- há 4 meses
Suzy Rêgo é atriz, apresentadora, jurada, coach e ativista, com uma carreira versátil que atravessa mais de quatro décadas. Mãe de gêmeos aos 42 anos e casada com o ator Fernando Vieira, mantém-se ativa e influente nas redes sociais, sempre conectada ao público.
Sua trajetória artística começou cedo: aos 13 anos, iniciou a carreira no Rio de Janeiro e, aos 17, conquistou o título de vice-Miss Brasil 1984, projetando o talento pernambucano para o mundo. Desde então, participou de desfiles em países como França, Japão e Malásia, além de estampar capas, comerciais e catálogos marcantes. Estreou como atriz na Globo em 1988 e, ao longo dos anos, integrou produções no SBT, Record e Band, consolidando-se como uma das figuras mais reconhecidas do entretenimento brasileiro.
Suzy Rêgo está em cartaz com a peça 'Cá entre nós'. Mais informações:
Teatro União Cultural - 269 lugares.
Rua Mário Amaral, 209 - Paraíso - São Paulo (SP).
Estação Metrô Brigadeiro.
Tel: (11) 3885-2242.
Temporada: de 22 de agosto a 28 de setembro.
Sexta às 21h, sábados, às 20h, domingos, às 19h.
Ingressos: R$ 100 inteira | R$ 50 meia.
Bilheteria: abre 1h30 antes do espetáculo.
Ingressos online: https://bileto.sympla.com.br/event/90059/d/334020/s/2269598
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Sua trajetória artística começou cedo: aos 13 anos, iniciou a carreira no Rio de Janeiro e, aos 17, conquistou o título de vice-Miss Brasil 1984, projetando o talento pernambucano para o mundo. Desde então, participou de desfiles em países como França, Japão e Malásia, além de estampar capas, comerciais e catálogos marcantes. Estreou como atriz na Globo em 1988 e, ao longo dos anos, integrou produções no SBT, Record e Band, consolidando-se como uma das figuras mais reconhecidas do entretenimento brasileiro.
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Categoria
😹
DiversãoTranscrição
00:00:00Olá, sejam muito bem-vindos ao Lado A, o nosso Encontro Dominical,
00:00:20esse projeto que eu tenho aqui no Antagonista de videocast com pessoas que mudam o Brasil,
00:00:25mas fora da política. Todo domingo um convidado diferente, com uma história interessante e
00:00:31inspiradora para você já começar a semana com o pé direito. Antes da gente ir para a entrevista,
00:00:37um recadinho dos nossos patrocinadores. Você sabia que a Madeleine já foi professora de inglês?
00:00:44Pois ela já foi professora de inglês, cara, muito louco isso, né? Então ela sabe a importância que
00:00:49essa língua tem para você, como ela pode abrir portas, como você pode viajar com mais tranquilidade,
00:00:54você pode ter acesso a informações muito mais legais, você pode evoluir na sua carreira
00:00:59acadêmica, profissional. Ela sabe de tudo isso, então é por isso que a gente tem aqui o orgulho
00:01:04de ter essa parceria com a Madeleine, um preço especial para você que está aqui assistindo
00:01:09esse vídeo. Clica no link que você está vendo aí e aproveita essa promoção agora. Aproveita
00:01:13e vem para o melhor curso de inglês online do Brasil. Bora!
00:01:17Pois é, já vai deixando aqui o seu like, se inscreve no canal. Quem eu vou entrevistar hoje?
00:01:23O nome você já sabe, mas mais detalhes da vida dessa pessoa, quem traz é o José Inácio Pilar.
00:01:30Conheçam Suziego, a supermodelo que começou a desfilar aos 13 anos no Rio e, aos 17, já
00:01:39era Vice Miss Brasil 1984. Por quê? Claro, o mundo precisava de mais glamour pernambucano.
00:01:48Com 40 anos de carreira, ela rodou o Brasil e o mundo em desfiles na França, Japão e até
00:01:56na Malásia, usando para capas, comerciais e catálogos que fizeram história.
00:02:03Mas Suzie não parou na passarela. Estreou como atriz na Rede Globo em 1988. Brilhou nas
00:02:13novelas do SBT Record e Band e ainda arrasa como apresentadora, jurada, coach e ativista.
00:02:22Mãe de gêmeos, aos 42, casada com o ator Fernando Vieira, ela continua ativa nas redes, porque
00:02:30para Suzie, a vida é um eterno ensaio para o próximo grande show. Vamos aplaudir Suzie
00:02:39Rego. Pois é, agora vocês já sabem quem é, já sabiam antes. Suzie Rego, que prazer,
00:02:47prazer enorme ter você aqui. Ai, obrigada, amada, pra me receber. Eu fico muito feliz,
00:02:52muito feliz mesmo, nossa, dessa, sabe, desse convite tão glorioso, participar com vocês
00:03:00e falar. De certa forma, sim, né, sempre o teatro, sempre foi um movimento político,
00:03:05mas vamos falar de artístico, certo? Vamos falar do artístico, vamos falar do artístico.
00:03:09Você tá em cartaz com o Eduardo Martini, Cristiano Oliveira, com a peça Entre Nós.
00:03:16É, Ká Entre Nós. Ká Entre Nós. O que que significa? O que que é a peça?
00:03:20Vou te contar tudo. Ká Entre Nós é um texto desse gênio chamado Rafael Gama, que merece
00:03:26estar aqui também, porque ele é, nossa, iluminadíssimo, muito jovem e muito sábio. Esse
00:03:32texto tocante dele é uma comédia dramática, mas, Rafa, beijo pra você, meu querido.
00:03:39Trata-se de amizade, amizade de longa data, de conflitos que essa amizade foi, foi, passou
00:03:48por atritos, ruídos de comunicação. Então, são amigos há quase 40 anos, mas tiveram
00:03:55uma ruptura muito brutal. Por isso, por falta de comunicação, por equívocos, por aquilo
00:04:04que alguém viu e não era, era e não viu, alguém contou, alguém falou. Então, eles
00:04:10são um quarteto que se reencontra após o falecimento daquele fiel da balança, aquela
00:04:17amiga que unia todo mundo, que é a Lola. Lola falece. E eles, e ela deixa antes um pedido
00:04:23pra que eles se reencontrem na casa de praia, que eles passavam sempre os natais, os carnavais,
00:04:29as férias, os réveillons. E é lógico que eles vão ter um reencontro após, sei lá,
00:04:35um afastamento de, digamos aí, 20 anos. Vão ter nostalgias, vão ter memórias, vão ter
00:04:41brincadeiras, tem vários brindes. Eles brindam a vida da Lola. Mas aquelas coisas que ficaram
00:04:48ali, né, debaixo do tapete, elas transbordam, elas afloram. E as questões vão, né, pessoas
00:04:55ali já, por volta dos 60 anos, né, mais maduros, filhos criados. E aí vai ter essa lavação
00:05:04de roupa suja. Com muito humor, madame. É uma comédia dramática. Mas é uma comédia
00:05:12onde a plateia é tão bacana. Eles vão em grupos de amigos, porque tem o grupo de
00:05:18amigos, tem o grupo que sempre sai junto ou pra jantar, ou pra assistir uma peça, ou
00:05:23pra assistir um show, e se identificam muito. Porque acontece muito disso. Acontece muito
00:05:28de fofoca ou de algo que realmente não resolveram direitinho, né, não tiveram essa maturidade
00:05:38de, vamos, tem até essa frase que é da personagem Lola, conversar para se entender. Às vezes
00:05:45nós precisamos, com os nossos parceiros profissionais afetivos, os nossos filhos ou parentes, conversar
00:05:54várias vezes. Porque muitas vezes parece que é uma imposição do que você fala, e não
00:05:59é, é só um ponto de vista. Você concorda comigo? Sim. Não é? E tem às vezes também
00:06:05uma questão da gente não querer conversar com medo de rompimentos. E aí? Essa é a fatura
00:06:12mais alta que alguém pode pagar na vida, é ou não é? Com certeza. Eu estava falando
00:06:16o seguinte, eu mandei uma mensagem, eu escrevi de forma muito profissional, porque eu estava
00:06:21no meio de uma parceria, tentando fechar um contrato de parceria da nossa peça, de divulgação,
00:06:27e eu mandei uma mensagem com itens. A Cristiana falou, meu Deus, a Suzy está chateada com
00:06:34alguma coisa. Eu falei, imagina, nada pessoal, estava mandando só, estava só enumerando os
00:06:41nossos tópicos. E pareceu, pareceu algo talvez para ela seco, ríspido, e não era, não
00:06:49era, era só profissa, só isso. Então por isso que nós temos que conversar sempre, e na peça
00:06:54uma hora e dez, uma hora e quinze, eu garanto que as pessoas vão rir muito, porque esses
00:07:00sexagenários divertidos, a Maria Helena é uma advogada bem sucedida, né, charmosa,
00:07:08rica, um pouquinho arrogante, tem mania de corrigir os outros, e aí ela reencontra com
00:07:13o Nonô, que eles estão, né, estremecidos há muito tempo, que ele é um galerista, um
00:07:19cara da arte, um cara bacana, um amigão. E tem a Cissa, que é a personagem da Cristiana
00:07:24Oliveira, que é uma terapeuta holística maravilhosa, mas completamente distraída,
00:07:31mas um ser do bem, um elo de muita força pela doçura. E tem essa falta que faz a Lola
00:07:39em nossas vidas, que foi a única que continuou convivendo com todos, tentando de novo reunir
00:07:45essa tropa, essa trupe, essa escadinha, porque eles sempre tiveram a idade assim, 21, 22,
00:07:5223, 24, eles eram a escadinha, né, eles se reuniam sempre, com certeza sempre, a cada
00:07:57quatro anos, pra ter a idade de escadinha. Só que Lola faz a viagem dela, mas ela deixa
00:08:05aí uma lição, que nós temos que conversar, pra nos entender, e que amizade é um dos bens
00:08:11mais valiosos do mundo. E amigo, eu tenho amigos que, bom, o Martini é meu chapa, o Eduardo
00:08:18Martini é meu amigo, ele é meu chefe, ele é o gestor do Teatro União Cultural, eu já
00:08:22fiz algumas outras peças com ele, é meu amigo de sair, e amigo discorda, não é?
00:08:28Opa! Porque se não discordar, eu já desconfio, porque não é amigo. Amigo é quem fala as coisas
00:08:35pra gente. Sim, sim, e eu sou muito falante, muito bocuda, e às vezes eu também aprendo
00:08:42que é o seguinte, silencia, tua amiga ou teu amigo já tem um posicionamento sobre isso,
00:08:48se não te pediu, se não pediu a sua opinião, se não pediu um aconselhamento, se não pediu
00:08:56um pitaco, né? Um palpite, se fecha, fica na sua, respeita, porque talvez o tempo da pessoa
00:09:04seja diferente. Eu, eu, nossa, é assim, eu aceito comentário, tal, e gosto também de dissertar
00:09:13sobre o tema. Você sabe que várias vezes a minha opinião mudou, a minha ideia também se transformou,
00:09:21e a minha consciência se expandiu, disse, que bom que você falou, que bom que você me provocou nisso,
00:09:28que bacana, me sinto um ser humano mais evoluído a partir daí, porque talvez eu tivesse uma opinião
00:09:35formada a respeito, é isso, e acabou, imagina, somos mutantes o tempo inteiro, somos fluídos,
00:09:42eu sou pisciana, eu te falo uma coisa com toda certeza, eu passo pela porta de outra coisa.
00:09:47Mas isso que você falou de evoluir, eu trabalhei no Supremo Tribunal Federal, e tinha um ministro
00:09:53que uma vez, o ministro Marco Aurélio uma vez falou pra mim que as pessoas ficam muito
00:09:59encasquetadas com a história de mudar de opinião, que é como se elas não fossem fiéis a algo,
00:10:06como se elas estivessem fazendo uma traição, como se elas não soubessem julgar bem as coisas
00:10:11da vida. Aí ele falava assim pra mim, não pede pra pessoa mudar de opinião, fala assim com ela,
00:10:16vamos evoluir nessa opinião aqui.
00:10:18Que ótimo, boa.
00:10:20Porque é isso, não é que mudou de opinião, é que te trouxe algo que você não tinha,
00:10:25e você evolui na sua opinião.
00:10:27Estou falando, a vida é um aprendizado abençoado, mais uma que eu aprendi.
00:10:31Vou usar tanto, mas dá posso?
00:10:33Eu passei a usar assim, loucamente.
00:10:36Nossa, amei.
00:10:36Vamos evoluir nessa...
00:10:37Vamos evoluir nisso, né?
00:10:39E assim, entre amigos, acontece comigo muito, porque eu sou de uma área, a outra pessoa
00:10:45é de outra área, a outra pessoa é...
00:10:47Sim.
00:10:48E cada um tem a sua vida cotidiana, a pessoa te traz dados e fatos que você nem imagina
00:10:55que existem.
00:10:56E mesmo da mesma área, tem formas diferentes de ver a coisa, tem formas diferentes.
00:11:01Graças a Deus, ainda bem.
00:11:03E é isso, é uma constante, eu acho lindo, uma constante mudança.
00:11:09Pedra rolante, Rolling Stone, nós temos que rolar, rolar as pedras, mexer.
00:11:15Muitas coisas, princípios que eu tinha há um tempo atrás, caíram, ainda bem.
00:11:20Que bom, que bom.
00:11:22Isso é vivência.
00:11:23Eu acho que ficar arraigado, preso, refém de um princípio que...
00:11:30Sério, será que não pode ser um pouquinho mais maleável, mais flexível, né?
00:11:36Eu acho que só tem win-win, só tem ganho.
00:11:38E às vezes o que as pessoas falam também que é um princípio delas, não é um princípio,
00:11:43um norte, é um detalhe.
00:11:45Você vai chegar lá do mesmo jeito.
00:11:48Não tem gente que fica presa ao jeito de fazer as coisas.
00:11:51Não, porque aqui, a frase, aqui sempre foi assim.
00:11:55Não, não, não, imagina, nem combina comigo, nem combina.
00:11:59Eu te falo, eu há mais ou menos um ano e meio, eu mudei a minha alimentação.
00:12:06Faço alimentação cetogênica, que prioriza gorduras boas, proteínas, vegetais que nascem
00:12:12acima da terra, e o seguinte, é, e um consumo muito baixo de carboidrato.
00:12:19Isso mudou tudo na minha vida.
00:12:22Você sabe que no Google...
00:12:25Pode até colocar essa tela aí, produção.
00:12:29Quando você coloca hoje Suzy Rego, que aparece as principais buscas, aparece como ela emagreceu
00:12:36tanto, sabia?
00:12:37Que bom!
00:12:38Entre os top 5, pode testar aí.
00:12:40Olha, maravilhoso, porque eu te falo uma coisa.
00:12:43Você vê essa coisa de opinião, de rede social que nós estávamos falando?
00:12:47É, e eu flexibilizo.
00:12:50Eu amo uma cerveja, eu amo um espumante, um vinho.
00:12:54Então, assim, se eu priorizo a minha alimentação nesse nível, né, nessa escolha que eu cozinho,
00:13:01eu compro, eu cozinho, faço, eu realmente cozinho pra minha família também, tá?
00:13:07Meu bom feijão, com paio, com arroz, porque eu tenho três meninos, né?
00:13:11Os gêmeos, Marco e Márcio, e meu marido, Fernando, que é um taurino glutão, tá bom?
00:13:16E os seus gêmeos com a idade que tem...
00:13:1816, amiga, Lima Nova, eles comem tudo.
00:13:20Não, o meu tem 14, a gente faz uma compra de mês...
00:13:24Não, amiguinha, amiguinha, não é possível.
00:13:26Não, não dá.
00:13:27Eu falo assim, não, gente, nem cabe aí dentro de vocês tanto, não cabe.
00:13:31Mamãe, tá muito bom, repeteco, faz sempre essa comida, repeteco.
00:13:34E, claro, eu amo também o meu feijão, mas eu evito.
00:13:38Porque eu me alimento sem carboidrato, eu deixo carboidrato pros drinks que eu gosto.
00:13:46E treino, né, amiga? Treino.
00:13:47Agora as pessoas vão lá e falam, lógico, só pode ser canetinha, só pode ser isso.
00:13:52Até poderia ser, claro, mas não há demérito algum em alguém que busca uma melhora da saúde
00:13:59com supervisão médica, é lógico, com especialista.
00:14:03Eu falo, no meu caso, tô mostrando pra vocês, eu cozinho um talo de brócolis, um talo de acelga,
00:14:09eu faço um pão cetogênico maravilhoso com farinha de amêndoa, com psyllium,
00:14:13eu mostro a minha cozinha.
00:14:14Nossa, você vai ter que me passar tudo.
00:14:16Eu te passo, amiga, tudo você...
00:14:18E outra, é pra ser feliz.
00:14:21Cetogênica tem uma coisa boa.
00:14:23Não tem pesagem, não tem pouquinho.
00:14:28Se você quiser comer, sei lá, oito omeletes, um frango assado inteiro, farofa cetogênica,
00:14:33eu fui pra um churrasco que eles duvidaram, eu fiz, deixa eu levar a minha farofa pra vocês.
00:14:38Com ovo, com bacon, farinha de amêndoa, com cebola bonita, colorida, saborosa, farta.
00:14:46Mas, eu te falo, melhorou muito, muito o meu rendimento.
00:14:52Eu estreiei a peça cá entre nós em janeiro de 2024, usando um manequim 48.
00:15:00Após 180 dias dessa alimentação e treino, claro, tem que treinar, não tem como, amiguinha.
00:15:06Tem que...
00:15:07Aqui, construção de músculo, não tem como, amiga.
00:15:09Não tem como.
00:15:10Não tem como, para.
00:15:11Não, é que assim, muita gente fala de treinar para emagrecer, mas não é bem esse o negócio.
00:15:19É treinar pra ganhar músculo, é esse o...
00:15:21Construção de músculo, principalmente nós, moças, os rapazes também, mas tô dizendo,
00:15:27nós temos que ter tônus, prana, energia, vigor, core, forte.
00:15:33Entendeu?
00:15:35É assim, não é sobre a aparência, é sobre a performance.
00:15:40Exatamente.
00:15:41Dormir bem.
00:15:42Eu falo dormir bem, mas eu sou notífica, eu troco o dia pela noite.
00:15:46O meu nutrólogo tá de castigo, a joalhada no milho.
00:15:50Porque eu amo cozinhar à noite, eu cozinho de madrugada.
00:15:53Ah, é?
00:15:54É, cozinho de madrugada porque a casa tá mais tranquila,
00:15:56e aí o meu marido tem um horário muito cedo, ele acorda antes do galo.
00:16:03Eu acho que ele que acorda do galo.
00:16:03Ele acorda do galo.
00:16:06Cinco e meia, pra quê?
00:16:09Aí nós brincamos de feitiço de águila, um acorda, o outro vai dormir.
00:16:14Mas ele fala, às vezes eu tô lá dormindo, parece aquele desenho animado,
00:16:18fico sentindo um cheirinho gostoso.
00:16:20Eu falei, é a minha boa panela de pressão funcionando, meu bom forno, amo.
00:16:24E aí os meninos também tem horário escolar, né?
00:16:27Levantam às seis, enfim, pra pegar o ônibus, seis e meia.
00:16:31Quando eu chego em casa, treze e quarenta, sei lá, digamos por aí.
00:16:36Quinze pras duas, tal, comidinha bem feita, feita pela mãe.
00:16:42Tenho vontade sim, amiga.
00:16:43Às vezes eu dou uma suspirada, mas aí eu faço um saladão enorme,
00:16:48uma comida bonita, eu gosto de comer em pote.
00:16:51Ah, eu também.
00:16:52Hum, eu sou a rainha da cumbuca.
00:16:54Do bowl.
00:16:55Do bowl.
00:16:56Você sabe que agora tem aparelho de jantar que vem o bowl em vez de vir o prato fundo?
00:17:02Amei.
00:17:02Acabei de comprar um.
00:17:05Ela é das minhas.
00:17:06Eu sou do bowl.
00:17:08Eu também, amiga, eu sou da cumbuca, do pote de sorvete reciclável.
00:17:14A pessoa, não use plástico.
00:17:15Na minha casa tudo se recicla, amor.
00:17:17Na minha casa tem lixo reciclável, orgânico e reciclável.
00:17:22Meus filhos estão acostumados a reciclar.
00:17:24A escola deles também recicla.
00:17:27Nosso prédio também.
00:17:28E deixe meu pote em paz.
00:17:31E não mexa no meu pote.
00:17:32Dê um pote de requeijão, um pote de sorvete que ele vai servir ali pra acomodar uma salada,
00:17:39um feijão, uma...
00:17:41Ah, vida boa, vida simples.
00:17:43Você gosta da vida...
00:17:46Eu gosto da vida cotidiana, da vida simples, não gosto muito.
00:17:48Vamos, uma vocação pra ser pobre que você nem imagina.
00:17:51Então, eu fico pensando nisso porque assim...
00:17:53Suzy, você é uma estrela de novela.
00:17:55Uma estrela.
00:17:56É, Suzy.
00:17:57Mas dá, eu sou...
00:17:58Você é.
00:17:59Não, eu sou uma trabalhadora, eu sou uma servidora da arte cênica brasileira.
00:18:06Sou uma pioa, entendeu?
00:18:09Quem acredita que é a estrela...
00:18:11Não, tudo bem.
00:18:12Das grandes massas, grandes divas, grandes cantoras que atraem multidões, com certeza.
00:18:18Mas, amiguinha, saindo daqui eu passo no boteco, tomo uma gelada, pego meu metrô, vou pra casa,
00:18:23passo no mercado da chinesa, vou comprar o que falta e é isso.
00:18:28Nós vamos assistir alguma coisa boa ou ruim na TV, conversar com os meninos e ter uma vida...
00:18:34Assim, eu sou uma obreira da nossa arte cênica brasileira, do teatro.
00:18:41Mas eu tenho total noção de que eu sou apenas mais uma cidadã.
00:18:46Eu acredito é na rapaziada, entendeu?
00:18:49Então, o Gozaguinha tava certo.
00:18:50É isso.
00:18:51Você também, né?
00:18:53Você vem, você se prepara, você se arruma, você pesquisa, você estuda, você entrevista,
00:18:58você trabalha junto a sua técnica, a sua equipe, junto aqui ao antagonista,
00:19:03e divulga a arte, educação, lazer, diversão, entendeu?
00:19:11Então, assim, eu tenho total noção de que, assim, tudo bem, eu posso ser até conhecida,
00:19:17posso ser até televisiva, tô numa reprise de novela que passa agora à tarde,
00:19:22mais estrela se for da vida, porque eu vim pra brilhar.
00:19:30Mas, olha, teve uma coisa...
00:19:32Mas, glamurosa?
00:19:34Eu acho que tem uma coisa...
00:19:35Da pandemia, no começo da pandemia, teve uma época que você tava em cinco novelas.
00:19:40Seis.
00:19:41Seis reprises.
00:19:41Você bateu o recorde, você tava em seis ao mesmo tempo.
00:19:44É, em canais diferentes.
00:19:46É.
00:19:47Foi muito legal.
00:19:48Mas, então, alguns eu recebi, outros não, porque são canais de reprises.
00:19:54Aí fala, nossa, ela deve tá rica.
00:19:56Não.
00:19:56Alguns canais específicos de TV a cabo, não tem repasse.
00:20:02Você, não, não recebe.
00:20:04Simplesmente põe lá novela inteira e nada?
00:20:07É, mas isso também tem a ver, né, com...
00:20:09No tempo que nós assinamos um contrato que rezava sim, e temos também.
00:20:14Mas, temos caminhado, tá?
00:20:15Temos caminhado.
00:20:16É a Interartes Brasil, que fala em nome dos co-criadores, que somos nós.
00:20:21Alguns avanços já conseguimos e seguimos em frente em busca desse reconhecimento.
00:20:29E, lógico, né?
00:20:30Um trabalho que você fez e que tá sendo exposto pra milhares de pessoas.
00:20:34Você tem direito, né?
00:20:37Mas isso também é uma trajetória, uma jornada que é de formiguinha também.
00:20:42Mas eu sempre tenho muita fé.
00:20:44Eu também.
00:20:45Eba!
00:20:46Eu sou de fé.
00:20:47Eu sou.
00:20:47Eu sempre...
00:20:48Eu rezo primeiro.
00:20:50Eu chamo primeiro o padre, depois o advogado.
00:20:54Eu não tenho uma religião específica, eu sou espiritualista, mas eu creio.
00:21:00Eu creio em dias melhores.
00:21:02Eu creio nas grandes fortunas da vida.
00:21:06Sei lá, eu sou uma pessoa...
00:21:08Minha irmã que fala que eu sou muito chata.
00:21:10Você é muito chata, viu?
00:21:11Você tem felicidade tóxica.
00:21:12A minha irmã fala.
00:21:14A minha irmã mora na Inglaterra e ela é uma ranzinza, raiz.
00:21:18Se encontrou, né?
00:21:19Na Inglaterra.
00:21:20Se encontrou.
00:21:21Super.
00:21:21Ali, ó.
00:21:22Super.
00:21:23E ela fala, não me console.
00:21:24Eu vou contar uma coisa pra você, mas não me console.
00:21:27Eu quero reclamar.
00:21:28Eu falo...
00:21:29Pois é, reclamar é clamar novamente a mesma situação chata.
00:21:36Boa, hein?
00:21:38Reclamar.
00:21:39E nós falamos isso na peça também.
00:21:41Falamos sobre o etarismo.
00:21:42Falamos sobre as diferentes personalidades.
00:21:46Falamos sobre as músicas de época.
00:21:49Nossa, maravilha.
00:21:51Nós temos The Fever.
00:21:54E temos Rich.
00:21:57E temos...
00:21:58Oh, meu Deus.
00:21:59Barry Manilow cantando Lola.
00:22:01Que é a Lola.
00:22:02Lola que morreu.
00:22:03Da peça que morreu.
00:22:05A gente brincava que a música era pra ela.
00:22:07Então, assim, tem momentos muito saborosos.
00:22:10E eu te falo, eu agradeço demais.
00:22:12Nós ficamos de janeiro de 2024 até novembro.
00:22:15A peça ficaria um mês e meio.
00:22:17Ficamos onze meses.
00:22:20E o público...
00:22:21É.
00:22:21E aí, depois de umas conversas, eu fiz uma temporada de sete meses a pouco tempo com o Cássio Gabos Mendes.
00:22:27Uma ideia genial, que era um Vaudeville maravilhoso, com Ari França, Zé Zé Barbosa e direção do Alexandre Reinec.
00:22:32E aí, essa temporada finalizou.
00:22:38Talvez possa voltar, mas enfim.
00:22:40E numa conversa com a Cristiana, com o Martini.
00:22:43Por que que não volta com a nossa peça?
00:22:47Estamos de volta.
00:22:48Ah!
00:22:49Foi nisso.
00:22:50Foi nessa.
00:22:50Foi nessa, assim, de eu acho que vou fazer isso, eu acho que vou...
00:22:53Ah, tem uma proposta de substituir tal atriz em tal peça.
00:22:59Ah, vamos voltar com a nossa?
00:23:01Vamos.
00:23:02E são três malucos, né?
00:23:04Nós somos produtores associados e é isso.
00:23:07É arregaçar as mangas e ter a honra de vir nessa conversa maravilhosa para milhares de pessoas que vocês alcançam e dar o nosso recado e falar que nós estamos em cartaz de sexta a domingo no Teatro União Cultural.
00:23:26Posso falar tudo?
00:23:27Pode, pode.
00:23:28No Teatro União Cultural.
00:23:30Ele fica no bairro do Paraíso, tá?
00:23:33Com toda a acessibilidade.
00:23:34Ônibus, metrô, estação metrô, brigadeiro, que é a que eu pego.
00:23:38Rua Mário Amaral, 209.
00:23:42E nós conseguimos uma coisa muito legal para o nosso público, que tem um valet na porta do teatro.
00:23:48E o Marcos, que é um querido, é um querido do valet, ele consegue fazer para o nosso público a 30 reais do horário.
00:23:55No momento que você chega no teatro, tem uma cafeteria muito legal da Ana e do Manuel, tem um lanche, pode pegar um, sei lá, um lanche, um café expresso, um vinho, uma cerveja, um bombom, esperar ali o nosso espetáculo.
00:24:08E depois o seu carrinho vai estar na porta, entendeu?
00:24:11E nós temos as melhores plataformas, né, de tiqueteria que é Simpla, Sampa Ingressos, que sempre tem promoção.
00:24:21Ou na bilheteria do teatro, uma hora e meia antes do espetáculo, com a Vanessinha.
00:24:25E são 269 lugares, então sexta é às 21, no sábado é às 20, no domingo às 19.
00:24:33Saiu dali, cedinho, uma hora.
00:24:36Quando nós estamos mais azeitados, vai uma horinha, mais uma hora e dez, com muitas gargalhadas e muitos aplausos em cena aberta.
00:24:43Depois você desce ali, vai na pizzaria do meu amigo ali na esquina.
00:24:47Eu não como a pizza, mas eu como o queijo.
00:24:49E pega a cerveja.
00:24:51Não, mentira!
00:24:51Você tira o queijo e come?
00:24:53Sim, mas eu como o queijo, frios, quer dizer, eu nem como, assim, por opção, não como tantos embutidos.
00:25:00Mas eu não deixo de ir para uma pizza com um amigo, com os amigos, não deixo.
00:25:04Turma, me dá as azeitonas?
00:25:06Eu como as azeitonas.
00:25:08O queijo?
00:25:08Ou, se o pessoal quiser também, na outra esquina tem um outro apoiador nosso, que é a Gêmeo,
00:25:13que é uma padaria deslumbrante.
00:25:16Não é padaria, não sei qual é o nome.
00:25:17Não, é um negócio, eu conheço.
00:25:19É, deslumbrante.
00:25:20Então, assim, toda uma experiência, uma experiência inteira ali na região do Paraíso.
00:25:26E podem me convidar, vocês pagam minha breja, eu vou tomar uma breja com vocês, a louca.
00:25:30Vocês três vêm da TV, da TV Altíssima Exposição.
00:25:39Você é dos maiores sucessos de novela, quando novela era novela.
00:25:43Porque acho que a gente fala novela hoje, para o jovem, eles não têm noção do que era uma novela de sucesso.
00:25:52Entendi.
00:25:52Eles não têm noção, porque você fala novela, eles acham que a novela não é, era outro mundo.
00:26:00Então, era novela de Altíssima Exposição e o Martini no Chico Anísio Show, que também não adianta tentar falar para eles,
00:26:08porque eles vão falando assim, não, mas era que nem o show de humor do fulano, não, as pessoas não têm noção do que era aquilo.
00:26:14É, porque a televisão sempre foi aquele elo de união da família.
00:26:20Isso.
00:26:21Então, eu lembro, por exemplo, meu pai, Velho Lobo do Mar, Max Rego, meu pai está com 88 anos.
00:26:29Meu pai é da reserva da Marinha e meu pai tinha uma coisa que era, escute, ele é nordestino, escute, porque era o Jornal Nacional.
00:26:37Então, aquele momento não era para ficar conversando, gritando, criança rindo, cantando, porque era...
00:26:46E aí, eu me habituei, eu me habituei, eu, meu irmão, minha irmã, minha mãe, ao Jornal Nacional, porque aquilo assim, era...
00:26:54Meu Deus, isso é muito importante.
00:26:58Aí, depois, vinha a novela.
00:27:00A novela também, algumas eles deixavam, outras não, por causa da faixa etária, uma coisa assim, né?
00:27:04Às vezes, era uma temática um pouquinho mais picante, não sei, mas enfim.
00:27:09Mas, pelo menos, a novela das seis ou das sete, nós assistíamos juntos, né?
00:27:14É, a das oito dependia da novela, podia ou não, né?
00:27:17É, dependia.
00:27:18E era isso, era esse aglutinador das famílias.
00:27:23As famílias estariam, na vizinhança, assistindo às novelas.
00:27:28As novelas das seis, muitas vezes, de época, grandes produções, como até hoje tem.
00:27:32E a das sete, com mais humor.
00:27:35Sim!
00:27:36A Silvia de Abreu, né?
00:27:38Com as modas, as modas!
00:27:40Mas a novela das sete, é que era assim, o nível, lembra Cabalache?
00:27:44Como é lógico, meu Deus do céu!
00:27:46Era outro nível, era um humor outro nível.
00:27:50Os textos também.
00:27:51É, então era exatamente aproximando muito da identificação da sociedade.
00:27:57Sim!
00:27:57Classe média, ou classe, sei lá, menos favorecida, digamos assim, não quero ser ofensiva de
00:28:05jeito nenhum, ou exatamente tirando o humor das adversidades, né?
00:28:12E sempre a questão de alta sociedade, ou quem era Cabalacheiro.
00:28:17Sim!
00:28:18Mequetrefe, Trambiqueiro, então tinha muito essa coisa, eu acho que encantava muito sobre
00:28:26o cidadão comum, a cidadã comum, o trabalhador brasileiro, né?
00:28:32Quem é que sustenta, quem é o PIB dessa nação, não é isso?
00:28:37Eu até citei Gonzaguinho há pouco tempo, que era isso mesmo, né?
00:28:40Acredita na rapaziada, né?
00:28:42E acho que a novela trazia muito isso com, lógico, com promessas, com romances, e com
00:28:50aquele nosso sonho de um final feliz, que eu acredito que seja isso.
00:28:53Mesmo que seja simplório, eu sou, eu sou, eu sou cafona, eu sou tacanha, eu sou.
00:28:59Eu gosto de final feliz, eu sou uma pessoa muito grata à vida sempre.
00:29:05Às vezes eu tô lavando um turbilhão, assim, uma montanha de louça, e aí a minha
00:29:11questão polianesca, o meu lado fala assim, eu só tenho que agradecer porque eu tenho
00:29:17água, porque se eu tô lavando tudo isso é porque tem alimento.
00:29:21Olha, eu sou...
00:29:23Agora, você raciocina, assim, tendo vivido uma boa parte da sua vida na altíssima exposição
00:29:32do seu trabalho, tá ali, porque o trabalho de novela era altíssima exposição, exaustivo.
00:29:41É hercúleo, é um trabalho hercúleo.
00:29:44É uma coisa que metalmente, cognitivamente, porque o tanto de texto que tem...
00:29:50Você disse tudo.
00:29:50E aí depende do autor também, porque tem autores que te entrega no seu tempo de decorar,
00:29:56tem autor que não te entrega no seu tempo de decorar e você tem que fazer, principalmente
00:29:59com o protagonista, com o personagem.
00:30:01Isso.
00:30:02Como que você lidou com isso sem sucumbir àquilo de, ah, eu sou demais?
00:30:10Porque nós somos trabalhadores incansáveis, todos nós, né?
00:30:14Quando você vê uma cena bonita, pode tranquilamente ficar ciente de que tem 100 profissionais envolvidos.
00:30:24Pelo menos.
00:30:27Às vezes uma cena de um carro parando na frente de uma loja.
00:30:33Você pode saber que o número de profissionais comprometidos naquilo é imenso.
00:30:39Então não dá pra ter essa vaidade.
00:30:43Mas tem gente que tem.
00:30:44Mas aí é...
00:30:45Então, são pessoas equivocadas, né, minha amiga?
00:30:47Porque pra eu passar numa catraca de um estúdio, eu preciso honrar todos os profissionais.
00:30:55Exatamente.
00:30:56Todos.
00:30:58Porque às vezes um câmera, ele tá ali, eu vou fazer, digamos, hoje, cinco cenas.
00:31:03Tem troca de roupa, você sabe disso, você vive isso.
00:31:07Sim.
00:31:08Troca de roupa, troca de acessório, troca de emoção, porque às vezes é uma cena mais tranquila,
00:31:12e às vezes é uma cena de mais emoção, ou de uma cena de briga, o que quer que seja.
00:31:18Agora, tem um profissional lá que ele fica ali 12 horas de pé, captando a nossa imagem.
00:31:25Um outro que carrega uns cabos pesadíssimos.
00:31:29Uma outra que faz a manutenção e a limpeza de tudo aquilo, de todos os toaletes, de todo
00:31:35o estúdio.
00:31:36Tem um que trabalha na preparação dos alimentos que serão usados em cena.
00:31:39Então, Madá, eu tenho um respeito, uma consideração.
00:31:45Até meu marido brinca comigo, você nunca foi elenco, Suzy, você sempre foi técnica.
00:31:50Porque eu amo a técnica, amor.
00:31:52Acabou, nós vamos beber latão no posto.
00:31:55E nós vamos conversar sobre coisas iluminadas, coisas que engrandecem.
00:31:59São meus mestres.
00:32:00Eu sempre tive mestres na área técnica da televisão.
00:32:06Porque eu entrei de publicidade, eu vim de propaganda de absorvente, incomodada, ficava
00:32:11sua avó.
00:32:12Eu acho que...
00:32:13A Júlia conhece essa propaganda, incomodada, ficava sua avó?
00:32:17Júlia não conhece.
00:32:19Não, porque como é que ela conheceria se isso tem o quê?
00:32:22Ai, vamos recuperar e localizar.
00:32:26O incomodada ficava sua avó, é o seguinte, gente.
00:32:28Vai mandar a conta.
00:32:29Quando a gente ficou menstruada, mulher não ficava menstruada, não se falava menstruada,
00:32:33não se falava menstruação em público nunca, jamais, em nenhuma hipótese.
00:32:38Com um médico tinha gente, tinha vergonha.
00:32:41Então, falava que fulano estava incomodada.
00:32:44Pelos incômodos que o ciclo poderia causar para algumas.
00:32:48Cólica, mal-estar, desânimo, vergonha.
00:32:54Às vezes, para falar que alguém estava menstruado, isso eu lembro, minha avó, minha bisavó,
00:32:59para falar que fulano ficou menstruado, falava, não, fulano não vai na piscina hoje que
00:33:03está incomodada.
00:33:04Isso.
00:33:05E aí se usava a palavra incomodada.
00:33:08Incomodada, era uma forma elegante de falar que nós estávamos naqueles dias.
00:33:14Incomodada ficava sua avó.
00:33:15Ah, ficava, ficava úmida, insegura, menstruação era um desconforto.
00:33:22Aí veio a nossa geração, independente, moderna, mas que também ficava incomodada do mesmo
00:33:27jeitinho.
00:33:29Só que para a sorte nossa, ficava.
00:33:31Agora a gente tem Tampax.
00:33:33Tampax é o único absorvente interno que vem com o aplicador, que coloca o absorvente
00:33:38no lugar certinho.
00:33:40Um segundo e adeus, umidade.
00:33:42Você nem sente que está menstruado.
00:33:44Tampax.
00:33:45Incomodada ficava sua avó, minha avó.
00:33:49A gente nunca mais Tampax.
00:33:54É, e depois surgiu naqueles dias.
00:33:56E o lançamento do absorvente interno com aplicador no Brasil, que foi lançado lá nos anos
00:34:0980, era isso.
00:34:11Era dizer, incomodada ficava sua avó.
00:34:15Hoje existe um produto que...
00:34:18E mostrava, mostrava como era...
00:34:21Eu lembro.
00:34:22E isso foi uma revolução.
00:34:24Eu fiz teste com 500 meninas.
00:34:30São Paulo e Rio.
00:34:32E eu falo que a minha fada padrinho, ou fado madrinha, é o grande maquiador ilustríssimo
00:34:39também há 40 anos, maquiadora inclusive da Gisele Bündchen, Lili Ferraz, Pernambucano...
00:34:46Gente, Lili Ferraz, que aliás, quem não sabe dessa história?
00:34:51As bundas mais lindas das mulheres nos comerciais dos anos 80 e 90.
00:34:58Era Lili.
00:34:59É tudo bunda do Lili Ferraz.
00:35:01E sim, e sim mesmo.
00:35:03Sim, era unha bunda, uma coisa...
00:35:06Aquele bumbum perfeitíssimo e dublê, dublê de...
00:35:12Quando na cidade tinha outdoor, de anúncio de lingerie...
00:35:16Biquíni, lembra aqueles anúncios de biquíni que era moda?
00:35:19Meio na água, meia de fora.
00:35:22Era um brega.
00:35:23Eu amo Lili Ferraz, te amo Lili, te amo.
00:35:26E ele até hoje tá aí arrasando na maquiagem, entrou também na era da rede social, maravilhoso, apaixonado.
00:35:34Ah, eu também, meu, assim, amigo, amigo, amigo de longa data.
00:35:38Tô falando sobre amizade, falando sobre caia entre nós.
00:35:41Amigo que discorda, amigo que, como diz em Pernambuco, se arreta um com o outro, se irrita.
00:35:47Amigo que, de vez em quando, fica muito tempo afastado.
00:35:51Eu amo uma saudade de Lili, mas eu tô dizendo, eu mesma também, eu sei que eu tenho os meus compromissos da peça, os meus pessoais, algumas preguiças.
00:36:05Não é, Madá?
00:36:06Ah, eu tenho também.
00:36:07Madá.
00:36:08Olha, depois, eu fui muito roeira.
00:36:11Muito roeira.
00:36:13Até os 30 anos, eu praticamente não dormi em casa.
00:36:19Aí, inventaram o celular que filma, desgraçaram a minha vida.
00:36:22Ai, meu Deus.
00:36:26Não é?
00:36:27Depois do celular que filma...
00:36:29Ah, dane-se, vou jogar carteado com as minhas tiras mesmo.
00:36:33Não é, vou na rua pra quê? Pra arrumar problema?
00:36:35Ai, Madá.
00:36:37E seu técnico do som vai brigar comigo, que eu tô cheia de colar, fazendo barulho.
00:36:41Você me perdoa, amigo?
00:36:43Magal.
00:36:43Magal.
00:36:44Magal perdoa nós.
00:36:45Perdoa.
00:36:45Ela já falou que perdoa nós.
00:36:46Ai, meu Deus do céu, batendo aqui, ó, batendo.
00:36:48Mas, assim, hoje em dia, pra me tirar de casa...
00:36:53Ai...
00:36:54Principalmente pra sair à noite, depois das nove da noite, dez da noite.
00:36:59Eu ficava pensando...
00:37:00Eu ia numas festas que começavam duas da manhã.
00:37:03Claro.
00:37:04Tranquilamente.
00:37:05Era assim, né?
00:37:06Era assim, não era?
00:37:07A festa começava às duas.
00:37:08Hoje, se alguém me chamar, não vai ter...
00:37:11Nunca!
00:37:11Mas, nunca!
00:37:12Nem vou cogitar sair duas da manhã da minha casa.
00:37:15Eu preciso agradecer, na minha vida, na minha existência, o Fernando, meu marido, porque
00:37:21ele é um prestigiador.
00:37:23Amante da arte, lógico, é ator também, professor de mímica, de comédia da arte, de clown.
00:37:28Sim, que é outro...
00:37:29Outro divisor de águas da minha vida.
00:37:31Mas o Fernando, ele frequenta teatro.
00:37:34Ele vai aplaudir os amigos e, graças a Deus, muitas vezes ele me arrasta.
00:37:40Porque eu digo, eu já trabalho no teatro, na folga, eu tenho que ir pro teatro?
00:37:45Eu quero ir pro boteco.
00:37:48Eu quero falar bobagem.
00:37:51Eu quero...
00:37:52Sabe?
00:37:52Porque, assim, você sabe disso.
00:37:55O nosso voo, nosso voo de cruzeiro, é sempre com muita pressão, é sempre com muita...
00:38:01Com muito deadline, com muita data, com muita entrega, com muita demanda nesse terreiro de macomba.
00:38:07Não é?
00:38:08É sempre a mídia.
00:38:10Tudo que envolve mídia.
00:38:13E é isso, porque, assim, é o que você faz, e não faz só aqui, e não faz só isso, e não faz só esse.
00:38:19Faz vários.
00:38:21E é o que eu também faço.
00:38:22Então, assim, são várias personas.
00:38:25Mas eu agradeço.
00:38:26Eu agradeço ao Fernando.
00:38:27Eu falo, ai, que bom, porque eu vou falar, vim falar, lógico, da nossa peça cá, entre nós.
00:38:32É claro, vocês, um espaço desse maravilhoso.
00:38:35Agora, eu fico muito feliz com as minhas amigas contemporâneas.
00:38:38André Beltrão, fazendo Lei de Tempestade na FAAP.
00:38:41É imperdível.
00:38:43É imperdível.
00:38:44Ela é sexigenária também.
00:38:47E Mara Carvalho, no espaço dela, que é o Espaço Ibérico, na Vila Mariana.
00:38:52Ela fazendo gala.
00:38:54Gala dali.
00:38:56Elas são hecatombes.
00:38:59Elas são dínamos.
00:39:00E outra minha amiga maravilhosa, Clara Carvalho, no auge dos seus 70 anos, fazendo A Médica, no auditório do MASP.
00:39:08Que é um colosso.
00:39:10E aí eu te falo, fui arrastada pelo Fernando.
00:39:14Faça a sua lição de casa.
00:39:16Prestigie seus colegas, né?
00:39:19Prestigie.
00:39:20Aprenda.
00:39:21Haja com humildade.
00:39:23Vá assistir e vá aplaudir alguém.
00:39:26Absorva.
00:39:27E eu falo, ai, que benção.
00:39:28Mas várias vezes ele vai.
00:39:30Ele vai e eu fico com os meninos.
00:39:31Vou ficar com as crianças.
00:39:33Imagina.
00:39:33Que já tem 16.
00:39:34Eu também, eu dou essa desculpa.
00:39:36Não, meu filho, não tem quem fique com ele.
00:39:39Só falta dirigir, né?
00:39:41Mas isso que você tá falando das mulheres na arte, como é que é a questão da idade?
00:39:48Porque a gente vê, eu vejo em alguns papéis que tipo, a mãe e o filho têm a mesma idade.
00:39:56É.
00:39:57A mulher sendo colocada, ela é colocada como a mãe, como não sei o quê.
00:40:01Olha, pra te falar, eu fui, eu sempre fui muito de escrever, de bastidores, de tudo.
00:40:07Mas chega um momento em que ficou inevitável pra qualquer profissional não fazer vídeo.
00:40:12Tá.
00:40:12Aí fui obrigada.
00:40:14Que bom.
00:40:14Não gostava.
00:40:15Obrigada.
00:40:16Agradeço.
00:40:16Eu não gostava disso de vídeo.
00:40:19Mas aí, não, eu morria de vergonha.
00:40:22Eu era aquela intelectual.
00:40:24Que bênção que isso mudou.
00:40:26Só escrevia.
00:40:28Aí o Newton Travesso.
00:40:29Adoro.
00:40:29Mas é que também o Newton Travesso pega uma pedra e põe pedra e vai dar certo.
00:40:33Se a pedra tiver talento, amiga.
00:40:35É verdade.
00:40:37Isso é verdade.
00:40:37Isso é verdade.
00:40:38Aí ele me convenceu.
00:40:40Boa.
00:40:41Que eu podia fazer isso.
00:40:43E aconteceu um fenômeno muito curioso, que assim,
00:40:45eu tinha uns 33, 34 anos, eu estava apresentando um programa, os primeiros de vídeo na Jovem Pan.
00:40:53O que chegava de coisa me chamando de velha.
00:40:57E eu falava, gente.
00:40:58E assim, eu apresentava, era às vezes eu e um cara 20 anos mais velho que eu.
00:41:03E pra ele não chegava.
00:41:05Mas é...
00:41:06Tem uma percepção diferente de idade de homem.
00:41:08Eu não consigo entender isso aí muito direito.
00:41:11Eu acho assim, na verdade é bem raso.
00:41:14É bem bobo.
00:41:15Porque até na peça eu falo isso.
00:41:18O Rafael Gama deixou eu colocar algumas coisas.
00:41:21Aliás, como uma deferência.
00:41:22Suzy, pelo amor de Deus, você tem 40 anos de profissão.
00:41:25Você defende essa personagem.
00:41:26É claro que você pode colocar algo da sua vivência, da sua experiência de vida.
00:41:31Por favor, isso só engrandece o que já é bacana, o texto dele.
00:41:36E a minha personagem fala isso.
00:41:39Que ela anda bastante...
00:41:41Ela usa uma antipatia.
00:41:44Antipatia que é uma fala da minha maravilhosa amiga, que eu chamo de minha noiva Yara de Novaes.
00:41:49Que é a diretora lá da Lei de Tempestade.
00:41:52E de outras tantas peças.
00:41:54Prima Faci.
00:41:55Ela é um gênio.
00:41:55Uma gênia mineira.
00:41:57Genial.
00:41:57Vencedora de prêmios.
00:41:59Maravilhosa.
00:41:59E eu falo, eu ando com uma antipatia com essa conversa.
00:42:03Velho é ruim?
00:42:04Velho é decrépito?
00:42:06Velho é inútil?
00:42:07Velho é descartável?
00:42:09Velho é obsoleto?
00:42:11Nós temos que respeitar.
00:42:12Aí uso também uma outra piada de um outro amigo meu.
00:42:15Tem que respeitar quem chegou antes, quando era tudo mato.
00:42:19Exatamente.
00:42:20Né?
00:42:21Exatamente.
00:42:21E as sociedades mais avançadas que a gente tem,
00:42:26são sociedades que têm respeito pela experiência.
00:42:29Você vê, sociedades orientais.
00:42:31Eu falo isso também.
00:42:34No Japão, o professor é mais valioso que o rei,
00:42:38porque até o rei precisa de um professor.
00:42:41Exato.
00:42:42Então você vê.
00:42:43E é isso.
00:42:44É a experiência, a sabedoria.
00:42:47E sempre será assim.
00:42:49Mas você sabe, né?
00:42:50Um país machista, misógino, amedrontado, porque nós somos potências.
00:43:00Eu acho que tem um incômodo.
00:43:02Claro.
00:43:02Uma mulher forte no espaço público.
00:43:07Por quê?
00:43:07Porque nós somos...
00:43:08Desculpe.
00:43:09Não, eu acho que é assim, porque só o macho alfa consegue lidar os betas,
00:43:13então tudo em curto circuito.
00:43:14Querida, e é assim, nós somos grandes dínamos.
00:43:21Sim.
00:43:21Fazemos tudo de salto alto.
00:43:25Belíssimas.
00:43:26De delineador, que o seu tá lindo.
00:43:28Eu não passei o meu hoje.
00:43:30O seu tá lindo.
00:43:31Obrigada.
00:43:31Uma pele maravilhosa.
00:43:33Bacana, bonita, cheirosa, poderosa, inteligente, safa, resoluta.
00:43:38Sabe?
00:43:40Então eu acho que é isso, sim.
00:43:41É isso.
00:43:43Veja, temos parceiros fantásticos.
00:43:46Temos homens.
00:43:48Eu tô falando, temos pessoas gigantes, né?
00:43:53Amplas, abertas, unidas.
00:43:56Mas temos também muita inveja.
00:44:00Tem.
00:44:01Isso de...
00:44:02Eu acho que a mulher, quando tá em destaque,
00:44:06eu acho que tem muita coisa de...
00:44:08Não é que quer ter um destaque igual ao seu.
00:44:11Não, não.
00:44:11É que não...
00:44:12Você não tenha.
00:44:13É precisamente.
00:44:14Eu não consigo entender isso.
00:44:16Então, mas aí é uma pobreza, né?
00:44:18Nós vamos fazer o quê?
00:44:19Nós vamos emanar luz pra esses seres equivocados.
00:44:23Vamos emanar luz.
00:44:25Luz.
00:44:25Que você tenha muita luz.
00:44:27Que você tenha muita grandeza, muita evolução, aprendizado.
00:44:34Porque, sinceramente, eu posso não conseguir mudar.
00:44:38Este comportamento, esta atitude.
00:44:41Mas eu posso mudar a maneira como eu reajo a isso.
00:44:44Óbvio.
00:44:44Eu vou te falar uma coisa agora.
00:44:45Vindo pra cá, eu gosto muito de transporte público.
00:44:50Eu vim de metrô e eu estou na saída.
00:44:53As portas abriram e tinha adolescentes entrando.
00:44:56Eu falei...
00:44:57Com licença.
00:44:59Com licença.
00:45:01Eu preciso sair antes.
00:45:04Com licença.
00:45:04Com essa voz de trovão.
00:45:07Até arrepiou os cabelos das meninas.
00:45:08Elas deram uma ré.
00:45:09Muito obrigada.
00:45:11Isso aí.
00:45:12Porque é assim.
00:45:14Nós somos educadores.
00:45:15Sem agressividade.
00:45:18Exato.
00:45:19Firmeza.
00:45:21Austeridade.
00:45:21É que o meu mestre de yoga prema, ele fala.
00:45:25Não, não.
00:45:25Jamais agressivo.
00:45:27Austero.
00:45:28Isso que você está falando...
00:45:29Agora eu já fiz todo um encadeamento.
00:45:31Você é filha de militar.
00:45:33É.
00:45:33Da reserva.
00:45:34É.
00:45:35Mas é cabeça de militar na reserva ou fora.
00:45:37É aquela cabeça.
00:45:38Virginiano, nordestino, minha filha.
00:45:40O que é que tu quer?
00:45:40Tudo.
00:45:42Mas sabe que uma vez eu estava conversando com um amigo meu, que é coronel da polícia daqui.
00:45:48E ele falou para mim sobre criação de filhos.
00:45:51Isso que você está falando.
00:45:52Ele falou assim.
00:45:53Enquanto você se impõe pela força, você está construindo uma liderança transitória
00:46:00que será deposta assim que o outro tiver mais força.
00:46:04E isso sempre acontece no mundo, porque as forças oscilam.
00:46:06Você ter a firmeza é o que modifica o mundo.
00:46:13Claro.
00:46:13A firmeza e a persistência.
00:46:15Sim.
00:46:15Mas hoje a gente está num mundo...
00:46:16Você não acha que a gente está num mundo de gente que grita muito?
00:46:19É.
00:46:19Na minha casa é inadmissível.
00:46:21Na minha também não.
00:46:22Mas é inegociável.
00:46:24Na minha casa não tem grito, não tem bateção de porta.
00:46:28E outra.
00:46:29Nós sempre conversamos.
00:46:31É natural se frustrar.
00:46:35É natural ficar triste.
00:46:39É natural.
00:46:40É natural se arrepender.
00:46:45É natural ficar bronquiado, ficar chateado, contrariado.
00:46:50É natural ter raiva.
00:46:53Agora, não ser raivoso.
00:46:55Não ser infeliz.
00:46:57Não ser deprimido.
00:46:59A minha casa é assim, eles até quando eu saio, eles falam, ai que paz, meu Deus do céu,
00:47:03meu Deus do céu, que essa mulher é muito ruidosa.
00:47:05Não, tem que ter música, tem que ter dança.
00:47:09Eu gargalho forte, alto.
00:47:13Eu clamo a alegria.
00:47:15Porque a força contrária, ela é muito potente também.
00:47:18Exato.
00:47:21Exato.
00:47:21Eu boto em canal de videoclipe dos anos 80, pra dançar.
00:47:26Mas eu também muitas vezes silencio e respeito o momento deles.
00:47:29Nós temos uma regra lá.
00:47:32Ninguém, nenhum de nós, nenhum de nós, nem de brincadeira, Amadá, falamos palavrão com outro.
00:47:38Você é isso ou você é aquilo?
00:47:40Vai pra lá?
00:47:41Não, não, não.
00:47:42Tá bravo.
00:47:43Quer conversar comigo?
00:47:44Ou não quer conversar?
00:47:45O respeito.
00:47:47Quer falar ou quer escrever?
00:47:48Que ficou chateado porque talvez eu tenha pisado na bola de alguma maneira?
00:47:53Ou eu esqueci de alguma coisa?
00:47:56Ou a forma como eu falei pareceu um pouco áspera demais?
00:48:01Tá tudo bem.
00:48:02Nós temos esse...
00:48:03Nós temos, olha, nós temos essa liberdade.
00:48:08Às vezes o Fernando quer o espacinho dele, ele quer ler o livro dele.
00:48:12Então tá.
00:48:13Às vezes eu quero botar uma música alta e dançar.
00:48:17E às vezes os meninos também gostariam que eu falasse um pouco mais baixo no celular.
00:48:22Mas eu acho que isso pode ser mais simples.
00:48:28Eu jamais acumulo.
00:48:30Me deu raivinha aqui, vou guardar.
00:48:31Não, eu também não.
00:48:32Eu já resolvo na hora.
00:48:34Mas em casa a gente faz isso.
00:48:36Você sabe que é muito curioso que eu postei...
00:48:38Outro dia eu postei, tinha um corte podcast que o cara tava falando de relacionamentos comigo.
00:48:43Eu falei pra ele, olha, relacionamento, se uma pessoa bateu na outra, aquilo acabou.
00:48:47Não, inconcebível.
00:48:49Mas antes disso, na minha visão, se uma pessoa xinga a outra, não tô falando nem...
00:48:58Às vezes tem pessoa que é... que fica remoendo xingamento.
00:49:01Ai, a vida é isso, ai, não sei o que.
00:49:03Mas xingamento direcionado.
00:49:05Você é isso, você é aquilo.
00:49:08Pra mim também acabou.
00:49:09Eu não sei me relacionar assim.
00:49:11Gritaria em casa.
00:49:12Não tem gritaria.
00:49:13Tá nervoso?
00:49:14Quando a gente tá chegando no limite...
00:49:16Não é?
00:49:17Dá 15 minutos aqui e a gente resolve.
00:49:20E tudo bem.
00:49:21Só que me deram pau danada depois.
00:49:24Apareceu gente defendendo a gritaria.
00:49:27Eu não consigo entender isso.
00:49:29Mas, Daya, é o seguinte.
00:49:30Nós somos energia pura.
00:49:32Sim.
00:49:33E energia contagia.
00:49:35Sim.
00:49:36Sim.
00:49:36Então, tem algum momento que, por exemplo, você com seu filhote de 14 anos...
00:49:41O que que foi, filho?
00:49:42Ah, foi lá na escola, entendeu?
00:49:44Tem uma pessoa que é assim, ou alguém que tá aqui, ou eu tô bravo porque eu sabia da prova,
00:49:50mas na hora eu travei...
00:49:53Olha que bacana.
00:49:55Já tem um acolhimento aí.
00:49:57Já tem...
00:49:58Sabe?
00:49:58Eu, às vezes, falo...
00:50:01É...
00:50:01Conta pra mim...
00:50:02Conta pra mim, assim...
00:50:04É...
00:50:05Um pouco de hoje...
00:50:06De você hoje, assim...
00:50:08Quem são seus melhores amigos?
00:50:11Aí tem uma...
00:50:12Uma coisa de querer ser só monossilábico.
00:50:17Aham.
00:50:18Legal.
00:50:19É.
00:50:20Como é que foi a festa?
00:50:21Boa.
00:50:22Ai, que ódio que eu tenho...
00:50:24Fala, não, não, quero saber desde o início.
00:50:27Quero tudinho aqui.
00:50:28Aí eu falo, ai, mãe...
00:50:30Eu falo, então conta só um pouquinho.
00:50:31Conta só um pouquinho.
00:50:33É...
00:50:34Tá, mas faz pergunta, então.
00:50:35Eu falo, não, elabora.
00:50:37Elabora, conversa, me conta.
00:50:39Quero o nome de todo mundo que tava.
00:50:41Sabe os sobrenomes?
00:50:43A mãe tá um pouquinho de preguiça.
00:50:44Então tá, só cinco minutinhos.
00:50:46E é engraçado que como é só cinco minutinhos eu vou me livrar dela...
00:50:50Eles vão falando.
00:50:51Vão falando.
00:50:52Mas é isso de exercitar o diálogo que eu tenho visto aqui.
00:50:55Mas precisa.
00:50:56Rede social, as pessoas estão num volume muito alto.
00:51:01Num desrespeito muito alto.
00:51:04Você que trabalha com a interpretação deve sentir isso.
00:51:08O...
00:51:08A modificação do significado das palavras.
00:51:11O uso de palavras com significado que elas não têm.
00:51:15Hipérboles.
00:51:16Hipérboles e adjetivos.
00:51:18Um festival de hipérboles e adjetivos.
00:51:20E as pessoas não percebem que elas estão se embrutecendo, emburrecendo com isso.
00:51:24Sim, sim, porque também...
00:51:27Até essa bronca até eu puxo pra mim também.
00:51:29Temos que ler mais.
00:51:31Exato.
00:51:31Temos que ler.
00:51:32Ler.
00:51:33Ver como se escreve uma palavra.
00:51:35Ver uma palavra diferente.
00:51:37pesquisar.
00:51:38Ah, que ótimo.
00:51:40Ah, cognitivo aqui.
00:51:41Olha que ótimo.
00:51:42Então é assim.
00:51:44E são exercícios.
00:51:47E na minha casa são mantras repetidos.
00:51:50Porque é assim.
00:51:52Eu...
00:51:53Nós estávamos falando do meu pai.
00:51:54Meu pai, um senhor que foi alfabetizado na Força Armada, na Marinha.
00:52:00Do interior do Rio Grande e do Norte.
00:52:03Mas um cara íntegro, trabalhador, né?
00:52:06Um nordestino.
00:52:08Sempre gostou das artes.
00:52:11Sempre gostou.
00:52:12Então quando eu, com três anos de idade, peguei a maquiagem da minha mãe e enrolei uma
00:52:17toalha pra me exibir na frente dele, ele fez, ó, vou fazer o seguinte.
00:52:22Me dê outra caixinha igual da minha mãe.
00:52:24Deixa da sua mãe pra não estragar.
00:52:26Aqui é a sua.
00:52:28Chegava a visita.
00:52:29Ele, Suzy, vai se apresentar desse escada como vedete.
00:52:33Então assim, existe também se vê, né?
00:52:35Você fala, não, você é um cidadão desse?
00:52:39Que é um cara chucro.
00:52:42Mas não.
00:52:43Tem um olhar.
00:52:44Tem um olhar abrangente sobre a arte.
00:52:47Eu não podia fazer balé porque não tinha como pagar a sapatilha, não tinha como
00:52:51pagar.
00:52:51Mas ele dizia, assista.
00:52:53Olha aqui, você que gosta tanto de música, do show.
00:52:58E dizia, essa vai ser artista.
00:53:00E dizia, nunca vai ser miss.
00:53:01Que vivia com os joelhos esfolados.
00:53:04Vivia com os joelhos esfolados.
00:53:05Mas isso foi quase.
00:53:07Você sabe a minha história clássica do meu pai.
00:53:09Posso contar essa pra fechar?
00:53:10Pode, claro.
00:53:11Essa em todos os lugares eu conto e é uma das favoritas da Cristiana Oliveira.
00:53:16Muito bem.
00:53:16O ano 1984, o concurso de Miss Brasil, Palácio das Convenções do IMB, apresentado pelo Silvio
00:53:24Santos.
00:53:2527 Misses do Brasil, representando os estados.
00:53:30Eu representando o Pernambuco, porque na época eu morava lá.
00:53:33Muito embora sou nascida no Rio, mas tenho cidadania paulistana.
00:53:37Tenho green card.
00:53:38Mas enfim, eu, moleca total, até hoje, mas não tinha conduta de Miss nada.
00:53:45E nós éramos, vivíamos nossas faixas dos estados.
00:53:48Então, eu era Pernambuco, você seria São Paulo.
00:53:51Não era nome, era o estado.
00:53:53No final, eu fiquei, meu Deus, eu tô entre as 10 melhores.
00:53:58E fiquei entre as 5.
00:53:59Eu falei, já tá ótimo.
00:54:01A minha pontuação foi ficando muito alta.
00:54:03Eu falei, não acredito que eu vou ganhar o Miss Brasil.
00:54:05Eu, vou ganhar o Miss Brasil.
00:54:07Eu fiz 99 pontos.
00:54:09A Miss São Paulo, Ana Elisa, fez 100 pontos.
00:54:12Quando chegou muito perto, aí eu me frustrei.
00:54:16Porque eu falei, dela eu ganharia.
00:54:19A minha candidata, a minha favorita era a Miss Rio de Janeiro, Valéria Freire.
00:54:24Belíssima.
00:54:25Ficou em terceiro, com 93 pontos.
00:54:28Mas ela era perfeita.
00:54:3090, 60, 90, olhos verdes, um cabelo.
00:54:33Era perfeito.
00:54:33Acho que foi mais a rivalidade Rio-São Paulo ali, 5 mil pessoas.
00:54:38Acho que os jurados ficaram, sabe, meio assim...
00:54:41É, não pode dar um troféu pra carioca aqui.
00:54:44Não vou dar, não vou dar.
00:54:45Vão voar cadeiras aqui.
00:54:47Mas enfim, muitas torcidas.
00:54:485 mil pessoas.
00:54:50E aí, eu comecei a chorar quando eu perdi por um ponto.
00:54:54Aí ali perto tinha um orelhão.
00:54:57E eu falei, vou ligar pro meu pai.
00:54:58Minha mãe tava, mas eu vou ligar pro meu pai.
00:55:00E o engraçado é que a...
00:55:02Ela é tão fofa, Ana Elisa.
00:55:05Pernambuco, não chora.
00:55:06Ó, eu nem queria ganhar.
00:55:08Aí eu, então por que participou?
00:55:11Muito criança, né?
00:55:13Muito criança.
00:55:14Aí eu fui ligar pro meu pai.
00:55:17Oi, pai.
00:55:18Oi, pai.
00:55:18Ô, minha filha.
00:55:20Oi, pai.
00:55:21É, eu perdi.
00:55:22Ah, filha.
00:55:23Mas ganhou a experiência.
00:55:25Ganhou, bacana, três semanas em São Paulo.
00:55:28Não, pai.
00:55:29Eu perdi por um ponto.
00:55:30Eu perdi por...
00:55:31Fiquei em segundo ali.
00:55:32Como é?
00:55:33É, papai.
00:55:35A minha São Paulo ganhou.
00:55:36Eu perdi por um ponto ali.
00:55:37Minha filha.
00:55:39Segundo lugar.
00:55:41Sim.
00:55:41Não.
00:55:43Dizer o que é.
00:55:44Dizer o que é.
00:55:46Pense numa vitória.
00:55:48Não, pai.
00:55:49Eu perdi.
00:55:49Não, mulher.
00:55:50Não, mulher.
00:55:51Segundo lugar.
00:55:52No Miss Brasil.
00:55:54Minha filha.
00:55:54Erga as mãos para os céus e agradeça.
00:55:58Segundo lugar.
00:55:59É uma vitória.
00:56:01Minha filha.
00:56:02Dizer o que é.
00:56:03Tu sempre fosse linda.
00:56:05De rosto.
00:56:07De corpo.
00:56:08Tu sempre fosse muito mal feitinha.
00:56:11Bonita é sua irmã.
00:56:13Então, agradeço.
00:56:17Obrigada, pai.
00:56:19Mulher, vá celebrar.
00:56:21Pelo amor de...
00:56:22Dizer o que é.
00:56:23Então, pai, obrigado.
00:56:24E assim...
00:56:26Tudo bem.
00:56:27Então, ótimo.
00:56:29Então...
00:56:29E ela...
00:56:30Pernambuco, para de chorar que nós vamos fazer a capa da manchete.
00:56:33E na capa da manchete eu estou com uma cara assim de...
00:56:35Bolacha Maria Mofada, sabe?
00:56:38Não acredito.
00:56:39Você ficou...
00:56:40Eu nunca pensei.
00:56:42Mas como é que você foi parar nesse negócio que eu nunca entendi?
00:56:44De Miss?
00:56:45É.
00:56:45Morávamos em Recife.
00:56:47E eu tinha uma academia de...
00:56:50Uma academia de dança na frente do meu prédio.
00:56:52Que eu fazia aula de jazz, tal.
00:56:54Conhecia todo mundo.
00:56:55Comecei a desfilar.
00:56:56Eu comecei a desfilar de forma...
00:56:59É...
00:57:00Amadora.
00:57:00Aos 13 anos de idade, em troca de uma roupa, tal.
00:57:03Então, quando nós mudamos para o Recife, eu tinha 16.
00:57:06Eu comecei...
00:57:08Eu quis ajudar a minha mãe e fui trabalhar numa loja de esportes.
00:57:12Porque a minha mãe fazia tudo em casa.
00:57:14E eu falei...
00:57:14Não, eu vou pagar uma auxiliar para você, mãe.
00:57:17Não é justo.
00:57:19Lavava, passava, tudo, tudo.
00:57:20Então, eu falo...
00:57:21Não, é muito pesado.
00:57:22Uma família de cinco.
00:57:23A gente tinha isso, né?
00:57:26Tinha isso do querer ajudar em casa.
00:57:29Claro.
00:57:29Que hoje não é mais um valor.
00:57:30Eles querem trabalhar para ter um dinheirinho.
00:57:33Eu acho que só nas classes mais baixas mesmo.
00:57:36É.
00:57:36Nas classes mais baixas mesmo, tem isso.
00:57:39É.
00:57:39De querer ajudar os pais.
00:57:40Mas a classe média perdeu isso.
00:57:42Olha que coisa.
00:57:44Olha, eu te falo...
00:57:45Eu...
00:57:46Aí você foi nisso.
00:57:47Eu estudava, né?
00:57:48Eu fazia...
00:57:48Eu estudava, fazia...
00:57:50Fazia...
00:57:51Na época colegial, né?
00:57:52Para fazer...
00:57:53Para prestar vestibular.
00:57:54E eu fui...
00:57:55Eu fui trabalhar numa loja de artigo esportivo.
00:57:59Eu vendia parafina de prancha.
00:58:01E sempre tive muita lábia.
00:58:02Vendia muito.
00:58:03Vendia prancha de serve.
00:58:05Para ajudar.
00:58:05E aí, colocar uma auxiliar para a minha mãe.
00:58:08E nessa, no shopping...
00:58:10Conhece uma loja...
00:58:12Eu queria saber se tinha um desfilezinho, uma foto...
00:58:15Para pegar mais um aquézinho.
00:58:16Um dinheirinho.
00:58:18Aí eu conheci um grande estilista.
00:58:19Jan Souza.
00:58:20Da sociedade pernambucana.
00:58:22Fazia muitas noivas.
00:58:24Madrinhas.
00:58:26Festas.
00:58:27Ceremonial.
00:58:28E tal.
00:58:28E comecei a desfilar para ele.
00:58:30E nessa, na academia.
00:58:32Fazendo jazz.
00:58:33O diretor da academia falou.
00:58:34Você poderia participar do concurso de místia.
00:58:37Eu?
00:58:39Eu?
00:58:40Sim, você poderia.
00:58:41Eu falei.
00:58:41Não, gente.
00:58:42Não tem, não tem.
00:58:43Não tem verba.
00:58:44E aí ele reúne um bando de lado.
00:58:46Sim.
00:58:47As Bios sempre foram minhas fadas.
00:58:50Então é.
00:58:50Um deu sapato.
00:58:51As minhas...
00:58:51Eu acho que mulher é muito forte.
00:58:55Quem é fada madrinha é sempre gay.
00:58:57Amor.
00:58:58Um deu sapato.
00:58:59Outro deu a maquiagem.
00:59:00Outro deu vestido.
00:59:01Outro deu treinamento.
00:59:03E nós fomos aí participar do concurso de Miss Pernambuco.
00:59:06Eu fui agraciada com o título de representante da ilha de Itamaracá.
00:59:11Que é uma ilha belíssima em Pernambuco.
00:59:13Imperdível.
00:59:15É tudo bem.
00:59:15E ganhei o Miss Pernambuco de 84.
00:59:18Quando eu vou pro Miss Brasil, meu pai me deu uma apostila pra eu estudar sobre o estado
00:59:22de Pernambuco.
00:59:24A minha entrevista de Miss Simpatia foi a nota mais alta.
00:59:28Porque o Silvio me perguntou onde eu visitaria.
00:59:30Eu falei.
00:59:30Eu visitaria a minha ilha que eu represento, que é maravilhosa, que tem um forte, incrível,
00:59:35que é um dos pontos turísticos mais relevantes do Brasil, com praias de água morna, areia branca.
00:59:44Entendeu?
00:59:44Mas é isso.
00:59:45É sobre estudar.
00:59:47É sobre levar a sério.
00:59:50É sobre se municiar.
00:59:54Estar pronto é tudo.
00:59:57Frase de Shakespeare.
00:59:58Então você, como você, eu vi quando eu cheguei.
01:00:04Você pensou no seu cabelo, no seu look, na sua parte técnica, na preparação da entrevista
01:00:16com o entrevistado.
01:00:17Então assim, é isso.
01:00:19Porque nada pode ser tão banal.
01:00:21Tudo bem, banalidade, nós temos tempo pra banalidade, na hora da folga.
01:00:24Aí vamos fofocar de novela, de rede social, do cabelo da outra, do não sei o que.
01:00:31Isso é gostoso, é salutar.
01:00:33É bom, né?
01:00:34Ah, eu acho.
01:00:35Mas eu acho que tem de dar o peso que as coisas têm.
01:00:40As coisas importantes exigem preparo, estudo.
01:00:43E não é só sair metendo a cara e contestando todo mundo.
01:00:47Eu acho que isso é algo que precisa ficar.
01:00:49E o teatro, voltando aqui pra gente fechar, o teatro tem disso, né?
01:00:55Claro.
01:00:56Qual que é a diferença pra você dar TV pro teatro?
01:00:59Porque você sempre teve nos dois mundos, né?
01:01:02Você nunca...
01:01:02É, exato.
01:01:03O teatro, assim, ele exige uma preparação com bastante antecedência, leituras de mesa,
01:01:08discussões, discordâncias, ideias que chegam, revisão, mudança de trajeto, né?
01:01:16Como fala no navegador, né?
01:01:21Mudança de rota, novos pontos de vista, trazemos mais pessoas, tem um diretor junto.
01:01:32E aquilo vai sendo como uma receita, aquilo vai sendo adicionado, pelo menos assim uns dois meses antes.
01:01:39Nós temos que trabalhar muito, estudar muito, passar as cenas, falar, trazer preparado o coro.
01:01:46No caso do meu marido, o Fernando.
01:01:48É, porque existe isso.
01:01:52Você agora tá entrevistando a Suzy Rego, artista, né?
01:01:55E produtora cultural.
01:01:57Mas existe numa personagem o que que é?
01:01:59Como é que é o comportamento dela?
01:02:01Ela é o quê?
01:02:02Ah, ela é advogada, tá?
01:02:04Como é que ela se comporta?
01:02:05Onde é que coloca a voz dela?
01:02:07Como é que ela é num momento de folga entre amigos?
01:02:11Cai tudo isso?
01:02:12Cai essa persona?
01:02:13Ela se permite falar bobagem, beber, dar risada, dançar sem problemas?
01:02:21Então assim, tudo isso tem que ser uma construção que é, ela vai evoluindo com o passar dos dias,
01:02:28os ensaios todos são cansativos?
01:02:30São.
01:02:31Repete, repete, repete.
01:02:32Não tá bom, não tá bom.
01:02:33Então, cenas fortes em que o intérprete, olha a loucura que nós fazemos com o nosso organismo.
01:02:40Eu não sou aquela personagem Maria Helena, raivosa, angustiada, prepotente,
01:02:48mas eu digo ao meu corpo, eu digo ao meu corpo que sim,
01:02:52que ela anda desse jeito, ela fala desse jeito, ela sente desse jeito,
01:02:56e eu coloco o meu corpo a serviço da interpretação pra contar essa história.
01:03:03Então quando eu forço o choro, o meu organismo não sabe o que tá acontecendo,
01:03:06porque eu não tô chorando, eu, Suzy, eu não tô chorando.
01:03:10Mas o empréstimo da personagem, que ali está a artista, sim,
01:03:19ou gargalhando, ou me passando por alcoolizada, ou o desmaio,
01:03:24ou uma crise, um colapso, ou uma cena de romance com alguém que eu não tenha um romance,
01:03:30cena de intimidade, você percebe isso, como é um trabalho bastante laborioso,
01:03:36como é um trabalho de muita entrega.
01:03:39E por isso nós temos que ter inteligência emocional, tá?
01:03:42Ninguém incorpora.
01:03:43Outro dia fala, mas o Martini incorpora o Clodovil.
01:03:46Não, meu amor, ele é um excelente intérprete.
01:03:49Ele é um ator de altíssima categoria.
01:03:52Tudo bem, ele pode ter a bênção do Clodovil,
01:03:55mandando energia pra ele, porque ele faz com uma...
01:03:57Não, é uma majestade.
01:03:59Põe até um pedaço aqui do Clodovil, do Martini.
01:04:02Ele é, ele é.
01:04:03É arrepiante.
01:04:04Eu fico descon... me dá até um negócio.
01:04:06Dá, dá com certeza, porque os Irmãos de Luz estão lá,
01:04:09e o Clodovil se sentindo muito bem homenageado, representado, né?
01:04:14Não só a personalidade ímpar, mas o Martini faz com maestria.
01:04:19Mas é um intérprete, ele não é um médium.
01:04:23Ele não incorpora nada.
01:04:27Ele pode, né, incorporar elementos
01:04:29pra que aquilo seja muito bem representado, né?
01:04:34Então, é isso que eu falo, assim,
01:04:36acabou, acabou, você agradece, agradece,
01:04:41e vai pra sua casa, vai pra sua festa,
01:04:43vai pro seu jantar, vai pro seu encontro,
01:04:45vai pro seu barzinho, e foi.
01:04:47E foi, tá bom?
01:04:48Ele habita ali, aquele universo ali.
01:04:51Na televisão, como você me perguntou,
01:04:55é também, é, olha, é uma tarefa maravilhosa,
01:05:02mas requer comprometimento.
01:05:05Porque você recebe blocos de capítulos,
01:05:06de seis capítulos de segunda a sábado.
01:05:10E muitas vezes vai gravar,
01:05:13por exemplo, eu tenho, sei lá,
01:05:1418 cenas nesse cenário aqui.
01:05:16Então, eu tenho que estudar muito,
01:05:18decorar muito, contar com o meu colega.
01:05:20Eu sou Caxias.
01:05:23Eu sou, meus filhos, desde que nasceram,
01:05:25estão acostumados a ouvir coisas
01:05:26que eles não sabem nem o que é.
01:05:27Eles falam, é texto, né?
01:05:28É.
01:05:29E eu passo o texto com a xícara,
01:05:31eu passo o texto com o chuveiro,
01:05:32com meus filhos, com o bichinho de pelúcia,
01:05:35com a vassoura, no meu monza,
01:05:38falo tudo, não sei o quê.
01:05:39Eu vou fazer desenvolver um método
01:05:41que chama CRA, CRA, C-R-A.
01:05:46Numa cena que eu vou fazer,
01:05:47eu preciso contar.
01:05:48Contar qual é a cena?
01:05:50Contar.
01:05:50Então, é a Suzy e a Amadá,
01:05:52num encontro,
01:05:53elas estão fazendo um videocast,
01:05:55um podcast maravilhoso,
01:05:56em determinado lugar,
01:05:57eu me aproprio, familiarizo com aquilo.
01:06:02É num dia de sol,
01:06:04é num dia de dilúvio,
01:06:06elas estão num barco.
01:06:08Então, eu sei do que se trata.
01:06:09É o C, eu conto.
01:06:11O R, amor, é do francês.
01:06:12Repetition, repetition, repetition.
01:06:14Eu vou repetir até a exaustão.
01:06:16Até que isso, pra mim,
01:06:18esteja completamente fluido e natural.
01:06:20Até que eu tenha me integrado
01:06:22e que já não seja mais a Suzy fazendo,
01:06:26ou seja, já a personagem.
01:06:28Até que aquilo seja completamente orgânico.
01:06:32Vamos repetir.
01:06:33Vamos repetir cem vezes.
01:06:35Vamos repetir.
01:06:36E isso também, de novo.
01:06:37Na cozinha,
01:06:38na academia,
01:06:40na cama,
01:06:43no ônibus.
01:06:45Tá?
01:06:45Então, eu tempero aquilo.
01:06:49E aquilo vai ficar,
01:06:50vai sair,
01:06:51se depender de mim,
01:06:53de primeira.
01:06:54Se depender de mim,
01:06:55de primeira.
01:06:55Não estudo só o meu, não.
01:06:56Estudo de todos.
01:06:57E o A, o que que é?
01:07:01Arrasa.
01:07:07Conta, repete,
01:07:08arrasa.
01:07:09Demais, Suzy.
01:07:11Vamos de novo.
01:07:12Cá entre nós,
01:07:13só pra gente dar o serviço aqui pro final.
01:07:15Cá entre nós, tá no...
01:07:17Teatro União Cultural,
01:07:19na rua Mário Amaral 209,
01:07:21no bairro do Paraíso,
01:07:22em São Paulo.
01:07:24Sextas-feiras,
01:07:2521 horas.
01:07:26Sábados,
01:07:27às 20 horas.
01:07:28Domingo,
01:07:28às 19 horas.
01:07:30Com Suzy Rego,
01:07:32Eduardo Martini,
01:07:33que também assina a direção,
01:07:35do texto do Rafael Gama,
01:07:36e com a Cristiana Oliveira.
01:07:37Nós somos três amigos,
01:07:40fora de cena,
01:07:42e somos três amigos,
01:07:43em cena,
01:07:44contando essa história de
01:07:46acertos,
01:07:47desacertos,
01:07:48encontros,
01:07:49desencontros,
01:07:50e sobretudo,
01:07:51uma ode,
01:07:52uma homenagem,
01:07:53à amizade.
01:07:55Suzy,
01:07:55muito obrigada!
01:07:56Amigada!
01:07:57Eu também!
01:07:58Eu também!
01:07:59Olha,
01:08:00vocês conheceram aqui um pouco mais da Suzy Rego,
01:08:02que eu tenho certeza,
01:08:04que todos vocês já conheciam.
01:08:06a gente refletiu aqui
01:08:08sobre relações,
01:08:09sobre o valor da amizade,
01:08:11o poder do diálogo,
01:08:13da positividade.
01:08:14Eu espero
01:08:15que vocês reflitam isso em casa,
01:08:18consigam aplicar
01:08:19alguma coisa de positiva
01:08:21nas vidas de cada um de vocês.
01:08:23Também não se esqueça
01:08:25do meu programa diário
01:08:26aqui no Antagonista,
01:08:27o Narrativas Antagonista.
01:08:29Eu vou ficando por aqui.
01:08:30Até mais!
01:08:31Beijo!
01:08:31Posso só me despedir?
01:08:32Pode!
01:08:34Como nós falamos,
01:08:35o Deus em mim,
01:08:37saúdo o Deus em você.
01:08:39Namastê!
01:08:40Namastê!
01:08:42E acabou a nossa conversa aqui.
01:08:45Eu tenho certeza
01:08:46de que você está levando
01:08:47alguma coisa de inspiradora
01:08:49para a sua vida
01:08:50depois de assistir
01:08:52o Lado A.
01:08:53Todo domingo,
01:08:54às cinco da tarde,
01:08:54a gente tem um encontro marcado.
01:08:56Você não pode perder
01:08:56de jeito nenhum.
01:08:57Já deixa para mim
01:08:58o seu like,
01:08:59se inscreve no canal
01:09:00e vamos lembrar aqui
01:09:02dos nossos patrocinadores?
01:09:03Você sabia que a Madeleine
01:09:05já foi professora de inglês?
01:09:08Pois ela já foi professora de inglês.
01:09:09Muito louco isso, né?
01:09:10Então, ela sabe a importância
01:09:12que essa língua tem para você,
01:09:14como ela pode abrir portas,
01:09:15como você pode viajar
01:09:17com mais tranquilidade,
01:09:18você pode ter acesso
01:09:19a informações muito mais legais,
01:09:21você pode evoluir
01:09:22na sua carreira acadêmica,
01:09:24profissional.
01:09:24Ela sabe de tudo isso,
01:09:25então é por isso
01:09:26que a gente tem aqui
01:09:27o orgulho de ter essa parceria
01:09:28com a Madeleine,
01:09:29um preço especial para você
01:09:31que está aqui assistindo esse vídeo.
01:09:33Clica no link que você está vendo aí
01:09:34e aproveita essa promoção agora.
01:09:36Aproveita e vem
01:09:37para o melhor curso
01:09:38de inglês online do Brasil.
01:09:40Bora!
01:09:41Acabou!
01:09:42Mas eu tenho certeza
01:09:43que você vai levar
01:09:45coisas dessa conversa
01:09:46para fazer
01:09:47a sua semana melhor.
01:09:49Muitíssimo obrigada
01:09:50pela sua participação aqui,
01:09:52vocês que comentam no chat
01:09:53que são muito importantes.
01:09:55Deixa a sua curtida,
01:09:56verifica se já está inscrito
01:09:58no canal do Antagonista,
01:09:59se ainda não estiver.
01:10:00Se inscreva e toque o sininho.
01:10:03Eu estou com você
01:10:03no Narrativas Antagonista
01:10:04de segunda a sexta-feira,
01:10:06às 5 horas da tarde.
01:10:07E agora a gente tem
01:10:08o encontro aos domingos,
01:10:10Lado A,
01:10:11às 5 da tarde.
01:10:12Vou ficando por aqui,
01:10:13volto com Lado A
01:10:14no domingo que vem
01:10:15e com Narrativas amanhã.
01:10:18Beijo para vocês!
01:10:19Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau
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