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Diversão
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00:00Bom dia! Bom dia! A maior festa do peão de boiadeiro da América Latina completa 70 anos.
00:16No Globo Rural de hoje vamos contar a história do rodeio de barretos em São Paulo e o que mudou na competição e na economia da região.
00:25Sete décadas depois, a pecuária perdeu espaço para a cana-de-açúcar, mas a tradição da festa inspirada na liga do gado se renova e ainda é o sonho de muitos peões.
00:42Como é que está esse coração aí só de pensar nesse momento?
00:46Está bem acelerado um pouco, né?
00:48O sonho de todo mundo é vir pelo menos uma vez a barretos.
00:51Vem com ele ali galera! Palmas a ele!
00:53E você vai ver também.
00:57A suspensão da moratória da soja trouxe polêmica entre entidades que representam os agricultores e a indústria.
01:06No Rio Grande do Sul foi concluído o plantio de trigo, principal cultura de inverno do agronegócio gaúcho e teve redução de área plantada.
01:15No Piauí, a agência de defesa agropecuária do estado investiga a morte repentina de animais.
01:22Em plena colheita, produtores de Sergipe estão preocupados com o escoamento da laranja.
01:28A Suelen, de Sorocaba, São Paulo, diz que plantou mudas de café, mas passado um ano as plantas estão miúdas.
01:36Por que será?
01:36Esta semana o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o CADE, suspendeu a moratória da soja.
02:03A decisão causou polêmica no setor.
02:07A moratória da soja é um acordo comercial firmado em 2006 e que proibia empresas de comprar soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia depois de 2008.
02:18A ideia era justamente frear a degradação do bioma.
02:22O CADE investiga se associações que representam os compradores de grãos e mais 30 empresas estão usando a moratória para manipular o mercado.
02:34A suspensão é válida por 10 dias.
02:37Durante este período, as empresas terão que responder a um processo administrativo.
02:42O Conselho quer entender se houve ou não um acordo de preços firmado entre as empresas concorrentes.
02:50A ação foi movida pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e conta com o apoio de entidades do agronegócio, como a ProSoja e a CMA.
03:00As entidades questionam a moratória, alegando que o Código Florestal Brasileiro já é suficiente para evitar o desmatamento.
03:09Eu tenho poucas empresas que compram a soja dentro de todo o Brasil.
03:18Na medida que essas poucas empresas fazem um acordo que é acima da lei brasileira,
03:27então independente daquele produtor estar cumprindo a lei ou não, ela simplesmente não compra,
03:36automaticamente eu estou restringindo aquele produtor de vender a soja, porque ele não tem para quem mais vender.
03:43Agricultores matogrossenses comemoraram a suspensão da moratória da soja.
03:47Acredito que a gente reflete para todos os agricultores, porque volta a usar o direito, aquilo que é nosso,
03:55aquilo que foi determinado pelo governo brasileiro, as regras que nós sempre cumprimos e que a gente sempre deu atenção e respeitava elas.
04:04Então eu acho que isso terá um impacto de liberdade a todos os brasileiros, a todos os agricultores.
04:10A ABOV disse em nota que recebeu com surpresa a decisão do Conselho e que irá colaborar de forma plena e transparente com as autoridades competentes.
04:21O Greenpeace Brasil, uma das entidades que participaram da articulação da moratória da soja em 2006, considerou a suspensão um retrocesso.
04:30Esse movimento de ataque à moratória tem falado que o Código Florestal é suficiente, mas quando nós observamos os números,
04:39nós vemos que a maior parte das propriedades que desmataram, elas desmataram de maneira ilegal, elas não têm autorização.
04:47Então a moratória, apesar de ela ser sobre desmatamento zero, ela também controla o elemento da ilegalidade, que é muito alto na cadeia de soja.
04:55As empresas e entidades citadas na representação devem agora apresentar suas defesas.
05:03O Cade prevê multa diária de 250 mil reais para quem descumprir a decisão.
05:09Os gaúchos plantaram menos trigo este ano.
05:13Os produtores reclamam do custo e das crises que se acumulam.
05:18O seu Liseu é agricultor em Santa Rosa, no Noroeste do Rio Grande do Sul.
05:21Esse ano ele destinou uma área menor para o plantio do trigo.
05:25É, devido, né, os anos de frustração aí.
05:28E aí conseguimos guardar uma semente em casa, né, e ele barateia também, né.
05:33A área de trigo cultivada no Rio Grande do Sul, conforme estimativa da Emater, é de quase 1 milhão e 200 mil hectares.
05:41Cerca de 10% menos que a safra passada.
05:45E agora, com o fim do plantio, algumas regiões estão refazendo esses cálculos.
05:50E a área pode ser menor.
05:52É o caso aqui do Noroeste Gaúcho.
05:55São vários os motivos que desanimam o agricultor.
05:58A questão climática, né, que não permitiu que o produtor pudesse plantar no período adequado.
06:06A questão do custo de produção, muito próximo à renda, né.
06:11O mercado, como não é atrativo, ele parte então para uma outra cultura que tem um rendimento maior por área.
06:19Em Campo Novo, também no Noroeste do Estado, o Marcos manteve a área plantada, mas reduziu os investimentos.
06:26Em torno dos 20, 30%, mas o custo depende do ano também.
06:32Se for um ano que não tiver muita chuva e não for um inverno, primavera muito quente, tu economiza em fungicida.
06:41A cooperativa que recebe o trigo do Marcos também faz o acompanhamento da lavoura.
06:46A agrônoma explica que mesmo que a planta esteja se desenvolvendo bem, o porte dela está menor por causa do clima.
06:53Ela deu uma atrasada, sim, devido a fortes chuvas que ocorreram durante o período ali e também um pouco de falta de luz e também fortes geadas que teve nesse período, né.
07:06Geadas bem fortes que a gente teve aqui na nossa região.
07:10O plantio teve chuva em excesso e como é que fica agora a colheita do trigo nessa região?
07:16Bom, a Cíntia Toledo já está aqui para contar para a gente. Bom dia.
07:20Bom dia, Cíntia.
07:21Bom dia, Ellen Nelson. Um bom dia para você que está aqui com a gente também.
07:26Olha, nós falamos das chuvas na época do plantio, inclusive teve muita água também nos últimos dias no Rio Grande do Sul.
07:34Mas a partir de hoje essa condição muda.
07:37A frente fria que trouxe essa instabilidade já se afastou e agora uma massa de ar polar se instala na região.
07:45Vai ficar frio e seco, o que vai ajudar na colheita do trigo agora em setembro.
07:51Em Santa Rosa, que vimos na reportagem, nada de chuva até o fim deste mês.
07:56E o mesmo vale para toda essa área que está em branco no mapa, pegando regiões produtoras importantes, como Mato Grosso do Sul, São Paulo e Norte de Minas.
08:08Até a semana que vem a chuva se concentra nessa extensa faixa aqui ao leste, desde Santa Catarina até o Rio Grande do Norte.
08:16E também no norte do país, onde vem o maior volume de chuva.
08:21É por isso que a quantidade de água disponível no solo nessa região passa dos 90%.
08:27Já nessa área, em amarelo, de São Paulo ao Piauí, a umidade do solo não chega a 30%.
08:34Resultado de muitos dias seguidos de tempo seco, onde está em vermelho, nesse meio do Brasil, já são dois meses sem uma boa chuva.
08:45É aquela condição de estiagem agrícola, quando a quantidade de água no solo não é suficiente para garantir a produção.
08:53O Cinti, o calor dos últimos dias agrava essa situação, né? Como é que fica a temperatura essa semana?
08:59O calor diminui no sul e no sudeste. Máxima na casa dos 24 graus aqui em São Paulo.
09:06E só 12 no trecho de Serra de Santa Catarina.
09:09Já no centro-oeste, no sertão do nordeste e em parte do norte, calorão de 40 graus.
09:17Tá certo, Cintia. Obrigado. Bom domingo.
09:20Boa semana.
09:20Pra vocês também.
09:22Apesar desse calor e secura no centro do Brasil, os incêndios diminuíram no último mês.
09:28Veja no nosso Giro de Notícias.
09:30Em julho, o Brasil registrou 748 mil hectares queimados.
09:3640% a menos do que no mesmo período de 2024.
09:41E a menor área para o período desde 2019, quando o levantamento começou.
09:46No acumulado do ano, a redução é ainda maior, 59%.
09:50O Cerrado foi o bioma que mais sofreu com os incêndios, com a metade da área total queimada no país.
09:57O incêndio destruiu mais de 7 hectares de milho em Cambé, no norte do Paraná.
10:04A área que fica na margem de uma rodovia estava com a lavoura em ponto de colheita.
10:09Ainda não se sabe o que causou o incêndio.
10:12O fogo começou de madrugada e os vizinhos se mobilizaram para ajudar no combate às chamas.
10:20No Espírito Santo é tempo de colheita de cana de açúcar.
10:23A safra vai até outubro e os agricultores estão otimistas.
10:28A produção pode passar de 3 milhões de toneladas em todo o estado, volume superior ao registrado no ano passado.
10:36A moagem da cana deve crescer 5% nesta temporada.
10:41O índice de preços pagos ao produtor calculado pelo CPE acumulou forte alta este ano.
10:47Puxado principalmente pela valorização das carnes e do café, o índice subiu mais de 16% nos primeiros sete meses de 2025.
10:58O governo federal divulgou as regras de linhas de crédito destinadas aos exportadores afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos.
11:09Terão acesso ao plano emergencial os exportadores com, no mínimo, 5% do faturamento em vendas para os norte-americanos.
11:18Os prazos dos empréstimos e os juros dependem do tamanho das empresas e do grau de dependência dos Estados Unidos.
11:25E vamos aos preços do boi.
11:28Em Gurupi, Tocantins, a arroba foi negociada à vista por R$ 290.
11:34Barreto, São Paulo, R$ 300.
11:37Campo Grande, R$ 309.
11:39A média CPE com os preços do estado de São Paulo fechou a semana em R$ 310,55.
11:47Alta de 0,7%.
11:49Em Sergipe tem uma boa safra de laranja saindo do campo.
11:53Mas com muita fruta, o preço caiu.
11:56Na propriedade de Marcelo, em Estância, região sul de Sergipe, o pomar de laranjas está carregado.
12:03Ele espera quase dobrar a produção este ano e chegar a 900 toneladas nos 60 hectares que cultiva.
12:10Que acredito que seja a melhor produção que a gente já teve.
12:12E não é só por aqui que a colheita deve ser boa.
12:15No ano passado, uma safra do estado de Sergipe foram mais de 380 mil toneladas.
12:22A perspectiva para este ano de 2025 é ultrapassar as 420 mil toneladas.
12:27Esse aumento se deve a uma tentativa dos agricultores de Sergipe de ocupar o espaço que surgiu com problemas dos citricultores de São Paulo.
12:35Que concentra a maior parte da produção nacional.
12:39Fatores climáticos e problemas com o greening, principal doença da laranja, fizeram a colheita por lar cair quase 25% no ano passado.
12:48Com a expansão do mercado, os produtores passaram a investir mais em adubação, controle de pragas e novas mudas.
12:55O resultado? Pomares bem mais produtivos.
12:59Só que este ano, em plena colheita, os produtores não contavam com a dificuldade para o escoamento da laranja.
13:07O que se vê são caminhões abarrotados à porta das processadoras, aguardando a vez.
13:13Em média, quatro dias para descarregar.
13:15Eu perdi uma carga de laranja, joguei no mato.
13:18Aprodecendo em cima do carro.
13:20Eu carreguei esse carro na sexta-feira, descarreguei terça.
13:24As fábricas estão em capacidade máxima e o que ocorre, observando o período do ano passado para esse ano, esse aumento foi de 30%.
13:32Outra consequência é a forte queda nos preços.
13:35A tonelada que chegou a ser vendida a 2.100 reais ano passado, agora não passa de 600 reais.
13:42Só que, contando os gastos de produção no pomar e o frete, cada tonelada custa em torno de 800 reais para o agricultor.
13:51Não está valendo a pena colher.
13:53Muitos estão jogando fora a laranja que apodrece na fazenda.
13:57Está tendo uma quantidade de laranja muito grande no comércio, vamos dizer, e o preço de cada dia mais está caindo.
14:05E a gente fica com medo, né?
14:06Quem ainda pode esperar como seu Alisson, atrasa a colheita ao máximo.
14:11Então, em função disso, a gente não pode fazer uma colheita e fornecer diretamente à fábrica.
14:14A gente tem que aguardar a nossa data de entrega de fornecimento para a gente providenciar a colheita do fruto.
14:19A colheita da laranja em Sergipe se estende até outubro.
14:25Depois do intervalo, o que são os pontinhos pretos no pé de pitaia?
14:29As mudas de café estão se desenvolvendo lentamente. O que fazer?
14:34A galinha está botando ovo com casca mole. Qual será a causa?
14:38E ainda, a morte de cabras e ovelhas no Nordeste.
14:55A gente começa a nossa sessão de perguntas e respostas com uma dúvida que vem de Sorocaba, São Paulo.
15:01Helen, a Suelen Belinassi diz que plantou mudas de café.
15:07Mas, depois de um ano, ela viu que as mudas cresceram pouco.
15:11E até usou uma caneta, olha só, para dar uma ideia do tamanho.
15:15E pergunta o que fazer para produzir bem.
15:19Vamos ver algumas dicas.
15:20É no município de Londrina que fica a parte de pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná.
15:28Por aqui, há mais de meio século, especialistas estudam diversas culturas para ajudar o agricultor.
15:35Nesse viveiro tem café para tudo quanto é lado.
15:38São produzidas por ano cerca de 150 mil mudas destinadas à pesquisa.
15:42Essa planta aqui, por exemplo, está com quase a mesma idade que você diz que a sua tem Suelen.
15:49Só que, olha só, já bem mais crescida.
15:52Você, inclusive, usou uma caneta como referência para o tamanho.
15:55E eu vou fazer o mesmo.
15:57Veja a diferença.
15:59O técnico agrícola José Alves vai dizer para a gente.
16:02Por que o processo da Suelen está lento, está devagar?
16:05A julgar pela fotografia que ela nos encaminhou, dá para deduzir que o grande problema da Suelen é o substrato.
16:12Ela está com excesso de matéria orgânica.
16:15Pois é. A gente sempre pensa que o problema é falta de nutrientes.
16:19Mas o exagero também faz mal.
16:21Esse excesso provoca o que para a planta?
16:23Ela fica pálida.
16:25Porque o alimento que ela ia usar está sendo usado para decompor a matéria orgânica.
16:29Nesse caso, Suelen, o José Alves recomenda o seguinte.
16:32Ela vai ter que substituir esse substrato.
16:35Que aí ela tem que ou comprar ou preparar o solo mesmo, lá da terra dela, lá de Sorocaba.
16:41Antes disso, é bom você ficar atenta ao tamanho do recipiente onde plantou a muda.
16:47O vaso dela está pequeno?
16:49Está pequeno.
16:50Ela vai ter que substituir aquele vaso.
16:52Se não agora, mais para frente.
16:54Por que um vaso pequeno é ruim?
16:56A parte aérea tem de crescer.
16:59E aí não tem lugar para crescer as raízes.
17:01Então fica desproporcional.
17:03Vai faltar espaço para ela se desenvolver.
17:04E o que alimenta a planta?
17:06São as raízes.
17:07É a mesma coisa de fechar a boca.
17:09Não vai ter boca para comer.
17:10Esse vaso tem 20 litros.
17:13É o suficiente para abrigar o pé do plantio à colheita.
17:17Veja então como preparar o substrato.
17:20Sorocaba tem um solo muito argiloso, assim como Londrina.
17:24Há uma necessidade de adicionar uma palha para que ele fique só aerado.
17:29Para ter o sistema radicular, para as raízes possam desenvolver melhor nessa aeração.
17:34E quando irrigar, não expulsar todo o oxigênio desse solo.
17:38Para isso, dá para botar palha de café no solo.
17:42Você colocar 7 litros de terra, 3 a 2 litros de palha de café e misturar bem.
17:47No lugar da palha de café, também é possível usar areia de construção.
17:52A quantidade é a mesma.
17:55Hora de melhorar os nutrientes dessa mistura com calcário e a fórmula 250520 do NPK.
18:02Nitrogênio, fósforo, potássio.
18:04Para cada 10 litros de solo, colocar em torno de 100 gramas da fórmula.
18:11E um pouquinho em torno de 100 gramas do calcário.
18:14O que é importante para esse desenvolvimento dessa planta.
18:17Outra opção é o adubo de liberação lenta.
18:20Pegam umas bolinhas que fazem uma liberação lenta, de acordo com a irrigação.
18:25Ele vai liberando a quantidade que a planta precisa.
18:28Até uns 120 dias.
18:29Então, cada 3 meses, ela vai lá, coloca uma colherzinha por planta.
18:33E aí, ela não tem como errar.
18:34Nem se ela quiser, ela erra.
18:36Substrato corrigido, vaso no tamanho certo.
18:39Mas atenção, Suelen.
18:41O José Alves notou que seus pés de café parecem estar na varanda de um apartamento, perto da janela, onde bate muito sol.
18:49O que é ruim.
18:51Porque esse excesso de luz também está inibindo o crescimento dessa planta.
18:56Porque a planta, na fase jovem, ela precisa de sombra.
19:00E ali está com excesso de luz.
19:02Seguindo direitinho as dicas do José Alves, logo, logo vai ter grão no ponto de colheita, Suelen.
19:09Aí chama o Zizinho para tomar um bom café, né?
19:12E chama a gente também.
19:13Ah, isso.
19:16Nesses casos de produção caseira, uma opção é colocar os pés de café do lado de uma planta maior,
19:22que vai fazer sombra e proteger da luz direta do sol.
19:26O assunto agora é pitaia.
19:28O Hugo Álvares, de Franca, São Paulo, quer saber o que são esses pontinhos pretos.
19:35O repórter Filipe Mancuso buscou a resposta na Unesp, a Universidade Estadual Paulista.
19:41Bom dia, Hugo. Tudo bem?
19:42Então, a gente trouxe a tua dúvida para o agrônomo Marcelo Silva responder.
19:47O Marcelo é professor de fruticultura da Unesp Botucatu.
19:50Professor, Hugo quer saber o que são aqueles pontinhos pretos no pé de pitaia dele.
19:55Então, Hugo, infelizmente o problema que você está tendo aí é o pugão, né?
19:59É uma praga que ataca inúmeras culturas e com a pitaia não é diferente.
20:03Então, essa praga é comum em brotações novas, em florescimentos, em frutos,
20:08que se caracteriza por sugar a seiva da planta e, com isso, impede o crescimento normal da planta,
20:14pode gerar o abortamento de flores e resultar também no crescimento anormal de frutos.
20:19Aqui na Fazenda Experimental São Manuel são cultivadas cerca de 150 pitaias.
20:25Recentemente, algumas delas sofreram ataque do pugão, como mostram essas fotos.
20:31Professor, aqui a gente tem um distanciamento de 2 metros entre as plantas e 3 metros entre as linhas.
20:38O pugão consegue pular de uma planta para outra?
20:41O pugão, por ser um inseto pequeno e em associação com rajadas de vento,
20:47ele consegue se locomover por distâncias maiores do que essa de 2 metros.
20:51Então, isso acaba facilitando a disseminação do pugão dentro da área de produção.
20:55Lembrando, o próprio produtor, no ato de manejar as plantas,
20:59ele acaba também levando o pugão de uma planta para outra.
21:01Uma planta com a presença frequente de formigas pode ser um sinal do ataque do pugão.
21:07No ato da alimentação desse inseto, ele acaba excrementando, liberando aí substâncias açucaradas.
21:13E isso é um atrativo para a formiga.
21:15Qual que é a melhor maneira, Dugo, combater aquele foco de pugão?
21:18Bom, tem uma solução caseira muito prática, né, para quem vai aplicar,
21:22que aí seria o detergente neutro, né, na proporção de 10 a 15 ml de detergente neutro para 1 litro de água.
21:29E a função do detergente neutro é justamente quebrar uma barreira de gordura que tem no pugão,
21:34e com isso o pugão desidrata e morre.
21:36Então é só misturar esses dois produtos e borrifar na planta até o ponto de escorrimento, né, que nós falamos.
21:43Esses pontinhos brancos são os pulgões já mortos?
21:46É resultado justamente da efetividade do controle feito anteriormente.
21:51Se após a primeira aplicação com detergente os insetos continuarem na planta,
21:56é só repetir a dose depois de 5 dias.
22:00Assim, os frutos têm tudo para se desenvolverem saudáveis, Hugo.
22:04Além do detergente neutro, o agrônomo recomenda o uso de algum produto à base de óleo mineral,
22:11que você encontra em casas agrícolas.
22:14O Gleison de Pernambuco quer começar a produzir cacau e pede uma cartilha.
22:21Vamos lá, Gleison.
22:22Abra a câmera do seu celular e aponte por código que aparece aqui embaixo no canto da tela.
22:27Você vai acessar essa publicação do SENAR, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural,
22:34que fala da produção, do manejo e da colheita do cacau.
22:39Fala das variedades, pragas, doenças e dicas para fazer o beneficiamento das amêndoas.
22:45O link para baixar o material também está disponível no g1.com.br barra globo rural.
22:53Por que a galinha está botando ovo com a casca mole?
22:59É a pergunta da Vanessa de Souza, de São Paulo.
23:03Olha, Vanessa, eu fui atrás de uma explicação.
23:06Para responder essa dúvida, nós viemos à Universidade de Taubaté, em São Paulo.
23:12Este galinheiro é o local das aulas práticas dos alunos.
23:16As galinhas aqui estão em idade de postura e todos os dias têm coleta de ovos.
23:21Hoje, nós não encontramos nenhum ovo com a casca mole por aqui.
23:26Mas será que isso pode acontecer mesmo com todos os cuidados?
23:30A zootecnista Marisa França é quem vai nos responder.
23:34É comum um ovo com casca mole?
23:36É comum, é um problema comum, né, da integridade da casca dentro da agricultura de postura.
23:41E até aqui a gente encontra alguns ovos com casca mole.
23:44O que causa isso?
23:45Nós temos diversos fatores.
23:46Algumas doenças e temperaturas acima dos 30 graus podem prejudicar a formação da casca.
23:53O que fazer para conseguir deixar a temperatura ideal?
23:56Nós fazemos aí a abertura das cortinas nos horários mais quentes do dia,
24:00fechamento das cortinas nos horários mais frios para a gente poder manter o conforto térmico
24:04e a questão do posicionamento da construção desse galpão.
24:08Então, normalmente, a recomendação é construído no sentido leste-oeste
24:12para que a gente possa ter o sol passando ao longo da sua movimentação na culmieira desse galpão
24:18e não incida direto dentro do galpão, né, caso essas aves, né, estejam ali presas ao longo do dia.
24:24Mas doutora Marisa explica que o problema do ovo de casca mole
24:28é causado principalmente por uma falha na alimentação das aves.
24:33E o mais comum que traz esse tipo de defeito na casca
24:37que seria aí a falta de cálcio, né, a falta de minerais, então a deficiência nutricional.
24:44Aqui na universidade o pessoal fabrica a própria ração
24:47usando fubá de milho, farelo de soja, farelo de trigo,
24:52um núcleo com vitaminas e minerais e uma boa fonte de cálcio.
24:56Como o cálcio é um mineral ali primordial no encascamento,
24:59então além do núcleo de postura para o nível de produção das nossas aves
25:02nós ainda utilizamos o calcário calcítico.
25:04E tudo isso você pode encontrar no mercado?
25:06Tudo isso é de fácil acesso no mercado, então tanto grandes como pequenos produtores
25:10conseguem o acesso ao núcleo de postura e ao calcário calcítico.
25:16Se você optar por fazer uma quantidade maior de ração,
25:19será necessário um misturador como esse,
25:23já que ração mal misturada também prejudica a nutrição das galinhas.
25:27Para o pequeno produtor que tem lá poucos animais,
25:31vale a pena investir numa mistura dessa?
25:33Normalmente nós recomendamos para o pequeno produtor,
25:36para a agricultura familiar ou para quem produz as aves
25:38para consumo próprio dos ovos,
25:40procurar rações comerciais que nós temos disponíveis no mercado
25:43e atendem as exigências de postura de produção dessas aves.
25:48Caso você decida pela ração comercial,
25:50a quantidade por ave vai estar indicada no rótulo do produto.
25:54O pessoal da Universidade de Taubaté preparou uma receita de ração
26:01para quem tem uma criação maior de galinhas poedeiras.
26:05Você pode conferir lá no nosso site.
26:07E aí na sua região tem alguma curiosidade, dúvidas sobre sua plantação,
26:12criação de animais?
26:14Participe também do Globo Rural.
26:16Anote o número do nosso WhatsApp.
26:1911-988-95-5505.
26:23Vale enviar texto, foto e vídeo.
26:27E escreva o seu nome e do seu município.
26:31E agora a agenda do campo.
26:33Encontro de criadores de abelhas em Penedo, Alagoas.
26:37Exposição agropecuária em Itaporanga da Ajuda, Sergipe.
26:42Evento sobre carro de boi em Serrolandia, Bahia.
26:45Exposição de bovinos em Surubim, Pernambuco.
26:49E feira do agronegócio em Eloy Mendes, Minas Gerais.
26:54E tem mais eventos e notícias da semana.
26:56O Rio Grande do Norte cediu essa semana a Expo Fruit,
27:00uma das maiores feiras dedicadas à fruticultura irrigada do país.
27:04Um dos destaques este ano foi a presença de importadores de mais de 13 países
27:08que participaram de rodadas de negociações por meio do programa Exporta Mais do governo federal.
27:15O objetivo é facilitar as negociações com produtores de fruta de todo o Brasil.
27:20No Ceará, começou a colheita de caju.
27:23A estimativa para a safra deste ano é que ela seja 30% menor do que a do ano passado.
27:29Isso porque choveu menos em diversas regiões aqui do estado,
27:33o que deve diminuir também a produtividade do cajueiro.
27:37O Ceará é responsável por quase metade de toda a produção de caju do país.
27:43Os preços do arroz estão em queda no Rio Grande do Sul.
27:46A saca de 50 quilos está sendo negociada na casa dos R$ 67,00,
27:51valor 42% mais baixo que na mesma época do ano passado.
27:55O crescimento da produção interna e a desvalorização do arroz no mercado internacional
28:00impactaram as cotações por aqui.
28:03É época da colheita do gergelim em Goiás.
28:06O tempo ajudou e os produtores estão animados com a boa produtividade das lavouras.
28:12A cultura tem ganhado espaço como cultivo de segunda safra,
28:16já que é mais resistente à seca e também ajuda na preparação do solo para o cultivo da soja.
28:22Goiás deve colher em torno de 1.500 toneladas de gergelim nesta safra,
28:27mesmo volume da temporada passada.
28:32Quase 200 animais morreram depois de serem vacinados no Piauí.
28:37O Ministério da Agricultura e Pecuária suspendeu a distribuição
28:41e a venda de dois lotes do imunizante enquanto investiga os casos.
28:46Na propriedade do Elias, a área destinada ao cultivo de capim
28:52precisou ser improvisada para algo que ele não imaginava.
28:56Queimar os animais que morreram depois de adoecer de repente.
29:01Foram 33 ovelhas em pouco mais de duas semanas.
29:05José Brito tem enfrentado o mesmo problema.
29:19Ele perdeu metade do rebanho que sustentaria a família durante um ano inteiro.
29:24Só no município de Simões, a Secretaria de Desenvolvimento Rural
29:34contabiliza a morte de 100 animais entre cabras e ovelhas
29:38com os mesmos sintomas desde julho.
29:42Em todo o Piauí, o número passa de 170.
29:45Os criadores afirmam que tudo começou após a aplicação da vacina Excel 10.
29:50O imunizante costuma ser usado no combate a infecções causadas por bactérias do gênero Clostridium.
29:59O tétano e o botulismo são alguns exemplos.
30:02Os criadores relatam que após a aplicação da vacina,
30:08após 10 dias, 5 dias, 10 dias, começou a mortalidade dos animais.
30:12No município vizinho, Curral Novo do Piauí, os relatos são parecidos.
30:17Ele começa a inchar e 24 horas o bicho já morre.
30:21Estou com medo que tem mais aqui.
30:22Todo dia aparece um doente e morre.
30:24E tem um gato que eu vacinei também, que eu estou com medo que pode morrer, né?
30:28Nildo conta que foi surpreendido com a morte de mais de 30 ovelhas.
30:33Um prejuízo de 11 mil reais.
30:36Não tem nada a fazer e não sei como é que vai ser da hora pra frente.
30:39Isso aí é o orçamento do ano inteiro pra nós.
30:41Técnicos da Agência de Defesa Agropecuária do Estado
30:45coletaram amostras dos animais mortos
30:47para que sejam analisadas nos laboratórios de duas universidades.
30:52A Federal do Piauí e a Estadual do Ceará.
30:56O resultado deve sair nas próximas semanas.
30:59Se for o caso de micro-organismo,
31:01se for uma intolerância ou intoxicação,
31:04temos que esperar os laudos dos patologistas onde estão sendo estudados.
31:08A fabricante da vacina disse que os casos estão sendo investigados por equipes da empresa,
31:15juntamente com o Ministério da Agricultura,
31:17para identificar as causas das mortes.
31:20O Departamento de Saúde Animal, ligado ao Ministério,
31:24determinou a suspensão imediata da distribuição e venda de dois lotes do imunizante.
31:31Seu Romão tenta manter os poucos animais que restaram.
31:34Em meio ao desespero diante de tanto prejuízo, faltam palavras.
31:41Mas fico sentido.
31:47Além das mortes no Piauí,
31:49também há casos investigados no Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão e Sergipe.
31:55E daqui a pouco.
31:56Vamos falar dos 70 anos da festa do peão de boiadeiro de Barretos.
32:02Você vai ver como são criados os touros que desafiam os peões aqui na arena.
32:08Raridade!
32:09Raridade!
32:09A maior festa do peão de boiadeiro da América Latina completa 70 anos.
32:26Barretos, em São Paulo, mantém a tradição do rodeio,
32:30um esporte inspirado na lida com o gado nas fazendas.
32:34A reportagem é do Rafael Castro e do Eduardo Mendes.
32:43A Sinfonia da Roça sela uma antiga parceria.
32:49Da tradição da lida do gado, nasce o elo entre homem e animal.
32:55Conexão que vai além do campo e chega às arenas.
32:59Boa noite, Barretos! Palmas de Brasil!
33:06Hoje Barretos está entre os cinco maiores eventos de rodeio do mundo.
33:11O Brasil vai favorecer o seu touro, segura ele até o final.
33:13O sonho de todo mundo é vir ao menos uma vez a Barretos.
33:16Vem com ele ali, galera! Palmas a ele!
33:19Quero ir para Barretos porque é meu sonho desde criança, né?
33:23Disputar aqui é um rodeio grande, premiação boa.
33:25Vai embora, embora! Se ele parar, não é o campeão!
33:30Na montaria, oito segundos duram uma eternidade.
33:34Você montar no entorno não é fácil.
33:36Dependendo da forma que você cair, ele pode te pegar.
33:39Ele pode te jogar no chão de uma certa forma, que você vai perder todo o seu equilíbrio.
33:43Ele pode pisar em você.
33:44Há 70 anos, Barretos, no norte de São Paulo, celebra a tradição do homem sertanejo.
33:54Mas a história do município com o gado começou bem antes.
33:59No início do século XX, Barretos era a parada obrigatória dos tropeiros,
34:04que vinham de várias partes do Brasil.
34:06Eles traziam o gado das fazendas para os pontos de venda.
34:10Naquela época, o destino dos animais era um só.
34:13Um dos primeiros frigoríficos da América Latina, fundado em 1913.
34:20A unidade está em operação até hoje com atividades de desossa e produção de enlatados.
34:26Só o abate de bovinos deixou de ser feito aqui.
34:29Mas lá atrás, há mais de 100 anos, a chegada do frigorífico foi essencial para transformar Barretos num polo agropecuário.
34:38Sem falar que a vinda das boiadas para cá inspirou a criação do primeiro rodeio do país.
34:45Ninguém iria imaginar a dimensão que a festa fosse tomar, né?
34:50O vice-presidente do clube que organiza a festa conhece bem essa história.
34:55O seu Emílio Carlos, o Cacá, destaca a localização estratégica do frigorífico.
35:00Foi o fato de ter a matéria-prima e a ligação ferroviária com São Paulo, Rio de Janeiro, os dois maiores centros consumidores e com Porto de Santos.
35:09Seu Cacá lembra que quando os peões chegavam a Barretos, tinham que esperar um tempão para entregar os bois.
35:15Você não consegue entregar a boiada tudo de uma vez, há uma fila, vamos assim dizer, e a peonada ficava sem fazer nada.
35:25E o dono de uma comitiva, um capataz, mas na minha comitiva tem um burro que ninguém para.
35:34Aí você falava para mim, mas na minha tem um peão que não cai de nada.
35:39Aí começaram os desafios, rolava aposta, né?
35:42Das apostas informais entre os peões, surgiu a ideia da competição.
35:47Em 1947, a Prefeitura de Barretos organizou durante uma quermesse, aquele que é considerado o primeiro rodeio do Brasil.
35:57Mas a festa só se firmou mesmo nove anos depois, a partir de 1956.
36:03Foi quando o festival passou a ser organizado por rapazes que haviam fundado um ano antes um clube chamado Os Independentes.
36:13Tinha que ser maior de 21 anos, independentes financeiramente, não ricos, né?
36:20E solteiro, ou seja, um clube do bolinha.
36:24E quando casava, ele expulso.
36:26Hoje os critérios para entrar no clube estão mais flexíveis.
36:30Já é permitido casar.
36:31E as mulheres não podem entrar no clube?
36:35Eu penso que vai chegar um momento que elas vão entrar.
36:39No começo, os peões só montavam em cavalos.
36:43É aqui no picadeiro que está a alma da festa do...
36:45Olha o Nelson Araújo aí, fazendo a cobertura da festa para o Jornal Nacional.
36:50É no rodeio que o vaqueiro pode demonstrar toda a coragem e a capacidade que tem para montar animais bravos.
36:56Para quem acompanha a evolução do rodeio, uma das mudanças mais importantes nos últimos 70 anos foi no perfil dos animais, que assim como os peões, são atletas.
37:07Culturalmente, o rodeio sempre foi em cavalo no Brasil.
37:11Aí em 72, 73, por aí, começaram a querer introduzir o touro, porque nos Estados Unidos tinha o touro.
37:19E aqui no Brasil, não.
37:20O público, quando começou a ver a dificuldade que o peão passava em cima do touro, ele passou a vibrar mais.
37:28Os jovens solteirões trouxeram as regras do rodeio dos Estados Unidos, o berço da cultura country.
37:35A principal delas é que o peão deve ficar montado por 8 segundos.
37:40Um júri dá a nota de 0 a 100.
37:43Metade dessa nota é para o peão.
37:44Os outros 50% vão para a performance do animal.
37:48Ele vai julgar o que o animal fez, o que é mais difícil que ele fez, se ele pulou alto, se ele rodou, o que ele fez.
37:56E do competidor, a performance dele em cima do touro.
37:59Ele tem que estar bem focado, com o corpo bem ereto, ele não pode estar sendo jogado de lado.
38:05E se ele não parar 8 segundos, 7.99 é zero.
38:08As primeiras festas foram realizadas no centro de Barretos, debaixo de uma lona de circo, neste parque de exposições, mantido até hoje.
38:19Não tinha ainda, né, os profissionais de rodeio, eram peões de fazenda, as estruturas eram um pouco improvisadas, mas foi um tremendo sucesso.
38:30Com o tempo, o espaço ficou pequeno e a festa foi para outro lugar.
38:38Na década de 1980, os independentes construíram o Parque do Peão, numa área com 200 hectares.
38:49Um memorial em formato de lona de circo lembra a estrutura onde as primeiras competições foram realizadas.
38:57Mas o espaço mais procurado é esse.
39:02O estádio, projetado por Oscar Niemeyer, virou a casa da maior festa de peão da América Latina.
39:09Este é o ponto de encontro dos apaixonados por rodeio.
39:14O estádio, com capacidade para 35 mil pessoas sentadas, abriga a arena tão cobiçada pelos peões.
39:21Neste ano, mais de 3.500 competidores devem passar por aqui.
39:27Em 70 anos de história, a festa de Barretos se transformou num passaporte para quem sonha com a carreira internacional.
39:37Os competidores mais bem colocados se classificam para disputar campeonatos mundiais nos Estados Unidos.
39:44Durante os 11 dias da festa de Barretos, são disputadas as principais finais de montaria em touro, além de prova de laço, três tambores.
39:54Ao todo, são nove modalidades.
39:56O prêmio total é de cerca de um milhão e meio de reais.
39:59Há quase 40 anos, o Ney documenta todas essas mudanças na festa do peão de Barretos.
40:08Isso foi em 87. Só que eu era de Barretos.
40:11Criado em Barretos, conheci o rodeio desde criança, frequentava a festa do peão.
40:15Aí em 88, que é essa imagem que está aqui no fundo, eu fui filmar Barretos com a câmera VHS e comecei filmando o rodeio.
40:24A partir dali, foi crescendo, crescendo, crescendo.
40:28O pessoal começou a me chamar para fazer vários rodeios e aí eu comecei a gostar do rodeio.
40:36Ele montou uma produtora que reúne um acervo com 30 mil horas de gravação.
40:42São muitas memórias.
40:44Isso aqui era cultural.
40:46Hoje é um esporte.
40:48Mudou muito.
40:48Mudou muito.
40:48E as regras de bem-estar animal também tiveram que mudar.
40:57Mas esse é um assunto para o nosso próximo bloco.
41:00Até já.
41:01Em 70 anos de história, muita coisa mudou em Barretos.
41:17Na competição e na economia da região.
41:20Na segunda parte da nossa reportagem especial, você vai ver como é a criação dos touros que são as estrelas da festa.
41:31Quem visita a capital nacional do rodeio encontra uma novidade.
41:40Bois gigantes pelo caminho.
41:43A escultura inaugurada há dois meses faz uma homenagem ao boi soberano, que teria salvado um menino do estouro de uma boiada.
41:52A lenda do animal herói virou um clássico da música caipira.
41:56Esse boi salvou meu filho, ninguém mata o soberano.
42:06Na ficção ou na realidade, a pecuária sempre fez parte da história de Barretos.
42:12Mas hoje a vocação produtiva do município mudou.
42:17Nove em cada dez produtores passaram a investir na cana de açúcar.
42:21As terras foram ficando muito caras na região do interior do estado de São Paulo.
42:26E aí o gado foi migrado para outros estados, como Mato Grosso, Minas, Goiás, Mato Grosso do Sul.
42:34E que as terras eram mais baratas e precisam de uma extensão maior para se criar gado.
42:38Então, por isso que Barretos foi se transformando de pecuária para a cana de açúcar,
42:44que é uma atividade rentável para as terras que são mais caras.
42:49Hoje em Barretos, a tradição pecuária se mantém na festa do peão e em alguns confinamentos de gado.
42:56E eles também evoluíram ao longo do tempo.
43:00Com investimentos em genética e alimentação, os bois vão cada vez mais cedo para o abate, entre 18 e 30 meses.
43:08Aqui a gente busca por um animal que tenha um bom acabamento, um bom teor de gordura.
43:15Eles têm que engordar.
43:17Tem que estar gordo.
43:17O animal, uma vez em conforto, recebendo a dieta com qualidade, ele performa muito bem,
43:22ele traz aí uma carne de melhor qualidade, que é o objetivo nosso do confinamento.
43:27Aqui nas fazendas, o dia a dia de quem faz a lida do gado também mudou.
43:34São novas tecnologias, novas formas de manejo.
43:37E vem cá, vocês que são peões.
43:39Luiz, qual foi a maior mudança?
43:41Rafael, acho que no manejo antigo já não faz mais com ferrão, grito, cachorro.
43:48Hoje a gente trabalha mais com a cabeça do que com o corpo.
43:52Para você, o que mais mudou?
43:53Depois que veio esse bem-estar animal, manejo racional, mudou muita coisa.
43:58Principalmente a tranquilidade e a segurança dos dois, tanto o animal quanto o vaqueiro.
44:04Cuidar dos bois é o trabalho do seu Valério.
44:08Agora, o senhor vem trabalhar assim mesmo todo dia ou é por causa da reportagem?
44:11Não, não. Eu trabalho assim mesmo.
44:13Chapéu velho, fujo, botina fujo, é o jeitão mesmo.
44:17Cowboy mesmo?
44:17Cowboy mesmo, do ramo.
44:19Ele cresceu na roça, fez a vida como peão.
44:23Eu comecei aos 12 anos ajudando meus pais em fazenda, ajudando a tocar animal em fazenda, em curral, buscando tropa.
44:33Seu Valério aprendeu muito com as mudanças na lida do gado.
44:37Gostei muito do manejo racional, sabe?
44:39Sem gritaria, sem estresse, sem correria.
44:43É um manejo muito gratificante de fazer e ajuda a gente muito, muito, muito.
44:48Criar um boi para a produção de carne é bem diferente de criar um touro de rodeio.
44:53Mas assim como nos confinamentos, o jeito como os peões e tratadores lidam com os animais atletas,
45:00também precisou mudar ao longo dos anos.
45:03Depois de muita polêmica, em 2002 uma lei federal regulamentou o rodeio
45:08e passou a impedir qualquer prática de maus tratos aos animais.
45:12Você vai falar assim, ah, mas pode ter acontecido, pode, qualquer mau profissional pode ter feito algum tipo de atividade totalmente ilegal.
45:19Isso pode acontecer em qualquer lugar.
45:21Mas existe uma lei que tem todo o alinhamento histórico de como deve ser tratado os animais,
45:28quais são os equipamentos, de que forma ele é conduzido.
45:31Isso segue a regra internacional.
45:33Neste ano, a festa do peão de barretos conta com cerca de 50 fornecedores de touros de várias regiões do país.
45:46Segundo a organização do evento, de cada 10 animais, 6 vêm aqui mesmo do estado de São Paulo.
45:53São touros criados especialmente para as competições de rodeio,
45:57como o rebanho desta fazenda em Lins, no centro-oeste paulista.
46:03147 animais ocupam uma área de 100 hectares.
46:09Aqui todos vivem soltos no pasto.
46:13Humberto Francisco, conhecido como Chiquinho da Califórnia,
46:17começou a criar touros para rodeio em 2005.
46:20Foi 20 anos para se profissionalizar da forma que é hoje.
46:25A fazenda aluga touros para mais de 100 festas de rodeio por ano no Brasil.
46:31Os animais são embarcados em carretas como essa, com uma cama de borracha coberta por palha de arroz.
46:38Tudo para garantir o conforto.
46:42Neste ano, o Chiquinho enviou 35 touros para barretos.
46:46A gente põe ali 5, 6 bois por noite, mais ou menos, da primeira semana até a última.
46:51E o valor?
46:52O valor é aproximadamente em torno de 70, 80 mil reais.
46:57Esses aluguéis que a gente faz dos touros para as grandes festas,
47:01dentro da propriedade, ela banca todos os tratos, todas as despesas que a gente tem dentro do rodeio.
47:07O tratamento dos animais é diferenciado, começando pelos apelidos.
47:12Tem muitos nomes que a gente olha para eles e vem na cabeça.
47:16Tipo aí, eu tenho um boi que se chama pirata.
47:18Tem o cara metade, metade do rosto dele é branco, metade é preto.
47:21E muitos que a gente compra, que já vem com os nomes.
47:24Outro queridinho é esse aí.
47:26Raridade.
47:27Raridade.
47:28Por que raridade?
47:29Porque ele é um touro diferente em todos os quesitos dele.
47:32Tanto no pulo, quanto a dociedade dele aqui com a gente, com as crianças, com os tratadores.
47:39É um touro manso.
47:40É um touro manso, porém dentro da arena ele tem uma alta performance.
47:45Raridade.
47:46O Raridade faz sucesso nas arenas.
47:48Já participou de mais de 20 rodeios.
47:5244,75 é o melhor touro até então.
47:56Para garantir uma performance como essa, o trabalho na fazenda é intenso.
48:01Assim que os touros chegam ainda pequenos, o pessoal identifica os mais talentosos.
48:06Ele abre a porteira, se ele pular, se ele mostrar coice ou giro ou alguma coisa do tipo,
48:12nós já sabemos que ele tem uma aptidão para o rodeio.
48:15Então esse garrote a gente vai segurar ele.
48:17Aí depois tem toda essa fase do primeiro ano até o terceiro ano e meio.
48:22Quarto ano ele já começa a fazer a troca de dentes.
48:26De adolescente ele vira mocinho.
48:28De mocinho ele já começa a poder ir para o rodeio.
48:31A partir de quantos anos?
48:32Três anos e meio, para cima.
48:35Alguns chegam a ficar até dez anos em rodeios.
48:39Depois passam o resto da vida descansando.
48:41Eu tenho até um asilo de boi, que eu aposento.
48:45Grandes animais que fizeram nome dentro da companhia, eu não vendo.
48:51Quando eu não vendo, eu seguro e deixo eles morrer de velhinho aqui dentro.
48:55Antigamente os peões usavam vários tipos de artifício para fazer os touros pularem.
49:02Hoje ainda usam uma corda de algodão chamada sedem.
49:06Mas ela não pode apertar e nem ferir o animal.
49:09E ao contrário do que muitos pensam, vai na cintura do touro, sem passar pelos testículos.
49:15O sedem nada mais é um estímulo para isso ocorrer.
49:18Não machuca o touro?
49:20Até hoje, na minha experiência, eu nunca vi nenhum relatos de touros machucados com o sedem.
49:27Os criadores dizem que o que faz os touros pularem na arena é principalmente o trabalho de melhoramento genético, desenvolvido ao longo de décadas.
49:37Com ele, já é possível selecionar animais com aptidão para o esporte.
49:40Temos lá a fêmea que é filha de touro de rodeio, temos o macho que é o touro de rodeio, a gente faz a fecundação, torna-se, faz-se o embrião, coloca numa barriga de aluguel e nasce um indivíduo.
49:55Desse cruzamento você tem um touro que pula mais?
49:58Tendência de dar certo um boi de rodeio no cruzamento genético é mais fácil.
50:03A alimentação balanceada também faz diferença.
50:08O rebanho come ração e capim.
50:11Ao contrário do gado de corte que vai para o abate muito jovem, o de rodeio não pode engordar muito.
50:17O peso ideal varia entre 800 quilos e uma tonelada.
50:21Um animal muito gordo não consegue ter uma boa apresentação, uma boa performance.
50:26Muito magro também não é viável.
50:29Então, nem gordo nem magro, tem que estar no equilíbrio.
50:31Nessa vida de atleta, entre um pulo e outro, os animais podem se machucar.
50:37Depois da competição, todos passam por um check-up na fazenda.
50:41Aqui os exames detectaram um problema.
50:44Ele teve uma leve lesão na região ali próximo ao casco e fez ele mancar.
50:50O tratamento é feito com pomada e injeção de anti-inflamatório.
50:55Vai abrir na porteira, bateu do seu touro agora.
50:57Ainda há críticas sobre o uso de animais para práticas esportivas.
51:02Mas hoje, se um touro sofrer qualquer tipo de agressão na arena, o peão é desclassificado e responde a um processo na justiça.
51:11Ele pode ser multado e expulso do esporte.
51:14Se tivesse algum tipo de maus tratos, injúrias, alguma coisa com um animal, eu seria o primeiro a não ter.
51:24Porque eu tenho eles por amor.
51:26Há 70 anos, a parceria entre peões e animais se renova no trabalho diário na roça e no festival de barretos.
51:35Tá aí o Emerson Veras, vem de longe.
51:37O Emerson mostra que um peão de fazenda também dá show nas arenas.
51:42Há quatro anos, deixou o Pará para ser peão em São Paulo.
51:48Tinha uma classificatória aqui, tipo uma prova, né?
51:52Montava 100 peões e passava 10 peões.
51:56E aí eu me inscrevi, vim, consegui passar e fiquei um ano aqui.
52:01Aí depois de um ano eu fui lá, ajeitei o que tinha que ajeitar e me decidi mudar de vez para cá.
52:05E como é que foi essa mudança para São Paulo?
52:07Foi difícil no início? Como é que foi?
52:09Ah, no início foi um pouco difícil, sabe?
52:11Porque a gente larga a família, a mãe, ficou todo mundo lá.
52:15Mas, tipo, é o sonho, né?
52:17Ele é bom do boi, ele tá focado e agora é, Emerson!
52:21Aos 28 anos, já participou de mais de 2 mil rodeios pelo Brasil.
52:26O bom desempenho rendeu a ele muitas conquistas.
52:30É a maior nota de todo o rodeio, galera de Bastos!
52:34Uns seis meses eu consegui comprar um carro, tinha um terreno lá, a casa eu tô construindo, tá lá também.
52:40Graças a Deus, tô acabando de construir.
52:42Comprei um gado também e a gente vai garantindo as coisas, né?
52:47Investindo dinheiro.
52:48Tudo isso graças ao rodeio.
52:50Quando não tá nas arenas, ele tá no campo.
52:54O Emerson cuida dos touros desta fazenda.
52:56Já vem de mim de gostar de tratar deles também, de tá mexendo.
53:00Pra mim é muito bom saber que é o touro que eu monto também no rodeio e tá cuidando deles pra mim, é bom demais.
53:07É uma relação de amizade.
53:10E sabe qual é o touro preferido dele?
53:13Emocionante.
53:14Emocionante, vem!
53:15Por quê?
53:16O emocionante é o seu xodó.
53:18É um touro bom de montar pelo jeito e pulador, dá nota alta também.
53:23Então, pra mim, é um touro que eu sou fã dele.
53:26Já montou nele?
53:27Não, tenho vontade de montar nele.
53:29E esse dia pode estar perto.
53:32Depois de muito treino, o Emerson se classificou pra montar pela primeira vez em Barretos.
53:38Como é que tá esse coração aí, só de pensar nesse momento?
53:41Ah, tá bem já acelerado um pouco, né?
53:45Mas o tempo mantendo a calma pra chegar focado e montar bem, pra não chegar lá e não pavorar pra fazer o serviço bem feito, né?
53:53Ninguém te segura.
53:54Ninguém te segura, só Deus.
53:58Em 70 anos, Barretos lançou bem mais do que jovens peões ao estrelato.
54:05Lançou moda, comida de roça, música.
54:09Apresentou parte da cultura do campo pra cidade.
54:18Tradições que fazem sucesso, como o concurso de berrante.
54:24E o de culinária, conhecido como queima do alho, que premia a melhor comida tropeira.
54:30Em 11 dias de festa, a música sertaneja tá presente com mais de 110 horas de atrações em 100 shows.
54:40A festa de Barretos se transformou numa grande indústria, que atrai todos os anos mais de 900 mil pessoas de várias partes do país.
54:56Gera cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos.
55:00E movimenta mais de 1 bilhão e 200 milhões de reais na economia de toda uma região.
55:07Barretos, não só são os shows, nem as provas e nem as montarias.
55:15Participar da festa de Barretos é ter uma experiência sensorial, sensitiva.
55:22Quantas conexões não são feitas ali?
55:25Sentimentais, amorosas, negócios.
55:29É um orgulho do agronegócio brasileiro e de todo o país.
55:37O Emerson, peão que a gente viu aí na reportagem, deve fazer a estreia dele em Barretos na próxima quinta-feira.
55:45A festa vai até o dia 31.
55:48O Globo Rural termina aqui.
55:50Sábado que vem tem a nossa reprise, às 6 horas.
55:53E domingo, programa inédito, mais cedo, às 7 e meia da manhã.
55:57Um ótimo dia.
55:58Bom domingo e até semana que vem.
56:00Bom domingo e até semana.
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