Pular para o playerIr para o conteúdo principal
No Direto Ao Ponto, o chef e empresário Olivier Anquier avalia os principais entraves para quem deseja empreender no Brasil. Ele comenta sobre a burocracia enfrentada pelos empresários, a necessidade de inovação e como o fracasso pode ser parte essencial do aprendizado no processo.

Assista na íntegra: https://youtube.com/live/zXMgkGqLIlw

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/@jovempannews/

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#DiretoAoPonto

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Vai lá, Bruno Meyer.
00:01Você falou em negócios, é esse assunto que eu queria entrar.
00:04Porque você falou no início do programa que você, há 46 anos, está, de certa forma, se divertindo no Brasil.
00:12Estou vivendo.
00:13Está vivendo. Está vivendo.
00:16Está vivendo o Brasil.
00:18Só que você, uma das suas grandes funções há muitos anos é ser empresário.
00:24Você é dono de muitos negócios no Brasil.
00:27Você tem muitos funcionários.
00:31Eu tenho um programa, como o Evandro citou aqui, eu tenho um programa show business aqui na Jovem Pan,
00:35em que eu recebo toda semana as maiores lideranças do país.
00:39E eles falam as coisas boas que tem no país, o potencial que o país tem em diversos setores,
00:46mas falam também os problemas e os desafios.
00:50E segurança jurídica.
00:53Falam de burocracia.
00:54Para você, qual é o maior problema e desafio na hora de empreender e na hora de ter uma empresa?
01:06Então, ser empreendedor, por experiência e por viver isso,
01:17é uma pitada, uma gota generosa de coragem,
01:29de vontade, de edifica.
01:37O empreendedor, ele edifica, ele constrói alguma coisa.
01:43Ele dá o que é dentro dele para que se realiza as coisas.
01:51E para que se realizasse as coisas, ter essa sensibilidade de juntar em volta dele outros seres humanos.
02:03Para mim, empresário, é isso.
02:08Você falou, Olivier, quando você começou a falar, Olivier, você tem muitos negócios,
02:12um empresário há muitos anos, então parece que eu tenho um.
02:15Não, mas você é dono de restaurante.
02:19Você é dono de restaurante.
02:20Você tem quantos funcionários, por exemplo?
02:22Então, eu tenho aproximativamente, entre os meus restaurantes,
02:27meu ateliê de panificação e minha padaria e meus pontos,
02:32eu tenho aproximativamente em volta...
02:35E no seu entorno.
02:35No meu entorno, um pouco mais de 200 pessoas.
02:39Então, é um número relevante.
02:41É um número relevante, é importante.
02:44É um número que, dentro da minha realidade como empresário, eu sou um artesão.
02:51Eu sempre fui artesão.
02:54E todos os negócios que eu fiz, eu fiz eu sozinho.
02:57Só agora que eu estou nessa fase, em 30 e poucos anos,
03:04de ampliação, que seja da Mundo Pão de Oliveira Padaria,
03:09que seja o Antrecote, né?
03:11Porque o Antrecote era uma loja que existe até hoje,
03:15que inaugurou há 18 anos atrás, lá no Itaim,
03:19na Rua Maiu Ferraz, com a Tucumã.
03:23E agora teve uma franquia na Alameda Lorena,
03:27durante 10 anos,
03:28que fechou, e quando fechou, eu abri ao lado do antigo restaurante que eu tinha,
03:35lá na casa do Dica Balcante,
03:37ou Antrecote de Oliveira, ou São dois, então.
03:41Desses dois, paralelamente a isso, tem a panificação,
03:45que é a minha coluna vertebral, né?
03:46Eu comecei, de fato, como empresário em São Paulo,
03:51eu falo em São Paulo, porque no anúncio inicial,
03:57o primeiro restaurante que eu teve,
04:01foi o primeiro, não sou o meu primeiro,
04:05mas fui também o primeiro restaurante,
04:09pé na areia, da praia de Jericoacoara.
04:12Na época, tinha os caissários, pescadores,
04:16porco na rua, pra fazer o serviço de limpeza do vilarejo.
04:22E você?
04:23É um louco, de rural, 68, tracionado,
04:27com quem tinha chegado lá,
04:28depois de uma viagem de três meses e meia,
04:30pela praia de São Paulo.
04:32É, mas você é um louco que vai fazendo negócios o tempo todo.
04:36O que você tá relatando aqui,
04:37é uma sucessão de negócios...
04:40Pois é, e que são feitos
04:42com minha vontade de edificar, de fazer,
04:47de juntar...
04:50Mas você não olha pra dificuldade, por exemplo,
04:53você meio que abstrai?
04:54É porque não me surpreendeu o problema.
04:55Ele tá mencionando as belezas.
04:59E eu acho legal o que você tá falando.
05:00Só pra te falar...
05:02Dificuldade.
05:06O Brasil não é mais difícil,
05:08não é mais fácil que outro lugar.
05:11Ser empresário é difícil.
05:14Porque cada cultura, cada área,
05:19cada realidade tem suas dificuldades.
05:23E quem consegue,
05:26e quem tem uma visão diferente do outro.
05:33E as dificuldades são gigantescas.
05:36E é isso que nos anima quando a gente é empresário de verdade.
05:42Empresário autêntico.
05:44Que constrói, que permite a outros seres humanos
05:48também te acompanhar e se levantar na rua
05:53e dar credibilidade ao que você tá fazendo,
05:58não vendendo.
05:59Porque eu nunca vi...
06:00Quando eu fiz o meu primeiro restaurante na Praça de Jericoacoa,
06:02não imaginava que um dia ia até o aeroporto.
06:06Ah, sim.
06:07Você não projeta isso.
06:11Mas o que que...
06:13O que você faz, você tem que fazer com a autenticidade.
06:15E...
06:16Aí que eu falo isso, eu fui...
06:19É uma...
06:19É uma...
06:20É uma...
06:21É uma observação, uma análise da vida.
06:26As coisas não acontecem por acaso.
06:29O destino...
06:30A gente controla o destino de forma subconsciente.
06:34A gente controla o destino
06:36pelas atitudes e pela personalidade que nós temos.
06:42E do que que nós somos dentro dessa...
06:45Dessa realidade que é a sociedade.
06:48A gente é um no meio de uma massa gigantesca.
06:52Como é que é que...
06:55Essa massa orgânica, o que a gente chama de sociedade,
06:58da qual a gente não pode se extrair,
07:01porque é antissocial, é a morte.
07:03E a gente, ser humano, precisa de outros seres humanos.
07:07Então, como é que é que eu vou poder atrair, convencer,
07:16ou fazer com que pessoas, outros seres humanos,
07:21acreditem naquilo que eu faço,
07:23sem por isso estar ali vendendo um sonho improvável.
07:28Porque tudo que eu ia dizer era improvável.
07:33Tudo.
07:33O que seja no mundo da restauração, da panificação.
07:37Quando eu abri minha primeira padaria em São Paulo,
07:39atrás do cemitério da Consolação, em 1993,
07:42quatro meses antes do Plano Real,
07:47eu vivi, né?
07:48Eu estou aqui desde 79.
07:49Eu sei o que...
07:50Você gosta de aventuras, né?
07:51Eu vivi muitos brasileiros.
07:53Ele é louco.
07:54Ele se define como um louco.
07:55Um louco visionário.
07:57Beleza, né?
07:58Aquele louco beleza.
07:58Meu...
08:02E nesse percurso todo, teve muito fracasso?
08:06Então, é necessário.
08:08É necessário.
08:09O fracasso, por uma má ideia, não.
08:12Porque todas as ideias que eu tenho, tiveram sucesso.
08:15Tudo que eu construí, teve uma radiação muito positiva.
08:22E de onde veio o fracasso?
08:24De outros seres humanos.
08:26Você falou de sócio, né?
08:29Você falou de sócio.
08:30Teve um sócio lá que você...
08:32É difícil lidar, dividir...
08:34Não, o meu sócio do restaurante lá, do anterior lá,
08:38que eu saí o ano passado,
08:40não tem problema com ele.
08:43A gente convivemos juntos quase 10 anos,
08:47construímos juntos.
08:49O destino...
08:50Eu não conhecia esse cara de nada,
08:52mas é um cara bacana.
08:53Baita de um cozinheiro.
08:54É verdadeiramente o cara que faz cozinha com alma.
08:59Pega uma garfada, coloca na boca, tem alma.
09:04Agora, tem uma personalidade, tem uma outra personalidade.
09:07Meu mundo é bife com batata frita, é pão.
09:10Não é alta gastronomia.
09:13Isso não é o meu mundo.
09:15Agora, de um bife com batata frita,
09:17eu consigo fazer algo surpreendente.
09:20dentro e dando uma hora, assim, de convívio e de bem-estar e de emoção,
09:33que é isso que você faz.
09:36Vai na mano.
09:36Olivia, você descreveu o papel do empresário quase como um líder humanista,
09:41que está agregando pessoas em torno de si,
09:44em torno para a construção de um propósito.
09:46Que é vida.
09:47Mas, muitas vezes,
09:49o estereótipo sobre o papel do empresário no Brasil,
09:53você me corrija se eu estiver errado,
09:55é de uma figura egoísta,
09:57que está pensando no próprio lucro,
09:59em resultados, metas e bater uma meta atrás da outra,
10:05vencer a concorrência.
10:06Um cara malvado.
10:07Um cara malvado.
10:09Você acha que a cultura brasileira
10:11olha para o empresário de uma forma equivocada
10:16ou você discorda que essa seja a visão comum no Brasil
10:20sobre o empresariado?
10:21Eu acho que isso...
10:23Você sabe uma coisa?
10:24Em tudo você tem personagem,
10:28você tem personagem que pode,
10:31e que tenha, com certeza.
10:33Eu não vou negar que não há empresário que tenha esse perfil.
10:38Mas é sistêmico?
10:41Pergunto eu.
10:43Todo centro é perigoso?
10:47É cracolândia?
10:48Tudo é sistemático a partir do momento que é assim?
10:54Não.
10:54Então, isso, eu fico muito grato com sua pergunta,
11:01porque eu posso dizer que há muitos empresários,
11:08e se não muito,
11:10a maioria que são,
11:14que tem esse lado humano,
11:15precisa ser humano,
11:17precisa de outro.
11:18E o empresário, ele tem meta a si,
11:23ele tem obrigações,
11:25ele não pode fazer qualquer coisa,
11:26senão desmorona tudo.
11:29Então,
11:30também não está escrita igreja na cabeça do empresário.
11:35É uma realidade.
11:37Isso é realidade.
11:39com ciência.
11:42E com ciência,
11:43não quer dizer
11:44torcionário,
11:48não quer dizer egoísta,
11:50não quer dizer...
11:50Agora, tem jeito de colocar,
11:53cada um a sua personalidade.
11:55Agora,
11:56pegar casos,
11:57inegáveis,
11:59inegáveis,
11:59de empresário que tenha esse perfil descrito,
12:05pegando isso,
12:06como,
12:07sendo,
12:09o geral...
12:10todos.
12:11É muito injusto.
12:13Porque se o Brasil é Brasil,
12:15se o mundo é o mundo,
12:17é graças a loucos empresários,
12:19que conseguem, justamente,
12:21juntar outros seres humanos,
12:23para, junto,
12:24construir e edificar.
12:26Vai lá,
12:27Felipe Monteiro.
12:28Olha o interessante,
12:28Cine,
12:29que o Olivier é uma pessoa multifacetada,
12:31né?
12:32Empreendedor,
12:33comunicador,
12:34cozinheiro.
12:35A gente ouve muito ele falar
12:35sobre empreendedorismo,
12:36né?
12:37Ele como empresário.
12:38Eu queria agora saber do Olivier Cozinheiro,
12:40né?
12:40Eu queria fazer uma pergunta sem sentido,
12:42Olivier.
12:43Eu sinto que, no Brasil,
12:44tem uma cultura muito rasa
12:46relacionada com a crítica gastronômica,
12:48né?
12:48No passado,
12:50os críticos gastronômicos,
12:51na verdade,
12:51iam fazer críticas para afagar
12:53o ego do chefe de cozinha,
12:55né?
12:55Então,
12:55fazer aquela crítica enviesada,
12:58mais para agradar,
12:59do que para criticar,
13:00falar a realidade.
13:01E eu vejo que,
13:02atualmente,
13:02está surgindo muitos críticos novos,
13:04né?
13:04O Ian Oliver,
13:05o crítico de comer,
13:05o gastronômio,
13:07o Sucrilhos,
13:08que fazem umas críticas
13:09direta,
13:13sem nenhum tipo de vontade
13:14de afagar o ego do chefe.
13:17E várias pessoas criticam
13:19essa postura dele,
13:19falando assim,
13:20poxa,
13:20ele está falando mal do empresário,
13:22né?
13:23Que emprega várias pessoas,
13:25pode acabar falindo o negócio.
13:27Eu entendo que o que falha o negócio
13:28não é crítica.
13:29Crítica pode melhorar o negócio.
13:30O que falha o negócio é comida ruim,
13:31né?
13:32Então,
13:32eu queria saber de você,
13:33qual é a tua posição relacionada
13:34com a crítica,
13:34e se você tem na sua história
13:37alguma crítica
13:38que te revoltou muito
13:39e que se você puder
13:41compartilhar com a gente,
13:42né?
13:42Como é que foi essa crítica
13:43e como é que você lida
13:44com a crítica em geral?
13:46Então,
13:46crítica eu recebo
13:47todos os dias.
13:49Dos meus clientes,
13:51como eu recebo
13:51elogia todos os dias,
13:52você não consegue
13:53agradar todo mundo.
13:55Faz parte da vida.
13:56A gente tem que saber
13:57administrar isso.
13:58O lado crítico
14:01profissional,
14:02eu não tenho
14:02absolutamente nada a dizer.
14:05Nunca me levantaram
14:06como nunca me destruíram,
14:07talvez porque
14:08não dei motivo
14:09para isso.
14:11Talvez porque justamente
14:12o meu universo
14:13é bife com batata frita.
14:15Para um crítico
14:16de gastronomia,
14:18bife com batata frita
14:18vai criticar,
14:19vai fazer,
14:20eu até de repente
14:21incomoda,
14:23porque é liso.
14:26Então,
14:26esta batata aqui
14:27não está muito crocante.
14:29Você está entendendo?
14:30É muito limitado.
14:31É um restaurante
14:32de um menu único.
14:35A parte de panificação...
14:36Você vai revelar o molho.
14:37Vai revelar aqui no programa?
14:38Eu vou revelar,
14:39eu vou revelar uma coisa,
14:40mas vocês não contam
14:41para ninguém, tá?
14:42Me prometam, né?
14:43Vai revelar?
14:44A única certeza
14:45que eu tenho
14:46do ingrediente assim,
14:50indiscutível
14:51que tem neste molho,
14:53mas não contem,
14:55é o sal.
14:56Além disso,
14:59não sei de nada.
15:00Não sabe de nada.
15:01Obrigado por nada, Olivier.
15:04Duas vezes por mês,
15:05há 18 anos,
15:07eu acordo
15:08às duas da manhã,
15:10vou no laboratório secreto
15:12junto com o Gilberto,
15:13meu sócio,
15:14se entrancamos
15:15lá no Rio,
15:16dormindo em pé ainda.
15:19Meu somnambulo.
15:20A gente começa,
15:21quando a gente acorda,
15:23tudo pronto,
15:24a gente não sabe como que é.
15:25Acho que é o Gilberto
15:25que nós vamos ter
15:26que sequestrar, né?
15:29Mas sobre essa questão
15:30da crítica, né?
15:31Como é que você
15:31vai ver a maneira
15:32como ela funciona
15:33aqui no Brasil?
15:33Então,
15:34como que ela funciona
15:35no Brasil?
15:36Como que ela funciona
15:36em qualquer lugar?
15:38Ela existe,
15:39ela é importante,
15:40porque nos faz refletir.
15:43Sabe,
15:43quando eu tenho
15:44um cliente mesmo,
15:46mas eu devia
15:46porque no seu restaurante
15:47é muito legal,
15:49não tem arroz?
15:50Nossa,
15:51tem batata frita.
15:52Mas não tem
15:53nenhum filé.
15:55No início,
15:56imagina,
15:5718 anos atrás
15:58na Maior Ferraz
15:59quando eu fiz
15:59o L'Ontra Côte do Livio,
16:02primeiro o restaurante
16:02de um munil único
16:03do Brasil
16:05e de São Paulo,
16:06assim,
16:07oficialmente.
16:08Mas eu vivi
16:09bis com batata frita?
16:11Você é louco?
16:12Você acha
16:14que as mulheres
16:15de hoje
16:16vão comer
16:17bifo
16:17com batata frita?
16:20Comeram.
16:21O jornalista
16:21estava perguntando.
16:23Falei,
16:23é,
16:24não,
16:24mas você
16:25não vai colocar
16:26nenhum filhinho
16:27de frango,
16:28nenhum filhinho
16:30de peixe?
16:32Não.
16:32Conceito
16:33é conceito.
16:34Sai do conceito,
16:36não é mais conceito.
16:37Meu conceito
16:37é esse.
16:40Mas eu vivi,
16:41mas,
16:41você está pensando,
16:42você está em Paris,
16:43turista?
16:44Não.
16:45Eu estou pensando
16:45que estou em São Paulo,
16:47capital do turismo
16:49do Brasil.
16:52E,
16:53mulher,
16:54vou me dar prejuízo.
16:57Pergunta para você,
16:58quem é que come mais batata
16:59e mais musa de chocolate?
17:02Agora,
17:03agora,
17:03mas tem um ponto,
17:04ele vê assim,
17:05tudo bem,
17:05até entendo o seu ponto
17:06relacionado com o teu menu
17:08agora do...
17:08agora há 18 anos.
17:10Dez anos,
17:11teve o Esté,
17:11por exemplo,
17:11que era um cadapso
17:13assim gigantesco,
17:13devia ter várias críticas.
17:14Então,
17:15era o chefe,
17:16Benoit,
17:17que era o chefe.
17:19Eu cuidava...
17:20que ele não batia em você
17:21também não?
17:21Fala,
17:21poxa,
17:22é injusto isso?
17:23O que eu participo
17:25nessa sociedade,
17:28nesse restaurante
17:30de alta gastronomia,
17:31fui convencer
17:33esse chefe francês
17:37que não conhecia o Brasil,
17:40de que aqui no Brasil,
17:43repassando a minha vivência
17:45e minha compreensão
17:48do comportamento
17:50do cliente,
17:51do consumidor,
17:53do frequentador
17:55de restaurante brasileiro
17:57e paulista.
17:58Isso foi o meu trabalho.
18:00E, a partir disso,
18:02tenta convencer ele
18:03que pode colocar
18:05de lado
18:06tudo que você acha,
18:08que você acha
18:09sensacional
18:10que vem de Paris,
18:12que aqui não vai rolar.
18:14E você sabe
18:15como que são
18:16e como que eram
18:17os pratos, né?
18:19Generosos.
18:20Para uma pessoa
18:21mais generosa.
18:23Para quebrar
18:24esse pensamento
18:27estereotipado
18:28da cozinha francesa
18:30é muito pouquinho.
18:31Se você sai daí,
18:33você vai no McDonald's.
18:36Tinha que quebrar isso.
18:37Então, essa é a minha inteligência,
18:39minha vivência,
18:40minha compreensão.
18:41E foi, de fato,
18:43o meu trabalho
18:43de convencimento
18:46de que a gente
18:48não pode.
18:49Porque o francês
18:49tem essa particularidade, né?
18:52Ele acha
18:52que ele é a verdade
18:53e a vida, né?
18:54Claro.
18:55E, quando ele chega,
18:57é assim.
18:58E não é.
19:00E não é.
19:01Porque o brasileiro
19:02também acha que...
19:02Não é nem no Brasil,
19:05é em qualquer lugar.
19:07Quando você faz
19:08alguma coisa,
19:10quando você se propõe,
19:11independentemente
19:12do universo empresarial
19:14que você
19:14está atuando,
19:16você tem que entender
19:18o que que você
19:20está querendo
19:21colocar,
19:22oferecer
19:23à clientela
19:24que você quer
19:25atingir.
19:26primeiro,
19:27se colocar
19:28no lugar
19:29de quem você vai
19:31e quem você deseja
19:33atingir.
19:34Para aí
19:35entender
19:36o que que
19:38emociona,
19:39o que que mexe
19:40com ele,
19:41o que que pode...
19:41Se colocando
19:42no lugar dele.
19:43Eu fiz televisão,
19:45mas antes
19:46de fazer televisão,
19:47era
19:47telespetador.
19:49como telespetador,
19:51eu sei o que que
19:52eu gostaria,
19:53o que que eu gostava
19:54de ver.
19:55E o dia que eu fui
19:56do outro lado
19:57da câmera,
19:58eu pensei,
19:59se eu gosto
20:01de,
20:02quando assisto
20:02de televisão,
20:03eu gosto de tal,
20:05de tal,
20:05de tal coisa,
20:06eu acredito
20:07que outros
20:07também.
20:09Então,
20:10foi dessa forma
20:11que eu encarei
20:12todas as
20:13professoras.
20:14panificação,
20:15foi assim.
20:16Se eu tinha,
20:16em 1993,
20:18se eu tivesse
20:19aberto a minha
20:19primeira padaria
20:20atrás do cemitério
20:21da Consolação,
20:22na rua Mato Grosso,
20:24primeira boulangerie,
20:25do tipo francês,
20:27do Brasil,
20:29como eu te falei,
20:30quatro meses antes
20:31do plano real,
20:32era outro Brasil,
20:33o Brasil não tinha
20:33classe média na época,
20:35o brasileiro não viajava,
20:37quem viajava
20:37era a elite,
20:38a super elite,
20:39mas o povo
20:40não viajava.
20:41Por isso que
20:42o universo da panificação
20:43era monótono,
20:44monoproduto,
20:45pão francês,
20:46monotonia.
20:47Para mim,
20:48filho de pader,
20:49terceira geração,
20:50francês de origem,
20:53adorava o pão francês,
20:54mas chega uma hora,
20:54não tem outra coisa,
20:55bom,
20:55o dia que eu decidi
20:57de abrir a minha
20:58padaria francesa,
20:59eu falei,
21:00bom,
21:00vou fazer,
21:01como a outra França,
21:02um envelope charmoso,
21:04emoção,
21:06com autenticidade,
21:07com 45 metros quadrados
21:09de espaço de venda,
21:11só pão e derivada de pão,
21:13e atrás,
21:15aonde eu fabrico o pão.
21:17Ele diz,
21:17você é muito louco,
21:18você está pensando,
21:19você está pensando
21:20que vai encontrar
21:20matéria-prima
21:21de qualidade
21:22para poder fazer o pão
21:23que você está
21:23querendo fazer aqui?
21:26Você está pensando
21:27que vai encontrar
21:29mão de obra
21:30qualificada
21:31para poder fazer
21:32aquilo que você
21:33quer fazer?
21:34Você acha
21:35que o brasileiro,
21:36o cliente brasileiro,
21:39vai entender
21:40o que você
21:40está querendo fazer?
21:41comigo.
21:44Farinha?
21:46Eu resolvi.
21:47Sou de farinha de padeira,
21:48com certeza,
21:49no Brasil ainda,
21:49mas na época,
21:51farinha vindo do trigo
21:52da Argentina
21:53ou então do Canadá,
21:54quando nós,
21:55brasileiros,
21:56mandávamos
21:56o top,
21:59do top
21:59do café,
22:00do grande café
22:01para a Europa e tal,
22:03e ficava
22:03no fundo da saca,
22:04com o Pelé,
22:06pilão e o café
22:07gourmet do brasileiro
22:08melita,
22:09isso daí,
22:1090 anos do Plano Real,
22:12era isso a realidade,
22:13então você pode imaginar
22:14que os argentinos
22:15canadenses
22:16não mandavam
22:16o top do top
22:17do trigo,
22:17não mandavam
22:18o fundo da saca,
22:19então realmente
22:20a farinha
22:20não era
22:21a melhor do mundo,
22:22mas é o que tem,
22:25eu vou ficar chorando?
22:26É o que tem,
22:28vou do limão
22:28fazer uma lenda,
22:29eu vou trabalhar,
22:30já que eu tenho
22:31esse histórico
22:33de panificação
22:33na família,
22:35então a gente
22:35se adapta,
22:37você está entendendo
22:38como funciona?
22:40E aí,
22:41eu vou fazer o pão
22:42como a gente faz
22:42na França,
22:44casca grossa,
22:45bem queimado,
22:47daquele jeito
22:47que faz,
22:48quando a dona
22:50de casa francesa
22:51vai na panaburonjai,
22:52me dá aquela baguete,
22:54aquela bem escurinha
22:55que a dona
22:56de casa do Brasil
22:57vai na panificação,
22:59na panabur,
22:59aquele pãozinho francês,
23:00me dá aquele
23:01mais clarinho,
23:03com aquela casca
23:03bem fininha,
23:05porque Brasília
23:05não está acostumada
23:06àquela quebrada
23:08de casca grossa
23:10que atravessa a gengiver,
23:11que machuca,
23:12você está entendendo?
23:13Então,
23:13essas particularidades,
23:15eu aprendi
23:16com todos esses anos
23:18de Brasil,
23:18entendeu?
23:19Eu aprendi,
23:20vivendo,
23:21convivendo,
23:21quando eu fiz
23:21a minha primeira padaria,
23:23eu fiz um pão
23:24que seja muito diferente,
23:27delicioso,
23:28mas que não
23:30agredisse
23:33o consumidor,
23:34mas que surpreendesse
23:36o consumidor.
23:37E aí,
23:37ao longo dos anos,
23:40formar a minha clientela,
23:42o pão que eu faço hoje,
23:43que eu tenho lá
23:44no Mundo Pão
23:45do Olivier,
23:46da Praça da República,
23:47ou no Shopping Morumbi,
23:48ou no Conjunto Nacional,
23:51não é o mesmo pão
23:52que eu fazia
23:53em 93,
23:55e, porém,
23:57continuando
23:58a trabalhar
23:59só com farinha
24:01brasileira
24:02e manteiga brasileira.
24:04Nunca saí
24:05do Brasil,
24:06sempre valorizando.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado