e isso vai viabilizar coisas
11:39que até então pareciam ficção científica.
11:42Lucas, além da informação,
11:44que é algo muito importante,
11:46claro,
11:46a nossa espécie se difere de todas as outras do planeta,
11:50porque nós adquirimos conhecimento,
11:52nós gravamos a nossa própria história.
11:54Claro que a exploração espacial tem um verniz de informação
12:01que é fundamental para o desenvolvimento científico e tudo mais.
12:05Você falou do Hélio 3 que está na Lua.
12:08Que outros recursos a gente pode captar fora do planeta
12:12que seriam vantajosos para a gente aqui em Terra?
12:18Porque pode parecer uma coisa hoje de ficção científica,
12:21nossa, nós vamos até a Lua procurar algum tipo de molécula
12:26para usar aqui.
12:27Soa como algo muito distante,
12:30mas eu gosto sempre de fazer um paralelo
12:32que uma vez eu ouvi, eu jamais esqueci.
12:33Uma criança que na década de 20 foi ao cinema
12:37e viu de maneira jocosa ali um filme preto e branco,
12:40mudo,
12:42fazendo uma referência a um texto do Júlio Verne,
12:46do Júlio Verne, da Terra à Lua,
12:48quer dizer, um filminho ali com poucos recursos,
12:52isso na década de 20,
12:53no final da década de 60,
12:54ou seja, a pessoa assistiu o pouso na Lua
12:58verdadeiramente dito.
13:02Eu não estou falando de uma diferença de tempo de 200 anos,
13:06foi uma diferença de tempo aí de 30, 40 anos.
13:11Então, se a gente projetar mais para frente
13:13com esse avanço tecnológico,
13:14a gente sim pode buscar recursos de fora do planeta para cá.
13:19Além do Hélio 3,
13:20que pode ser usado para um tipo de combustão,
13:23de geração de energia.
13:24O que mais que está na nossa órbita aqui
13:27que poderiam ser usados,
13:29recursos usados aqui no nosso planeta?
13:31Vamos lá, Marcelo.
13:34Eu vou te dar três exemplos.
13:35Então, você falou do Hélio 3,
13:37que é utilizado na fusão nuclear.
13:39Se eu pegar todo o Hélio 3 que tem na Lua hoje em dia,
13:42ele, na teoria,
13:43conseguiria gerar 300 anos de energia
13:45que a gente usa anualmente aqui na Terra.
13:48Então, já vê aí um potencial absurdo,
13:50e é por isso que China e Estados Unidos estão indo para a Lua.
13:52Eles estão buscando esse Hélio 3,
13:54é um dos principais motivos.
13:55Mas, indo um pouquinho além,
13:57a gente tem o cinturão de asteroides
13:59que fica entre Marte e Júpiter.
14:00Tem um cara único, um asteroide único,
14:02que é o 16 Psyche,
14:04que ele tem material metálico valioso
14:06mais de 1,4 trilhão de dólares.
14:07Então, um cara sozinho
14:08tem de material embutido metálico nele
14:11mais de 1,4 trilhão de dólares.
14:12Se você pegar todos os asteroides
14:14e fizer uma conta aqui bem aproximada,
14:16a gente teria mais ou menos
14:18100 bilhões de dólares por pessoa viva
14:20no planeta Terra nesse momento
14:22de valor disponível.
14:24É claro que, a partir do momento que você chegar lá,
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