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DiversãoTranscrição
00:00O que você não conhece seu pai?
00:12Não me diga assim, mãe. Ele me disse que seria tornado, meu Bruno, para me levaria com ele em Brasile.
00:20Mas qual Brasile? Filha, dimenticado. Sono partido da tanto tempo e não t'ha escrito nem uma letra.
00:28Mas eu lhe escreveu, a última vez que estamos juntos, ele me deu o nome do seu filho, nosso filho, que ele não se esperava.
00:41Ok, ok. Forse ele ainda vai. Chissá, não?
00:47Tuo padre se chama Bruno Berdinazzi. Não se dimenticarei mai de esse filho, meu filho. Mai.
01:00Quando receberá a letra de tua mãe, ele vai correndo de nós dois. E vivremo em Brasile, sua terra.
01:09A letra de tua mãe.
01:39Quando que eu podia imaginar que tu, seu irmão, ia acabar me fazendo uma maldade dessa?
02:06Não adianta de nada ficar se recriminando agora, mãe. Eles roubaram nós duas.
02:13Eu não quero...
02:14Eu preferia ter morrido com o teu padre.
02:18Não fala bobagem.
02:19O que eles alegam, doutor Arnold, é que a procuração apresentada pelos irmãos Berdinazzi e da sua irmã Giovanna era falsa.
02:33Não era assinatura dela.
02:34E eu reconheci a procuração como boa, em confiança.
02:38Como é que eu ia desconfiar de alguma coisa, se eles são irmãos?
02:42Bem, a verdade é o seguinte, que tudo foi feito em confiança, senhor Mezenga.
02:47E os ingleses não querem briga nem com o senhor, nem com o seu filho.
02:51E muito menos com sua nora.
02:53Eu lhe garanto isso com o advogado dos ingleses.
02:57Eles fizeram tudo de boa fé.
02:58Então, como ficam as coisas?
03:03Podemos anular a escritura, cancelar o negócio.
03:07Amigavelmente.
03:08E como a gente faz isso?
03:11Basta que os senhores devolvam o dinheiro que os ingleses pagaram pela fazenda.
03:21Mas como vamos devolver esse maldito fugido com tudo?
03:24A coisa é nos perder com o filho. E agora não adianta ficar se lamentando.
03:27Eu mato os dois quando eles votarem.
03:29Eu creio que eles nunca se ar...
03:31Então, Henrico, o que é que falam os advogados dos ingleses?
03:35Que eles desfazem o negócio.
03:39E a gente devolveu o dinheiro deles.
03:48É, eu sinto muito, senhor Mezenga.
03:51A palavra de honra, eu sinto muito.
03:54Deixa disso, dona Marieta.
03:57Porque se a senhora tem alguma culpa, foi de ter pari.
04:01O que que aconteceu agora?
04:03Senhor Mezenga, não se for mais coisa ruim que eles fizeram, não me fala.
04:07Pelo amor de Deus, não me fala que eu morro de vergonha.
04:10Tinha uma carta, na posta restante do correio, da cidade.
04:18Estava lá faz tempo.
04:19É para o seu filho, Bruno.
04:25Mas como é?
04:27Uma carta para o meu Bruno que é morto?
04:31Mas como é? Não pode ser isso?
04:34I vei da Itália.
04:35Itália?
04:37Adió.
04:39Mãe minha...
04:40Aiuto, Antonia.
04:41Não, graças, está bem, graças.
04:44Graças.
04:49Fica calma, dona Marieta.
04:51Fica a mão, Tícia.
04:53Você é um Mezenga.
05:10Eu sou um Mezenga, filho do meu.
05:12Eu nunca vou usar esse maledito verdinatis que eu sou atrás do teu nome.
05:17Por besteira do teu pai.
05:18Tudo quanto é santo que existe nesse mundo.
05:20E eu vou atrás do que é teu de direito.
05:23E que te roubaram.
05:25Se você fizer isso, eu pego ele e vou embora daqui.
05:30Eu fui roubada, não você.
05:34Você se casou com...
05:36Você não teria essa coragem.
05:39Eu te mato se você tentar fazer isso.
05:41Então me mata.
05:43Porque eu também sou o Naberdinatis.
05:46Se teu ódio é maior do que teu amor, faz isso.
05:50Eu não sei lá, Sô Mezenga.
06:04Nemmeno um italiano.
06:07Se eu soubesse, nunca que eu.
06:09Eu assinarei aquela maledita procuração.
06:12Quem é que tem escrito esta carta pro meu Bruno, que já é morto?
06:20Vem.
06:20Vai bem, meu irmão.
06:25Fica calma.
06:27Estou calma.
06:28Estou bem.
06:29Na polí 26 de outubro de 1946,
06:33Meu adorado Bruno, estava te procurando no porto, na sua partida, mas não te vi.
06:43Uno deles.
06:46Não te vi, mas não te esqueci, Bruno, amor meu, porque ninguém se esquece do primeiro amor da sua vida.
06:59Não, não é vero.
07:02Eu estou tentando ler em português.
07:04Por amor de Deus, continua, Sô Mezenga.
07:06Sim, sim, claro.
07:07Continua, Antônio.
07:08Sim.
07:08Não creio que você tenha me esquecido, amor meu, e por isso ainda te espero.
07:19Eu e teu filho, que nasceu, ele se chama Bruno Berdinati, como você, amor meu.
07:31Para consigo a esposa, a esposa ficará, prometeu, então, bravo ao dar paz e ser civil.
07:50Embarcarás amada para os céus do meu Brasil.
07:55Enquanto ela esperava lá no caso da Buritano
08:00Repetia estas palavras no idioma italiano
08:06Brasiliano
08:13Lá minha vida eu te sei tu
08:17E eu te valho tanto bem
08:22Chiedo a Dio que tu venha a te escordar
08:26Não posso mais
08:28Brasiliano
08:35Sorença
08:38É a tua minha onda
08:43Meu esposo, hai deixado
08:46Questo cuore abandonado
08:49E te amaste de Jogunda
08:54E te amaste de Jogunda
09:00E te amaste de Jogunda
09:06Sou desse chão onde o rei é pião com um laço na mão
09:19Laça, fere, marca
09:21Deixando a ilusão de que tudo é seu
09:25Com coragem de quem vive, luta, sonha
09:30Em ser mais feliz e quem sabe será
09:35Como livres pensamentos seus
09:39Que vão pelo ar
09:42Ou fazem sonhar
09:44E sentir-se um Deus
09:47E sentir-se um Deus
09:48Sou desse chão, sou da terra
09:52E sou a relva do campo
09:55E pra sempre serei
09:58Ser mais feliz e quem sabe será
10:02E sentir-se um Deus
10:07Eu sei que o Bruno Verginazzi fez um filho lá na Itália
10:35Antes de morrer na guerra
10:37Ele um pouco
10:40Ele embujou na Itália
10:43Um pouco antes de bater as botas
10:45Mais um
10:47Que maledete roubaram
10:48Quando venderam a fazenda
10:50Mas quem pôde imaginar uma coisa dessa, né
10:52O pai aqui plantou a tar medalha
10:55Pra ver se o filho nasceu de novo, né
10:57E por falta de um
10:58Nasceu dois Bruno Verginazzi
11:00Um aqui
11:01E outro do outro lado do mundo
11:03O meu neto é solo
11:07Bruno Mecenga
11:09Não tem nenhum maledeto Verginazzi
11:12No nome dele
11:13Eco
11:14Depois que a mãe ficou sabendo
11:27Que meu irmão Bruno
11:28Deixou um filho lá na Itália
11:30Não pensa mais em outra coisa
11:34Coitada dela
11:35Mas tá bem?
11:37O que você queria?
11:39Gemma
11:40Será que o filho era membro do Bruno, dona Nena?
11:43Será que aquela ragazza
11:45Era só namorada do Bruno
11:47Ou do batalhão inteiro?
11:48Mas por que que você está dizendo
11:49Uma coisa dessa?
11:51Porque o Bruno era um trouxa
11:53Dona Nena
11:54Aquele lá acreditava
11:56Em qualquer um
11:57Coitado
11:58Que ele nunca teve namorada nenhuma
12:03Foi se apaixonado
12:05Foi se apaixonado
12:05Justo lá
12:05Do longe
12:06Bruno dormiu
12:08Como um anjo
12:09Ele não dá trabalho
12:12Poverino
12:12Menos mal
12:15Giovana
12:16Eu
12:17Eu queria escrever uma carta
12:19Carta pra que?
12:22Pra essa
12:23Gema
12:25Pra mãe do
12:28Do outro neto meu
12:30Pra que mãe?
12:33Escrever pra que?
12:35Pra contar que o pai do filho dela
12:36Morreu lá mesmo?
12:37Que não voltou pra casa
12:38Depois da maledeta guerra
12:40Porque
12:41Se ela está pensando
12:43Que ele está vivo
12:44Se ela ainda está esperando ele
12:47Vai ver que o nosso Bruno
12:49Não morreu
12:50Madonna santa
12:52Não tem essas ideias
12:54Da cabeça da mamarita
12:55É o coração de mãe
12:56Que está falando isso
12:57Dona Nena
12:58Antigamente
13:13Não era uma beleza
13:17Esse terreiro
13:18Tudo
13:18Coberta de café
13:20Filho
13:21Não era?
13:23Sim
13:23Eu sei
13:25É menino
13:26Já me ajudava com o castelo na mão
13:28É
13:30E tem um monte de gente
13:32Trabalhando aqui
13:33Secando o café
13:35Nesse terreiro
13:36E sacando
13:37Descontos das impurezas
13:40Não era?
13:40É
13:41Mas então
13:43Eu resolvi limpar
13:45O café
13:46Aqui mesmo
13:47Pra entregar ele
13:49Limpo
13:50Sem impureza
13:52Mas passaram a roubar o senhor
13:53Na renda
13:54É
13:54Cada amostra de café
13:57Que a gente tirava aqui
13:58Dava tantos quilos
14:00Chegava lá
14:01Dava menos
14:02Um quilo por saca
14:04É ver
14:05Filho
14:05Cada oitenta saca
14:07Que a gente
14:08Levava
14:09No caminhão
14:10Chegava a roubar oitenta quilos
14:11Do senhor
14:12Parece que duas sacas
14:14De café limpo
14:15É
14:16Quantas viagens
14:18Nós fazíamos
14:18Para entregar o café
14:19Para eles
14:20Você não
14:26Não quer mais
14:29Vem dar com o café
14:35Não é filho?
14:38Não pai
14:39Mas eu só vou ficar
14:42Por causa do senhor
14:43Se o senhor tivesse coragem
14:47A gente vendia
14:48Essa fazenda
14:48Para os ingleses
14:49Que tão louco
14:50Para comprar
14:50Ia junto lá
14:52Para o Mato Grosso
14:53Ou para Goiás
14:54E comprava muito
14:55Machão
14:55Do que a gente tem aqui
14:56Uma pasto
14:59É dor de tempo
14:59Não dá o trabalho
15:00Que dá para formar
15:01Um cafezar
15:01E depois
15:02É só encher
15:03A pastagem
15:03De vaca parideira
15:05Um bom touro
15:06Capim e agafarda
15:08Para encher
15:09Aquele muraréu de bezerrinho
15:10Bezerro cresce rápido
15:11E vira boi
15:12Que a gente vende
15:13Por arroba
15:14Entende pai?
15:15Veja
15:34Apa que ele ficou dizendo
15:35A personal feeling
15:35Beira
15:36Apa que ele ficou
15:40Mesmo
15:41Até o tempo
15:41A personal feeling
15:42脆
15:45Eu não quero prender você aqui, contrariado
15:50Não, não
15:53Nada justo
15:55Você pode pegar a tua mulher, teu filho
16:00Vai fazer o que você quiser na tua vida
16:06Nasceu o pai
16:15Eu vou continuar aqui, salida
16:22E eu tenho que dar força
16:26Para acabar com aquela roca maledeta
16:30Eu peguei um pouco de dinheiro na máquina para comprar aquele pedido de memoria
16:36Para custear a safra, entende?
16:39Já tem que dividir de novo, Luet pai
16:41É o que tu pai pode fazer, filho
16:43Se o governo não ajuda
16:46Só tu te ladra
16:48Só
16:50Todos os ladrões
16:52Tem gente aqui
17:08Lidando com esse estado de PHC
17:10Como se fosse açúcar
17:12E aí vem menos
17:13Dos mais bravos
17:15Dos piores que existem
17:16Ele mata
17:18Ele mata a broca
17:19Mata a broca
17:20É verdade
17:21Mas mata a gente também
17:23É
17:23É preciso tomar
17:24É
17:25O avião está jogando por cima de tudo aí, viu?
17:28É
17:28E o vento carrega para cima das escolas
17:31Das casas
17:32Dos terreiros
17:33Das águas do rio
17:34Tá empesteando tudo em volta desse cafezar todo
17:39A professora vem aqui
17:41Alertando sobre isso
17:43E como é que nós vamos fazer?
17:45Não pode pegar com a mão
17:46Nem respirar
17:48Exato que aqui
17:50Os Estados Unidos não estão usando mais
17:52Parece que é
17:54Foi proibido, né?
17:56Por causa do perigo
17:57Ah
17:57Mas estão mandando pra cá
17:59E nós vamos matar essas broca
18:01De que jeito?
18:02Onde você foi, filho?
18:27Eu fui na cidade, lá na máquina
18:28Resolver um negócio do pai
18:29É
18:30Eu cobrei deles tudo
18:32Que eles roubaram da gente
18:32Nessa vida toda
18:33Mas do que você está falando?
18:36Tá aqui a dívida do pai, mãe
18:38É
18:39Eu quero rasgar na frente dele
18:40Mas eu falei pra ele
18:42Embulir mais com esse veneno
18:43Eu vou atrás do pai agora mesmo
19:00Eu vou atrás do pai
19:20Vai ver que meu filho é rico
19:22Te casou.
19:27Santo Dio.
19:32Mamma mia.
19:39Eu mijo veneno.
19:43Eu cuspo.
19:45Questo maldito veneno.
19:48Eu sudo veneno.
19:50Acho que eu não vou me livrar desse cheiro nunca mais.
20:08Pai!
20:11Pai, responde!
20:13Onde você está, pai?
20:16Mas eu preciso matar esta broca.
20:18Eu preciso salvar o que é meu...
20:21De meu filho...
20:26De meu neto...
20:29De meu neto...
20:32De meu neto...
20:33De meu neto...
20:36De meu neto...
20:38É verdade, Berdinazzi? Cretino!
20:45O meu neto se chama Bruno Mecenga.
20:51Sou Mecenga.
20:53Nunca, Berdinazzi.
20:55Mai. Nunca.
21:00Vai!
21:01E você, Berdinazzi?
21:04Vão proscrito do inferno.
21:06Você e os seus filhos ladrões.
21:15Você e os seus filhos ladrões.
21:21Vamos criar boi.
21:23Vamos criar boi, pai.
21:30Eu odeio café.
21:32Eu odeio café, pai.
21:36Pai.
21:40Pai.
21:46Pai.
21:47Pai.
21:48Pai
22:03Pai, responde, pai
22:04Eles pagaram tudo que roubaram do senhor, pai
22:14Pai, pai
22:44Pai
22:46Pai
22:48Pai
22:50Pai
22:52Pai
22:54Pai
22:56Pai
22:58Pai
23:00Pai
23:02Pai
23:04Pai
23:06Pai
23:08Pai
23:10Pai
23:12Pai
23:14Pai
23:16Pai
23:18Pai
23:20Pai
23:22Pai
23:24Pai
23:26Pai
23:28Pai
23:31Pai
23:32Pai
23:34Pai
23:36Pai
23:38Pai
23:40Tchau, tchau.
24:10Tchau.
24:40Tchau.
25:10Tchau.
25:40Tchau.
26:10Tchau.
26:40Tchau.
27:10Tchau.
27:12Tchau.
27:14Tchau.
27:16Tchau.
27:18Tchau.
27:20Tchau.
27:22Tchau.
27:24Tchau.
27:26Tchau.
27:36Tchau.
27:38Tchau.
27:40Tchau.
27:42Tchau.
27:44Tchau.
27:46Tchau.
27:48Tchau.
27:50Tchau.
27:52Tchau.
27:54Tchau.
27:56Tchau.
27:58Tchau.
28:00Tchau.
28:02Tchau.
28:04Tchau.
28:06Tchau.
28:08Tchau.
28:10Tchau.
28:12Tchau.
28:14Tchau.
28:16Tchau.
28:18Tchau.
28:20Tchau.
28:22Tchau.
28:24Tchau.
28:26Tchau.
28:28Tchau.
28:30Tchau.
28:32Tchau.
28:34Tchau.
28:36Tchau.
28:38O Bruninho já sabe ler e escrever como ninguém
28:41Mas é dessa vida que ele gosta
28:45Mas vai ser o que quando crescer, dona Nena?
28:49Peão de comitiva
28:50Mas isso ele já é
28:51Oh, Tio
29:08Filho, essa é a última viagem que você faz com o teu pai
29:22Por que, pai?
29:24A tua mãe anda me azucrinando a paciência
29:26Eu acho que ela está certa
29:28Certa por quê?
29:31Ela quer que você vá estudar
29:32Eu vou te colocar num colégio
29:35Ainda não sei de onde nem em qual, mas
29:38Vou colocar
29:40Interno
29:41Que nem os filhos do meu patrão, viu?
29:43Comecei na salida de boi
29:44Eu não quero
29:46Você não tem querer, Bruno
29:47É pro seu bem
29:48Eu fui
29:49Eu te dou uma coça de criar bicha
29:51Não, o teu pai nunca me bateu
29:54Porque nunca foi preciso
29:56Mas sempre tem a primeira vez
29:59Você não vai me chorar agora, não é, Bruno?
30:03Não estou chorando
30:04Eu sou um mesenga, lembra?
30:07Sabia que ia dar nisso
30:08Bruno
30:11Filho
30:12Oh, Bruno
30:16Patrão, quer tomar um golin?
30:28Me ceba, por favor, não
30:29O menino parece que saiu meio aperreado por causa da prosa do seis, né?
30:37Foi
30:37Vou ter que aceitar a cabeça, tu vai
30:41É, eu quero estar vivo pra ver isto
30:44Corta ele na espora se for preciso
30:46Aí ele se apia de vez da sua garupa e não há laço no mundo que é arganceno nessa vida
30:51A não ser que o patrão não conheça o filho que tem
30:56Acho que eu vou ter que brigar de novo com a mãe dele quando chegar em casa
30:59Quando os dois se gostam tudo, se ajeita na cama
31:03Mas com o filho, pode durar a vida inteira
31:08Vou ter que conversar com o jeito com esse moleque
31:10Uma coisa tua mãe desacerta, Bruno
31:35O grupo escolar é muito pouco pra homens ser alguém na vida
31:37Eu já sei ler, se é escrever, se é fazer conta
31:40Isso é muito pouco
31:41E o pai está mais o quê?
31:42No tempo que eu devia estar estudando, eu estava ajudando teu avô na vida do café
31:45É
31:46Pensando
31:48Secando
31:49Pensacando
31:51Dando um duro desgraçado, Bruno
31:53E eu estou fazendo o quê?
31:55Você não discuta com teu pai
31:56Quando o senhor morrer, eu não vou vender a nossa fazenda nem esboi
31:59Do que você está falando, moleque?
32:00O senhor vendeu do avô quando ele morreu
32:02Se teu pai não tivesse feito isso, a gente não teria nada nessa vida
32:07Pois então, eu vou comprar mais terra e vou ter tanto boi que não vai dar nem pra contar
32:11Tá certo
32:14Mas antes vai estudar primeiro
32:16É
32:16Sua mãe quer te ver, é homem formado, com diploma na mão
32:19Pois eu prefiro um loto
32:21Pra lidar com boi, não é preciso estudo
32:23E é preciso o quê?
32:24Prática e sabedoria
32:25Prática e sabedoria
32:26Prática e sabedoria
32:27Prática e sabedoria
32:28Prática e sabedoria
32:29Prática e sabedoria
32:30Prática e sabedoria
32:31Prática e sabedoria
32:32Prática e sabedoria
32:33Prática e sabedoria
32:34Prática e sabedoria
32:35Prática e sabedoria
32:36Prática e sabedoria
32:37Prática e sabedoria
32:38Prática e sabedoria
32:39Prática e sabedoria
32:40Prática e sabedoria
32:41Prática e sabedoria
32:42Prática e sabedoria
32:43Prática e sabedoria
32:44Prática e sabedoria
32:45Prática e sabedoria
32:46Prática e sabedoria
32:47Prática e sabedoria
32:48Se eu for, eu não quero ir.
32:57Me solta. Eu não quero.
32:59Me solta. Eu não quero ir.
33:01Me solta. Me solta.
33:03Me solta. Eu não quero ir.
33:05Eu não quero ir. Eu não quero ir.
33:07Eu não tenho que ir.
33:08Eu fulho. Vem lá. Eu fulho.
33:10Você não escuta com o teu carro e anda. Sobre, vá.
33:12Anda, senta.
33:14Eu estou bem, filho. Pelo amor de Deus.
33:17Se eu for, eu volto aqui nunca mais. Nunca mais.
33:21Vá, Bélia. Não volta. Mas vai a si mesmo.
33:25Vai comigo, filho. Vai comigo.
33:47Tomara que os muros dessa escola sejam bem altos.
33:53Coitado. O bichinho parece que está indo para o matador.
33:57Ele criou o filho montado na garupa dele.
34:03O menino aprendeu a lidar na invernada com os biseiros.
34:08E agora ele quer fazer dele, doutor.
34:11Não tomei se ele está aqui de volta.
34:13Não tomei se ele está aqui de volta.
34:15Não tomei se ele está aqui de volta.
34:37O teu neto já foi, mamãe?
34:41Eu sei.
34:45Eu vi.
34:47Mas não é meu neto.
34:49Não paro com isso, mamãe.
34:51Ele não falou que não é um perdinazio.
34:57Só não é.
35:02Meu neto.
35:03Bruno, perdinazio.
35:11Filho de teu irmão, Bruno.
35:15Que está na Itália.
35:17Se a dona Nena escuta a mãe falando desse jeito, vai se aborrecer.
35:20É que ela não importa.
35:25Olha.
35:28Tá querendo me ver, não?
35:33Eu não vou comer mais a comida das mãos dela.
35:38Que barbaridade a senhora está falando.
35:40Do morito.
35:44Ele está escondendo de mim as cartas que teu irmão me escreve.
35:51Escreve.
35:53Mas eu sei.
35:56Eu sei.
35:58Que meu filho...
36:01Meu filho está mandando me chamar.
36:04Juntos, ele...
36:05É.
36:06Madonna mia.
36:08Daí a tarde Gema voltou a escrever, mamãe.
36:10E eu respondi a carta que ela escreveu pro Bruno.
36:12Lembra?
36:13Te recorde.
36:14Tu marido...
36:16Não levou a carta.
36:19Procure ele.
36:20Não levou.
36:23Amém, irmão.
36:26Amém.
36:28Não se pode mais discutir com a senhora.
36:30Não se pode mais discutir com a senhora.
36:31Tchau, tchau.
36:34Agra, tchau.
36:36Tchau, tchau.
36:39Tchau, tchau.
36:41Ciência quitte instala Sounds como isso.
36:45Tchau, tchau, tchau.
36:49Tchau, tchau.
36:51Tchau, tchau.
37:21Tchau, tchau.
37:51Tchau, tchau.
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43:09Tchau.
43:11Tchau.
43:13O que será que foi feito daqueles dois, mamãe?
43:27Eles nem sabem que a senhora se foi.
43:38A gente não teve sorte aqui, Jeremias.
43:41Devemos reconhecer isso.
43:43Para de reclamar, Guilherme.
43:45A terra é boa.
43:46Mas em dez anos, já tivemos três deada.
43:50E a última foi das piores.
43:55É.
43:57Mas o cafezar já está para o mando de novo.
43:59Mas eu não quero esperar.
44:02Tem mulher e filho para cuidar.
44:04E já estamos esperando o outro.
44:06Você quer fazer o que, então?
44:10Mas vamos embora daqui e vamos vender tudo.
44:13Vai.
44:16Não.
44:18Não, aí eu não vou vender nada.
44:21Não vou jogar fora dez anos de sacrifício.
44:23E eu vou vender a minha parte.
44:25E eu compro.
44:25Mas com que dinheiro?
44:27Isso já é problema meu, Guilherme.
44:28Eu pego o dinheiro emprestado no banco e fico com a dívida depois.
44:31Você pode pegar tua mulher e teu filho.
44:34Vai para onde você quiser.
44:36E eu estou achando que você andou me roubando, Jeremias.
44:38Se você dizer isso mais uma vez, nós vai rolar aqui mesmo nesse cafezar.
44:46Você andou me roubando, Jeremias.
44:48Me roubando.
44:49E eu estou achando que você andou me roubando, Jeremias.
44:50E eu estou achando que você andou me roubando.
44:51E eu estou achando que você andou me roubando.
44:52E eu estou achando que você andou me roubando.
45:22E eu estou achando que você andou me roubando.
45:52O patrão não está falando isso por causa da sogra, é?
45:55Mas essa já se foi.
45:57E que Deus a tenha.
45:58Amém.
46:00Deus seja louvado.
46:01Morreu esperando os filhos, ó pobre.
46:04E doi ladre.
46:07Aquele se aparece aqui, eu mato, João.
46:10E maledito e fugiram de mão dada.
46:12Maledito que está se comendo hoje em dia.
46:14Ainda bem que o patrão só tem um herdeiro.
46:17É velho, João.
46:17Meu pai, sabe, a ignorância dele sempre dizia que...
46:22Não há parte de herança que divida só os bens do falecido.
46:26Geralmente se divide a família também.
46:27Vira tudo inimigo.
46:29Ainda mais quando tem terra no meio.
46:31É.
46:32Agora você falou outra verdade.
46:34E a gente só precisa de sete páramos.
46:37E aí
46:51E aí
46:54Enrico, Enrico, Enrico, corre para cá Enrico, que tua mãe está passando o mar
47:14E o santo, é só de sete bar, é só do que a gente precisa para descansar dessa vida
47:25Lena, Lena
47:34Lena
47:36Eh, Lena
47:41Tchau, tchau.
48:11Tchau.
48:41Tchau.
49:11Tchau.
49:41Tchau.
49:43Tchau.
49:45Tchau.
49:47Quem é a Luana Verdinas?
50:09Luana Verdinas!
50:17Luana Verdinas!
50:25Luana Verdinas!
50:41Sou eu? Por quê?
50:43Venha comigo. Estão lhe chamando na administração.
50:49Deixa o facão.
50:53Não, que é minha ferramenta.
50:55Bonita, do jeito que você é, Luana.
51:09Não sei o que fica fazendo, cortando o cano no meio dessa gente.
51:13É meu trabalho.
51:15Querida porra, se quisesse.
51:17Estou contente com a vida que eu tenho.
51:19Então vai ter que arrumar outra, porque vão te mandar embora.
51:22Por quê?
51:23Porque tem quem acha que você é uma ditadora.
51:25A serviço de gente que quer botar minhoca na cabeça desse povo.
51:32Eu?
51:33É você, Luana.
51:35Quem falou isso?
51:36O sujeito que você cortou no facão.
51:38Eu só quis me defender dele.
51:40Ele quis me pegar no meio do canaveado.
51:41Ele já foi despedido, Luana.
51:44Mas deixou você encrencada.
51:55Tô um pouco me importando.
51:59Eu vou-me embora, pronto.
52:03Vai ser a primeira vez.
52:12Vocês que fazem parte dessa massa
52:17Que passa nos projetos do futuro
52:23É duro tanto ter que caminhar
52:28E dar muito mais do que receber
52:33É, meu caro Mezenga.
52:42Esse assunto da reforma agrária é realmente muito explosivo.
52:47O amigo como senador da república deve saber melhor do que eu.
52:51Mas eu acho melhor mudarmos de tema porque o nosso amigo jornalista em frente tá de ouvidos atentos.
53:00Eu? Não. Desculpe.
53:01O senador pode conversar à vontade. Eu não estava nem prestando atenção.
53:05Na verdade eu estou acompanhando o senhor Bruno Mezenga nessa viagem
53:08Pra contar a história do Rei do Gado. Só isso.
53:10Já começou.
53:11Já começou, mano. Porque eu não gosto de ser chamado assim.
53:13Sim.
53:14Porque Rei do Gado pra mim é Deus no céu.
53:16Nós aqui somos tudo boi do Rei do Pai, entende?
53:19Ok. Está anotado.
53:20Mas podem conversar à vontade. Eu não quero atrapalhar.
53:26O senador estava dizendo...
53:28Não, Mezenga. Eu estava dizendo que esse tema da reforma agrária é preocupante.
53:35É realmente explosivo.
53:37Tanto que todos nós na Câmara e no Senado estamos muito preocupados.
53:42Essas invasões constantes de terra por todo o país podem significar o estupim de uma coisa muito mais grave.
53:49É verdade. Eu sou a favor da reforma agrária.
53:53Mas em que sentido?
53:54Bom, desde que eles não invadam minhas terras.
53:57Mas eu vou falar uma coisa pro senador.
53:59Eu não tenho um palmo de terra meu que não tem um boi bastando em cima, senhor.
54:03Mas, meu caro Mezenga, vamos admitir, por hipótese, que invadissem as suas terras.
54:09Porque isso se vê todo dia, esse tipo de invasão.
54:13Se acontecesse isso, o que você faria?
54:16Eu não ia armar a gente minha pra matar ninguém.
54:20Eu não ia querer ouvir um tiro sequer.
54:23Eu também não ia recorrer à justiça pra pedir reintegração de posse do que já é meu por justiça.
54:32Mas você faria o quê?
54:34Eu ia pegar todos aqueles boi que estivessem lá em cima dessa terra e que fossem invadidas.
54:42Ia invadir com eles a praça dos três poderes.
54:45Lá em Brasília eu tô levando o senador.
54:47Ia botar tudo mugindo lá, do mesmo jeito que aquele pessoal foi lá pra berrar pela direta já.
54:54Eu vou dizer uma coisa pro senador.
54:56Eu acho até que eles iam mugir muito mais do que berraram naquela ocasião.
55:00E vou dizer uma coisa.
55:01Se fosse preciso, eu pintava a cara deles todos pra ficar tudo parecido.
55:06Meu amigo querido Bruno Mezenga.
55:10Vamos admitir que você realmente fizesse essa loucura, porque eu sei que você faria.
55:15Eu lhe conheço muito bem.
55:17O que que você ia fazer com tanto boi na praça dos três poderes?
55:21Se eles não devolvessem minhas terras.
55:23É, vamos admitir que não fosse possível de pronto a devolução das suas terras.
55:29E que fosse necessária a criação de uma comissão para avaliar o problema.
55:34Bom, aí senador, eu estourava a minha boiada.
55:38O senador já viu o estouro da minha boiada.
55:41Não, eu nunca lidei com boi.
55:44Mas lida com um e outro não sabe a força que tem.
55:47Estamos chegando em Brasília.
55:53Por favor, senhores, queiram apertar os cintos.
55:56Nosso jeito empaivado de terramenta precisa de ser muito mais.
56:02O povo foge da ignorância
56:07Apesar de viver tão perto dela
56:12E sonham com melhores tempos vindos
56:17Contemplando essa vida
56:20Numa cela
56:22Você tinha me matado mal de tudo
56:26Você tinha me matado
56:31Se acabar
56:32A arca de Noé
56:36O dirigível
56:38Não voam
56:40Não voam
56:41Nem se pode
56:42Não voam, nem se pode flutuar
56:48Não voam, nem se pode flutuar
56:54Ei, oh, vira de gado
56:59Como o marcado, ei
57:02Como o velhão do céu
57:05Ei, oh, vira de gado
57:10Como o marcado, ei
57:13Como o velhão do céu
57:15Sou desse chão onde o rei é pirão
57:30Com um laço na mão
57:33Laça a fé e marca
57:35Deixando a ilusão de que tudo é seu
57:40Com coragem de quem vive, luta, sonha
57:45Em ser mais feliz e quem sabe será
57:50Voam livres pensamentos seus
57:54Que vão pelo ar
57:56Ou fazem sonhar
57:59E sente-se um Deus
58:03Sou desse chão, sou da terra
58:07Sou da terra
58:08Sou da terra
58:09Eu sou da terra
58:10Eu sou da terra
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