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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta sexta-feira (12) que não há relação entre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Segundo Alckmin, impostos de importação e exportação fazem parte de políticas regulatórias e não estão ligados a decisões judiciais. A declaração foi feita durante o 1º Congresso Datagro Prefeitos do Agro, em Sorriso (MT). Para falar sobre o assunto, a Jovem Pan entrevista Marcus Vinicius de Freitas, professor de relações internacionais.
Entrevistado: Marcus Vinicius de Freitas

Assista ao Jornal da Manhã na íntegra: https://youtube.com/live/SY3AmTsRwvE

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Transcrição
00:00E mesmo com o Alckmin afirmando que a decisão do STF não vai impactar nas negociações com os Estados Unidos,
00:06como nós mostramos hoje aqui no Jornal da Manhã,
00:10e também a fala do deputado Eduardo Bolsonaro,
00:13dizendo que haverá retaliação, que os Estados Unidos virão com uma artilharia pesada,
00:18o que será que temos pela frente?
00:20Vamos analisar então com o professor de Relações Internacionais, Vinícius de Freitas.
00:25Muito bom dia, bem-vindo com a gente aqui na Jovem Pan.
00:29Professor, o que a gente sente do lado de cá é que existe uma abertura,
00:34quer dizer, não existe quase abertura para diálogo,
00:38mesmo o governo afirmando que está tentando,
00:41mesmo o Alckmin dizendo que não, que isso não vai afetar as nossas relações.
00:46Como o senhor enxerga hoje a diplomacia entre Brasil e Estados Unidos?
00:52Eu acho que nós temos aí um problema que já se arrasta há algum tempo, não é?
00:58Porque a relação desde o início do governo atual com o governo norte-americano
01:05não tem sido das melhores, até porque vem dentro de um contexto,
01:09de um cenário político polarizado como a gente tem no Brasil.
01:14E o que nós vimos em todo esse processo todo é que o presidente Trump,
01:18desde que fez aquela carta fatídica, aumentando para 50% as tarifas no Brasil,
01:25ele colocou este elemento da polarização como um elemento central
01:30ou muito relevante neste processo todo.
01:33E claro que isso é usado também como subterfúgio para um tipo de punição ao Brasil
01:40por causa da sua aliança com os BRICS e em razão também de uma crescente influência da China,
01:48não só no Brasil, mas na América Latina inteira.
01:51Então o que nós temos observado neste processo todo é que o presidente Trump tem aí
01:57praticamente subjugado os seus aliados.
02:02É só nós olharmos o tratamento que a União Europeia tem recebido,
02:06a Índia, a Austrália, o Japão, a Coreia do Sul.
02:10Então o comportamento do presidente Trump, neste sentido, não é muito favorável ao diálogo.
02:16E o que importa neste momento fazer é buscar alternativas para garantir que o comércio nacional,
02:24o comércio exterior brasileiro, mantenha-se firme na venda e também na exploração de novos mercados.
02:32E parece que a estratégia de não querer provocar e fazer o silêncio vai ser importante
02:39e também é necessário para que também se deslegitime toda e qualquer ação de Trump contra o Brasil.
02:48Agora, professor, a gente tem essa ação do Trump não só contra o Brasil,
02:52mas contra vários outros parceiros, como o senhor acabou de citar.
02:56Mas boa parte desses parceiros tem conseguido avanços em relação a negociações com os Estados Unidos.
03:02Não está faltando isso da nossa diplomacia ou do nosso governo?
03:08Botar um cara a cara maior com o Donald Trump e tentar, de algum modo, amenizar essas relações ou não?
03:16Olha, Nonato, eu diria para você que não está fácil para ninguém, viu?
03:20Se você olhar, o próprio Trump agora está querendo fazer com que os europeus
03:24façam sanções contra a China e Índia pela venda de petróleo e consumo de petróleo russo.
03:32Então, o que a gente nota é que o presidente Trump tem adotado uma estratégia muito complicada
03:37para os aliados históricos dos Estados Unidos.
03:41Ninguém imaginava que ele fosse colocar ali uma tarifa de 50% na Índia,
03:45que é o elemento principal da estratégia norte-americana de contenção à China.
03:51Então, nessa história toda, o que nós observamos é que quem tenta, de alguma maneira,
03:58aceder àquilo que Trump está querendo, acaba levando uma paulada muito maior,
04:06uma situação deteriorada neste processo todo.
04:09Agora, o que a gente observou, por exemplo, é que no caso da China,
04:13em outros países que tentaram ali, de alguma forma, peitar o presidente,
04:19ou de alguma forma dizer que não, que eles teriam outras alternativas,
04:23esses foram que efetivamente conseguiram resultados positivos.
04:28Agora, a impressão que se tem, e aqui é importante enfatizar,
04:31é que mais do que qualquer coisa, é necessário ter uma estratégia.
04:35E nesse processo todo, parece que a estratégia que o Brasil tem adotado
04:39não é aquela que vai permitir aí o país ter o peso necessário
04:44nesse tipo de negociação.
04:47Professor, em relação à nossa economia,
04:50será que já dá para sentir os impactos, ou isso a gente vai ver a longo prazo?
04:55E você acredita que o Brasil abriu mais a sua economia
04:59para outros países a partir dessas sanções?
05:02Eu acho importante que a gente faça isso, né?
05:06A abertura é essencial.
05:08Nós vimos aí que, recentemente, a própria Indonésia vai começar
05:11a comprar mais produtos brasileiros.
05:14Até agora eu não entendi, por exemplo, a viagem do vice-presidente-geral do Alckmin
05:18ao México, não é?
05:19Porque seria muito difícil do México tomar qualquer postura contrária
05:24aos Estados Unidos.
05:25Eu acho que é um tempo de utilizar, já que nós somos parte do BRIC,
05:29se o BRIC se expandiu e tem novos países,
05:32que tal nós irmos atrás destes novos países
05:36e solidificar o relacionamento com eles, não é?
05:40Por aí nós podemos fazer com que o comércio amplie.
05:44E, obviamente, que também vão ser encontradas formas alternativas
05:47para o comércio brasileiro, não é?
05:50Ou vai fazer a entrada por terceiros países,
05:52sempre se encontra uma maneira alternativa
05:55de fazer com que os produtos cheguem aos mercados.
05:58Agora, 50% não é tarifa, né?
06:01É basicamente um embargo aos produtos brasileiros.
06:05E, claro, que a economia brasileira vai ressentir os problemas
06:08não só na exportação, mas também naquilo que adquire dos Estados Unidos
06:13como produtos.
06:14E, obviamente, que o Brasil tem que tomar cuidado
06:16neste processo todo para que Trump não queira aí aumentar
06:21ainda mais a tributação do Brasil,
06:22em razão do nosso relacionamento com a Rússia,
06:26por causa da compra de fertilizantes e outros produtos
06:29que nós adquirimos na Rússia.
06:30Então, é uma preocupação que deve constar também
06:33da nossa lista com relação ao tratamento
06:37que vamos receber dos Estados Unidos no futuro.
06:40Professor, qual é o peso que tem o ingrediente
06:43condenação de Jair Bolsonaro?
06:46E aí, até buscando essa fala que a Márcia citou anteriormente
06:50do deputado Eduardo Bolsonaro,
06:51quando ele disse que pode vir a artilharia pesada
06:54dos Estados Unidos após a condenação do pai dele.
06:58Só lembrando que naquela primeira carta,
06:59o Trump citava a situação do Bolsonaro aqui no Brasil também.
07:03Embora nós tenhamos aí um presidente nos Estados Unidos
07:09que reage, muitas vezes, de maneira figadal
07:12em todo esse processo
07:14e tem aí os seus problemas históricos
07:20com vários indivíduos,
07:22nós observamos aí a forma como ele tem tratado
07:25até o próprio Joe Biden e a vice Kamala Harris
07:29do que serviram anteriormente,
07:32a forma toda como ele tem ido atrás
07:34daqueles que são seus inimigos
07:36ou que ele percebe como sendo seus inimigos,
07:39à exceção, por exemplo, da Rússia,
07:41em que nós observamos que Trump tenta ali
07:43um relacionamento de maior proximidade com a Rússia.
07:47Mas eu não quero acreditar que,
07:49apesar disso tudo,
07:50o governo brasileiro e o governo norte-americano
07:53vão seguir nessas sanções justamente
07:56por querer intervir num assunto doméstico do Brasil.
08:00A questão do presidente Bolsonaro tem muito a ver
08:04com uma situação doméstica
08:05e fica muito claro que seria uma ingerência enorme
08:09dos Estados Unidos no Brasil
08:11e também isso se refletiria em outras partes do mundo.
08:15Então a impressão que eu tenho é que ele pode querer fazer isso,
08:19vai fazer e vai tentar utilizar algumas medidas
08:24para fazer com que se crie talvez uma sensação coletiva,
08:28mas obviamente que o relacionamento é entre Estados.
08:32O presidente Trump vai ficar no governo mais três anos e meio,
08:36mas nós podemos aí entender que haveria dificuldades
08:40na piora da situação,
08:42mas 50% já é um embargo que praticamente inviabiliza
08:45o comércio bilateral.
08:48Muito obrigada, professor de Relações Internacionais,
08:51Marcos Vinícius de Freitas.
08:53Volte sempre aqui ao Jornal da Manhã.
08:57Eu que agradeço pela oportunidade.
08:58Obrigada, professor de Relações Internacionais.
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