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Em entrevista ao Real Time, André Pimenta, coordenador do Instituto de Terras Raras do CIT, o Centro de Inovação e Tecnologia do Senai, explicou como o minério de ferro de alto teor da Vale contribui para reduzir emissões na siderurgia, seu potencial estratégico e o impacto na transição energética. Também falou sobre investimento e produção de terras raras no Brasil.

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Transcrição
00:00E a Vale quer que o minério de ferro de alto teor, principal item da mineradora,
00:05seja reconhecido como material estratégico para a transição energética.
00:09A companhia alega que o produto gerou R$ 170 bilhões em receitas no ano passado
00:15e é empregado em torres eólicas, linhas de transmissão e em versões mais puras.
00:21Pode reduzir, inclusive, emissões na siderurgia, incluindo o HBI com hidrogênio verde,
00:28que praticamente elimina o CO2 na produção de aço.
00:32E sobre essa reivindicação da Vale, nós vamos conversar com o André Pimenta,
00:36que é coordenador do Instituto de Terras Raras do CIT, o Centro de Inovação e Tecnologia do Senai.
00:43Muito bom dia para você, seja bem-vindo ao Real Time. Tudo bem, André?
00:47Bom dia, Eric. Muito obrigado pelo convite. Um prazer estar com vocês aqui no Real Time.
00:52Prazer é nosso de recebê-lo.
00:54Me conte uma coisa, por que a Vale está fazendo essa reivindicação?
00:58Essa é uma boa pergunta, Eric.
01:02Seguindo o exemplo do Canadá, que em 2024 já declarou que as suas reservas de minério de alta pureza
01:09são consideradas estratégicas, o que direciona lá as políticas de governo,
01:15a Vale hoje, lá na região norte, Carajás e S11D,
01:19tem um dos depósitos únicos, a gente pode dizer assim, no mundo,
01:24em termos de volume e alto teor.
01:26Então, é estratégico para a empresa e eu acredito também para o Brasil
01:30que essa demanda faça sentido e venha a ser atendida.
01:36André, o ferro não costuma ser considerado um mineral crítico ou estratégico no cenário global.
01:42Segundo um levantamento de uma empresa de pesquisa,
01:46a gente tem aí de pesquisa energética, então ele não é considerado esse mineral crítico.
01:51Essa classificação varia conforme o país?
01:54E outra coisa, o minério de ferro que a Vale está dizendo,
01:57ele entra lá na negociação no mercado de Dalian, na China,
02:00que é a referência global do minério de ferro?
02:02Bom, em termos de depósito, realmente não, não é crítico.
02:07Existem depósitos de minério de ferro no continente africano, na Austrália, no Canadá.
02:14Eu acho que a grande questão aqui, Eric, é exatamente o alto teor de FE2O3,
02:20que é o óxido de ferro, no minério de Carajás.
02:23Ele já nasce naturalmente com alto teor, em torno de 64%, 65%,
02:28pode chegar até 66% de teor, e isso é um grande diferencial em relação ao volume.
02:34Por exemplo, a Austrália tem um dos maiores depósitos,
02:38mas os teores são menores, chega na casa de 62%.
02:41E a questão de definir se é estratégico ou se é crítico,
02:47sim, depende muito do país.
02:50Estratégico, se for, digamos, para a soberania nacional,
02:53e crítico quando está em falta, quando ele é demandado,
02:56mas existem algumas restrições aí que podem interromper
03:00as questões de andamento de tecnologia.
03:04Então, de novo, se a gente olhar para o depósito de Carajás e S1CD,
03:09ele é único no mundo.
03:11Então, basicamente, bastaria fazer extração
03:15e fazer o envio ou beneficiamento, como você bem disse,
03:20do HBI ou do DRI, que é a redução direta com H2.
03:26E alguns estudos demonstram que essa alta pureza,
03:30ou seja, acima de 65% de teor de ferro,
03:33a gente já tem uma boa metalização, acima de 95%,
03:37ou seja, é mais eficiente, mais limpo.
03:39Então, por isso, dessa importância de este minério,
03:42especificamente, ser considerado aí como estratégico.
03:46Agora, André, o governo planeja atacar gargalos
03:49e facilitar a produção de materiais críticos.
03:52O minério de ferro de alto teor pode se enquadrar nessa categoria?
03:57Eu acredito que sim, na minha opinião, sim.
04:00E aí, de novo, tem as nossas questões nacionais.
04:04Esse depósito, por ser da Vale, estar no Brasil,
04:10levanta muito interesse.
04:12Então, principalmente agora, quando a gente vai falar dessas transições,
04:15da redução, cada vez mais dos alto-fornos,
04:18que são emissores significativos de CO2,
04:22para tecnologias mais limpas, como a de redução direta com H2.
04:26Então, na minha opinião, sim, Eric.
04:29E a Vale diz ter desenvolvido, ao longo de quase 20 anos de pesquisa,
04:33o briquete de minério de ferro.
04:36O produto pode contribuir para reduzir a emissão de poluentes
04:40na produção do aço, André?
04:43Excelente colocação.
04:44A gente não tocou nesse assunto ainda.
04:47Essa é uma outra aplicação que esse minério de ferro de alto teor permite,
04:51que é um processo que é chamado de briquetagem a frio.
04:54É feito uma aglomeração e essa cura desse briquete,
04:58desse aglomerado, ela é feita sem aquela queima,
05:00sem uma etapa de queima,
05:02que normalmente ocorre em temperaturas acima de mil graus
05:04e demanda muita energia de combustíveis fósseis, por exemplo.
05:09Então, uma vez que a gente elimina essa etapa de queima,
05:12a gente já reduz essa emissão.
05:15E aí, obviamente, também reduz custo e outras propriedades nesse sentido.
05:21Mas, sim, para a aglomeração, esse minério também é importante.
05:25Ele traz uma resistência mecânica e uma resistência térmica melhor,
05:29mesmo aplicados nessa tecnologia que é utilizada hoje,
05:33que são os autofóruns de redução.
05:35André, a gente trouxe aqui no Real Time, até na semana passada,
05:38que o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo,
05:42só fica atrás da China.
05:44No entanto, a gente ainda não tem uma produção nessas terras raras.
05:48A gente sabe de um potencial de exportação,
05:51ou da demanda por essas terras raras.
05:54Agora, para começar a produzir, a gente precisa também de investimento.
05:58É preciso muito investimento hoje para a gente acelerar a produção
06:02e começar a exportar terras raras?
06:06Sim.
06:08Hoje, a maior parte das companhias de terras raras do Brasil,
06:11as mineradoras, são consideradas júniores.
06:14Então, elas estão naquela fase inicial de prospecção,
06:18de entendimento dos depósitos.
06:20E isso, por si só, já demanda muito recurso,
06:23porque são perfurações, muitas análises,
06:25muitos ensaios, que a gente chama de ensaio tecnológico,
06:28que precisam ser realizados para mostrar a viabilidade,
06:31tanto técnica quanto de custo.
06:33E a gente já sabe, conhecendo o know-how,
06:36que já foi desenvolvido em outros países, principalmente na China,
06:39que os processos de beneficiamento,
06:41eles não são tecnologicamente muito baratos.
06:45Tanto em termos de CAPEX, ou seja,
06:47de investimento em equipamentos e tecnologias,
06:49quanto ali na questão do OPEX,
06:51que é a manutenção, principalmente com insumos.
06:53Então, sim, é necessário esse investimento,
06:56mas, como a gente fala a palavra,
06:59é necessário, tem que ser feito para que a gente mude o nosso patamar.
07:03Você sabe valores?
07:04Hoje, por exemplo, quanto precisaria de investimento
07:07para a gente acelerar esses processos, esses procedimentos?
07:12Porque a gente sabe que tem lá em Goiás,
07:14que é, inclusive, uma empresa norte-americana,
07:17que faz ali a gestão.
07:18E nas outras, a gente sabe que tem lá poças de caudas.
07:21Você sabe o quanto de valor precisaria investir neste momento
07:24para a gente começar a dar início?
07:26É bem variável, Eric.
07:28Depende muito do tipo de depósito e do tipo de minério.
07:31Em alguns casos, a gente está falando de 5 bilhões.
07:35Em outros casos, a gente está falando de algumas dezenas de bilhões.
07:38É um pouco complicado a gente chegar num número,
07:42até porque esses estudos também, eles estão...
07:45As mineradoras estão iniciando, em muitos casos, né?
07:48Entendendo os depósitos.
07:49Os depósitos minerais, às vezes, de terras raras, especificamente,
07:53eles podem apresentar uma complexidade ao longo da vida útil, né?
07:56À medida que eu avanço na lávara.
07:58E toda essa predição e previsão, as empresas vêm fazendo.
08:03E aí, com esses dados, é que a gente consegue fazer esse levantamento, assim,
08:08mais assertivo.
08:10André Pimenta, coordenador do Instituto de Terras Raras do CIT-SENAI.
08:14Obrigado pela sua participação aqui no Real Time.
08:17Uma ótima semana para você.
08:18Um grande abraço.
08:20Obrigado.
08:20Até logo.
08:21Um abraço.
08:21Até logo.
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